{"id":1161,"date":"2008-12-16T22:32:13","date_gmt":"2008-12-17T00:32:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=1161"},"modified":"2010-12-16T22:35:59","modified_gmt":"2010-12-17T00:35:59","slug":"memorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=1161","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/finney.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1157\" title=\"finney\" src=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/finney-232x300.jpg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/finney-232x300.jpg 232w, https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/finney-116x150.jpg 116w, https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/finney.jpg 349w\" sizes=\"auto, (max-width: 232px) 100vw, 232px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO I &#8211; NASCIMENTO E PR\u00c9-EDUCA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agradou a Deus de algum modo ligar o meu nome e labor a um extensivo movimento da igreja de Cristo, aquilo a que muitos chamam de &#8216;uma nova era&#8217;, muito especialmente no que toca a avivamentos religiosos. Como este movimento contribuiu consideravelmente para um desenvolvimento da vis\u00e3o da doutrina crist\u00e3 que nada de comum tem para muitos, as quais nasceram atrav\u00e9s da necessidade de engendrar meios distintos e novos para alcan\u00e7ar perdidos atrav\u00e9s do evangelho, seria apenas de esperar que nascesse com isso tamb\u00e9m uma certa m\u00e1 compreens\u00e3o sobre os mesmos princ\u00edpios doutrin\u00e1rios que fizeram promover estes avivamentos, tal como sobre o simples uso dos mesmos; conseq\u00fcentemente, at\u00e9 homens bons foram levados a questionar tanto a sabedoria destes mesmos m\u00f3dulos, como a sua sa\u00fade teol\u00f3gica e tamb\u00e9m homens \u00edmpios ficaram irritados contra eles e atrav\u00e9s do tempo envolveram-se extenuadamente numa oposi\u00e7\u00e3o aberta aos mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falo de mim mesmo apenas como algu\u00e9m ligado a estes mesmos movimentos, tal como muitos outros ministros e servos de Cristo, os quais partilharam e comparticiparam dele e na sua promo\u00e7\u00e3o, proeminentemente. Estou de certa forma consciente que uma boa parte de toda a igreja me acabou por considerar um inovador, tanto no que toca \u00e0 doutrina como nos meios usados; e que tamb\u00e9m me consideram e destacam como majoritariamente respons\u00e1vel pelo assalto a algumas formas e express\u00f5es de pensamento teol\u00f3gico, usando uma nova linguagem para ter como expressar a verdade do evangelho de muitas maneiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabei por ser importunado durante muitos anos, pelos amigos desses mesmos avivamentos com os quais estou inevitavelmente ligado, para relatar a hist\u00f3ria dos mesmos. Como prevalece uma certa incoer\u00eancia na compreens\u00e3o destes avivamentos, \u00e9 de esperar sempre que a verdade sobre as coisas exijam de mim uma certa exposi\u00e7\u00e3o das doutrinas que foram usadas e pregadas, os m\u00e9todos e meios usados para tais fins e o alcance dos mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha mente op\u00f5e-se desde logo a uma tal exposi\u00e7\u00e3o dos fatos, pois tende a recolher-se em si mesma, por me sentir for\u00e7ado a falar de mim mesmo, relacionando-me \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o dos mesmos. Foi muito principalmente por esta simples raz\u00e3o que at\u00e9 hoje declinei tal convite de pegar as r\u00e9deas duma tal obra. Ultimamente, os fundadores de Oberlin College puseram a quest\u00e3o diante de mim de novo, instigando-me a fazer aquilo que minha mente se recusa a fazer prontamente. Eles, juntamente com muitos amigos neste pa\u00eds e tamb\u00e9m em Inglaterra, assinalaram que devia algo \u00e0 obra de Cristo e que uma melhor compreens\u00e3o deveria prevalecer na igreja que at\u00e9 hoje existiu, especialmente sobre aqueles avivamentos que ocorreram desde o centro de Nova York a muitos outros lugares, desde 1821 e durante muitos anos a fio, especialmente porque tais avivamentos foram sempre muito criticados e mal vistos, crescendo uma grande oposi\u00e7\u00e3o aos mesmos por serem verdadeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproximo-me desta tarefa com muita relut\u00e2ncia por variad\u00edssimas raz\u00f5es. N\u00e3o guardei nenhum di\u00e1rio e por isso dependo apenas da minha mem\u00f3ria. \u00c9 de real\u00e7ar que a minha mem\u00f3ria \u00e9 tenaz e que o os acontecimentos que testemunhei nestes avivamentos impressionaram de tal forma a minha mente, que me recordo de todos os seus pormenores com relativa clareza, muitos mais pormenores que aqueles para os quais disponho do devido tempo para relat\u00e1-los. Qualquer pessoa que haja presenciado avivamentos poderosos toma desde logo nota da profunda convic\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o nos casos que se sucedem de forma di\u00e1ria e constante e do enorme interesse que provocam naquelas pessoas envolvidas neles. Quando e onde os fatos s\u00e3o sobejamente conhecidos de todos, um efeito arrepiante toma conta de todos. Ser\u00e3o t\u00e3o numerosas as muitas ocorr\u00eancias num avivamento destes que, se todos os fatos nele produzidos fossem narrados, muitos volumes inteiros se produziriam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pretendo seguir esse m\u00e9todo de exposi\u00e7\u00e3o. Vou apenas relatar o suficiente para expressar uma id\u00e9ia muito generalizada das ocorr\u00eancias e de como se deram estes acontecimentos no geral. Tamb\u00e9m pretendo relatar algumas das muitas convers\u00f5es que se foram dando em lugares diferentes. Procurarei dar uma exposi\u00e7\u00e3o das doutrinas usadas e ensinadas, dos meios usados para alcan\u00e7ar os efeitos que se deram, mencionando as ocorr\u00eancias de maneira a que a igreja possa estimar e avaliar tanto o poder como a pureza desta obra poderosa de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m hesito narrar estas ocorr\u00eancias, porque muitas vezes fui surpreendido pela minha pr\u00f3pria recolha dos fatos tal qual eu os presenciei e vivi, serem distintas e diferentes da recolha de outras pessoas envolvidas nos mesmos acontecimentos. \u00c9 claro que devo apenas relatar tal qual eu me recorde dos mesmos. Mencionei e referi muitas vezes em meus pr\u00f3prios serm\u00f5es como forma de ilustrar verdades a quem me ouvia, os fatos que aqui irei narrar. Tantas vezes me referi a eles durante tantos anos de minist\u00e9rio que, n\u00e3o posso sen\u00e3o estar plenamente confiante de estar capacitado para record\u00e1-los substancialmente bem, tal qual se deram. Se por acaso se der \u00e0 ocorr\u00eancia de confundir a verdade dos fatos, ou se as minhas recolhas de mem\u00f3ria forem distintas daquelas de outras pessoas, confio que as pessoas ir\u00e3o crer que aquilo que aqui relato, est\u00e1 de inteiro acordo e em plena conformidade com a minha presente capacidade de mem\u00f3ria. Estou agora com setenta e cinco anos de idade (1867-68). \u00c9 not\u00f3rio que recolho e recordo melhor aquelas coisas que se deram a mais tempo atr\u00e1s, do que aquelas de recente desenvolvimento. Em rela\u00e7\u00e3o direta \u00e0s doutrinas usadas para pregar, no quanto a mim me toca e tamb\u00e9m nos meios que usei para promover estes avivamentos, penso n\u00e3o poder errar na veracidade da sua divulga\u00e7\u00e3o sequer. Mas, para fornecer uma distinta vista panor\u00e2mica destas muitas cenas a todos se exce\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 de absoluta necessidade optar por um certo rumo de expor as muitas raz\u00f5es que sempre me levaram a adotar certas doutrinas vision\u00e1rias \u00e0s quais de cora\u00e7\u00e3o me entreguei em seu uso, na sua forma distinta de pregar e \u00e0s quais muito boa gente se op\u00f4s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vou come\u00e7ar por relatar as circunst\u00e2ncias do meu nascimento, da educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e0 minha convers\u00e3o a Cristo, da convers\u00e3o em si, dos meus estudos teol\u00f3gicos e da minha entrada no minist\u00e9rio. N\u00e3o vou escrever uma autobiografia, entenda-se desde j\u00e1, mas sim um relato dos acontecimentos da igreja nos quais estou envolvido particularmente, mas n\u00e3o mais do que o necess\u00e1rio para simplesmente ter como fornecer uma rela\u00e7\u00e3o inteligente e breve das mesmas ocorr\u00eancias factuais, de forma que se obtenha uma id\u00e9ia fiel de todos os fatos das muitas movimenta\u00e7\u00f5es da igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasci em Warren, Litchfield County, Connecticut, em 29 de Agosto de 1792. Com cerca de dois anos de idade, meu pai foi viver para Oneida, Nova York, que naquela altura era pouco mais que uma vasta floresta. N\u00e3o havia quaisquer privil\u00e9gios religiosos naquele tempo. Muito poucos livros havia dispon\u00edveis sobre o assunto. Muitos dos imigrantes oriundos de Nova Inglaterra, desde logo haviam estabelecido as suas escolas por ali. Mas muito pouca gente estaria exposta a uma inteligente exposi\u00e7\u00e3o do evangelho. Tive privil\u00e9gios escolares, durante ver\u00e3o e Inverno, at\u00e9 aproximadamente quinze ou dezesseis anos de idade. Estudei at\u00e9 ser tido como capaz de ensinar outros nessas mesmas escolas, da mesma maneira como estas escolas eram ent\u00e3o conduzidas no ensino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os meus pais n\u00e3o professavam religi\u00e3o sequer, creio mesmo que mesmo entre os meus vizinhos poucas pessoas haveria que professassem qualquer religi\u00e3o. Raramente ouvi um serm\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o dum ocasional pregador que por ali pretendesse passar, ou dum qualquer miser\u00e1vel que se punha como um pregador ignorante, daqueles que por ali havia por vezes. Recordo que a ignor\u00e2ncia desses pregadores seria tal, que as pessoas depois da prega\u00e7\u00e3o passavam momentos hilariantes de risada pelos muitos erros no falat\u00f3rio e por causa dos absurdos que sa\u00edam de suas bocas. Na vizinhan\u00e7a da casa de meus pais, foi erguida uma casa de reuni\u00f5es ministeriais, mas assim que ficou pronta meus pais abandonaram o local para se estabelecerem na floresta de Lake Ont\u00e1rio, um pouco a sul de Sackets Harbor. Aqui tamb\u00e9m, mesmo vivendo l\u00e1 durante alguns anos, nunca presenciei melhores privil\u00e9gios religiosos que os anteriores em Oneida County.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com cerca de vinte anos de idade voltei para Connecticut, logo de seguida para Nova Jersey, perto da cidade de Nova York onde me envolvi no ensino. Ensinei e estudei o mais que pude. Por duas vezes voltei \u00e0 Nova Inglaterra para freq\u00fcentar o col\u00e9gio superior durante uma \u00e9poca de cada vez. Foi por ali que pensei entrar no Yale College. Quem me ensinava era algu\u00e9m formado l\u00e1, mas aconselhou-me a n\u00e3o ir para l\u00e1. Disse-me que seria uma imensa perda de tempo, pois poderia muito bem conseguir adquirir o mesmo curr\u00edculo por ali naquela institui\u00e7\u00e3o num espa\u00e7o de dois anos, quando o mesmo me levaria quatro em Yale. Este homem apresentou as suas considera\u00e7\u00f5es de tal forma que me convenceram e por essa raz\u00e3o n\u00e3o tive como estudar mais naquele tempo. Contudo, depois disso ainda cheguei a adquirir alguns conhecimentos de Latim, Grego e Hebraico. Mas nunca fui um estudante muito cl\u00e1ssico e nunca adquiri o desejado conhecimento dessas l\u00ednguas ancestrais para de qualquer forma poder a vir questionar ou criticar de forma independente a nossa tradu\u00e7\u00e3o inglesa da B\u00edblia sequer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor a que fiz referencia, desejava que eu me juntasse a ele na condu\u00e7\u00e3o duma academia num dos estados do sul. Estava inclinado a aceitar essa proposta sob a pretens\u00e3o de continuar a minha aprendizagem sob sua tutela. Mas assim que informei meus pais sobre o assunto, os quais n\u00e3o via h\u00e1 cerca de quatro anos, ambos vieram ter comigo prevalecendo nos seus argumentos de me convencerem a ir com eles para Jefferson County, Nova York. Depois de visit\u00e1-los, conclui entrar como estudante de advocacia, nos escrit\u00f3rios de Squire W, em Adams, nessa regi\u00e3o. Era ent\u00e3o Outono em 1818.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 aqui, nunca havia gozado de qualquer coisa perto de ser um privil\u00e9gio religioso. Nunca pude viver de perto numa comunidade de ora\u00e7\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o de quando freq\u00fcentava aquela escola em Nova Inglaterra. Mas mesmo l\u00e1, aquela religiosidade prec\u00e1ria n\u00e3o serviu sequer para atrair a minha curiosidade. As prega\u00e7\u00f5es eram fornecidas por um excelente homem velho do clero, amado e venerado por todos os seus. Mas lia os seus serm\u00f5es de tal forma que nunca chegaram a impressionar a minha mente. Tinha uma forma mon\u00f3tona de tambor no ler daquilo que provavelmente havia escrito muitos anos antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para dar uma ligeira id\u00e9ia da suas prega\u00e7\u00f5es, permitam-me dizer que os seus serm\u00f5es manuscritos dariam apenas para meter numa pequena B\u00edblia. Assentava-me na galeria e dali observava que ele punha sempre os seus manuscritos no meio da B\u00edblia, pondo seus dedos espalhados pelos muitos s\u00edtios onde teria de ir buscar muitos dos textos que ele necessitava na sua prega\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, necessitava de suas duas m\u00e3os para segurar a sua B\u00edblia, coisa que n\u00e3o lhe permitiam fazer qualquer uso de gesticula\u00e7\u00e3o requerida para o efeito. Conforme ia avan\u00e7ando, ia libertando os seus dedos um a um na medida em que ia lendo os devidos textos que teria para fazer uso. Assim que todos os seus dedos estivessem soltos e livres, o serm\u00e3o terminava. A leitura que fazia dos seus serm\u00f5es, nada tinha de convincente, apenas de simples monotonia. Mesmo que as pessoas atendessem aos muitos cultos, fiel e reverentemente, confesso que para mim nunca serviram para nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que abandon\u00e1vamos os cultos, ouvia sempre coment\u00e1rios sobre os seus serm\u00f5es e nalguns casos as pessoas at\u00e9 se questionavam sobre se ele estivera fazendo alguma alus\u00e3o a algu\u00e9m ou algum pormenor entre eles, no seu meio. Parecia-me mais uma quest\u00e3o de curiosidades sobre o que pretendia alcan\u00e7ar atrav\u00e9s de suas palavras, especialmente quando houvesse algo mais que discuss\u00e3o de mera doutrina nas suas palavras lidas. Esta haviam sido as melhores prega\u00e7\u00f5es que ouvira at\u00e9 ent\u00e3o. Mas qualquer um poder\u00e1 imaginar se seria caso para um jovem perdido e desinteressado se de algum modo atra\u00eddo por tal coisa, como se tal forma de persuas\u00e3o o pudesse instigar a instruir-se em tal coisa. Quando ensinava em Nova Jersey, os serm\u00f5es locais eram majoritariamente feitos em alem\u00e3o. Penso que nem sequer meia d\u00fazia de serm\u00f5es ouvi em ingl\u00eas durante a minha estadia ali, que foi de cerca de tr\u00eas anos. Assim, quando fui para Adams estudar direito, era t\u00e3o ignorante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o quanto o seria qualquer pag\u00e3o mal informado. Cresci majoritariamente dentro da floresta, n\u00e3o considerava o S\u00e1bado ou Domingo e nunca dispusera at\u00e9 ali de qualquer conhecimento de verdade religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi em Adams que pela primeira vez me expus e sentei longamente sob um minist\u00e9rio educacional e inteligente. O Rev. George W. Gale, de Princeton, Nova Jersey, seria consagrado pastor local da Igreja Presbiteriana, pouco tempo depois de eu ali haver chegado. A sua prega\u00e7\u00e3o era da escola ancestral, puramente Calvinista e quando firmava as prega\u00e7\u00f5es nas suas doutrinas, transparecia ser um hiper-calvinista convicto. Claro est\u00e1 que ele era considerado como ortodoxo de alta patente. Mesmo assim, nunca pude beneficiar de nada daquilo que pregava. Algumas vezes lhe havia transmitido pessoalmente, ele parecia come\u00e7ar naquilo que deveria ser o meio de todo seu discurso e que assumia muitas coisas peremptoriamente que para a minha mente haveriam que ser provadas. Ele nem sequer se questionava se seus ouvintes teriam ouvidos de grandes te\u00f3logos, assumindo que deveriam estar \u00e0 altura de entender as doutrinas da salva\u00e7\u00e3o da maneira como as expunha. Terei de reconhecer abertamente que me fazia mais perplexo que esclarecido o ouvir daquilo que transmitia oralmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca at\u00e9 ali havia presenciado de perto uma reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o. Como havia uma muito perto dos escrit\u00f3rios todas as semanas, por norma atendia \u00e0s mesmas e dava-me para ouvir as suas muitas ora\u00e7\u00f5es, todas as vezes que saia do trabalho a horas de poder atend\u00ea-las. Como estudava direito elementar, notei que muitos dos autores antigos faziam refer\u00eancias cont\u00ednuas \u00e0s Escrituras, muito especialmente \u00e0quelas leis de Mois\u00e9s como princ\u00edpios b\u00e1sicos de autoridade para a lei comum. Isto provocou a minha curiosidade de tal forma que comprei uma B\u00edblia, a primeira que tive nas m\u00e3os. E sempre que encontrava uma qualquer referencia pelos autores de direito \u00e0 B\u00edblia, logo buscava a passagem para consult\u00e1-la relacionando-a sempre com a alus\u00e3o feita. Isto logo levou a que me interessasse pela B\u00edblia ainda mais e meditava em tudo aquilo que lia mais do alguma vez meditara em toda a minha vida. Muito daquilo que lia, n\u00e3o entendia como era de esperar. O Rev. Gale tinha por h\u00e1bito passar pelos escrit\u00f3rios com muita freq\u00fc\u00eancia, com alguma ansiedade em tentar saber qual a impress\u00e3o causada pelos seus muitos serm\u00f5es na minha mente. Eu falava com ele de forma muito aberta e franca. Penso que apontava erros demais aos seus serm\u00f5es, injustamente at\u00e9. Levantei tantas obje\u00e7\u00f5es contra ele, quantas haviam esbarrado na minha forma de querer ver as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas conversas que tinha com ele e ao perguntar sobre muitas quest\u00f5es, deduzi que toda a sua mente estaria mistificada demais e que n\u00e3o se conseguia definir muito bem acerca de assuntos importantes, como tamb\u00e9m n\u00e3o conseguia definir muita da sua terminologia da qual usava freq\u00fcentemente como forma de express\u00e3o muito formal. Que quereria ele dizer com &#8220;arrependimento&#8221;? Seria mero sentir de remorso ou seria emotividade? Seria um estado mental ou envolveria tal coisa tamb\u00e9m um estado voluntarioso de mente? Se for uma transforma\u00e7\u00e3o mental, que tipo de mudan\u00e7a seria? Seria uma quest\u00e3o mental apenas? Que queria ele dizer com regenera\u00e7\u00e3o? E com f\u00e9? Seria uma convic\u00e7\u00e3o, uma mudan\u00e7a espiritual, uma persuas\u00e3o de que as coisas contidas no evangelho seriam verdade? O que era a santifica\u00e7\u00e3o? Obrigaria isso a uma mudan\u00e7a f\u00edsica da pessoa nela envolvida, ou dependia tal coisa duma interfer\u00eancia direta da parte de Deus em quem cria? Eu n\u00e3o tinha como entender nenhuma das suas defini\u00e7\u00f5es sobre variad\u00edssimos assuntos importantes, pois parecia que ele pr\u00f3prio nada entendia sobre aquilo de que falava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estabelecemos muitos debates de inqu\u00e9rito e resposta, mas tal coisa apenas servia para me estimular mais duvidas que satisfazer a minha curiosidade sobre esses assuntos no tocante \u00e0quilo que pudesse ser verdade. Mas, lendo a minha B\u00edblia e freq\u00fcentando a dita reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o, ouvindo os serm\u00f5es do Rev. Gale e discutindo com ele, tamb\u00e9m com os anci\u00e3os da igreja e muitos outros ocasionalmente, tornei-me um ser muito inquieto. Uma pequena considera\u00e7\u00e3o desde logo me levou a perceber que n\u00e3o estaria minimamente preparado para o c\u00e9u caso morresse. Transparecia-me que haveria algo infinitamente importante na religi\u00e3o e ficou desde logo ponto assente que, se a alma fosse deveras imortal, eu estaria carecido duma enorme e real mudan\u00e7a interior, caso tivesse que vir a ser preparado para a felicidade do c\u00e9u. Mas a minha mente ainda n\u00e3o achara forma de se achar resolvida quanto a quest\u00f5es como \u00e0 verdade ou a mentira do evangelho da religi\u00e3o crist\u00e3. A quest\u00e3o teria peso a mais, no entanto, para me deixar tranq\u00fcilizado naquela incerteza sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estava particularmente at\u00f4nito sobre aquele fato inquestion\u00e1vel de que as muitas ora\u00e7\u00f5es que ouvia naquela reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o careciam de respostas conclusivas. N\u00e3o via nenhuma resposta \u00e0s mesmas, aqu\u00e9m daquilo que podia ver e presenciar. O fato incontorn\u00e1vel de maior relevo das suas ora\u00e7\u00f5es seria que n\u00e3o consideravam qualquer f\u00e9 numa resposta sequer, pois n\u00e3o as conseguiam considerar como atendidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lendo a B\u00edblia vi como Cristo se pronunciava sobre a ora\u00e7\u00e3o e muito especialmente sobre respostas certas \u00e0s mesmas. Ele dizia: &#8220;pedi e dar-se-vos-\u00e1 e aquele que busca, acha aquele que bate abrir-se-lhe-\u00e1&#8221;. Li tamb\u00e9m sobre como Deus estaria numa grande pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o de atend\u00ea-los e de dar o Seu Esp\u00edrito Santo a quem O pedisse, mais do que os pais daqui do mundo estariam na disposi\u00e7\u00e3o de dar algo a seus pr\u00f3prios filhos. Ouvia-os orar continuamente para que fosse derramado o Esp\u00edrito Santo e variad\u00edssimas vezes a confessarem abertamente que nada demais se passaria, pois n\u00e3o recebiam tudo aquilo que pediam. Exortavam-se uns aos outros para se manterem despertos e na expectativa da Sua vinda, orando sempre para que houvesse um avivamento religioso, assegurando mutuamente que, se cada um cumprisse a sua parte, orando pelo Esp\u00edrito e fossem s\u00e9rios e sinceros no pedido, estariam na emin\u00eancia de obterem o tal avivamento que iria converter muitos impenitentes e pecadores. Mas nas suas muitas ora\u00e7\u00f5es e reuni\u00f5es, alegavam continuamente que nenhum progresso alcan\u00e7avam atrav\u00e9s daquelas ora\u00e7\u00f5es, a favor de assegurarem o pr\u00f3prio progresso da religi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquela inconsist\u00eancia absurda de nunca receberem aquilo que tanto pediam, era um s\u00e9rio trope\u00e7o para mim. N\u00e3o sabia o que entender daquilo. As quest\u00f5es que se punham na minha mente seria se aquelas muitas pessoas seriam de fato crentes e que se n\u00e3o sendo n\u00e3o tinham como prevalecer diante Deus, ou se eu estaria a entender muito mal as promessas que vinham na B\u00edblia vezes sem conta. Estaria a B\u00edblia a falar a verdade? Era algo inexplic\u00e1vel para mim. Por pouco tal ocorr\u00eancia n\u00e3o me levou ao cepticismo. Parecia-me desde longe que, entre aquilo tudo que se desenrolava diante de mim e aquilo que lia da B\u00edblia, n\u00e3o havia sintonia poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa ocasi\u00e3o, quando freq\u00fcentava a dita reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o, Perguntaram-me se desejaria que orassem por mim. Respondi-lhes de imediato que n\u00e3o, porque, disse-lhes, n\u00e3o via Deus a responder qualquer das suas ora\u00e7\u00f5es. Disse: &#8220;Por acaso sou uma pessoa necessitada de ora\u00e7\u00e3o, porque tenho consci\u00eancia em mim que sou um pecador; mas n\u00e3o vejo que as vossas ora\u00e7\u00f5es possam resolver o meu problema, pois voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o a ser ouvidos; se o caso se desse das vossas ora\u00e7\u00f5es serem ouvidas, n\u00e3o me importaria nada que orassem por mim. \u00c9 que est\u00e3o h\u00e1 tanto tempo a orar para que des\u00e7a o Esp\u00edrito Santo e nada recebem! Desde que cheguei a Adams que pedem isso e n\u00e3o h\u00e1 maneira de ver qualquer resposta concreta; apenas vos vejo a lamentarem-se que n\u00e3o recebem&#8221;. Recordo-me de haver usado uma forma de express\u00e3o na altura mais ou menos assim: &#8220;J\u00e1 oraram tanto desde que freq\u00fcento as vossas reuni\u00f5es que j\u00e1 bastaria para expulsar o diabo por inteiro daqui de Adams, se houvesse qualquer ess\u00eancia de virtude em qualquer das vossas ora\u00e7\u00f5es! Mas mesmo assim, voc\u00eas continuam a orar sobre a mesm\u00edssima coisa e s\u00f3 vos ou\u00e7o lamentarem-se sempre por nunca receberem&#8221; Eu falava com muita seriedade de express\u00e3o sem uma qualquer fragr\u00e2ncia de irritabilidade, devendo-se provavelmente ao fato de me haver confrontado continuamente com aquela quest\u00e3o da religi\u00e3o. Este era um estado de coisas deveras novo para a minha experi\u00eancia. Mas lendo a B\u00edblia com mais diligencia, pude verificar que as suas ora\u00e7\u00f5es nunca seriam ouvidas porque eles nunca se haviam comprometido com as condi\u00e7\u00f5es sob as quais Deus se comprometera a responder \u00e0s ora\u00e7\u00f5es deles. Foi como que uma revela\u00e7\u00e3o para mim, pois se via claramente que n\u00e3o esperavam que Deus respondesse que lhes desse aquilo por que pediam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto visto, por algum tempo a minha mente se confundia com estas coisas. Seria mais na forma de questionar que chegara a estas conclus\u00f5es que propriamente numa forma bem definida de resposta. De qualquer modo, isto me deu um certo al\u00edvio ao pensar que afinal de contas nada de errado deveria de existir sobre a verdade do evangelho. E depois de haver lutado durante uns dois ou tr\u00eas anos com essa grande quest\u00e3o, a minha mente assentou no fato de que houvesse a mistifica\u00e7\u00e3o que houvesse, na minha mente ou na do meu pastor, ou mesmo na mente da igreja de forma independente da do pastor e da minha, a B\u00edblia redundava na aut\u00eantica Palavra de Deus. Estando esta quest\u00e3o tra\u00e7ada e arrumada desde a\u00ed em diante, o passo seguinte seria logicamente a quest\u00e3o se aceitaria Cristo tal como Ele vem apresentado nas Escrituras e no Evangelho, ou iria perseguir um caminho mundanamente orientado. Neste per\u00edodo de tempo e a partir daqui, n\u00e3o mais podia deixar a quest\u00e3o sem resposta porque, como me vim a aperceber desde ent\u00e3o at\u00e9 ao dia de hoje, o Esp\u00edrito Santo imprimiu uma urg\u00eancia na minha mente de ter de resolver aquela grande quest\u00e3o com Ele, n\u00e3o mais podendo seguir assim hesitando entre dois pensamentos distintos e opostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO II &#8211; CONVERS\u00c3O A CRISTO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa noite do dia do Senhor (domingo), no Outono de 1821, decidi ent\u00e3o que iria resolver prontamente a quest\u00e3o sobre a salva\u00e7\u00e3o da minha alma e que se me fosse poss\u00edvel, trataria de ter paz com Deus imediatamente. Mas por estar absorvido em muitos afazeres no escrit\u00f3rio, vi desde logo que sem uma firmeza em prop\u00f3sito nunca chegaria a faz\u00ea-lo ou torn\u00e1-lo poss\u00edvel. Resolutamente decidi desde logo que, dentro do que me fosse poss\u00edvel, evitaria estar ocupado demais nos assuntos do escrit\u00f3rio e que tudo o que pudesse consumir a minha aten\u00e7\u00e3o seria posto de parte para que tivesse como me entregar inteiramente \u00e0 obra da salva\u00e7\u00e3o da minha alma. Esta resolu\u00e7\u00e3o foi de imediato posta em pr\u00e1tica de forma t\u00e3o severa quanto dr\u00e1stica. Mas estava comprometido com as coisas do escrit\u00f3rio sem que tivesse como evitar. Por\u00e9m, conforme aquela providencia de Deus proporcionou, n\u00e3o estava muito ocupado nem as segundas nem \u00e0s ter\u00e7as-feiras; teria como me entregar por inteiro \u00e0 leitura da B\u00edblia e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o nesses dois dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era um homem muito orgulhoso quase sem o saber. Eu supunha de mim mesmo pretensiosamente que n\u00e3o me importava com a opini\u00e3o dos outros sobre a minha pessoa, daquilo que pudessem vir a pensar de mim. De fato freq\u00fcentava as reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o solitariamente, na mesma medida da aten\u00e7\u00e3o que prestava \u00e0 religi\u00e3o. Mas descobri ent\u00e3o que, assim que comecei a pensar resolver a quest\u00e3o da minha salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o gostava que algu\u00e9m chegasse, a saber, o que se passava nos meus pensamentos. Nuca permiti que a igreja ficasse com uma id\u00e9ia de que estaria num estado de ansiedade e na busca de salva\u00e7\u00e3o. Quando orava, apenas murmurava uma ora\u00e7\u00e3ozinha sem jeito no escrit\u00f3rio, mas apenas depois de tapar o buraco da fechadura na porta, n\u00e3o fosse algu\u00e9m descobrir que estava orando. Antes dessa altura, tinha uma B\u00edblia em cima da minha secret\u00e1ria como parte integral de todos os meus livros de direito. Nunca tal coisa me havia ocorrido ter qualquer tipo de vergonha ou preconceito de t\u00ea-la l\u00e1 com meus livros, sentir-me embara\u00e7ado caso algu\u00e9m me surpreendesse a l\u00ea-la; n\u00e3o mais do que me encontrarem a ler qualquer um dos meus livros de direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas assim que me ocupei com seriedade com a quest\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o da minha alma, punha a minha B\u00edblia tanto quanto me era poss\u00edvel fora da vista de quem a pudesse vislumbrar. Se por acaso fosse descoberto a l\u00ea-la, de imediato punha os meus livros sobre ela para que ningu\u00e9m viesse a pensar que a estava lendo, disfar\u00e7ando para que ningu\u00e9m pensasse que havia estado com a minha m\u00e3o na B\u00edblia. Em vez de falar sobre o assunto da minha salva\u00e7\u00e3o com algu\u00e9m, descobri que n\u00e3o desejava de maneira nenhuma falar com ningu\u00e9m. N\u00e3o queria ver o meu pastor por perto, porque n\u00e3o queria que viesse, a saber, o que se passava em mim. N\u00e3o confiava que ele pudesse ou tivesse como entender o meu caso e que me soubesse apontar na dire\u00e7\u00e3o certa e desej\u00e1vel. Pelas mesmas raz\u00f5es evitava as conversas com os presb\u00edteros da igreja ou com qualquer outro crente. Tinha imensa vergonha de que viessem a descobrir e saber como me sentia, por um lado. Por outro, temia que ningu\u00e9m me soubesse mostrar com precis\u00e3o o caminho que devia seguir. Senti uma necessidade de me fechar com a B\u00edblia a s\u00f3s e manter-me assim isolado tanto quanto podia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As segundas e ter\u00e7as a minhas convic\u00e7\u00f5es subiam de tom, mas ao mesmo tempo sentia o meu cora\u00e7\u00e3o cada vez mais endurecido. N\u00e3o conseguia verter uma singular l\u00e1grima, n\u00e3o conseguia orar. Nunca tivera a oportunidade de orar acima da voz da minha respira\u00e7\u00e3o e com alguma freq\u00fc\u00eancia sentia que se estivesse num local onde pudesse dar largas a toda a minha voz, encontraria o tal al\u00edvio que buscava na ora\u00e7\u00e3o. Era acanhado e evitava na medida em que me era poss\u00edvel, falar sobre o assunto. Torneava sempre a quest\u00e3o de maneira a que ningu\u00e9m conseguisse saber o que se passava em mim, que estava na emin\u00eancia de me desejar salvar. Na ter\u00e7a-feira estava numa ansiedade enorme e muito nervoso. Uma estranha sensa\u00e7\u00e3o que estaria para morrer apoderou-se de mim. Sabia de antem\u00e3o que se viesse a morrer, estaria condenado ao inferno. Acalmei-me, no entanto, o mais que pude at\u00e9 a manh\u00e3 romper.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo pela manh\u00e3, a caminho do escrit\u00f3rio, um pouco antes de l\u00e1 haver chegado, algo parecia estar a confrontar-me. Algo me dizia abertamente: &#8220;que esperas para te decidir? N\u00e3o prometeste entregar todo o teu cora\u00e7\u00e3o a Deus? O que est\u00e1s a tentar conseguir com tudo isto? Est\u00e1s a tentar operar por uma justi\u00e7a tua, pr\u00f3pria?&#8221; Foi aqui, nesse momento que toda aquela quest\u00e3o do evangelho como que se abriu para mim. Vi ali, tanto quanto sei o perfeito trabalho de reconcilia\u00e7\u00e3o que Cristo conseguiu na cruz. Nunca em toda a minha vida iria ver t\u00e3o claro, tal coisa. Vi como a Sua obra era soberana, uma obra terminada, \u00e0 qual nada tinha a acrescentar. E como em vez de tentar recomendar-me a Deus atrav\u00e9s duma justeza pr\u00f3pria, tinha apenas que me submeter \u00e0quela justi\u00e7a j\u00e1 conseguida em Cristo submeter-se logo a Cristo. Transpareceu-me ser uma oferta tal que valia muito a pena receber, como algo que nunca devia enjeitar. Desde logo vi que a \u00fanica coisa que tinha de fazer, seria consentir que tivesse como deixar todo e qualquer um dos meus pecados, aceitando o Senhor. Salva\u00e7\u00e3o pareceu-me desde logo, seria algo v\u00e1lido e valioso demais para desperdi\u00e7ar, como algo a que nada teria a acrescer por obras minhas, toda ela estando \u00e0 minha merc\u00ea em Cristo, que, por sua vez se me foi apresentado como Deus e Salvador. Sem que me houvesse apercebido de tal coisa, estava parado no meio da estrada a pensar em tudo aquilo, ali onde aquela voz me havia arrastado para dentro destas verdades. Quanto tempo estive ali naquele estado, n\u00e3o sei precisar. Mas momento depois de todo este panorama de salva\u00e7\u00e3o se haver aberto \u00e0 minha mente, algo me fazia dizer dentro de mim a mim mesmo: &#8220;Vais aceitar agora? Hoje?&#8221; Eu disse &#8220;Sim, vou resolver isso hoje mesmo, ou isso ou morro na tentativa para consegui-lo!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A norte da vila de Adams, depois dum monte, havia uma floresta onde eu passeava quase diariamente, dependendo do estado do tempo. Era Outubro e o tempo das minhas freq\u00fcentes passeatas por ali j\u00e1 haviam passado h\u00e1 muito. Mesmo assim, em vez de me direcionar para os escrit\u00f3rios, fui para o bosque, sentindo que deveria estar s\u00f3, bem distante de qualquer ser humano, longe dos olhos e ouvidos das pessoas, num lugar onde pudesse derramar todo o meu cora\u00e7\u00e3o diante de Deus em pessoa. Mas o meu orgulho resolveu dar sinais grosseiros de si. Enquanto caminhava, ocorreu-me que algu\u00e9m poderia estar a ver-me e a suspeitar sobre aquilo que estaria na emin\u00eancia de fazer. N\u00e3o queria que algu\u00e9m suspeitasse sequer que ia orar. Ningu\u00e9m, provavelmente suspeitaria de algo assim, caso fosse visto a ir \u00e0 dire\u00e7\u00e3o ao bosque. T\u00e3o grande era o meu orgulho e t\u00e3o violento era aquele temor ao homem que me possuiu, que recordo haver-me esgueirado por baixo da veda\u00e7\u00e3o o mais r\u00e1pido que pude para embrenhar no bosque o mais longe poss\u00edvel da vista de humanos, para que ningu\u00e9m tivesse como me ver a partir da vila. Penetrei na mata meio quilometro, passei para o outro lado do monte que havia depois da vila e achei um local de ora\u00e7\u00e3o. Umas \u00e1rvores grandes haviam ca\u00eddo cruzando-se umas sobre as outras, criando uma esp\u00e9cie de aposento no meio delas. Entrei nesse aposento e ajoelhei-me para orar a Deus. Recordo que dissera a mim mesmo a caminho daquele bosque, que entregaria todo o meu cora\u00e7\u00e3o a Deus, custasse o que custasse. Disse vezes sem conta, repetindo para mim mesmo esta promessa: &#8220;entregarei todo o meu cora\u00e7\u00e3o a Deus, ou nunca mais sairei do bosque; n\u00e3o sairei daqui sem haver resolvido a minha vida com Deus!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas assim que tentei orar, descobri que n\u00e3o conseguia, pois o meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguia expressar-se. Havia suposto que se estivesse onde pudesse dar largas \u00e0 minha voz em ora\u00e7\u00e3o, sem que me ouvissem, poderia orar livremente. Mas n\u00e3o! Estava mudo, sem conseguir dizer palavra sequer! Ou n\u00e3o tinha nada em mim para dizer a Deus, ou ent\u00e3o podia fazer uso de umas poucas palavras sem express\u00e3o de sinceridade, sem cora\u00e7\u00e3o! E quando tentei entrar em ora\u00e7\u00e3o, umas folhas mexeram-se com o vento ali perto. Levantava a minha cabe\u00e7a a ver se algu\u00e9m vinha e parava de orar, verificando-se tal procedimento variad\u00edssimas vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim entrei numa fase de desespero total. Disse a mim mesmo: &#8220;N\u00e3o consigo orar! O meu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 morto para Deus! N\u00e3o consigo orar!&#8221; Ali mesmo comecei a repreender-me a mim mesmo por me haver comprometido e prometido entregar o meu cora\u00e7\u00e3o a Deus antes de sair daquela mata. Ao tentar uma e outra vez, descobria sempre que n\u00e3o conseguia entregar meu cora\u00e7\u00e3o a Deus. O meu intimo recuava miseravelmente, n\u00e3o deixando meu cora\u00e7\u00e3o ir de encontro a Deus. Logo comecei a pensar que seria j\u00e1 tarde demais para me salvar, que Deus havia desistido de mim e que estaria para al\u00e9m de qualquer esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Aquele pensamento de me haver precipitado naquilo que me comprometera a fazer at\u00e9 sair dali, que antes morreria a sair dali sem Deus no cora\u00e7\u00e3o, perseguia-me incessantemente. Parecia que tal promessa provocava em minha alma uma enorme sobrecarga de compromisso e n\u00e3o tinha como cumprir aquele voto solene. Mergulhei profundamente num abismo de desespero e de desencorajamento de tal dimens\u00e3o que nem for\u00e7as tinha para me por de joelhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nisto ouvi as folhas mexerem-se com o vento e olhei de novo com receio que algu\u00e9m se estivesse aproximando, de ser visto em ora\u00e7\u00e3o. Abri os meus olhos para verificar se assim era de fato. Mas logo ali me foi revelada a dimens\u00e3o do meu orgulho diante de meus pr\u00f3prios olhos. Vi qual a raz\u00e3o de toda aquela dureza e conseq\u00fcente frieza de cora\u00e7\u00e3o em mim e foi-me revelado distintamente e de tal forma que se apoderou de mim um sentir de perversidade pr\u00f3pria, uma imensid\u00e3o de tal perversidade, por me sentir com vergonha que algu\u00e9m me visse em ora\u00e7\u00e3o diante do meu Deus, do meu Criador, que exclamei contra a minha perversidade. Esse sentir de perversidade tomou posse de todo o meu ser, de tal forma que gritei em alta voz que mesmo que todos os homens da terra me estivessem a ver, juntamente com todos os anjos perversos do inferno e me cercassem para ver-me orar ali, de modo algum deixaria aquele lugar. &#8220;O qu\u00ea? Tal pecador degradado como eu, de joelhos confessando todos os meus pecados perante um Deus magn\u00edfico e poderoso e com vergonha Dele? Que coisa \u00e9 esta? Com vergonha que tenha receio de que pecadores como eu me vejam assim prostrado diante do meu Deus Criador, muit\u00edssimo ofendido por meus pecados?&#8221; Aquele pecado pareceu-me infinito, imenso, degradante e perverso. Quebrei diante de meu Deus e sucumbi de vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo ali certa passagem das Escrituras parecia penetrar a minha mente com uma tempestuosa luminosidade. &#8220;Mas de l\u00e1 buscar\u00e1s ao Senhor teu Deus, e o achar\u00e1s, quando o buscares de todo o teu cora\u00e7\u00e3o e de toda a tua alma&#8221;, Deu 4:29. Instantaneamente apoderei-me dela com todo meu cora\u00e7\u00e3o, com todas as minhas for\u00e7as. Eu havia crido na B\u00edblia de forma intelectual antes e at\u00e9 ali. Mas nunca me havia passado pela cabe\u00e7a que a f\u00e9 era um estado de voluntariedade viva em vez dum formalidade meramente intelectual. Estava t\u00e3o consciente de poder e ter de confiar em Deus naquele momento como ser verdadeiro e real, como podia crer na minha pr\u00f3pria exist\u00eancia. Seja de que forma for, sabia que aquelas palavras eram vindas das Escrituras, mesmo que nunca me recorde de hav\u00ea-las lido alguma vez at\u00e9 ali. Sabia instintivamente que se trataria da verdadeira voz de Deus a falar-me atrav\u00e9s delas. Clamei: &#8220;Senhor, eu aceito essas palavras como as Tuas pr\u00f3prias palavras. Agora sabes que te busco de todo o meu cora\u00e7\u00e3o, que vim aqui para orar a Ti. Aqui me prometes ouvir a minha ora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso me fez crer que agora podia cumprir aquilo que me comprometera a fazer ali. Mas o Esp\u00edrito de Deus parecia n\u00e3o estar satisfeito, pressionando sobre o meu cora\u00e7\u00e3o as palavras &#8220;quando O buscares de todo o teu cora\u00e7\u00e3o e de toda a tua alma&#8221;. A quest\u00e3o de quando isso se daria, parecia que havia de ser ali, naquele momento; isso assentaria pesadamente sobre meu peito. Disse ao Senhor que o levava a s\u00e9rio e que tinha toda a certeza que Ele me ouvira que Ele n\u00e3o tinha como mentir-me; que logo haveria de encontr\u00e1-lo pessoalmente. Ali me foram dadas outras promessas, sa\u00eddas tanto do Velho com do Novo Testamento, em especial algumas promessas acerca do Senhor Jesus pessoalmente. N\u00e3o terei nunca palavras para descrever a um ser humano como \u00e0quelas palavras, como aquelas promessas e palavras me foram preciosas ali. Eu consumi-as uma a uma como verdades infal\u00edveis, como provas concretas de que seria imposs\u00edvel Deus mentir. N\u00e3o ca\u00edam tanto no meu intelecto, mas mais pareciam assentar profundamente no fundo do meu \u00edntimo, conseguindo tal coisa apoderar-se de todas as for\u00e7as voluntariosas da minha mente na sua totalidade. Eu apoderei-me delas intensamente, agarrando-me a elas com o pulso de algu\u00e9m que estava em vias de se afogar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuei assim em ora\u00e7\u00e3o, apropriando-me de promessas atr\u00e1s de promessas durante muito tempo, quanto n\u00e3o sei. Orei at\u00e9 que mentalmente me havia saturado e antes que me houvesse apercebido, estava em p\u00e9 andando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vila, na estrada j\u00e1. A quest\u00e3o de me haver convertido ou n\u00e3o, n\u00e3o me passava tanto assim pela cabe\u00e7a, mas recordo-me haver dito com grande \u00eanfase que, se alguma vez me houvesse convertido, me entregaria para a propaga\u00e7\u00e3o do evangelho. Logo entrei na estrada a caminho da vila refletindo em pormenor sobre tudo o que ali se havia passado. Achei minha mente num estado de paz maravilhoso, muito calma mesmo. Logo me maravilhei de tal coisa e comecei a dizer a mim mesmo: &#8220;que ser\u00e1 isto? Tenho a certeza que feri o Esp\u00edrito Santo de vez da minha vida. Perdi toda a convic\u00e7\u00e3o de qualquer um dos meus pecados que confessara. N\u00e3o tenho mais em mim nem uma simples preocupa\u00e7\u00e3o sobre a salva\u00e7\u00e3o da minha alma! De certeza que isto \u00e9 porque o Esp\u00edrito Santo me abandonou de vez!&#8221; &#8220;Mas como&#8221;, perguntei-me a mim mesmo, &#8220;nunca me senti t\u00e3o despreocupado com a salva\u00e7\u00e3o da minha alma!&#8221; N\u00e3o sabia o que se passava comigo. Logo me recordei de como havia prometido que levaria Deus pela Sua palavra, que cria inteiramente Nele quando estava ajoelhado naquele bosque. Recordei-me de muitas coisas que havia dito ousadamente a Deus e conclu\u00edra que n\u00e3o seria sequer de me admirar que Deus me houvesse abandonado para sempre por causa de tal ousadia impar! Como \u00e9 que um pecador como eu, se atrevera a dirigir-se daquela forma a Deus? Que presun\u00e7\u00e3o, que blasf\u00eamia haver falado assim com Ele! Conclui que havia com toda certeza cometido o tal pecado imperdo\u00e1vel, o pecado contra o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas caminhava em absoluto sossego em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vila. Todo o meu ser estava em tal sintonia silenciosa que parecia que toda natureza me ouvia. Era dia 10 de Outubro, um dia deveras agrad\u00e1vel. Havia me dirigido para o bosque depois dum apressado pequeno almo\u00e7o, muito cedo. Quando cheguei \u00e0 vila descobri que era hora de almo\u00e7o. Estava totalmente despercebido de como o tempo havia passado t\u00e3o rapidamente. Mais me parecia que havia ali estado apenas por breves instantes. Mas, como explicar aquela paz de esp\u00edrito, aquele sossego sem fim? Tentei recolher as minhas convic\u00e7\u00f5es de pecado anteriores, o fardo de consci\u00eancia sob o qual havia labutado at\u00e9 ali precariamente. Mas todo sentido, toda e qualquer consci\u00eancia de e sobre pecado havia desvanecido de mim. A culpa abandonara-me por completo. Disse a mim mesmo: &#8220;que vem a ser isto? Que coisa ser\u00e1 esta em mim? Como pode ser que um pecador t\u00e3o \u00edmpio como eu n\u00e3o mais me lembre de pecado, nem de ter um simples sentimento de culpa para viver com ele?&#8221; Tentei em v\u00e3o p\u00f4r em estado de ansiedade, n\u00e3o fosse haver entristecido o Esp\u00edrito Santo de vez e para sempre, atrav\u00e9s de alguma imprud\u00eancia. Mas, olhasse para o meu estado de esp\u00edrito a partir dum ou outro ponto de vista, n\u00e3o conseguia sentir-me ansioso. Nada conseguia perturbar aquela paz estranha que me dominava. Era grande o descanso que de mim se apoderara. N\u00e3o tenho como descrever em palavras. O pensar em Deus era t\u00e3o doce \u00e0 minha mente, e uma tranq\u00fcilidade absoluta tomou conta de todo o meu ser, de tal modo que n\u00e3o tinha como chegar a uma conclus\u00e3o sobre aquilo que em mim se passava. Era um mist\u00e9rio enorme, mas mesmo assim n\u00e3o tinha como me deixar perplexo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui almo\u00e7ar e descobri que n\u00e3o tinha qualquer apetite ou vontade de comer. Fui para o escrit\u00f3rio e Squire W havia sa\u00eddo para almo\u00e7o. Peguei no meu violino e comecei a tocar m\u00fasica sagrada daquela que j\u00e1 me habituara a tocar. Mas assim que comecei a cantar aquelas palavras sagradas, comecei a chorar. Parecia que o estado do todo o meu cora\u00e7\u00e3o se transformara em l\u00edquido e o meu estado de esp\u00edrito era tal que n\u00e3o conseguia sequer ouvir a minha pr\u00f3pria voz sem provocar em mim um fluir abundante de sensibilidade emotiva. Estava perplexo com este decorrer estranho de coisas e, mesmo tentando controlar as minhas l\u00e1grimas, vi que me era imposs\u00edvel continuar a cantar aquelas palavras. Por essa raz\u00e3o arrumei o instrumento e parei de cantar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do almo\u00e7o estivemos bastante ocupados em mudar os m\u00f3veis e livros dum escrit\u00f3rio para o outro. Como estivemos muit\u00edssimo ocupados com tudo aquilo, raramente pudemos conversar uns com os outros. A minha mente permanecia naquela profunda tranq\u00fcilidade, a qual n\u00e3o tinha como me passar despercebida sequer. Havia uma grande do\u00e7ura na minha forma de pensar e de sentir. Tudo me parecia lindo e calmo, nada me tinha como perturbar nem por um momento. Um pouco antes de anoitecer um pensamento tomou conta de mim, de que me iria entregar \u00e0 ora\u00e7\u00e3o assim que estivesse s\u00f3 nos escrit\u00f3rios e que n\u00e3o abandonaria a quest\u00e3o da religi\u00e3o de jeito nenhum, mesmo havendo entristecido o Esp\u00edrito Santo. Mesmo n\u00e3o tendo qualquer ansiedade em mim sobre a salva\u00e7\u00e3o da minha alma, mesmo assim iria orar a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que, \u00e0 noite, pudemos ter tudo em ordem e arrumado, tanto livros como m\u00f3veis, eu acendi um fogo na lareira na esperan\u00e7a de ter como passar o resto da noite a s\u00f3s ali. Squire W retirou-se assim que escureceu, deu-me as boas noites e foi para sua casa. Acompanhei-o \u00e0 porta e assim que fechei a porta por tr\u00e1s de mim, meu cora\u00e7\u00e3o transformou-se em liquido dentro de mim. Todos os meus sentimentos subiram-me \u00e0 garganta e a \u00fanica express\u00e3o que se criou poderosamente em mim, foi que queria derramar toda a minha alma diante de Deus. A ressurrei\u00e7\u00e3o destes sentimentos de emerg\u00eancia fizeram-me correr para o quarto de tr\u00e1s dos escrit\u00f3rios para ir orar de imediato. N\u00e3o havia l\u00e1 fogo ou luz no quarto. Mas como me parecia que estava iluminado! Assim que entrei e fechei aquela porta atr\u00e1s de mim, pareceu-me haver encontrado o Senhor Jesus face a face. Nunca me havia ocorrido nem ali nem por algum tempo depois que era apenas uma conclus\u00e3o mental apenas, pois a mim me parecia de fato uma vis\u00e3o Dele ali mesmo, parecendo que o estaria a ver como se estivesse vendo qualquer homem normal. Ele nada me disse, mas olhou para mim de tal modo que sucumbi a seus p\u00e9s. Pus-me de joelhos diante Dele. Eu at\u00e9 agora sempre pensei nisto como um mero estado mental meu, mas era muito real para mim que estava diante de Jesus naquele momento marcante de minha exist\u00eancia. Derramei tudo o que tinha em mim a seus p\u00e9s, confessei tanta coisa de tal forma e com tal emo\u00e7\u00e3o que me engasgava muitas vezes com as palavras a sa\u00edrem de mim, a flu\u00edrem. Parecia-me mais que estaria a lavar os seus p\u00e9s atrav\u00e9s das minhas l\u00e1grimas. Mas tenho uma clara id\u00e9ia de que n\u00e3o lhe podia tocar fisicamente, disso me recordo distintamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devo ter-me mantido neste estado de coisas e esp\u00edrito durante muito tempo. Mas a minha mente encontrava-se de tal forma absorvida por esta entrevista improvisada, que n\u00e3o me recordava distintamente de nada daquilo que Lhe dissera ali. Mas sei que assim que me achara calmo e em absoluta normalidade de novo, ergui-me e fui para o escrit\u00f3rio. O fogo j\u00e1 estava apagado, um pau de lenha enorme j\u00e1 se havia queimado todo, pois devo ter ficado muito tempo naquele estado de esp\u00edrito. Mas assim que me virei para me sentar perto do fogo, um poderoso batismo do Esp\u00edrito Santo caiu sobre mim inesperadamente. Nada esperava, tudo desconhecia daquilo que se estaria passando comigo. Nunca havia sequer imaginado que tal coisa existisse para mim, nunca me recordo de alguma vez haver ouvido uma pequena coisa sobre tal coisa. Foi de todo uma coisa absolutamente inesperada. O Esp\u00edrito Santo desceu sobre mim de maneira que mais me parecia trespassar-me e atravessar-me de todos os lados, tanto f\u00edsica como espiritualmente. Mais me parecia uma corrente eletrificada de ondas de amor. Passavam em e por mim, atravessando-me todo. Mais me pareciam ondas e ondas de amor em forma l\u00edquida, uma torrente de vida e amor, pois n\u00e3o acho outra maneira de descrever tudo \u00e0quilo que se passou comigo. Parecia-me o pr\u00f3prio sopro de vida vindo de Deus. Lembro-me distintamente que me parecia que esse amor soprava sobre mim, como com grandes asas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existem palavras que possam sequer descrever com a preciosidade e com a quantidade de amor que fora derramando em meu cora\u00e7\u00e3o. Eu chorava de alegria profunda, urrava de amor e alegria! O meu cora\u00e7\u00e3o muito dificilmente teria se expressado de outra forma. Aquelas ondas sem fim passavam por mim, em mim, atrav\u00e9s de todo o meu ser. Recordo-me apenas de exclamar em alta voz que pereceria de amor se aquilo continuasse assim por muito mais tempo. Mas mesmo que morresse, n\u00e3o tinha qualquer receio de qualquer morte em mim presente. Quanto tempo permaneci neste estado de coisas, n\u00e3o sei precisar. Mas sei que muito tarde um membro do coro da igreja entrou nos escrit\u00f3rios para me encontrar naquele estado de coisas. Eu era ent\u00e3o l\u00edder do coro e ele viera falar comigo sobre algo. Ele era um membro da igreja. Entrou e achou-me naquele estado de esp\u00edrito de choro e l\u00e1grimas. Perguntou-me logo se estava bem. &#8220;Sr. Finney, o que se passa com o senhor?&#8221; N\u00e3o conseguia responder-lhe uma palavra nesse preciso momento. Perguntou-me se estava com dores ou algo assim. Recolhi todo o meu ser o mais que pude e disse-lhe que n\u00e3o tinha qualquer dor, mas que estava t\u00e3o feliz que n\u00e3o conseguia viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele esgueirou-se rapidamente e saiu dali. Voltou com um dos presb\u00edteros da igreja. Ele era um homem de fei\u00e7\u00f5es muito s\u00e9rias. Sempre que estava em minha presen\u00e7a, mantinha-se em vigil\u00e2ncia absoluta, resguardando-se a ele pr\u00f3prio de mim. Nunca o havia visto rir-se sobre algo. Quando entrou, perguntou-me como me estaria a sentir. Comecei por lhe contar. Mas em vez de me dizer alguma coisa, deu-lhe um ataque de riso t\u00e3o grande que n\u00e3o tinha como impedir de se rir muito \u00e0 gargalhada e bem alto do fundo do seu cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia um jovem na vila que se estava a preparar para a faculdade, ao qual o pastor da igreja havia dito para se manter afastado de mim, pois achava que seria uma m\u00e1 influ\u00eancia para ele e que se ele conversasse muito comigo que ele se desviaria logo e dificilmente se converteria, pois j\u00e1 lhe falara muito sobre a quest\u00e3o religiosa. Eu mantinha uma grande intimidade com ele. O pastor havia informado e avisado este jovem que era eu muito irreligioso e para se manter afastado de mim o mais que pudesse. Pouco tempo depois de eu me haver convertido este jovem converteu-se tamb\u00e9m e confessou-me mais tarde haver dito ao Sr. Gale que as coisas das quais eu falava haviam-lhe sido muito mais esclarecedoras para ele que todos os serm\u00f5es que dele ouvira. Eu havia expressado muito daquilo que se passava comigo a esta jovem alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ali, enquanto estava a dar um relato pormenorizado ao presb\u00edtero da igreja sobre o que se estaria passando comigo e tamb\u00e9m ao outro homem que o acompanhava, foi quando este jovem entrou nos escrit\u00f3rios. Estava de costas para a porta e n\u00e3o me havia apercebido de que entrara. Escutou admirad\u00edssimo o meu relato e assim que me pude aperceber, estava em total agonia de alma, de joelhos a suplicar que orassem por ele. O presb\u00edtero e o outro homem estatelaram-se de joelhos orando pelo jovem. Quando eles terminaram a sua ora\u00e7\u00e3o, eu orei por ele tamb\u00e9m. Logo de seguida, retiraram-se todos dali e deixaram-me a s\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas assim que sa\u00edram, surgiu uma pergunta estranha em minha mente. Por se havia rido tanto o Sr. B&#8211;? Pensaria ele que havia enlouquecido ou que estava sob qualquer deriva\u00e7\u00e3o mental? Logo ali comecei a duvidar se estaria certo eu haver orado por aquele jovem, sendo eu o pecador que era! Uma nuvem negra de s\u00e9rias d\u00favidas envolveu-me. Nada \u00e0 minha volta havia onde me pudesse suster. Logo de seguida, quando j\u00e1 estava deitado para dormir, estava muito perdido ainda sobre tudo aquilo que se havia passado comigo durante aquele dia. Mesmo aquela lembran\u00e7a do batismo forte que recebera, n\u00e3o tinha como retirar de mim aquela d\u00favida de n\u00e3o chegar, a saber, se, de fato, a minha paz com Deus estaria integralmente restabelecida ou n\u00e3o. Logo adormeci, mas acordei devido a um fluir imenso de amor em todo o meu ser. Estava de tal modo inundado naquele amor que n\u00e3o conseguia dormir sequer. Acabei por adormecer de novo. E acordei pela mesma raz\u00e3o. Mas assim que acordava, a tenta\u00e7\u00e3o daquela d\u00favida persistente apoderava-se de mim de novo. Adormecendo, todo aquele fluir de amor sem igual recome\u00e7ava. Quando despertei na manh\u00e3 seguinte, j\u00e1 o sol ia alto e iluminava todo o meu quarto. Palavras nunca descrever\u00e3o a impress\u00e3o que aquela luz brilhante causara em mim. Instantaneamente, aquele batismo que me ocorrera na noite anterior repetiu-se de novo em tudo igual ao anterior. Pus-me de joelhos em cima da minha cama e permaneci deleitado e propulsionado demais com aquele batismo de fogo, para que tivesse como fazer algo mais que n\u00e3o fosse derramar toda a minha alma diante de Deus em pessoa. Mas parecia-me que algo de diferente havia nesse batismo, pois vinha acompanhado duma ligeira repreens\u00e3o. O Esp\u00edrito parecia querer-me retorquir algo como: &#8220;ainda vais duvidar?&#8221; Clamei que n\u00e3o. &#8220;N\u00e3o Senhor, n\u00e3o tenho como duvidar de nada mais! Estou convencido!&#8221; Ele revelou-me de tal forma aquilo que se estaria a passar comigo que me foi dado a conhecer que o Esp\u00edrito de Deus tomara posse da totalidade do meu ser e alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele estado de esp\u00edrito, ali daquele jeito, foi-me esclarecida a doutrina sobre a justifica\u00e7\u00e3o como um estado presente e coerente real. Essa doutrina nunca at\u00e9 ali havia tomado tal posse da minha alma e mente; nunca lhe havia dado qualquer aten\u00e7\u00e3o e nunca me havia apercebido da sua distinta import\u00e2ncia entre todas as outras verdades do evangelho sequer. De fato, nem sequer sabia que significaria sequer. Mas tinha como saber o que significavam aquelas palavras &#8220;Justificados, pois, pela f\u00e9, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo&#8221;, Rom 5:1. Podia deveras ver que naqueles momentos na mata, todo o sentido de condena\u00e7\u00e3o se perdera de mim e que por muito que quisesse, nunca teria como sentir um leve sentimento de culpa ou condena\u00e7\u00e3o em mi mesmo. As minhas culpas haviam factualmente sumido de mim, parecendo at\u00e9 que nunca havia pecado em toda a minha exist\u00eancia. Esta seria a revela\u00e7\u00e3o que naquela altura necessitava de fato. Sentia-me justo e justificado pela f\u00e9 em Jesus e tanto quanto podia ver ao longe, estava num estado real de n\u00e3o ter qualquer pecado mais em mim mesmo. Em vez de sentir que estaria a pecar, meu cora\u00e7\u00e3o estava era fluindo infinitamente em amor liquido. O meu c\u00e1lice transbordava de fato, com b\u00ean\u00e7\u00e3o e amor real. N\u00e3o me era poss\u00edvel sentir que ainda era pecador. Nem sequer tinha como reaver qualquer sentimento de culpa mais sobre todos os meus pecados. Sobre esta experi\u00eancia de justifica\u00e7\u00e3o, nada havia contado a ningu\u00e9m naquela altura, havendo guardado tudo para mim apenas. Esta \u00e9 a real experi\u00eancia da justifica\u00e7\u00e3o em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO III &#8211; PRINC\u00cdPIO DO MINIST\u00c9RIO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 da qual falei, quando recebi aquelas poderosas ondas de batismo em amor e salva\u00e7\u00e3o inundando todo meu ser por dentro e por fora, havia descido para o escrit\u00f3rio e Squire W entrou naquele preciso momento. Disse-lhe umas quantas palavras relacionadas com a salva\u00e7\u00e3o dele. Ele olhou para mim muito admirado, por\u00e9m nada respondendo, disso me recordo perfeitamente. Baixou apenas a sua cabe\u00e7a, parando no nada durante uns poucos minutos e deixou o escrit\u00f3rio logo de seguida. Nada mais pensei sobre aquele assunto at\u00e9 mais tarde quando vim, a saber, que aquelas poucas coisas que lhe dissera lhe causaram tal impacto no seu interior que teve o efeito duma espada cortante dentro de sua alma. Nunca mais recuperaria disso at\u00e9 \u00e0 sua pr\u00f3pria convers\u00e3o. Logo de seguida entrou O di\u00e1cono B&#8211; no escrit\u00f3rio, dizendo-me: &#8220;Sr. Finney, sabe que o meu assunto em tribunal \u00e9 hoje \u00e0s dez horas da manh\u00e3? Que tem uma causa para defender hoje? Suponho que esteja inteiramente preparado para me defender em tribunal?&#8221; Eu era seu advogado no caso. Logo lhe respondi: &#8220;Sr. Di\u00e1cono B&#8211; recebi um \u00e9dito do Senhor Jesus para defender a Sua causa a partir de hoje, por essa raz\u00e3o n\u00e3o posso mais atender \u00e0 sua.&#8221;. &#8220;Que quer dizer com isso?&#8221; Disse-lhe em poucas palavras que entrara na causa de Cristo, repetindo-lhe que teria uma causa mais importante a defender; &#8220;Por favor, arranje outra pessoa para defend\u00ea-lo em tribunal, que eu n\u00e3o poderei faz\u00ea-lo mais&#8221; Baixou a sua cabe\u00e7a estonteado, nada respondendo, saiu. Logo de seguida, ao passar pela janela, reparei que Di\u00e1cono B&#8211; estava parado no meio da estrada, aparentemente perdido em seus muitos pensamentos. Saiu dali, disse-me mais tarde, conseguindo reorganizar a sua causa em tribunal sem problemas de maior. Assim que sa\u00edra do tribunal, foi orar e pouco tempo depois entrou num estado de entrega a Deus muito mais profundo da sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo sa\u00ed do escrit\u00f3rio para poder falar aos outros sobre o estado de suas almas. Tinha a distinta impress\u00e3o, a qual nunca mais abandonou a minha mente e alma desde ent\u00e3o, que Deus me chamava a pregar o evangelho e que mais teria de fazer sen\u00e3o come\u00e7ar logo. Sabia que o tinha de fazer. Se me perguntassem como sabia, n\u00e3o sei por que sabia n\u00e3o mais do que podia explicar como sabia que era o Esp\u00edrito Santo que havia descendido sobre mim. Tinha uma certeza clara, simples e ativa, para al\u00e9m de qualquer prov\u00e1vel duvida. Foi assim que sabia que o Senhor me havia comissionado a pregar o evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da primeira vez que recebi a convic\u00e7\u00e3o que era essa a vontade de Deus, aquele pensamento que se alguma vez houvesse como me converter, eu iria pregar o evangelho, percebi que teria de abandonar a minha profiss\u00e3o que muito amara at\u00e9 ali. No princ\u00edpio fez-me hesitar, servindo-me mesmo como trope\u00e7o. Pensei que havia despendido tanto esfor\u00e7o naquela profiss\u00e3o, nos estudos, tanto tempo que, tornar-me crente, obrigar-me-ia a abandonar tudo para ir pregar o evangelho. Mas assim que coloquei a quest\u00e3o a Deus em pessoa, aquele pensamento que se alguma vez me chegasse a converter me entregaria \u00e0 prega\u00e7\u00e3o do evangelho, pensei e vi que quando decidi ir estudar direito nunca havia sido uma resolu\u00e7\u00e3o a qual houvesse levado em considera\u00e7\u00e3o a opini\u00e3o de Deus, da\u00ed que n\u00e3o me sentisse no direito de impor condi\u00e7\u00f5es de qualquer g\u00eanero ao meu Criador. N\u00e3o mais havia dado aten\u00e7\u00e3o \u00e0quela quest\u00e3o de me tornar num ministro da Palavra at\u00e9 me haver ocorrido o que aqui descrevi antes, a caminho do bosque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, depois de haver sido coroado com aqueles poderosos batismos do Esp\u00edrito, toda a minha vontade se tornou cativa daquele desejo de ir pregar aos outros. Mas logo descobri que nada mais no mundo era meu desejo. N\u00e3o tinha mais nenhuma r\u00e9stia de vontade em persistir em direito penal e partir daquele momento nunca mais me recordo de sentir qualquer vontade de voltar ao meu anterior of\u00edcio. N\u00e3o tinha qualquer ambi\u00e7\u00e3o de obter riqueza, n\u00e3o tinha qualquer fome de qualquer prazer deste mundo, tudo se resumia \u00e0quela vontade de Deus dentro de mim. Nenhuma inclina\u00e7\u00e3o havia em sentido contr\u00e1rio. Toda a minha mente ficou absorvida pela grande quest\u00e3o de Jesus e a Sua grande salva\u00e7\u00e3o. O Mundo me parecia algo prestes a expirar, sem conseq\u00fc\u00eancia sobre a minha vontade sequer. Nada, parecia-me, podia rivalizar com a salva\u00e7\u00e3o de almas; nenhum labor poderia ser t\u00e3o doce de pensamento, nenhum of\u00edcio mais exaltado haveria aquele que se p\u00f4s diante de mim de elevar Cristo bem alto diante dum mundo em vias de se extinguir para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob total influencia desta impress\u00e3o profunda em mim, sa\u00ed de vez do escrit\u00f3rio com a clara inten\u00e7\u00e3o de pregar a quem quer que achasse. A primeira paragem foi na loja dum sapateiro, que era um homem piedoso, um daqueles crentes que mais orava assim eu via o homem, na igreja. Dei com ele a conversar com um dos presb\u00edteros da igreja. Esse presb\u00edtero estava na defesa da doutrina do universalismo. O Sr. W-, o sapateiro, virando-se para mim, perguntou-me: &#8220;Sr. Finney, que pensa o senhor da teoria deste jovem?&#8221; E logo me dissera qual o seu argumento na defesa do Universalismo Crist\u00e3o. A resposta imediatamente me veio \u00e0 mente e coloquei-os como chama de fogo. Em segundos todos os seus argumentos desvaneceram no ar. O jovem logo se apercebeu que os seus meios de defesa se haviam ido para sempre. Levantou-se sem palavra e saiu bruscamente. Mas desde o interior da loja observei que aquele jovem presb\u00edtero, em vez de seguir pela rua, contornou a loja, passou a cerca da vila para o outro lado, andando em dire\u00e7\u00e3o ao bosque. N\u00e3o prestei mais aten\u00e7\u00e3o ao assunto, at\u00e9 quando o jovem saiu do bosque, refletindo na sua face uma alegria pura dum jovem convertido ao relatar-nos a sua experi\u00eancia na mata. Ele havia-se entranhado na floresta e, conforme disse, entregara seu cora\u00e7\u00e3o a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falei com uma imensid\u00e3o de gente s\u00f3 naquele dia e acho mesmo que o Esp\u00edrito de Deus conseguiu impressionar e marcar seus esp\u00edritos para sempre. N\u00e3o me consigo recordar de algu\u00e9m com quem falei naquele dia, que n\u00e3o se haja convertido em breve trecho. L\u00e1 pela noite fui a casa dum amigo meu, onde certo jovem trabalhava na manufatura\u00e7\u00e3o de u\u00edsque. Toda a fam\u00edlia havia ouvido da minha recente convers\u00e3o. E como estavam para se sentarem para tomarem seu ch\u00e1, insistiram que me assentasse com eles para tom\u00e1-lo tamb\u00e9m. O dono da casa e a sua esposa eram crentes professos. Mas o irm\u00e3o da senhora anfitri\u00e3, que estava presente ali tamb\u00e9m, era uma alma por converter. E este jovem a quem eu visitara, era um familiar distante daquelas pessoas, seria at\u00e9 ali um Universalistas convicto, muito falador e conhecido pelas suas convic\u00e7\u00f5es profundas. Tinha um car\u00e1ter muito en\u00e9rgico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentei-me para aquele ch\u00e1 e eles pediram-me para pedir a b\u00ean\u00e7\u00e3o, orando. Era uma coisa que nunca havia feito at\u00e9 ali. N\u00e3o hesitei por um momento sequer e comecei logo a orar pedindo aquela b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus sobre o ch\u00e1 assim que nos encontr\u00e1vamos todo \u00e0 volta da mesa. Mal comecei a orar, o estado de cora\u00e7\u00e3o daqueles jovens emergiu diante de mim e a minha mente ficou inteiramente absorvida por compaix\u00e3o pelas almas daqueles que ali estavam e se perdiam desnecessariamente. Chorei alto e rebentei em l\u00e1grimas de tal modo que n\u00e3o conseguia continuar com a ora\u00e7\u00e3o. Todos \u00e0 volta daquela mesa estavam pasmados a olhar em minha dire\u00e7\u00e3o enquanto eu solu\u00e7ava profundamente. O jovem logo saiu dali correndo para o seu quarto. Fechou-se l\u00e1 e n\u00e3o mais foi visto at\u00e9 a manh\u00e3 seguinte, saindo a expressar uma nova vit\u00f3ria e esperan\u00e7a real em Cristo. Este homem tornou-se num muito h\u00e1bil ministro do evangelho desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo dia fora, certa emotividade e excita\u00e7\u00e3o foi criada pela vila fora ao haverem sido postas muitas pessoas a falar sobre tudo aquilo que Deus havia feito em minha alma. Uns pensavam dum modo, outros de outro. \u00c0 noite, sem qualquer marca\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, todos se reuniram em un\u00edssono para o local onde por norma se davam aquelas reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o. A minha convers\u00e3o inesperada havia criado uma grande perplexidade em todos naquela vila. Mais tarde vim, a saber, que alguns dos membros da igreja se haviam proposto em si mesmos tornarem-me alvo das suas ora\u00e7\u00f5es, mesmo que o pastor os desencorajasse metodicamente, dizendo que n\u00e3o cria que algum dia me chegasse a converter pelas muitas conversas que havia encetado comigo sem serem frutuosas, nem de perto nem de longe. Ripostava-lhes com seguran\u00e7a que eu era muito bem esclarecido acerca da religi\u00e3o, mas muito endurecido mesmo e que eu havia influenciado a todos os jovens sem exce\u00e7\u00e3o, a quem eu liderava musicalmente por lhes ensinar m\u00fasica sagrada, tamb\u00e9m nunca se converteriam por essa mesma raz\u00e3o impar enquanto eu estivesse em Adams com eles. Sentia-se desencorajado pelo esfor\u00e7o que despendera comigo. Descobri tamb\u00e9m que uns quantos homens \u00edmpios da vila se aninhavam por detr\u00e1s de mim pelos meus freq\u00fcentes argumentos contra o pastor e n\u00e3o s\u00f3. Um desses homens de ent\u00e3o, um Sr. C&#8211;, o qual tinha uma esposa santa, muito freq\u00fcentemente lhe dizia assim: &#8220;se essa coisa de religi\u00e3o \u00e9 mesmo verdade, porque raz\u00e3o n\u00e3o conseguem converter o Finney? Se algum dia o converterem, a\u00ed sim, eu vou acreditar na religi\u00e3o!&#8221; Tamb\u00e9m certo advogado, um tal Sr. M&#8211;, de Adams, quando ouviu algu\u00e9m falar da minha convers\u00e3o, logo deu a sua opini\u00e3o de que eu estaria a fabricar uma artimanha para eu ver apenas como era f\u00e1cil demais fazer os crentes acreditarem numa atua\u00e7\u00e3o qualquer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer modo, todos foram direitos ao local das ditas reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o. Eu tamb\u00e9m me dirigi para l\u00e1 de imediato. O pastor da igreja estava l\u00e1, tal como praticamente todas as pessoas da vila. Ningu\u00e9m parecia com disposi\u00e7\u00e3o para empreender a abertura da reuni\u00e3o. A casa estava repleta e ningu\u00e9m mais cabia l\u00e1. N\u00e3o esperei que algu\u00e9m me convidasse para discursar e comecei desde logo a falar. Comecei por dizer que agora sabia que a religi\u00e3o era vinda de Deus pessoalmente. Segui desde a\u00ed ao relato daquelas experi\u00eancias que eu achara que devia compartilhar ali e n\u00e3o mais. O Sr. C&#8211;, o tal homem que dissera que acreditaria na veracidade da religi\u00e3o caso eu me convertesse, estava presente, tal com o Sr. M&#8211;, o tal advogado. Aquilo que Deus me capacitou para transmitir naquele momento pareceu-me apoderar-se das pessoas presentes de forma admir\u00e1vel. O Sr. C&#8211;, tal como o Sr. M&#8211;, levantaram-se e sa\u00edram abrindo caminho entre a multid\u00e3o. Sr. C&#8211; deixou para tr\u00e1s o seu chap\u00e9u com a pressa. O Sr. M&#8211; dizia que eu havia enlouquecido. Dizia: &#8220;Ele est\u00e1 a falar com muita seriedade, muito s\u00e9rio mesmo, mas mostra que est\u00e1 louco e mentalmente doente&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que acabei de falar, o Sr. Gale, o pastor da igreja, ergueu-se e fez uma confiss\u00e3o p\u00fablica a todos os presentes. Disse que at\u00e9 ali se havia posto no caminho da igreja, impedindo-a de orarem por mim; que se havia oposto mesmo \u00e0 igreja, desencorajando-a quando esta manifestara o desejo de orar por mim; tamb\u00e9m que quando algu\u00e9m lhe contara que eu me havia convertido que dissera prontamente que n\u00e3o acreditava na not\u00edcia. Confessou que n\u00e3o tinha f\u00e9 em Deus como devia e pareceu-me muito humilde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu nunca havia orado em publico. Mas logo o Sr. Gale tratou de remediar a quest\u00e3o, assim que terminara o seu discurso. Ele chamou-me a orar, o que fiz com grande liberdade de esp\u00edrito e com largueza e abertura de cora\u00e7\u00e3o. Aquela noite obtivemos uma reuni\u00e3o improvisada impar e bela. E a partir dali, n\u00e3o houve noite sem reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o e isso durante muito tempo depois. A obra de Deus espalhava-se para todos os cantos e dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu era l\u00edder dos jovens e logo de seguida convoquei reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o entre eles, a qual todos atendiam sem exce\u00e7\u00e3o, pelo menos os que conhecia. Entreguei todo o meu tempo e labor para efetivar a sua convers\u00e3o e o Senhor aben\u00e7oou todo e qualquer esfor\u00e7o despendido e de forma muito maravilhosa mesmo. Convertiam-se um depois do outro, com muita rapidez e efic\u00e1cia, persistindo esse trabalho entre eles at\u00e9 que todos se houvessem convertido sem uma singular exce\u00e7\u00e3o. O trabalho espalhou-se tamb\u00e9m por todas as classes de pessoas na vila e saindo mesmo para fora da vila em todas as dire\u00e7\u00f5es. O meu cora\u00e7\u00e3o transbordava de tal modo, que durante cerca de uma semana n\u00e3o sentia qualquer necessidade nem de dormir nem de comer. Parecia-me mais que eu tinha uma carne da qual me alimentava que o mundo desconhecia por inteiro. Todo o meu ser e mente estavam inundados pelo amor de Deus, transbordando continuamente. Permaneci neste ritmo por largos dias, at\u00e9 que concebi em mim que haveria de dormir e comer ou ent\u00e3o virava louco. A partir dali, tornei-me cauteloso comigo mesmo em todo a labor, comendo regularmente e dormindo durante o tempo poss\u00edvel. A palavra de Deus manifestava um grande poder de alcance. Dia a dia me surpreendia, pois constatava que umas simples palavras tinham um efeito tremendo em quem as ouvia, parecendo que uma seta aguda os havia atingido irreversivelmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado algum tempo, fui para Henderson, onde vivia meu pai, visitando-o. Ele era um homem que nunca se convertera e recordo-me que apenas o meu irm\u00e3o mais novo havia professado f\u00e9 na religi\u00e3o. O meu pai saiu ao meu encontro no port\u00e3o perguntando-me como estava. Respondi: &#8220;eu estou muito bem pai, tanto de corpo como de alma. Mas pai, voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 um homem velho, os seus filhos j\u00e1 est\u00e3o todos criados e crescidos; eu nunca ouvi uma simples ora\u00e7\u00e3o na casa de meu pr\u00f3prio pai apesar de tudo&#8221;. Ele baixou a cabe\u00e7a, rebentou em l\u00e1grimas e respondeu: &#8220;eu sei, eu sei, Charles! Entra, vem orar comigo.&#8221; Entramos e estivemos em ora\u00e7\u00e3o. Tanto meu pai como minha m\u00e3e haviam sido fortemente tocados e pouco tempo depois foram possivelmente convertidos. N\u00e3o me recordo se a minha m\u00e3e obtivera antes uma qualquer esperan\u00e7a secreta em Cristo, mas mesmo que tivesse tido, ningu\u00e9m de toda a fam\u00edlia chegou, a saber, de nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permaneci ali durante dois ou tr\u00eas dias, conversei sobre Cristo com quanta gente quanta pude ter oportunidade de conversar. Penso que seria na segunda-feira seguinte que tinham um concerto mensal de ora\u00e7\u00e3o na cidade. Havia um ministro batista, uma igreja Congregacional pequena sem qualquer pastor. Toda a cidade era um antro imoral de mentalidade corrupta, em qualquer dos casos. Nesta altura a quest\u00e3o religiosa encontrava-se em mar\u00e9 baixa, muito baixa mesmo. O meu irm\u00e3o mais novo freq\u00fcentava este concerto de ora\u00e7\u00e3o mensal, fornecendo-me um relato completo do que se tratava e o que se passaria em volta daquele evento. Pouca gente atendia e por essa raz\u00e3o as pessoas se reuniriam numa casa particular. Assim, tamb\u00e9m eu compareci nela por esta ocasi\u00e3o e reuniram-se na casa de algu\u00e9m por l\u00e1. Alguns dos membros locais da igreja Baptista e alguns Congregacionalistas estavam presentes. O di\u00e1cono da igreja congregacional era um fr\u00e1gil, acabado e velho homem, por nome Sr. M&#8211;. Era muito calado em sua maneira de ser. Tendo entre todos uma boa reputa\u00e7\u00e3o de piedade. Mas falava muito pouco sobre o assunto. Ele era um t\u00edpico homem de Nova Inglaterra como di\u00e1cono. Ele estava presente e chamaram-no para liderar aquela reuni\u00e3o. Leu uma passagem das Escrituras, conforme era costume ali; cantaram um hino e o di\u00e1cono ergueu-se para orar em p\u00e9 atr\u00e1s da sua cadeira. Todos os presentes professavam religi\u00e3o e ajoelharam-se pelo quarto fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O meu irm\u00e3o fizera-me notar com anteced\u00eancia que o dito di\u00e1cono come\u00e7ava por orar baixinho, mas logo acabava por levantar a sua voz a qual tremia de emo\u00e7\u00e3o. Orava cada vez com mais e mais emo\u00e7\u00e3o, mais e mais seriedade, at\u00e9 que se come\u00e7ava a erguer nos dedos dos p\u00e9s e batia com seus calcanhares fortemente no ch\u00e3o, o que provocaria um estrondo em toda a sala. Logo tamb\u00e9m come\u00e7ava a erguer a sua cadeira na medida em que levantava os calcanhares, batendo com ela tamb\u00e9m no ch\u00e3o. Logo de seguida tornava repetir aquela atua\u00e7\u00e3o, mas com maior veem\u00eancia e emo\u00e7\u00e3o ainda. Continuava assim por muito tempo e por muita emotividade at\u00e9 que batia com a cadeira pela \u00faltima vez com tanta for\u00e7a que quase a quebrava em peda\u00e7os. No meio de tudo aquilo, estavam os crentes de joelhos, grunhindo e suspirando, chorando e agonizando em tal ora\u00e7\u00e3o. O di\u00e1cono permanecia naquele estado de esp\u00edrito at\u00e9 que se achasse exausto demais para continuar. Assim que terminava de orar, relatou-me meu irm\u00e3o, ningu\u00e9m se levantaria de seus joelhos, antes choravam e confessavam e todos se derretiam diante de Deus. Foi assim que a obra de Deus se espalhou em todas as dire\u00e7\u00f5es pela cidade. Mas na altura espalhou-se toda aquela obra de Deus por todas as partes, tendo a vila de Adams como centro nevr\u00e1lgico, espalhando-se por todo aquele condado e cidades circunvizinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 falei das convic\u00e7\u00f5es de pecado de Squire W, o homem em cujos escrit\u00f3rios eu estudara direito. Tamb\u00e9m de como, quando me converti, tudo se passou no bosque onde fui orar a Deus. Pouco tempo depois da minha convers\u00e3o, houve v\u00e1rios casos de convers\u00f5es semelhantes sob circunst\u00e2ncias id\u00eanticas \u00e0 minha, no mesmo bosque. L\u00e1 foram conseguir a sua paz com Deus. Mas quando Squire W ouviu relatos destas mesmas convers\u00f5es, uma ap\u00f3s outra nas nossas reuni\u00f5es, ele logo se endureceu acerca duma coisa que nada de significativo seria n\u00e3o fosse ele haver estabelecido teimosamente que n\u00e3o iria orar no bosque como os outros. Ele fincou seu p\u00e9 no fato de j\u00e1 ter um local de ora\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o iria para a mata encontrar-se com seu Criador para n\u00e3o ter de contar \u00e0 hist\u00f3ria que tantas vezes se ouvia e repetia. A esta teimosia ele entregou-se de alma e cora\u00e7\u00e3o. Mesmo que isto fosse uma coisa inerte em si, n\u00e3o houvesse ele estabelecido seu orgulho escondido sobre tal coisa, nada havia que o pudesse comprometer atrav\u00e9s desse procedimento. Por causa dessa teimosia n\u00e3o conseguia entrar no Reino de Deus. No meu minist\u00e9rio futuro, encontrei variad\u00edssimos casos em tudo semelhantes a este, onde uma simples quest\u00e3o, por vezes irrelevante at\u00e9 em significado, fosse sitiado pelo orgulho do homem, baseando todo o seu capricho numa mera teimosia sem nexo. O pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o do homem comprometia a sua pr\u00f3pria vida numa coisa sem significado aparente. Em casos deste g\u00eanero, sempre h\u00e1 que haver uma entrega e sujei\u00e7\u00e3o da parte de qualquer pecador diretamente relacionado com o assunto irrelevante em quest\u00e3o, pois dali vem toda a for\u00e7a motriz do seu orgulho e capricho que o separa de Deus. N\u00e3o \u00e9 a sua origem, mas onde se encontra sitiado. Conhe\u00e7o casos onde pessoas passaram v\u00e1rias semanas em tribula\u00e7\u00e3o e agonia de esp\u00edrito, pressionados pelo Esp\u00edrito Santo a cederem desde logo, os quais nunca conseguiam entrar em perfeita paz com Deus at\u00e9 se haverem humilhado naquela mat\u00e9ria acerca da qual faziam t\u00e3o grande quest\u00e3o e sobre a qual n\u00e3o queriam ceder. Squire W foi o primeiro caso do g\u00eanero que me recordo haver notado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de se haver convertido, revelou-nos que essa quest\u00e3o continuadamente lhe vinha \u00e0 cabe\u00e7a quando se punha a orar, n\u00e3o lhe dando descanso interior. Tamb\u00e9m que lhe fora revelado prontamente que se tratava duma quest\u00e3o orgulhosa e sem cabimento da parte dele, pois a sua posi\u00e7\u00e3o impedia que o reino dos C\u00e9us entrasse nele e ele no Reino. Mas mesmo depois dessas revela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o havia querido submeter-se nem admitir a si mesmo sequer que era de fato orgulhoso. Tentou de todas as maneiras convencer tanto a si mesmo como ao pr\u00f3prio Deus que n\u00e3o era. Uma noite, orou a noite toda em seu escrit\u00f3rio pedindo que Deus tivesse miseric\u00f3rdia dele. Mas pela manh\u00e3 estaria mais indisposto e mais atribulado de esp\u00edrito que na noite anterior. Enfureceu-se contra Deus por n\u00e3o haver aceitado a sua ora\u00e7\u00e3o e sentiu-se tentado com o suic\u00eddio. Foi pressionado a usar o seu canivete de bolso contra si mesmo, de tal modo que teve de atirar tal objeto para bem longe de si de forma a que n\u00e3o tivesse como encontr\u00e1-lo de novo n\u00e3o fosse aquela tenta\u00e7\u00e3o prevalecer. Relatou-nos ainda que, depois duma reuni\u00e3o certa noite, foi t\u00e3o pressionado com aquela convic\u00e7\u00e3o de todo o seu orgulho, com o fato da tal monstruosidade n\u00e3o permitir ir para o bosque orar, que prop\u00f4s em seu cora\u00e7\u00e3o que iria convencer-se a ele e a Deus que n\u00e3o era orgulhoso que o levava a manifestar tal procedimento. A caminho ajoelhou-se num charco de lama para demonstrar que n\u00e3o o era de fato e que n\u00e3o seria orgulho que o mantinha fora do bosque. Aquela luta entre ele e Deus durou semanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma certa tarde estava no escrit\u00f3rio juntamente com dois presb\u00edteros da igreja. Aquele jovem do qual falei, o que estava na loja do sapateiro, entrou apressadamente exclamando aos gritos que Squire W se havia convertido. Disse-nos: &#8220;Ele converteu-se! Eu fui orar no bosque e ouvi algu\u00e9m gritar muito alto na plan\u00edcie. Subi ao topo do monte, de onde podia ver o que se passava l\u00e1 em baixo e viu-o a marchar para frente e para tr\u00e1s cantando hinos bem alto, o mais alto que podia. De vez em quando parava para bater as m\u00e3os uma na outra e gritava cantando: \u201cRegozijar-me-ei no Deus da minha salva\u00e7\u00e3o\u201d!&#8221; Depois se punha a marchar de novo, parava, batia as suas m\u00e3os e cantava da mesma maneira!\u201d\u201c. Estando este jovem a relatar-nos tudo aquilo, nisto vimos Squire W a voltar para a vila, do bosque vindo no monte. Ao entrar na vila vimos encontrar-se com Papai T, como carinhosamente o cham\u00e1vamos, um idoso da igreja metodista. Foi direito a ele, erguendo-o no ar com toda a for\u00e7a dos seus bra\u00e7os. Depois duma breve conversa \u00e0 qual n\u00e3o tivemos acesso, entrou no escrit\u00f3rio onde est\u00e1vamos. Transpirava, pois era um homem pesado. Gritou para n\u00f3s: &#8220;Eu consegui, eu consegui!&#8221; Bateu as suas m\u00e3os, p\u00f4s-se de joelhos diante de n\u00f3s e orou a agradecer a Deus. Logo de seguida relatou-nos com mais pormenores tudo o que se havia passado consigo e a raz\u00e3o porque n\u00e3o havia obtido a sua paz com Deus at\u00e9 aquele dia. Disse-nos que assim que cedeu na quest\u00e3o de ir orar a Deus no bosque, a sua mente experimentou desde logo um descanso sem igual. Mas quando se ajoelhou l\u00e1 no bosque para orar, o Esp\u00edrito Santo envolveu-o de tal forma em Seu amor batismal, que se encheu de gozo e alegria, havendo obtido o resultado de tudo aquilo que aqui relatei. Assim, Squire W passou a dar a cara pela causa de Deus desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 mais para a primavera, os membros mais velhos daquela congrega\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a diminuir em zelo santo. Ganhei o h\u00e1bito de me levantar bem cedo de manh\u00e3 para orar a s\u00f3s no local das reuni\u00f5es. Por fim provoquei alguns irm\u00e3os da igreja a juntarem-se a mim nessa mesma tarefa, reunindo-nos pela madrugada numa reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o. Faz\u00edamos assim muito cedo, muito antes de se poder ver para ler. Tamb\u00e9m consegui que o meu pastor assistisse \u00e0s mesmas reuni\u00f5es. Mas pouco tempo depois as pessoas come\u00e7aram a n\u00e3o comparecer, o que me levaria a ir ter de acord\u00e1-los em suas casas. Fazia-o muitas vezes, dando voltas e mais voltas, chamando e acordando aqueles que me pareciam ir orar tamb\u00e9m. Assim obt\u00ednhamos grande virtude e satisfa\u00e7\u00e3o em momentos gloriosos de ora\u00e7\u00e3o. Mas reparei que todos eles, mesmo assim, atendiam a esta reuni\u00e3o com cada vez menos vontade e com mais relut\u00e2ncia. Esse desfecho de coisas foi um grande motivo de tribula\u00e7\u00e3o e prova\u00e7\u00e3o para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa certa manh\u00e3, fui de novo fazer aquela grande volta de despertar as pessoas para comparecerem na dita reuni\u00e3o, mas quando cheguei \u00e0 sala das reuni\u00f5es pouca gente se encontrava l\u00e1. O Sr. Gale estava \u00e0 porta da igreja e quando me aproximei de repente a gl\u00f3ria de Deus iluminou tudo \u00e0 minha volta, sobre e \u00e0 volta de mim de forma linda e maravilhosa. O dia mal come\u00e7ara a clarear, mas aquela luz penetrou em toda a minha alma e quase me fez prostrar de joelhos no ch\u00e3o. Era uma coisa inef\u00e1vel, vindo do nada, a qual eu n\u00e3o esperava. Podia ver como todo o resto da natureza dava sempre a gl\u00f3ria devida a Deus, com exce\u00e7\u00e3o do homem. Aquela luz me era t\u00e3o forte como a pr\u00f3pria luz do sol brilhando na sua m\u00e1xima intensidade em todas as poss\u00edveis dire\u00e7\u00f5es. Era uma luz intensa de mais para ser suportada pela vista, que me levou a chorar e rebentar em l\u00e1grimas porque o homem n\u00e3o queria glorificar a Deus, sendo ele mesmo a coroa da Sua cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia lido nem ouvido nada sobre aquilo que aconteceu ao ap\u00f3stolo Paulo a caminho de Damasco. Foi uma luz a qual eu n\u00e3o poderia suportar por muito mais tempo. Ali mesmo explodi num choro sem igual. O Sr. Gale alarmou-se e gritou: &#8220;que se passa irm\u00e3o Finney?&#8221; Eu nada lhe conseguia dizer. Descobri ent\u00e3o que ele estaria completamente alheio \u00e0quela luz que me colocara naquele estado de esp\u00edrito, pois n\u00e3o via porque raz\u00e3o estaria eu naquelas condi\u00e7\u00f5es de pranto. Por essa raz\u00e3o pouco falei, pouco pude falar. Creio que apenas lhe respondi que vira a gl\u00f3ria de Deus e que n\u00e3o conseguia ag\u00fcentar a maneira com as pessoas tratavam Deus daquela forma t\u00e3o miser\u00e1vel. Eu n\u00e3o cria que aquela vis\u00e3o pudesse vir a ser descrita em palavras humanas. Eu chorei alto e clamei, como que tentando passar o que se passava em mim e por mim desse jeito. Assim que clamei, essa vis\u00e3o deixou um al\u00edvio para tr\u00e1s ao deixar-me. Minha mente ficou absorvida num mar de calma e paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crente jovem, habitualmente obtinha grandes momentos de adora\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o quando comungava com Deus em pessoa, momentos que nem me vou dar ao trabalho de tentar descrever em palavras. Tal comunh\u00e3o de quando em vez terminavam com uma clara alus\u00e3o e impress\u00e3o de que teria de ir falar com uma ou outra pessoa, que lhes teria de dizer uma ou outra coisa concreta. Eu n\u00e3o entendia nada daquilo nessa altura e por essa raz\u00e3o n\u00e3o prestava muita aten\u00e7\u00e3o a tais ocorr\u00eancias. Mas, tentava testemunhar a meus irm\u00e3os de como desfrutava duma comunh\u00e3o sem igual com Deus, ou apenas sobre aqueles benef\u00edcios que me haviam trazido pessoalmente. Mas, logo soube que de nada valia tentar explicar algo daquilo que em mim se passava, pois n\u00e3o entendiam nada do que lhes tentava transmitir. Muitos deles manifestavam mesmo uma certa incredulidade, fato que me surpreendia. Por isso resolvi falar muito pouco sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passava grande parte do meu tempo em profunda ora\u00e7\u00e3o. Literalmente, passava o meu tempo orando sem cessar. Passava tempos intermin\u00e1veis em ora\u00e7\u00e3o e jejum, tudo em privado. Buscava estar a s\u00f3s com Deus, longe dos olhos das pessoas, como na mata, mas por motivos distintos daqueles que me levaram a ir parar ao bosque antes. Nesses dias de produtivo jejum e ora\u00e7\u00e3o, buscava estar a s\u00f3s com Deus. Ia para o bosque ou entrava na sala da igreja e permanecia l\u00e1 durante longos per\u00edodos buscando a aquela alegria de estar a s\u00f3s com Ele, com quem me entendia. Por vezes entrava num percurso de jejum e ora\u00e7\u00e3o muito errado, auto examinando-me neles de maneira muito mal\u00e9fica, em conformidade com a id\u00e9ias do meu pastor. Olhava para dentro do meu cora\u00e7\u00e3o naquele sentido de auto-examina\u00e7\u00e3o sentimental, sobre tudo o que se passava no meu mundo sentimental. Sempre que isso se dava comigo, descobria que n\u00e3o alcan\u00e7ava nenhum progresso em minha vida privada. Olhava para dentro de mim mesmo, examinando os sentimentos dos meus motivos, o meu estado de esp\u00edrito. Logo descobri porque raz\u00e3o aquele estado de coisas me barravam qualquer progresso. Virando o alcance da minha vista para fora do campo de vis\u00e3o do Senhor Jesus, entrando no escuro dos meus sentimentos, no meu mundo, olhando diretamente para aquilo que sentia, \u00e9 claro que os mesmos sentimentos sumiam envergonhados, isto \u00e9, morriam. Mas, jejuando e prestando a minha aten\u00e7\u00e3o total \u00e0quilo a que o Esp\u00edrito Santo de forma real me transmitia, n\u00e3o dando aten\u00e7\u00e3o a f\u00e1bulas engenhosas, universalmente, achei ser de grande benef\u00edcio tal procedimento genu\u00edno. Entregava-me a ser guiado por Ele saindo daquele fosso de estar a olhar para dentro daquilo que sentia. Descobri desde logo que nunca poderia sobreviver nem viver sem presenciar a real presen\u00e7a de Deus em mim. Me sobrevindo uma qualquer nuvem negra que me obscurecesse a Vida em abund\u00e2ncia, logo me sentia perdido, n\u00e3o descansava, n\u00e3o conseguia estudar, n\u00e3o conseguia fazer nada nem t\u00e3o pouco tirar benef\u00edcios m\u00ednimos de qualquer situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel e desfavor\u00e1vel, enquanto n\u00e3o restabelecesse o canal de comunh\u00e3o integral com o Esp\u00edrito de Deus. De fato, nada podia estar entre mim e Deus. Como j\u00e1 dissera, eu amava muito a profiss\u00e3o que exercia. Mas, desde aquele dia que me converti tudo na dire\u00e7\u00e3o desse of\u00edcio me parecia escuro e sem sa\u00edda. Nem de prazer usufru\u00eda ao exerc\u00ea-la mais por um momento. Tive in\u00fameros convites para defender causas em tribunal, mas recusava-os desde logo. N\u00e3o me atrevia entregar \u00e0 forma de se discutir em tribunal, \u00e0 sua emotividade que podia levar \u00e0 ira, controv\u00e9rsia, pois tais coisas me pareciam horr\u00edveis e com falta de \u00e9tica moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa altura da minha mocidade Crist\u00e3, o Senhor me ensinou pessoalmente muita coisa sobre o esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o muito tempo depois de me haver convertido, a senhora que me alugava o quarto onde vivia, adoeceu seriamente. Ela n\u00e3o era crente, mas seu marido professava religi\u00e3o. Ele entrou uma certa noite nos escrit\u00f3rios de Squire W, pois era seu irm\u00e3o, dizendo: &#8220;a minha esposa n\u00e3o ir\u00e1 sobreviver a esta noite que se aproxima&#8221;. Isso foi como uma aut\u00eantica seta em meu peito. O sentido dum certo g\u00eanero de peso caiu em cima de mim, algo que eu n\u00e3o entendia muito bem ainda, mas que veio com um desejo genu\u00edno de orar e prevalecer em favor da mulher. O peso era t\u00e3o grande que sa\u00ed do escrit\u00f3rio quase de imediato, indo para a casa de ora\u00e7\u00e3o para orar pela senhora. Ali lutei de joelhos com aquele peso enorme, mas nada conseguia falar diante de Deus. Apenas tinha como grunhir e gemer inexplicavelmente, com gemidos em alta voz e profundos. Manti-me durante muito tempo naquela igreja em ora\u00e7\u00e3o, sem que houvesse obtido qualquer al\u00edvio para o peso que carregava sobre mim pesadamente. Voltei para os escrit\u00f3rios, mas n\u00e3o podia sentar-me quieto, andava dum lado para o outro grunhindo em voz alta, agonizando. Voltei de novo para a igreja com o mesmo peso e a mesma luta. Durante muito tempo tentei arranjar palavras para expor meu caso diante do Senhor, mas n\u00e3o achava maneira de Lhe expor o meu caso. Apenas chorava e gemia desesperadamente, sem poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para o desejo profundo e pesado que em cima de meus ombros pesavam como responsabilidade em agonia. De volta aos escrit\u00f3rios uma vez mais, continuava sem descanso ainda. Foi na igreja de novo que o Senhor me fortificou para que prevalecesse em ora\u00e7\u00e3o. Consegui que todo aquele peso rebolasse para cima Dele. Logo consegui aquela seguran\u00e7a que poucos conseguem saber do que se trata, seguran\u00e7a e certeza essa que a senhora n\u00e3o morreria e que tamb\u00e9m n\u00e3o morreria em seus pecados. Voltei para os escrit\u00f3rios com minha mente em perfeita harmonia celestial e logo fui dormir. Pela manh\u00e3 perguntei ao marido como estava sua esposa. Ele sorria largamente. &#8220;Ela est\u00e1 viva e muito melhor esta manh\u00e3&#8221;. Respondi-lhe: &#8220;meu irm\u00e3o W&#8211;, ela n\u00e3o morrer\u00e1 desta doen\u00e7a. Ela n\u00e3o morrer\u00e1 em seus pecados tamb\u00e9m&#8221;. N\u00e3o sei o que me fez dizer tal coisa com tanta certeza, mas era como se tal assunto estivesse bem claro para mim quanto ao seu desfecho final. Ela de fato recuperou a sua sa\u00fade, para pouco tempo depois se converter e obter uma esperan\u00e7a em Cristo. De in\u00edcio n\u00e3o entendia muito bem que tipo de exerc\u00edcio de mente e esp\u00edrito era aquele, pelo qual passei. Mas pouco tempo depois, ao relatar a quest\u00e3o a um irm\u00e3o em Cristo, ele disse-me &#8220;mas, claro, isso s\u00e3o as dores de parto&#8221;; uns minutos mais de conversa\u00e7\u00e3o e uns apontamentos sobre uns trechos das Escrituras sobre aquele assunto deu-me para logo me aperceber com exatid\u00e3o do que se tratava todo aquele peso e conseq\u00fcente al\u00edvio no prevalecer de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra experi\u00eancia pouco tempo depois disto, ilustra esta mesma verdade. Eu falei aos crentes sobre uma certa mo\u00e7a que pertencia ao grupo daquelas pessoas que eram conhecidas minhas, mas que permanecia sem se converter. Isto atraiu muito a aten\u00e7\u00e3o de muitos crentes devido ao fato de esta mesma mo\u00e7a haver estado muito bem informada sobre o assunto da sua salva\u00e7\u00e3o. Ela era uma mo\u00e7a muito vi\u00e7osa e bela, bem informada acerca da religi\u00e3o, mas presa aos seus pecados. Um dos anci\u00e3os da igreja e eu concordamos em orar de manh\u00e3, tarde e noite pela convers\u00e3o desta mo\u00e7a at\u00e9 que se houvesse ou convertido, ou morrido, ou ent\u00e3o at\u00e9 que nenhum de n\u00f3s pudesse continuar com o nosso compromisso. Eu estava muito envolvido com Deus a favor dela. Orava por ela com mais e mais intensidade. Mas logo descobri que aquele anci\u00e3o que fizera aquele pacto comigo, n\u00e3o persistia no acordo, estando mesmo a perder o esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o por ela. Isto n\u00e3o me desencorajou de modo algum. Persisti heroicamente em crescente agonia. Tamb\u00e9m fiz uso de toda e qualquer oportunidade de lhe falar minuciosamente e de forma clara sobre a sua salva\u00e7\u00e3o. Depois de algum tempo neste estado de coisas, um fim de tarde busquei conversar com ela. Assim que me aproximei da porta, ouvi um guincho agudo duma voz feminina, uma confus\u00e3o em sua casa e um remexer estranho de coisas. Esperei at\u00e9 que tudo se houvesse recomposto e logo de seguida a dona da casa veio abrir-me a porta, tendo em suas m\u00e3os um livro rasgado em duas partes. Ela estava muito p\u00e1lida e agitada, dizendo-me: &#8220;Sr. Finney, olhe o que a minha irm\u00e3 anda a ler: um livro Universalista! Acha que ela se tornou Universalista?&#8221; O dito livro em causa defendia um credo universalista. A sua irm\u00e3 detectara-a lendo aquele livro escondidamente e tentou retir\u00e1-lo \u00e0 for\u00e7a. Isso explicava toda aquela az\u00e1fama quando cheguei \u00e0 sua porta. Recebi essa triste not\u00edcia \u00e0 porta de sua casa e assim declinei o subseq\u00fcente convite para entrar. Outra seta penetrou em meu cora\u00e7\u00e3o daquela mesma forma que se deu com a senhora doente, a que estava para morrer e que sobreviveu, salvando-se at\u00e9. Tudo aquilo sobrecarregou-me de agonia. Assim que ia andando em dire\u00e7\u00e3o ao meu quarto, j\u00e1 distante da sua casa, eu quase cambaleei pela agonia em esp\u00edrito. Eu lutei e gemia imenso de dor profunda pela sua perdi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o conseguia colocar a minha quest\u00e3o diante de Deus em palavras e apenas chorava pesadamente diante d&#8217;Ele, apresentando-Lhe o meu pedido atrav\u00e9s de l\u00e1grimas e gemidos inexprim\u00edveis. O pensamento de que aquela mo\u00e7a em vez de se haver convertido se havia tornado uma Universalista, chocou-me de tal modo, que n\u00e3o via maneira de prevalecer naquela f\u00e9 que ela se pudesse vir a salvar, ardendo para que pudesse ter forma de colocar o meu pedido diante de Deus. Havia uma imensid\u00e3o de trevas pairando sobre toda aquela quest\u00e3o para mim incompreens\u00edvel, como se uma densa nuvem escura houvesse entrado entre mim e Deus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 salva\u00e7\u00e3o da mo\u00e7a. Mas o Esp\u00edrito de Deus premiu aquela grande quest\u00e3o dentro de mim, atrav\u00e9s de gemidos inexprim\u00edveis. Contudo, fui obrigado a ir-me deitar sem haver obtido qualquer al\u00edvio sobre aquele assunto pesado em meu esp\u00edrito. Por\u00e9m, assim que amanheceu, despertei. A primeira coisa a ocorrer-me foi interceder de novo pela jovem diante de Deus. Saindo da cama logo escorreguei para cima dos meus joelhos e assim que pude orar todas aquelas trevas se dissiparam de vez e todo aquele imbr\u00f3glio se desfez em minha compreens\u00e3o das coisas. Pedia a Deus por ela e ouvia Deus dizer-me: &#8220;est\u00e1 bem, est\u00e1 bem!&#8221; Houvesse Ele falado por uma voz aud\u00edvel, n\u00e3o seria mais percept\u00edvel que aquela maneira de me dizer que havia ouvido a minha s\u00faplica. Logo me senti aliviado e com um pedido concedido na m\u00e3o. Toda a minha mente se inundou duma paz e alegria impar. Sentia com toda a certeza que a sua salva\u00e7\u00e3o estaria inquestionavelmente assegurada. Enganei-me apenas no tempo de execu\u00e7\u00e3o de tal salva\u00e7\u00e3o, algo que nem sequer fora colocado ou imprimido em minha alma durante aquele per\u00edodo em ora\u00e7\u00e3o, mas que mesmo assim me enganara a seu respeito. Eu esperava desde logo uma convers\u00e3o imediata, mas nada demais se passou. Ela permaneceu na sua dureza por v\u00e1rios meses mais. Mais adiante falarei da sua convers\u00e3o. Eu senti-me desapontado com aquele desfecho das coisas, por n\u00e3o se haver convertido logo de imediato. Isso fez-me duvidar se de fato havia eu prevalecido diante de Deus sobre aquele assunto a seu favor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco tempo depois de me haver convertido, o homem em cuja casa me hospedava, que era um magistrado e um homem de grande proemin\u00eancia no local, foi profundamente convicto do seu pecado. Ele havia sido eleito membro da legislatura do estado. Eu orava com ele variad\u00edssimas vezes instigando-o a entregar todo seu cora\u00e7\u00e3o a Deus. Mas de dia para dia ele deferia submiss\u00e3o e reverencia a Deus, n\u00e3o obtendo a esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o real. Insistia e persistia com ele cada vez mais. Numa bela tarde, alguns amigos e conhecidos seus apareceram por l\u00e1, para o entrevistarem sobre algo. Na noite do mesmo dia, tentei de novo trazer o seu caso diante de Deus em ora\u00e7\u00e3o, pois a urg\u00eancia da sua convers\u00e3o havia-se tornado indescrit\u00edvel em mim. Naquela ora\u00e7\u00e3o aproximei-me mesmo muito de Deus em pessoa. Nunca me recordo de alguma vez de at\u00e9 ali haver estado em tal comunh\u00e3o e intimidade com o Senhor Jesus como daquela vez. A sua presen\u00e7a inundou-me de tal forma que as l\u00e1grimas de alegria sem fim, amor e gratid\u00e3o por aquela presen\u00e7a real, me rolaram pelo rosto. Foi nesse estado de esp\u00edrito que tentei reclamar aquela alma da sua perdi\u00e7\u00e3o. Mas assim que me pusera a fazer aquele pedido, foi como que se a minha boca fosse abruptamente fechada. Era-me imposs\u00edvel orar por ele. Deus parecia-me querer dizer: &#8220;n\u00e3o, n\u00e3o te ouvirei&#8221;. Uma ang\u00fastia terr\u00edvel apoderou-se de mim profundamente. Pensei antes de mais nada que se trataria duma tenta\u00e7\u00e3o. Mas senti como que se a porta se fechasse violentamente na minha cara. Parecia-me ouvir Deus falar assim: &#8220;n\u00e3o falas mais nesse caso diante de mim!&#8221; Isso magoou-me imenso pela impress\u00e3o que provocou em minha mente e alma. N\u00e3o sabia o que pensar de tudo aquilo. Na manh\u00e3 seguinte, vi aquele senhor uma vez mais. Descarreguei perante ele a urg\u00eancia da sua submiss\u00e3o incondicional a Deus, ao que me respondeu da seguinte maneira: &#8220;Sr. Finney, n\u00e3o quero mais falar sobre esse assunto at\u00e9 que haja voltado da minha legislatura. Estou comprometido com meus amigos pol\u00edticos para encetarmos certas medidas pol\u00edticas, que de momento s\u00e3o incompat\u00edveis com eu ser Crist\u00e3o. Comprometi-me a n\u00e3o abordar mais essa quest\u00e3o at\u00e9 que haja voltado de Albany&#8221;. Foi a partir daquele momento triste que entendi tudo aquilo que se passara comigo na noite anterior. N\u00e3o tinha mais qualquer ind\u00edcio de esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o por ele. Assim que me falou logo entendi tudo. Tive ainda oportunidade de ver que toda a sua convic\u00e7\u00e3o de qualquer pecado o havia abandonado e que o Esp\u00edrito Santo deixara de lutar dentro dele atrav\u00e9s das suas convic\u00e7\u00f5es, havendo-o abandonado. A partir dali, tornou-se cada dia mais endurecido e despreocupado com o seu estado de esp\u00edrito. Assim ingressou naquela legislatura. Ao voltar na primavera seguinte, pareceu-me mais um Universalista enlouquecido que outra coisa. Digo enlouquecido apenas porque, em vez de haver formado as suas opini\u00f5es a partir de pressupostos genu\u00ednos e verdadeiros nas suas doutrinas, disse-me: &#8220;Cheguei a esta conclus\u00e3o Universalista n\u00e3o porque a tenha obtido atrav\u00e9s da B\u00edblia, mas muito principalmente porque tudo isso se op\u00f5e a uma mente carnal. \u00c9 uma doutrina t\u00e3o rejeitada por tanta gente, que apenas prova que nada serve \u00e0 mente carnal!&#8221; Isto grandemente me aterrorizou! Tudo o que consegui retirar dele foi este absurdo imensur\u00e1velmente e cruel. Permaneceu em seus pecados, por fim entrou num estado de decad\u00eancia e morreu mais tarde, conforme me relataram, um homem defraudado e ainda na plenitude da sua f\u00e9 universalista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO IV &#8211; EDUCA\u00c7\u00c3O DOUTRIN\u00c1RIA E OUTRAS EXPERI\u00caNCIAS EM ADAMS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco tempo depois de me haver convertido, tive a oportunidade de ter uma longa conversa com o meu pastor sobre a quest\u00e3o da reconcilia\u00e7\u00e3o. Ele era um g\u00eanero de estudante t\u00edpico de Princeton e tinha uma vis\u00e3o muito limitada sobre essa grande quest\u00e3o. Dizia ele que tal coisa apenas seria poss\u00edvel para os que achava escolhidos. A nossa conversa durou cerca de meio-dia. Ele defendia que Cristo sofreu a penalidade literal da lei divina no lugar dos eleitos e escolhidos; que Ele sofreu apenas aquilo que seria justo e exigido pela justi\u00e7a retributiva. Eu objetava que tal coisa seria um absurdo, porque se tal fosse justi\u00e7a retributiva, ele haveria de sofrer eternamente e distributivamente pela quantidade de eleitos que existissem. Disse-me que era verdade. Ele disse-me que Cristo de fato pagara literalmente a d\u00edvida dos eleitos e supriu a exig\u00eancia da justi\u00e7a divina. Mas naquele tempo, meu parecer seria de que o sacrif\u00edcio de Cristo apenas satisfazia justi\u00e7a humana e que tal coisa seria a \u00fanica que o governo moral de Deus exigiria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu era uma crian\u00e7a na quest\u00e3o da teologia. Era novato na religi\u00e3o e no estudo da B\u00edblia. Mas acreditava que ele, o meu pastor, n\u00e3o substanciava a sua vis\u00e3o doutrin\u00e1ria naquilo que a B\u00edblia dizia, o que lhe transmiti frontalmente. Pessoalmente nunca havia lido nada sobre o assunto e toda a minha opini\u00e3o baseava-se apenas naquilo que eu ent\u00e3o entendia da leitura da B\u00edblia, do mesmo modo que entenderia os meus livros de direito penal. Eu cria piamente que ele se baseava numa teoria daquilo que uma certa corrente pensava e deduzia o que seria a reconcilia\u00e7\u00e3o de Cristo. Eu nunca o ouvira pregar sobre aquelas posi\u00e7\u00f5es que ali substanciou diante de mim. Estava surpreendido com as suas posi\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias e oponha-me \u00e0s mesmas o mais e melhor que podia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele estava alarmado, ouso dizer, sobre aquilo que ele pensava ser uma obstina\u00e7\u00e3o e teimosia da minha parte, apenas. Eu pensava que a B\u00edblia me ensinava que a reconcilia\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio de Cristo se relacionava com a humanidade inteira. Ele limitava a salva\u00e7\u00e3o a algumas pessoas escolhidas. Obviamente que n\u00e3o poderia nunca aceitar tais posi\u00e7\u00f5es, pois via claramente que ele n\u00e3o tinha como substanciar tais coisas a partir da B\u00edblia. As suas muitas regras de interpreta\u00e7\u00e3o de verdades colidiam com a minha vis\u00e3o das coisas. As posi\u00e7\u00f5es dele eram muito menos inteligentes que a intelig\u00eancia revelada naqueles livros de direito, nos quais depunha grande admira\u00e7\u00e3o. A todas as minhas obje\u00e7\u00f5es, ele n\u00e3o me apresentava coisas intelig\u00edveis do ponto de vista B\u00edblico. Perguntei-lhe se a B\u00edblia n\u00e3o requeria que se ouvisse o evangelho antes de haver arrependimento, antes de haver qualquer f\u00e9, antes da salva\u00e7\u00e3o mesmo. Ele apenas dizia e afirmava que as pessoas s\u00f3 necessitavam crer para serem salvas, ao que eu argumentava que se algu\u00e9m n\u00e3o ouvisse n\u00e3o tinha como vir a crer. Ele debateu todo o parecer dele entre as escolas novas e velhas de doutrina corrente da altura, sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o, tanto quanto meus estudos teol\u00f3gicos mais tarde me fizeram entender dele. Eu at\u00e9 ali nunca havia lido uma p\u00e1gina, da qual me recorde, sobre esse assunto com exce\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que lera da B\u00edblia. Tamb\u00e9m nunca ouvi um \u00fanico serm\u00e3o sobre esse assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, esta discuss\u00e3o, sobre estes assuntos, duraria pelo tempo de toda a minha forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica futura sob sua tutela. Ele mostrou receio de que estaria eminente da minha parte uma aceita\u00e7\u00e3o da f\u00e9 ortodoxa. Creio realmente que ele tinha a plena certeza de que me havia convertido de fato, mas senti desde logo que o seu desejo seria manter-me dentro da sua escola t\u00edpica da teologia de Princeton. Ele imprimiu que teria de vir a ser ministro formado, ou Deus nunca iria aben\u00e7oar meus labores, que o Esp\u00edrito Santo nunca iria derramar Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o sobre obra minha, nem dar qualquer testemunho pela palavra de qualquer das minhas prega\u00e7\u00f5es, a menos que pregasse a verdade, mas como ministro. Tamb\u00e9m era essa a minha opini\u00e3o pessoal. Mas os argumentos que ele usaria para me convencer a estudar teologia, n\u00e3o eram os mais apropriados. Ele informara-me nesta conversa que ele nunca havia sido usado como instrumento na convers\u00e3o dum simples pecador a Deus. Nunca o havia ouvido pregar sobre arrependimento e reconcilia\u00e7\u00e3o, ou a causar uma reconcilia\u00e7\u00e3o entre Deus e homem. Achei que ele temia as pessoas, de os provocar ao zelo por Deus. Nem mesmo a sua igreja conhecia as suas posi\u00e7\u00f5es limitadas que tinha sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o. Mesmo depois desse dia, tivemos ainda oportunidade de debater variad\u00edssimas posi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, as quais terei oportunidade de discutir e distinguir mais adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disse manifestamente que os membros da sua igreja come\u00e7aram a decair em zelos pela causa de Jesus. Isto oprimiu-me em demasia, tal como o faria com outros rec\u00e9m-convertidos em Adams duma maneira geral. Recordo-me de haver lido um certo artigo num jornal intitulado &#8220;Um avivamento Reavivado&#8221;. A subst\u00e2ncia desse artigo seria que houve um avivamento num certo lugar, no Inverno anterior, o qual havia declinado durante a primavera; tamb\u00e9m que ora\u00e7\u00e3o intensa para que o Esp\u00edrito Santo descesse de novo sobre eles, havia sido o prato do dia e que assim este avivamento havia sido poderosamente restabelecido. Este artigo levou-me a chorar intensamente, rebentando em l\u00e1grimas incontrol\u00e1veis. Na altura estava hospedado em casa do Sr. Gale e levei aquele artigo a ele. Estava de tal forma possesso de bondade divina ao haver visto e lido como a resposta a ora\u00e7\u00e3o era t\u00e3o segura, que Deus tamb\u00e9m nos ouviria sobre Sua obra ali em Adams que estaria morrendo tamb\u00e9m, que percorri toda a casa chorando em voz alta em busca do pastor para lhe revelar aquilo que se passava em meu cora\u00e7\u00e3o relacionado com aquele artigo. Chorava como uma crian\u00e7a. Mas o Sr. Gale surpreendeu-se com aquele meu sentir, com a minha expressa confian\u00e7a de que era poss\u00edvel e desej\u00e1vel que Deus de fato reavivasse Sua obra. O artigo, por\u00e9m, n\u00e3o obteve o mesmo efeito nele que obteve em mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo na seguinte reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o dos jovens propus a todos os presentes que dever\u00edamos conseguir um concerto m\u00fatuo de ora\u00e7\u00e3o a favor dum reavivamento da Sua Obra ali em Adams, que nos dedic\u00e1ssemos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de manh\u00e3, ao nascer do sol, ao meio-dia e ao fim da tarde, em nossos quartos e que assim continu\u00e1ssemos durante uma semana inteira. Quando nos torn\u00e1ssemos a reunir, dever\u00edamos ver que progressos espec\u00edficos hav\u00edamos obtido. Nenhuns outros meios estavam a ser usados para um avivamento da Obra de Deus. Mas mesmo assim, o esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o foi intensamente derramado sobre n\u00f3s e antes que terminasse aquela semana, muitos deles, quando entravam em seus quartos para orar, quase perdiam as suas for\u00e7as sob aquela enorme responsabilidade de pedir o derramar do Esp\u00edrito, de tal modo que muitos deles nem sequer se conseguiam ajoelhar nem permanecer de p\u00e9, sen\u00e3o prostrados com gemidos e em ora\u00e7\u00e3o. Era uma coisa natural e assim se orava pelo derramamento do Esp\u00edrito Santo sobre n\u00f3s especificamente, pela obra de Deus. O esp\u00edrito foi derramado mesmo antes de haver terminado a semana; muito interesse foi provocado na vila pela religi\u00e3o, tanto quanto era poss\u00edvel obter sob aquelas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aqui, d\u00f3i-me dizer, um grande erro foi cometido, ou melhor, um pecado cometido por membros mais velhos da igreja que por fim resultou num grandioso mal. Conforme vim a saber mais tarde, muitos membros antigos resistiriam a esta nova movimenta\u00e7\u00e3o dos jovens convertidos em prol da obra de Deus. Estavam com ci\u00fames e inveja. Eles n\u00e3o sabiam como se relacionar com todo aquele movimento puro e s\u00e3o, pois pensavam e admitiam que os jovens estavam a sair da estribeiras e que estariam a envolver-se com o que n\u00e3o deviam ao come\u00e7arem a exortar os membros da igreja mais velhos com intrepidez e urg\u00eancia. Este esp\u00edrito de resist\u00eancia por fim entristeceu o Esp\u00edrito Santo de tal forma que aliena\u00e7\u00f5es e divisionismos come\u00e7aram a brotar entre os pr\u00f3prios membros antigos da igreja, o que resultou em ira contra as pessoas que resistiram este ultimo movimento de reavivamento. Os jovens, por\u00e9m, mantiveram-se muito bem e eretos, tanto quanto pude ver, permaneceram universalmente puros, constituindo-se mesmo crentes firmes e eficientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela primavera de 1822, pus-me sob tutela do Presbit\u00e9rio da igreja como candidato ao minist\u00e9rio do evangelho. Muitos pastores instigaram-me a ir-me inscrever em Princeton, para estudar teologia, mas recusei ir. Quando me perguntaram porqu\u00ea, retorqui que os meus recursos financeiros n\u00e3o o permitiam. Era verdade, mas logo me disseram que me pagariam todas as despesas. Mesmo assim declinei. Logo me questionaram sobre as minhas verdadeiras raz\u00f5es daquela recusa em ir-me para Princeton. Assim pude confront\u00e1-los abertamente que temia estar sob a mesma influencia a que eles sujeitaram suas almas; que de cora\u00e7\u00e3o cria que eles n\u00e3o haviam obtido a melhor forma\u00e7\u00e3o para uma obra t\u00e3o importante como seria a obra de Deus; que eles n\u00e3o eram aqueles ministros da Sua palavra como o pr\u00f3prio Cristo o exigia deles e que temia vir a passar-se o mesmo comigo se fosse para l\u00e1. Falei-lhes com muitas reservas, pois n\u00e3o conseguia conter a honestidade dos meus motivos. Foi assim que resolveram ent\u00e3o, colocar-me sob tutela do meu pr\u00f3prio pastor para me administrar a forma\u00e7\u00e3o desejada, o qual me abriu as portas para toda a sua biblioteca de livros, assegurando que daria a aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 minha forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas os meus estudos, no tocante ao meu instrutor, nunca deixaram de ser transfigurados em controv\u00e9rsia aberta. Ele mantinha invariavelmente aquela velha escola do pecado original que se manteria com as pessoas at\u00e9 \u00e0 morte e que toda a constitui\u00e7\u00e3o humana era moralmente depravada. Tamb\u00e9m mantinha seus pontos de vista intoc\u00e1veis sobre a quest\u00e3o dos humanos nunca conseguirem ter como igualar todas as exig\u00eancias do evangelho de Cristo, isto \u00e9, de crer, de poder conseguir fazer e cumprir tudo aquilo que Deus de n\u00f3s pede para cumprir; que enquanto n\u00e3o estivessem livres de lidar com os pecados do dia a dia, nunca estariam nem livres nem achados de poder efetivar o bem neles mesmos; que Deus condenava os homens pela sua natureza depravada a qual nunca tinham como transformar e que por isso e pelas suas transgress\u00f5es seriam r\u00e9us daquele ju\u00edzo eterno. Tamb\u00e9m permanecia na sua convic\u00e7\u00e3o de que as influ\u00eancias do Esp\u00edrito eram meramente f\u00edsicas, atuando apenas na alma sentimental dos homens; que os homens seriam agentes meramente passivos na interven\u00e7\u00e3o da sua regenera\u00e7\u00e3o; resumindo, delas depreendia toda a sua viv\u00eancia em conformidade e a partir daquele pressuposto que a natureza humana era deficiente e depravada por efeito e natureza e nunca por aprendizagem volunt\u00e1ria. Eu n\u00e3o teria como encaixar certas doutrinas que me pareciam absurdas demais, n\u00e3o conseguia aceitar os seus conceitos sobre a regenera\u00e7\u00e3o, sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o, arrependimento, f\u00e9, a escravatura da vontade do homem, nem mesmo as doutrinas com conseq\u00fc\u00eancia direta nestas vis\u00f5es. Ele era tenaz e inabal\u00e1vel nos seus muitos pontos de vista, por vezes revelando-se muito impaciente porque eu n\u00e3o aceitava desde logo os seus pontos de vista sem question\u00e1-los primeiro. O seu argumento principal era que, se questionasse as coisas relacionadas com as doutrinas, tornar-me-ia num infiel a Deus. Munia-se sempre de argumentos desses, de como alguns estudantes se haviam desviado por causa de quest\u00f5es do g\u00eanero, como se tal fosse uma recompensa natural de n\u00e3o aceitar a Profiss\u00e3o de F\u00e9 como ponto final de todas as coisas, como tamb\u00e9m o ensino dos doutorados de Princeton que muito haviam estudado, entrando pela via da discuss\u00e3o de coisas sobre as quais eu, mas n\u00e3o ele, achava essenciais desvendar como verdadeiras ou n\u00e3o. Tamb\u00e9m argumentou muito efusivamente que, se n\u00e3o abra\u00e7asse a verdade; e a verdade para ele seria apenas tudo aquilo de que nem ele pr\u00f3prio tinha a certeza; eu nunca seria um ministro da palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu estava na inteira disposi\u00e7\u00e3o de crer em tudo aquilo que ele se esfor\u00e7ava por me transmitir, caso essas coisas viessem expressas na B\u00edblia. Havia muitas discuss\u00f5es doutrin\u00e1rias entre n\u00f3s dois, que se protelavam por largos per\u00edodos. N\u00e3o poucas vezes saia das suas aulas desanimado e inteiramente comprimido num calabou\u00e7o. Dizia para mim mesmo em estado de grande depress\u00e3o: &#8220;eu n\u00e3o posso abra\u00e7ar estas doutrinas! N\u00e3o posso crer que \u00e9 isto que a B\u00edblia me ensina&#8221;. Cheguei ao ponto, por vezes, de querer abandonar tudo ali mesmo, de pensar que j\u00e1 n\u00e3o devia seguir o minist\u00e9rio com o qual me comprometera. Havia, por\u00e9m, um \u00fanico membro daquela igreja com quem eu me abria, relatando-lhe tudo aquilo que se passava na profundeza do meu cora\u00e7\u00e3o. O presb\u00edtero H&#8211;, um homem muito piedoso, homem de intensa ora\u00e7\u00e3o. Ele havia sido educado sob os pontos de vista de Princeton, mantendo a todo o custo as mais altas patentes do Calvinismo sem m\u00e1cula. Mesmo assim, durante as longas conversas que mant\u00ednhamos, ele ficou satisfeito com o reconhecimento de que eu estaria certo e com a raz\u00e3o do meu lado. Ele chamava por mim para irmos orar juntos muitas vezes, pedindo a Deus que fosse fortalecido nos meus estudos e nas minhas muitas discuss\u00f5es com Sr. Gale, assegurando mesmo que, acontecesse o que acontecesse, nada me iria impedir de ser um bom ministro da Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes ele aparecia para estar comigo, prestando-me s\u00e9rio apoio quando me encontrava deprimido depois de haver estado no escrit\u00f3rio do Sr. Gale, nas aulas. Nessas alturas ia comigo para o meu quarto e n\u00e3o poucas vezes permanecia l\u00e1 at\u00e9 muito tarde clamando a Deus por luz e fortalecimento, tamb\u00e9m por f\u00e9 em aceitar a Sua vontade perfeita. Ele vivia a mais de tr\u00eas milhas da nossa vila (cerca de quatro quil\u00f4metros e meio), mas mesmo assim permanecia ao meu lado at\u00e9 cerca das onze da noite com alguma freq\u00fc\u00eancia. Depois partia a p\u00e9 para casa. Que velhinho querido era ele! Tenho muitas raz\u00f5es para crer que ele orou por mim diariamente sem cessar, at\u00e9 ao dia da sua morte. Tempos depois de ter entrado no minist\u00e9rio, havendo e chovendo oposi\u00e7\u00e3o contra a minha maneira de expor o evangelho, com alguma freq\u00fc\u00eancia encontrava-me com o Presb\u00edtero H&#8211;; ele dizia-me: &#8220;A minha alma est\u00e1 t\u00e3o sobrecarregada pelo seu minist\u00e9rio, que intercedo por si de dia e de noite. Mas tenho a plena certeza que Deus o ajudar\u00e1. Continue sempre, irm\u00e3o Finney, persista e resista que Deus lhe vai conceder a almejada reden\u00e7\u00e3o desses problemas!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma certa tarde, eu e Sr. Gale estivemos a conversar durante um longo per\u00edodo de tempo sobre a quest\u00e3o da reconcilia\u00e7\u00e3o enquanto se aproximava a hora de atender a uma certa confer\u00eancia. Persistimos na nossa conversa at\u00e9 havermos entrado no local da confer\u00eancia. Como chegamos muito cedo, havendo muito poucas pessoas l\u00e1 presentes ainda, continuamos a falar sobre o assunto. As pessoas foram entrando e escutando com grande aten\u00e7\u00e3o toda aquela discuss\u00e3o. Discut\u00edamos seriamente, mas tudo levado a cabo num s\u00e9rio esp\u00edrito crist\u00e3o, presumo. As pessoas tornaram-se cada vez mais interessadas naquilo que discut\u00edamos e quando nos propusemos mutuamente parar com aquilo, para que a conferencia pudesse come\u00e7ar, pediram ali mesmo que continu\u00e1ssemos e que esta discuss\u00e3o fosse a conferencia. Assim procedemos, conforme nos havia sido solicitado, o que, creio haver trazido grande edifica\u00e7\u00e3o a todos os presentes ali, qui\u00e7\u00e1 permanente edifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de haver estudado aquela teologia durante muitos meses a fio, o estado de sa\u00fade do Sr. Gale foi de tal ordem mau que nem podia pregar. Um ministro Universalista chegou para assumir a chefia daquele p\u00falpito, semeando as suas doutrinas corrosivas por tudo quanto era canto. A parte impenitente da congrega\u00e7\u00e3o parecia que gostava de o ouvir discursar, mas por fim, alguns ficaram t\u00e3o interessados nos discursos do homem que acabaram por se desviar das s\u00e3s doutrinas B\u00edblicas por inteiro. Foi nesse estado de coisas que o Sr. Gale, depois de haver conferenciado com o conselhos da igreja, transmitiu o desejo que eu falasse \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o sobre aquele assunto do Universalismo, caso eu pudesse contestar aqueles argumentos do pregador Universalista. O seu grande esfor\u00e7o era, como era \u00f3bvio, mostrar a todos como o sal\u00e1rio do pecado nunca poderia ser castigo sem fim. Discursava contra a id\u00e9ia dum castigo eterno como se fosse muito injusto, cruel e absurdo. Dizia que Deus era amor e como podia um Deus de amor fazer tal coisa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levantei-me uma noite numa das confer\u00eancias de culto, dizendo o seguinte: &#8220;as doutrinas deste senhor Universalista s\u00e3o completamente novas para mim e creio mesmo que estas n\u00e3o ser\u00e3o muito B\u00edblicas. Mas irei debru\u00e7ar-me sobre o assunto um pouco mais e caso eu n\u00e3o consiga provar que este homem est\u00e1 errado, eu pr\u00f3prio me comprometo a tornar-me um Universalista&#8221;. De seguida apontei um dia da semana seguinte para fornecer uma palestra de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0queles pontos de vista doutrin\u00e1rios. Todos os crentes ficaram desde logo alarmados com a minha aud\u00e1cia em haver dito publicamente que me tornaria Universalista caso n\u00e3o conseguisse provar que as suas doutrinas eram erradas. No entanto, eu achava que podia contestar tudo aquilo. Chegando a noite da palestra agendada, a sala estava repleta. Peguei primeiro na quest\u00e3o da justi\u00e7a do castigo eterno, discursando sobre aquele assunto nessa noite e passando para a noite seguinte. Havia uma satisfa\u00e7\u00e3o geral nos que me ouviam, pois o caso foi defendido. O pr\u00f3prio Universalista estava plenamente convicto que todo o povo achava que ele estaria na posse do erro, indo pregar para outra freguesia logo de seguida. O Sr. Gale, em conjunto com sua escola de teologia, mantinha no entanto que o castigo recebido por Cristo na Cruz seria o tal castigo do pecado dos Seus eleitos, um sofrimento que eles mereciam mas que Cristo sofreu por eles. Da\u00ed que dizia que era baseado nessa justi\u00e7a que todos os eleitos se baseavam na sua salva\u00e7\u00e3o. Dizia que Cristo cumprira assim todos os requisitos da lei de Deus com aquele sacrif\u00edcio. O Universalista baseou sua defesa ent\u00e3o nesse ponto de vista, assumindo claramente que essa era a quest\u00e3o relacionada com a reconcilia\u00e7\u00e3o. A \u00fanica coisa que ele necessitava de provar mais, seria que essa reconcilia\u00e7\u00e3o havia sido feita para todos universalmente, mostrando assim que todos os homens na face de toda a terra estariam salvos baseados nesse sacrif\u00edcio universalista. Porque o total da d\u00edvida do homem para com Deus, havia sido paga em Cristo, o Universalismo estaria fortemente baseado nesse princ\u00edpio prec\u00e1rio de justi\u00e7a feita. Dizia que Deus n\u00e3o podia ser justo caso n\u00e3o aceitasse esse castigo na cruz por todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pude ver, tal como toda a congrega\u00e7\u00e3o, que o Universalista havia posto o Sr. Gale entre a espada e a parede. Por esse caminho seria muito f\u00e1cil mesmo, provar que a justi\u00e7a havia sido feita pelo sacrif\u00edcio de Cristo para todos os homens sem exce\u00e7\u00e3o. Caso a natureza da reconcilia\u00e7\u00e3o fosse aquela que o Sr. Gale defendia, O Universalismo era apenas uma conseq\u00fcente verdade. Tudo isto levou as pessoas a espalharem-se para longe dos \u00e1trios da verdade, saindo da igreja. O Sr. Gale pediu-me que continuasse com as minhas palestras, mas, j\u00e1 que, em conformidade com a sua opini\u00e3o pr\u00f3pria, a quest\u00e3o da justi\u00e7a da lei j\u00e1 haviam sido debatidas, que eu apresentasse os meus argumentos baseados na cor do &#8220;evangelho de Cristo&#8221;, isto \u00e9, sob seus pontos de vista. Logo lhe respondi: &#8220;Sr. Gale, n\u00e3o poderei fazer tal coisa sem contradizer os seus pontos de vista sobre esta quest\u00e3o, anulando-as mesmo por completo! Atrav\u00e9s das suas doutrinas sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o, este homem n\u00e3o pode vir a ser contestado sequer. Se a vis\u00e3o que o senhor tem sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o de Cristo estiver certa, as pessoas logo veriam que o Universalismo era adequado, pois \u00e9 muito f\u00e1cil a partir dos seus pontos de vista provar que o Universalismo est\u00e1 certo, que Cristo pagou a d\u00edvida de todos os homens na face da terra para sempre. Se voc\u00ea n\u00e3o me autorizar a dar uma varrida nos seus pr\u00f3prios pontos de vista sobre o assunto da reconcilia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o terei como contestar esta doutrina de erro&#8221;. &#8220;Ent\u00e3o&#8221;, retorquiu, &#8220;como n\u00e3o posso permitir que as coisas continuem conforme est\u00e3o, fa\u00e7o quest\u00e3o que se sinta em total liberdade de lhe dar a devida resposta \u00e0 sua maneira. Se necess\u00e1rio for vir a pregar sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o, sentir-me-ei no dever de o contestar pessoalmente depois&#8221;. &#8220;Est\u00e1 bem, aceito&#8221;, respondi; &#8220;permita-me apenas e t\u00e3o s\u00f3 expor os meus pontos de vista sobre o assunto, pois tenho como contestar o Universalista e depois o senhor pode encetar o rumo que achar que deve&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marquei ent\u00e3o uma confer\u00eancia para contestar o argumento do Universalismo baseando-me no evangelho. Falei duas vezes sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o. Consegui mostrar atrav\u00e9s das Escrituras que a reconcilia\u00e7\u00e3o n\u00e3o era baseada na justi\u00e7a do castigo da lei sobre o pecado, pagando assim a divida dos pecadores na sua totalidade para sempre, tal como o Universalista em quest\u00e3o defendia. Desvendei que o sacrif\u00edcio de Cristo apenas abria as portas para a possibilidade de salva\u00e7\u00e3o para todos os homens, mas que nunca obrigava Deus a conceder salva\u00e7\u00e3o a qualquer \u00edmpio. Disse que nunca seria verdade que Cristo havia sido justi\u00e7ado em nosso lugar, que em nenhum lugar da B\u00edblia se podia chegar a uma conclus\u00e3o desse tipo. Provei que o contr\u00e1rio seria verdade; que Cristo simplesmente morreu para remover o grande abismo e fosso que havia entre Deus e homem a n\u00edvel de sacrif\u00edcio do perd\u00e3o apenas, para que assim fosse poss\u00edvel dar uma anistia naquela culpa dos verdadeiros culpados, desde que se arrependessem para que assim obtivessem acesso \u00e0 f\u00e9 que os levasse a aceitar uma salva\u00e7\u00e3o crendo em Cristo; que em vez de satisfazer aquela justi\u00e7a que apenas os pecadores mereciam, o sacrif\u00edcio de Cristo na Cruz do Calv\u00e1rio abria caminho a uma reden\u00e7\u00e3o e que Cristo apenas aplicou seu testemunho a uma justi\u00e7a meramente humana. Cristo apenas tornara poss\u00edvel aquele perd\u00e3o que forneceria honra \u00e0 lei, perdoando todo e qualquer um que se arrependesse e convertesse de fato pela f\u00e9 n&#8217;Ele. Mantive a posi\u00e7\u00e3o de que Cristo fez apenas tudo aquilo que eram as condi\u00e7\u00f5es para o perd\u00e3o, o que n\u00e3o anulava a culpa do pecado efetivo pagando por quem ainda n\u00e3o tivesse como deixar o pecado de lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto respondeu ao universalista e parou desde logo com toda a az\u00e1fama em redor desde assunto. Mas aquilo que mais marcou estas palestras, foi a plena convers\u00e3o daquela mo\u00e7a por quem eu havia intercedido diante de Deus em total agonia de esp\u00edrito: havendo ent\u00e3o obtido resposta, aqui se seguiu o resultado. Tudo aquilo deixou o Sr. Gale aturdido, pois detectou a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus sobre todos os meus pontos de vista. Conversando com ele mais tarde, pude verificar que ele estava admirado que as coisas que eu pregava sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o pudessem vir a ser subscritas por Deus, havendo sido instrumentos aben\u00e7oados no seu uso para a convers\u00e3o da jovem em quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim que, depois de muitas discuss\u00f5es com Sr. Gale, o presbit\u00e9rio foi finalmente chamado a reunir para eu ser examinado com aquela finalidade de entrar no minist\u00e9rio. Se chegassem a consenso, teria a licen\u00e7a de poder pregar o evangelho. Isto foi em Mar\u00e7o de 1824. Estava preparado para uma dura batalha num exame daquelas pessoas. Mas, admirado, descobri que estavam muito receptivos e transformados. Era manifesta e clara aquela b\u00ean\u00e7\u00e3o que se evidenciava nas minhas muitas conversas com pessoas, nas minhas palestras, nas confer\u00eancias sobre a ora\u00e7\u00e3o. Por causa desse sucesso, penso, eles aproximaram-se de mim para me examinar com cautelas acrescidas para n\u00e3o entrarem em controv\u00e9rsia comigo. No decurso dos exames e interrogat\u00f3rios, evitaram questionar-me sobre aqueles assuntos que sabiam iriam colidir com os meus pontos de vista. Depois de me haverem examinado, votaram unanimemente em licenciar-me para o minist\u00e9rio. Mas, do nada, um deles perguntou-me se eu aceitava a Confiss\u00e3o de F\u00e9 da igreja Presbiteriana. Eu, at\u00e9 ali, n\u00e3o a havia examinado em pormenor, isto \u00e9, o Catecismo e grande parte dos seus credos. Isso tudo n\u00e3o havia sido parte integrante dos meus estudos obrigat\u00f3rios. Respondi calculadamente que a aceitava como subst\u00e2ncia doutrin\u00e1ria, tanto quanto eu a entendia. Mas respondi de tal modo que estava claramente impl\u00edcito que n\u00e3o pretendia ter algo a haver com aqueles credos, mesmo n\u00e3o os conhecendo bem. Respondi, no entanto, na conformidade dos conhecimentos que tinhas deles. Eles haviam lido aqueles serm\u00f5es que escrevi, sobre textos espec\u00edficos que me haviam sido consignados pelo Presbit\u00e9rio para tais fins. Passaram por todos os serm\u00f5es minuciosamente. Foi aqui neste conselhos do Presbit\u00e9rio que eu pela primeira vez vi o Rev. Daniel Nash, que era geralmente mais conhecido por Papai Nash. Ele era membro efetivo daquele presbit\u00e9rio. Uma grande multid\u00e3o assentou-se a ouvir a minha examina\u00e7\u00e3o. Entrei um pouco tarde e vi um homem a pregar para aquela multid\u00e3o, como supus ser o caso. Ele olhou para mim quando entrei e ao mesmo tempo olhava para os que passavam \u00e0 sua frente. Mas assim que me sentei para ouvir, descobri que ele estava orando. Surpreendeu-me v\u00ea-lo a olhar para as pessoas ali presentes, como se estivesse falando com elas. Mas estava a orar a Deus. Claro est\u00e1 que nem parecia ser uma ora\u00e7\u00e3o, mas encontrava-se ent\u00e3o muito desviado e num estado lastim\u00e1vel de apostasia. Este era o Papai Nash, de quem terei muitas coisas para relatar mais adiante, no decurso desta escrita. No dia do Senhor seguinte, o Rev. Gale aproximou-se de mim e disse-me: &#8220;Sr. Finney, vou sentir uma enorme vergonha se algu\u00e9m vier a saber que voc\u00ea estudou teologia sob minha tutela&#8221;. Era t\u00edpico dele, tal como j\u00e1 vinha afirmando vezes sem conta. Nada respondi, baixei a minha cabe\u00e7a e emudeci, saindo dali logo de seguida muito desanimado e envolto numa espessa nuvem de desencorajamento por causa daquela observa\u00e7\u00e3o. Mais tarde ele veio a ver as coisas de forma muito distinta, pois dava gra\u00e7as a Deus que nunca havia conseguido influenciar-me com seus pontos de vista, que n\u00e3o havia exercido qualquer mudan\u00e7a nas coisas que eu pensava. Ele confessou abertamente mais tarde, o seu erro na maneira como lidou comigo naqueles anos. Chegou mesmo a dizer que, caso houvesse dado ouvidos \u00e0quilo que ele me transmitiu como verdade, teria arruinado todo o meu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de maior realce foi que toda a sua educa\u00e7\u00e3o tanto religiosa como ministerial, foi inteiramente deficiente. Ele embebeu uma s\u00e9rie de opini\u00f5es defeituosas, tanto teol\u00f3gicas como pr\u00e1ticas, as quais sempre operaram contra ele e serviam como um colete de for\u00e7as que lhe prendiam todos os seus movimentos. Ele pouco ou mesmo nada teria conseguido alcan\u00e7ar, caso tivesse persistido sob o dom\u00ednio de todos os seus princ\u00edpios pretensiosos e alucinados. Usei a sua biblioteca pessoal, buscando ali tudo sobre a teologia que l\u00e1 poderia achar com a finalidade expressa de apenas passar o exame de aprova\u00e7\u00e3o para o minist\u00e9rio. Mas quanto mais examinava aqueles livros, tanto mais angustiado me sentia. Eu estava muito familiarizado com aquela perspic\u00e1cia dos Ju\u00edzes de direito, tal como vinham nos nossos livros. Mas quando penetrei em sua biblioteca, nada ali teria como preencher a minha insatisfa\u00e7\u00e3o. Tenho aquela certeza que n\u00e3o era por eu estar em desacordo com a Verdade, mas sim de acordo com ela. Eu estava insatisfeito porque todas aquelas posi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas eram prec\u00e1rias e carentes de sa\u00fade genu\u00edna, como tamb\u00e9m eram precariamente sustentadas. Muitas vezes me pareciam querer dizer uma coisa e provar outra. Continham nelas pouca l\u00f3gica racional de verdade espiritual e nunca conseguiam provar nada argumentativamente. Um dia disse ao Sr. Gale o seguinte: &#8220;Se n\u00e3o houver nada melhor em favor da verdade na sua biblioteca, que sustentem as doutrinas da nossa igreja, corro o risco de me tornar ou traidor \u00e0 Causa de Cristo ou um infiel \u00e0 igreja&#8221;. E sempre acreditei que, caso O Senhor n\u00e3o me houvesse iluminado para ver de fato a fal\u00eancia daqueles argumentos sem nexo, tamb\u00e9m de experimentar a verdade em forma vivente a partir das Escrituras; caso n\u00e3o se houvesse manifestado e revelado a mim pessoalmente para que n\u00e3o tivesse como duvidar da ess\u00eancia da verdade crist\u00e3, haveria de ser for\u00e7ado a tornar-me um s\u00f3lido infiel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sendo nenhum te\u00f3logo, de in\u00edcio toda a minha atitude racional era de total oposi\u00e7\u00e3o e de nega\u00e7\u00e3o \u00e0s suas obsess\u00f5es doutrin\u00e1rias. At\u00e9 me opunha com muita freq\u00fc\u00eancia \u00e0s suas posi\u00e7\u00f5es positivas. Eu dizia-lhe: &#8220;as suas posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o comprovadas; carecem de prova concreta; h\u00e1 que provar tudo o que diz. N\u00e3o posso aceitar que as doutrinas sejam algo que n\u00e3o possam vir a ser debatidas e confrontadas perante a luz da B\u00edblia&#8221;. Penso hoje da mesma forma que pensava ent\u00e3o. Os seus argumentos de persuas\u00e3o cont\u00ednua seriam que eu n\u00e3o me podia opor ao pensamento de grandes e bons homens que, em sua opini\u00e3o, depois de tantos pareceres, estudos e delibera\u00e7\u00f5es, haviam chegado a tais conclus\u00f5es finais sobre aquelas mat\u00e9rias; que tamb\u00e9m n\u00e3o me competia a mim, como jovem, havendo-me instru\u00eddo em direito apenas, n\u00e3o sabendo nada de teologia, opor-me \u00e0s posi\u00e7\u00f5es daquelas pessoas que ele muito admirava. Considerava-os grandes te\u00f3logos e tinha-os em alta estima; da\u00ed que as suas opini\u00f5es pudessem ser achadas na sua biblioteca particular. Ele persistiu que, caso eu quisesse ver a minha intelig\u00eancia satisfeita sobre aquelas grandes quest\u00f5es atrav\u00e9s de argumenta\u00e7\u00e3o, tornar-me-ia num infiel. Ele n\u00e3o admitia contesta\u00e7\u00e3o e argumento sobre as quest\u00f5es da f\u00e9 e da igreja e que todas aquelas posi\u00e7\u00f5es da igreja deveriam merecer a maior ova\u00e7\u00e3o por um jovem como eu e que eu deveria era submeter o meu ju\u00edzo das coisas ao daqueles homens que ele considerava, de superior sabedoria. Eu detectei um for\u00e7ar daquelas coisas sobre minha pessoa e nunca pude aceitar doutrina sob pretexto autorit\u00e1rio; n\u00e3o como autoridade incontest\u00e1vel. Como dogmas, n\u00e3o podia aceitar tais doutrinas. Descobri que me partia e dividia na sinceridade e honestidade caso as aceitasse, o que me privaria de verdade \u00edntima. Muitas vezes saia da presen\u00e7a do Sr. Gale e ia para meu quarto afundar-me nos meus joelhos com a minha B\u00edblia na m\u00e3o e perto do meu peito. De fato, lia a minha B\u00edblia de joelhos, especialmente naqueles tempos turvados pelo conflito, clamando e suplicando ao Pr\u00f3prio que abrisse as palavras que se encontravam em Seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a tudo aquilo, sobre todas aquelas quest\u00f5es. N\u00e3o tinha outra sa\u00edda poss\u00edvel mas que n\u00e3o fosse em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 B\u00edblia, \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas da minha pr\u00f3pria mente, tal com se revelavam e manifestariam \u00e0 minha consci\u00eancia pessoal. Todas as minhas posi\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es come\u00e7aram a tomar um certo rumo desej\u00e1vel, pois creio que foi a partir destes conflitos com a doutrina que tive e consegui como chegar \u00e0quelas verdades do evangelho que salvam. Lentamente foram-se formatando e formando as bases sobre a verdade, o que gradualmente se constituiriam como posi\u00e7\u00f5es s\u00e1bias, mas de inteira oposi\u00e7\u00e3o a quem me ensinava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquelas posi\u00e7\u00f5es de teologia n\u00e3o apenas incrementavam uma grande debilidade real \u00e0 obra do Sr. Gale, como tamb\u00e9m lhe davam um misterioso abalo e ajuda em dire\u00e7\u00e3o ao erro doutrin\u00e1rio. Era pouco usado por Deus em Sua Obra Santa porque era empurrado para o erro. Ele profetizou muito agn\u00f3sticamente contra todas a minhas posi\u00e7\u00f5es e todo o meu futuro. Assegurou-me que Deus nunca chegaria com Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o e aval pessoal sobre o meu Labor. E caso eu discursasse aos muitos homens conforme lhe transmiti vir a ser o meu desejo real, que logo todos se ofenderiam e que a congrega\u00e7\u00e3o sob minha tutela iria perecer e desvanecer em apostasia. Tamb\u00e9m me dizia que teria de me habituar a escrever todos os meus serm\u00f5es, caso eu quisesse ter como deixar de ser interessante nos meus muitos discursos, n\u00e3o havendo outra maneira de vir a satisfazer pessoas inteligentes e n\u00e3o s\u00f3. Logo dizia que a minha forma de estar no p\u00falpito, pressionado por minhas posi\u00e7\u00f5es, dariam em descalabro total, que iriam seguramente dividir qualquer congrega\u00e7\u00e3o, em lugar de a habilitar. Descobri que tudo aquilo sucedeu mas em sentido inverso de todos os seus variad\u00edssimos improp\u00e9rios e progn\u00f3sticos doutrinais. Eu pessoalmente achava que o meu dever como ministro de Cristo era divulgar a verdade de todos os fatos, principalmente no que toca a quest\u00f5es do foro pr\u00e1tico e pessoal. Nunca me admirei sequer que a minha nova forma, para ele, de trazer o evangelho, chocavam com a sua maneira de ver as coisas reais, de ver o evangelho. Atrav\u00e9s de toda aquela educa\u00e7\u00e3o, ele nunca poderia haver tomado outra posi\u00e7\u00e3o. Ele refutava apenas devido \u00e0s suas id\u00e9ias doutrin\u00e1rias muito prec\u00e1rias, as quais obtinham resultados quase nulos. Pela gra\u00e7a de Deus, persisti nas minhas posi\u00e7\u00f5es, as quais Deus pessoalmente avalizou mais tarde, dando Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, contrariamente a tudo aquilo que o Sr. Gale predisse a meu respeito. Aqueles resultados sobre os quais ele se admirava, no futuro da minha obra, tal como aquela vis\u00edvel b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus derramada t\u00e3o graciosamente em favor daquela verdade, primeiramente alienaram dele a totalidade da sua tranq\u00fcilidade e esperan\u00e7a como crente, o que mais tarde contribuiu para vir a ser um ministro real e efetivo de Cristo, como irei relatar em seu devido tempo e lugar. Havia uma deficiente car\u00eancia grave nos seus erros doutrin\u00e1rios, a qual eu sempre calculei como sendo um fundamento priorit\u00e1rio na avalia\u00e7\u00e3o e na pr\u00f3pria prega\u00e7\u00e3o da palavra tamb\u00e9m. N\u00e3o se pode avaliar nem t\u00e3o pouco avalizar a Palavra de Deus sem o pr\u00f3prio Deus em pessoa, sob um Batismo do Seu Esp\u00edrito real e efetivo. Se ele era convertido at\u00e9 ali, naquela altura, falhou na un\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa un\u00e7\u00e3o que traz efeitos devastadores sobre o pecado a partir do p\u00falpito e na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Cristo comissionou os Seus Ap\u00f3stolos para irem pregar pelo mundo fora, comandou que permanecessem em Jerusal\u00e9m at\u00e9 que houvessem sido revestidos do poder da santidade. Este poder, como todos sabemos, foi o Esp\u00edrito Santo derramado sobre todos no dia de Pentecostes. Esta era a qualifica\u00e7\u00e3o final, sem a qual ningu\u00e9m deveria passar para o tentar obter aquele sucesso de qualquer minist\u00e9rio. Nunca supus ali e ent\u00e3o, como tamb\u00e9m agora ainda estou plenamente convicto de tal coisa, que este poder tivesse apenas a haver com meros milagres. O poder de operar atrav\u00e9s dos milagres, tal como aquele sinal espec\u00edfico de l\u00ednguas, atestaram como simples sinais de ocasi\u00e3o para o efeito do cumprimento da sua miss\u00e3o na altura. O Verdadeiro Batismo do qual falo e n\u00e3o abdico, \u00e9 antes de mais purificador, provendo uma ilumina\u00e7\u00e3o sobre a realidade da verdade e n\u00e3o s\u00f3, enchendo-os da mais pura f\u00e9, amor sem igual pelos perdidos, paz sem fim e poder. Tal conseguiu que umas simples palavras deles, caso fossem inspiradas, se tornassem como setas e espadas agudas nos cora\u00e7\u00f5es dos inimigos de Deus, r\u00e1pidas e estrondosamente convincentes, tal como uma espada verdadeira de dois gumes. Esta \u00e9 uma das poucas qualifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se obter sucesso em qualquer minist\u00e9rio. Estou deveras surpreendido que mesmo nos dias de hoje, se d\u00ea pouco \u00eanfase a esta qualifica\u00e7\u00e3o ministerial de ir pregar Cristo a um mundo adverso e pecaminoso sem se ser vencedor de fato. Sem aquele sussurrar ensinador do Esp\u00edrito Santo, nenhum homem pode ser um virtuoso ministro de Cristo. O fato \u00e9 que, se algu\u00e9m n\u00e3o tem como pregar o evangelho como uma experi\u00eancia pessoal e personalizada de fato, baseada na pr\u00f3pria pessoa de Cristo Emanuel, apresentar a religi\u00e3o \u00e0s pessoas como coisa consciente e real, as suas especula\u00e7\u00f5es e muitas teorias sobre a verdade dos fatos de nada adiantar\u00e3o. Isso nunca ser\u00e1 pregar o evangelho sequer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde o Sr. Gale confessou que nunca se havia convertido de fato: que ele era um homem honesto na defesa dos seus muitos pontos de vista, n\u00e3o ponho em d\u00favida. Mas confesso que ele era muito deficiente na sua educa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, tanto filosoficamente como na sua efectividade pratica dali resultante. E tanto quanto me pude aperceber do seu estado espiritual real, ele n\u00e3o manifestava nele mesmo aquela paz que apenas o evangelho tem como conceder desde que verdadeiro e real, nem nele nem no efetuar do seu minist\u00e9rio. N\u00e3o suponha o meu caro leitor que n\u00e3o amava o Sr. Gale e que n\u00e3o o tinha na maior respeitabilidade e estima. Ambas as coisas eu tinha para com ele, tanto amor como respeito imensur\u00e1vel. Permanecemos com uma amizade muito firmada, tanto quando sei, at\u00e9 ao dia da sua morte. Falo destas coisas apenas para as ter como me relacionar e contrapor \u00e0s suas vis\u00f5es doutrin\u00e1rias, porque creio de todo o meu cora\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 aquilo que se passa com muitos ministros por este mundo fora; ainda hoje. Creio que na sua maioria, a vis\u00e3o daqueles que se intitulam de ministros de Cristo, carecem desta un\u00e7\u00e3o como v\u00e1lida e selada, sejam quais forem as suas id\u00e9ias teol\u00f3gicas. A sua degrada\u00e7\u00e3o deve-se majoritariamente \u00e0 falta desta un\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u00c9 uma car\u00eancia radical no seu minist\u00e9rio, de fato. N\u00e3o se trata de car\u00eancia de cerim\u00f4nias, nem digo isto como forma de censura, pois h\u00e1 muito que esta quest\u00e3o se encontra devidamente estabelecida em minha mente. S\u00e3o coisas sobre as quais tive ocasi\u00e3o de me lamentar profundamente muitas vezes. Quanto mais experiente e conhecedor me tornava atrav\u00e9s do minist\u00e9rio, aqui e al\u00e9m-mar, tanto mais persuadido fiquei que, no meio de toda a disciplina, educa\u00e7\u00e3o, treino e estudo, existe um enorme fosso na quest\u00e3o pr\u00e1tica no apresentar do evangelho na sua melhor forma, da maneira mais efetiva, adaptando os meios para alcan\u00e7ar todos os fins. Mas muito especialmente, na sua clara falta de poder espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 falei extensivamente sobre as muitas controv\u00e9rsias dilatadas com o Sr. Gale, o meu professor. Depois de refletir um pouco mais, penso ser apropriado manifestar algo mais sobre estas controv\u00e9rsias e discuss\u00f5es. Eu n\u00e3o poderia nunca aceitar fic\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica como mandamento supremo. Quero aqui relatar mais pormenorizadamente as suas posi\u00e7\u00f5es relativas, nas quais ele muito insistia. Em primeiro lugar, ele afirmaria que aquela transgress\u00e3o inicial de Ad\u00e3o se impunha sobre toda a ra\u00e7a descendente; que mereceriam o inferno apenas por serem descend\u00eancia de Ad\u00e3o. Em segundo lugar, concebia que recebemos de Ad\u00e3o atrav\u00e9s da natureza, o pecado imputado, por essa raz\u00e3o, como hereditariedade, todos seriam moralmente corruptos de natureza, tanto f\u00edsica como espiritualmente, de maneira tal que nunca conseguir\u00edamos qualquer coisa que chegasse a ser aceit\u00e1vel diante de Deus e que necessariamente hav\u00edamos de entrar em pecado continuadamente, pois a nossa natureza era transgressora da lei natural de Deus em todos os aspectos da nossa vida. Nestes pontos ele insistia, afirmando que devido a heran\u00e7a, pec\u00e1vamos sem poder cessar. Que seria devido a esta natureza que todos os homens estariam sentenciados \u00e0 condena\u00e7\u00e3o eterna. Em terceiro lugar, ele detinha que \u00e9ramos considerados sempre culpados e conden\u00e1veis com eterna devasta\u00e7\u00e3o pela devida transgress\u00e3o da lei de Deus imposs\u00edvel de se poder evitar. O descendente de Ad\u00e3o estaria condenado a pecar. N\u00e3o podendo evitar ser pecador, o homem estaria sobre esta tripla multiforme condena\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda seq\u00fc\u00eancia da ramifica\u00e7\u00e3o natural destes pontos de vista admir\u00e1veis, seria que, os pecados dos eleitos, tanto pelo pecado original como o atual, isto \u00e9, a culpa de ser descendente de Ad\u00e3o e aquela culpa da sua natureza incriminat\u00f3ria atual, tal como as culpas das transgress\u00f5es personalizadas, seriam naturalmente imputados sobre Cristo. Por essa raz\u00e3o majoritariamente, o despacho divino alcan\u00e7ou a sua senten\u00e7a corporal de culpabilidade n&#8217;Ele, sendo Cristo tratado de acordo com aquilo que eles mereciam factualmente; que o Pai fez descansar a Sua ira sobre o corpo do Filho, atribuindo-Lhe a culpa daqueles que eram Lhe eleitos. Da\u00ed se deduzia uma inculpabilidade pessoal atrav\u00e9s daquele castigo sobre Cristo em pessoa. As pessoas seriam dessa forma, salvas atrav\u00e9s duma justi\u00e7a execucionista, mas noutra pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira ramifica\u00e7\u00e3o dos seus pontos de vista teol\u00f3gicos, era: primeiro, que aquela obedi\u00eancia de Cristo \u00e0 Lei de Deus era literalmente imputada aos seus eleitos e, mesmo n\u00e3o obedecendo seriam tidos como sempre obedientes. Em segundo lugar, que a Sua morte lhes seria naturalmente imputada, por haverem sido escolhidos. Assim se daria como conseq\u00fcente a Sua morte na cruz, pois n&#8217;Ele estaria pregado a culpabilidade do pecado de Ad\u00e3o em n\u00f3s, a culpa da nossa natureza corrupta, como tamb\u00e9m a culpa das nossas transgress\u00f5es. Em terceiro lugar, que pela Sua seguran\u00e7a, todos aqueles que Lhe eram eleitos seriam tidos como havido cumprido e obedecido a Lei de Deus e seriam tidos como se j\u00e1 houvessem sofrido a penalidade da transgress\u00e3o de Ad\u00e3o, da sua e da perversidade da sua natureza, havendo a sua penalidade conseq\u00fcente sido j\u00e1 aplicada em Cristo. Dessa forma, eles haviam sofrido em Cristo essa acumula\u00e7\u00e3o de ira, que assegurava justi\u00e7a divina na pessoa de Cristo, mesmo que n\u00e3o pudessem vir a ser tornados obedientes. Ele obedeceu no lugar deles, o que redundaria na sua obedi\u00eancia aparentemente, mas acupulada na de Cristo por eles. Deus veria os eleitos sob Cristo, mesmo que n\u00e3o fossem capazes de obedecer. Depois da lei haver sido preenchida nos seus requisitos normais e formalizados, os eleitos eram convidados a arrependerem-se como se nada deles fosse exigido, nem o arrependimento real. Em quarto lugar, havendo sido formalizada justi\u00e7a divina, todos os eleitos seriam absolvidos sob essa tutela legisladora, sendo tal ato o tal ato de infinita gra\u00e7a para sempre. Da\u00ed se presumia e deduzia que todos os eleitos estavam salvaguardados pela satisfa\u00e7\u00e3o divina baseado nesse princ\u00edpios anal\u00f3gicos de justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segue-se ent\u00e3o, que todos os eleitos e apenas estes, poderiam salvaguardar a sua absolvi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua na tutela desse ato justo de Cristo. N\u00e3o precisavam de invocar e pedir perd\u00e3o e seria mesmo um erro doutrin\u00e1rio faz\u00ea-lo. Esta iner\u00eancia gratuita, seria pessoal para todos os eleitos. Mas segue-se irreversivelmente debaixo daquilo que a Profiss\u00e3o de F\u00e9 afirmava, que os eleitos eram considerados salvos por iner\u00eancia e analogia, pois a justi\u00e7a divina e seus requisitos universais haviam sido preenchidos de justi\u00e7a sem fim. Eu n\u00e3o podia sen\u00e3o discordar destas asser\u00e7\u00f5es, sobre estes pontos focalizados. Eu n\u00e3o poderia imputar toda esta quest\u00e3o como uma imputa\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, pois me parecia mais fic\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Tivemos constantes discuss\u00f5es em virtude destes m\u00faltiplos pontos de vista. N\u00e3o me recordo de ter ouvido o Sr. Gale insistir que a Profiss\u00e3o de F\u00e9 imprimia estes princ\u00edpios sobre seus ouvintes, mas lembro-me de comprovar que afirmava tudo isto quando a estudei minuciosamente. Eu n\u00e3o havia tomado consci\u00eancia que as regras do Presbit\u00e9rio exigiam como pergunta chave aos candidatos ao minist\u00e9rio, se aceitavam a Profiss\u00e3o de F\u00e9 como formul\u00e1rio de F\u00e9 e conduta. Mas assim que revi e estudei todos os seus princ\u00edpios amb\u00edguos e absurdos, n\u00e3o hesitei nem por um momento em depor contra estes mesmos princ\u00edpios em todas as circunst\u00e2ncias mais adequadas para a finalidade. Passei a repudi\u00e1-los abertamente, expondo-os em p\u00fablico. Onde e quando achava que pecadores se pervertiam sob pretexto destes dogmas, que se escondiam por de tr\u00e1s deles, n\u00e3o hesitava nem por um momento em demoli-los at\u00e9 \u00e0s cinzas, no melhor da minha capacidade de ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o preenchia estes requisitos das posi\u00e7\u00f5es do Sr. Gale, mas falava deles com ele na mesma linguagem com que se dirigia a mim, isto \u00e9, quando eu as apresentava a ele em forma controversa. Ele n\u00e3o as impunha como coisas racionais, ou como algo que se pudesse discutir abertamente. Ele insistia como defesa que a minha irreverente discuss\u00e3o sobre essas quest\u00f5es, tornar-me-iam num infiel ap\u00f3stata. Mas eu justificava que a nossa raz\u00e3o nos havia sido embutida por alguma raz\u00e3o especial, especialmente para nos vir a justificar nos pr\u00f3prios caminhos de Deus; e que nada de tal fic\u00e7\u00e3o pudesse ser imputado a quem viesse ser vivente de fato e conviver com verdade real. \u00c9 claro que haveria muitos mais pontos de vista que mereciam a nossa discuss\u00e3o, sobre as quais sempre nos opusemos em forma controversa. Mas por muito que discut\u00edssemos, toda a teima iria embocar nestes mesmos assuntos, inevitavelmente, pois eram as suas bases de podrid\u00e3o. Se o homem tinha uma natureza pecaminosa, ent\u00e3o conclu\u00eda-se que a regenera\u00e7\u00e3o teria de vir a ser uma transforma\u00e7\u00e3o dessa mesma natureza. Se essa natureza era pecadora, a influ\u00eancia do Esp\u00edrito Santo que a fosse regenerar havia que ser real e factual, n\u00e3o apenas de aceita\u00e7\u00e3o ficcionada e moral. Se o homem tiver essa natureza irregular e pecaminosa, n\u00e3o havia adapta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel dela ao evangelho como forma de transformar a sua natureza, pois a f\u00e9 \u00e9 firmeza, \u00e9 firme e conseq\u00fcentemente n\u00e3o haveria qualquer liga\u00e7\u00e3o entre meios, fins e finalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram estas as posi\u00e7\u00f5es que o Irm\u00e3o Gale defendia com veem\u00eancia. Por conseq\u00fc\u00eancia, ele n\u00e3o esperava que as pessoas se convertessem mesmo que pregasse a favor do arrependimento, pois n\u00e3o apontava as suas palavras naquela dire\u00e7\u00e3o em nenhum dos serm\u00f5es que dele pude ouvir at\u00e9 ent\u00e3o. Mas era um pregador muito h\u00e1bil mesmo se avaliarmos pelos requisitos que se impunham a um pregador debaixo daqueles jugos e circunst\u00e2ncias. O fato transparecia desde logo que estes dogmas serviam como um colete de for\u00e7as sobre ele, por muito h\u00e1bil que fosse como pregador. Se pregasse o arrependimento, ele teria que providenciar uma explica\u00e7\u00e3o de como lhes seria imposs\u00edvel arrependerem-se; Se os incitava \u00e0 f\u00e9, logo lhes explicava como lhes seria imposs\u00edvel crer por eles at\u00e9 que a sua natureza houvesse sido mudada, pois qualquer f\u00e9 lhes estaria vedada; era assim que a ortodoxia impunha uma perfeita armadilha e rede aos seus ouvintes, naquela quest\u00e3o do evangelho. Eu nunca pude aceitar tais coisas e procedimentos. Eu n\u00e3o entenderia assim a minha B\u00edblia; nem tinha como ver tal coisa ensinada na B\u00edblia sequer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que li a Profiss\u00e3o de F\u00e9, olhando para as passagens que eram usadas para corroborar aquelas peculiares e seculares posi\u00e7\u00f5es, eu envergonhei-me delas em demasia, bastante e de forma absoluta. Perdi todo o respeito por aquele documento que impunha sobre a totalidade da ra\u00e7a humana tais dogmas caricatos, sustidos na sua grande maioria por passagens que lhes eram inteiramente irrelevantes e desconectados. Num caso de tribunal, nunca tais passagens poderiam ser mantidas como defesa dum caso, quanto mais dum grande caso como o \u00e9 o evangelho de Cristo. Mas todo o presbit\u00e9rio considerava aqueles pontos de vista conclusivos e sagrados, irredut\u00edveis mesmo. Todos tinham um mesmo pensamento, deliberavam numa s\u00f3 voz controversa. Mais tarde todos estes mudaram as suas opini\u00f5es; cederam e Sr. Gale transformou-se e nunca mais ouvi ningu\u00e9m do presbit\u00e9rio defender aqueles pontos de vista irracionais e sem qualquer nexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO V &#8211; PREGANDO COMO MISSION\u00c1RIO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o havendo tido qualquer tipo de treino para o minist\u00e9rio, propus em meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o desejar servir grandes congrega\u00e7\u00f5es em grandes cidades, ou mesmo ministrar a congrega\u00e7\u00f5es muito cultivadas e cultas. Pretendia ir para aquelas aldeias de colonos e pregar em escolas, celeiros e ch\u00e1caras o melhor que sabia. Logo depois de me haver sido dada aquela licen\u00e7a para pregar, isto para que assegurasse a minha introdu\u00e7\u00e3o no meio rural daquela regi\u00e3o onde me propusera laborar, comissionado por seis meses atrav\u00e9s duma sociedade feminina localizada em Oneida County, cheguei e entrei na parte nortenha de Jefferson County e comecei o meu labor em Evans&#8217;Mills, na cidadela de Le Ray. Ali encontrei duas igrejas; uma Congregacional e pequena, mas sem Pastor; uma outra Baptista com Pastor. Apresentei as minhas credenciais aos di\u00e1conos da igreja. Ficaram muito felizes por haver chegado e desde logo pus as m\u00e3os no arado. Tinham duas salas de reuni\u00f5es. Mas as duas igrejas, reuniam-se alternadamente numa escola grande feita em pedra, de tal forma que tinha a capacidade de acomodar l\u00e1, todas as crian\u00e7as daquela col\u00f4nia. Os Batistas ocupariam a sala num dia do Senhor, os Congregacionalistas na semana seguinte, alternadamente. Mas, durante as noites, eu poderia usar a sala quantas vezes desejasse. Assim, reparti os dias de culto (dia do Senhor) entre Evans&#8217;Mills e Antwerp, uma vila a cerca de dezoito milhas a norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes vou relatar as ocorr\u00eancias em Evans&#8217;Mills, durante essa \u00e9poca e depois uma curta narrativa das ocorr\u00eancias em Antwerp. Como pregava alternadamente nos dois locais, todas as ocorr\u00eancias que vou relatar separadamente, davam-se ao mesmo tempo. Comecei por pregar na escola de pedra em Evans&#8217;Mills. As pessoas ficaram muito interessadas e faziam fila para me ouvir pregar. Eles exaltavam a minha maneira de pregar e aquela pequena igreja Congregacional interessou-me muito mesmo, vendo ali motivos de sobra para conseguirem edificar o seu templo e que assim houvesse um avivamento. Umas ou outras convic\u00e7\u00f5es de pecado ocorriam durante cada um dos serm\u00f5es que ali realizava. Estava, no entanto, insatisfeito com o passar das coisas e passadas duas ou tr\u00eas sess\u00f5es de prega\u00e7\u00f5es aos Domingos, tamb\u00e9m v\u00e1rias vezes durante a semana, uma noite confrontei a congrega\u00e7\u00e3o no fim dum serm\u00e3o. Disse-lhes que havia chegado ali com o intuito de assegurar a salva\u00e7\u00e3o das suas almas; que sabia que a minha maneira de pregar lhes era agrad\u00e1vel, mas que eu n\u00e3o havia chegado ali para agradar aos seus ouvidos mas sim para que se arrependessem todos. Tamb\u00e9m lhes disse que, caso eles acabassem por rejeitar todos o meu Mestre, n\u00e3o me importava se os meus serm\u00f5es lhes eram agrad\u00e1veis ou n\u00e3o. Falei-lhes que sentia que algo de errado se passava ou comigo, ou com eles; que a benevolente aceita\u00e7\u00e3o das coisas que lhes transmitia, de nada lhes estaria a servir; e que n\u00e3o iria gastar mais o meu tempo com nenhum deles caso n\u00e3o aceitassem a minha mensagem de cora\u00e7\u00e3o. Fiz uso daquelas palavras do servo de Abra\u00e3o, dizendo-lhes assim: &#8220;Agora, pois, se v\u00f3s haveis de usar de benevol\u00eancia e de verdade para com o meu Senhor, declarai-mo; e se n\u00e3o, tamb\u00e9m mo declarai, para que eu v\u00e1 ou para a direita ou para a esquerda&#8221;, Gen 24:49. Eu revirei aquela quest\u00e3o de cima para baixo e de baixo para cima at\u00e9 que me houvessem entendido muito bem, insistindo que haviam de me dar uma resposta para que eu tomasse rumo depois. Se eles n\u00e3o se propusessem salvar-se de uma vez por todas, alistando-se na causa do meu Senhor, eu quereria saber e ouvir deles, para que eu n\u00e3o trabalhasse em v\u00e3o no seu meio. Disse-lhes: &#8220;Reconhecem que eu quero pregar o evangelho; voc\u00eas admitem crer nele; mas, agora, v\u00e3o aceit\u00e1-lo ou rejeit\u00e1-lo? Por certo algo se passa em vossa mente acerca disto tudo. Assim, deduzo que estou no direito de aceitar de v\u00f3s uma correspond\u00eancia adequada, assegurando assim a vossa salva\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que todos v\u00f3s, admitiram at\u00e9 aqui sem exce\u00e7\u00e3o, que tudo aquilo que vos trouxe em mensagens, \u00e9 a verdade. Acho-me no direito de pedir de v\u00f3s que desde j\u00e1 se arranjem com Deus. Esta obrigatoriedade, n\u00e3o a podem contestar; ir\u00e3o ent\u00e3o aceitar esta obriga\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel de se salvarem j\u00e1, imediatamente? Ir\u00e3o v\u00f3s rejeit\u00e1-la? \u00c9 isso que eu gostaria de vir a saber de v\u00f3s. Ent\u00e3o digam-me, para que eu assim possa decidir qual o rumo que devo tomar daqui em diante, se vou para a esquerda se para a direita&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Virando e revirando aquela quest\u00e3o diante deles, assegurando-me que me estariam todos a entender perfeitamente, eles pasmaram-se muito pela forma e irredutibilidade com que lhes coloquei a quest\u00e3o da sua decis\u00e3o. Assim que me estavam a entender todos, disse-lhes mais: &#8220;Eu preciso saber o que se passa em v\u00f3s, querendo saber se est\u00e3o dispostos a ingressar na causa de Jesus Cristo. Assim poder\u00e3o comprometer-se irredutivelmente em assegurar a vossa salva\u00e7\u00e3o, fazendo a paz com Deus de imediato, assim que sa\u00edrem daqui. Assim, todos aqueles que se v\u00e3o comprometer aqui e agora em assegurar a sua paz com Deus assim que sa\u00edrem do culto, devem levantar-se para que vos veja e o assinale como sinal de resposta e correspond\u00eancia da vossa parte; os outros que n\u00e3o querem ter a sua paz com Deus resolvida, permane\u00e7am sentados&#8221;. Coloquei aquela quest\u00e3o de tal forma que todos haviam entendido muito bem o que pretendia desde logo. Assim terminei com as seguintes palavras: &#8220;aqueles que se querem comprometer com Cristo e desde logo irem fazer as pazes com Deus e consci\u00eancia, por favor, levantem-se; os outros que me querem transmitir a mensagem que ir\u00e3o permanecer no vosso estado atual, n\u00e3o aceitando Cristo e Sua paz, todos os que assim decidirem, permane\u00e7am sentados&#8221;. Come\u00e7aram a olhar uns para os outros e para mim, muito quietos e surpresos. Todos permaneceram sentados, tal qual eu esperava que viesse a ocorrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de olhar \u00e0 minha volta e para eles diretamente nos olhos, eu disse: &#8220;Ent\u00e3o aceito desde j\u00e1 que se comprometeram contra Deus e Sua causa. Tiveram a vossa oportunidade. Assumo que h\u00e3o rejeitado Cristo e o Seu evangelho. E assumo tamb\u00e9m que todos v\u00f3s fazeis bem o papel de testemunha desse fato uns pelos outros e que Deus, diante de v\u00f3s posto como crucificado, tamb\u00e9m testifica contra. Todos v\u00f3s se comprometeram e acometeram, contra aquela causa de Cristo e devem recordar-se enquanto forem vivos deste momento em que clamaram &#8220;n\u00e3o queremos este Homem Jesus Cristo a reinar em n\u00f3s; fora com Ele&#8221;; esta foi a vossa atitude clara de rejei\u00e7\u00e3o&#8221;. Foram mais menos estas as palavras que recordo haver usado, para os urgir a tomarem posi\u00e7\u00e3o ou a favor ou contra o evangelho. Quando os comecei a pressionar por uma decis\u00e3o, algumas faces come\u00e7aram a irar-se, levantaram-se todos em massa e acometeram-se para a porta! E, come\u00e7ando a movimentar-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 rua, eu segurei o meu sil\u00eancio. Assim que eu parava de lhes dirigir aquelas palavras, eles paravam de sair para verem porque raz\u00e3o havia eu parado de rugir na sua consci\u00eancia. Logo lhes disse: &#8220;Eu lamento por todos v\u00f3s. Amanh\u00e3 darei um \u00faltimo serm\u00e3o, se Deus quiser&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos sa\u00edram com exce\u00e7\u00e3o do di\u00e1cono McC&#8211;, o qual era o di\u00e1cono da igreja Baptista local. Senti que todos os Congregacionalistas estavam aturdidos e confundidos. Estes eram poucos em numero e extremamente debilitados e fracos em f\u00e9 real. Presumo mesmo, que todos aqueles membros de ambas as igrejas que ali estavam presentes, com a exce\u00e7\u00e3o do di\u00e1cono McC&#8211;, foram lan\u00e7ados numa inseguran\u00e7a absoluta de que tudo estaria terminado para eles e que eu lhes havia anulado por inteiro toda e qualquer r\u00e9stia de esperan\u00e7a em todos sem exce\u00e7\u00e3o e a seu ver, pela imprud\u00eancia. Di\u00e1cono McC&#8211;, o qual tinha uma opini\u00e3o contr\u00e1ria, levantou-se com um sorriso largo e comunicativo, segurou na minha m\u00e3o e dirigiu-me as seguintes palavras: &#8220;Irm\u00e3o Finney, apanhou-os mesmo desprevenidos; eles n\u00e3o mais alcan\u00e7ar\u00e3o descanso at\u00e9 que hajam obtido paz com Deus; n\u00e3o ter\u00e3o como descansar mais. Todos os irm\u00e3os se sentem desmotivados e abatidos de esp\u00edrito. Mas eu n\u00e3o, pois creio de todo o cora\u00e7\u00e3o que o senhor acabou fazendo a coisa mais certa, somente tudo aquilo que deveria ser feito e creio que em breve obteremos resultados muito concretos por causa disto que voc\u00ea fez&#8221;. Tamb\u00e9m era esse o meu pensamento, pois concordava com aquela asser\u00e7\u00e3o. Eu apenas os coloquei numa posi\u00e7\u00e3o ingrata de terem que se decidir, depois de refletirem bem mediante aquilo que haviam decidido perante homens e Deus. Mas durante aquela noite e no dia seguinte, estariam muito irados. Eu e o di\u00e1cono McC&#8211; concordamos ali mesmo passar todo o dia seguinte em ora\u00e7\u00e3o e jejum, separadamente de manh\u00e3 e juntos \u00e0 tarde. Ouvi rumores durante o dia que as pessoas levantavam as vozes em amea\u00e7as contra a minha pessoa, de me irem colocar sobre os carris, de me darem um &#8220;papel de demiss\u00e3o&#8221;, para fazer uso de palavras suas. Um deles amaldi\u00e7oou-me dizendo que eu os obrigara a ajuramentarem-se contra Deus; que eu os levara publicamente a porem-se contratualmente contra Jesus. E assim por diante, mas nada mais do que aquilo que eu j\u00e1 esperava que fosse acontecer. \u00c0 tarde, o di\u00e1cono McC&#8211; e eu reunimo-nos num bosque e ali passamos toda aquela tarde em profunda e solene ora\u00e7\u00e3o. Mas apenas para o fim da tarde \u00e9 que Deus nos deu aquela liberdade de esp\u00edrito e uma solene promessa de vit\u00f3ria firme. Ambos est\u00e1vamos plenamente convencidos atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo, que hav\u00edamos prevalecido com Deus, diante do Seu Trono; e que nessa noite o poder de Deus se iria manifestar de viva voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havendo chegado o tempo para a reuni\u00e3o, deixamos a mata e entramos naquela vila. As pessoas j\u00e1 estavam aos empurr\u00f5es para entrarem no sal\u00e3o de culto. E aqueles que ainda n\u00e3o haviam ido para o local de culto, assim que nos viram chegar do pinhal, logo trataram de encerrar os seus neg\u00f3cios com a finalidade de se deslocarem para l\u00e1, outros deixaram no ch\u00e3o os seus tacos com que jogavam \u00e0 bola num relvado da vila, enchendo a sala at\u00e9 \u00e0 sua m\u00e1xima capacidade. Eu nem sequer havia pensado ainda sobre aquilo que ia pregar. Era assim que as coisas funcionavam comigo durante esse tempo. O Esp\u00edrito Santo estava sobre mim e dava-me aquela confian\u00e7a que a palavra n\u00e3o me iria faltar no momento certo e que saberia sobre o que deveria pregar. Assim que a casa estava repleta de gente, de tal modo que ningu\u00e9m mais cabia ali conosco, levantei-me e acho que mesmo sem orar antes da mensagem, logo lhes falei: &#8221; Dizei aos justos que bem lhes ir\u00e1; porque comer\u00e3o do fruto das suas obras. Ai do \u00edmpio! Mal lhe ir\u00e1; pois se lhe far\u00e1 o que as suas m\u00e3os fizeram&#8221; Is. 3:10,11. O esp\u00edrito de Deus desceu sobre o local e mim, com tal poder, que eu parecia mais uma bateria a descarregar sobre eles as minhas muni\u00e7\u00f5es. Durante mais de uma hora, talvez hora e meia, a palavra de Deus passou por mim em dire\u00e7\u00e3o a eles de tal forma que podia observar como devastava tudo \u00e0 sua frente, levando tudo o que encontrava. Era como fogo e martelo a quebrar rocha nos seus cora\u00e7\u00f5es. A espada estava cortante e afiada, dividindo alma e esp\u00edrito logo ali. Eu via uma convic\u00e7\u00e3o geral a alastrar-se sobre toda aquela congrega\u00e7\u00e3o de gente. Muitos deles nem sequer conseguiam erguer as suas cabe\u00e7as mais. Nessa noite n\u00e3o cedi perante eles, n\u00e3o lhes pedindo ali ainda uma revers\u00e3o da decis\u00e3o da noite anterior, nem sequer apontando ou fornecer pistas para um novo caminho. Eu assumi diante deles que eles estariam em desaven\u00e7a comprometida contra Deus, contra Ele diretamente. Lidei com eles como inimigos de Deus declarados e ajuramentados. Logo, marquei outra reuni\u00e3o e despedi a congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme as pessoas se iam retirando, apercebi-me duma senhora nos bra\u00e7os duns amigos seus, suportando-a, num canto da sala. Dirigi-me para l\u00e1 tentando saber o que se passava, pois pensava que estaria a desmaiar por doen\u00e7a ou algo assim. Logo descobri que ela n\u00e3o estava prestes a desmaiar, mas que n\u00e3o conseguia falar uma palavra. Tinha uma express\u00e3o de uma enorme ang\u00fastia refletida na sua face e fez-me entender gestualmente que n\u00e3o tinha como me falar mais. Aconselhei as senhoras a levarem-na para casa, orarem com ela a ver o que Deus faria. Logo trataram de me transmitir que ela era a Sra. G&#8211;, a irm\u00e3 dum pregador muito conhecido como mission\u00e1rio e que ela seria um membro fiel daquela igreja, bem comportada. Naquela noite n\u00e3o fui para os meus aposentos, mas aceitei um convite para casa duma fam\u00edlia com a qual nunca havia estado. Cedo, na manh\u00e3 seguinte, fui informado que v\u00e1rias pessoas durante toda aquela noite mandaram e foram-me procurar onde morava, porque haveria muita gente muito perturbada de esp\u00edrito e em busca de paz com Deus. Isto levou-me a passar tempo com pessoas por quem eu passava que estavam sob uma convic\u00e7\u00e3o de pecado madura, bastante alarmados com o estado pecaminoso da sua alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de haver estado num estado completamente mudo durante dezesseis horas, a boca da Sra. G&#8211; abrira-se e uma nova can\u00e7\u00e3o lhe havia sido dada. Ela havia sido resgatada daquele lago de lama movedi\u00e7a e sido plantada na Rocha Firme. Muitos viram aquela ocorr\u00eancia e temeram. Isso proporcionou um aut\u00eantico vendaval de busca interior entre todos os membros da igreja. Ela declarou publicamente que havia estado completamente enganada at\u00e9 ent\u00e3o, que h\u00e1 oito anos era membro da igreja e que cria piamente que era crente. Mas durante aquele serm\u00e3o da noite anterior viu como afinal nunca havia conhecido o verdadeiro Deus. E quando o verdadeiro car\u00e1ter de Deus emergiu diante de seus olhos da forma que lhe havia sido apresentada, usando as suas pr\u00f3prias palavras, as suas &#8220;esperan\u00e7as desvaneceram desde logo como fumo&#8221;. Ela disse que tal vis\u00e3o panor\u00e2mica da santidade de Deus lhe havia sido apresentada, que como uma nuvem grossa, envolveu-a ali onde se encontrava, para aniquilar tudo aquilo em que baseava as suas esperan\u00e7as. Foi assim que ficou muda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descobri naquele local muitos homens e mulheres de boa reputa\u00e7\u00e3o, considerados justos e em alta estima pela comunidade inteira. Um deles era um guarda num hotel da vila; outros eram homens respeit\u00e1veis, conhecidos por terem uma intelig\u00eancia acima da m\u00e9dia. Mas todos estes se juntaram em un\u00edssono contra aquele avivamento. Assim que me certifiquei qual o terreno onde se agruparam, onde se fortaleciam suas resist\u00eancias, preguei um serm\u00e3o com a finalidade expressa de ir de encontro \u00e0s suas necessidades. Sabia que no Domingo todos iriam assistir ao culto. Sustentei-me neste texto da Escritura: &#8220;Espera-me um pouco, e mostrar-te-ei que ainda h\u00e1 raz\u00f5es a favor de Deus. De longe trarei o meu conhecimento, e ao meu criador atribuirei a justi\u00e7a&#8221; J\u00f3 36:2,3. Passei todo o seu terreno de seguran\u00e7a a pente fino, daquilo que entendia das suas posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas resistentes e Deus permitiu que conseguisse dar uma total limpeza nas suas muitas falsas esperan\u00e7as. Assim que despedi a reuni\u00e3o, aquele guarda do hotel logo se aproximou de mim, sendo ele o principal l\u00edder dos opositores e de forma franca e honesta, pegou em minha m\u00e3o e disse: &#8220;Sr. Finney, estou convencido. Voc\u00ea correspondeu a todas as minhas quest\u00f5es e dificuldades. Agora quero que venha comigo para minha casa, pois quero muito conversar consigo. N\u00e3o mais ouvi falar da sua oposi\u00e7\u00e3o e infidelidade e, se bem me recordo, toda aquela multid\u00e3o de opositores se converteram rapidamente, ou quase todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia ali um homem velho, o qual n\u00e3o era um \u00edmpio, mas sim um grande promotor da religi\u00e3o. Ele enfureceu-se extremamente contra o movimento de avivamento. Eu ouvia-o blasfemar e acometer-se de viva voz contra a obra de Deus, mas n\u00e3o tomei nota das suas crueldades. Ele recusava-se a participar numa singular reuni\u00e3o. Mas no meio da sua infidelidade brusca, quando aquele entusiasmo estava no auge, estando assentado na sua cadeira de manh\u00e3, ele caiu dela, entrando num estado de apoplexia. O m\u00e9dico foi desde logo chamado, o qual lhe deu a entender ali mesmo que pouco tempo de vida lhe restaria. Se tivesse algo a dizer, que usasse logo o tempo que lhe restava ainda. A \u00fanica coisa que ele conseguiu ainda dizer foi: &#8220;N\u00e3o deixem que o Finney ore sobre o meu cad\u00e1ver!&#8221; Este foi o \u00faltimo f\u00f4lego de oposi\u00e7\u00e3o naquele local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante esse avivamento, a minha aten\u00e7\u00e3o havia mais tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto estava naquele lugar, uma tarde, um irm\u00e3o crente veio ter comigo com o pedido que fosse visitar a sua irm\u00e3, a qual estava perdida no consumo de \u00e1lcool e era Universalista. Tamb\u00e9m o seu marido era Universalista e havia sido ele quem a levara a tal f\u00e9. Pediu-me que n\u00e3o a fosse visitar quando o marido l\u00e1 estivesse, porque temia que ele fosse agressivo comigo. Ele estava determinado a que ningu\u00e9m conseguisse perturbar a mente da sua esposa Universalista a n\u00e3o ser com a quest\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o universal. Fui visit\u00e1-la e descobri que n\u00e3o descansava em conforto na sua esperan\u00e7a universalista. Apegou-se ao evangelho de imediato entregando-se a Cristo. Creio mesmo que permaneceu firme at\u00e9 ao fim da sua vida. \u00c0 noite, seu marido chegando a casa, soube atrav\u00e9s dela mesmo o que se havia passado. Ele enfureceu-se em demasia clamando que &#8220;Vou matar o Finney!&#8221;. Ao que vim a saber, armou-se com uma pistola carregada e foi para o sal\u00e3o de culto com o intuito de me matar. Aquele sal\u00e3o de culto estava a abarrotar, quase que em sufoco para todos ali presentes. Eu preguei com todo o meu fulgor e poder. A meio da minha prega\u00e7\u00e3o notei que um homem forte, mais ou menos a meio do sal\u00e3o, ca\u00eda da sua cadeira. Ele afundou-se de joelhos clamando e gritando que estava a cair no inferno. Repetiu tal coisa por v\u00e1rias vezes, sendo um estranho para mim, no entanto seria conhecido de todos por ali. Penso mesmo que nunca o havia visto antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era de esperar que tudo aquilo criasse um certo grau de excita\u00e7\u00e3o pela sala toda. Aquela situa\u00e7\u00e3o quebrou o meu falar e t\u00e3o grande era a sua agonia vis\u00edvel que passamos o resto da noite orando por ele. Assim que aquela reuni\u00e3o foi desfeita, os seus amigos carregaram-no para casa. Na manh\u00e3 seguinte perguntei sobre ele e vim a saber que passara uma noite sem dormir e sem descanso poss\u00edvel, que pela manh\u00e3 sa\u00edra dali e ningu\u00e9m sabia para onde. S\u00f3 perto das dez horas da manh\u00e3 \u00e9 que se ouviu falar dele novamente. Eu estava passando pelo bosque e viu-o vir a uma certa dist\u00e2ncia da vila. Estava do outro lado da rua quando o vi pela primeira vez, vindo rapidamente em minha dire\u00e7\u00e3o. Assim que me reconheceu saiu para me cumprimentar. Quando se aproximou o suficiente para que eu o pudesse ver melhor, havia um brilho de luz na sua cara. Disse-lhe: &#8220;Bom dia Sr. C&#8211;&#8220;. &#8220;Bom dia&#8221;, respondeu-me. &#8220;E como est\u00e1 o senhor hoje?&#8221;, perguntei-lhe. &#8220;Olhe, n\u00e3o sei bem o que se passa comigo&#8221;, respondeu-me. &#8220;Tive uma noite muito perturbada e como n\u00e3o podia orar ali dentro de casa, pensei que para estar s\u00f3 onde pudesse dar largas \u00e0 minha alma e voz, devia ir para o bosque orar de manh\u00e3. Mas quando l\u00e1 cheguei n\u00e3o conseguia orar uma palavra. Pensei que podia entregar-me a Deus ali, mas era-me imposs\u00edvel. Tentei v\u00e1rias vezes e cheguei ao desespero. Finalmente vi que de nada me valia continuar a tentar e retorqui ao Senhor que achava que estaria irremediavelmente perdido; que j\u00e1 n\u00e3o tinha como orar a Ele; n\u00e3o tinha cora\u00e7\u00e3o para me arrepender; que me havia endurecido de tal forma que n\u00e3o conseguia mais entregar meu cora\u00e7\u00e3o a Ele; assim deveria deixar tudo em Suas m\u00e3os, para que me dissesse o que fazer. Eu estava \u00e0 Sua merc\u00ea e n\u00e3o podia mais objetar contra a Sua coer\u00eancia para comigo, que fizesse como muito bem merecia e parecesse a Seus olhos, porque eu n\u00e3o tinha mais nenhum argumento a meu favor. Deixei que fosse Ele a decidir sobre a minha condena\u00e7\u00e3o ou salva\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Ent\u00e3o, que aconteceu depois?&#8221; Ele prosseguiu: &#8220;Bem, eu descobri que havia perdido toda a minha convic\u00e7\u00e3o de pecado e tormento de consci\u00eancia naquele momento. Levantei-me e vim-me embora e achei a minha mente t\u00e3o serena que pensei que tivesse sido abandonado por completo pelo Esp\u00edrito de Deus e que nunca mais chegaria \u00e0 convic\u00e7\u00e3o do pecado que perdera. Mas quando vinha para c\u00e1, vi o senhor Finney e o meu cora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a queimar como uma bola de fogo em mim e em vez de o evitar, senti-me instantaneamente compelido a vir ter consigo para lhe falar&#8221;. Devo dizer que quando este senhor veio ter comigo, ergueu-me do ch\u00e3o, rodou sobre si de alegria uma ou duas vezes comigo no ar, e depois de me colocar no ch\u00e3o de novo, falou comigo naquelas palavras. Depois de mais um dedo de conversa abandonei-o por ali. Pouco tempo depois entrou num estado de esp\u00edrito de esperan\u00e7a sem fim, creio. Nunca mais se ouviu falar da sua oposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui neste lugar tornei a ver o Papai Nash, o homem que orava com os seus olhos abertos, que orou assim na reuni\u00e3o do Presbit\u00e9rio no dia que fui licenciado a pregar. Depois de haver l\u00e1 estado, os seus olhos inflamaram-se de doen\u00e7a e durante muitas semanas a fio foi mantido num quarto escuro. N\u00e3o conseguia nem ler nem escrever e conforme cheguei a saber, entregou-se inteiramente \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Ele experimentou uma total mudan\u00e7a em toda a sua vida evang\u00e9lica. Algum tempo depois recuperou a sua vista, mas atrav\u00e9s dum duplo v\u00e9u; vagueou num mundo perdido em busca de almas perdidas desde ent\u00e3o. Assim que apareceu em Evans&#8217;Mills ele estava cheio do poder da ora\u00e7\u00e3o. Era outro homem por inteiro, nada tinha da sua vida pastoral anterior. Descobri que levava com ele uma lista de pedidos de ora\u00e7\u00e3o, como ele pr\u00f3prio a chamava, onde estavam escritos v\u00e1rios nomes de pessoas por quem se punha a orar v\u00e1rias vezes ao dia. Estando tanto a orar com ele, ou mesmo ouvi-lo orar apenas num culto ou reuni\u00e3o, logo desvend\u00e1vamos o grande dom que este homem possu\u00eda, o tipo de f\u00e9 que exultava, sendo quase miraculosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia um homem, dono duma taberna, de nome D&#8211;, numa das esquinas daquela vila, onde muitos homens \u00edmpios se juntavam em assembl\u00e9ia como opositores do avivamento. Era local de blasf\u00eamias predileto de todos os homens \u00edmpios dali e este dono de taberna era o homem mais profano que se podia imaginar, abusivo e inculto. Ele esfor\u00e7ava-se em demasia para sair \u00e0 rua com o intuito de se opor \u00e0 obra de Deus reavivada, praguejava quando passava por um crente. Um dos convertidos jovens vivia quase de frente. Disse-me ele que pretendia mudar dali a sua habita\u00e7\u00e3o, porque sempre que sa\u00eda e D&#8211; o via, ele tamb\u00e9m sa\u00eda da sua taberna para praguejar contra ele, blasfemando mesmo, usando de tudo para ter como o ferir sentimentalmente. Penso que ele nunca at\u00e9 ali, havia estado em qualquer das nossas reuni\u00f5es. Est\u00e1 claro que nada entendia das verdades do evangelho e desprezava por inteiro todo aquele empreendimento crente que ali se expandia fortemente. Papai Nash ouviu-nos dizer que este homem D&#8211;, era de fato osso duro de roer e incluiu-o desde logo na sua lista de ora\u00e7\u00e3o. Permaneceu por ali mais um dia ou dois e seguiu o seu caminho tendo em vista outro campo mission\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o muitos dias depois, estando n\u00f3s ocupados numa grande reuni\u00e3o de gente, sobrelotada, quem apareceria por ali sen\u00e3o o senhor D&#8211;? A sua entrada naquela sala provocou um movimento absurdo entre os presentes. As pessoas temiam que o homem viesse provocar e causar desacatos intermin\u00e1veis. O aborrecimento da sua presen\u00e7a era palp\u00e1vel entre toda a gente que cria. Mal entrou, algumas pessoas ergueram-se e sa\u00edram. Eu conhecia-o de vista e ia mantendo um olho nele. Logo percebi que ele n\u00e3o viera ali para se opor, mas sim para ouvir, porque se achava em grande ang\u00fastia de esp\u00edrito. Sentou-se pesadamente em todo o seu assento e estava muito desconfort\u00e1vel diante das pessoas. Levantou-se e em tremedeira pediu-me para dar uma palavrinha a todos ali presentes. Consenti. Da sua boca saiu uma das maiores e mais quebrantadas confiss\u00f5es a que assisti em toda a minha vida. Toda a sua confiss\u00e3o abrangia o vasto terreno de todos os males que executou e perpetrou contra Deus, crentes e avivamento religioso e de tudo o que era bom, dizia. Esta cena quebrantou todos os cora\u00e7\u00f5es ali presentes. Foi a melhor arma que Deus poderia ter usado naquele momento, para que a Sua obra se espalhasse com furor e poder. O senhor D&#8211;, logo de seguida veio professar uma esperan\u00e7a dentro de si, experimentando-a mesmo, destituiu toda a rebeldia e blasf\u00eamia, e o seu estabelecimento e em vez de ser taberna, transformou-se em lugar para reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o todas as noites durante todo o tempo que l\u00e1 estive presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO VI &#8211; AVIVAMENTO EM EVANS&#8217; MILLS E SEUS RESULTADOS ESPEC\u00cdFICOS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A uma pequena dist\u00e2ncia de Evans&#8217;Mills havia um colonato de alem\u00e3es, onde havia uma pequena igreja com muitos presb\u00edteros, muitos membros, mas sem pastor e conseq\u00fcentemente sem reuni\u00f5es. Uma vez por ano tinham por h\u00e1bito importar um ministro de Mohawk Valley para administrar as ordenan\u00e7as do Batismo e Santa Ceia local. Este ministro fornecia tamb\u00e9m a catequese e recebia como membros da igreja aqueles que em seu entender estivessem aptos a ser aceites como tal. Era essa a maneira como as pessoas eram tornadas crentes, sem arrependimento. Era esperado apenas que preenchessem uns certos requisitos e conhecimentos sobre o catecismo, tivessem capacidade de responder a umas certas perguntas sobre doutrinas espec\u00edficas e seriam assim admitidos como membros efetivos e comungantes da sua igreja. Depois de se tornarem membros da igreja, todos manifestavam em incerteza de esperan\u00e7a, uma grande libertinagem assumindo que estariam salvos, que tudo assim estaria muito bem com eles. Era esta a organiza\u00e7\u00e3o daquela igreja continuadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ao misturarem-se com os acontecimentos em Evans&#8217;Mills, logo me vieram requisitar para pregar ali tamb\u00e9m. Consenti e o primeiro serm\u00e3o que entreguei foi sobre o texto B\u00edblico &#8220;sem a santifica\u00e7\u00e3o ningu\u00e9m ver\u00e1 Deus&#8221;. Aquele colonato encheu o sal\u00e3o da escola ao rubro da sua capacidade. Todos eles entendiam bem o ingl\u00eas. Comecei por mostrar-lhes o que santidade n\u00e3o \u00e9. Sob este cabe\u00e7alho, peguei em tudo aquilo que eles pensavam e criam seria a religi\u00e3o, revelando que nada daquilo seria santidade. Em seguida mostrei aquilo que santidade \u00e9 de fato, para depois o que significam as palavras &#8220;ver Deus&#8221;. Em seguimento l\u00f3gico do meu discurso, logo lhes mostrei porque raz\u00e3o ningu\u00e9m teria como ver o Senhor sem a santidade e sem todos os requisitos morais e verdadeiros exigidos por Ele, os quais eles n\u00e3o preenchiam e que por essa raz\u00e3o nenhum deles poderia sequer aspirar a vir a ser admitido em Sua presen\u00e7a real, nem t\u00e3o po\u00e7o serem aceites por Ele como estavam. Conclu\u00ed ent\u00e3o, fazendo uns apontamentos pessoais e pr\u00e1ticos para aplicar diretamente a todos aquilo que ali estaria a ser discutido. E a mensagem penetrou de fato, corroborada pelo poder do Esp\u00edrito Santo, encaixando-se e alojando-se profunda e efusivamente em seus cora\u00e7\u00f5es enganados pela doutrina. A espada de Deus cortava-os e dilacerava-os da esquerda para a direita e da direita para a esquerda sem lhes dar op\u00e7\u00e3o de fuga poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em poucos dias descobriu-se que todo o colonato estava sob uma forte convic\u00e7\u00e3o de pecado. Os presb\u00edteros daquela igreja estavam inteiramente consternados, pressionados pela convic\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinham nada de santos neles. A pedido seu, foi promovido um culto especial de inqu\u00e9rito e resposta, para que inquiridores angustiados achassem oportunidade de questionar e obter respostas para o seu estado de esp\u00edrito. Isto sucedeu mais ou menos na \u00e9poca das colheitas. Marquei aquela reuni\u00e3o para a uma da tarde e encontrei a casa lotada at\u00e9 n\u00e3o caber l\u00e1 mais ningu\u00e9m. Tomei lugar no centro da sala, pois n\u00e3o tinha outra forma andar pelo meio deles. Perguntei coisas e encorajei-os a fazerem o mesmo a mim. Notava-se um brilhante interesse em seus semblantes, o que os levou a terem uma grande liberdade tanto de inqu\u00e9rito como de resposta. Muito poucas vezes atendi uma reuni\u00e3o com tanta avidez de esp\u00edrito como esta, nem mais proveitosa. Recolho da minha mem\u00f3ria que uma senhora chegou tarde \u00e0quela reuni\u00e3o de esclarecimento, assentando-se \u00e0 porta. Quando lhe dirigi a palavra disse-lhe: &#8220;A senhora n\u00e3o tem aspecto de estar de boa sa\u00fade&#8221;; ao que me respondeu: &#8220;\u00c9 verdade, estou de fato doente e estava mesmo de cama at\u00e9 \u00e0 hora da reuni\u00e3o. Mas eu n\u00e3o sei ler; queria tanto ouvir e saber da palavra de Deus que me levantei e vim ouvir&#8221;. &#8220;Como \u00e9 que veio?&#8221; &#8220;Vim a p\u00e9 at\u00e9 aqui&#8221;. &#8220;A que distancia vive daqui?&#8221; &#8220;N\u00f3s agora dizemos tr\u00eas milhas&#8221;. Sob inqu\u00e9rito descobri que estava sob convic\u00e7\u00e3o de pecado e que estaria muito preocupada com a sua posi\u00e7\u00e3o e car\u00e1ter desconfort\u00e1vel diante de Deus. Minha esposa havia-me dito que esta senhora era uma das pessoas de maior beleza na ora\u00e7\u00e3o, citando muitas passagens das Escrituras quando orava, mais do que qualquer outra pessoa que sabia ler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo de seguida, dirigi as minhas palavras para uma senhora de belo aspecto, alta, perguntando qual o seu estado de esp\u00edrito. Respondeu-me muito rapidamente que havia entregue seu cora\u00e7\u00e3o a Deus e que o pr\u00f3prio Deus a havia ensinado a ler assim que se convertera. Perguntei-lhe a que se referia, duvidosamente. Disse-nos que nunca aprendera a ler e que n\u00e3o sabia distinguir as letras do alfabeto. Mas assim que entregara seu cora\u00e7\u00e3o a Deus, estava intensamente preocupada e atribulada que n\u00e3o sabia como ler as Escrituras para delas se instruir e alimentar sendo que pudesse vir a ser ensinada por Ele sobre a verdade. Disse mais: &#8220;Pensei que o Senhor Jesus teria como me ensinar a ler e pedi-Lhe se, por favor, n\u00e3o me podia ensinar a ler a Sua palavra&#8221;. Assim que Lhe fiz aquele pedido, tive a sensa\u00e7\u00e3o de que sabia ler. As crian\u00e7as tinham um Novo Testamento do qual liam e fui l\u00e1 e peguei deles. Comecei a ler e fui perguntar \u00e0 senhora professora se estava a ler direitinho. Ela me disse que sim. Desde ent\u00e3o sei ler a Palavra de Deus. Agora posso ler a Palavra de Deus por mim mesmo&#8221;, exultou finalmente. Eu nada mais disse sobre o assunto, naquele momento. Pensei que algo de errado havia ali, mas como a senhora me falava dum modo s\u00e9rio e seguro, sendo uma mulher inteligente mesmo, fui mais tarde inquirir dos seus vizinhos sobre ela. Davam largas aos elogios sobre o seu car\u00e1ter e finalmente me afirmaram que ela era muito conhecida por n\u00e3o saber ler uma palavra sequer at\u00e9 ao dia em que se converteu. Eu deixo aqui este assunto para que transmita a sua mensagem por ele mesmo. N\u00e3o existem teorias de envolvimento aqui. Estes, tenho a plena certeza, foram os fatos por mim apurados. O avivamento entre este colonato alem\u00e3o resultou na convers\u00e3o integral de toda aquela igreja e na quase totalidade dos seus habitantes. Foi dos avivamentos mais interessantes que pude identificar e a que tive o privil\u00e9gio de assistir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi enquanto laborava neste avivamento que o Presbit\u00e9rio me chamou para ser ordenado, o que fizeram tamb\u00e9m. Ambas as igrejas haviam sido fortalecidas grandemente, de tal modo que logo de seguida constru\u00edram cada qual uma igreja em pedra por causa do grande n\u00famero de pessoas que se iam convertendo quase sistematicamente. Creio mesmo que desde ent\u00e3o obtiveram um consider\u00e1vel estado de esp\u00edrito saud\u00e1vel e duradouro. N\u00e3o permaneci ali por muitos anos. Fiz quest\u00e3o de narrar apenas alguns fatos substanciais destas santas ocorr\u00eancias ligadas a estes avivamentos reais. Mas posso ainda esclarecer que um sadio esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o prevaleceu entre os crentes de fibra, com uma grande unidade de sentimento entre eles. Aquela pequena igreja em Evans&#8217;Mills, recuperou depois daquele serm\u00e3o da noite de conluio e de decis\u00e3o contra suas almas, quando se comprometeram contra Deus. Eles haviam sido dispersos e jogados pela incoer\u00eancia de suas consci\u00eancias, achando-se desanimados e desmotivados, aturdidos em confus\u00e3o mesmo. Mas pegaram nas r\u00e9deas de suas vidas o melhor que podiam e empreenderam grande labor. Duma quadrilha f\u00fatil e quebrantada, sem esperan\u00e7as nem expectativas de maior, desenvolveram-se em conhecimento profundo do Senhor Jesus Cristo durante todo o tempo que o avivamento durou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Senhora alem\u00e3 da qual falei, a que estava enferma \u00e0 porta da reuni\u00e3o de esclarecimento, juntou-se \u00e0 Igreja Congregacional. Eu estava presente quando foi admitida como membro efetivo da igreja. Um estranho efeito deu-se quando esta senhora relatou a sua experi\u00eancia com Deus. Havia uma certa senhora idosa de Israel de nome S&#8211;, a qual pertencia \u00e0quela igreja. Era uma senhora muito piedosa. Est\u00e1vamos assentados h\u00e1 muito, ouvindo a narra\u00e7\u00e3o integral do seu testemunho pessoal, uma hist\u00f3ria atr\u00e1s da outra. Foi uma daquelas narrativas mais simples, mais interessantes que eu ouvira at\u00e9 ent\u00e3o, como crian\u00e7a o faria. Enquanto prosseguia na sua narrativa, observei como a Sra. S&#8211; se ergueu do seu lugar, estando aquela igreja repleta de gente, movimentou-se com alguma dificuldade em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 senhora que expunha as suas experi\u00eancias com Deus, enquanto esta falava. Eu supus que ela se iria dirigir para a porta, mas n\u00e3o. Estava t\u00e3o ocupado no escutar daquela narra\u00e7\u00e3o, que mal me apercebi da movimenta\u00e7\u00e3o da Sra. S&#8211;. Assim que chegou perto da senhora alem\u00e3, a qual relatava a sua experi\u00eancia ainda, atirou-se ao seu pesco\u00e7o e envolveu-a num abra\u00e7o carinhoso e rebentou em l\u00e1grimas e disse: &#8220;Que Deus a aben\u00e7oe, minha querida irm\u00e3!&#8221; A senhora correspondeu com todo o seu cora\u00e7\u00e3o. Tal cena deu-se t\u00e3o naturalmente, t\u00e3o infantilmente, t\u00e3o inesperadamente, t\u00e3o pouco premeditadamente, que toda a congrega\u00e7\u00e3o se derreteu em l\u00e1grimas. Choraram efusivamente uns sobre os ombros dos outros. Foi uma cena t\u00e3o ordeira, t\u00e3o emocionante que me ser\u00e1 imposs\u00edvel transcrev\u00ea-la aqui em palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pastor da igreja Baptista local e a minha pessoa, raramente nos encontr\u00e1vamos, mesmo quando assist\u00edamos a um culto juntos. Ele pregava l\u00e1 metade do tempo, eu a outra metade e por conseq\u00fc\u00eancia quando ele pregava eu estaria ausente e vice-versa. Ele era um homem bondoso e trabalhou arduamente para contribuir para o avivamento. As doutrinas que eu pregava, eram aquelas que eu sempre preguei como o evangelho de Cristo. Insisti na deprava\u00e7\u00e3o moral volunt\u00e1ria daqueles que estavam por regenerar ainda; numa mudan\u00e7a dr\u00e1stica, voluntariosa e radical de cora\u00e7\u00e3o e comportamento geral ativado pelo Esp\u00edrito Santo de forma real e caracter\u00edstica pelas armas e meios indispens\u00e1veis de qualquer verdade. Coloquei bastante \u00eanfase no fato de a ora\u00e7\u00e3o absoluta e integra ser sempre uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a promo\u00e7\u00e3o de Vida em avivamento cont\u00ednuo. A doutrina da reconcilia\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, a Sua divindade, a Sua miss\u00e3o divina, a Sua vida de perfei\u00e7\u00e3o, a Sua morte, ressurrei\u00e7\u00e3o, arrependimento, f\u00e9, justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9, junto com outras tais doutrinas eram devidamente elaboradas, pregadas e logo de seguida aplicadas com singular destreza para que &#8220;chegassem a casa&#8221;, isto \u00e9, que chegasse e penetrasse tanto no cora\u00e7\u00e3o como na vida individual das pessoas. N\u00e3o deixava nenhuma verdade \u00e0 solta no ar, pois todas eram devidamente aplicadas dirigidas e as pessoas eram devidamente confrontadas com a sua responsabilidade pessoal. Tudo era poderosamente confirmado na elabora\u00e7\u00e3o e poder do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os m\u00e9todos usados eram simplesmente pregar, ora\u00e7\u00e3o intensa e confer\u00eancias para interrogat\u00f3rio m\u00fatuo, muita ora\u00e7\u00e3o individual e personalizada muito direcionada mesmo, muita conversa individual, como tamb\u00e9m reuni\u00f5es para inquiridores angustiados. Nenhuns outros meios eram usados por mim. N\u00e3o havia quaisquer sinais de fanatismo, esp\u00edrito de confronto, intemperan\u00e7a, divis\u00f5es, divisionismos. Nem houve ali, de tudo aquilo que tomei conhecimento, nada do que nos pud\u00e9ssemos lamentar como resultado daquele avivamento e nenhuma das suas caracter\u00edsticas tinha qualquer efeito question\u00e1vel do ponto de vista racional, \u00e9tico, controverso emocionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 falei de casos concretos de oposi\u00e7\u00e3o a este avivamento. Numa circunstancia espec\u00edfica, descobri que haviam-se preparado pessoas especificamente para uma oposi\u00e7\u00e3o e que estavam grandemente amargurados. Havia ali uma vasta \u00e1rea daquele condado, a que se chamaria de &#8220;distrito queimado&#8221;, para usar terminologia local. Uns anos antes havia-se dado ali algo parecido com um avivamento, mas que provou ser apenas algo a que chamaram de avivamento religioso mas que nunca havia sido. Era coisa espor\u00e1dica e ouvi mesmo relatos de haver-se tornado extravagante de car\u00e1ter de exibi\u00e7\u00e3o e excita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho como relatar a n\u00e3o ser pela boca de outros. Foi divulgado como resultado de avivamento real, mas que por fim deixou no ar a id\u00e9ia a pairar de que a religi\u00e3o era uma ilus\u00e3o mentirosa. Muita gente defendia esse ponto de vista, estando mesmo plenamente convictos de tal mentira pela extravag\u00e2ncia evidenciada. Tomando para eles como opini\u00e3o do que um avivamento se tratava, muitos sentiam-se no dever de contrapor a tudo o que se intitulasse de &#8220;avivamento&#8221;, justificadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descobri entre crentes locais algumas pr\u00e1ticas ofensivas e imorais, mais propensas a serem ridicularizadas por pessoas inteligentes, do que serem aceites como algo da envergadura e seriedade daquela Verdade que tem como salvar de fato. Como exemplo, vou citar um caso caricato de pervers\u00e3o. Todo aquele que professava a religi\u00e3o sentia um dever nele imprimido e uma obriga\u00e7\u00e3o peculiar de &#8220;testificar de Cristo&#8221;. Todos tinham de &#8220;carregar a sua cruz&#8221; e testemunhar em todas as reuni\u00f5es onde se encontrassem. Levantava-se um para dizer: &#8220;tenho aquele dever de fazer aquilo que ningu\u00e9m pode fazer por mim; tenho de confessar que a religi\u00e3o \u00e9 boa e eu n\u00e3o; assim testifico diante de todos que n\u00e3o a aprecio ainda neste presente momento; Nada tenho mais a dizer a n\u00e3o pedir que orem por mim&#8221;. Esta cena dava-se e uma outra pessoa levantava-se dizia tamb\u00e9m que &#8220;a religi\u00e3o \u00e9 coisa boa; n\u00e3o consigo ter prazer nela; n\u00e3o tenho mais nada para dizer; cumpro o meu dever em dizer isto; espero que todos orem por mim&#8221;. Seria assim que consumiam todo o tempo de culto e nada acima deste tipo de coment\u00e1rio e &#8220;suspense&#8221; estariam inerentes neles. Claro est\u00e1 que os \u00edmpios tinham como desporto ridicularizar quem fosse crente. Mas, na mentalidade p\u00fablica espalhou-se a certeza de que haveria que ser assim e nunca de outra maneira que se deveria encetar qualquer reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o ou culto mesmo. Era de fato algo repulsivo. Todos se sentiam no dever de &#8220;testemunhar&#8221;, sempre que qualquer oportunidade surgisse. Assim, senti-me no dever e obriga\u00e7\u00e3o de acabar com aquilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei por acabar com aquelas reuni\u00f5es cheias de seq\u00fcelas. Marquei reuni\u00f5es de culto apenas onde fosse apenas pregada a palavra de Deus. Quando nos reun\u00edamos, cant\u00e1vamos um hino, eu faria uma ora\u00e7\u00e3o, para logo de seguida chamar duas ou mesmo tr\u00eas pessoas a orar para que suas consci\u00eancias n\u00e3o os impedissem de ver a verdade. Nomeava-os especificamente. Lia um texto das Escrituras e falava durante algum tempo. Assim que via que as minhas palavras houvessem atingido algu\u00e9m, eu parava para lhes criar a impress\u00e3o que tinham de orar sobre aquilo especificamente para que seu cora\u00e7\u00e3o pudesse assimilar e associar-se \u00e0 verdade pelo Esp\u00edrito Santo. Prosseguia com a minha palestra para depois de pouco tempo parar para que mais um ou dois tivessem oportunidade de orar. Assim, desse jeito, prosseguia com a reuni\u00e3o n\u00e3o dando abertura aqueles irm\u00e3os para participarem da reuni\u00e3o em si. Assim, oravam sem estarem cativos em suas inapropriadas congest\u00f5es de consci\u00eancia torturada e triturada. Sentiam que assim n\u00e3o estariam a pecar por estarem a ser participativos no decorrer do culto. Por essa raz\u00e3o, muitas das nossas reuni\u00f5es n\u00e3o eram tabeladas de &#8220;reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o&#8221;. Como tais reuni\u00f5es eram tidas como especificas para serm\u00f5es, matava aquela expectativa de que todos tinham de se levantar para participarem. Foi assim que atrav\u00e9s da sabedoria de Deus pudemos nos sobrepor e vencer aquele estado de coisas rid\u00edculas. Um avivamento poderoso assegurou-se nesta localidade tamb\u00e9m e assim toda a oposi\u00e7\u00e3o dos \u00edmpios se detonou. Passei aqui em Antwerp cerca de seis meses, labutando em dois locais distintos ao mesmo tempo. No fim do tempo nada mais se ouvia de oposi\u00e7\u00e3o ao avivamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mencionei j\u00e1 o tipo de prega\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria que ali usufru\u00eda. Devo aqui acrescentar ainda que muito esfor\u00e7o foi gasto em instruir inquiridores ansiosos. A pr\u00e1tica corrente era, creio mesmo, universal, pondo os &#8220;ansiosos&#8221; a pedir e suplicar por um cora\u00e7\u00e3o novo n\u00e3o usando meios distintos para a sua convers\u00e3o espec\u00edfica. A convic\u00e7\u00e3o generalizada e conceituada era que queriam ser crentes e que se esfor\u00e7avam em convencer Deus a transform\u00e1-los. Tentei apenas insistir na verdade que era Deus quem estava a usar aqueles meios sobre eles e n\u00e3o eles sobre Deus; que Ele estaria sempre na disposi\u00e7\u00e3o de os converter ali e j\u00e1 e que seriam eles quem resistia e n\u00e3o Deus; que Deus estava pronto e fortemente preparado e que eles n\u00e3o. De forma resumida, tentava resumir o evangelho a uma f\u00e9 real e em tempo presente, tamb\u00e9m uma submiss\u00e3o radical \u00e0 vontade de Deus integral em tempo presente, uma instantaneidade na aceita\u00e7\u00e3o de Cristo e Seu evangelho para que fossem fazer a sua paz com Deus atrav\u00e9s de Jesus e que essa paz fosse real. Pressionava aquela quest\u00e3o de que qualquer atraso na sua convers\u00e3o, seria apenas mais uma evasiva de sua parte para n\u00e3o se submeterem \u00e0 vontade de Cristo; que toda a ora\u00e7\u00e3o ainda por um cora\u00e7\u00e3o novo, era um realce daquele fato inquestion\u00e1vel de estarem ainda a fugir \u00e0 responsabilidade pessoal da quest\u00e3o da sua pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o, colocando aquela responsabilidade sobre Deus e que todos os seus esfor\u00e7os em prol do dever sem uma convers\u00e3o efetiva e efetivada seriam formas incoerentes de hipocrisia da sua parte, iludidos pelo dever e culpabilizando Deus porque tentavam cumprir por eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante aqueles seis meses, andei de cavalo dum lado para o outro, de cidade em cidade, de vila em vila em todas as dire\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, pregando em todas aquelas ocasi\u00f5es que se me proporcionavam. Quando abandonei Adams, o meu estado de sa\u00fade havia-se degradado muito. Tossia bastante, cuspia sangue e estava, na opini\u00e3o de muitos amigos meus, prestes a morrer. O Sr. Gale censurou-me quando sa\u00ed de Adams porque pregava muito mais que uma vez por semana e sempre mais do que aquela meia hora de cada vez conforme me aconselhara. Mas em vez disso, eu visitava casas sem conta, atendia e promovia reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o, pregava diariamente tanto de noite como de dia durante toda aquela \u00e9poca. Mas, ao contr\u00e1rio de todas aquelas expectativas, antes mesmo que terminassem aqueles seis meses, o meu estado de sa\u00fade foi restabelecido por inteiro, meus pulm\u00f5es revigoraram e podia mesmo pregar duas horas seguidas ou mais ainda, sem sentir qualquer fatiga ou cansa\u00e7o, nem interior nem f\u00edsico. Penso que todos os meus serm\u00f5es teriam uma m\u00e9dia de duas horas, duas horas e meia cada. Pregava na rua, em celeiros, nos sal\u00f5es das escolas e um glorioso avivamento rejubilou e despontou em toda aquela vasta regi\u00e3o, mesmo recebendo muitos piropos pouco elogiosos de ministros do evangelho durante esta fase inicial do meu minist\u00e9rio, pois n\u00e3o se reviam na minha maneira peculiar de expor as verdades como eu as entendia do evangelho. J\u00e1 mencionei que o Sr. Gale me disse como se envergonhava de vir a ser tido como um pupilo seu. O fato era que toda a sua forma\u00e7\u00e3o era deficientemente, muito distinta da minha e por essa raz\u00e3o n\u00e3o aprovavam a minha maneira de participar ativamente na salva\u00e7\u00e3o das pessoas. Eu fazia muitas refer\u00eancias como par\u00e1bolas \u00e0s coisas comuns do dia a dia do homem comum, daqueles que me envolviam num dado momento e tal era continuamente a minha pr\u00e1tica coerente da maneira como entedia devia ser aplicado o evangelho ao cora\u00e7\u00e3o duro dos homens. Entre fazendeiros e granadeiros, mec\u00e2nicos e outras classes s\u00f3cias, eu tomava emprestado cenas do seu dia a dia, a partir da sua vida comum, dos seus afazeres normais e di\u00e1rios, para ter como ilustrar verdades reais e coerentes a eles. Fazia uso duma linguagem comum que todos entendiam. Conclu\u00eda tudo atrav\u00e9s de muito poucas palavras, \u00e9 verdade, mas em palavras de comum uso e usufruto com imediata aplica\u00e7\u00e3o responsabiliz\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes mesmo de me haver convertido, eu tinha em mim uma tend\u00eancia distinta desta. Eu aprendia a escrever e falar com linguagem muito ornamentada. Mas quando comecei por pregar o evangelho de Cristo, a minha mente apoderou-se duma certa ansiedade em ser entendido por todos os que me tivessem como ouvir. Era urgente e expediente ser bem entendido. Estudei vigorosamente para encontrar e descobrir meios de persuas\u00e3o que n\u00e3o fossem nem vulgares nem vulgarizados, mas tamb\u00e9m os quais fossem bem assimilados e que explanassem todos os meus pensamentos com a maior das simplicidades de linguagem, pois o alvo era ser entendido, salvar e n\u00e3o aceite pela opini\u00e3o publica. Esta maneira de ser e estar no p\u00falpito era opostamente agressiva \u00e0 id\u00e9ia comum entre o meio ministerial e as no\u00e7\u00f5es da altura, pois n\u00e3o aceitavam esta nova maneira de empreender e viver as verdades. A respeito das muitas ilustra\u00e7\u00f5es das quais fazia uso, muitos me perguntariam: &#8220;Porque n\u00e3o ilustra as coisas atrav\u00e9s dos eventos hist\u00f3rico-sociais duma maneira mais dignificante?&#8221; Ao que eu respondia sempre que quando trazia uma ilustra\u00e7\u00e3o que ocupava as mentes das pessoas, ent\u00e3o elas nunca davam nem a devida aten\u00e7\u00e3o, nem a import\u00e2ncia \u00e0 verdade que essas ilustra\u00e7\u00f5es pretendiam encerar e implantar nos cora\u00e7\u00f5es e nas vidas pessoais de cada um que me ouvia. Eu n\u00e3o tinha como objetivo que se lembrassem da ilustra\u00e7\u00e3o nem de mim, mas sim da verdade da ilustra\u00e7\u00e3o contida em si e em mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A respeito da simplicidade daquela linguagem da qual eu fazia uso inquestionavelmente, apenas me defenderia instigando que o meu objetivo n\u00e3o seria cultivar um certo estilo orat\u00f3rio que trovejasse acima das cabe\u00e7as das pessoas, mas, acima de tudo, que fosse bem entendido; fazia assim uso de todo o g\u00eanero de linguagem que melhor se adequasse \u00e0s circunstancias e alvos a atingir, o que nunca se tornou banal nem vulgar, mas demonstrou ser muito s\u00e1bio. Foi mais ou menos pela altura em que estava saindo de Evans&#8217;Mills que o nosso Presbit\u00e9rio se reuniu e eu compareci naquela reuni\u00e3o. Deixei nas m\u00e3os de irm\u00e3os todo o trabalho do avivamento, a pedido seu, e fui integrar-me nos trabalhos do Presbit\u00e9rio. Todos os irm\u00e3os do Presbit\u00e9rio estariam j\u00e1 muito bem informados do meu modo caracter\u00edstico de trazer a mensagem de Cristo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, mas mais aqueles que j\u00e1 me haviam ouvido falar. A reuni\u00e3o come\u00e7ou pela manh\u00e3, houve um intervalo para almo\u00e7o e quando nos reunimos pela tarde, uma multid\u00e3o de gente reuniu-se e encheu a casa. Eu n\u00e3o tinha a menor id\u00e9ia daquilo que os meus irm\u00e3os do Presbit\u00e9rio me haviam preparado. Por essa raz\u00e3o assentei-me no meio da multid\u00e3o e esperei at\u00e9 que a reuni\u00e3o fosse reiniciada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas logo que aquela assembl\u00e9ia parecia estar repleta, um daqueles irm\u00e3os levantou-se dizendo: &#8220;As pessoas reuniram-se aqui seguramente para ouvirem a prega\u00e7\u00e3o da palavra. Pe\u00e7o e fa\u00e7o quest\u00e3o que o Sr. Finney nos dirija a palavra&#8221;. Aquele pedido foi secundado e foi unanimemente aceite. Reparei por um momento que era a inten\u00e7\u00e3o dos meus irm\u00e3os do Presbit\u00e9rio porem-me \u00e0 prova, para ver se de fato eu teria a aud\u00e1cia de fazer o que me pediam de acordo com aquilo que de mim h\u00e1 muito haviam ouvido. Ergui-me sem qualquer prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, n\u00e3o fiz qualquer coment\u00e1rio, qualquer apologia, qualquer obje\u00e7\u00e3o nem qualquer sinal de que os ia agradar ou n\u00e3o cumprir o seu pedido. O meu cora\u00e7\u00e3o estava cheio e queria pregar a palavra. Tomei o meu lugar mas n\u00e3o atr\u00e1s do p\u00falpito, pequeno mas alto, pregado na parede. Andei dum lado para o outro no corredor abaixo do p\u00falpito, um pouco acima da multid\u00e3o. Nomeei o texto: &#8220;Sem santidade (santifica\u00e7\u00e3o) ningu\u00e9m ver\u00e1 Deus. O Senhor assistiu a Palavra pessoalmente. As pessoas estavam manifestamente interessadas e mostraram um grande interesse em tudo o que dizia. Eles foram imensamente tocados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, depois daquela reuni\u00e3o, um dos irm\u00e3os saiu da multid\u00e3o, veio ter comigo e disse: &#8220;Irm\u00e3o Finney, se o senhor por acaso passar pela nossa \u00e1rea, gostaria muito que o senhor pregasse em algumas das escolas dos nossos distritos. N\u00e3o gostaria muito que o senhor pregasse numa igreja. Mas que o fizesse nas escolas e sal\u00f5es sociais fora das vilas nas escolas do distrito. Gostava que o senhor pregasse por ali&#8221;. Estou apenas a mencionar este fato para fazer passar a id\u00e9ia daquilo que pensavam sobre a minha forma de pregar. Mas como estavam nas trevas sobre este assunto os meus irm\u00e3os! Eles queixavam-se que eu abatia aquela dignidade do p\u00falpito; que era uma desgra\u00e7a e desonra para o meio ministerial; que eu falava \u00e0s pessoas como um advogado na barra do tribunal; que eu era homem que falava de forma como se faria em col\u00f3quios; que eu usava muito a palavra referindo a primeira pessoa, isto \u00e9, &#8220;Voc\u00ea&#8221; em vez de &#8220;eles&#8221; como todos faziam quando mencionavam o pecado e o estado do pecador; que usava a palavra inferno de um jeito que fazia estremecer todos os que me ouviam; tamb\u00e9m ainda que insistia de tal modo a que as pessoas se convertessem logo ali, como se n\u00e3o tivessem mais um momento de vida \u00e0 sua frente; ou tamb\u00e9m que eu &#8220;batia&#8221; nas pessoas. Um doutor religioso uma vez disse-me que se sentia mais propenso a chorar do p\u00falpito com as pessoas do que a acus\u00e1-las assim t\u00e3o diretamente como eu o &#8220;fazia&#8221;. Eu retorqui apenas que discordava por inteiro, pois nada me admirava que ele assim procedesse devido ao tipo de doutrina a que ele se apegou; que se ele cria que as pessoas tinham a tal natureza heredit\u00e1ria e que o pecado n\u00e3o os deixaria nunca, que nada podiam fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade e assim n\u00e3o seria nada estranho que sugerisse pregar daquele jeito entregue \u00e0 mediocridade, pois cria que a culpa do pecador era de Deus e que os homens iam para o inferno por culpa de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas depois de haver j\u00e1 estado a pregar durante um consider\u00e1vel tempo, havendo o Senhor dado tanto o Seu aval como a Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o vis\u00edvel e inquestion\u00e1vel ao Labor em Seu Nome, tendo muitos trunfos para apresentar a meu favor, dizia aos outros homens do minist\u00e9rio os quais contendiam comigo sobre a minha forma agressiva de estar por tr\u00e1s do p\u00falpito e queriam a todo o custo que eu antes adotasse os seus m\u00e9todos, que se me mostrassem o fruto do seu labor, eu de bom grado os aceitaria. Se me conseguissem manifestar que aquele fruto do seu labor excedia o meu, n\u00e3o hesitaria em assumir que estava errado. &#8220;Mostrem um caminho mais excelente! Mostrem-me o fruto a exceder ou igualar a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus no meu labor; se me mostrarem que os vossos m\u00e9todos excedem em fruto aos meus, se o vosso jeito de pregar frutifica acima dos meus, adotarei desde logo qualquer um. Mas como podem esperar que abandone os meus m\u00e9todos e pr\u00e1ticas que aprendi do Senhor, quando nenhum de v\u00f3s pode apontar o erro em mim atrav\u00e9s do fruto da b\u00ean\u00e7\u00e3o manifesta, da quantidade de convertidos reais, de qualquer erro em que eu haja trope\u00e7ado, qualquer imperfei\u00e7\u00e3o a que me haja entregue, no meu pregar, na minha mensagem ou em qualquer outra coisa que me possam apontar distintamente? Como poder\u00e3o esperar de mim mudar aquilo que frutifica por aquilo que n\u00e3o frutifica? A minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 melhorar e aperfei\u00e7oar tanto quanto puder. Mas n\u00e3o poderei adotar a vossa maneira de trazer o evangelho, pois n\u00e3o trazem fruto e n\u00e3o revelam claramente nem onde est\u00e1 o meu erro nem onde est\u00e1 o vosso fundamento&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes houve queixumes que eu me repetia muitas vezes quando pregava porque eu agarrava num mesmo pensamento e virava-o de v\u00e1rias maneiras, de cima para baixo e da direita para a esquerda, de baixo para cima para que as coisas ficassem claras e aplic\u00e1veis. Bastava assim ao ouvinte estender a sua m\u00e3o \u00e0s verdades ali mesmo diante deles, aplicando-as ao seu cora\u00e7\u00e3o voluntariamente. Ilustrava tudo quanto enchia meu cora\u00e7\u00e3o, de v\u00e1rias maneiras, com v\u00e1rios par\u00e2metros e hist\u00f3rias da vida real. Assegurei que assim procedia para que fosse entendido e que os tesouros da verdade fossem postos a descoberto com a finalidade de que a m\u00e3o de quem os desejasse se estendesse de imediato para eles. Tamb\u00e9m lhes transmiti que n\u00e3o tinha porque abdicar dos meus m\u00e9todos, visto estes trazerem bastante fruto e sossego de esp\u00edrito. Eles respondiam que aquilo que eu dizia da maneira que falava, nunca iria interessar uma Congrega\u00e7\u00e3o culta e cultivada. Mas, todos os fatos acabaram por silenciar todos aqueles que se me oponham. Descobriam e viam que uma enorme classe de advogados, de ju\u00edzes e outros homens educados se convertiam \u00e0s centenas. Mas sob seus m\u00e9todos, nenhuma convers\u00e3o se dava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO VII &#8211; APONTAMENTOS ESPEC\u00cdFICOS SOBRE EDUCA\u00c7\u00c3O MINISTERIAL<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo o que os meus irm\u00e3os possam vir a pensar das minhas inten\u00e7\u00f5es sobre aquilo que agora vou escrever, que seja em conformidade com a verdade, que \u00e9 pura benevol\u00eancia naquilo que toca ao seu maior proveito na seara de Deus. Sempre recebi critica, bondosamente, n\u00e3o dando nada mais a n\u00e3o ser cr\u00e9dito a tudo aquilo que ouvia dizer sobre meu minist\u00e9rio. Agora sou um homem velho, meu labor frutificou, os resultados de toda a minha maneira de trabalhar est\u00e3o vis\u00edveis e s\u00e3o sobejamente conhecidos de todo o p\u00fablico. Agora \u00e9 que chegou a minha hora de falar a todos livremente sobre o meu minist\u00e9rio. V\u00e1rias vezes falei que um dia um juiz do Supremo tribunal se aproximou de mim dizendo: &#8220;Os ministros do evangelho n\u00e3o fazem uso do bom senso comum para endere\u00e7ar mensagens \u00e0s pessoas, pois temem repetir-se. Usam sempre uma linguagem que n\u00e3o \u00e9 conhecida nem entendida da grande parte do p\u00fablico que os escuta ainda. O alvo das suas mensagens n\u00e3o captam as \u00e1guas que derramam e distribuem. Escrevem num estilo elaborado demais, que se l\u00ea sem repeti\u00e7\u00e3o, o que nunca \u00e9 percebido pelo povo em geral. Se os advogados fizessem uso desta forma de expor seus casos na barra do tribunal, todos se arruinariam na defesa de seus casos. Quando eu ainda exercia o meu of\u00edcio de advogado, acreditava que tinha de me repetir quantas vezes quantas pessoas estivessem na posi\u00e7\u00e3o assumida de me ouvir na constitui\u00e7\u00e3o do jurado ali presente. Descobri que se n\u00e3o o fizesse assim, tudo muito bem ilustrado e repetido, acima de bem elaborado, se n\u00e3o volvesse todos os meus pontos de vista de cima para baixo e de baixo para cima, de todos os \u00e2ngulos prov\u00e1veis, de todos as aproxima\u00e7\u00f5es da lei e evid\u00eancia aceit\u00e1veis, perdia sempre a minha causa na barra do tribunal. O nosso maior objetivo \u00e9 sempre assegurar as mentes de quem \u00e9 jurado antes que deixem a sua tribuna para irem decidir sobre a justi\u00e7a dum caso espec\u00edfico. Se n\u00e3o fizermos uso duma linguagem acertada, que seja realmente compreendida e apreendida por todos mas nunca apenas parcialmente, se nunca evitarmos ilustra\u00e7\u00f5es acima da compreens\u00e3o para provocarmos que se arregalem os olhos a nosso respeito, se o nosso falar se limitar a um orat\u00f3rio mal entendido, se todos os jurados abandonarem assim a sala da barra, nunca ganharemos uma causa em tribunal de justi\u00e7a. A nossa \u00fanica inten\u00e7\u00e3o \u00e9 obter um veredicto. Por essa raz\u00e3o, se por acaso um dos jurados sair dali duvidando se est\u00e1 a cumprir a lei de fato, nunca ter\u00e1 liberdade de esp\u00edrito de decidir a nosso favor. Resumindo, se esperamos alcan\u00e7ar um qualquer veredicto que nos possa vir a ser favor\u00e1vel, logo e ali mesmo, de imediato, antes de abandonarem a sala, temos de ser bem entendidos por eles. Se sa\u00edrem dali convencidos, se nossos argumentos forem bem expl\u00edcitos, dificilmente perderemos uma causa desde que justa. Se todos os apontamentos singrarem em suas mentes, se nossos pensamentos forem donos da raz\u00e3o, porque se estragar\u00e1 tudo atrav\u00e9s da eloq\u00fc\u00eancia? Qual a finalidade de tudo aquilo ent\u00e3o, ganhar ou perder uma causa, ser bem visto pelas palavras que elaboramos e mal vistos por havermos perdido a causa em quest\u00e3o, ou bem vistos por que ganhamos a causa pela verdade e justi\u00e7a em tribunal? Temos de os convencer profundamente, pois sermos detentores da verdade n\u00e3o explicada n\u00e3o basta. Temos de nos sobrepor \u00e0s suas d\u00favidas. Temos de vencer e contrapor \u00e0 sua ignor\u00e2ncia das coisas. Teremos de vencer necessariamente o seu interesse contra nosso cliente; se todos os ministros b\u00edblicos fizessem isto tudo, os efeitos de toda a sua prega\u00e7\u00e3o seria muito distinta daquilo que vemos hoje. Eles entram nos seus escrit\u00f3rios e escrevem um certo serm\u00e3o, v\u00e3o para o seu p\u00falpito l\u00ea-lo, com palavras que poucos na audi\u00eancia entendem. Muitas das suas palavras nem sequer s\u00e3o entendidas pela grande maioria das pessoas, at\u00e9 que v\u00e3o para casa consultar um dicion\u00e1rio. Eles n\u00e3o manifestam claro interesse em converter e convencer ningu\u00e9m; apenas em se tornarem eloq\u00fcentes diante das pessoas. N\u00e3o esperam alcan\u00e7ar logo ali um veredicto a favor do Senhor Jesus Cristo, sem mais demoras! Nada disso \u00e9 o seu objetivo! Querem produzir-se para que pare\u00e7am bons oradores de palavreado que ningu\u00e9m entende. Todo o tipo de ornamento na linguagem os torna f\u00fateis e sem nada para argumentar a favor de Cristo em pessoa!&#8221; \u00c9 claro que aqui n\u00e3o poderei estar a transcrever literalmente todas as palavras daquele juiz, mas a substancia de tudo o que me disse foi esta, integralmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu nunca tratei nenhum de todos os meus irm\u00e3os com a rudeza com que me trataram in\u00fameras vezes em variad\u00edssimas circunst\u00e2ncias. Sabia que todos eles estavam ansiosos demais para me fazer aquilo que pensavam ser o bem. Queriam que eu fosse pender para o lado das suas opini\u00f5es. Mas Deus me guiou por outros caminhos. Sou diferente em opini\u00e3o. Poderia ilustrar muitos fatos relevantes consoante a quantidade de ministros que existem por este mundo fora. Quando pregava em Filad\u00e9lfia, um Dr&#8211;, aquele Professor temperamental de Connecticut, veio-me ouvir pregar. Ficou indignado pela maneira como assumi todo o p\u00falpito. Indignou-se porque, dizia ele, n\u00e3o dignificava nem de longe o meu posto. Falou majoritariamente com o Sr. Petterson, um homem que me apoiava na lavoura. Insistiu que nunca mais deveriam entregar-me nenhum p\u00falpito at\u00e9 que houvesse recebido uma melhor educa\u00e7\u00e3o ministerial; que deveria parar de pregar por uns tempos e ir para Princeton estudar teologia, colhendo ali melhores vis\u00f5es de dignificar o Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que nada deixe a impress\u00e3o pairar no ar que reconhe\u00e7o que apenas os meus m\u00e9todos ser\u00e3o perfeitos, pois n\u00e3o ser\u00e1 essa a inten\u00e7\u00e3o. Eu tenho plena consci\u00eancia que eu era pouco mais que uma crian\u00e7a em busca de maneiras de aplicar distintamente qualquer verdade com efeitos pr\u00e1ticos. Nunca tive qualquer privil\u00e9gio duma educa\u00e7\u00e3o superior \u00e0 deles. Tenho falta das tais qualifica\u00e7\u00f5es que me tornariam aceit\u00e1veis do ponto de vista do mundo ministerial e creio que duma grande parte daqueles que me ouvem. Por essa raz\u00e3o n\u00e3o ambicionava nada mais que entrar e penetrar nos acampamentos dos colonos por onde passava. At\u00e9 eu mesmo me surpreendi com aqueles resultados de aceita\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o das classes mais educadas da popula\u00e7\u00e3o em geral. Isso foi mais do que aquilo que esperava viesse a acontecer. Em tudo aquilo onde eu achasse erro na maneira de levar o evangelho, eu pr\u00f3prio me corrigia incessantemente. Mas quanto mais eu pregava, tanto menos raz\u00f5es me comprovavam que a dire\u00e7\u00e3o para onde me movimentava estaria errada. N\u00e3o me congratulo que sejam os meus irm\u00e3os ministros quem estejam errados. Quanto mais experi\u00eancia alcan\u00e7ava, tanto mais o fruto dos resultados eram aparentes e manifestos. Quantas mais classes de pessoas comigo conversavam, mais me convencia que seria assim que se deveria falar com as pessoas, pois por detr\u00e1s duma pessoa educada existe algu\u00e9m que \u00e9 pessoa tamb\u00e9m. Quantas mais classes de pessoas confrontava com a sua responsabilidade diante de Deus, tanto mais eu acreditava que de fato era Deus quem me guiava em metodologia simplista e simples. Digo que foi Deus quem me guiou porque de fato assim foi. Nunca obtive qualquer destas no\u00e7\u00f5es de qualquer homem. N\u00e3o poucas vezes pude exclamar como Paulo o fazia, que n\u00e3o consultei nem carne nem sangue, mas apenas aquele Esp\u00edrito de Cristo. Fui ensinado continuadamente pelo Senhor em in\u00fameras circunstancias peculiares a adotar certa metodologia que era vari\u00e1vel apenas nas circunst\u00e2ncias aplic\u00e1veis de Verdade; nunca da Verdade em si. Tenho estas coisas para vos transmitir meus irm\u00e3os, pois h\u00e1 muito que necessito esclarecer as mesmas para muitos. Falo disto como um dever de obriga\u00e7\u00e3o. Persisto naquela convic\u00e7\u00e3o com que comecei, que as escolas teol\u00f3gicas s\u00e3o os locais onde todos os ministros se degradam e onde aprendem muito do que n\u00e3o devem. Os ministros nos dias de hoje t\u00eam deveras muitas facilidades em preencher requisitos te\u00f3ricos de estudo, devido \u00e0 abund\u00e2ncia de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel. Eles s\u00e3o estudados demais, eloq\u00fcentes demais, no que toca a estudos hist\u00f3ricos, teol\u00f3gicos e B\u00edblicos, talvez mais do que nunca, mais do que em toda a era evang\u00e9lica e n\u00e3o s\u00f3. Contudo, com toda a sua experi\u00eancia, n\u00e3o sabem como usar os seus conhecimentos em prol da salva\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o em deteriora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da busca de benef\u00edcios advindos da sua eloq\u00fc\u00eancia. Nenhum homem tem como aprender a pregar sen\u00e3o pregando da maneira certa, para salvar. Se salvar, alcan\u00e7ou o seu principal objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas algo que muitos ministros necessitam deveras e urgentemente, \u00e9 um olho singular, preciso e apto a ver atrav\u00e9s daquela luz de cima. Se t\u00eam preenchido a reputa\u00e7\u00e3o de nutrir a apar\u00eancia humana perante as pessoas que os ouvem, tal ser\u00e1 o tipo de convertidos que alcan\u00e7ar\u00e3o. Poucos efeitos pr\u00e1ticos se alcan\u00e7ar\u00e3o em termos de eternidade. Muitos anos atr\u00e1s, um pastor muito amado que conhecia, adoeceu e deixou a seu p\u00falpito nas m\u00e3os enquanto esteve ausente. Este jovem escrevia e relatava serm\u00f5es esplendorosos do ponto de vista humano. Houve necessidade por parte daquele Pastor de lhe dizer: &#8220;Voc\u00ea prega acima das cabe\u00e7as de toda a gente. Eles nada entendem da sua linguagem, da linguagem das suas muitas ilustra\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea serve muito dos seus muitos estudos do p\u00falpito; as pessoas n\u00e3o s\u00e3o estudantes, mas sim pecadores perdidos no seu mundo&#8221;. Aquele jovem respondeu que era um jovem pastor \u00e0 procura dum estilo de prega\u00e7\u00e3o! &#8220;Quero cultivar um certo estilo que me fa\u00e7a ocupar de pleno direito todo o p\u00falpito duma congrega\u00e7\u00e3o educada. Eu n\u00e3o posso dar-me ao luxo de condescender mediante as pessoas que comp\u00f5em a sua congrega\u00e7\u00e3o. Almejo um certo estilo de prega\u00e7\u00e3o!&#8221; Mantenho um olho sobre toda a carreira ministerial deste jovem desde ent\u00e3o. Ainda n\u00e3o morreu, mas seu minist\u00e9rio ainda n\u00e3o foi falado at\u00e9 ao dia de hoje. N\u00e3o se ouve falar do seu nome conectado com qualquer labor de relev\u00e2ncia ministerial sequer. Nenhum avivamento est\u00e1 ligado ao nome deste jovem eloq\u00fcente em palavreado falso. Tamb\u00e9m nunca esperei que um dia viesse a estar ligado a uma qualquer obra aben\u00e7oada por Deus. Se este jovem n\u00e3o for radicalmente mudado, nada de bom ir\u00e1 produzir em termos de vida real. Posso mencionar muitos ministros por nome que ainda se encontram vivos, homens j\u00e1 velhos como eu o sou, que quando comecei a pregar se envergonhavam de mim por causa do dito celeuma de eu n\u00e3o &#8220;dignificar&#8221; o p\u00falpito, de usar linguagem &#8220;vulgarizada&#8221;, de me expressar para com as pessoas com tanta precis\u00e3o e t\u00e3o diretamente, n\u00e3o apontando para o ornamento da palavra mas sim para a personaliza\u00e7\u00e3o individual da mesma e por n\u00e3o sustentar a exig\u00eancia de dignifica\u00e7\u00e3o do p\u00falpito mas sim a salva\u00e7\u00e3o integral de todas as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm\u00e3os eram estes. Sempre me senti estarrecido para com eles, com o maior dos carinhos e nem por um momento me senti indignado ou irado contra eles, contra tudo aquilo que de mim diziam sem fundamento. Logo desde o in\u00edcio estava consciente de que me esperariam oposi\u00e7\u00f5es e tribula\u00e7\u00e3o; mas existiu sempre um golfo, um abismo, entre nossos pontos de vista, os que eram pr\u00e1tica corrente entre n\u00f3s respectivamente. Muito poucas vezes me senti como pertencendo ao mesmo grupo de trabalho, ou que estes me consideravam igual a eles na sua confraterniza\u00e7\u00e3o. Eu nasci na advocacia. Sa\u00ed da barra do tribunal, diretamente dum escrit\u00f3rio para tomar posse do p\u00falpito para o qual Deus me destinou. Assim aprendi a dirigir-me \u00e0s pessoas como o faria com um Jurado em tribunal judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era muito comum e vulgar entre ministros do meu tempo e \u00e9poca, naquela fase inicial do minist\u00e9rio que Deus me deu, comentarem que se eu obtive o sucesso no minist\u00e9rio, logo todas as escolas cairiam em m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o diante de todos; e que nenhum homem se dignaria sustentar com fundos essas mesmas institui\u00e7\u00f5es se os ministros tivessem uma forma\u00e7\u00e3o brilhante fora desses ba\u00fas doutrin\u00e1rios. Nunca obtive uma forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica seminarista, \u00e9 \u00f3bvio, mas tamb\u00e9m nunca me manifestei contra a exist\u00eancia dessas mesmas escolas, mas sim contra o manifesto desinteresse pela Verdade Vivente nelas existente. Creio mesmo ainda hoje, que toda a sua forma\u00e7\u00e3o \u00e9 prec\u00e1ria, subdesenvolvida e n\u00e3o fornecem forma\u00e7\u00e3o adequada a quem tem de salvar gente acima de ser dignificado. Estas escolas n\u00e3o encorajam que se fale \u00e0s pessoas diretamente, encorajando mesmo que se nunca se fale improvisada e espontaneamente para as grandes popula\u00e7\u00f5es. Nenhum homem aprende a pregar por meio de estudos sem uma pr\u00e1tica usual do uso personalizado e pessoalmente dirigido da Verdade desde qualquer p\u00falpito. Os estudantes deveriam ser encorajados a provar todas as coisas para que retenham o bem, a exercitar seus dons como prenda responsabiliz\u00e1vel perante Deus, a dignificar quem os chamou mais do que quem \u00e9 chamado, a penetrarem onde o pecado impera com a Verdade e com aquela Luz que salva, a fazerem-se entender atrav\u00e9s de palestras s\u00e9rias e individualmente direcionadas. Devem por isso aprender a pregar sem rodeios. Mas em vez de tudo isso, todos os estudantes s\u00e3o encorajados a escrever os seus serm\u00f5es, apresentando-os mesmo para serem avaliados e criticados. Cultiva-se assim um esp\u00edrito que Deus n\u00e3o inspira, n\u00e3o sust\u00e9m, n\u00e3o suporta na Palavra. Assim, l\u00eaem os serm\u00f5es que deveriam sair fogosos e direcion\u00e1veis dos seus l\u00e1bios, os quais deveriam, por sua vez, estarem puros. \u00c9 assim que brincam aos serm\u00f5es, simulando com a seriedade da verdade, jogando com vidas de muitas pessoas. Estes ditos serm\u00f5es ir\u00e3o sofrer modifica\u00e7\u00f5es sob critica, sempre e sem exce\u00e7\u00e3o, tornando-se em composi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, em reda\u00e7\u00f5es sumarias, degenerando assim em mentira sob vigil\u00e2ncia continua. As pessoas n\u00e3o respeitar\u00e3o tal procedimento amb\u00edguo. Ningu\u00e9m achar\u00e1 que um serm\u00e3o serve para salvar apenas e t\u00e3o s\u00f3. L\u00eaem elegantemente as suas composi\u00e7\u00f5es que buscam a coniv\u00eancia e o apre\u00e7o dos homens e mulheres que os ouvem por motivos torpes de gan\u00e2ncia estranha. Gratificam t\u00e3o s\u00f3 o gosto liter\u00e1rio e nunca ser\u00e3o edificantes para um mundo em clara decomposi\u00e7\u00e3o e decad\u00eancia. N\u00e3o vai de encontro com as necessidades da alma. N\u00e3o est\u00e1 claramente direcionada e calculada a promover aquilo que Cristo quis que se fizesse: a salva\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de todo o tipo de homem. Os estudantes s\u00e3o ensinados e sobejamente encorajados a cultivarem antes um estilo fino e requintado de palavras que nada significam tendo significado, a escreverem sobre a verdade como se de arte e desenho se tratasse. Mas no meio de toda essa eloq\u00fc\u00eancia, perde-se invariavelmente toda a fogosidade duma verdade que queima dentro de qualquer cora\u00e7\u00e3o limpo e sem medo do homem. Em vez dum orat\u00f3rio plenamente persuasivo e eficaz no manejo correto de toda a Verdade, tendo a alma apenas cultivada a nunca se corromper pelo temor e busca carente de aprova\u00e7\u00e3o do homem, satisfazem os seus engodos e concupisc\u00eancias pessoais fazendo uso da pr\u00f3pria B\u00edblia para tais procedimentos tanto malignos como mal\u00e9ficos. Nada encontramos daquele esp\u00edrito que queima e arde em verdade que nunca se esgota, que voa alto mas nunca se cansa. Nenhuma escola promove tal procedimento real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer mente que aprende a refletir verdade, sentir-se-\u00e1 fora do contexto atual de todos os p\u00falpitos, pois aspiram a salvar almas que nunca podem morrer, estando \u00e0 beira duma morte sem fim \u00e0 vista em vez de se tornarem ret\u00f3ricos e ornamentados para o belo ouvir. Sabem de antem\u00e3o que ningu\u00e9m aplicar\u00e1 tal tipo de discurso med\u00edocre onde se lida com algo de s\u00e9ria envergadura. Um capit\u00e3o de bombeiros, quando uma cidade est\u00e1 debaixo de fogo e chamas, n\u00e3o l\u00ea as instru\u00e7\u00f5es de forma ret\u00f3rica, mas grita com um \u00e0-vontade tal que nem sequer se d\u00e1 ao trabalho de pesquisar posteriormente se gritou, se falou ou discursou bem perante quem teria de o entender perfeitamente e de forma r\u00e1pida e urgente. De fato, tudo \u00e9 urgente, o mundo se perde enquanto muitos se tentam enquadrar em orat\u00f3rios que a ningu\u00e9m convencem sen\u00e3o o pr\u00f3prio. Em vez de ser entendido, o estudante busca aceita\u00e7\u00e3o. Busca seriamente a aceita\u00e7\u00e3o dum mundo pecaminoso e irreverente, como se quisesse apenas ser grande e aceite dentro do mesmo pelo mesmo. Aceita a sua critica e rejeita o conselho de Deus, esquecendo que refletem a espuma da sua inimizade natural contra seu Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas qu\u00e3o distinto ser\u00e1 qualquer discurso, qualquer forma de express\u00e3o quando as pessoas s\u00e3o seriamente afetadas pela verdade dos fatos. Toda a sua linguagem em vez de escolhida \u00e9 direcionada, levando tudo \u00e0 frente sem nunca buscar a aceita\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m, mas de Deus, assegurando fruto apenas. Os seus pontos de vista nunca s\u00e3o calculados, as suas palavras curtas e diretas. A sua seriedade abrasadoramente real, apelando a que se reaja de imediato. Por essa raz\u00e3o, muitos anos antes, os ignorantes pregadores metodistas e os s\u00e9rios pregadores batistas obtinham resultados que suplantam qualquer um dos muitos estudados homens da teologia e do muito estudo atual. Os estudiosos querem ser tratados como divindades; os salvadores querem salvar. O desinteressado e urgente apelo dum ser que exorta espontaneamente em conformidade com a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, levar\u00e1 qualquer congrega\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da fronteira subjacente dum discurso limitado pela eleg\u00e2ncia ret\u00f3rica. Grandes discursos levam os ouvintes ao rubro do louvor ao pregador. Um serm\u00e3o convincente e seriamente dirigido, tende apenas a promover o louvor de Quem os chamou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nossas muitas escolas teol\u00f3gicas seriam de muito maior uso em termos reais, se fossem escolas pr\u00e1ticas e praticantes. Um dia ouvi um serm\u00e3o lido por algu\u00e9m sobre a import\u00e2ncia da prega\u00e7\u00e3o extempor\u00e2nea ou espont\u00e2nea. Todos os seus pontos de vistas estavam corretos; mas toda a sua praticabilidade comprometiam tudo o que dizia. Pareceu-me haver estudado bem o objeto do seu discurso e nada mais. A parte pr\u00e1tica desmentia tudo aquilo que dizia. Estudou todos os aspectos pr\u00e1ticos, mas ignorou por completo a sua devida aplica\u00e7\u00e3o em cora\u00e7\u00f5es endurecidos pelo ouvir. Nunca vi um \u00fanico dos muitos estudantes seus adotar qualquer um dos seus pontos de vista. Disseram-me que este homem concluiu que se tivesse de come\u00e7ar de novo como orador e pregador, aceitaria de bom grado aquilo que agora se tornaram os seus pontos de vistas atuais, isto \u00e9, praticando e atuando sobre a verdade pr\u00e1tica das coisas. Hoje lamenta que toda a sua forma\u00e7\u00e3o haja sido e sa\u00eddo deficiente, anulando por inteiro todo o seu discurso que se queria pr\u00e1tico. Mesmo na nossa escola em Oberlin, os nossos estudantes s\u00e3o encorajados a escrever todos os seus discursos, embora n\u00e3o por mim como seu professor, permitam-me dizer. Apenas muito poucos me deram ouvidos, obtendo a coragem de se lan\u00e7arem para fora dum tentador discurso espont\u00e2neo, estudado e premeditado. Dizem-lhes e ensinam-lhes vezes sem conta que &#8220;n\u00e3o devem ser como o Finney; nem todos podem ser Finneys!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum ministro tem por prefer\u00eancia falar retamente com seus ouvintes, pois almeja pouco. N\u00e3o fazem o melhor que podem e sabem e caem sempre naquela tenta\u00e7\u00e3o de se porem a discursar e conversar amigavelmente com pessoas que est\u00e3o sob amea\u00e7a de perigo eterno, eminente e cont\u00ednuo. Eles t\u00eam de pregar porque s\u00e3o ministros, \u00e9 o que sentem. Mas porque ser\u00e3o ent\u00e3o levados a n\u00e3o fazer a coisa mais certa poss\u00edvel? T\u00eam de pregar e se tem de escrever para falar, logo ir\u00e3o escrever coisas que dignificam apenas quem escreve. De acordo com esse ponto de vista, presume-se desde logo que eu nuca preguei ent\u00e3o! Muitas vezes v\u00eam-me perguntar: &#8220;Porque \u00e9 que o senhor Finney n\u00e3o prega? Porque fala diretamente com as pessoas?&#8221; Um certo homem uma vez em Londres, deixou nossas reuni\u00f5es debaixo duma convic\u00e7\u00e3o profunda de pecado. Ele era um c\u00e9ptico. Sua esposa ao v\u00ea-lo naquele estado de esp\u00edrito e excita\u00e7\u00e3o, disse-lhe: &#8220;Meu querido, foste l\u00e1 ouvir o Finney a pregar?&#8221; Ao que ele respondeu: &#8220;N\u00e3o, eu fui a uma das suas reuni\u00f5es, pois ele n\u00e3o prega! Ele apenas explica tudo aquilo que os outros todos pregam&#8221;. Isto, em forma resumida, foi o que sempre ouvi com muita freq\u00fc\u00eancia. &#8220;Mas, qualquer pessoa pode pregar como o senhor o faz! Nada de mais t\u00eam os seus serm\u00f5es! Se sabem falar, podem pregar como voc\u00ea. Mais parece que se encontra na sala de estar da sua casa do que atr\u00e1s dum p\u00falpito!&#8221; Outros ainda diziam mesmo: &#8220;Bem isto n\u00e3o \u00e9 prega\u00e7\u00e3o sequer! Mais parece que ele me olhava profundamente nos olhos, pegava-me no colarinho e falava comigo pessoalmente!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ministros por regra denunciam uma recusa em pregar para as pessoas que os ouvem, receiam que os seus ouvintes achem que se est\u00e3o a dirigir a eles, quando \u00e9 a eles que se devem dirigir mesmo. De forma geral referem-se a outras pessoas tamb\u00e9m quando est\u00e3o a ser ouvidos, falando dos muitos pecados dos outros quando os \u00fanicos que interessam s\u00e3o aqueles ali presentes. Em vez de apontar pecados de estranhos \u00e0 reuni\u00e3o, um bom pregador deve ser capacitado a dizer inequivocamente &#8220;v\u00f3s sois culpados destes e destes pecados; o Senhor exige de v\u00f3s resposta positiva contra v\u00f3s mesmos, contra vossos muitos pecados pessoais&#8221;. Vezes sem conta pregam sobre o evangelho quando t\u00eam de pregar o evangelho. Se pregam o evangelho \u00e9 sobre pessoas e n\u00e3o a pessoas, sobre pecadores e nunca a pecadores diretamente. Estudam meios de evitar endere\u00e7ar mensagens diretamente a quem de direito, com amor, pensando e calculando que amor \u00e9 evitar falar daquilo que destr\u00f3i todo o amor; querem apenas criar a impress\u00e3o nos homens de que n\u00e3o se referem a quem os ouve, quando Jesus diz mais precisamente &#8220;aquele que tem ouvidos que ou\u00e7a&#8221;! Eu pensei que seria meu dever perseguir outro rumo, outros meios de persuas\u00e3o, outra conduta. Sempre segui outro caminho. Sempre que preguei disse: &#8220;n\u00e3o pensem que me refiro a outras pessoas, mas a si, a v\u00f3s pessoalmente, a si, a si e a si tamb\u00e9m!&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m me diziam os ministros que as pessoas nunca suportariam tal tipo de discurso por muito tempo e que se iriam embora dali, fartos de me ouvir, num instante. Nunca mais voltariam para me ouvirem. Mas \u00e9 pura mentira. Tudo depende com que esp\u00edrito endere\u00e7amos as mensagens, se com honestidade e sinceridade palp\u00e1vel, se acusadoramente. Se as pessoas receberem o meu amor palp\u00e1vel, logo que n\u00e3o consigam contradizer nem negar tudo aquilo que lhes transmito, que apenas falo toda, mas toda a seu respeito, a verdade com todo a amor e preocupa\u00e7\u00e3o santa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas almas, se estas mensagens s\u00e3o direcionadas para o cora\u00e7\u00e3o, medidas para o foro pessoal e individual personalizado, poucos se ressentir\u00e3o disso. Todo o ressentimento logo desvanece. Se alguma vez se sentirem apontados e repreendidos, logo vem a convic\u00e7\u00e3o que mereciam e necessitavam daquilo mesmo e que tudo aquilo vem para seu bem. Sempre me dirigi \u00e0s pessoas quando via que estavam magoados e ofendidos com minhas palavras direcionadas a eles: &#8220;agora v\u00f3s estais ressentidos com tudo aquilo que vos disse e v\u00e3o sair daqui clamando que nunca mais me ir\u00e3o ouvir; mas vir\u00e3o por certo. As vossas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es me d\u00e3o raz\u00e3o, lutam convosco a meu favor; a vossa consci\u00eancia est\u00e1 do meu lado, assiste-me. Sabem que aquilo que vos digo \u00e9 verdade, sabem que assim \u00e9 de fato e que vos digo isto para vosso bem. Por essa raz\u00e3o n\u00e3o permanecer\u00e3o ofendidos por muito tempo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha experi\u00eancia \u00e9 de que, mesmo a n\u00edvel de popularidade pessoal, a honestidade no confronto personalizado \u00e9 sempre a melhor de todos os m\u00f3dulos aplic\u00e1veis a favor de quem prega. Se quem prega quer assegurar a confian\u00e7a, o respeito, a afei\u00e7\u00e3o, o amor e o carinho de qualquer pessoa, deve manter-se fiel \u00e0 pura salva\u00e7\u00e3o real e real\u00e7ada de toda a alma. Todas as pessoas devem ver nitidamente que ele n\u00e3o est\u00e1 fazendo a corte \u00e0 sua estima, que n\u00e3o busca popularidade, mas que apenas est\u00e1 tentando salvar e assegurar suas almas na verdade. Os homens nunca s\u00e3o tolos demais para se aperceberem destas coisas. Nunca manter\u00e3o seu s\u00f3lido respeito por algu\u00e9m que sobe ao p\u00falpito para ser doce e carinhoso na bajula\u00e7\u00e3o e mostrar desprezo incoerente pelo valor real de suas almas. Eles cordial e escondidamente desprezam a sua l\u00edngua lisonjeira. Que ningu\u00e9m pense almejar o respeito de outro ser como ele e isto como embaixador de Cristo, se nunca lidar com aquele valor de sua alma dentro dos seus par\u00e2metros reais. As pessoas apenas cr\u00eaem em tudo aquilo que v\u00eam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande argumento contra a minha maneira direcionada de pregar e atingir pessoalmente com a verdade quem me ouve, era que n\u00e3o devia fornecer tantas diretrizes instrutivas \u00e0s pessoas e caso escrevesse os meus serm\u00f5es n\u00e3o explicava tanto assim. Diziam que eu n\u00e3o estudava e que por conseq\u00fc\u00eancia, mesmo que obtivesse algum sucesso como Evangelista e depois de trabalhar durante um certo tempo em algum local do mundo dos perdidos, n\u00e3o haveria pastor para permanecer e assim cuidar do rebanho dentro dos mesmos par\u00e2metros de prega\u00e7\u00e3o extempor\u00e2nea e harmoniosamente personalizada. Tenho no entanto a alegar que s\u00e3o n\u00edtidas e claras muitas raz\u00f5es que me levam a crer que quem escreve e relata seus serm\u00f5es, n\u00e3o d\u00e3o assim tanta instru\u00e7\u00e3o quanta acham que d\u00e3o. Ningu\u00e9m se lembra dos seus serm\u00f5es. H\u00e1 in\u00fameras pessoas honestas que logo se referem ao fato que n\u00e3o t\u00eam como levar para casa nada daquilo que saiu da boca do p\u00falpito. Centenas de vezes ouvi coment\u00e1rios como: &#8220;n\u00f3s sempre nos recordamos de tudo aquilo que nos transmitiu, Sr. Finney. Lembro-me do texto, dos pormenores, da maneira como nos transmitiu a mensagem, mas serm\u00f5es lidos do p\u00falpito n\u00e3o consigo registrar e manter em mem\u00f3ria viva&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou pastor consagrado H\u00e1 muitas d\u00e9cadas, desde 1832; nunca recebi qualquer queixume de que n\u00e3o instru\u00eda as pessoas. N\u00e3o creio que as pessoas n\u00e3o estejam t\u00e3o mal instru\u00eddas assim, no que toca \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da maneira como as mensagens nos chegam do p\u00falpito, no que toca \u00e0 percep\u00e7\u00e3o e obedi\u00eancia \u00e0 pr\u00f3pria mensagem desde que inspirada. Mas as que est\u00e3o sob estatuto de serm\u00e3o lido, aqueles que auferem serm\u00f5es lisonjeiros, concebidos para agradar homens, permanecem irremediavelmente naquele erro grosseiro de falta de instru\u00e7\u00e3o e de pensarem que, como as mensagens n\u00e3o lhes tocam, estar\u00e3o em perfeita harmonia com toda a verdade. \u00c9 verdade que algu\u00e9m pode escrever muitos serm\u00f5es com pouco estudo. Mas \u00e9 verdade que ningu\u00e9m prega extemporaneamente sem um grande e vasto conhecimento de todas as verdades. Nenhum serm\u00e3o planeado manifesta pensamento profundo e conhecedor a n\u00edvel pessoal de todas as verdades. Tenho por h\u00e1bito estudar o evangelho a fundo, mas tamb\u00e9m a sua melhor aplica\u00e7\u00e3o circunstancial, aplic\u00e1vel no momento. Nunca me retiro para estudos aprofundados para poder escrever serm\u00f5es. Descubro que toda a minha mente se dedica por inteiro na maneira peculiar de salvar algu\u00e9m logo. Entro na vida de todas as pessoas, descubro quais as suas necessidades reais, quais os cativeiros mesmo quando nem eles pr\u00f3prios reconhecem, quanto mais dizerem quais s\u00e3o! Logo de seguida busco toda a luz poss\u00edvel a partir do Esp\u00edrito Santo para sair tamb\u00e9m logo de maneira a aplicar tudo aquilo de forma substancial e personalizada, indo de encontro \u00e0quilo que precisam e nem sempre desejam. Penso nisso com muita intensidade, oro muito sobre tudo aquilo durante o dia antes de pregar. Encho minha mente na totalidade com toda a verdade, deixo que esta inunde meu ser por completo para logo descarregar todo o meu serm\u00e3o pessoal neles, de forma a que nada importante fique por transmitir e personalizar ali mesmo. O grande mal dum serm\u00e3o escrito, \u00e9 que, sem exce\u00e7\u00e3o levam quem os escreve a pensar pouco mais nele depois de os haver escrito por inteiro. Conseq\u00fcentemente, ora pouco sobre tudo aquilo, sobre as necessidades reais das pessoas. Talvez chegue a ler o serm\u00e3o uma vez mais antes da sua entrega, mas deixa de sentir aquela necessidade de ser poderosamente ungido para que sua boca destile argumentos tais que nada mais que a verdade prevale\u00e7a mas apenas dum cora\u00e7\u00e3o fogoso e cheio de verdade liquida. Algu\u00e9m assim est\u00e1 sempre acomodado. Apenas tem olhos e boca, n\u00e3o tem esp\u00edrito nem cora\u00e7\u00e3o. Basta a tal pessoa in\u00f3cua ler e descansar no erro de que as pessoas se converter\u00e3o assim mesmo, no devido tempo. Talvez at\u00e9 seja lido um serm\u00e3o escrito h\u00e1 anos atr\u00e1s pela pregui\u00e7a de se escrever outro. Talvez seja um serm\u00e3o escrito recentemente, no pr\u00f3prio dia. Mas na hora de entreg\u00e1-lo, \u00e9 man\u00e1 apodrecido, n\u00e3o ser\u00e1 comida fresca e saborosa. N\u00e3o pode ser recebida como uma mensagem ungida, poderosa e aplic\u00e1vel ao cora\u00e7\u00e3o diretamente, vindo do cora\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a outro cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 linguagem de cora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posso mesmo afirmar muito solenemente que penso haver estudado muito mais por nunca haver escrito e lido serm\u00f5es. Fui sempre obrigado a pregar sobre aqueles assuntos que eram familiares aos meus pensamentos, enchendo minha mente com os mesmos e assim partir para os tornar conhecidos da melhor forma poss\u00edvel aonde deveria pregar. Muitas vezes fazia apenas um rascunho r\u00e1pido dos assuntos dos quais ia tratar da maneira mais curta poss\u00edvel, numa linguagem menos acess\u00edvel. Apenas punha em ordem os assuntos e os pontos que queria focar, trazia-os solenemente com efeitos pr\u00e1ticos. Havia apenas uma certa ordem de palavras que seguia rigidamente, propostas e peti\u00e7\u00f5es que pretendia fazer. Em resumo, apenas umas linhas gerais muito pequenas. Logo de seguida tinha certos pontos de conclus\u00e3o de todo o serm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se os ministros n\u00e3o tiverem aquela inten\u00e7\u00e3o de se dirigir diretamente a quem os ouve, o melhor que sabem, mantendo seus cora\u00e7\u00f5es em aquecimento continuo antes da dura prova de fogo, cheios de verdade e fogo, do Esp\u00edrito Santo, nunca conseguir\u00e3o tornar-se pregadores espont\u00e2neos e verdadeiros. Creio mesmo que uma simples meia hora de palavra de cora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o com as maiores das seriedades, uma vez por semana, produzem mais em seus efeitos que muitos serm\u00f5es escritos e lidos todos os dias, desde que em meia hora se possa falar em paladar franco e honesto, que seja direcionado perturbadoramente, seja l\u00f3gico, pronto e instrutivo, provoque \u00e0 prontid\u00e3o. Qualquer pessoa mais facilmente se recordar\u00e1 desse serm\u00e3o de meia hora do que muitos estudos aprofundados com a inten\u00e7\u00e3o de promover coisas bem elaboradas mas que muito pouco falam logo e ali. Qualquer serm\u00e3o muito ponderado, perde toda a sua espontaneidade natural, privando-se assim do pleno condicionalismo a que Deus opere em quem ouve por quem fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 mencionei a metodologia usada em meu labor dos \u00faltimos anos, dos anos mais recentes. Mas quando comecei a pregar, principalmente nos meus primeiros doze anos de trabalho intensivo, nem uma palavra sequer escrevia. Era sempre levado por caminhos onde havia de pregar quase sem prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, com exce\u00e7\u00e3o de quando me punha em ora\u00e7\u00e3o antes de qualquer serm\u00e3o. Vezes sem conta subia ao p\u00falpito mesmo sem saber qual o assunto que iria usar para converter ou as palavras que iria usar. Dependia inteiramente do Esp\u00edrito Santo para tal fim, pois Ele sempre me sugeria tanto o texto como abriria todo aquele assunto \u00e0 minha mente. Posso garantir que em nenhuma ocasi\u00e3o preguei com tanto poder e l\u00f3gica fluida, como nessas ocasi\u00f5es onde laborava de manh\u00e3 \u00e0 noite continuamente, com cerca de dois ou mais serm\u00f5es di\u00e1rios. Eu mesmo me surpreendia com aquelas revela\u00e7\u00f5es. Parecia que podia ver atrav\u00e9s de mais que intui\u00e7\u00e3o bastante n\u00edtida e clara, tudo o que havia de dizer, quando havia de dizer, como havia de aplicar e expressar. Todas as palavras, ilustra\u00e7\u00f5es vinham-me t\u00e3o r\u00e1pido quanto as podia entregar a quem se destinava e n\u00e3o a outros. Sempre que fazia rascunhos sobre aquilo que pregava, fazia-os depois de pregar e quase nunca antes. Assim preservava as linhas gerais daqueles assuntos que entregava naqueles momentos de clara nitidez. Descobri que quando o Esp\u00edrito Santo descia com Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o oportuna ou ser\u00f4dia, fornecendo-me uma clara alus\u00e3o dos assuntos a tratar, nunca tinha como n\u00e3o entreg\u00e1-los fielmente, mas tamb\u00e9m nunca conseguia mant\u00ea-los em mem\u00f3ria viva. Era por essa raz\u00e3o que escrevia os t\u00f3picos depois de qualquer serm\u00e3o. Mas mesmo depois desses tempos nunca fui capaz de fazer uso de serm\u00f5es elaborados com anteced\u00eancia. Tamb\u00e9m nunca consegui fazer qualquer uso de t\u00f3picos anteriores e antigos em ocasi\u00f5es futuras sem os remodelar e adaptar para que tivessem uma lufada de ar fresco neles mesmos, por interfer\u00eancia do pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo. Por norma recebo os meus serm\u00f5es nos meus joelhos, em ora\u00e7\u00e3o, sob uma impressionante revela\u00e7\u00e3o dos assuntos em quest\u00e3o, muitas vezes de forma tal que me faziam estremecer profundamente com temor e tremor. Apenas com grande dificuldade tinha como escrever tais assuntos que me eram assim entregues oportunamente. Passava como fogo por mim, como uma seta pontiaguda atravessando-me corpo e alma. Apenas fazia um papel com os ditos t\u00f3picos para que mais tarde os pudesse lembrar nitidamente durante a entrega dos mesmos. Eram serm\u00f5es de efeitos devastadores sobre quem os ouvia e presenciava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos dos serm\u00f5es que preguei em Oberlin, recebi-os assim que tocava o sinete para a hora dos cultos. Eu sentia-me na obriga\u00e7\u00e3o de ir descarreg\u00e1-los sobre quem me ouvia de cora\u00e7\u00e3o cheio, sem que fizesse mais que um simples rascunho daquilo que ia dizer e mesmo assim nunca tal rascunho cobria tudo o que transmitia, nem pela metade. N\u00e3o digo isto ensoberbecido, mas porque s\u00e3o fatos e ocorr\u00eancias genu\u00ednas, para dar toda a gl\u00f3ria a Deus por nada disto haver sido talento meu; de algum modo! Que ningu\u00e9m pense que qualquer um dos serm\u00f5es que s\u00e3o tidos como poderosos, alguma vez foram produto da minha mente e pensar, pois nunca foi o caso. Nunca foram de minha autoria, eram-me sempre entregues a tempo e horas pelo Esp\u00edrito de Deus. E que nenhum homem clame contra mim, dizendo que penso ser mais inspirado que os outros ministros, ou mais merecedor que eles. Eu creio de cora\u00e7\u00e3o que todo e qualquer ministro devidamente chamado por Cristo para pregar o evangelho deve e tem de estar num estado de inspira\u00e7\u00e3o genu\u00edna continuamente, para que seja envolto pelo pr\u00f3prio poder de Deus, sen\u00e3o nunca se poder\u00e1 considerar um servo d&#8217;Ele. Que mais quis Cristo dizer quando disse &#8220;Ide, fazei disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es. Eis que estou convosco at\u00e9 ao fim dos tempos&#8221;? Que mais quis Ele dizer quando disse, falando do Esp\u00edrito Santo, &#8220;Quando vier, por\u00e9m, aquele, o Esp\u00edrito da verdade, ele vos guiar\u00e1 a toda a verdade; porque n\u00e3o falar\u00e1 por si mesmo, mas dir\u00e1 o que tiver ouvido, e vos anunciar\u00e1 as coisas vindouras&#8221;? Jo\u00e3o 16:13. Que mais quereria Ele nos transmitir com &#8220;Quem cr\u00ea em mim, como diz a Escritura, do seu interior correr\u00e3o rios de \u00e1gua viva. Ora, isto disse Ele a respeito do Esp\u00edrito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Esp\u00edrito ainda n\u00e3o fora dado, porque Jesus ainda n\u00e3o tinha sido glorificado&#8221;? Jo\u00e3o 7:38,39. Todos ministros devem e podem ser ungidos, t\u00e3o cheios do Esp\u00edrito que todos aqueles que os ouvem, saiam t\u00e3o impressionados sob convic\u00e7\u00e3o profunda que \u00e9 Deus deveras quem est\u00e1 neles e com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO VIII &#8211; AVIVAMENTO EM ANTWERP<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vou agora fazer um pequeno relato dos acontecimentos resultantes dos meus labores em Antwerp, uma vila a norte de Evans&#8217;Mills. Cheguei l\u00e1 pela primeira vez em Abril e descobri que n\u00e3o havia l\u00e1 nenhum culto religioso. Toda a terra da vila pertencia a um senhor P&#8211;, um homem rico de Ogdenburgh. Para fortalecimento da pr\u00f3pria vila, este homem mandou construir ali uma casa de reuni\u00f5es em tijolo. Mas ningu\u00e9m entre a popula\u00e7\u00e3o tinha qualquer inten\u00e7\u00e3o de celebrar qualquer encontro religioso e por conseq\u00fc\u00eancia, a sala de reuni\u00f5es encontrava-se encerrada e as chaves na posse dum Sr. C&#8211;, o qual mantinha o hotel local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo soube que havia ali uma igreja Presbiteriana que tinha alguns membros. Tentaram que anos antes houvesse cultos ao Domingo. Mas o presb\u00edtero que asseguraria as reuni\u00f5es morava a mais de cinco milhas dali e para entrar na vila era obrigat\u00f3rio passar por um acampamento Universalista. Os Universalistas interromperam as reuni\u00f5es de culto em toda a vila porque n\u00e3o permitiam que Deacon R&#8211;, assim se chamava, passasse pelo acampamento para efetuar qualquer reuni\u00e3o. Arrancavam as rodas da sua carro\u00e7a e acabaram mesmo por conseguir que nunca mais pudesse atender aos seus compromissos de Domingo. E assim, todas as reuni\u00f5es de culto dentro da vila haviam sido preteridas e extinguidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontrei por ali uma senhora C&#8211;, dona de terras, mas uma piedosa mulher. Havia tamb\u00e9m duas outras senhoras piedosas, A Sra. H&#8211;, esposa dum negociante local e a Sra. R&#8211;, a esposa dum m\u00e9dico. Penso que foi numa sexta-feira a primeira vez que l\u00e1 cheguei. Convoquei aquelas mulheres piedosas e perguntei-lhes se queriam ter uma reuni\u00e3o. Disseram logo que sim, mas n\u00e3o sabiam se iria ser poss\u00edvel. A Sra. H&#8211; concordou desde logo oferecer a sua sala para acomodar a reuni\u00e3o caso eu conseguisse que algu\u00e9m atendesse. Sa\u00ed a endere\u00e7ar convites por dentro da vila e assegurei a presen\u00e7a de treze pessoas. Preguei para eles e disse-lhes que caso conseguisse assegurar as chaves da sala de reuni\u00f5es poderia ali pregar no Domingo. Obtive o pleno consentimento de quem de direito e circulou a not\u00edcia que haveria ali um culto no dia seguinte de manh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andando pela vila observei um vasto leque de coisas profanas. Pensei nunca ter ouvido tanto palavr\u00e3o e tanto profano a falar duma s\u00f3 vez! Parecia-me mais que todos ali estariam sempre a praguejar nos relvados onde brincavam e jogavam, pela vila toda e em todos os estabelecimentos onde entrei com a expressa finalidade de me familiarizar com as realidades locais. Parecia que se praguejavam mutuamente como se quisessem amaldi\u00e7oar uns aos outros. Senti como se estivesse mesmo na fronteira do inferno. Recordo-me que havia em mim um esp\u00edrito benevolente avivado, mas que ao passar por dentro daquela vila naquele dia, mais parecia que passava por meio de veneno mort\u00edfero! Um g\u00eanero de terror apoderou-se de todo o meu ser, como se estivesse \u00e0 porta do inferno!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entreguei-me \u00e0 ora\u00e7\u00e3o no S\u00e1bado e insisti com a minha peti\u00e7\u00e3o at\u00e9 que veio resposta: &#8220;N\u00e3o temas, mas fala e n\u00e3o te cales; porque eu estou contigo e ningu\u00e9m te acometer\u00e1 para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade&#8221;. Estas palavras desde logo trouxeram al\u00edvio ao meu temer. Descobri que, por ali, os crentes locais temiam que algo de grave se viesse a dar em breve, caso as reuni\u00f5es se efetivassem na vila de novo. Mesmo tendo passado muito tempo em profunda suplica e ora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m usei aquele S\u00e1bado para passar pela vila e deu para perceber que aquela marca\u00e7\u00e3o duma reuni\u00e3o no dia seguinte provocou um certo alvoro\u00e7o e uma certa ansiedade mesmo para que chegasse a hora marcada. No Domingo de manh\u00e3 deixei os meus aposentos e dirigi-me para o bosque onde podia dar largas \u00e0 minha voz em ora\u00e7\u00e3o, a uma certa dist\u00e2ncia da vila. Permaneci ali algum tempo em ora\u00e7\u00e3o diante de Deus. Mas n\u00e3o obtinha qualquer al\u00edvio espiritual. Voltei l\u00e1 uma segunda vez, mas em vez de me sentir aliviado, a carga aumentou sobre mim. Voltei l\u00e1 uma terceira vez e assim chegou a resposta. Logo descobri que havia chegado a hora da reuni\u00e3o e dirigi-me desde logo para a sala na escola. Estava lotada at\u00e9 ao m\u00e1ximo das suas capacidades reais de acomoda\u00e7\u00e3o. Tirei a minha pequena B\u00edblia do bolso e li este vers\u00edculo: &#8220;Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unig\u00eanito, para que todo aquele que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna&#8221;. Jo\u00e3o 3:16. N\u00e3o consigo recordar muito daquilo que disse. Mas a minha mente focalizou o tratamento que eles davam a Deus em troca daquele amor. O assunto afetou-me sobremaneira. Derramei tanto o meu serm\u00e3o com o meu cora\u00e7\u00e3o e l\u00e1grimas perante eles todos. Vi no dia anterior uns quantos homens na maior das pr\u00e1ticas profanas a que eu jamais assistira, os quais estavam ali presentes de frente para mim. Apontei-lhes o dedo diretamente, dizendo diante das pessoas o que haviam feito. Mencionei como eles at\u00e9 usavam o nome de Deus para se amaldi\u00e7oarem uns aos outros. Dei r\u00e9deas a todo o meu cora\u00e7\u00e3o, a tudo aquilo que sentia dentro de mim em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira como Deus era tratado por ali. Disse-lhes que mais me parecia um antro de blasf\u00eamia do que uma vila, que me parecia haver entrado nas portas do inferno mesmo! Todos sabiam que aquilo que lhes dizia era pura verdade e todos sucumbiram perante a minha sincera demonstra\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica de todos os seus muitos pecados. Nenhum deles se ofendeu com aquelas observa\u00e7\u00f5es, mas as pessoas todas ali come\u00e7aram a chorar tanto quanto eu pr\u00f3prio o fazia! Penso mesmo que n\u00e3o havia ali ningu\u00e9m com o seu rosto seco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sr. C&#8211;, havia-se recusado a abrir a sala de culto, mas assim que aquela prega\u00e7\u00e3o terminou, ofereceu-se para abri-la pela tarde. As pessoas dispersaram e levaram a not\u00edcia do culto da tarde em todas as dire\u00e7\u00f5es e \u00e0 noite a sala de reuni\u00f5es estava t\u00e3o repleta quanto estaria a sala da escola pela manh\u00e3. Toda a vila estava presente. E o Senhor proporcionou-me que desancasse sobre eles todo o meu esp\u00edrito de forma admir\u00e1vel. Toda a minha forma de lhes expor a verdade era uma total novidade para todos. De fato, parecia a mim mesmo que eu descarregava sobre eles tanto amor l\u00edquido como granizo feroz e selvagem, tudo misturado, isto \u00e9, derramava granizo feroz em amor sobre suas cabe\u00e7as. Parecia que tinha um amor tal por Deus em mim posto em confronto direto com o tratamento abusivo e corrupto com que pagavam a Deus. Este estado de coisas agu\u00e7ou toda a minha maneira de pregar, toda minha mente se abriu, mas em intensa agonia. Sentia uma grande necessidade de os repreender abertamente de todo o meu cora\u00e7\u00e3o, mas ao mesmo tempo, com compaix\u00e3o tal que eles nunca me poderiam interpretar mal sequer. Nunca ouvi falar de algu\u00e9m posteriormente ou acusar de severidade, havendo sido muito, mas muito severo com eles, talvez como nunca em toda a minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os labores deste dia conseguiram uma impressionante convic\u00e7\u00e3o de pecado sobre todos naquela vila. A partir daquele dia, apontasse eu uma singular reuni\u00e3o a qualquer hora em qualquer lugar, as pessoas faziam fila para me darem ouvidos. Logo de imediato toda aquela obra come\u00e7ou a surtir efeitos reais em vidas pecaminosas com grande poder. Pregava duas vezes no Domingo de manh\u00e3 nas instala\u00e7\u00f5es de culto, fazia uma interrup\u00e7\u00e3o \u00e0 qual me dedicava \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0s cinco da tarde, pregava nas instala\u00e7\u00f5es da escola. No terceiro Domingo de prega\u00e7\u00f5es, um certo velhinho veio ter comigo quando subia para o p\u00falpito e perguntou-me se n\u00e3o podia pregar na sua vila tamb\u00e9m, a umas tr\u00eas milhas dali. Disse-me que nunca haviam tido qualquer reuni\u00e3o por l\u00e1. Pediu-me para ir l\u00e1 o mais depressa que podia. Marquei para l\u00e1 ir no dia a seguir, na segunda-feira, \u00e0s cinco da tarde. Era um dia quente. Deixei o meu cavalo na vila e pensei andar at\u00e9 l\u00e1 para que n\u00e3o tivesse qualquer problema em chamar as pessoas para a prega\u00e7\u00e3o enquanto passava por elas. Contudo, antes de chegar ao lugar, havendo trabalhado imensamente durante o Domingo, estava completamente exausto e sentei-me por um pouco \u00e0 beira do caminho, pois n\u00e3o podia proceder por exaust\u00e3o. Comecei a censurar-me por n\u00e3o haver trazido meu cavalo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cheguei l\u00e1 e a sala da escola estava lotada. Consegui arranjar um lugarzinho perto da porta, a partir de onde podia pregar. Li um Hino, pois n\u00e3o posso chamar cantar aquilo que ouvi. Parecia que nunca haviam tido qualquer m\u00fasica sagrada por ali. Mesmo assim tentaram cantar. Mas parecia que cada um cantava com a sua nota, cada qual como queria. Meu ouvir havia sido cultivado por m\u00fasica sagrada, a qual eu ensinava. Aquela disc\u00f3rdia musical pareceu-me um horror, perturbou-me de tal maneira inicialmente que pensei em sair dali de imediato! Coloquei ambas as minhas m\u00e3os sobre meus ouvidos em sinal de desagrado e tapei-os com toda a for\u00e7a. Mas aquelas notas horr\u00edveis n\u00e3o deixavam de me atormentar, entrando n\u00e3o sei por onde! Ag\u00fcentei at\u00e9 que houvessem terminado. Assim que terminaram, ca\u00ed de joelhos diante deles quase num estado de desespero total e comecei a orar. Os c\u00e9us abriram-se e o Senhor derramou sobre mim um esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o oportuno e pude derramar todo o meu pesar perante Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o estava preparado com nenhum texto sobre o qual iria pregar. Esperei para ver o que aconteceria \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o. Mas assim que acabei de orar, levantei-me e disse: &#8220;Tira-os para fora deste lugar; porque n\u00f3s vamos destruir este lugar, porquanto o seu clamor se tem avolumado diante do Senhor&#8221;, Gen 19:12,13. Disse-lhes que n\u00e3o iria precisar onde este texto se podia achar, mas indiquei-lhes mais ou menos onde. Logo comecei a falar sobre ele, contando a Hist\u00f3ria de Sodoma e Gomorra. Expliquei-lhes que havia um homem de nome Abra\u00e3o e quem era; tamb\u00e9m lhes falei de seu sobrinho L\u00f3; as rela\u00e7\u00f5es entre eles, como se separaram por causa de desentendimentos entre os seus pastores; como Abra\u00e3o escolheu a parte pouco f\u00e9rtil da terra que habitavam e como L\u00f3 se foi instalar no vale de Sodoma. Falei-lhes ent\u00e3o de como Sodoma era vil e perversa e quais os atos abomin\u00e1veis que ali se praticavam. Contei-lhes como o Senhor dissera a Abra\u00e3o que ia destruir aquele vale por completo e como Abra\u00e3o intercedeu para que caso Deus achasse por ali uns quantos justos os poupasse; e que Deus prometeu que pouparia a cidade caso fossem achados; contei como Abra\u00e3o foi reduzindo o numero de justos que se havia de achar como condicionalismo para ser poupada a cidade perversa e foi reduzindo at\u00e9 \u00e0s dez pessoas, ao que Deus respondeu que caso achasse l\u00e1 dez pessoas justas, logo pouparia toda aquela cidade. Abra\u00e3o parou por ali, confiando que haveria por l\u00e1 dez justos. Mas Deus encontrou por l\u00e1 um justo apenas, L\u00f3, sobrinho de Abra\u00e3o. Logo terminei com as palavras: &#8220;Ent\u00e3o disseram os homens a L\u00f3: Tens mais algu\u00e9m aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens na cidade, tira-os para fora deste lugar; porque n\u00f3s vamos destruir este lugar, porquanto o seu clamor se tem avolumado diante do Senhor&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto relatava esta hist\u00f3ria, observei que as pessoas come\u00e7aram a refletir uma ira estranha nas suas faces. Havia l\u00e1 homens de manga curta, olhando uns para os outros e para mim como se estivessem preparados para se acometerem a mim, agredindo-me logo ali. Eu via aquela apar\u00eancia irada deles, mas n\u00e3o conseguia decifrar a raz\u00e3o, pois estava a relatar uma mera passagem da B\u00edblia e n\u00e3o via porque motivo estariam eles t\u00e3o indignados, nem o que havia dito que os ofendera assim tanto. A sua ira subia de tom de palavra em palavra, mas resolvi continuar a narra\u00e7\u00e3o como se nada de anormal estivesse ocorrendo. No entanto, assim que terminei, enfrentei-os dizendo que assumia que nunca haviam tido qualquer servi\u00e7o religioso por ali e que me achava no direito de assumir que eram \u00edmpios diante de Deus e conseq\u00fcentemente deveriam arrepender-se logo e dar gl\u00f3ria a Deus. Falei com muita veem\u00eancia e pressionei aquela quest\u00e3o com toda a for\u00e7a do meu peito e cora\u00e7\u00e3o. Falei-lhes durante algum tempo, mas quinze minutos depois de estar a falar sobre a sua responsabilidade pessoal diante de Deus, constrangendo-os ao arrependimento, de repente uma seriedade abismal apoderou-se daqueles rostos antes irados, uma solenidade fora do vulgar. Logo de seguida todas as pessoas come\u00e7aram a cair nos seus joelhos, em todas as dire\u00e7\u00f5es como que caindo dos seus assentos, clamando por miseric\u00f3rdia a Deus. Caso tivesse uma espada em minha m\u00e3o, nada de igual havia de conseguir com efeitos parecidos e t\u00e3o devastadores. Parecia que toda a congrega\u00e7\u00e3o estava ou de joelhos, ou prostrados com o nariz no ch\u00e3o gritando por miseric\u00f3rdia logo ali. Numa quest\u00e3o de dois minutos toda aquela congrega\u00e7\u00e3o estaria de joelhos a clamar. Cada um orava por si pr\u00f3prio, aqueles que tinham como falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 obvio que tive de parar com a prega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ningu\u00e9m me prestava mais aten\u00e7\u00e3o. Eu olhei e vi aquele velhinho que me endere\u00e7ou o convite para pregar ali, sentado a meio da sala, olhando \u00e0 sua volta muito perplexo, muito at\u00f4nito com tudo aquilo. Levantei a minha voz muito alto, quase gritando, para que me ouvisse e perguntei-lhe se sabia orar. Ele de imediato caiu de joelhos e implorou por aquelas almas em agonia, entre a vida eterna e a morte. A sua voz era forte e todo o seu cora\u00e7\u00e3o estava sendo derramado diante do Criador do mundo. Ningu\u00e9m o ouvia, ningu\u00e9m ali prestava qualquer aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas palavras. Logo comecei a falar com algumas pessoas que clamavam assustadamente a Deus, para que me ouvissem e prestassem aten\u00e7\u00e3o. Eu dizia: &#8220;Olhem, ainda n\u00e3o est\u00e3o no inferno! Deixem-me assinalar-vos o caminho para Cristo!&#8221; Por alguns instantes eu queria trazer-lhes o evangelho, mas n\u00e3o conseguia a sua aten\u00e7\u00e3o sequer. Todo o meu cora\u00e7\u00e3o palpitava e exultava de tal modo que me controlei com muito custo para n\u00e3o gritar de alegria por toda aquela vis\u00e3o celestial, dando gl\u00f3ria a Deus. Assim que tive como controlar meus sentimentos, debrucei-me diante dum jovem que estava ali perto e muito atarefado a orar por ele mesmo. Pus minha m\u00e3o suavemente em seu ombro, atraindo a sua aten\u00e7\u00e3o e pregando-lhe Jesus ao ouvido em sussurro. Assim que captei a flecti a sua aten\u00e7\u00e3o para a cruz de Cristo, ele creu, acalmou-se, aquietando-se estranhamente pensativo durante um minuto ou dois, para logo de seguida irromper numa ora\u00e7\u00e3o dedicada por todos aqueles aflitos, ali mesmo. Fiz o mesmo com um e outro com os mesmos resultados. Depois mais um e mais outro at\u00e9 que chegou a hora em que eu haveria de sair dali para cumprir com um outro compromisso na vila. Disse-lhes que tinha outra reuni\u00e3o para administrar e pedi ao velhinho que tomasse conta daquela ali. Assim fez. Mas havia tanto interesse em serem salvos, tantas almas feridas profundamente pela espada de Deus, que n\u00e3o havia maneira de desmanchar a reuni\u00e3o mandando aquelas pessoas para casa. Permaneceram ali toda aquela noite at\u00e9 ao dia seguinte. Pela manh\u00e3, ningu\u00e9m queria sair dali e foram levados para um outro local no acampamento, para que a sala da escola ficasse vaga, pois era segunda-feira e as aulas haviam de dar-se. \u00c0 tarde mandaram chamar-me porque ainda ningu\u00e9m conseguira dissolver aquela assembl\u00e9ia de gente profundamente aturdida em convic\u00e7\u00e3o de pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando desci pela segunda vez, recebi uma explica\u00e7\u00e3o porque as pessoas se haviam irado tanto contra mim. o lugar chamava-se Sodoma, algo que eu desconhecia por inteiro. Tamb\u00e9m que l\u00e1 havia apenas um homem piedoso, aquele velhinho que me convidou e que seu nome era L\u00f3. As pessoas estariam a pensar que toda aquela hist\u00f3ria era propositada, que eu havia escolhido aquele tema para atingi-los diretamente, porque eram de fato \u00edmpios e havia ali apenas um \u00fanico homem justo. Chamavam o acampamento de Sodoma precisamente devido ao fato de serem muito maus. Isto foi apenas uma grande coincid\u00eancia, meramente acidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante anos nunca mais visitei aquele lugar. Uns poucos anos depois desta ocorr\u00eancia genu\u00edna, estando a trabalhar na Obra de Deus em Syracuse, no estado de Nova York, dois senhores chamaram-me \u00e0 parte um dia. Um deles teria cerca de cinq\u00fcenta anos de idade. O outro jovem que estava com ele apresentou-me o senhor mais velho como sendo o Di\u00e1cono W&#8211;, que era um anci\u00e3o da sua igreja. Chamou-me para me dar cem d\u00f3lares para o Col\u00e9gio de Oberlin. O senhor mais velho, por sua vez, apresentou o mais jovem, dizendo: &#8220;este \u00e9 o Rev. Mr.Cross. Ele converteu-se sob seu minist\u00e9rio&#8221;. Logo o Sr. Cross me dirigiu a palavra dizendo: &#8220;recorda-se haver pregado em Antwerp h\u00e1 algum tempo atr\u00e1s, na escola, numa tarde e num lugar de nome Sodoma onde as pessoas ca\u00edram a suplicar por miseric\u00f3rdia?&#8221; Respondi que me lembrava perfeitamente, pois seria imposs\u00edvel esquecer algo assim enquanto a mem\u00f3ria me fosse um dom. Disse: &#8220;Bem, eu na altura era apenas um jovem ali. Converti-me nessa reuni\u00e3o&#8221;. Ele, durante anos a fio, depois disso, foi um ministro de grande sucesso. V\u00e1rios dos seus filhos espirituais obtiveram a sua educa\u00e7\u00e3o aqui em Oberlin. Olhando para aqueles acontecimentos, havendo aquele avivamento sendo t\u00e3o repentino, foi de um tal poder que todos os seus convertidos se mantiveram firmes e obviamente s\u00e3os e aquela obra permaneceu firme e genu\u00edna. Nunca ouvi falar de dist\u00farbios por ali, nem de fac\u00e7\u00f5es, nem de emotividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falei dos Universalistas que presenteavam o Di\u00e1cono R com oposi\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o conseguisse trazer as mensagens aos domingos naquela zona da vila de Antwerp, tirando-lhe as rodas da carro\u00e7a. Mas assim que o avivamento estava na sua maior for\u00e7a, o Di\u00e1cono R desejava que eu fosse pregar l\u00e1. Marquei a reuni\u00e3o para uma certa tarde, no sal\u00e3o social da escola. Assim que l\u00e1 cheguei, o dito sal\u00e3o estava repleto de gente com o Di\u00e1cono R perto duma das janelas, encostado num dos pilares com a B\u00edblia e um hin\u00e1rio na sua m\u00e3o. Sentei-me a seu lado enquanto ele punha a congrega\u00e7\u00e3o a cantar, o que fizeram dum jeito muito peculiar. Ali entrei em ora\u00e7\u00e3o imediata obtendo mesmo gra\u00e7a e acesso ao trono de Deus. Levantei-me e peguei no texto que diz &#8220;Serpentes, ra\u00e7a de v\u00edboras! como escapareis da condena\u00e7\u00e3o do inferno?&#8221; Mt. 23:33. Reparei como o Di\u00e1cono R ficou perturbado. Logo se levantou e dirigiu-se para a porta que estava aberta. Havia uns rapazes perto da porta e eu pensei que ele se dirigia para l\u00e1 para que os fizesse calar. Mais tarde vim a saber que ele estava com medo e que por essa raz\u00e3o foi para mais perto da porta, para que, caso se atirassem a mim ele estivesse perto da porta de sa\u00edda para escapar para a rua. Ele concluiu, a partir do texto, que eu iria ser bastante franco com todos ali. Ele j\u00e1 estava nervoso por causa de toda aquela oposi\u00e7\u00e3o contra a obra que ele tentara promover por ali e queria estar apenas longe de ser apanhado tamb\u00e9m. Procedi de acordo com aquilo que estava em meu cora\u00e7\u00e3o e descarreguei sobre eles com todo o poder. Quando terminei, havia transtornado todas aquelas mesas de doutrinas Universalistas, creio mesmo. O que se passou foi uma cena em tudo id\u00eantica \u00e0 de Sodoma, \u00e0 qual fiz referencia. Assim aquele avivamento expandiu-se poderosamente e perpetrou-se por toda aquela regi\u00e3o e todas as cidades circunvizinhas partilharam da sua b\u00ean\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. A Obra foi de valor incalcul\u00e1vel ali em Antwerp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas quando foi de receber os membros na igreja, depois de examinar uns quantos, descobri que muitos deles tinham uma educa\u00e7\u00e3o Baptista, jovens que haviam crescido em fam\u00edlias Batistas. Perguntei-lhes se preferiam o batismo por imers\u00e3o. Logo disseram que para eles lhes seria indiferente, mas que seus pais prefeririam que fossem Batizados por imers\u00e3o. Disse-lhes que eu tamb\u00e9m n\u00e3o tinha qualquer obje\u00e7\u00e3o a fazer contra ou a favor e que por isso, se tal os agradasse tanto a eles como a seus amigos, n\u00e3o me importaria de virar Baptista por eles. Chegou o Domingo e organizei tudo para batiz\u00e1-los por imers\u00e3o durante o intervalo dos cultos. Fui para um riacho ali perto e batizei perto duma d\u00fazia deles, ou mais. Quando chegou a hora do culto da noite, fomos para o sal\u00e3o. Ali batizei muitos tomando \u00e1gua em minha m\u00e3o e aplicando-a \u00e0 sua testa. Assim, as ordenan\u00e7as de ambas igrejas havia sido rigorosamente cumpridas e tanto uma maneira como outra haviam sido fortemente aben\u00e7oadas por Deus. Deus manifestou a todos ali presentes pela b\u00ean\u00e7\u00e3o manifesta que ambos os m\u00f3dulos de caprichos doutrin\u00e1rios eram aceit\u00e1veis para Ele desde que arrependidos de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os amigos de muitos convertidos havia tamb\u00e9m muitos Metodistas. No S\u00e1bado ouvi dizer que eles diziam que eu era Presbiteriano e que eu cria naquela doutrina de elei\u00e7\u00e3o e de predestina\u00e7\u00e3o e que ainda n\u00e3o a havia pregado ali por enquanto. Diziam que eu n\u00e3o me atreveria a pregar sobre aquilo por receio de que os rec\u00e9m convertidos n\u00e3o se unissem \u00e0 igreja. Isto fez com que eu decidisse pregar sobre o assunto no Domingo antecedente \u00e0 sua integra\u00e7\u00e3o. Peguei num texto e expliquei o que a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria; depois o que seria a elei\u00e7\u00e3o; em terceiro lugar que era uma doutrina B\u00edblica; em quarto lugar, que era uma doutrina de racioc\u00ednio; em quinto lugar, que negando o poder de Deus em eleger, seria negar algumas das caracter\u00edsticas de Deus; em sexto lugar, que isso nunca se opunha \u00e0 plena salva\u00e7\u00e3o dos n\u00e3o eleitos; em s\u00e9timo lugar, que todos os homens podem vir a ser salvos desde que o queiram ser; e por \u00faltimo, que apenas havia essa esperan\u00e7a para que as pessoas algum dia viessem a ser salvas, j\u00e1 que nunca queriam. Conclu\u00ed depois com alguns apontamentos como de costume.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Senhor havia tornado todo aquele assunto perfeitamente claro \u00e0 minha mente durante aquele tempo ali e t\u00e3o claro para quem me ouvia, que at\u00e9 os Metodistas cederam perante aquela argumenta\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel. Nunca mais se ouviu palavra de dissens\u00e3o sobre aquele assunto de ali em diante. Enquanto pregava, reparei numa senhora Metodista que eu j\u00e1 tivera oportunidade de vir a conhecer anteriormente e a quem eu tinha como um exemplo de crente. Ela estava chorando intensamente. Dirigi-me \u00e0 senhora e disse: &#8220;Querida irm\u00e3, espero n\u00e3o haver magoado os seus sentimentos&#8221;. Ela respondeu-me e disse-me: &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o me magoou, n\u00e3o, Sr. Finney. Mas eu cometi um pecado. Ontem \u00e0 noite eu e meu marido hav\u00edamos discutido esta doutrina, sendo ele um homem impenitente ainda. Eu mantinha que a doutrina de elei\u00e7\u00e3o era falsa o melhor que sabia, chegando mesmo a resistir-lhe afirmando que n\u00e3o existia. E agora o senhor convenceu-me que ela \u00e9 verdadeira. Mas em vez de culpabilizar o meu marido ou algu\u00e9m mais, reconhe\u00e7o que essa ser\u00e1 a \u00fanica maneira de tornar poss\u00edvel a sua salva\u00e7\u00e3o&#8221;. N\u00e3o houve mais obje\u00e7\u00f5es sobre toda aquela quest\u00e3o de doutrinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia muitas convers\u00f5es peculiares e interessantes neste local. Houve mesmo relatos de recupera\u00e7\u00e3o de insanidade mental instant\u00e2nea neste avivamento. Quando fui para o local de culto num Domingo, vi v\u00e1rias senhoras em amotina\u00e7\u00e3o \u00e0 volta duma senhora vestida de negro que me parecia estar em grande agonia interior. Em parte, estariam a segur\u00e1-la, para que n\u00e3o sa\u00edsse. Entrei e uma daquelas senhoras logo tratou de me dizer que ela era louca e que antes havia sido Metodista, mas supunha que havia deca\u00eddo e sa\u00eddo da gra\u00e7a. Isso a levara ao desespero e por fim \u00e0 insanidade mental. O marido era um homem temperamental e vivia a uma certa dist\u00e2ncia da vila. Fora ele que a trouxera e deixara ali e depois encaminhou-se para uma taberna ali pr\u00f3ximo. Falei-lhe, mas ela apenas respondia que tinha de se ir embora dali. Dizia que n\u00e3o suportava ouvir uma ora\u00e7\u00e3o, nem prega\u00e7\u00e3o sobre a palavra, c\u00e2nticos ou algo do g\u00eanero; que havia desperdi\u00e7ado a sua por\u00e7\u00e3o, que o inferno seria a sua heran\u00e7a predileta e que n\u00e3o suportava ouvir mencionar o c\u00e9u. Pedi \u00e0s senhoras que continuassem a segur\u00e1-la, que n\u00e3o a deixassem sair e que a levassem para se sentar numa cadeira sem perturbar a reuni\u00e3o caso lhes fosse poss\u00edvel. Subi para o p\u00falpito e li um hino. Logo se come\u00e7ou a cantar e a senhora de negro come\u00e7ou a estrebuchar para sair dali. Mas as outras senhoras obstru\u00edram-lhe a passagem e com persist\u00eancia preveniram que sa\u00edsse. Uns momentos depois ela acabou por se acalmar, mas parecia estar a evitar ouvir ou a cantar o hino. Logo orei. Durante algum tempo mais, ouvia como ela lutava para sair dali; mas antes de terminar aquela ora\u00e7\u00e3o, j\u00e1 ela se havia acalmado e a congrega\u00e7\u00e3o sossegou. O Senhor havia-me concedido um profundo esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o e um certo texto de onde pregar, pois n\u00e3o havia ainda decidido sobre o que pregar. Peguei no texto em Hebreus: &#8220;Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da gra\u00e7a, para que recebamos miseric\u00f3rdia e achemos gra\u00e7a, a fim de sermos socorridos no momento oportuno&#8221;, Hb. 4:16.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o meu objetivo seria provocar alguma f\u00e9 na senhora em quest\u00e3o e tamb\u00e9m em n\u00f3s por ela. Quando comecei a orar, ela esfor\u00e7ou-se muito para sair dali logo. Mas como aquelas senhoras lhe barraram todas as sa\u00eddas, ela encontrava-se calma e sossegada a partir dali, mas com a sua cabe\u00e7a baixa como que recusando-se a ouvir qualquer palavra mais. Mas prossegui e ela come\u00e7ou gradualmente a levantar a sua cabe\u00e7a, olhando para mim e fitando-me intensamente por baixo do seu chap\u00e9u, muito s\u00e9ria. Impulsionei e exortei a quem me ouvia para que fossem audazes na sua f\u00e9 e que se lan\u00e7assem para os bra\u00e7os do Senhor e se entregassem a Ele com o maior dos \u00e0-vontades e confian\u00e7a, devido ao sacrif\u00edcio do nosso Sumo-Sacerdote Eleito. Logo ali ela deu um grito estridente e toda a congrega\u00e7\u00e3o se pasmou. Ela quase se atirou do seu assento, mantinha sua cabe\u00e7a baixa e tremia efusivamente. As outras senhoras continuavam de volta dela, parcialmente segurando-a, parcialmente olhando com compaix\u00e3o intercessora para com ela. Persisti e passado um pouco mais j\u00e1 ela me escutava de novo e de repente sentou-se ereta na cadeira com todo o seu semblante maravilhosamente transformado, indicando um claro triunfo pela paz de esp\u00edrito l\u00facido que refletia, o qual fazia brilhar seu rosto. Poucas vezes mais vi um tal brilho santo num rosto, como ali vi naquele dia. A alegria da senhora era tanta que dificilmente se conteve at\u00e9 que houvesse terminado aquela reuni\u00e3o. Logo se levantou e disse a todos que havia sido liberta do seu cativeiro pelo Senhor. Ela come\u00e7ou a magnificar Deus com um admir\u00e1vel triunfo estampado no seu rosto, pulando de alegria. Dois anos depois encontrei-a de novo e expressava a mesma alegria e paz de esp\u00edrito cont\u00ednuo e eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um outro caso de recupera\u00e7\u00e3o de insanidade mental foi um outro duma certa senhora que tamb\u00e9m estava em total desespero e que entrara num estado de insanidade mental estranho. Eu n\u00e3o estava presente quando a sua sa\u00fade foi restaurada. Mas relataram-me que foi quase instant\u00e2nea tamb\u00e9m atrav\u00e9s dum poderoso batismo do Esp\u00edrito Santo. Por norma, os facciosos acusam os avivamentos de tornarem as pessoas tresloucadas. Mas os fatos s\u00e3o que, os homens \u00e9 que s\u00e3o naturalmente e particularmente loucos no que toca o assunto da religi\u00e3o. Os avivamentos restauram-nos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante este avivamento, ouviu-se falar duma grande oposi\u00e7\u00e3o a ele a partir de Gouverneur, uma cidadela doze milhas a norte dali. Ouvimos dizer que os \u00edmpios amea\u00e7avam descerem a Antwerp para nos espancarem e desancarem, com a finalidade de interromper todas as nossas reuni\u00f5es. \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o prestamos qualquer aten\u00e7\u00e3o \u00e0quelas amea\u00e7as e estou aqui a mencionar isto apenas porque pretendo mais adiante, descrever um poderoso avivamento por ali tamb\u00e9m. Havendo recebido todos os rec\u00e9m convertidos na comunh\u00e3o da igreja e havendo laborado tanto em Antwerp como em Evans&#8217;Mills at\u00e9 ao Outono do ano seguinte, mandei que se buscasse um jovem Pastor de nome Denning, a quem entreguei a guarita daquelas almas. Foi assim que parei o meu labor ali em Antwerp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO IX &#8211; RETORNO A EVANS&#8217; MILLS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esta altura estava sendo pressionado a continuar em Evans&#8217; Mills e acabei por ceder e dizer-lhes que permaneceria por ali, no m\u00ednimo por mais um ano. Estava noivo e prestes a casar e por essa raz\u00e3o desloquei-me a Whitestown, Oneida county em Outubro de 1824. Minha esposa fez prepara\u00e7\u00f5es para uma casa; um ou dois dias depois de nosso casamento tive de partir para Evans&#8217; Mills e assim providenciar algum transporte para as coisas que minha esposa juntara. Disse-lhe para me esperar dentro duma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Outono antecedente a este, preguei por algumas vezes, \u00e0 noite, num local chamado Perch River, a cerca de doze milhas a noroeste de Evans&#8217; Mills. Passei um Domingo em Evans&#8217; Mills e minha inten\u00e7\u00e3o l\u00f3gica era voltar \u00e0 minha esposa pelo meio da semana. Mas chegou algu\u00e9m de Perch River com uma mensagem nesse Domingo, afirmando que um avivamento estaria lentamente em curso desde que pregara l\u00e1. Logo suplicou-me que l\u00e1 fosse pregar de novo, no m\u00ednimo uma vez mais. Apontei para ter\u00e7a-feira \u00e0 noite. Mas por fim desisti de voltar \u00e0 minha esposa durante essa semana e continuei pregando por ali todo aquele tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo de seguida este reavivamento se espalhou por Brownville, uma vila a uma consider\u00e1vel distancia dali, penso que para sul. Por fim, sob press\u00e3o do ministro de Brownville, acabei por passar l\u00e1 todo o inverno na igreja de Brownville, escrevendo \u00e0 minha esposa sobre as circunstancias da obra de Deus e que iria ter com ela assim que fosse da vontade de Deus, quando Ele assim proporcionasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Brownville sucedeu-se um trabalho de grande interesse, mas mesmo assim parecia dif\u00edcil tarefa p\u00f4-los a trabalhar. N\u00e3o conseguia desvendar algu\u00e9m com santidade s\u00f3bria no meio de toda aquela gente e a pol\u00edtica do seu ministro era tal que simplesmente proibia o desenrolar normal do reavivamento, a sua fluidez categ\u00f3rica. Laborei por ali sob grande dor e com muitos obst\u00e1culos pela frente. Descobria que muitas vezes o ministro e sua esposa se ausentavam das reuni\u00f5es para freq\u00fcentarem festas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu era hospede dum Senhor B-, um dos presb\u00edteros daquela igreja e um amigo muito intimo desse ministro. Um dia, por\u00e9m, quando descia do meu quarto e pretendia sair para satisfazer alguns inquiridores angustiados, encontrei o senhor B- na sala, o qual me perguntou assim: &#8220;Sr. Finney, o que pensa ser\u00e1 o problema quando algu\u00e9m ora pedindo o Esp\u00edrito Santo semana ap\u00f3s semana e nada obt\u00e9m de Deus?&#8221; Retorqui-lhe que acharia que ele estaria pedindo isso a Deus pelos motivos errados! &#8220;Mas que motivos ent\u00e3o? Porque raz\u00e3o devo eu pedir a Deus Seu Esp\u00edrito Santo? Se eu quero ser tornada numa pessoa feliz, isso est\u00e1 errado de minha parte?&#8221; Respondi-lhe que at\u00e9 Satan\u00e1s poderia ter um motivo igual ao dele e citei as palavras do Salmista: &#8220;sust\u00e9m-me com um esp\u00edrito volunt\u00e1rio. (13) Ent\u00e3o ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e pecadores se converter\u00e3o a ti. Sal. 51:12-13. &#8220;Como v\u00ea, este Salmista n\u00e3o pedia o Esp\u00edrito Santo para ser feliz, mas sim para que fosse \u00fatil na convers\u00e3o dos transgressores a Deus&#8221;. Havendo-lhe dito isto, virei-me e sa\u00ed de pronto enquanto ele saia para seu pr\u00f3prio quarto tamb\u00e9m, mas muito chocado comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permaneci fora de casa at\u00e9 \u00e0 hora do jantar e quando voltei ele encontrou-se comigo e se abriu logo com uma confiss\u00e3o. &#8220;Sr. Finney, devo-lhe um pedido de desculpas, quero que me perdoe. Eu irei-me consigo e devo admitir mesmo que minha esperan\u00e7a e desejo era nunca mais tornar a v\u00ea-lo sequer. Aquilo que voc\u00ea me disse fez-me entender que nunca me havia convertido e que nunca havia buscado a Deus a n\u00e3o ser para ser feliz apenas. Tive tal convic\u00e7\u00e3o dum ego\u00edsmo profundo que sa\u00ed logo dali abruptamente. Quando o senhor saiu de minha casa, apenas orava que Deus levasse minha vida, pois nunca iria suportar a vergonha de saberem que sempre havia sido um homem enganado. Eu sou amigo \u00edntimo de nosso pastor, viajei com ele para todo lugar, mais do que qualquer outro membro de nossa igreja. Mesmo assim descobri que era um dos maiores hip\u00f3critas de sempre na face da terra. Essa revela\u00e7\u00e3o era algo dif\u00edcil de suportar e por essa raz\u00e3o desejava morrer e orei a Deus para que me tirasse a vida&#8221;. Mas o que se deu desde ali, foi que se transfigurou num novo homem a partir de ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta convers\u00e3o trouxe com ela grandes benef\u00edcios para toda a obra de Deus. Poderia mesmo citar muitos casos adjacentes a este avivamento, mas como teria de mencionar muita coisa que me causariam dor pelo comportamento leviano de seu ministro e especialmente de sua esposa, prefiro nada divulgar sobre ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedo, na primavera de 1825, sa\u00ed de Brownville a com meu cavalo em busca de minha esposa. Estive ausente dela por cerca de seis meses ap\u00f3s nosso casamento. Tamb\u00e9m nunca tivemos oportunidade de trocar muita correspond\u00eancia por motivos \u00f3bvios. Sa\u00ed e as estradas estavam escorregadias e descobri que tinha de parar para mudar as ferraduras do meu cavalo e parei em Le Rayville, uma vila a cerca de tr\u00eas milhas de Evans&#8217; Mills. Enquanto meu cavalo era tratado, as pessoas descobriram que estava por ali e todos acorreram como um homem suplicando para lhes pregar \u00e0 uma da tarde na sala da escola, pois n\u00e3o possu\u00edam local de culto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 uma hora a sala estava repleta, compactada mesmo. Enquanto pregava o Esp\u00edrito de Deus desceu sobre eles com grande poder. Era t\u00e3o grandioso e t\u00e3o evidente o derramamento do Esp\u00edrito ali que acedi a seus clamores para que permanecesse por l\u00e1 ainda e resolvi passar ali a noite apenas, pregando de novo para eles essa noite. Mas a obra aumentou em propor\u00e7\u00e3o e \u00e0 noite apontei para um outro culto no dia a seguir. Logo descobri que n\u00e3o poderia seguir no encal\u00e7o de minha esposa. Pedi a um irm\u00e3o que fosse busc\u00e1-la por mim, para que eu tivesse como ficar por ali. Ele assim fez e continuei com as prega\u00e7\u00f5es dia ap\u00f3s dia, noite ap\u00f3s noite e um enorme avivamento irrompeu ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devo mencionar que enquanto estava Brownville, Deus me havia manifestado duma forma muito admir\u00e1vel que iria derramar de Seu Esp\u00edrito em Gouverneur e que me haveria de deslocar l\u00e1 para ali pregar. Nada sabia daquela localidade, com exce\u00e7\u00e3o de que havia bastante oposi\u00e7\u00e3o ao reavivamento em Antwerp, no ano anterior a este. Nunca poderei dizer porque Deus me revelou e manifestou o que se iria suceder ali em Gouverneur, mas sei agora tal como sabia ent\u00e3o que tal havia sido mesmo uma revela\u00e7\u00e3o de Deus. Nem sequer pensava no local, tanto quanto me recorde, mas veio at\u00e9 mim esta revela\u00e7\u00e3o clara como a luz do dia que me deveria deslocar l\u00e1 para pregar e que Deus derramaria Seu Esp\u00edrito ali tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco depois, descobri um dos membros da igreja de Gouverneur, o qual passara por Brownville. Relatei-lhe o que Deus me havia transmitido e ele achou que eu havia enlouquecido. Mas exortei-o a que fosse para casa e que transmitisse isso mesmo aos irm\u00e3os locais e que se preparassem para a minha vinda e para a vinda do Esp\u00edrito do Senhor. A partir dele descobri que n\u00e3o tinham ministro, que havia l\u00e1 duas igrejas na cidade, uma perto da outra e que a igreja Baptista tinha pastor e a Presbiteriana n\u00e3o tinha. Tamb\u00e9m que um certo ministro muito avan\u00e7ado em idade havia-lhes ministrado a palavra antes e que havia sido demitido; por essa raz\u00e3o n\u00e3o tinham ningu\u00e9m que lhes trouxesse a palavra de Deus com a regularidade necess\u00e1ria. A partir do que consegui saber dele, desvendei que a obra de Deus estaria em muito mau estado ali em Gouverneur. Senti tamb\u00e9m que este homem que me relatou tudo aquilo era t\u00e3o frio de cora\u00e7\u00e3o como seria um iceberg.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas por enquanto voltara aos meus labores em Le Rayville. Ap\u00f3s labutar por ali durante umas quantas semanas, uma grande multid\u00e3o local se havia convertido. Entre estas pessoas estava um Juiz de nome C-, um homem de grande influ\u00eancia ali, o qual estava muito acima da m\u00e9dia de toda aquela gente. Minha esposa havia chegado entretanto, dias depois de haver mandatado sua busca. Aceitamos a oferta deste Juiz para sermos seus h\u00f3spedes. Mas uns dias depois a popula\u00e7\u00e3o urgia-me a que fosse pregar numa certa igreja Baptista numa cidadela de nome Rutland, onde Rutland se unia a Le Ray. Apontei ir pregar l\u00e1 uma tarde. O tempo estava ameno e por essa raz\u00e3o andei cerca de tr\u00eas milhas at\u00e9 seu local de culto, atravessando uma floresta de pinhal. Cheguei cedo e descobri o local aberto mas sem ningu\u00e9m l\u00e1 dentro. Estava cheio de calor por haver andado at\u00e9 ali e entrei, assentando-me encostado a um pilar no centro do sal\u00e3o de culto. De seguida come\u00e7aram a chegar as pessoas, espalhando-se pela sala toda. Logo foi aumentando a quantidade de gente que entrava e presumi que ningu\u00e9m me conhecia e por essa raz\u00e3o n\u00e3o se haviam apercebido de minha presen\u00e7a ali. Permaneci quieto e ningu\u00e9m que eu conhecesse havia entrado at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrou ent\u00e3o uma jovem senhora como umas plumas em seu chap\u00e9u e vestida de certa forma alegre. Ela era alta, esbelta, manifestava alguma dignidade e movia graciosamente suas plumas. Ela entrou como que navegando e mostrando suas plumas a toda a gente, verificando que impress\u00e3o causava a todos os presentes. Este caso atraiu toda a minha aten\u00e7\u00e3o porque era algo raro de se ver e mexeu muito comigo mesmo. Ela entrou e sentou-se atr\u00e1s de mim, quando ainda n\u00e3o havia ningu\u00e9m ali. Est\u00e1vamos perto um do outro, mas ocupando lugares diferentes na mesma carreira de bancos. Virei-me e olhei para ela dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a, de alto a baixo. Ela notou que eu a estaria observando atentamente e olhou para o solo envergonhada. Perguntei-lhe levemente, com suavidade mas com muita seriedade se ela havia entrado ali para dividir a adora\u00e7\u00e3o com Deus e para que as pessoas a adorassem tamb\u00e9m, pois ela estava desviando a aten\u00e7\u00e3o das pessoas da adora\u00e7\u00e3o a Deus. Perguntei baixinho, mas de forma a que s\u00f3 ela me ouvisse perfeitamente, se queria ser adorada a par com Deus. Ela soltou um certo grunhido de mal-estar. Prossegui falando at\u00e9 que sucumbiu sob a repreens\u00e3o e n\u00e3o mais pode erguer sua cabe\u00e7a. Come\u00e7ou a tremer e quando j\u00e1 havia dito o bastante para que ela assegurasse toda a sua aten\u00e7\u00e3o sobre sua vaidade e leviandade de esp\u00edrito, ergui-me e coloquei-me por detr\u00e1s do p\u00falpito. Assim que ela se apercebeu que era eu o ministro o qual iria trazer a mensagem, sua agita\u00e7\u00e3o alargou-se a olhos vistos, de tal forma que come\u00e7ou a ser notada por todos \u00e0 sua volta tamb\u00e9m. A casa logo se encheu de gente e peguei num texto das Escrituras a partir do qual comecei a falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito do senhor foi sobejamente derramado sobre toda aquela congrega\u00e7\u00e3o. No final do serm\u00e3o, fiz algo que acho nunca haver feito antes: chamei a que entregassem seus cora\u00e7\u00f5es a Deus e que quem quisesse se entregar a Deus, viesse e ocupasse os lugares da frente da sala de culto. N\u00e3o sei porque o fiz, mas assim que falei, aquela jovem senhora foi a primeira a erguer-se. Ela saiu disparada de seu banco em manifesto desespero e tratou de tomar um lugar na frente. Ela quase que correu atropelando pessoas, sem se importar com ningu\u00e9m mas consciente apenas da presen\u00e7a de Deus. Ela sucumbia em agonia de alma. Tamb\u00e9m muita outra gente se ergueu e ocupou os lugares da frente. Todos se resolveram ir viver para Deus e esta senhora na frente de todos. Descobri ent\u00e3o que ela seria a vaidade em pessoa, considerada por muitos como a beldade local, vestindo-se muito vaidosamente no entanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns anos mais tarde, encontrei-me com um certo homem o qual atra\u00edra minha aten\u00e7\u00e3o nesse dia tamb\u00e9m. Inquiri sobre o estado daquela senhora e disse-me que a conhecia muito bem mesmo e que ainda vivia no mesmo local, casara entretanto e tornou-se numa pessoa bastante \u00fatil e numa crente seriamente comprometida desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preguei mais umas quantas vezes nesse mesmo local e surgiu ent\u00e3o, de novo, a quest\u00e3o de Gouverneur diante de mim. Deus parecia querer-me dizer &#8220;Vai agora para Gouverneur, chegou seu tempo&#8221;. O irm\u00e3o Daniel Nash chegara uns dias antes desta ocorr\u00eancia e passou algum tempo ali comigo. Quando se deu este \u00faltimo chamamento para me deslocar a Gouverneur, tinha alguns compromissos assumidos na zona de Rutland. Disse ao irm\u00e3o Nash: &#8220;Acho que o senhor deveria se deslocar a Gouverneur, ver tudo o que se passa por l\u00e1 e se poss\u00edvel trazer-me um relat\u00f3rio pormenorizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele fez isso mesmo logo pela manh\u00e3 seguinte e depois de se haver ausentado por dois ou mesmo tr\u00eas dias, voltou dizendo que achara por l\u00e1 muitos que professavam religi\u00e3o, mas sob forte convic\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e que pressentia que Deus se instalara no meio das pessoas. Mas tamb\u00e9m me informou que achava que as pessoas ainda n\u00e3o se tinham apercebido de que era Deus quem operava neles. Logo de seguida informei as pessoas que me ia deslocar a Gouverneur para pregar l\u00e1 e que j\u00e1 n\u00e3o teria como cumprir os compromissos antes assumidos de pregar em suas igrejas. Pedi ao Pai Nash para voltar logo para informar as pessoas que me deveriam esperar num certo dia marcado daquela mesma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO X &#8211; REAVIVAMENTO EM GOUVERNEUR<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O irm\u00e3o Nash, de acordo com tudo aquilo que combinamos, voltou no dia seguinte para Gouverneur.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desloquei-me, creio que cerca de trinta milhas para chegar ao local. Chovia torrencialmente logo pela manh\u00e3, mas assim que parou, tive como chegar a Antwerp. Mas mal comecei a almo\u00e7ar, a chuva voltara de novo at\u00e9 quase ao fim da tarde. Desde a manh\u00e3 que me parecia ser imposs\u00edvel alcan\u00e7ar o local de culto e a tarde apenas me dizia o mesmo. Mas logo a chuva parou por algum tempo e pus-me a caminho de Gouverneur. Descobri mais tarde que as pessoas haviam desistido de me esperar, devido \u00e0 chuva intensa que se fez sentir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes mesmo de ter alcan\u00e7ado a vila, um certo senhor S-, um dos principais membros daquela igreja, j\u00e1 voltava para sua casa a qual eu j\u00e1 havia passado. Ele parou sua carruagem e perguntou-me se eu era o Finney. Respondi-lhe que sim e ent\u00e3o ele acrescentou: &#8220;Olhe, por favor, volte para traz at\u00e9 minha casa, pois fa\u00e7o quest\u00e3o que seja meu h\u00f3spede. O senhor deve estar fatigado por causa da longa jornada at\u00e9 aqui nestas estradas lamacentas e intransit\u00e1veis; volte, pois acho mesmo que n\u00e3o deve haver qualquer reuni\u00e3o hoje&#8221;. Respondi-lhe que eu iria a qualquer custo cumprir com o compromisso assumido e perguntei se ainda l\u00e1 havia algu\u00e9m na igreja. Disse-me que quando sa\u00edra de l\u00e1, as pessoas ainda l\u00e1 estavam, mas achava que me seria de todo imposs\u00edvel alcan\u00e7ar o local antes de se haverem dispersado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cavalguei rapidamente, apeei-me \u00e0 porta do sal\u00e3o de culto e apressei-me a entrar. O irm\u00e3o Nash estava por traz do p\u00falpito e acabava de se erguer para mandar as pessoas para suas casas. Mas mal me viu, levantou suas m\u00e3os e esperou at\u00e9 que houvesse chegado ao p\u00falpito e abra\u00e7ou-me efusivamente, erguendo-me no ar. Depois da sua cerim\u00f4nia de boas-vindas, apresentou-me de seguida \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o. Em poucas palavras dirigi-me \u00e0s pessoas informando que havia vindo cumprir o que havia sido estipulado e que querendo Deus eu iria pregar a uma certa hora, a qual marquei logo ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando chegou a hora, a casa estava lotada de gente. As pessoas haviam ouvido tanta coisa, tanto a favor quanto contra mim, que sua curiosidade n\u00e3o lhes permitia ficar sem vir ouvir-me. O Senhor deu-me um texto do qual preguei e derramei todo o conte\u00fado do meu cora\u00e7\u00e3o sobre eles. A Palavra teve um efeito tremendo sobre eles. Isso era plenamente manifesto e bastante vis\u00edvel em todos ali presentes, creio mesmo. Terminei aquela reuni\u00e3o e s\u00f3 ent\u00e3o pude ir descansar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O hotel da vila era dirigido por um Dr.S-, um Universalista convicto. Na manh\u00e3 seguinte, sa\u00ed como me era habitual, para falar com as pessoas e inquirir deles sobre o verdadeiro estado de suas almas. Maravilhei-me pois toda a vila fervilhava de entusiasmo. Depois de haver entrevistado e conversado com algumas pessoas, entrei na loja dum alfaiate e descobri que as pessoas estavam a discutir todo o serm\u00e3o do dia anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Dr. S-, que eu ainda n\u00e3o conhecia, estava entre essas mesmas pessoas, defendendo seus sentimentos Universalistas. Mal entrei, os argumentos e os apontamentos que havia feito serviram de tema de conversa e o Dr. S- deu um passo em frente, apoiado pelos demais que ali se achavam, desabafando e disputando seus pontos de vista, declarando-me suas doutrinas de salva\u00e7\u00e3o universalista. Algu\u00e9m o apresentou a mim eu disse-lhe de seguida: &#8220;Dr., teria muito gosto em discutir consigo suas opini\u00f5es, mas para que tenhamos essa mesma conversa teremos que acordar a maneira da discuss\u00e3o antes de tudo&#8221;. Eu estava j\u00e1 habituad\u00edssimo a discutir as opini\u00f5es com universalistas e nunca esperava que algo de bom sa\u00edsse dessas mesmas discuss\u00f5es, a menos que certa disciplina fosse imposta sobre o desenrolar de tal tempo de discuss\u00e3o. Propus-lhe, por essa raz\u00e3o, que dever\u00edamos discutir apenas um ponto de cada vez e fazendo-o at\u00e9 que esse mesmo ponto estivesse devidamente esgotado, para que assim tiv\u00e9ssemos como pegar num e depois noutro assunto. Ent\u00e3o poder\u00edamos e haver\u00edamos de discutir apenas o ponto de vista presente sem vaguearmos nem divagarmos dele. Tamb\u00e9m ficou assente que nunca nos interromper\u00edamos um ao outro em debate e que cada um tivesse a liberdade de atestar seus pontos de vista livre e efusivamente. Em terceiro lugar que n\u00e3o poderia haver discuss\u00e3o e desprezo um pelo outro, mas que se pudesse manter o pleno respeito um pelo outro, dando o devido peso a cada argumento, de um e de outro lado. Sabia de antem\u00e3o que eles argumentavam todos num sentido apenas e que facilmente se uniam em defesa uns dos outros e que essa manh\u00e3 estava destinada a que tal coisa sucedesse tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo estabelecido os preliminares, come\u00e7amos com os argumentos. N\u00e3o demorou muito at\u00e9 que todos os pontos de vista deste senhor estivessem por terra, demolidos, pois ele sabia muito pouco acerca de toda a B\u00edblia. Tinha uma maneira peculiar de dispor de certas passagens b\u00edblicas \u00e0 sua maneira, conforme as recordava apenas. Tudo o que se recordava da B\u00edblia, servia apenas como algo que se sujeitava e apoiava seus pontos de vista. Mas tal como \u00e9 peculiar de todos os Universalistas, ele demorou mais tempo em argumentar acerca daquilo que acham que \u00e9 a injusti\u00e7a do castigo eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo lhe pude mostrar, tal como aos demais ali presentes, que tinha muito pouco terreno onde se firmar conclusivamente, no que toca a B\u00edblia. Logo tomou posi\u00e7\u00e3o que, dissesse a B\u00edblia o que dissesse, castigo eterno seria algo sempre injusto e que por essa raz\u00e3o a B\u00edblia n\u00e3o tinha porque ser verdade nem verdadeira, pois amea\u00e7ava com um castigo eterno. Mas havia sido conclu\u00eddo o argumento quanto ao que a B\u00edblia dizia sobre todos os seus argumentos. De fato, pude sentir que no fundo todos eles eram apenas c\u00e9pticos e descrentes, n\u00e3o cedendo apenas porque a B\u00edblia contradizia frontalmente todos os seus pontos de refer\u00eancia. Foi assim que conclui com aquela quest\u00e3o sobre o castigo eterno. Pude notar que todos os seus amigos estariam em profunda agita\u00e7\u00e3o interior, pois suas bases de seguran\u00e7a lhes havia sido retirada. Muito pouco tempo depois um deles saiu dali disparado. Conforme continuei, mais um saiu e acabaram todos por o deixar s\u00f3 em seus argumentos: foi abandonado pelos seus. Todos eles se haviam apercebido que estaria errado sem qualquer sombra de d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele era quem consideravam seu l\u00edder. E Foi assim que Deus me permitiu desterrar todos os seus argumentos diante de seus pr\u00f3prios seguidores. Assim que notou que n\u00e3o tinha mais nada para argumentar, instiguei sua aten\u00e7\u00e3o para aquela necessidade de salva\u00e7\u00e3o imediata e absoluta e muito amigavelmente lhe desejei um bom dia para e fui-me embora, tendo aquela convic\u00e7\u00e3o de que em breve algo mais surgiria daquela conversa\u00e7\u00e3o novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esposa deste m\u00e9dico era crente, membro da igreja local. Ele narrou-me um ou dois dias depois disso, que seu marido chegara a casa muito agitado, sem saber por onde havia andado. Ele entrara em seu quarto, sentou-se, mas logo se levantaria por n\u00e3o conseguir permanecer sentado por muito tempo. Ela notou que ele estava em grande agita\u00e7\u00e3o pelo semblante carregado que manifestava. Perguntou-lhe o que se passava. Ele respondeu: &#8220;Nada!&#8221;. No entanto, toda a sua agita\u00e7\u00e3o aumentou de tom. Perguntou de novo se algo se passava com ele. Ela come\u00e7ou levemente a suspeitar que ele havia estado comigo. Ent\u00e3o perguntou-lhe: &#8220;esteve com o Sr. Finney esta manh\u00e3?&#8221; Isso colocou uma paragem em toda a sua agita\u00e7\u00e3o, exclamando: &#8220;Sim! E ele fez com que todas as minhas pr\u00f3prias armas agora estejam apontadas \u00e0 minha pr\u00f3pria cabe\u00e7a!&#8221; Sua agonia intensificou-se e assim que parou de resistir, havendo sido aberto caminho a que se pudesse expressar, entregou-se \u00e0quilo que o atormentava e desde logo come\u00e7ou a experimentar esperan\u00e7a. Seus seguidores entraram, havendo sido trazidos, at\u00e9 que um avivamento genu\u00edno limpou toda aquela eira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disse que havia por ali uma igreja Baptista e tamb\u00e9m uma Presbiteriana, cada qual tendo o seu sal\u00e3o de culto perto um do outro. Esta igreja Baptista tinha Pastor e a Presbiteriana n\u00e3o tinha. Mas assim que o avivamento irrompeu, os irm\u00e3os da igreja Baptista come\u00e7aram a opor-se a ele. Falavam contra a obra de Deus e usavam mesmo meios pouco recomend\u00e1veis para lhes servir de arma de oposi\u00e7\u00e3o. Isto encorajou uns certos jovens a unirem-se e a estabelecerem-se mutuamente contra todo aquele avivamento. A igreja Baptista detinha muita influ\u00eancia naquele local e majoritariamente por essa raz\u00e3o, sentiram-se devidamente encorajados a oporem-se. Havia uma certa amargura no ar, muito forte em seus apetrechos. Estes jovens formaram uma frente unida e pareciam uma catapulta a impedir qualquer progresso da Obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mediante este estado de coisas e circunst\u00e2ncias, eu e o irm\u00e3o Nash decidimos que seria uma barreira a ser vencida pela ora\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o nos era poss\u00edvel destronar tudo aquilo de outra forma sequer. N\u00f3s nos retiramos para o bosque os dois e nos entregamos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o sobre todo aquele assunto at\u00e9 que houv\u00e9ssemos sentido que hav\u00edamos prevalecido diante de Deus quanto \u00e0queles jovens. Sentimos mesmo que nenhum poder nesta terra teria mais como impedir que a poderosa m\u00e3o de Deus se interpusesse e destronasse todo aquele breve impedimento ao avivamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No domingo a seguir, depois de haver pregado de manh\u00e3 e pela tarde; fui eu quem pregou sempre, pois o irm\u00e3o Nash entregara-se por inteiro \u00e0 ora\u00e7\u00e3o; combinamos encontrarmo-nos pelas cinco da tarde na igreja, para uma certa reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o. A casa estava lotada de gente. Perto do fim da reuni\u00e3o o irm\u00e3o Nash levantou-se do seu banco e direcionou seu discurso para os jovens oposicionistas da igreja Baptista. Creio mesmo que todos eles estavam ali presentes dando m\u00e3os enfrentando o Esp\u00edrito de Deus. Era um caso t\u00e3o solene contra eles, que seria rid\u00edcula demais n\u00e3o confront\u00e1-los pela forma como desprezavam toda aquela avalanche da obra de Deus em curso. Sua dureza sentia-se no ar, era palp\u00e1vel para todos ali presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Irm\u00e3o Nash falou diretamente para eles, apontando o verdadeiro perigo em que incorriam. Para o fim de todo seu discurso, aqueceu seu tom e disse-lhes assim: &#8220;Agora ou\u00e7am bem, jovens! Deus quebrar\u00e1 vossas trincheiras num tempo limite duma semana, ou convertendo-vos, ou mandando alguns de v\u00f3s para o inferno. Ele far\u00e1 isso mesmo, t\u00e3o certo quanto Ele \u00e9 o meu Deus!&#8221; Ele movimentava seus bra\u00e7os e desferiu um golpe casual sobre o p\u00falpito, fazendo um grande ru\u00eddo. Ele baixou-se logo, agarrou em sua m\u00e3o, cheio de dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a sala emudeceu em sil\u00eancio absoluto e as pessoas na sua maioria, baixaram suas cabe\u00e7as levemente. Tive oportunidade de observar que aqueles jovens estariam se agitando. Quanto a mim, lamentei-me que o Irm\u00e3o Nash houvesse ido t\u00e3o longe quanto foi. Ele se comprometeu, que Deus ou tiraria a vida daqueles jovens, colocando-os no inferno, ou os converteria numa semana. Contudo, na Ter\u00e7a-feira dessa mesma semana, o l\u00edder desse movimento oposicionista, deflagrou vindo at\u00e9 mim em grande agonia de esp\u00edrito. Ele estava disposto a submeter-se. Assim que o pressionei levemente, quebrantou-se diante de mim como o faria uma crian\u00e7a. Confessou tudo e entregou sua vida a Cristo para logo de seguida me perguntar: &#8220;Sr. Finney, que devo fazer agora?&#8221; Respondi-lhe de seguida assim: &#8220;V\u00e1 buscar seus jovens companheiros, ore com eles e exorte-os a submeterem e entregarem-se a Deus de imediato. Assim fez prontamente. E antes mesmo que a semana houvesse passado, sen\u00e3o todos, no m\u00ednimo quase todos detinham uma esperan\u00e7a real em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia um comerciante que vivia naquela vila, um certo senhor S-. Era um homem muito am\u00e1vel, um cavalheiro, mas descrente. Sua esposa era filha dum pastor Presbiteriano e era sua segunda esposa. Sua primeira esposa tamb\u00e9m havia sido filha dum pastor da mesma denomina\u00e7\u00e3o. Ele se havia casado com duas fam\u00edlias de ministros Presbiterianos. Ambos os seus sogros esfor\u00e7aram-se grandemente para o converter a Cristo, mas em v\u00e3o. Era um homem de leitura e de reflex\u00e3o. Ambos os seus sogros pertenciam \u00e0 antiga escola Presbiteriana e colocaram em suas m\u00e3os livros que apresentavam seus pontos de vista incondicionalmente. Era o que o fazia trope\u00e7ar, pois quanto mais ele lia aqueles livros, mais ele se convencia que a B\u00edblia era fal\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua esposa urgiu-me a que viesse ter uma conversa com ele. Informou-me sobre todos os seus pontos de vista e de todos os esfor\u00e7os antecedentes que haviam sido feitos para assegurar sua convers\u00e3o. Mas afirmou mesmo que ele estaria irredut\u00edvel e assegurava que nenhuma conversa\u00e7\u00e3o teria como demov\u00ea-lo de todos os seus princ\u00edpios b\u00e1sicos. Mesmo assim comprometi-me a ir falar com ele e assim fiz oportunamente. Sua loja estava mesmo em frente ao edif\u00edcio de sua casa. Ela entrou na loja e pediu-lhe que entrasse. Ele declinou, argumentando que de nada serviria e que j\u00e1 havia conversado o quanto bastasse com ministros; que sabia precisamente o que eu lhe iria transmitir e que por essa raz\u00e3o iria apenas perder seu tempo para nada. Disse tamb\u00e9m que, para al\u00e9m do mais, era algo repulsivo a seu sentimento. Ela respondeu: &#8220;Mas, Sr. S-, nunca o vi tratar ministros que lhe tenham pedido uma audi\u00eancia para falar consigo, desse jeito assim. Eu convidei o Sr. Finney para ter uma conversa\u00e7\u00e3o sobre este assunto da religi\u00e3o e sentir-me-ei muito magoada e ferida caso o senhor se recuse a receb\u00ea-lo!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela detinha um grande respeito e amor para com sua pr\u00f3pria esposa e ela era uma mulher de ra\u00e7a e fibra. Para ter porque agrad\u00e1-la, consentiu entrar na loja. A senhora S- apresentou-o a mim e saiu do local. Ent\u00e3o dirigi-me a ele dizendo: &#8220;Sr. S-, entrei aqui sem qualquer inten\u00e7\u00e3o de ter um argumento consigo, mas caso me conceda alguma aten\u00e7\u00e3o, poderei certamente ajud\u00e1-lo a sobrepor-se aos problemas que tem com a religi\u00e3o evang\u00e9lica, pois sou algu\u00e9m que os tinha em mim mesmo de igual modo&#8221;. Falei com ele no mais meigo tom de voz e de imediato ele se sentiu \u00e0-vontade diante de mim, sentou-se ao meu lado e disse-me assim: &#8220;Sr. Finney, n\u00e3o existe necessidade de nos alongarmos em conversas sobre este mesmo assunto. Ambos estamos bem familiarizados com todos os argumentos de ambos os lados e posso desde logo adiantar quais os pontos principais dos meus pontos de vista, por causa dos quais nunca consegui parar de questionar. Suponho desde j\u00e1 que o senhor me responder\u00e1 a todos e que todos os seus muitos argumentos ser\u00e3o futilmente in\u00fateis. Mas caso me queira ouvir, posso relatar os meus pontos de vista todos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedi-lhe encarecidamente que o fizesse. Come\u00e7ou ent\u00e3o a dispor de argumentos como este, que acho que posso recordar desta forma: &#8220;Tanto o senhor com eu concordamos na exist\u00eancia de Deus&#8221;. &#8220;Sim&#8221;. &#8220;Ambos de estamos de acordo a que Ele seja poderoso, muito s\u00e1bio e muito bom&#8221;. &#8220;Sim&#8221;. &#8220;N\u00f3s concordamos que somos ambos criados por Ele e que atrav\u00e9s dessa cria\u00e7\u00e3o distinta deu-nos certas convic\u00e7\u00f5es irrefut\u00e1veis no que toca ao bem e ao mal, justi\u00e7a e injusti\u00e7a&#8221;. &#8220;Sim&#8221;. &#8220;Assim concordamos tamb\u00e9m que tudo aquilo que possa ir contra essas mesmas convic\u00e7\u00f5es internas nunca tenha como vir de Deus, pois nada disso nem \u00e9 s\u00e1bio, nem bom&#8221;. &#8220;Sim, estamos de acordo quanto a essas quest\u00f5es&#8221;. &#8220;Sendo assim&#8221;, continuou, &#8220;a pr\u00f3pria B\u00edblia nos exorta a viver em pleno acordo com a leis de Deus que est\u00e3o pr\u00e9-estabelecidas desde h\u00e1 muito, do qual Deus \u00e9 o pr\u00f3prio autor; tamb\u00e9m nos deu uma natureza pecaminosa que nunca ter\u00e1 como viver dentro desses padr\u00f5es. Logo Deus exige de n\u00f3s uma obedi\u00eancia naquilo que nunca teremos como obedecer. Temos de ser bons, o que nunca podemos, sendo-nos tal coisa de todo imposs\u00edvel. Logo, nos condena a uma eternidade de sofrimento por que nunca cumprimos tudo aquilo que n\u00e3o temos como cumprir&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Respondi-lhe: &#8220;Sr. S., o senhor tem alguma B\u00edblia? Pode-me mostrar onde se encontra a passagem que ensina isso assim?&#8221; &#8220;Mas porque raz\u00e3o? N\u00e3o h\u00e1 necessidade disso! At\u00e9 o senhor admite que \u00e9 assim, que \u00e9 isso mesmo que a B\u00edblia ensina de fato&#8221; &#8220;N\u00e3o, eu refuto tudo isso por inteiro&#8221;. &#8220;Ent\u00e3o&#8221;, continuou, &#8220;a B\u00edblia afirma que Deus nos imputou todo o pecado desde Ad\u00e3o em toda a sua posteridade; que todos n\u00f3s herdamos essa natureza pecaminosa e que estaremos sujeitos a uma condena\u00e7\u00e3o eterna apenas porque temos pecado que nos vem desde Ad\u00e3o; assim, eu n\u00e3o me importo quem ensina tal coisa, ou qual o livro que diz isso, apenas sei que tal argumento nunca poderia ter sua origem em Deus. Isso contradiz diretamente todo o sentido de justi\u00e7a que habita em mim desde nascen\u00e7a!&#8221; &#8220;Sim, tal como contradiz os meus tamb\u00e9m. Mas, diga-me, onde na B\u00edblia, est\u00e1 isso escrito?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele come\u00e7ou a citar a catecismo, conforme j\u00e1 o havia feito antes. Respondi-lhe que esse era um argumento inerente ao catecismo e nunca \u00e0 B\u00edblia. &#8220;Mas, porqu\u00ea? O senhor n\u00e3o \u00e9 ministro Presbiteriano? Assumi que o catecismos serviam de autoridade e exerciam-na sobre si!&#8221; &#8220;N\u00e3o&#8221;, respondi, &#8220;estamos a falar sobre a B\u00edblia; se aquilo que a B\u00cdBLIA afirma \u00e9 verdade ou n\u00e3o. Tem o senhor como afirmar que esses argumentos retratam fielmente as doutrinas b\u00edblicas?&#8221; &#8220;Mas, se o senhor nega que isto vem escrito na B\u00edblia, porque toma tais atitudes que eu nunca vi serem tomadas por nenhum ministro Presbiteriano?&#8221; Logo procedeu em atestar que todos os homens teriam necessariamente de se arrepender e que era algo que afirmava ser imposs\u00edvel ao ser humano. Pedia deles uma f\u00e9 e uma obedi\u00eancia que lhes era de todo imposs\u00edvel. Eu apenas voltei ao meu argumento de lhe pedir que atestasse onde se dizia isso na B\u00edblia! Ele citava o catecismo e eu voltava a perguntar-lhe onde na B\u00edblia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prosseguiu dizendo tamb\u00e9m que a B\u00edblia atestava que Cristo havia morrido apenas para os que eram eleitos e que mesmo assim mandava a que todos os homens em todo lado se arrependessem de seus pecados, eleitos e n\u00e3o-eleitos, sob pena duma condena\u00e7\u00e3o eterna. Dizia ele: &#8220;O fato \u00e9 que em todos os mandamentos e preceitos contradiz meus melhores sentidos de justi\u00e7a, implantados em mim desde minha cria\u00e7\u00e3o. A cada passo existe uma contradi\u00e7\u00e3o e eu nunca poderei aceitar que isso seja assim&#8221;. Ele estava acalorado e positivo em seus argumentos. Mas logo lhe respondi: &#8220;Caro Sr. S-, existe algo de errado em tudo isto. Esses ensinamentos n\u00e3o s\u00e3o os que v\u00eam na B\u00edblia; refletem apenas tradi\u00e7\u00f5es humanas criadas em doutrinas \u00e0 semelhan\u00e7a do desejo humano, mais do que ser um reflexo fiel da verdade da B\u00edblia em si&#8221;. &#8220;Sendo assim, diga-me Sr. Finney em que cr\u00ea o senhor ent\u00e3o?&#8221; Ele disse isto com um enorme grau de impaci\u00eancia. &#8220;Caso o senhor tenha como me ouvir por uns momentos, poderei explicar as coisas em que creio&#8221;. Logo comecei por lhe explicar quais os meus pontos de vista quanto \u00e0 Lei e ao pr\u00f3prio Evangelho. Ele era muito inteligente, o suficiente para me entender f\u00e1cil e rapidamente. Penso que, durante cerca duma hora, levei-o a passear por todos os terrenos de suas obje\u00e7\u00f5es e contesta\u00e7\u00f5es. Tornou-se muito interessado e pude notar que tudo quando lhe dizia era intensamente novo para ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas assim que cheguei \u00e0 grande quest\u00e3o da reconcilia\u00e7\u00e3o, mostrando atrav\u00e9s das Escrituras que se destinava a todo o homem na face da terra, qual a natureza dessa mesma reconcilia\u00e7\u00e3o, seu alcance e medidas para alcan\u00e7ar esse mesmo fim, sua extens\u00e3o, a liberdade de salva\u00e7\u00e3o que existia apenas em Cristo, pude verificar que seus sentimentos subiam de tom, colocou suas m\u00e3os em toda sua face, os cotovelos em seus joelhos e tremia de emo\u00e7\u00e3o! Vi como seu sangue lhe subia \u00e0 cabe\u00e7a para logo de seguida seus olhos come\u00e7arem a derramar l\u00e1grimas de contentamento, livremente. Levantei-me de imediato e deixei aquele quarto, sem haver dito uma palavra mais. Pude ver que uma seta de amor havia trespassado seu peito e eu esperava sua convers\u00e3o a qualquer momento. Sucedeu que aquele homem se converteu antes de haver sa\u00eddo dali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo de seguida tocavam os sinos para a reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o e para a confer\u00eancia que estava agendada para aquela hora. Entrei e logo de seguida entraram tamb\u00e9m a senhora e o senhor S-. Seu semblante revelava que havia sido muito tocado. Todas as pessoas entreolhavam-se admiradas de ver o Sr. S- por ali, naquela reuni\u00e3o. Ele sempre atendia os cultos de domingo, creio, mas v\u00ea-lo ali numa reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o, sendo esta de dia ainda, era algo estranho para todos. Por essa raz\u00e3o fiz certos apontamentos e levei o meu tempo expondo minuciosamente as coisas e ele prestou toda a aten\u00e7\u00e3o a tudo o que se dizia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua esposa me disse mais tarde, que quando ele chegou a casa depois daquela reuni\u00e3o, virou-se para ela e dissera-lhe: &#8220;Minha querida esposa, onde est\u00e1 toda a minha infidelidade? Onde se meteu ela? N\u00e3o consigo distinguir o que se passou dentro de mim, mas tamb\u00e9m n\u00e3o me consigo rever mais nela. Por muito que eu a chame de volta, ela n\u00e3o existe mais. N\u00e3o me resta nem um pouco dela mais, nem um sentir leve da mesma. Parece-me mesmo que era uma aut\u00eantica futilidade da minha parte. Como pude eu haver defendido meus pontos de vista daquele jeito cruel? N\u00e3o posso sequer imaginar que eu tenha respeitado aqueles pontos de vista. Parece-me que fui convidado a inspecionar um templo magn\u00edfico, do qual inspecionei apenas uma esquina de toda a sua estrutura e me desgostou tanto que acabei abandonando o local sem o inspecionar em maior detalhe. Acabei condenando todo o edif\u00edcio sem uma avalia\u00e7\u00e3o justa, em toda a sua propor\u00e7\u00e3o dimensional. Foi assim tolamente que tratei todo o governo moral de Deus, insensatamente&#8221;. Ela me disse mais que ele sempre fora uma pessoa particularmente amargurado contra a doutrina de castigo eterno, mas que quando abandonavam o local de culto, ele afirmava que pela maneira como havia tratado e lidado com Deus at\u00e9 ent\u00e3o, ele reconhecia que merecia esse eterno castigo sem d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convers\u00e3o deste homem foi bem clara e evidente. Ele acalorou desde ent\u00e3o toda a causa de Cristo na Terra e alistou-se na promo\u00e7\u00e3o de todo aquele avivamento. Juntou-se \u00e0 igreja e pouco tempo depois tornou-se di\u00e1cono da mesma. Relataram-me que foi muito usado e muito eficiente at\u00e9 ao dia da sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois desta convers\u00e3o do Sr. S-, tamb\u00e9m ap\u00f3s a convers\u00e3o daqueles jovens os quais destaquei, pensei que j\u00e1 era tempo de terminar com aquela oposi\u00e7\u00e3o que enfrent\u00e1vamos da igreja Baptista e do seu ministro. Tive um encontro, em primeiro lugar, com um dos di\u00e1conos daquela igreja, o qual estava numa amargura terr\u00edvel, em oposi\u00e7\u00e3o. Disse-lhe assim: &#8220;Penso que os senhores j\u00e1 se excederam em toda a vossa oposi\u00e7\u00e3o. Ter\u00e3o de se dar por satisfeitos que se trata duma obra de Deus em pessoa. Nunca mencionei algo sobre essa oposi\u00e7\u00e3o vossa em p\u00fablico e tamb\u00e9m n\u00e3o desejo faz\u00ea-lo, nem mesmo dar a entender que exista tal coisa da vossa parte. Mas sinto-me agora no dever de, caso n\u00e3o parem com essas quest\u00f5es f\u00fateis duma vez, expor toda forma rid\u00edcula a que se entregaram, a partir do p\u00falpito&#8221;. As coisas estavam num estado avan\u00e7ado tal, que sentia que tanto Deus como o publico em geral me estariam apoiando nessa mesma medida que tomara posse de meu cora\u00e7\u00e3o ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele confessou sua oposi\u00e7\u00e3o e disse-me que lamentava tudo aquilo; saiu prometendo que n\u00e3o mais se oporia \u00e0 obra de Deus, confessando que estava errado, que haviam cometido um erro e que estaria enganado acerca de tudo aquilo. N\u00e3o apenas isso, mas que ele pr\u00f3prio considerava que toda aquela quest\u00e3o havia sido uma coisa da maior impiedade poss\u00edvel e que seus sentimentos sect\u00e1rios de segrega\u00e7\u00e3o haviam ido longe demais. Ele esperava que eu o perdoasse e orou para que Deus o perdoasse tamb\u00e9m. Retorqui que nunca mais mencionaria nada sobre toda aquela oposi\u00e7\u00e3o caso parassem com aquilo desde logo. Foi algo a que se comprometeram desde ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo de seguida disse-lhe que &#8220;um grande n\u00famero de jovens com pais Batistas, os quais pertencem \u00e0 vossa igreja, t\u00eam-se convertido durante as reuni\u00f5es&#8221; (Tanto quanto posso recordar, penso que eram perto de quarenta jovens convertidos nesse avivamento). &#8220;Caso os senhores se queiram entregar a sentimentos segregacionistas e pros\u00e9litos, provocando uma certa avalanche de sentimentos sect\u00e1rios entre igrejas, isso ser\u00e1 muito mais catastr\u00f3fico que qualquer oposi\u00e7\u00e3o das que foram promovidas at\u00e9 aqui. Mesmo contra a vossa oposi\u00e7\u00e3o, a obra de Deus tem prosperado a olhos vistos. Todos os irm\u00e3os Presbiterianos est\u00e3o limpos desse sentimento sect\u00e1rio e em todos eles abunda um esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o relevante. Mas temo que caso os senhores entrem por um caminho em busca de pros\u00e9litos e sect\u00e1rio, todo esse esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o corre enormes riscos de se vir a perder. Temo que o avivamento morra por ali. \u00c9 t\u00e3o grave quanto isso&#8221;. Ele afirmou que sabia que seria assim mesmo e que por essa raz\u00e3o nada teria a dizer sobre a recolha e aceita\u00e7\u00e3o dos novos convertidos e que at\u00e9 aquele avivamento haver terminado, n\u00e3o abririam as portas para recolher esses mesmos rec\u00e9m-convertidos e que, sem se tornarem sect\u00e1rios pros\u00e9litos, receberiam mais tarde esses mesmos jovens convertidos, caso assim desejassem faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era uma sexta-feira. O S\u00e1bado a seguir era o grande dia da sua conven\u00e7\u00e3o mensal. Mas, ao reunirem-se, em vez de haverem guardado sua palavra, eles chamaram aqueles jovens \u00e0 frente para contarem suas experi\u00eancias com Cristo para assim virem a ser admitidos na igreja. Tantos quantos foram convencidos a faz\u00ea-lo, contaram suas experi\u00eancias. No dia seguinte houve uma grande parada de Batismos. O ministro deles, chamou para esse dia um dos ministros mais sect\u00e1rios que eu conheci na quest\u00e3o do batismo, o qual come\u00e7ou a pregar sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buscaram minuciosamente a cidade inteira na busca de novos convertidos, em todas as dire\u00e7\u00f5es. E sempre que achavam algu\u00e9m que se juntasse a eles, faziam um alarido em marcha com c\u00e2nticos at\u00e9 \u00e0 \u00e1gua onde os batizariam de seguida. Isto desde logo magoou os sentimentos de toda a igreja Presbiteriana e todo o esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o e intercess\u00e3o sumiu no ar. Toda a Obra de Deus morreu por ali. Nas seis semanas seguintes n\u00e3o houve uma singular convers\u00e3o. Todos, tanto santos como \u00edmpios estavam apenas discutindo a quest\u00e3o do batismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia ali um numero consider\u00e1vel de homens, alguns deles de proemin\u00eancia mesmo, na vila, que estavam sob convic\u00e7\u00e3o de pecado intensa, estando bem perto de se converterem, os quais se desviaram na discuss\u00e3o do batismo. E, de fato, foi algo universal, um mal geral mesmo. Todos se apercebiam que o avivamento estava estagnado e morto. E os Batistas, mesmo havendo estado em oposi\u00e7\u00e3o contra o avivamento, esfor\u00e7avam-se imenso em conseguir para eles uma parte dos convertidos. As pessoas que se haviam convertido, na sua maioria, recusaram o batismo por imers\u00e3o, mesmo sem nunca lhes haver dito palavra sobre esse assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, num Domingo, disse a todos do p\u00falpito assim: &#8220;\u00c9 vis\u00edvel que Deus se desagradou com toda esta situa\u00e7\u00e3o e que nunca mais houve uma convers\u00e3o desde que a quest\u00e3o do Batismo passou a ser discutida. H\u00e1 cerca de seis semanas que ningu\u00e9m se converte. Todos v\u00f3s sabeis qual a raz\u00e3o disto estar a acontecer&#8221;. N\u00e3o mencionei o fato do ministro Baptista se haver comprometido em nunca encetar por aquela via de distor\u00e7\u00e3o, violando sua palavra at\u00e9, nem sequer aludi ao caso. Sabia de antem\u00e3o que isso nunca traria qualquer bem, apenas mais dor ainda, caso divulgasse que o pastor era o \u00fanico respons\u00e1vel por toda aquela situa\u00e7\u00e3o. Mas tratei de lhes transmitir que &#8220;N\u00e3o quero usar o culto de domingo para pregar sobre este assunto, mas falarei sobre ele na quarta-feira \u00e0 uma da tarde. Pe\u00e7o que tragam as vossas B\u00edblias convosco, l\u00e1pis para marcarem as passagens e vos entregarei todas as passagens na B\u00edblia que aludam ao modo de batismo. Tamb\u00e9m vos darei, t\u00e3o bem quanto as entendo, as posi\u00e7\u00f5es da igreja Baptista sobre essas passagens e de seguida vos darei a minha opini\u00e3o sobre as mesmas. Podereis assim ver por v\u00f3s mesmos onde reside a verdade e a mentira&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que se fez quarta-feira, a sala estava repleta de gente. Vi que estariam ali muitos dos irm\u00e3os da igreja Baptista presentes. Comecei a ler, primeiro no Antigo Testamento e depois no Novo, todas as passagens que faziam referencia ao modo de se batizar, tanto quanto as conhecia. Dei as impress\u00f5es Batistas sobre aquele assunto e as raz\u00f5es que substanciavam para pensarem conforme pensavam. De seguida dei as minhas vis\u00f5es sobre esse mesmo assunto e as minhas raz\u00f5es tamb\u00e9m. Pude notar que causara boa impress\u00e3o a todos presentes e que nenhum esp\u00edrito malicioso se insurgiu devido a tudo quanto disse. As pessoas presentes estavam todas satisfeitas quanto ao modo e \u00e0 f\u00f3rmula de batismo. At\u00e9 mesmo os irm\u00e3os Batistas estavam plenamente satisfeitos com tudo o que havia dito, pois coloquei seus pontos de vistas de forma minuciosa, coerente, firme, defendendo-as melhor do que qualquer um deles o faria. Tamb\u00e9m coloquei perante eles todas as suas raz\u00f5es para pensarem conforme pensam. Antes de despedir a reuni\u00e3o, disse: &#8220;Se puderem vir amanh\u00e3 de novo, \u00e0 mesma hora, pela uma hora, lerei da B\u00edblia tamb\u00e9m todas as passagens da B\u00edblia que relatam n\u00e3o o modo, mas o batismo em si, seguindo o mesmo crit\u00e9rio que assumi aqui hoje perante todos v\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m no dia a seguir a casa estava lotada, talvez ainda mais que no dia anterior. Muitos dos irm\u00e3os Batistas estavam ali presentes de novo. Pude observar que um Presb\u00edtero, provavelmente um dos maiores respons\u00e1veis pela busca de pros\u00e9litos, estava ali sentado tamb\u00e9m. Depois de haver terminado a parte introdut\u00f3ria do culto, comecei a ler as passagens. Nesse mesmo instante, o dito presb\u00edtero ergueu-se e interrompeu a leitura dizendo: &#8220;Sr. Finney, tenho um compromisso para atender e n\u00e3o poderei ficar para ouvir a sua leitura dessas passagens. Mas gostaria muito de lhe poder responder. Como poderei saber qual o curso que tomou em sua exposi\u00e7\u00e3o?&#8221; Respondi-lhe respeitosamente: &#8220;Sr. Presb\u00edtero, eu tenho diante de mim um papel com um esqueleto daquilo que vou dizer, onde est\u00e3o as passagens que vou ler na ordem que tenciono discuti-las. O senhor pode ficar com ele e caso possa, pode responder mediante esse esquema, lendo-o&#8221;. Ele ent\u00e3o saiu dali e eu pensei mesmo que se tivesse ido embora, para atender ao dito compromisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Peguei ent\u00e3o no pacto que Deus fez com Abra\u00e3o, relacionando tudo aquilo que dizia respeito \u00e0 fam\u00edlia em si, diretamente sobre a quest\u00e3o de pais e filhos. Dei as opini\u00f5es batistas sobre essas mesmas passagens, passando de seguida a fornecer meus pr\u00f3prios pontos de vista sobre o assunto, vendo e colocando a quest\u00e3o a partir dos dois lados. Toda a gente se emocionou e liquidificaram-se em ternura. As l\u00e1grimas correram livremente quando assumi o pacto que Deus fez e que tamb\u00e9m ainda se mant\u00e9m dentro dum lar que lhe \u00e9 fiel. Toda a assembl\u00e9ia ficou sensibilizada e derreteu-se mediante a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes mesmo de haver terminado, um di\u00e1cono da igreja Presbiteriana saiu com uma crian\u00e7a na sua m\u00e3o, a qual estivera com ele durante a longa reuni\u00e3o. Contou-me que sa\u00edra para os sanit\u00e1rios da igreja e viu por l\u00e1 aquele presb\u00edtero que sairia para atender ao compromisso, sentado a ouvir tudo aquilo que transmitia, chorando e com sua face lavada em l\u00e1grimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que terminei, as pessoas aglomeraram-se \u00e0 minha volta de todos os cantos e com l\u00e1grimas em seus olhos agradeciam-me pela forma satisfat\u00f3ria da exibi\u00e7\u00e3o dos pontos de vista sobre aquele assunto. Posso dizer que a reuni\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 foi atendida por membros de ambas as igrejas, mas por toda a comunidade em massa. A quest\u00e3o foi debelada de forma inteligente e poucos dias depois cessou a discuss\u00e3o sobre qualquer batismo. Todo o avivamento renovou-se, renascendo das cinzas e o pujante poder de Deus manifestou-se de novo. Pouco tempo depois disso, as ordenan\u00e7as da igreja acabaram por ser aplicadas sem que o Esp\u00edrito Santo se melindrasse e muitos convertidos chegaram a ser admitidos na igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 havia mencionado que me hospedava com o Sr. S-. Ele tinha uma fam\u00edlia muito interessante. Ele e sua esposa, a quem todos chamavam de tia Lucy, n\u00e3o tinham filhos, mas de tempos em tempos, pelo imenso desejo de seus cora\u00e7\u00f5es, iam adotado crian\u00e7as, uma depois da outra, at\u00e9 haverem chegado ao n\u00famero de dez. Na altura sua fam\u00edlia era composta, ent\u00e3o, de sua esposa, a Tia Lucy e dez jovens, creio que metade mo\u00e7as e a outra metade masculina, todos parcialmente da mesma idade. Todos eles estariam convertidos pouco tempo depois. Suas convers\u00f5es eram deveras muito tocantes e relevantes. Tornaram-se em virtuosos convertidos, muito inteligentes. Fam\u00edlia mais feliz que aquela nunca vi, principalmente quando j\u00e1 todos se haviam convertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Tia Lucy, por\u00e9m, havia sido convertida sob circunst\u00e2ncias anteriores ao avivamento. Ela nunca havia provado a frescura, a for\u00e7a, o refrig\u00e9rio e a alegria dos convertidos num avivamento. A alegria que evidenciavam diante dela, a paz de esp\u00edrito que manifestavam, seriam um s\u00e9rio trope\u00e7o para ela. Come\u00e7ou por pensar que nunca se havia convertido de fato, embora se houvesse entregue de todo cora\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o daquela obra de Deus. Mesmo a meio da obra ela entrou num estado de desespero tal que nem sequer queria ver que havia sido \u00fatil na obra de Deus. Acabou concluindo que nunca se havia convertido e que sua convers\u00e3o nunca fora real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto acabou por introduzir um certo mal-estar em forma de tristeza no seio daquela fam\u00edlia. Seu esposo pensava que ela havia enlouquecido. Os jovens que a consideravam muito, como sua pr\u00f3pria m\u00e3e mesmo, estavam apreensivos quanto a ela. Na realidade, todo aquele lar foi levado ao pranto e lamenta\u00e7\u00f5es por ela. O Sr. S- dedicou muito do seu tempo orando e conversando com ela, tentando reavivar sua esperan\u00e7a. Tive v\u00e1rias conversas oportunas com ela, mas quando se regalava com aquela vista surpreendente e deslumbrante dos novos convertidos, relatos dos quais ela escutava quase diariamente, come\u00e7ou a pensar que ou que nunca se havia convertido, ou nunca se converteria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estado das coisas foram-se degradando de dia para dia, at\u00e9 eu pr\u00f3prio haver come\u00e7ado a pensar que ela era um caso de insanidade mental. A rua onde estava situada sua casa era densamente povoada, praticamente uma vila em si, com cerca de tr\u00eas milhas de extens\u00e3o. A obra de Deus propagou-se de tal forma que em toda aquela extens\u00e3o, havia apenas uma pessoa ainda por converter. Era um homem jovem, de nome B- H-. Ele opunha-se quase que freneticamente contra a Obra. Quase toda a vila se entregou em s\u00faplicas ardentes pela convers\u00e3o daquele jovem e o seu caso era falado e comentado por toda a gente em redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia entrei em casa e estava a Tia Lucy a falar sobre o caso tamb\u00e9m. Ela dizia: &#8220;\u00d3 que pena! Que ser\u00e1 do destino deste jovem? Ele vai perder sua alma, seguramente! Que ser\u00e1 dele?&#8221; Ela parecia estar em grande esp\u00edrito de agonia sobre o fim daquele homem, porque poderia perder sua alma. Ouvi atentamente o que ela dizia acerca do jovem por uns momentos e de forma grave e sublime disse-lhe: &#8220;Tia Lucy, quando voc\u00ea e aquele jovem morrerem, Deus ter\u00e1 de vos dar quartos separados no inferno, para que a senhora esteja s\u00f3 e separada dele&#8221;. Ela arregalou seus grandes olhos azuis e perguntou: &#8220;Mas porqu\u00ea, Sr. Finney?&#8221;. Tornei a falar-lhe: &#8220;Acha que Deus se tornaria culp\u00e1vel por colocar a senhora num mesmo lugar que aquele homem? Ele anda a\u00ed a blasfemar e a irar-se contra Deus em pessoa, a senhora est\u00e1 se sentido muito mal por ele se estar a perder devido ao abuso que ele revela e manifesta contra Deus abertamente. A senhora teme pela vida dele. Como poder\u00e3o duas pessoas assim t\u00e3o diferentes, como dois estados de esp\u00edrito t\u00e3o distintos serem colocados num mesmo lugar de condena\u00e7\u00e3o?&#8221; Ela riu-se. &#8220;Claro que n\u00e3o podemos ir para o mesmo lugar!&#8221; A partir daquele momento, todo o seu desespero de alma sobre seu estado espiritual desvaneceu para sempre. Logo se tornou num caso distinto em tudo semelhante ao daqueles jovens, joviais e rec\u00e9m-convertidos. Pouco tempo depois o Sr. B- H- converteu-se de seus males e submeteu-se a Deus tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cerca de tr\u00eas quarto de milha de onde vivia o Sr. S-, vivia um certo Sr. M-, o qual era um Universalista obstinado e que durante muito tempo se manteve afastado de todas as reuni\u00f5es de culto. Uma manh\u00e3, porem, O Pai Nash, que por essa altura estava habitando comigo em casa do Sr. S-, levantou-se muito cedo, como de costume, indo para um pinhal a uma certa dist\u00e2ncia da estrada, para assim experimentar uns momentos em ora\u00e7\u00e3o a s\u00f3s com Deus. Ele saiu antes do sol nascer. E como lhe era peculiar, ele travava verdadeiras batalhas de parto e de esp\u00edrito em ora\u00e7\u00e3o continua. Era uma daquelas manh\u00e3s silenciosas, nas quais se podiam ouvir sons a grandes distancias. O Sr. M- levantou-se tamb\u00e9m e saiu de sua casa muito cedo e ouviu aquela voz em ora\u00e7\u00e3o. Ele ouvia e ouvia e p\u00f4de mesmo distinguir que era a voz de Pai Nash. Sabia que era uma ora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, declarou-nos mais tarde. Mesmo n\u00e3o tendo como distinguir o que dizia agonizando, sabia que ele orava e distinguia quem orava mesmo. Aquele epis\u00f3dio acertou-lhe em cheio como uma seta em seu cora\u00e7\u00e3o. Ele relatou-nos que tudo aquilo lhe trouxe um certo sentido da realidade da religi\u00e3o em si, tal qual ele nunca antes se houvera apercebido. Aquela seta entrou fundo e ele nunca mais conseguiu sentir qualquer al\u00edvio at\u00e9 se haver entregue a Jesus pela f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei ao certo quantas pessoas se converteram neste avivamento real. Era uma cidade grande, habitada por gente do campo, agricultores na sua maioria. Creio que quase todos se converteram a Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca mais visitei aquele local durante variad\u00edssimos anos. Mas ouvia com muita freq\u00fc\u00eancia relatos vindos de l\u00e1. Pude confirmar que se deu ali algo saud\u00e1vel e de salutar do ponto de vista espiritual e que nunca mais houve uma singular discuss\u00e3o sobre a quest\u00e3o do batismo dali em diante. N\u00e3o houve desvios de qualquer ordem e eram s\u00e3os do ponto de vista de sa\u00fade espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As doutrinas usadas para promo\u00e7\u00e3o deste avivamento, eram as mesmas que sempre usei em lugares distintos daquele: a da deprava\u00e7\u00e3o total, volunt\u00e1ria de todos os pecadores; a necessidade incondicional duma transforma\u00e7\u00e3o real de cora\u00e7\u00e3o tendo com agente cooperante o Esp\u00edrito Santo; a divindade e a humanidade total do senhor Jesus Cristo; a Sua distinta reconcilia\u00e7\u00e3o a qual abrangia todos os homens e todas as suas poss\u00edveis necessidades; o dom incontorn\u00e1vel do Esp\u00edrito Santo, Sua divindade, Sua agencia e consola\u00e7\u00e3o nas quest\u00f5es de arrependimento, f\u00e9, justifica\u00e7\u00e3o, santifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9, persist\u00eancia em santidade e como condi\u00e7\u00e3o inabal\u00e1vel, incontorn\u00e1vel na salva\u00e7\u00e3o de todo homem. Com efeito, todas aquelas doutrinas adjacentes a uma distinta prega\u00e7\u00e3o do evangelho acabaram por ser explicadas e entendidas com clareza e evidencia suficientes, tanto quanto nos era poss\u00edvel dentro das circunst\u00e2ncias. Um enorme e vasto esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o irrompeu e depois daquela discuss\u00e3o sobre o batismo, sobreveio um esp\u00edrito de unidade tal entre irm\u00e3os, de amor fraternal e comunh\u00e3o entre crentes, que era de real\u00e7ar. Nunca tive a oportunidade de confrontar aquela oposi\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Batistas do p\u00falpito. A partir daquilo que pude ler e aprender sobre a quest\u00e3o do batismo, o Senhor concedeu-me conseguir-me manter num esp\u00edrito inalter\u00e1vel, fora de quest\u00f5es controversas e prom\u00edscuas, pelo que a controv\u00e9rsia desabitou aquele local. Toda aquela discuss\u00e3o produziu um efeito surpreendente e sadio e nenhum esp\u00edrito de controv\u00e9rsia ou de maldade, tanto quanto tive oportunidade de verificar, prevaleceu. Tudo quanto Deus fez, foi bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO XI &#8211; AVIVAMENTO EM KALB<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de Gouverneur fui para De Kalb, outra vila um pouco mais para norte a cerca de dezesseis milhas dali, creio. Ali havia uma igreja Presbiteriana, esta com pastor, mas era muito pequena e o seu ministro parecia n\u00e3o ter um pulso suficiente sobre suas ovelhas. Mesmo assim, creio que era um homem de certa forma piedoso. Comecei as reuni\u00f5es em De Kalb, em lugares distintos da vila. Era uma pequena vila e as pessoas encontravam-se dispersas e longe umas das outras. Esta terra era nova e as estradas tamb\u00e9m e ruins de se andar nelas. Mas um pequeno avivamento irrompeu logo e propagou-se com grande poder, isto se levarmos em linha de conta que era lugar onde as pessoas se encontravam afastadas umas das outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uns anos antes, houve por ali um avivamento sob os labores dos metodistas. Foi seguido duma grande dose de entusiasmo e alvoro\u00e7o e muitos casos ocorreram onde as pessoas, usando palavras metodistas &#8220;ca\u00edram sob o poder de Deus&#8221;. Isto os Presbiterianos resistiam veementemente e teve por conseq\u00fc\u00eancia um mal estar dentro de toda a comunidade entre Metodistas e Presbiterianos. Os Metodistas acusavam os Presbiterianos de resistirem ao avivamento por recusarem aceitar estes casos de pretensa queda sob poder do Esp\u00edrito. Tanto quanto tive oportunidade de apurar, existia uma certa veracidade nestas ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o havia estado a pregar durante muito tempo quando, numa noite, mesmo no final dum certo serm\u00e3o, observei que um certo homem caia do seu banco perto da porta de entrada. As pessoas aglomeraram-se \u00e0 volta dele para cuidarem de seu estado. Pelo que tive oportunidade de verificar, apercebi-me que era um dos ditos casos onde as pessoas desfalecem pelo manifesto realce duma manifesta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel de Deus. Supondo tratar-se dum Metodista, temi que tal ocorr\u00eancia pudesse criar um estado de divisionismos entre a popula\u00e7\u00e3o do g\u00eanero daquele que j\u00e1 ali prevalecia desde h\u00e1 muito. Mas depois de inquirir melhor, pude comprovar que se tratava dum dos principais homens do clero Presbiteriano. E foi de real\u00e7ar neste avivamento que ocorreram v\u00e1rios destes casos entre Presbiterianos apenas e nenhum entre Metodistas. Isto levou a tais confiss\u00f5es entre pessoas de diferentes denomina\u00e7\u00f5es que asseguraram desde logo uma certa cordialidade entre membros de diferentes padr\u00f5es e conceitos religiosos. Um sentimento agrad\u00e1vel imperou desde logo entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas enquanto laborava em De Kalb, tive oportunidade de ficar a conhecer um certo Sr. F-, de Ogdensburgh. Ele ouviu rumores sobre este avivamento e veio de Ogdensburgh passando alguns dias comigo para ver de perto esse avivamento. Ele era um homem abastado e benevolente veio desde cerca de dezesseis milhas de dist\u00e2ncia para ouvir a palavra de Deus. Ofereceu-se para me pagar um sal\u00e1rio como mission\u00e1rio para pregar o evangelho por toda aquela regi\u00e3o. Eu declinei logo, pois admiti diante dele que n\u00e3o me podia comprometer a limitar os meus labores a uma regi\u00e3o espec\u00edfica e humanamente delineada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Sr. F- passou uma s\u00e9rie de dias comigo, visitando de casa em casa e atendendo \u00e0s reuni\u00f5es. Ele recebera sua educa\u00e7\u00e3o em Filad\u00e9lfia, numa escola Presbiteriana Antiga e era ele pr\u00f3prio um presb\u00edtero na igreja de Ogdensburgh. Ao partir dali, deixou atr\u00e1s de si uma carta contendo nela tr\u00eas notas de dez d\u00f3lares. Uns dias mais tarde voltou de novo, passando mais dois ou tr\u00eas dias em minha presen\u00e7a. Atendia nossas reuni\u00f5es e ficou muito interessado em nossa obra. Quando partiu deixou nova carta com o mesmo conte\u00fado de tr\u00eas notas de dez d\u00f3lares. Assim, me achei com sessenta d\u00f3lares, o que me proporcionou a excelente oportunidade de comprar uma carruagem, pois at\u00e9 ali, embora possu\u00edsse um cavalo, eu e minha esposa t\u00ednhamos de nos deslocar a p\u00e9 a grandes dist\u00e2ncias entre reuni\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O avivamento cilindrou o mal e apoderou-se fortemente de toda a congrega\u00e7\u00e3o local. Um certo presb\u00edtero daquela igreja, de nome B-, foi visivelmente quebrantado e quebrado, tornando-se desde logo num novo homem e a impress\u00e3o do avivamento se aprofundava na opini\u00e3o geral de dia para dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num S\u00e1bado, um pouco antes de anoitecer, um certo alfaiate alem\u00e3o, de Ogdensburgh, apareceu por ali e informou-me que havia sido mandatado por Squire F- para me tirar as medidas para fazer conjunto de roupas para mim. Eu come\u00e7ara a ter necessidade de roupas e por uma vez, n\u00e3o muito tempo antes, havia me dirigido ao Senhor Jesus sobre o assunto, que minhas roupas j\u00e1 se encontravam bastante degradas. Mas n\u00e3o me havia apercebido que o Sr. F- houvesse notado isso e foi por essa raz\u00e3o que enviara ali aquele homem. Este alfaiate era Cat\u00f3lico. Perguntei-lhe se n\u00e3o poderia permanecer por ali at\u00e9 Domingo, pois poderia assim assistir ao culto e tirar as medidas apenas na segunda pela manh\u00e3. Mas disse-me prontamente que n\u00e3o, que tinha de se ir embora no mesmo dia. Eu disse-lhe ent\u00e3o: &#8220;\u00e9 muito tarde para o senhor se ir hoje; e se eu permitir que me tire as medidas hoje, o senhor por certo se ir\u00e1 daqui amanh\u00e3&#8221;. Ele admitiu que sim, que seria esse o caso. Ent\u00e3o respondi-lhe que n\u00e3o me iria medir de jeito nenhum. &#8220;Caso o senhor n\u00e3o tenha como permanecer aqui at\u00e9 segunda de manh\u00e3, n\u00e3o permitirei de jeito algum que me tire essas medidas!&#8221;. Foi assim que ele ali permaneceu ent\u00e3o at\u00e9 segunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa mesma tarde, outros avivamentos irromperam em Ogdensburgh; e entre estes havia um certo homem, o Presb\u00edtero S-, o qual era um membro da mesma igreja da qual era o Sr. F- tamb\u00e9m. O filho do Sr. S-, que era um homem que ainda n\u00e3o se havia convertido, veio com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Presb\u00edtero S- atendeu \u00e0 reuni\u00e3o pela manh\u00e3 e foi convidado no intervalo pelo Presb\u00edtero B-, homem cheio do Esp\u00edrito Santo, a deslocar-se a sua casa tomar algo refrescante. A caminho de casa pregou para este Presb\u00edtero que era muito frio e insens\u00edvel a Deus. O Presb\u00edtero S- ficou muito compenetrado com as suas palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que chegaram a casa, a mesa havia sido posta e foram prontamente convidados a sentarem-se e tomarem algo. Ao se reunirem de volta da mesa, o Presb\u00edtero S- perguntou de Presb\u00edtero B- &#8220;como recebeu o senhor esta b\u00ean\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo?&#8221; Ao que respondeu, &#8220;Parei de mentir a Deus. Toda a minha vida era pretensiosa e cheia de cal\u00fanias para com Deus, pedindo-lhe sempre coisas que, na verdade, eu nunca estaria na disposi\u00e7\u00e3o de nelas permanecer por muito tempo. Eu orava como outras pessoas tamb\u00e9m o faziam, notando a minha evidente falta de sinceridade em tudo aquilo que pedia. No fundo mentia a Deus. Mas assim que determinei para comigo mesmo nunca mais dizer ou pedir algo de Deus que eu n\u00e3o tivesse mesmo inten\u00e7\u00e3o e desejo real por ela dentro de mi mesmo; Deus me atendeu prontamente. O Esp\u00edrito Santo desceu sobre mim e fui cheio d&#8217;Ele ali mesmo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele dado momento, o Sr. S- afastou sua cadeira para tr\u00e1s e colocou-se de joelhos orando e confessando como sempre havia mentido a Deus tamb\u00e9m e como havia brincado aos hip\u00f3critas em todas as suas muitas ora\u00e7\u00f5es, tal como em todo o resto de sua vida. O Esp\u00edrito Santo descendeu sobre ele de imediato e encheu sua alma de tal forma que n\u00e3o se continha na sua alegria efusiva e calma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela tarde reunimo-nos para adora\u00e7\u00e3o e eu estava \u00e0 frente do p\u00falpito lendo um hino. Ouvi algu\u00e9m falando muito alto, aproximando-se da porta, estando tanto esta como as janelas abertas. Entraram dois homens de imediato. Um deles era o Presb\u00edtero B-, o qual conhecia pessoalmente. O outro homem era-me desconhecido. Mal entrou, colocou seus olhos em cheio sobre mim, aproximou-se de imediato da mesa onde me encontrava, levantou-me no ar, dizendo bem alto: &#8220;Que Deus o aben\u00e7oe muito! Que Deus o aben\u00e7oe mesmo!&#8221; De seguida, come\u00e7ou por relatar tanto a mim como \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o por inteiro tudo quanto o Senhor Jesus havia feito por sua alma tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu semblante brilhava como a de um anjo e todo seu aspecto se transfigurou. Todos quantos o conheciam dali, ficaram surpreendidos com a mudan\u00e7a operada naquele homem. Seu filho nada sabia do tudo quanto se havia passado com seu pai, mas assim que o viu e ouviu, levantou-se saindo prontamente da igreja. Seu pai gritou: &#8220;N\u00e3o saias desta sala, meu filho, pois quero te confessar que nunca te amei de verdade afinal&#8221;. Continuou falando e todo o poder que emanava atrav\u00e9s de suas palavras eram de fato algo not\u00f3rio de se ver. Toda a gente se derreteu pelos quatro cantos daquela sala, quase que imediatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo de seguida o alfaiate Cat\u00f3lico levantou-se e confessou: &#8220;Tenho de dizer tudo o que o senhor Jesus fez por minha pr\u00f3pria alma tamb\u00e9m. Eu cresci como Cat\u00f3lico e nunca me atrevi a ler a B\u00edblia. Sempre me havia sido dito que, se a lesse, o diabo me carregaria vivo. Muitas vezes quando me atrevia a olhar para ela, parecia mesmo que ouvia o diabo falando por cima do meu ombro sussurrando que me levaria dali. Mas, agora vejo que era tudo um simples engano ilusionista&#8221;. E prosseguiu falando sobre sua experi\u00eancia, a qual ocorrera ali mesmo onde se encontrava sentado. Deus lhe havia explanado todo o plano para sua pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o ali mesmo. Ficou patente diante de todos ali presentes que este homem havia sido de fato convertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta cena causou um grande impacto em toda a congrega\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o podia nem sequer pregar. Todo o decorrer daquela reuni\u00e3o foi inteiramente da autoria do Esp\u00edrito Santo, pois o Senhor liderou-a toda. Sentei quieto no meu canto observando a salva\u00e7\u00e3o operada pela Pr\u00f3prio em cada um ali presente. Em toda essa tarde, m\u00faltiplas convers\u00f5es se deram umas atr\u00e1s das outras por toda a congrega\u00e7\u00e3o. Um se levantava ap\u00f3s o outro, relatando suas experi\u00eancias reais. Conforme se iam erguendo e relatando todas obras operadas em si, em suas almas, de verdade, a impress\u00e3o causada em cada um subia de tom. T\u00e3o espont\u00e2neo e t\u00e3o real foi aquele movimento entre toda aquela gente, pecadores convencendo pecadores dos pr\u00f3prios pecados, como nunca vira at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, este Presb\u00edtero S- voltou ent\u00e3o para Ogdensburgh. Mas, como pude ser informado, pelo caminho visitou muita gente, falando e orando por vezes com fam\u00edlias inteiras. E foi assim que este avivamento se estendeu at\u00e9 Ogdensburgh tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio de Outubro, o s\u00ednodo da igreja ao qual eu pertencia, reuniu-se em Utica. Levei comigo minha esposa e visitamos sua fam\u00edlia, a qual vivia muito perto dali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sr. Gale, meu professor de teologia, saiu de Adams n\u00e3o muito tempo depois de eu haver sa\u00eddo de l\u00e1 tamb\u00e9m. Ele foi para uma fazenda a leste de Oneida County, onde se resumiu a tentar recuperar seu estado de sa\u00fade. Ali estava envolvido no ensino a alguns jovens, os quais tinham como prop\u00f3sito irem pregar o evangelho. Passei alguns dias em Utica nas reuni\u00f5es do S\u00ednodo da igreja e propus-me voltar ao meu local de labor, em St. Lawrence County.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o chegamos a andar mais do que umas curtas milhas e encontramos o Sr. Gale em pessoa, em sua carruagem. Ele saltou de seu assento clamando: &#8220;Que Deus o aben\u00e7oe, irm\u00e3o Finney! Eu ia a caminho do s\u00ednodo para ir procur\u00e1-lo! Voc\u00ea tem de vir comigo para minha casa. N\u00e3o me poder\u00e1 recusar isto. Eu n\u00e3o acredito que alguma vez tenha sido um homem convertido de fato. Escrevi no outro dia uma carta para Adams, tentando saber como o poderia achar, pois queria abrir minha mente e cora\u00e7\u00e3o consigo&#8221;. Ele importunou-me de tal forma, que desde logo s\u00f3 podia consentir em ir com ele. Deslocamo-nos de imediato para Western.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refletindo agora em tudo quanto disse sobre os avivamentos em Jefferson and St. Lawrence, acho que n\u00e3o dei o devido \u00eanfase na total opera\u00e7\u00e3o e agencia do pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo, n\u00e3o tanto quanto devia, em todo caso. Desejo ser bem entendido quanto a esse fato, em todos os relatos que possa dar sobre estes avivamentos, os quais presenciei de perto e de longe, que sempre tive em mente muito bem impressionado e sempre presente mesmo, quanto a essa verdade imut\u00e1vel, que todo este trabalho foi de total autoria do Esp\u00edrito Santo de Deus sempre presente. Sempre fui diligente em proclam\u00e1-lo e afirm\u00e1-lo distintamente, que tanto a efic\u00e1cia, como os meios recebidos para o efeito, nunca se tornariam poss\u00edveis caso Deus n\u00e3o fosse interveniente direto e ativo em tudo quanto ali se passou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre disse e aludi ao fato, vezes sem conta mesmo, que o pr\u00f3prio esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o que inundou esses avivamentos foi peculiar e de inteira autoria do Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m. Era comum e freq\u00fcente achar crentes jovens inteiramente exercitados em ora\u00e7\u00e3o invulgar. Em certos casos chegavam mesmo a perder suas for\u00e7as em intercess\u00e3o continuada. Permaneciam em vig\u00edlias noites inteiras, tanto assim era que se tornavam exaustos no interceder por almas perdidas em pecado \u00e0 sua volta. Havia sempre grande press\u00e3o e sentido de urg\u00eancia a partir do pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo quanto a isso mesmo. Pareciam carregar sobre seus pr\u00f3prios ombros todo o peso de almas imortais em vias de perecerem. Manifestavam e revelavam a mais solene carga sobre si mesmos, a mais vigilante ora\u00e7\u00e3o, vigiando sempre e continuadamente para que ningu\u00e9m mais perecesse \u00e0 sua volta. Era comum e muito freq\u00fcente mesmo encontrar crentes orando nas ruas, onde quer que se encontravam, nunca se importunando quanto ao local onde paravam para orar, os quais em vez de se interligarem em conversa\u00e7\u00f5es, ca\u00edam de prefer\u00eancia sobre seus joelhos onde se achassem e expandiam todo peso que lhes fustigava a alma, muito solenemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o apenas havia reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o espont\u00e2neas por todo lado, compactamente repletas de gente em esp\u00edrito de agonia pelos que se perdiam, mas havia uma enorme dosagem de esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o a n\u00edvel individual tamb\u00e9m. Os crentes quando juntos oravam bastante mesmo, mas muitos destes passavam grande parte de seu tempo em solene ora\u00e7\u00e3o privada tamb\u00e9m, em sua grande maioria mesmo. Era freq\u00fcente verificar que se agarravam com todo afinco \u00e0quela promessa que, onde dois ou tr\u00eas se reunissem em Seu Nome, pedindo, O Pai nos C\u00e9us os ouviria por certo. Seria sempre assim que tornariam pessoas atr\u00e1s de pessoas seus objetos e objetivos distintos em todas as suas ora\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m tinha qualquer duvida sobre o fato de que era Deus quem respondia e atendia t\u00e3o solenemente em conformidade com suas inumer\u00e1veis e memor\u00e1veis ora\u00e7\u00f5es, as quais despendiam todas as suas for\u00e7as em real intercess\u00e3o, n\u00e3o apenas diariamente, mas de hora a hora mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso algo se insurgisse que amea\u00e7asse ser obst\u00e1culo contra toda a obra de Deus, qualquer raiz de amargura, qualquer tend\u00eancia de fanatismo, qualquer desordem ou tentativa de desordenamento real, qualquer profilaxia, todos os crentes tocavam o alarme em un\u00edssono e clamavam aos c\u00e9us espontaneamente, para que fosse Deus a comandar e a direcionar devida e pessoalmente todas as coisas a prosseguir em perfeita ordem e progresso. E era deveras surpreendente ver tanto a que extens\u00e3o real e com que meios, Deus se manifestava em atender suas muitas ora\u00e7\u00f5es. Ele saia atendendo virtualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tocante a minha experi\u00eancia pessoal, eu diria mesmo que enquanto n\u00e3o estivesse pessoalmente subjugado neste esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o pessoalmente, nada tinha como alcan\u00e7ar mesmo. Caso acontecesse que por um dia ou durante uma hora que fosse, eu chegasse a perder esse esp\u00edrito de intercess\u00e3o cont\u00ednuo, via em mim mesmo uma manifesta falta, tanto de poder como de sabedoria e mecanismos de prega\u00e7\u00e3o que tivessem como levar pessoas a uma rendi\u00e7\u00e3o total aos p\u00e9s de Cristo. Tamb\u00e9m senti que era in\u00fatil na conversa\u00e7\u00e3o com indiv\u00edduos. A esse respeito, sempre foi esta a minha experi\u00eancia pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Semanas antes de haver deixado Kalb, para me deslocar \u00e0 assembl\u00e9ia sinodal, eu estive imensamente exercitado em ora\u00e7\u00e3o intervencionada diretamente e direcionada pelo pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo, obtendo mesmo uma experi\u00eancia que me era total novidade at\u00e9 ent\u00e3o. Achei-me de tal forma exercitado pela salva\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e0 minha volta, abatido por um enorme pesar em mim pr\u00f3prio, sentindo sua perdi\u00e7\u00e3o incompar\u00e1vel, que fui constrangido a orar sem cessar. Algumas de minhas muitas experi\u00eancias, na verdade alarmavam-me enormemente. Um esp\u00edrito que importuna fazia-me clamar a Deus manifestando meu desagrado no que toca as Suas promessas, as quais eu me recusava abandonar sem que visse total cumprimento sobre elas, manifestamente. Achava mesmo que nunca teria como e porque ser recusado. Estava t\u00e3o seguro de que seria prontamente atendido, que a fidelidade a tudo quanto prometeu, a tudo aquilo que Ele era pessoalmente, que me ouvia a mim mesmo dizendo com freq\u00fc\u00eancia &#8220;Senhor, espero que n\u00e3o aches que eu possa ser negado quanto a estes pedidos. Eu tenho na minha pr\u00f3pria m\u00e3o um aval de Tuas promessas e de Tua total fiabilidade. Nunca terei porque n\u00e3o sair daqui atendido por Ti pessoalmente!&#8221; Nunca terei como descrever o qu\u00e3o absurdo e qu\u00e3o obsoleto era a incredulidade para mim pessoalmente e como seriam segur\u00edssimas, em toda a minha mente e que Deus me ouviria, pois eram ora\u00e7\u00f5es que eu fazia subir diariamente, de hora em hora mesmo em total f\u00e9 agonizante. Eu n\u00e3o tinha a menor id\u00e9ia de como Deus atenderia a minhas muitas s\u00faplicas, ou de que forma viria a resposta cabal e integralmente minuciosa, nem o tempo preciso em que veria tal resposta sair do seio de Deus. A impress\u00e3o total seria de que a resposta estaria mesmo ali \u00e0 porta. E sentia-me fortalecido em toda minha vida espiritual imatura, quando sentia a destreza e peculiaridade daquela luta em lugares celestiais contra poderes do mal obscuros e terr\u00edveis. Por essa raz\u00e3o esperava sempre ver uma maior manifesta\u00e7\u00e3o real do poder de Deus, em toda aquela regi\u00e3o onde despendia minhas for\u00e7as em labores infinitos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Extra\u00eddo do site  \t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.gospeltruth.net\/\"> <span style=\"color: #808080;\">The GOSPEL TRUTH<\/span><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAP\u00cdTULO I &#8211; NASCIMENTO E PR\u00c9-EDUCA\u00c7\u00c3O Agradou a Deus de algum modo ligar o meu nome e labor a um extensivo movimento da igreja de Cristo, aquilo a que muitos&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[62],"class_list":["post-1161","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-charles-g-finney","tag-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1161\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}