{"id":1188,"date":"2008-12-16T23:08:37","date_gmt":"2008-12-17T01:08:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=1188"},"modified":"2010-12-16T23:11:51","modified_gmt":"2010-12-17T01:11:51","slug":"peregrinos-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=1188","title":{"rendered":"Peregrinos na terra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/johnbunyan.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1189\" title=\"johnbunyan\" src=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/johnbunyan.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/johnbunyan.jpg 242w, https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/wp-content\/uploads\/johnbunyan-140x150.jpg 140w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reforma  \t\t\t\t\tna Inglaterra e o movimento Puritano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A origem  \t\t\t\t\tdo puritanismo est\u00e1 ligada \u00e0s confus\u00f5es amorosas do rei  \t\t\t\t\tHenrique VIII e \u00e0 chegada do protestantismo continental \u00e0  \t\t\t\t\tInglaterra. A reforma se iniciou na Inglaterra pela  \t\t\t\t\tautoridade do rei e do Parlamento, e a princ\u00edpio, Henrique  \t\t\t\t\tVIII buscou favorecer a reforma, mas depois, de 1539 a 1547,  \t\t\t\t\tmoveu uma persegui\u00e7\u00e3o aos protestantes. O rei morreu  \t\t\t\t\tdoutrinariamente cat\u00f3lico romano. Em 1558 Elizabeth I  \t\t\t\t\tascendeu ao trono, e, alguns anos depois, uma antiga  \t\t\t\t\tcontrov\u00e9rsia sobre vestimentas atingiu seu auge na Igreja da  \t\t\t\t\tInglaterra. A quest\u00e3o imediata era se os pregadores tinham  \t\t\t\t\tde usar os trajes clericais, mas isto era apenas um s\u00edmbolo  \t\t\t\t\tda quest\u00e3o maior a respeito das cerim\u00f4nias, rituais e  \t\t\t\t\tliturgias na Igreja, que eram resqu\u00edcios da influ\u00eancia  \t\t\t\t\tcat\u00f3lica. Esta controv\u00e9rsia marcou uma crescente impaci\u00eancia  \t\t\t\t\tentre os puritanos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de uma Igreja  \t\t\t\t\t\u201creformada pela metade\u201d. Elizabeth morreu em 1603, sem  \t\t\t\t\tdeixar herdeiros, tendo indicado como seu sucessor Tiago I,  \t\t\t\t\tfilho de Maria Stuart, que j\u00e1 governava a Esc\u00f3cia. S\u00f3 que,  \t\t\t\t\tdesde o princ\u00edpio de seu reinado, Tiago I op\u00f4s-se ao  \t\t\t\t\tmovimento puritano. Em 1625, Carlos I, tamb\u00e9m opositor dos  \t\t\t\t\tpuritanos, foi coroado rei, e em 1645 irrompeu a guerra  \t\t\t\t\tcivil. Gra\u00e7as \u00e0 habilidade militar de Oliver Cromwell  \t\t\t\t\t(1599-1658), um congregacional, a cavalaria puritana bem  \t\t\t\t\ttreinada e disciplinada, que constitu\u00eda a base do ex\u00e9rcito  \t\t\t\t\tparlamentar, derrotou o ex\u00e9rcito do rei, na batalha de  \t\t\t\t\tNaseby. A guerra civil terminou no ano seguinte, e em 1649,  \t\t\t\t\tCarlos I foi executado, e Cromwell assumiu o governo ingl\u00eas  \t\t\t\t\tat\u00e9 sua morte, em 1658. Em 1660 Carlos II ascendeu ao trono,  \t\t\t\t\te a monarquia e o anglicanismo foram restaurados na  \t\t\t\t\tInglaterra. Ent\u00e3o, em 1662, mais de dois mil pastores  \t\t\t\t\tpuritanos foram demitidos ou destitu\u00eddos de suas par\u00f3quias,  \t\t\t\t\te quem n\u00e3o fosse anglicano n\u00e3o poderia colar grau nas  \t\t\t\t\tUniversidades de Oxford e Cambridge. Tais acontecimentos  \t\t\t\t\tmarcaram o fim do per\u00edodo puritano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sublime  \t\t\t\t\tlatoeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John  \t\t\t\t\tBunyan foi um dos mais importantes puritanos. Ele nasceu em  \t\t\t\t\tnovembro de 1628, em Elstow, em Bedford, filho de um pobre  \t\t\t\t\tlatoeiro (funileiro). Bunyan n\u00e3o recebeu mais do que uma  \t\t\t\t\teduca\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria b\u00e1sica, e serviu no ex\u00e9rcito parlamentar,  \t\t\t\t\tliderado por Cromwell, de 1644 a 1647, na Guerra Civil  \t\t\t\t\tcontra Carlos I.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1649  \t\t\t\t\tcasou-se com uma filha de pais piedosos e atrav\u00e9s dela  \t\t\t\t\tcome\u00e7ou a buscar a Deus. Mas foi apenas ap\u00f3s v\u00e1rios anos de  \t\t\t\t\tprofundo tumulto interior que veio a encontrar paz com Deus.  \t\t\t\t\tFoi grandemente ajudado por John Gifford, pastor  \t\t\t\t\tindependente da Igreja de S. Jo\u00e3o em Bedford. Este homem  \t\t\t\t\thavia sido um m\u00e9dico charlat\u00e3o, e major no ex\u00e9rcito real,  \t\t\t\t\tmas passou por uma convers\u00e3o espantosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bunyan  \t\t\t\t\tfoi apresentado a ele e \u00e0 sua congrega\u00e7\u00e3o gra\u00e7as ao  \t\t\t\t\ttestemunho de tr\u00eas ou quatro idosas mulheres que ele ouviu  \t\t\t\t\tconversando numa tarde, quando estavam sentadas ao sol \u2013  \t\t\t\t\tfalando sobre um certo \u201crenascimento\u201d e sobre algumas  \t\t\t\t\texperi\u00eancias maravilhosas que tinham tido. Ele descobriu que  \t\t\t\t\telas eram membros daquela igreja, e, em 1653, Bunyan  \t\t\t\t\ttornou-se batista, e, embora tenha recebido uma instru\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\tm\u00ednima, se tornou um dos autores mais influentes do s\u00e9culo  \t\t\t\t\tXVII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas  \t\t\t\t\tobras tiveram forte influ\u00eancia sobre Bunyan: o Coment\u00e1rio \u00e0  \t\t\t\t\tEp\u00edstola de G\u00e1latas, de Martinho Lutero, O Caminho do C\u00e9u  \t\t\t\t\tpara o Homem Simples, de Arthur Dent, e A Pr\u00e1tica da  \t\t\t\t\tPiedade, de Lewis Bayley. Em 1657, Bunyan come\u00e7ou a pregar,  \t\t\t\t\te por isto, come\u00e7ou a ter dificuldades. Como n\u00e3o era  \t\t\t\t\tordenado, ele teve problemas com a lei que, em certos  \t\t\t\t\tmomentos da hist\u00f3ria da Inglaterra, proibia a pr\u00e1tica da  \t\t\t\t\tprega\u00e7\u00e3o a leigos. John Owen (1616-1683), um dos maiores  \t\t\t\t\tte\u00f3logos da \u00e9poca, congregacional, ao ser questionado pelo  \t\t\t\t\trei Carlos II porque ouvia um latoeiro inculto, replicou:  \t\t\t\t\t\u201cpudesse eu possuir as habilidades do latoeiro para pregar,  \t\t\t\t\te, se apraz a sua majestade, alegremente renunciaria a todo  \t\t\t\t\to meu estudo\u201d. A primeira esposa de Bunyan morreu em 1655, e  \t\t\t\t\tdesta uni\u00e3o teve quatro filhos, sendo que sua primeira  \t\t\t\t\tfilha, Mary, era cega de nascen\u00e7a. Em 1659, aos 31 anos,  \t\t\t\t\tcasou com sua segunda esposa, Elizabeth. Em 1660, a  \t\t\t\t\tmonarquia foi restaurada, com o retorno de Carlos II, e isto  \t\t\t\t\tsignificou persegui\u00e7\u00e3o para aqueles que n\u00e3o se conformavam  \t\t\t\t\tcom a imposi\u00e7\u00e3o da liturgia e episcopalismo anglicanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 12 de  \t\t\t\t\tnovembro de 1660, Bunyan, numa franca desobedi\u00eancia civil  \t\t\t\t\ttipicamente puritana, foi aprisionado por pregar, acusado de  \t\t\t\t\t\u201cfazer reuni\u00f5es il\u00edcitas e n\u00e3o se conformar com o culto  \t\t\t\t\tnacional da Igreja Anglicana\u201d, permanecendo doze anos na  \t\t\t\t\tpris\u00e3o de Bedford. Recusando sua pr\u00f3pria liberdade, que  \t\t\t\t\tdependia de ele parar de pregar, sua resposta foi: \u201cse eu  \t\t\t\t\tfor solto hoje, pregarei amanh\u00e3\u201d e continuou na cela quase  \t\t\t\t\tque continuamente at\u00e9 1672, porque n\u00e3o se comprometeu em  \t\t\t\t\tparar de pregar. Por causa da bondade do carcereiro, ele  \t\t\t\t\tpodia visitar sua fam\u00edlia. Certa vez, um p\u00e1roco, tendo  \t\t\t\t\tnot\u00edcias dessas visitas, denunciou o carcereiro. Isto deu-se  \t\t\t\t\tjustamente num dia em que Bunyan estava visitando sua casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora,  \t\t\t\t\taconteceu que Bunyan come\u00e7ou a sentir-se mal e, por este  \t\t\t\t\tmotivo, voltou para a pris\u00e3o mais cedo do que pretendia. Mal  \t\t\t\t\tentrara em sua cela, chegou o fiscal da pris\u00e3o e come\u00e7ou a  \t\t\t\t\tinterrogar o carcereiro: \u201ctodos os presos est\u00e3o aqui?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Respondeu  \t\t\t\t\tele: \u201csim\u201d. \u201cJohn Bunyan est\u00e1 aqui?\u201d insistiu ele. \u201cSim\u201d,  \t\t\t\t\ttornou o carcereiro. E como o fiscal quisesse averiguar com  \t\t\t\t\tseus pr\u00f3prios olhos, logo lhe foi apresentado o prisioneiro.  \t\t\t\t\tDepois desse incidente o carcereiro disse a Bunyan: \u201cpodeis  \t\t\t\t\tsair quando quiserdes porque sabeis melhor do que eu a hora  \t\t\t\t\tde voltar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viagem  \t\t\t\t\tdo Peregrino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele foi  \t\t\t\t\tnovamente aprisionado em 1677, e enquanto esteve na pris\u00e3o  \t\t\t\t\tescreveu suas obras mais conhecidas, entre elas, sua fic\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\tO Peregrino (e, depois, sua continua\u00e7\u00e3o, A Peregrina), a  \t\t\t\t\tmais not\u00e1vel alegoria da literatura inglesa \u2013 publicada  \t\t\t\t\tgra\u00e7as \u00e0 ajuda financeira do erudito Owen. A n\u00e3o ser a  \t\t\t\t\tpr\u00f3pria B\u00edblia, nenhum livro era mais respeitado entre as  \t\t\t\t\tclasses pobre e m\u00e9dia da Inglaterra no s\u00e9culo XVIII do que O  \t\t\t\t\tPeregrino. Desde seu lan\u00e7amento, tem sido mais traduzido que  \t\t\t\t\tqualquer outro livro crist\u00e3o! Como diz Ricardo Quadros  \t\t\t\t\tGouveia, professor do Centro Presbiteriano de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\tAndrew Jumper (SP), \u201cfoi principalmente durante este seu  \t\t\t\t\tper\u00edodo de clausura, uma imprevis\u00edvel experi\u00eancia mon\u00e1stica  \t\t\t\t\tpreparada por Deus em sua bem-humorada provid\u00eancia para este  \t\t\t\t\tprotestante radicalmente anti-cat\u00f3lico, que Bunyan produziu  \t\t\t\t\ta sua obra. (&#8230;) [Uma] imagem [crist\u00e3] essencial presente  \t\t\t\t\tnas obras aleg\u00f3ricas de Bunyan \u00e9 o da peregrina\u00e7\u00e3o, jornada  \t\t\t\t\tou caminhada crist\u00e3. Ao criar novas met\u00e1foras e s\u00edmbolos  \t\t\t\t\tpara exemplificar as esta\u00e7\u00f5es de uma jornada crist\u00e3, Bunyan  \t\t\t\t\tcombate a id\u00e9ia bastante comum de que h\u00e1 um modelo r\u00edgido e  \t\t\t\t\tfixo de caminhada crist\u00e3, uma forma normativa \u00fanica de  \t\t\t\t\tdiscipulado crist\u00e3o&#8230; (&#8230;) Olhar para os livros de Bunyan  \t\t\t\t\tcomo se estes estivessem dando uma nova f\u00f3rmula precisa, um  \t\t\t\t\tmodelo \u00fanico, ou um m\u00e9todo seguro de vida crist\u00e3 \u00e9 v\u00ea-los de  \t\t\t\t\tforma distorcida, como algo que nunca pretenderam ser,  \t\t\t\t\tchegando a um resultado oposto ao provavelmente almejado  \t\t\t\t\tpelo autor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bunyan  \t\t\t\t\ttamb\u00e9m escreveu, ap\u00f3s sua pris\u00e3o, outra alegoria, As Guerras  \t\t\t\t\tda Famosa Cidade de Almahumana, que seria considerada a  \t\t\t\t\tmelhor alegoria j\u00e1 escrita, se n\u00e3o fosse O Peregrino. A  \t\t\t\t\tpopularidade de Bunyan era maior na Esc\u00f3cia e nos Estados  \t\t\t\t\tUnidos do que na Inglaterra! Seu estilo \u00e9 extremamente  \t\t\t\t\tacess\u00edvel, e seus livros foram escritos numa linguagem  \t\t\t\t\tclara, concisa e simples. Enquanto permanecia na pris\u00e3o, que  \t\t\t\t\tele chamava \u201ca cova dos le\u00f5es\u201d, sentia saudades da sua  \t\t\t\t\tcongrega\u00e7\u00e3o. Na esperan\u00e7a de fortalec\u00ea-los espiritualmente,  \t\t\t\t\tcome\u00e7ou a escrever alegorias. \u201cEnquanto eu caminhava pelo  \t\t\t\t\tdeserto deste mundo, encontrei um certo lugar, onde havia  \t\t\t\t\tuma caverna. Eu me deitei naquele lugar para dormir e  \t\t\t\t\tenquanto dormia tive um sonho. Sonhei, olhei e vi um homem  \t\t\t\t\tvestido de andrajos, de p\u00e9, em certo lugar, de costas para  \t\t\t\t\tsua pr\u00f3pria casa, um livro na m\u00e3o e um grande fardo sobre  \t\t\t\t\tseus ombros. Vi-o abrir o livro e l\u00ea-lo naquele lugar. E  \t\t\t\t\tenquanto lia, chorava e tremia e, n\u00e3o podendo mais se  \t\t\t\t\tconter, soltou um lastim\u00e1vel clamor, dizendo: que hei de  \t\t\t\t\tfazer?\u201d Em nenhum outro lugar da literatura crist\u00e3 \u00e9 t\u00e3o  \t\t\t\t\tperfeitamente descrita a rela\u00e7\u00e3o entre a paz espiritual e a  \t\t\t\t\tvis\u00e3o da cruz: \u201c[Crist\u00e3o] correu assim at\u00e9 que ele chegou ao  \t\t\t\t\tlugar um tanto elevado; e naquele lugar se erguia uma cruz e  \t\t\t\t\tum pouco mais abaixo um sepulcro. Assim eu vi em meu sonho,  \t\t\t\t\tque exatamente quando Crist\u00e3o chegou at\u00e9 a cruz, seu fardo  \t\t\t\t\tse soltou de seus ombros e caiu de suas costas e come\u00e7ou a  \t\t\t\t\trolar e continuou assim at\u00e9 que chegou \u00e0 boca do sepulcro,  \t\t\t\t\tonde caiu e n\u00e3o o vi mais\u201d. Ent\u00e3o, cheio de contentamento e  \t\t\t\t\tal\u00edvio, Crist\u00e3o, exclamou com o cora\u00e7\u00e3o repleto de  \t\t\t\t\tfelicidade: \u201cEle me deu repouso, pela sua ang\u00fastia, e pela  \t\t\t\t\tvida, e pela morte\u201d. Chorando e pulando de pura alegria e  \t\t\t\t\tcom o cora\u00e7\u00e3o pleno de profunda paz, ele deu tr\u00eas pulos de  \t\t\t\t\talegria e foi embora cantando: \u201cBendita cruz! Bendito  \t\t\t\t\tsepulcro! Seja exaltado o Homem que por mim foi humilhado\u201d.  \t\t\t\t\tNuma narrativa cheia de suspense, Bunyan constr\u00f3i  \t\t\t\t\tpersonagens (Evangelista, Adula\u00e7\u00e3o, Mal\u00edcia, Apoliom e  \t\t\t\t\tVigil\u00e2ncia) e lugares aleg\u00f3ricos (Desfiladeiro do Desespero,  \t\t\t\t\to P\u00e2ntano da Desconfian\u00e7a, a Feira das Vaidades e o Rio da  \t\t\t\t\tMorte) que aparecem na viagem do Crist\u00e3o, o peregrino, rumo  \t\t\t\t\t\u00e0 Cidade Celestial: \u201c[Os cidad\u00e3os da Feira da Vaidade]  \t\t\t\t\tportanto trouxeram [Fiel] para fora para fazerem com ele  \t\t\t\t\tconforme a lei deles. E primeiro o a\u00e7oitaram, depois o  \t\t\t\t\tesbofetearam, lancetaram a sua carne com facas; o  \t\t\t\t\tapedrejaram com pedras, ent\u00e3o furaram-no com suas espadas; e  \t\t\t\t\tpor \u00faltimo de tudo o queimaram at\u00e9 as cinzas numa estaca.  \t\t\t\t\tDesta maneira, Fiel chegou ao seu fim. Agora eu vi que ali  \t\t\t\t\testava atr\u00e1s da multid\u00e3o uma carruagem e uma parelha de  \t\t\t\t\tcavalos, esperando por Fiel que (t\u00e3o logo quanto seus  \t\t\t\t\tadvers\u00e1rios o haviam matado) foi levado nela, atrav\u00e9s das  \t\t\t\t\tnuvens, ao som de trombetas, ao caminho mais perto para o  \t\t\t\t\tPort\u00e3o Celestial.\u201d A linguagem figurada inesquec\u00edvel, e a  \t\t\t\t\trara mistura de pensamento e paix\u00e3o baseavam-se nos ensinos  \t\t\t\t\tcl\u00e1ssicos da Reforma a respeito da deprava\u00e7\u00e3o total do  \t\t\t\t\thomem, da gra\u00e7a, da imputa\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a de Cristo por meio  \t\t\t\t\tda f\u00e9 e da expia\u00e7\u00e3o \u2013 sendo que, segundo parece, Bunyan os  \t\t\t\t\trecebeu diretamente das Escrituras com pouco contato  \t\t\t\t\tintermedi\u00e1rio com outros te\u00f3logos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua  \t\t\t\t\tpris\u00e3o por quase 12 anos, ele foi separado de tudo o que era  \t\t\t\t\tsecund\u00e1rio, e aqueles anos o levaram a pensar que ele devia  \t\t\t\t\tenfatizar e insistir as doutrinas prim\u00e1rias e essenciais da  \t\t\t\t\tf\u00e9 crist\u00e3. \u201cO que me dominava era ponderar e parar, e tornar  \t\t\t\t\ta parar, as bases e o fundamento dos princ\u00edpios pelos quais  \t\t\t\t\tsofri\u201d. As experi\u00eancias do peregrino s\u00e3o as de cada crist\u00e3o,  \t\t\t\t\t\u00e0 medida que ele caminha por esta vida em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u.  \t\t\t\t\tBunyan descreveu as prova\u00e7\u00f5es e tenta\u00e7\u00f5es, as alegrias e  \t\t\t\t\tconfortos da vida crist\u00e3. Se algu\u00e9m ler O Peregrino sem  \t\t\t\t\tsaber nada da hist\u00f3ria de Bunyan, n\u00e3o teria a m\u00ednima id\u00e9ia  \t\t\t\t\tda denomina\u00e7\u00e3o particular a que ele pertenceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os  \t\t\t\t\tcrist\u00e3os e a guerra espiritual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os  \t\t\t\t\tpuritanos foram grandes guerreiros espirituais. Encaravam a  \t\t\t\t\tvoca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 como uma intermin\u00e1vel luta contra o mundo, a  \t\t\t\t\tcarne e o diabo, e armavam-se para tal conflito. Suas obras  \t\t\t\t\taleg\u00f3ricas s\u00e3o a hist\u00f3ria de uma luta quase constante,  \t\t\t\t\tverbal e f\u00edsica. Em outro de seus livros, A Peregrina, o  \t\t\t\t\tpastor puritano ideal, Grande-Cora\u00e7\u00e3o, que age como guia,  \t\t\t\t\tinstrutor e protetor do grupo de Cristiana, tamb\u00e9m figura no  \t\t\t\t\tpapel de matador de gigantes, tendo lutado contra e  \t\t\t\t\tdestru\u00eddo os gigantes Cruel e Desespero, no decorrer da  \t\t\t\t\tnarrativa. Quando o grupo de peregrinos encontra-se com  \t\t\t\t\toutro personagem puritano ideal, Valente-pela-verdade, tendo  \t\t\t\t\to \u201cseu rosto todo ensang\u00fcentado\u201d, pois acabara de ser  \t\t\t\t\tespancado por tr\u00eas assaltantes: Cabe\u00e7a-Doida, Sem-Respeito e  \t\t\t\t\tPragm\u00e1tico, ent\u00e3o tem lugar o seguinte di\u00e1logo: Disse  \t\t\t\t\tGrande-Cora\u00e7\u00e3o\u00a0 a Valente-pela-Verdade: \u201cTu tens te  \t\t\t\t\tconduzido com dignidade: deixa-me ver a tua espada\u201d. Ele lha  \t\t\t\t\tmostrou. Tendo-a tomada em sua m\u00e3o, olhou para ela por algum  \t\t\t\t\ttempo e disse: \u201cAh! \u00c9 realmente uma l\u00e2mina de Jerusal\u00e9m\u201d.  \t\t\t\t\tValente-pela-Verdade: \u201c\u00c9 verdade. Que um homem tenha uma  \t\t\t\t\tdessas l\u00e2minas, brandindo-a na sua m\u00e3o habilidosa, e ele  \t\t\t\t\tpoder\u00e1 atirar-se contra um anjo. Ele n\u00e3o precisar\u00e1 temer  \t\t\t\t\tsegur\u00e1-la se ao menos souber onde coloc\u00e1-la. Seu fio nunca  \t\t\t\t\tficar\u00e1 embotado. Cortar\u00e1 carne, ossos, alma, esp\u00edrito e tudo  \t\t\t\t\to mais\u201d. Grande-Cora\u00e7\u00e3o: \u201cLutaste por muito tempo. N\u00e3o  \t\t\t\t\testar\u00e1s cansado?\u201d Valente-pela-Verdade: \u201cLutei at\u00e9 que minha  \t\t\t\t\tespada grudou-se \u00e0 minha m\u00e3o. Mas, quando a m\u00e3o e a espada  \t\t\t\t\tficaram unidas, como se a espada fosse uma continua\u00e7\u00e3o do  \t\t\t\t\tmeu bra\u00e7o e quando o sangue me escorria pelos dedos, ent\u00e3o  \t\t\t\t\tpassei a lutar ainda com maior coragem\u201d. Grande-Cora\u00e7\u00e3o:  \t\t\t\t\t\u201cFizeste bem. Resististe at\u00e9 o sangue na luta contra o  \t\t\t\t\tpecado\u201d. Uma das facetas da grandeza de Bunyan e do  \t\t\t\t\tmovimento puritano era sua \u00eanfase em que o crist\u00e3o  \t\t\t\t\tverdadeiro n\u00e3o pode confiar em ningu\u00e9m sen\u00e3o somente em Deus  \t\t\t\t\te sua revela\u00e7\u00e3o, e deve se apoiar exclusivamente na Palavra  \t\t\t\t\tde Deus, em uma hostilidade cont\u00ednua contra todos os males  \t\t\t\t\tque se interpunham no caminho da piedade e da verdadeira f\u00e9;  \t\t\t\t\te, embora muito amassem a paz, havia a prontid\u00e3o de sa\u00edrem a  \t\t\t\t\tcampo na luta contra esses erros e continuarem lutando  \t\t\t\t\tenquanto houvesse esses males. O crist\u00e3o ser\u00e1 bem sucedido  \t\t\t\t\tem suas batalhas e peregrina\u00e7\u00f5es n\u00e3o por causa de sua  \t\t\t\t\tesperteza ou pela pr\u00e1tica de exerc\u00edcios espirituais, mas sim  \t\t\t\t\tpor sua f\u00e9 na gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9  \t\t\t\t\tprov\u00e1vel que Bunyan tenha sido um dos principais  \t\t\t\t\tcolaboradores na produ\u00e7\u00e3o da chamada Segunda Confiss\u00e3o  \t\t\t\t\tLondrina de 1677, uma das primeiras e mais importantes  \t\t\t\t\tconfiss\u00f5es de f\u00e9 batistas. Em julho de 1688, ele pregou seu  \t\t\t\t\tultimo serm\u00e3o, em Jo\u00e3o 1.13. Bunyan morreu em 31 de agosto  \t\t\t\t\tde 1688, aos 60 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de  \t\t\t\t\tdez dias de uma violenta febre, contra\u00edda ap\u00f3s uma longa  \t\t\t\t\tviagem a cavalo debaixo de forte chuva, ele morreu e foi  \t\t\t\t\tenterrado no cemit\u00e9rio de Bunhill Fields, em Londres (onde  \t\t\t\t\tOwen tamb\u00e9m foi enterrado). E aquele pregador, proibido de  \t\t\t\t\tministrar a pequenos grupos em lares pobres, atrav\u00e9s de seus  \t\t\t\t\tlivros prega hoje a milh\u00f5es de pessoas de todas as terras e  \t\t\t\t\tgera\u00e7\u00f5es, enquanto aqueles que procuravam tapar-lhe a boca  \t\t\t\t\tpara que n\u00e3o falasse jazem hoje no p\u00f3 do esquecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">Pr. Franklin Ferreira<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Reforma na Inglaterra e o movimento Puritano A origem do puritanismo est\u00e1 ligada \u00e0s confus\u00f5es amorosas do rei Henrique VIII e \u00e0 chegada do protestantismo continental \u00e0 Inglaterra. 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