O Grande Remidor

PRECIOSAS  LIÇÕES   DO   LIVRO   DE  RUTE

Por: B. F. buxtoni

UNIÃO   COM   O   REDENTOR

Ante o Tribunal, o parente mais próximo teve de confessar que não podia realizar a re­denção. Então, segundo o cos­tume indicado em Deuteronômio 25:10, tira o sapato e ele e sua casa ficam publicamente enver­gonhados porque apareceram incapazes de atuar. É neste instante que Boaz se apresenta e declara sua disposição e su­ficiência para redimir a herança e ser unido a Rute como seu redentor.

O caso espiritual equivalente a este, encontramos em Romanos 7:18, onde se nos declara abertamente — e nossa experiência o confirma — que o velho homem é incapaz de redimir-nos: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum: e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.” E igualmente incapaz é a lei: “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós” (Rom. 8:3,4).

Onde buscaremos auxilio? Temos um Remidor, Cristo Jesus, que, neste verso que acabamos de ler, apresenta-Se como dis­posto e capaz de redimir nossas vidas dos estragos do pecado, e também de unir-Se a nós como nosso Redentor.

Ninguém senão Cristo é capaz de realizar a redenção. Já temos experimentado a lei, vendo que não dá resultado. Temos expe­rimentado o “velho homem”, fazendo muitas resoluções boas e propósitos novos, mas este também tem fracassado. O Re­dentor, no entanto, apresenta-Se, e Ele efetua a redenção.

“Então disse Boaz aos anciãos e a todo o povo: Sois hoje tes­temunhas de que tomei tudo quanto foi de Elimeleque, e de Quiliom, e de Malom, da mão de Noemi” (4:9). Oh quanto encerra esta palavra “tomei”, ou “comprei”! “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis” (II Cor. 8:9). Boaz não teve ne­cessidade de fazer-se pobre, mas pôde redimir a Rute”, unindo-a consigo mesmo. Cristo, sim, fez-Se pobre para poder re­dimir-nos: teve que deixar Suas riquezas e dar Sua vida, ofere­cendo-Se em sacrifício, a fim de que, mediante Seu empobreci­mento, fôssemos enriquecidos. E lemos: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como ouro ou prata, que fostes resga­tados da vossa vã maneira de viver… mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (I Ped. 1:18,19). Isso é o que nosso Redentor pagou para poder dizer: “Comprei tudo”.

E por que tudo? Bem poderia ter comprado a Rute para ser sua escrava ou criada; mas seus pensamentos eram muito mais sublimes: “Tomo por mulher a Rute moabita” (4:10). Mara­vilhoso já teria sido se Deus nos houvesse comprado para redi­mir-nos de nosso pecado e corrupção e usar-nos só como Seus escravos por toda a eter­nidade; mas não, Ele nos chama a vivermos na mais íntima comunhão consigo.

Também Boaz bem poderia ter oferecido a Rute uma casinha em sua fazenda, e olhar para que fossem satisfeitas suas ne­cessidades. E será só essa a nossa aspiração: gozar da ajuda do Senhor aqui, e no futuro uma mansão na glória? Muito mais nos está oferecendo o Redentor. Para sermos Sua esposa aqui, nos dias de Seu desprezo, e para sempre, no dia de Sua glória. Despertemos o nosso coração para nos valermos disto.

É maravilhoso estarmos unidos a Ele, sentir o Seu amor e des­frutar Seus bens e Sua alta po­sição! Diante das palavras de Boaz, Rute sem dúvida terá fi­cado esperando em casa pela conclusão do assunto. Depois vêm as notícias. Como não terá ficado comovida ao saber que tudo estava resolvido, e legal­mente! Boaz havia cumprido a palavra. Era já um fato; fato consumado.

No livro de Isaías encontramos exemplificada esta verdade espi­ritual, na viúva desamparada, e em como foi abençoada. No capítulo cinquenta e três, lemos a respeito do Redentor pagando o preço da redenção, e no cinquenta e quatro, da redenção: é o mesmo ensino que encontramos no livro de Rute. Na verdade, todas estas escrituras nos foram dadas para nosso ensino, para mostrar-nos o que é a redenção que Cristo comprou para nós (l Cor. 10:11; II Cor. 1:20). Leiamos Isa. 54:1-5.

A razão porque esta pobre desamparada foi exortada a alegrar-se era “porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele será chamado o Deus de toda a terra.”

Este cântico descreve a re­denção e conta seu alcance. Isto é o que significa ter um Redentor.

Apresentamos já o nosso re­clamo para que se opere em nós esta redenção? Ele nos tem dado oportunidade de nos chegarmos a Ele para buscar, com espirito quebrantado e contrito, a plenitude de Sua redenção, pois hon­rará nosso reclamo, pois nos comprou para sermos Seus.

Oh que grata notícia não lerá sido para Rute saber que tudo estava concluído e legalmente estabelecido! Certamente não se demorou o casamento; mas havia vários preparativos a fazer antes de sua realização. Precisaria preparar seu vestido de núpcias, um vestido que fosse digno dele. Por certo tudo isto vinha da riqueza de Boaz, porque ela nada tinha com que fazer um traje digno da posição dele. E com quanta satisfação e abundância não a terá ele suprido de tudo quanto necessitou para aquele grande dia! E como não eslaria Rute antecipando o momento em que Boaz a tomaria para si, e em que ela seria uma com ele para sempre, compartilhando de seu lar e seu amor!

Tudo isto é figura. Sabemos que a redenção é coisa consu­mada, que foi legalmente con­sumada diante de toda a terra e céu. Sabemos que Cristo é nosso Redentor e que é perfeitamente capaz para resgatar a herança que perdemos por causa do pe­cado; nosso caráter, nosso falar, atos e relações cotidianas. Sa­bemos também que Ele anseia por uma união mais efetiva conosco, permanecendo nós nÊle e Ele em nós dia por dia. Só desta maneira gozaremos a ver­dadeira paz e estaremos em condições de dar fruto para Sua glória e de mostrar Cristo ao mundo em redor. Sejamos diligentes em entrar nesse gozo experimental de tudo o que a redenção significa.

E por fim, levantemos os olhos para o dia em que Ele nos to­mará para Si mesmo para estar­mos com Ele para sempre. Por agora Ele nos ministra Sua graça abundante, para que estejamos prontos para as Bodas do Cor­deiro. Está-nos estendendo a plenitude de Seu Espírito e as abundantes riquezas de Sua graça: de Sua parte não há mes­quinhez. Podemos desfrutar de tudo o que quisermos, e assim estarmos prontos para aquele dia.

Oh que chegue depressa o dia em que Sua esposa, que é a Igreja, esteja pronta, e apareça o Esposo e nos leve para estar com Ele, Seus para sempre!

Fonte: REAVIVAMENTO — Janeiro de 1962

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