{"id":1130,"date":"2008-12-16T22:06:38","date_gmt":"2008-12-17T00:06:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=1130"},"modified":"2010-12-16T22:08:33","modified_gmt":"2010-12-17T00:08:33","slug":"biografia-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=1130","title":{"rendered":"Biografia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/david_livingstone.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1131\" title=\"david_livingstone\" src=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/david_livingstone-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/david_livingstone-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/david_livingstone-106x150.jpg 106w, https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/david_livingstone.jpg 222w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1813 &#8211; 1873)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jamais houve nos anais de lenda mission\u00e1ria  \t\t\t\t\tum homem t\u00e3o celebrizado quanto David Livingstone. Ele foi o  \t\t\t\t\ther\u00f3i que a Inglaterra vitoriana precisava t\u00e3o  \t\t\t\t\tdesesperadamente e o reconhecimento que lhe foi concedido  \t\t\t\t\tserviu para manter ativas as miss\u00f5es africanas por mais de  \t\t\t\t\tum s\u00e9culo. Ele tornou-se um her\u00f3i a ser seguido por todas as  \t\t\t\t\tgera\u00e7\u00f5es e &#8220;depois de sua morte e sepultamento na Abadia de  \t\t\t\t\tWestminster, a reputa\u00e7\u00e3o de David Livingstone ficou livre  \t\t\t\t\tdos ataques de todos, exceto o mais ousado herege. Ainda em  \t\t\t\t\tmeados do s\u00e9culo XX, os historiadores continuavam a  \t\t\t\t\tconsider\u00e1-lo o maior dentre todos os mission\u00e1rios. Durante  \t\t\t\t\tquase um s\u00e9culo ele teria seu lugar no pante\u00e3o dos crist\u00e3os  \t\t\t\t\tde fala inglesa como urna figura de santidade e dedica\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\tinspiradoras, a ser considerado no mesmo plano de Francisco  \t\t\t\t\tde Assis e joana D&#8217;Arc&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pouco a discutir sobre a influ\u00eancia sem  \t\t\t\t\tparalelos que Livingstone teve no campo das miss\u00f5es  \t\t\t\t\tafricanas, mas quanto \u00e0 sua pr\u00f3pria obra mission\u00e1ria as  \t\t\t\t\td\u00favidas persistem. Livingstone n\u00e3o foi o &#8220;super santo&#8221;  \t\t\t\t\tcriado por tantas das suas primeiras biografias. Pelo  \t\t\t\t\tcontr\u00e1rio, era um ser humano fr\u00e1gil e temperamental, com  \t\t\t\t\tv\u00e1rias falhas de personalidade que prejudicaram seu  \t\t\t\t\tminist\u00e9rio durante toda a sua vida. Mas apesar de suas  \t\t\t\t\tfraquezas, ele foi um homem mais usado por Deus que qualquer  \t\t\t\t\toutro para focalizar a aten\u00e7\u00e3o do mundo nas espantosas  \t\t\t\t\tnecessidades da \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livingstone nasceu na Esc\u00f3cia, terra natal de  \t\t\t\t\ttantos &#8220;grandes&#8221; mission\u00e1rios (inclusive Robert Moffat, a  \t\t\t\t\tquem ele seguiu at\u00e9 a \u00c1frica; Mary Slessor e Charies Mackay  \t\t\t\t\tque o sucedeu). Da mesma forma que seu sogro, Robert Moffat,  \t\t\t\t\tLivingstone foi criado em um lar humilde, mas ao contr\u00e1rio  \t\t\t\t\tdo sogro, sua mente brilhante e desejo insaci\u00e1vel de  \t\t\t\t\taprender o impeliram a buscar uma posi\u00e7\u00e3o mais elevada na  \t\t\t\t\tvida. Seus longos dias de trabalho (das 6 da manh\u00e3 \u00e0s 8 da  \t\t\t\t\tnoite) numa tecelagem, desde os dez anos, n\u00e3o interromperam  \t\t\t\t\tsua educa\u00e7\u00e3o. Ele comprou uma gram\u00e1tica latina com sua  \t\t\t\t\tprimeira semana de ordenado e continuou a estudar,  \t\t\t\t\tmatriculando-se em cursos noturnos. Ele conseguiu superar  \t\t\t\t\tseus anos dif\u00edceis de aprendizado lan\u00e7ando olhares  \t\t\t\t\tapressados a um livro apoiado em seu tear e debru\u00e7ando-se  \t\t\t\t\tsobre as tarefas de casa at\u00e9 meia-noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livingstone foi criado em uma fam\u00edlia piedosa  \t\t\t\t\tque freq\u00fcentava a igreja. Durante a sua juventude, seus pais  \t\t\t\t\tdeixaram a igreja anglicana estabelecida para juntar-se a  \t\t\t\t\tuma capela independente. Depois de sua convers\u00e3o na  \t\t\t\t\tadolesc\u00eancia, ele planejou tornar-se um m\u00e9dico mission\u00e1rio  \t\t\t\t\tna China; mas as prioridades familiares impediram que  \t\t\t\t\tcontinuasse estudando at\u00e9 1836, quando tinha 23 anos. At\u00e9  \t\t\t\t\tmesmo esta educa\u00e7\u00e3o foi restrita. Ele estudou durante o  \t\t\t\t\ttempo de inverno na Faculdade Anderson, em Glasgow, e passou  \t\t\t\t\tos ver\u00f5es de volta na tecelagem. Ele estudou tanto medicina  \t\t\t\t\tcomo teologia e, em 1840, aos 27 anos de idade, estava  \t\t\t\t\tpronto para come\u00e7ar sua carreira mission\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livingstone foi aceito pela Sociedade  \t\t\t\t\tMission\u00e1ria Londrina em 1839, mas seus planos de viajar para  \t\t\t\t\ta China foram frustrados pela pol\u00edtica internacional. O  \t\t\t\t\ttrabalho mission\u00e1rio na China estava sendo cortado pela SML  \t\t\t\t\tdevido ao atrito entre a Inglaterra e a China que finalmente  \t\t\t\t\tlevou \u00e0 Guerra do \u00d3pio. Os diretores do SML achavam melhor  \t\t\t\t\tque Livingstone fosse em vez disso para as \u00cdndias  \t\t\t\t\tOcidentais, mas nesse intervalo de tempo Livingstone tinha  \t\t\t\t\tsido apresentado ao alto ao surpreendente mission\u00e1rio Robert  \t\t\t\t\tMoffat. Este teve profunda influ\u00eancia sobre o entusiasta  \t\t\t\t\tcandidato a mission\u00e1rio e tentou-o com as excitantes  \t\t\t\t\toportunidades para a evangeliza\u00e7\u00e3o al\u00e9m de Kuruman na &#8220;vasta  \t\t\t\t\tplan\u00edcie ao norte&#8221; onde ele &#8220;vira algumas vezes, ao sol da  \t\t\t\t\tmanh\u00e3, a fuma\u00e7a de mil povoados, onde nenhum mission\u00e1rio  \t\t\t\t\tjamais estivera&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi com grandes expectativas que Livingstone  \t\t\t\t\tnavegou para a \u00c1frica, em dezembro de 1840. Depois de passar  \t\t\t\t\ttreze semanas estudando a l\u00edngua a bordo do navio, ele  \t\t\t\t\tchegou ao Cabo em mar\u00e7o de 1841 e permaneceu ali durante um  \t\t\t\t\tm\u00eas antes de come\u00e7ar sua viagem para kuruman, onde deveria  \t\t\t\t\tajudar com o trabalho, at\u00e9 que os Moffat voltassem.  \t\t\t\t\tLivingstone imediatamente apaixonou-se pela \u00c1frica e gostou  \t\t\t\t\tmuit\u00edssimo de sua viagem por terra para Kuruman,  \t\t\t\t\tdescrevendo-a como &#8220;um sistema prolongado de recrea\u00e7\u00e3o&#8221;. Ele  \t\t\t\t\tn\u00e3o ficou t\u00e3o bem impressionado no entanto com o trabalho  \t\t\t\t\tmission\u00e1rio na \u00c1frica, criticando severamente e com raz\u00e3o, a  \t\t\t\t\tobra na Cidade do Cabo, onde um n\u00famero excessivo de  \t\t\t\t\tmission\u00e1rios se concentrava numa pequena \u00e1rea,  \t\t\t\t\tdesencorajando a lideran\u00e7a ind\u00edgena. Novas decep\u00e7\u00f5es o  \t\t\t\t\taguardavam em Kuruman. Com a imagem mental de &#8220;mil  \t\t\t\t\tpovoa\u00e7\u00f5es&#8221;, ele ficou surpreso ao encontrar a regi\u00e3o  \t\t\t\t\tescassamente povoada e chocou-se ao descobrir a desaven\u00e7a  \t\t\t\t\tentre os mission\u00e1rios. &#8220;Os mission\u00e1rios no interior, sinto  \t\t\t\t\tdizer, s\u00e3o um grupo lament\u00e1vel&#8230; Ficarei contente quando  \t\t\t\t\tseguir para a regi\u00e3o al\u00e9m &#8211; longe de sua inveja e cal\u00fanias.&#8221;  \t\t\t\t\tA presen\u00e7a de Livingstone s\u00f3 complicou a situa\u00e7\u00e3o e a  \t\t\t\t\tmaioria dos mission\u00e1rios estava ansiosa para que ele  \t\t\t\t\t&#8220;partisse para a regi\u00e3o al\u00e9m&#8221;. Ele queixou-se de que n\u00e3o  \t\t\t\t\t&#8220;havia mais afeto crist\u00e3o entre a maioria dos &#8216;irm\u00e3os&#8217; (caso  \t\t\t\t\tn\u00e3o fossem todos) e ele, do que entre seu &#8216;boi de montaria e  \t\t\t\t\tsua av\u00f3&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto aguardava a volta dos Moffat das  \t\t\t\t\tf\u00e9rias, Livingstone fez diversas viagens de carro\u00e7a na  \t\t\t\t\tdire\u00e7\u00e3o norte para explorar a \u00e1rea. Nos dois anos e meio de  \t\t\t\t\taprendizado em Kururnan, mais do que um ano foi passado  \t\t\t\t\tlonge de sua base, e esta pr\u00e1tica de afastar-se continuou  \t\t\t\t\tdurante o resto de sua carreira. Em 1843, Livingstone  \t\t\t\t\tafastou-se e n\u00e3o voltou. Ele dirigiu-se para a regi\u00e3o  \t\t\t\t\tarborizada e bem irrigada de Mabosta, 300 quil\u00f4metros ao  \t\t\t\t\tnorte, a fim de estabelecer uma segunda Kururnan. Roger  \t\t\t\t\tEdwards, um mission\u00e1rio-artes\u00e3o de meia-idade e sua esposa,  \t\t\t\t\tque tinham servido durante dez anos em Kuruman, o  \t\t\t\t\tacompanharam. Houve problemas desde o in\u00edcio. Edwards  \t\t\t\t\tressentiu-se da lideran\u00e7a imposta de Livingstone, que n\u00e3o s\u00f3  \t\t\t\t\tera novato no cen\u00e1rio africano, corno tamb\u00e9m 18 anos mais  \t\t\t\t\tmo\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mabosta tornou-se o primeiro lar africano de  \t\t\t\t\tLivingstone, Ele construiu ali uma cabana &#8220;substancial de 15  \t\t\t\t\tx 5m&#8221;, com janelas de vidro levadas de kuruman. Foi ali  \t\t\t\t\ttamb\u00e9m que encontrou pela primeira vez os perigos sempre  \t\t\t\t\tpresentes da selva africana. Enquanto tomava parte numa  \t\t\t\t\tca\u00e7ada de le\u00f5es, ele foi atacado por uma das feras e ficou  \t\t\t\t\tmuito machucado. Embora estivesse grato por ter sobrevivido,  \t\t\t\t\tgra\u00e7as a seus valentes companheiros africanos e um casaco  \t\t\t\t\tgrosso, seu bra\u00e7o direito ficou gravemente ferido e  \t\t\t\t\tdeformado para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio de 1844, tr\u00eas meses depois do  \t\t\t\t\tincidente, Livingstone estava se sentindo bem o suficiente  \t\t\t\t\tpara viajar &#8211; especialmente por tratar-se de um neg\u00f3cio  \t\t\t\t\timportante. Ele dirigiu-se a Kururnan \u201c(a fim de prestar  \t\t\t\t\tseus respeitos&#8221; \u00e0 filha mais velha dos Moffat, Mary, que aos  \t\t\t\t\t23 anos acabara de voltar com seus pais da Inglaterra. O  \t\t\t\t\tper\u00edodo de convalescen\u00e7a de Livingstone sem d\u00favida  \t\t\t\t\tconvenceu-o de que havia algumas desvantagens em ser  \t\t\t\t\tsolteiro e durante esse ver\u00e3o ele ent\u00e3o &#8220;reuniu coragem para  \t\t\t\t\tfazer a pergunta debaixo de uma das \u00e1rvores frut\u00edferas&#8221;. A  \t\t\t\t\tresposta imediata de Mary n\u00e3o se sabe ao certo, mas, mais  \t\t\t\t\ttarde naquele ano, Livingstone escreveu a um amigo &#8220;Ao que  \t\t\t\t\tparece, devo afinal de contas ligar-me a Srta. Moffat&#8221;, a  \t\t\t\t\tquem ele descrevera a outro amigo como sendo uma &#8220;dama forte  \t\t\t\t\te decidida&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O casamento realizou-se em Kuruman em janeiro  \t\t\t\t\tde 1845, e em mar\u00e7o os Livingstone partiram para Mobosta;  \t\t\t\t\tmas a perman\u00eancia deles ali foi curta. Surgiram novos  \t\t\t\t\tproblemas com os Edward, tornando imposs\u00edvel o trabalho  \t\t\t\t\tconjunto das duas fam\u00edlias. Naquele mesmo ano, depois do  \t\t\t\t\tnascimento de seu primeiro filho, Livingstone arrumou suas  \t\t\t\t\tcoisas e mudou com sua fam\u00edlia para Chonwane, 64km para o  \t\t\t\t\tnorte. O per\u00edodo passado em Chonwane foi feliz para os  \t\t\t\t\tLivingstone, mas s\u00f3 durou dezoito meses. Uma seca severa na  \t\t\t\t\tregi\u00e3o fez com que eles precisassem mudar com a tribo para o  \t\t\t\t\tnordeste, junto ao rio Kolobeng. No ver\u00e3o de 1847, depois do  \t\t\t\t\tnascimento de seu segundo filho, os Livingstone mudaram-se  \t\t\t\t\tpara a sua terceira casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante sete anos, os Livingstone tiveram uma  \t\t\t\t\tvida semi-n\u00f4made na \u00c1frica. Algumas vezes, Mary e os filhos  \t\t\t\t\tficavam sozinhos em casa, enquanto outras vezes ela levava  \t\t\t\t\tos filhos e acompanhava o marido peregrino. Nenhuma das  \t\t\t\t\tsitua\u00e7\u00f5es era satisfat\u00f3ria. Certa ocasi\u00e3o, quando  \t\t\t\t\tLivingstone se achava ausente de Chonwane durante um longo  \t\t\t\t\tper\u00edodo de tempo, ele escreveu: &#8220;Mary acha a sua situa\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\tentre as ru\u00ednas um tanto l\u00fagubre, pois me escreve que os  \t\t\t\t\tle\u00f5es est\u00e3o retomando a sua propriedade e andam em volta de  \t\t\t\t\tnossa casa \u00e0 noite&#8221;. Por\u00e9m, acompanhar o marido era  \t\t\t\t\tdificilmente a resposta. Em 1850, depois de uma viagem de  \t\t\t\t\texplora\u00e7\u00e3o com ele, Mary deu \u00e0 luz o seu quarto filho, que  \t\t\t\t\tmorreu logo depois, enquanto ela sofria de paralisia  \t\t\t\t\ttempor\u00e1ria. Tudo isso foi demais para os Moffats mais  \t\t\t\t\tsedent\u00e1rios de Kuruman tolerarem. Em 1851, quando souberam,  \t\t\t\t\tatrav\u00e9s de sua filha (que estava novamente gr\u00e1vida), que  \t\t\t\t\tLivingstone planejava lev\u00e1-la com as &#8220;queridas crian\u00e7as&#8221; em  \t\t\t\t\toutra viagem pela selva, a Sra. Moffat escreveu a seu genro  \t\t\t\t\tuma carta, ao estilo caracter\u00edsticos de algumas sogras:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mary me assegurou todo o tempo que se  \t\t\t\t\testivesse gr\u00e1vida voc\u00ea n\u00e3o a levaria, mas permitiria que  \t\t\t\t\tviesse para c\u00e1 depois de sua partida&#8230; Mas para meu espanto  \t\t\t\t\trecebi agora uma carta &#8211; no qual ela escreve: &#8220;Devo  \t\t\t\t\tnovamente seguir meu penoso caminho para o interior e,  \t\t\t\t\ttalvez dar \u00e0 luz no campo. \u00f3 Livingstone o que voc\u00ea est\u00e1  \t\t\t\t\tpensando &#8211; j\u00e1 n\u00e3o foi bastante perder o seu lindo beb\u00ea e  \t\t\t\t\tsalvar com dificuldade os outros, enquanto a m\u00e3e voltou para  \t\t\t\t\tcasa amea\u00e7ada de paralisia? E voc\u00ea vai exp\u00f4-la de novo, e a  \t\t\t\t\teles, a outra expedi\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o? O mundo inteiro  \t\t\t\t\tcondena ainda a crueldade da coisa, para n\u00e3o mencionar a  \t\t\t\t\tindignidade da mesma. Uma mulher gr\u00e1vida com tr\u00eas crian\u00e7as  \t\t\t\t\tpequenas, percorrendo as estradas com pessoas do outro sexo  \t\t\t\t\t&#8211; atrav\u00e9s das selvas da \u00c1frica entre selvagens e feras! Se  \t\t\t\t\tvoc\u00ea tivesse encontrado um lugar para o qual desejasse ir e  \t\t\t\t\tdar in\u00edcio a um trabalho mission\u00e1rio a quest\u00e3o seria  \t\t\t\t\tdiferente. Eu n\u00e3o diria uma palavra mesmo que fossem para as  \t\t\t\t\tmontanhas da lua &#8211; mas seguir com um grupo de exploradores,  \t\t\t\t\ta id\u00e9ia \u00e9 um absurdo. Despe\u00e7o-me, bastante preocupada. M.  \t\t\t\t\tMoffat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a carta faria Livingstone mudar de id\u00e9ia \u00e9  \t\t\t\t\timposs\u00edvel afirmar. Mas o fato \u00e9 que ele n\u00e3o a recebeu sen\u00e3o  \t\t\t\t\tquando j\u00e1 tinha partido com toda a fam\u00edlia. A 15 de setembro  \t\t\t\t\tde 1851, um m\u00eas ap\u00f3s a partida, Mary teve seu quinto filho  \t\t\t\t\tno rio Zouga, a cujo evento Livingstone s\u00f3 dedicou uma linha  \t\t\t\t\tem seu di\u00e1rio, deixando mais espa\u00e7o para a empolgante  \t\t\t\t\tdescoberta de ovos de crocodilo. Ignorando aparentemente sua  \t\t\t\t\tpr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o, Livingstone queixava-se das &#8220;gesta\u00e7\u00f5es  \t\t\t\t\tfreq\u00fcentes&#8221; da esposa, comparando os resultados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\tde uma &#8220;grande f\u00e1brica irlandesa&#8221;. Ele, todavia, amava  \t\t\t\t\tgenuinamente os filhos e anos mais tarde lamentou n\u00e3o ter  \t\t\t\t\tpassado mais tempo com os mesmos. Em 1852, Livingstone  \t\t\t\t\tchegara \u00e0 conclus\u00e3o que viagens de explora\u00e7\u00e3o na \u00c1frica n\u00e3o  \t\t\t\t\teram pr\u00f3prias para uma m\u00e3e com filhos pequenos. Ele tinha  \t\t\t\t\tantes justificado o risco. &#8220;\u00c9 uma aventura levar mulher e  \t\t\t\t\tfilhos a um pa\u00eds onde a febre &#8211; a febre africana &#8211;  \t\t\t\t\tprevalece. Mas quem, crendo em Jesus, se recusaria a  \t\t\t\t\tenfrentar essa aventura para um tal Capit\u00e3o?&#8221; Ele n\u00e3o p\u00f4de  \t\t\t\t\tpor\u00e9m suportar mais as cr\u00edticas de seus sogros e de outros  \t\t\t\t\te, em mar\u00e7o de 1852, viu Mary e os filhos partirem da Cidade  \t\t\t\t\tdo Cabo para a Inglaterra. Como poderia sacrificar sua  \t\t\t\t\tfam\u00edlia pelas explora\u00e7\u00f5es da \u00c1frica? &#8220;Nada sen\u00e3o uma forte  \t\t\t\t\tconvic\u00e7\u00e3o de que isso ser\u00e1 para a gl\u00f3ria de Cristo me faria  \t\t\t\t\tdeixar \u00f3rf\u00e3os meus filhos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cinco anos seguintes foram deprimentes  \t\t\t\t\tpara Mary. Um bi\u00f3grafo escreveu que ela e as crian\u00e7as n\u00e3o  \t\t\t\t\testavam apenas &#8220;sem casa e sem amigos\u201d, mas tamb\u00e9m &#8220;vivendo  \t\t\t\t\tquase sempre \u00e0 beira da pobreza em alojamentos baratos\u201d.  \t\t\t\t\tCircularam tamb\u00e9m boatos entre os mission\u00e1rios residentes da  \t\t\t\t\tSML, que Mary tinha ca\u00eddo em trevas espirituais, afogando  \t\t\t\t\tsua mis\u00e9ria no \u00e1lcool.&#8221; Para Livingstone, no entanto o  \t\t\t\t\tper\u00edodo foi de alegria e sucesso, muito mais estimulante do  \t\t\t\t\tque sua vida anterior na \u00c1frica. Ele tinha pouco a mostrar  \t\t\t\t\tpelos seus primeiros onze anos. N\u00e3o havia convertidos  \t\t\t\t\tfirmes, nem posto mission\u00e1rio, nem igreja. Era um explorador  \t\t\t\t\tfrustrado, limitado pelo ambiente e preso pela fam\u00edlia. Mas  \t\t\t\t\tagora podia mover-se \u00e0 vontade. O interior da \u00c1frica o  \t\t\t\t\tchamava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira e maior expedi\u00e7\u00e3o de Livingstone o  \t\t\t\t\tlevou atrav\u00e9s do continente africano ao longo do rio Zambesi.  \t\t\t\t\tDepois de despedir-se da fam\u00edlia do Cabo, ele voltou  \t\t\t\t\tvagarosamente para o norte, parando em Kururnan e seguindo  \t\t\t\t\tdepois para a sua tribo favorita, os rnakololos, onde  \t\t\t\t\trecrutou v\u00e1rios deles para acompanh\u00e1-lo na expedi\u00e7\u00e3o.  \t\t\t\t\tPartindo da \u00c1frica central, eles seguiram o rio para o  \t\t\t\t\tnordeste at\u00e9 a costa em Luanda. Foi uma viagem arriscada,  \t\t\t\t\tcom amea\u00e7as cont\u00ednuas de tribos inimigas e o perigo mortal  \t\t\t\t\tda febre africana, mas Livingstone jamais pensou em voltar.  \t\t\t\t\tEmbora fosse em primeiro lugar um explorador, ele nunca  \t\t\t\t\tabandonou por inteiro a evangeliza\u00e7\u00e3o. Carregava em sua  \t\t\t\t\tbagagem uma &#8220;lanterna m\u00e1gica&#8221; (uma vers\u00e3o antiga de um  \t\t\t\t\tprojetor de &#8220;slides&#8221;) corri figuras mostrando cenas  \t\t\t\t\tb\u00edblicas. Estava plantando a semente para o futuro trabalho  \t\t\t\t\tmission\u00e1rio. Depois de seis meses de viagem \u00e1rdua,  \t\t\t\t\tLivingstone e seus homens fizeram hist\u00f3ria ao chegarem vivos  \t\t\t\t\t\u00e0 costa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ter recebido ofertas de capit\u00e3es de  \t\t\t\t\tnavios para lev\u00e1-lo \u00e0 Inglaterra, Livingstone sentia-se sob  \t\t\t\t\ta obriga\u00e7\u00e3o pessoal de devolver os homens de Makololo \u00e0 sua  \t\t\t\t\tterra e retrocedeu ent\u00e3o Zambesi abaixo para a costa leste.  \t\t\t\t\tA jornada para o leste foi mais lenta, prejudicada por  \t\t\t\t\tin\u00fameros ataques de febre africana. Depois de onze meses  \t\t\t\t\tchegou a Linyanti, seu ponto de partida original, e dali  \t\t\t\t\tcontinuou at\u00e9 as grandes quedas que chamou de Vit\u00f3ria, em  \t\t\t\t\thonra de sua rainha. A partir desse ponto, o \u00fanico objetivo  \t\t\t\t\tde Livingstone era explorar o Zambesi corno uma poss\u00edvel  \t\t\t\t\trota comercial para o Oriente. Quanto mais encontrava o  \t\t\t\t\tdesumano tr\u00e1fico de escravos dos portugueses e \u00e1rabes, tanto  \t\t\t\t\tmais se convencia de que somente a combina\u00e7\u00e3o de &#8220;com\u00e9rcio e  \t\t\t\t\tcristianismo&#8221; poderia salvar a \u00c1frica. Ele sabia que os  \t\t\t\t\tescravagistas n\u00e3o poderiam manter o neg\u00f3cio sem a  \t\t\t\t\tcolabora\u00e7\u00e3o dos africanos (uma tribo capturando escravos de  \t\t\t\t\toutra inimiga), e sua solu\u00e7\u00e3o era levar \u00e0 \u00c1frica o com\u00e9rcio  \t\t\t\t\tleg\u00edtimo. Ele acreditava entretanto, que isto s\u00f3 seria  \t\t\t\t\tposs\u00edvel se uma rota comercial naveg\u00e1vel pudesse ser  \t\t\t\t\tencontrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a expedi\u00e7\u00e3o de Livingstone n\u00e3o  \t\t\t\t\tseguisse todo o tempo o Zambesi, ele chegou \u00e0 costa em maio  \t\t\t\t\tde 1856, proclamando confiante (apesar de incorretamente)  \t\t\t\t\tque o Zambese era naveg\u00e1vel. Foi uma ocasi\u00e3o feliz, mas  \t\t\t\t\tLivingstone ficou novamente decepcionado, como acontecera na  \t\t\t\t\tcosta oeste, por n\u00e3o encontrar uma carta de Mary em suas  \t\t\t\t\tcorrespond\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta \u00e0 Inglaterra em dezembro de 1856,  \t\t\t\t\tdepois de quinze anos na \u00c1frica, Livingstone foi aclamado  \t\t\t\t\tcomo her\u00f3i nacional. Depois de passar apenas tr\u00eas dias com a  \t\t\t\t\tfam\u00edlia, partiu para Londres onde iniciou uma agitada viagem  \t\t\t\t\tde palestras que durou um ano, diante de multid\u00f5es de  \t\t\t\t\tadmiradores, aceitando v\u00e1rios dos mais altos pr\u00eamios da  \t\t\t\t\tna\u00e7\u00e3o. No decorrer desse ano na Inglaterra, Livingstone  \t\t\t\t\ttamb\u00e9m escreveu seu primeiro livro, &#8220;Missionary Travels and  \t\t\t\t\tResearches in South Africa&#8221; (Viagens Mission\u00e1rias e  \t\t\t\t\tPesquisas na \u00c1frica do Sul), inspirando a funda\u00e7\u00e3o de novas  \t\t\t\t\tsociedades mission\u00e1rias. Foi um ponto alto em sua vida e  \t\t\t\t\ttamb\u00e9m um per\u00edodo de decis\u00f5es. Antes de voltar \u00e0 \u00c1frica em  \t\t\t\t\t1858, Livingstone cortou seus la\u00e7os com a SML e aceitou uma  \t\t\t\t\tcomiss\u00e3o do governo brit\u00e2nico que lhe concedia mais fundos e  \t\t\t\t\tequipamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos quinze anos da vida de Livingstone  \t\t\t\t\tjamais puderam recapturar a gl\u00f3ria de 1857. Ele voltou \u00e0  \t\t\t\t\t\u00c1frica com um s\u00e9quito oficial para a sua segunda expedi\u00e7\u00e3o,  \t\t\t\t\tapenas para descobrir que o rio Zambesi n\u00e3o era naveg\u00e1vel. A  \t\t\t\t\tparte do rio que ele n\u00e3o explorara na viagem anterior  \t\t\t\t\tcontinha gargantas rochosas e corredeiras espumantes.  \t\t\t\t\tDesapontado, voltou-se para o norte (mais pr\u00f3ximo da costa  \t\t\t\t\tleste) a fim de explorar o rio Shire e o Lago Nyasa.  \t\t\t\t\tInfelizmente, os ca\u00e7adores de escravos seguiram a pista  \t\t\t\t\tdeixada por ele e assim, durante algum tempo, sua descoberta  \t\t\t\t\tajudou mais a abrir a regi\u00e3o para o tr\u00e1fico de escravo do  \t\t\t\t\tque para as miss\u00f5es. Mission\u00e1rios tamb\u00e9m seguiram seus  \t\t\t\t\tpassos at\u00e9 a regi\u00e3o do rio Shire, mas n\u00e3o sem penoso  \t\t\t\t\tsacrif\u00edcio. A Miss\u00e3o Universit\u00e1ria para a \u00c1frica Central,  \t\t\t\t\tfundada como resultado de um discurso estimulante de  \t\t\t\t\tLivingstone em Carnbridge, entrou na \u00e1rea cheia de  \t\t\t\t\tentusiasmo e falsas esperan\u00e7as de condi\u00e7\u00f5es de vida  \t\t\t\t\tfavor\u00e1veis. Livingstone n\u00e3o era um bom organizador e a  \t\t\t\t\tmiss\u00e3o logo se transformou num caos. O bispo Charles  \t\t\t\t\tMackenzie, cl\u00e9rigo-chefe do grupo, era uma figura  \t\t\t\t\tcontroversa. Ele disse ter &#8220;chegado \u00e0 \u00c1frica Oriental corri  \t\t\t\t\tum bast\u00e3o episcopal numa das m\u00e3os e um rifle na outra&#8221; e n\u00e3o  \t\t\t\t\thesitou em usar seu rifle e distribuir outros para os amigos  \t\t\t\t\tafricanos, a fim de lutarem contra a tribo ajawa que  \t\t\t\t\tpraticava o vil tr\u00e1fico de escravos. &#8220;Seu comportamento  \t\t\t\t\tcriou um esc\u00e2ndalo e prejudicou seriamente a MUAC. Em menos  \t\t\t\t\tde um ano, todavia, Mackenzie morreu e outros do grupo  \t\t\t\t\tmission\u00e1rio tamb\u00e9m pereceram, inclusive a mulher de  \t\t\t\t\tLivingstone, Mary, que deixara os filhos na Inglaterra para  \t\t\t\t\tjuntar-se ao marido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livingstone voltou \u00e0 Inglaterra em 1864,  \t\t\t\t\tsendo dessa vez muito menos aclamado. Sua segunda expedi\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\tn\u00e3o tivera o sucesso que esperava e sua reputa\u00e7\u00e3o ficara  \t\t\t\t\tmanchada. A maioria dos membros de seu grupo, antes  \t\t\t\t\tenamorados de seu destemido l\u00edder, queixava-se agora  \t\t\t\t\tamargamente de sua atitude autocr\u00e1tica e personalidade  \t\t\t\t\tdif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1865, Livingstone voltou \u00e0 \u00c1frica pela  \t\t\t\t\t\u00faltima vez, a fim de come\u00e7ar sua terceira e \u00faltima  \t\t\t\t\texpedi\u00e7\u00e3o, desta vez com o prop\u00f3sito de descobrir a origem  \t\t\t\t\tdo Nilo. Ele n\u00e3o levou europeus em sua companhia e de fato  \t\t\t\t\tn\u00e3o viu outro europeu durante quase sete anos. Foi uma \u00e9poca  \t\t\t\t\tdif\u00edcil para Livingstone. Seu corpo estava devastado pela  \t\t\t\t\tdesnutri\u00e7\u00e3o, febre e hemorr\u00f3idas que sangravam. Seus  \t\t\t\t\tsuprimentos foram muitas vezes roubados pelos mercadores  \t\t\t\t\t\u00e1rabes de escravos. Todavia, ao mesmo tempo, n\u00e3o foi um  \t\t\t\t\tper\u00edodo infeliz de sua vida. Embora fracassasse em descobrir  \t\t\t\t\ta fonte do Nilo, ele fez outras descobertas significativas e  \t\t\t\t\tse achava em paz consigo mesmo e seu ambiente (exceto pelo  \t\t\t\t\tcont\u00ednuo tr\u00e1fico de escravos que torturava sua consci\u00eancia).  \t\t\t\t\tCom o passar do tempo os africanos se acostumaram com o  \t\t\t\t\tvelho barbado, desdentado e de aspecto selvagem que  \t\t\t\t\tfreq\u00fcentemente lhes falava de seu Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rumores da morte de Livingstone surgiram  \t\t\t\t\tmuitas vezes durante seus \u00faltimos anos na \u00c1frica. Apesar de  \t\t\t\t\tsua reputa\u00e7\u00e3o ter-se perdido em parte, o mundo ainda o  \t\t\t\t\treverenciava e tinha uma estranha curiosidade a respeito  \t\t\t\t\tdesse velho exc\u00eantrico nas selvas africanas. Foi essa  \t\t\t\t\tcuriosidade que levou o editor do jornal &#8220;New York Herald&#8221; a  \t\t\t\t\tenviar seu vers\u00e1til e ambicioso rep\u00f3rter, Henry Stanley,  \t\t\t\t\tpara encontrar Livingstone vivo ou morto. Depois de v\u00e1rios  \t\t\t\t\tmeses de busca, Stanley alcan\u00e7ou Livingstone em Ujiji &#8216;  \t\t\t\t\tperto do Lago Tanganica, em fins de 1871. O primeiro  \t\t\t\t\tencontro foi embara\u00e7oso. Ao desmontar do cavalo, Stanley  \t\t\t\t\tinclinou-se e pronunciou a frase rid\u00edcula (que logo se  \t\t\t\t\ttornaria parte do anedot\u00e1rio): &#8220;Dr. Livingstone, eu  \t\t\t\t\tpresumo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Stanley foi uma visita bem-vinda para  \t\t\t\t\tLivingstone. Ele levava consigo rem\u00e9dios, alimento e outros  \t\t\t\t\t(tens de que Livingstone precisava desesperadamente. E,  \t\t\t\t\ttalvez mais importante ainda, transmitiu not\u00edcias do mundo  \t\t\t\t\texterior e serviu de companhia. Os dois homens desenvolveram  \t\t\t\t\tum relacionamento \u00edntimo e terno. Numa comovente homenagem,  \t\t\t\t\tStanley descreveu os meses que conviveram:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante quatro meses e quatro dias, vivi com  \t\t\t\t\tele na mesma cabana ou no mesmo bote, ou na mesmo tenda, e  \t\t\t\t\tjamais descobri qualquer defeito nele. Fui para a \u00c1frica com  \t\t\t\t\ttantos preconceitos contra a religi\u00e3o quanto o pior pag\u00e3o de  \t\t\t\t\tLondres. Para um rep\u00f3rter como eu, que s\u00f3 tratava de  \t\t\t\t\tguerras, reuni\u00f5es de massa e encontros pol\u00edticos as  \t\t\t\t\tquest\u00f5es, sentimentais estavam completamente fora de minha  \t\t\t\t\tprov\u00edncia. Mas tive muito tempo para refletir ali. Eu me  \t\t\t\t\tachava afastado do ambiente mundano. Vi aquele homem  \t\t\t\t\tsolit\u00e1rio naquele lugar e me perguntei: &#8220;Por que ele fica  \t\t\t\t\taqui? O que o inspira?&#8221; Durante meses depois de nos  \t\t\t\t\tencontrarmos, me descobri prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas  \t\t\t\t\tpalavras, meditando a respeito daquele homem idoso que  \t\t\t\t\ttransmitia a mensagem: &#8220;deixe tudo e siga-me&#8221;. Aos poucos,  \t\t\t\t\tvendo a sua piedade, sua gentileza, seu zelo, sua  \t\t\t\t\tsinceridade, e como ele desempenhava silenciosamente suas  \t\t\t\t\ttarefas, fui convertido por ele, embora n\u00e3o tivesse tentado  \t\t\t\t\tisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livingstone viveu pouco mais de um ano ap\u00f3s a  \t\t\t\t\tpartida de Stanley. Seus empregados africanos o encontraram  \t\t\t\t\tmorto, ajoelhado junto a seu leito na manh\u00e3 de 19 de maio de  \t\t\t\t\t1873. Eles amavam aquele velho e n\u00e3o puderam pensar num meio  \t\t\t\t\tmelhor de prestar suas honras do que enviar seu corpo e  \t\t\t\t\tpap\u00e9is pessoais aos seus ex-associados na costa. Depois de  \t\t\t\t\tsepultar seu cora\u00e7\u00e3o sob uma \u00e1rvore Mpundu, o corpo foi  \t\t\t\t\tsecado sob o forte sol africano at\u00e9 ser mumificado e depois  \t\t\t\t\to levaram por terra, numa viagem de 160km at\u00e9 a costa. Na  \t\t\t\t\tInglaterra, Livingstone teve um funeral com honras de estado  \t\t\t\t\tna Abadia de Westminster, ao qual compareceram dignat\u00e1rios  \t\t\t\t\tde todo o pa\u00eds. Foi um dia de luto para seus filhos, que  \t\t\t\t\tforam despedir-se do pai que jamais tinham conhecido  \t\t\t\t\trealmente; mas foi um momento particularmente triste para o  \t\t\t\t\tidoso Robert Moffat, j\u00e1 com 78 anos, que caminhou  \t\t\t\t\tvagarosamente pela nave diante do caix\u00e3o que levava o homem  \t\t\t\t\tque d\u00e9cadas antes naquela mesma cidade havia recebido a  \t\t\t\t\tvis\u00e3o de &#8220;milhares de povoados, onde mission\u00e1rio algum  \t\t\t\t\testivera antes&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br \/>\nBibliografia:<\/p>\n<p>&#8216;&#8230;At\u00e9 aos confins da terra.&#8217; Uma Hist\u00f3ria Biogr\u00e1ficas das  \t\t\t\t\tMiss\u00f5es Crist\u00e3s &#8211; Editora: Sociedade Religiosa Edi\u00e7\u00f5es Vida  \t\t\t\t\tNova<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(1813 &#8211; 1873) Jamais houve nos anais de lenda mission\u00e1ria um homem t\u00e3o celebrizado quanto David Livingstone. 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