A Senda Da Cruz

Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia, e tome a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23

A experiência de salvação dos homens tem o seu alicerce fincado numa cruz. O nascimento de uma vida cristã acontece no encontro do homem pecador com Cristo crucificado. Não existe possibilidade de salvação sem se provar o alto preço da cruz. O Senhor Jesus sempre foi claro diante daqueles que desejavam segui-lo. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo. Lucas 14:33

Um homem perguntou a Moody o seguinte:

“Como o senhor explica, o fato de Maomé ter começado seu trabalho 600 anos depois de Cristo e já agora existirem mais maometanos do que cristãos?”

Moody respondeu: “Um homem pode ser discípulo de Maomé sem ter que negar-se, sem ter de levar nenhuma cruz. Pode viver no pecado mais vil e imundo. Se um homem, porém, quer ser discípulo de nosso Senhor Jesus Cristo, deve deixar o mundo, tomar sua cruz e seguir ao Senhor”.

A cruz é o marco que diferencia o cristianismo de todas as outras religiões do mundo, A cruz age diretamente no caráter da pessoa e tem como finalidade destruir todos os interesses centrados no próprio indivíduo. Ela aniquila a justiça própria humana e põe por terra toda a sober­ba do homem.

A Bíblia nos mostra que o apóstolo Paulo encontrou na cruz a sua própria glória. Enquanto que, para o mundo, a cruz é lugar de repúdio e vergonha, na visão de Paulo, ela é a maior expressão do poder e da glória de Deus, Mas longe esteja de mim gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14.

Como o apóstolo pôde encontrar a sua glória em um instrumento tão hediondo e tão repulsivo? Alguém disse: “Se Jesus não tivesse sido levantado dentre os mortos, nenhuma pessoa de mente sã glorificaria algo tão vil e bárbaro como a cruz que foi manchada pelo sangue de Jesus. Pelo milagre da ressurreição da tumba, Jesus colocou o selo de garantia do perdão nos nossos pecados.” A única solução para o homem perdido é Cristo, e este crucificado. É na cruz que encontramos o fim da nossa velha vida. No livro de Romanos 6:6 está escrito: Sabendo isto: que foi crucifica­do com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos mais o pecado como escravos.

Somente pela cruz podemos levar diariamente o nosso morrer. Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4:10.

A vida cristã se inicia com uma ex­periência de morte do pecador juntamente com Cristo numa cruz. A graça torna possível a salvação para qualquer homem arrependido, e a fé une o pecador a Cristo crucificado. O fruto final desta união é uma nova vida implantada no homem. Paulo, falando de sua experiência, disse: Estou crucificado com Cristo; logo, já, não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé do filho de Deus, que me amou e a si mesmo entregou por mim. Gálatas 2:19-20.

A vida cristã que começa com a experiência da cruz tem também o seu desenvolvimento em nossas vidas mediante a ação diária deste instrumento de morte. Ganhamos uma experiência genuína de salvação quando aceitamos a nossa morte juntamente com Cristo na cruz. Porém, a obra da cruz não deve ser vis­ta apenas como um fato acontecido num passado distante, mas sim como uma necessidade de expressão diária em nosso viver. A cruz deve interferir em todos os aspectos de nossas vidas. Muito mais do que um ensinamento teórico, a obra realizada por Cristo na cruz tem um poder vivo para agir em cada detalhe de nossa personali­dade. Alguém disse que o problema do homem tem 1,70m. Isto quer di­zer que o problema do homem é ele mesmo.

Para pensarmos: Por que será que muitas vezes ficamos emburrados, chateados e alimentamos sentimentos de auto-piedade? Diante desta situação, qual deve ser nossa reação? Martin Lloyd Jones, escrevendo sobre esta questão, disse: “Quando pensamos neste assunto não basta fazer isto num sentido geral, precisamos também refletir sobre os particulares. Todas as vezes que noto em mim uma reação de auto-defesa, um sentimento de contrariedade ou mágoa, uma sensação de que fui ferido ou prejudicado, sofrendo uma injustiça – no momento em que sinto este mecanismo defensivo entrando em ação, devo silenciosamente encarar a mim mesmo e fazer esta pergunta: Por que exatamente isto está me perturbando? Por que me sinto magoa­do? Qual é a minha real preocupação neste caso? Estou na verdade preocupado com algum princípio geral de justiça e correção? Estou sendo levado por uma causa justa ou, vamos falar sinceramente, trata-se apenas do meu “eu”? Trata-se apenas desta horrível, egoísta, egocêntrica e mórbida condição em que eu me encontro? Nada mais é do que um doentio e desagradável orgulho?” Tal análise é essencial caso devamos superar a dificuldade. Sabemos isto por experiência. Como é fácil explicar as coisas de outro modo. Devemos ouvir a voz que fala em nosso íntimo, e se ela disser: “Você sabe perfeitamente que é apenas você, esse horrível orgulho que se preocupa com sua própria pessoa, sua reputação e sua grandeza.” Se for assim, devemos admiti-lo e confessá-lo. Será extremamente penoso, naturalmente; todavia, se quisermos obedecer ao ensino do Senhor, teremos de passar por este processo. É auto-negação. Mediante essas palavras, devemos pensar em nossa condição pessoal.

Quando desviamos os nossos olhos da cruz e os fixamos em nós mesmos, nos tornamos presa fácil de todo sentimento escravizador. O Senhor quer nos livrar de toda nossa irritabilidade, mau gênio, sensibilida­de exagerada, ou seja, desta excessiva preocupação conosco mesmo. O caminho de libertação proposto pela Bíblia é: … o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo. Gálatas 6:14. O segredo de uma vida cristã vitoriosa pode resumir-se nesta expressão: Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.

O pregador inglês George Muller fez, certa vez, uma declaração que ilustrará muito bem o nosso assunto. Quando perguntado a respeito de sua vida, disse o seguinte:

“Houve um dia em que morri, na verdade morri para George Muller e suas opiniões, preferências, gostos e vontade; morri para o mundo, sua aprovação ou censura; morri para a aprovação e crítica até mesmo de meus irmãos e amigos; e desde então venho estudando apenas para mostrar-me aprovado diante de Deus,”

Esta é uma afirmativa que devemos meditar com profundidade. Este tipo de viver jamais poderá ser alcançado pelo esforço humano. Nunca devemos separar a cruz da graça. A cruz sem a graça se tornará um peso insuportável, impossível de ser levada, porém, a cruz dirigida pela graça torna-se o mais bendito instrumento aplicado pelo Senhor em nossas vidas.

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