Necessidade ou Vontade

Texto Base: Filipenses 4:19 – “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” (ACF)

O que você deseja é o mesmo que você necessita?

Esta pergunta pode ser respondida através de uma relação direta de implicação em que o que necessitamos é o que normalmente desejamos, mas o contrário nem sempre é verdadeiro por esta lógica, muitas vezes o que desejamos não é o que necessitamos.

Um recém-nascido tem algumas necessidades, as quais ele nem sabe o porquê, mas são imprescindíveis para que continue a viver e consequentemente tome consciência sobre o que deseja e o que necessita. O que um bebe precisa, normalmente para viver, são coisas listáveis de forma bem prática: atenção e cuidado dos pais, comer, dormir, fazer suas necessidades fisiológicas, ele nem sabe que necessita, mas ele se expressa por alcançar estas coisas.

Paulo e a promessa dada aos Filipenses

Não podemos pegar o texto, deste versículo, sem entender o contexto, e aqui fica claro que, antes de uma promessa, havia algo que precisava ser feito. Quer dizer que só temos promessas quando fazemos algo previamente? Neste contexto sim.

Os filipenses foram generosos com Paulo, quando esteve em dificuldades financeiras. Graças, então, aos filipenses, o apóstolo era agora suprido: não precisa de nenhuma oferta a mais. Seus irmãos tinham colocado em prática o ensino de Jesus, segundo o qual é melhor oferecer do que receber “e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Atos 20:35b

Agradecido aos filipenses, Paulo não tinha nada para lhes dar em retribuição. Então, deu-lhes sua bênção, trazendo do coração de Deus, para eles e para nós, a promessa que encontramos no versículo base.

Não podemos separar a promessa do seu contexto. Esta é uma promessa para doadores. Não é uma promessa para não-doadores. Esta promessa é o que Deus faz em retribuição pelo gesto da entrega. Esta promessa não é um cheque em branco para toda a humanidade. Infelizmente, geralmente subtraímos a promessa do seu texto e a tomamos como um cheque em branco que podemos sacar quando estamos em necessidade. Não estamos diante da promessa de que Deus atenderá todas as necessidades humanas de todos os seres humanos, uma vez que Ele permite que o mundo expresse suas tendências, suas carências e seus desejos, próprios da queda.

O que Deus suprirá então?

Se pegarmos, então, esta promessa condicional e a aplicarmos a nós: em primeiro lugar temos cumprido com o que somos chamados pela palavra a honrar a Deus, como por exemplo, entregando nossos dízimos e ofertas? Em segundo lugar devermos estar atentos as necessidades dos outros e por terceiro e último lugar temos que entender que nem sempre o que desejamos com nosso coração é o que necessitamos.

Para responder a este último ponto e encontrarmos o caminho para resolver o impasse:

Deus nos supre as necessidades que Ele considera como sendo necessidades. Nós confundimos desejos com necessidades; Ele, não. Deus, então, supre as necessidades que passam pelo seu crivo. Ele sabe do que precisamos; do que não podemos viver sem e nos supre. Segundo aprendemos na Bíblia, “Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor bem nenhum faltará.” Salmos 34:10.

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” Hebreus 4:16

Nossa primeira necessidade: Salvação

Para muitos esta necessidade não implicava em vontade, pois cegos pelo mundo, muitos de nós não tínhamos a ciência da necessidade de Salvação da morte eterna: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” Romanos 6:23

Então Deus, sabendo de nossa necessidade, providencia para nós algo que nem imaginávamos: a redenção através da obra de Jesus Cristo na cruz. Ele nos deu vida eterna de graça, sem termos feito nada para merecermos. E pensar que muitos creem que Deus não pensa em nossas necessidades.

Mas se hoje temos a ciência do que Ele fez em nos salvar, cabe a nós que dizemos que somos filhos de Deus através de Jesus Cristo, de andarmos cada vez mais perto dEle e de Sua graça, honrando-O com obediência a palavra, a Sua palavra, e o que Ele nos direciona a fazer.

Ele supre nossa primeira necessidade e nossa parte é devotarmos nossas vidas a Ele, assim Ele nos abençoa com o suprimento em todas a nossas necessidades, mas aquilo que é necessário ficará mais claro para nós quando mais intimidade e relacionamento com Ele tivermos estreitado.

Conclusão: Nossos desejos e necessidades cativos a vontade de Deus

Para que possamos estar alinhados com Ele e assim desfrutarmos de Sua doce presença precisamos ter nossas mentes renovadas, alinhadas e ajustadas à vontade e propósito dEle para nossas vidas.

Infelizmente temos visto uma geração insolente(*) que nem sequer pede por favor a Deus e já determina direto o que Ele deve fazer! Esta é consequência de um mundo falido e fracassado e sucumbido no pecado e quando nos conformamos (tomamos forma) com o padrão do mundo, não podemos esperar a bênção de Deus, Paulo adverte aos Romanos como devemos fazer para experimentarmos à vontade Deus: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.  E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:1-2

A síntese destes dois versículos é Corpo em sacrifico santo e mente transformada pelo poder do Espírito Santo e da Palavra, isto nos habilita a experimentar as três vontades de Deus para os seus.

Mas sim, Ele há de suprir nossas necessidades para a Glória de Cristo Jesus!

Lembre-se disto: sua necessidade passará pelo crivo da exaltação da Glória de Deus!

Deus os abençoe!

 

(*) Insolente
1. desrespeitoso no que diz ou nas atitudes que toma; atrevido, malcriado, desaforado.
2. que não respeita as convenções sociais ou os direitos dos outros; audacioso, petulante, ousado, atrevido.