{"id":1359,"date":"2008-12-17T13:47:25","date_gmt":"2008-12-17T15:47:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=1359"},"modified":"2010-12-17T13:48:29","modified_gmt":"2010-12-17T15:48:29","slug":"os-anabatistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=1359","title":{"rendered":"Os Anabatistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nota do tradutor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os  anabatistas s\u00e3o, na realidade a continua\u00e7\u00e3o de um movimento que  preservou a f\u00e9 ao longo da hist\u00f3ria, desde os tempos de Paulo, o  ap\u00f3stolo, nos vales do Piedmont. Conseguimos localizar os Irm\u00e3os ainda  no ano 900, mas a documenta\u00e7\u00e3o maior est\u00e1 dispon\u00edvel a partir de 1160  com a convers\u00e3o de Pedro Waldo. Foi ent\u00e3o que os Irm\u00e3os receberam o nome  de waldenses, mas eram antes conhecidos apenas como Irm\u00e3os. Depois  esses Irm\u00e3os foram recebendo outros apelidos ao longo da hist\u00f3ria como  wiclifistas, hussitas, anabatistas, menonitas, moravianos, mas eram  sempre os mesmos Irm\u00e3os do in\u00edcio do s\u00e9culo. Vale a pena ler a hist\u00f3ria  deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 pelo  ano de 1524, na Alemanha, muitas das igrejas dos irm\u00e3os, como as que  existiam desde tempos remotos em v\u00e1rias partes do mundo repetiram o que  acontecera em Lhota em 1467: declararam sua independ\u00eancia como  congrega\u00e7\u00f5es de crentes e determinaram v\u00e1rias regras que as novas  igrejas deveriam obedecer\u00a0 para serem fundamentadas no ensinamento das  escrituras. Como acontecera em Lhota, os membros que ainda n\u00e3o haviam  sido batizados, foram imersos nas \u00e1guas e batizados. <a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftn1\">*<\/a> Da\u00ed esse grupo recebeu um novo nome, nome que eles mesmos repudiavam,  porque era um ep\u00edteto que os identificava como uma nova seita, um nome  ofensivo: O novo nome, anabatistas (batizados outra vez).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao  longo dos anos os comunistas e subversivos da ordem e da moralidade da  \u00e9poca foram chamados tamb\u00e9m de anabatistas, exatamente para ferir os  Irm\u00e3os. Mas os Irm\u00e3os n\u00e3o tinham liga\u00e7\u00e3o alguma com os que subvertiam a  ordem. Todos os que perseguiam os Irm\u00e3os sabiam que eles eram justos e  retos e que nada tinham a ver com a desordem social. Assim como nos  tempos remotos a literatura dos crist\u00e3os tinha sido destru\u00edda, e sua  hist\u00f3ria escrita por seus inimigos, assim aconteceu no s\u00e9culo XVI. Tendo  em vista a viol\u00eancia do linguajar, coisa comum naqueles tempos de  controv\u00e9rsia religiosa, \u00e9 necess\u00e1rio pesquisar tudo o que restou do que  escreveram esses Irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num  relat\u00f3rio feito pelo Conc\u00edlio do Arcebispo de Col\u00f4nia sobre o movimento  anabatista e enviado ao Imperador Carlos V \u00e9 mencionado que os  anabatistas se dizem ser os \u201cverdadeiros crist\u00e3os\u201d, que desejam  compartilhar seus bens \u201co que tem sido feito pelos anabatistas por mais  de mil anos, como testificam as leis imperiais e a pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d.  Quando o parlamento de Speyer foi dissolvido foi dito que \u201ca nova seita  dos anabatistas\u201d havia sido condenada centenas de anos atr\u00e1s e \u201cproibido  pelas leis comuns\u201d. O fato \u00e9 que por mais de doze s\u00e9culos (1200 anos) o  batismo como \u00e9 ensinado e descrito no Novo Testamento era condenado  como uma ofensa \u00e0s leis e punido com a pena de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  per\u00edodo da Renascen\u00e7a fez que muitos irm\u00e3os que viviam escondidos por  causa da persegui\u00e7\u00e3o ressurgissem em v\u00e1rias localidades. Um edito  eclesi\u00e1stico publicado em Lyon contra um dos irm\u00e3os dizia: \u201cDas cinzas  de Pedro Waldo muitos ressurgem e faz-se necess\u00e1rio a imposi\u00e7\u00e3o de  puni\u00e7\u00f5es duras e severas que sirvam de exemplo aos demais\u201d. Muitos dos  crentes ressurgiram nos vales su\u00ed\u00e7os, e tratavam uns aos outros como  irm\u00e3os e irm\u00e3s, e descobriram que o que estava acontecendo n\u00e3o era  novidade, e tinham certeza de que perpetuavam o testemunho dos que  durante s\u00e9culos foram perseguidos como \u201cher\u00e9ticos\u201d como mostram os  registros dos mart\u00edrios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na  Su\u00ed\u00e7a os crist\u00e3os perseguidos costumavam se refugiar nas montanhas,  enquanto na Alemanha refugiavam-se sob as leis do Trade Guilds. A  Reforma fez que muitos irm\u00e3os que viviam escondidos passassem a fazer  parte das igrejas existentes. Os irm\u00e3os formavam tamb\u00e9m novas igrejas  cujo r\u00e1pido crescimento chamou a aten\u00e7\u00e3o da igreja estatal, tanto a  Cat\u00f3lica Romana como a Luterana. Um observador simpatizante, n\u00e3o um dos  irm\u00e3os, escreveu que em 1526 um novo partido surgiu, espalhando-se t\u00e3o  rapidamente que sua doutrina logo permeou todo o pa\u00eds atraindo  seguidores; muitos que tinham o cora\u00e7\u00e3o sincero e temiam a Deus  juntaram-se aos irm\u00e3os. Ensinavam apenas sobre o amor, a f\u00e9, sobre a  cruz, e eram pacientes e humildes diante do sofrimento alheio; partiam o  p\u00e3o nas casas uns dos outros como demonstra\u00e7\u00e3o de unidade e de amor, e  ajudavam-se mutuamente. Agruparam-se e cresceram t\u00e3o rapidamente que o  mundo temeu que eles fossem provocar uma revolu\u00e7\u00e3o, no entanto nunca se  provou nada contra eles neste sentido, e este pensamento vil jamais lhes  penetrou a alma, ainda que em alguns lugares eram tratados de maneira  tir\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses  irm\u00e3os eram cuidadosos no estudo da Palavra de Deus como guia de suas  vidas e n\u00e3o se submetiam ao dom\u00ednio de homens, no entanto reconheciam a  necessidade de escolher anci\u00e3os ou presb\u00edteros para supervisionar as  igrejas, indicando pessoas que se caracterizavam pelos dons do Esp\u00edrito  Santo para que fossem seus guias. Um desses proeminentes guias na \u00e9poca  foi o Dr. Balthazar Hubmeyer. <a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftn2\">*<\/a> Depois de ter uma brilhante carreira como professor de Teologia na  Universidade de Freiburg, ele foi indicado (1516) para ser o pregador da  catedral de Regensburg, atraindo muita gente com suas prega\u00e7\u00f5es. Tr\u00eas  anos depois mudou-se para Waldshut, e l\u00e1 experimentou uma profunda  mudan\u00e7a, aceitando os ensinamentos de Lutero, sendo acusado de se deixar  influenciar pela heresia dos bo\u00eamios (John Huss), isto \u00e9, os  ensinamentos dos irm\u00e3os da Bo\u00eamia. No dia 11 de Janeiro de 1524 ele  convidou os Irm\u00e3os para se reunirem em sua casa trazendo suas B\u00edblias.  Ele explicou que o motivo da reuni\u00e3o era ajudar os irm\u00e3os a se  familiarizarem com a Palavra de Deus para que pudessem alimentar o  rebanho de Cristo, lembrando-os que desde os tempos apost\u00f3licos os que  eram chamados para serem ministros da Palavra Divina se encontravam  para, mutuamente buscar conselhos e tratar as quest\u00f5es pertinentes \u00e0 f\u00e9.  Algumas perguntas foram feitas pra que eles honestamente pudessem  entender \u00e0 luz das escrituras, prometendo-lhes que, no que fosse  poss\u00edvel de sua parte, ele forneceria as refei\u00e7\u00f5es por sua pr\u00f3pria  conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hubmeyer  expressou-se assim: \u201cA igreja de Cristo \u00e9 universal em sua comunh\u00e3o, e  formam uma irmandade de muitos crentes piedosos que em comum acordo  honram o Senhor, tendo um s\u00f3 Deus, uma s\u00f3 f\u00e9 e um s\u00f3 batismo\u201d. A igreja,  disse ele, \u201c\u00e9 a assembl\u00e9ia de todos os crentes onde quer que estes  estejam na terra&#8230;\u201d. Ou: \u201cHomens e mulheres separados do mundo que amam  a Cristo\u201d, e explicou: \u201cExistem duas igrejas, uma cobrindo a outra, a  igreja geral e a igreja local&#8230; a igreja local faz parte da igreja  universal, que inclui todos os remidos&#8230;\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0  comunh\u00e3o dos bens materiais, afirmou que cada irm\u00e3o deve ajudar o outro  em suas necessidades, pois nada do que temos nos pertence, foram-nos  confiados como mordomos de Deus. Considerou que, quanto ao pecado o  poder da espada foi entregue aos governos da terra, e que a eles temos  de nos submeter no temor de Deus. Essas reuni\u00f5es eram realizadas quase  sempre em Basle onde Hubmeyer e seus amigos buscavam conhecer as  Escrituras com zelo, e tratavam dessas quest\u00f5es pr\u00e1ticas da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Basle  tornou-se um centro de atividade espiritual. As gr\u00e1ficas n\u00e3o temiam  editar livros tidos como her\u00e9ticos, e imprimiam obras de Marc\u00edlio de  P\u00e1dua e de John Wycliff que eram distribu\u00eddas para o mundo. Irm\u00e3os  habilidosos e talentosos se reuniam com Hubmeyer para estudar a B\u00edblia.  Comenta-se que um deles, Wilhelm Reublin expunha as escrituras de  maneira excelente, sem paralelo naqueles dias. Por causa dele o n\u00famero  de fieis aumentou nas igrejas. Ele havia sido padre em Basle e, durante a  celebra\u00e7\u00e3o de Corpus Cristo levava a B\u00edblia no andor em vez de  imagens&#8230; Ele foi batizado e mais tarde, enquanto vivia em Zurique foi  expulso do pa\u00eds, mas continuou a pregar na Alemanha e na Moravia. Havia  sempre Irm\u00e3os que vinham de fora, porque as igrejas de diferentes pa\u00edses  continuavam a manter comunh\u00e3o entre elas. Dentre esses se encontrava  Richard Crocus da Inglaterra, homem culto que exerceu grande influ\u00eancia  entre os estudantes, e muitos deles vinham da Fran\u00e7a e da Holanda para  aprender com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1527  convocaram outra confer\u00eancia de irm\u00e3os na Moravia e Hubmeyer se fez  presente. Os irm\u00e3os se reuniram sob a guarda do Conde Leonhard e de Hans  Von Lichtenstein. O conde foi batizado por Hubmeyer durante a  confer\u00eancia, e ele mesmo fora batizado dois anos antes por Reublin. Na  mesma confer\u00eancia 110 pessoas foram batizadas e outras 300 mais tarde  pelo pr\u00f3prio Hubmeyer, entre esses a esposa de Hubmeyer, filha de um  cidad\u00e3o de Waldshut. No mesmo ano Hubmeyer e sua esposa fugiram do  avan\u00e7o do ex\u00e9rcito austr\u00edaco e perderam todos os seus bens. Foram para  Zurique onde foi encontrado pelos seguidores de Zwinglio e lan\u00e7ado na  pris\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A  cidade e Cant\u00e3o, na Su\u00ed\u00e7a viviam, nesta \u00e9poca sob a influ\u00eancia de Ulrich  Zwinglio que come\u00e7ara a reforma protestante na Su\u00ed\u00e7a bem antes de  Lutero na Alemanha. A doutrina dos reformadores su\u00ed\u00e7os que diferia, em  alguns aspectos da ensinada por Lutero espalhara-se pelos muitos Cant\u00f5es  penetrando tamb\u00e9m em alguns estados da Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  Conc\u00edlio de Zurique promoveu uma disputa entre Hubmeyer e Zwinglio em  que Hubmeyer, alquebrado pelas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas dif\u00edceis que teve de  suportar na pris\u00e3o foi suplantado por seu oponente, mais robusto. Com  medo de ser entregue nas m\u00e3os do imperador, chegou a se retratar de  alguns de seus ensinamentos, mas imediatamente se arrependeu desta sua  atitude de ter medo dos homens pedindo a Deus que o perdoasse e que o  restaurasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dali  seguiu para Const\u00e2ncia, depois foi para Augsburg onde batizou a Hans  Denck. Em Nikolsburg na Moravia, Hubmeyer se lan\u00e7ou a escrever e  publicou dezesseis livros. Durante sua curta perman\u00eancia no distrito  cerca de seis mil pessoas foram batizadas e o n\u00famero de membros chegou a  15 mil. Os Irm\u00e3os n\u00e3o pensavam iguais em v\u00e1rias coisas, e quando o  eloq\u00fcente pregador Hans Hut veio a Nikolsburg e ensinou que n\u00e3o era  b\u00edblico a um crist\u00e3o portar armas em defesa da p\u00e1tria, ou para defesa  pessoal, ou ainda que n\u00e3o era b\u00edblico que se pagasse impostos que seriam  usados em guerras, Hubmeyer se lhe op\u00f4s severamente. Em 1527 o rei  Ferdinando exigiu que as autoridades lhe entregassem a Hubmeyer e ele  foi levado para Viena onde Hubmeyer foi torturado e executado. Sua  esposa o animou a permanecer fiel, e alguns meses depois de chegar a  Viena foi levado ao cadafalso na pra\u00e7a p\u00fablica. Sua voz ecoou pela  pra\u00e7a: \u201c\u00d3 meu Deus querido, d\u00e1-me paci\u00eancia para sofrer o mart\u00edrio! \u00d3  Pai, agrade\u00e7o-te porque hoje vais me tirar deste vale de tristezas. \u00d3  Cordeiro, Cordeiro, que tiras o pecado do mundo! \u00d3 meu Deus, em tuas  m\u00e3os entrego meu esp\u00edrito!\u201d. De dentro das chamas ouviu-se seu clamor:  \u201cJesus! Jesus!\u201d. Tr\u00eas dias depois sua corajosa esposa foi lan\u00e7ada de uma  ponte sobre o rio Dan\u00fabio com uma pedra amarrada ao pesco\u00e7o e morreu  afogada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos mais influentes irm\u00e3os que conduziu as igrejas nos agitados dias da Reforma foi Hans Denck. <a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftn3\">*<\/a> Natural da Bav\u00e1ria, Hans estudou em Basle onde se formou e deve ter  entrado em contato com Erasmo e o brilhante c\u00edrculo de eruditos e  editores que l\u00e1 se reuniam. Encarregado de cuidar de uma das mais  famosas escolas de Nurembergue pra l\u00e1 se mudou em 1523, cidade em que o  movimento luterano havia um ano se fortalecia sob a orienta\u00e7\u00e3o do  talentoso jovem Osiander. Denck, tamb\u00e9m um jovem de cerca de 25 anos de  idade, esperava que o novo movimento trouxesse moralidade e justi\u00e7a, mas  descobriu que este era um defeito do ensinamento no movimento de  Lutero, o qual, insistindo na doutrina da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9, sem as  obras e na aboli\u00e7\u00e3o de muitas coisas ensinadas pela igreja cat\u00f3lica,  negligenciou a urgente necessidade de obedi\u00eancia, autonega\u00e7\u00e3o, e o  discipulado a Cristo como coisas essenciais da f\u00e9. Percebendo essas  coisas aos poucos Osiander (1551) mostrou que o ensinamento de  Wittenberg apenas deixou as pessoas \u201cseguras e descuidadas\u201d \u201cA maior  parte delas\u201d, escreveu, \u201cn\u00e3o gosta do ensinamento que requer moral e que  p\u00f5e em cheque os desejos naturais. No entanto, querem ser chamadas de  crist\u00e3os, e d\u00e3o ouvidos aos hip\u00f3critas que propagam que nossa justi\u00e7a se  baseia apenas na justi\u00e7a de Deus, e, mesmo sendo maus, afirmam, nossa  justi\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 em n\u00f3s, mas fora de n\u00f3s. Assim, conforme este  ensinamento, tais pessoas podem ser consideradas santas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAi dos  que pregam que a pessoa pecadora n\u00e3o pode ser considerada piedosa;  muitos ficam furiosos quando ouvem isto, como vimos e experimentamos; e  gostar\u00edamos que tais pregadores fossem expulsos ou mortos, mas, n\u00e3o  sendo poss\u00edvel, o povo fortalece esses pregadores hip\u00f3critas  elogiando-os, dando-lhes presentes e prote\u00e7\u00e3o, para que vivam felizes  sem ter de dar ouvidos \u00e0 verdade, e assim, os falsos santos e os falsos  pregadores s\u00e3o iguais, assim como o povo, assim seus sacerdotes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denck  foi denunciado aos ju\u00edzes da cidade por Osiander. Os ju\u00edzes convocaram  Denck a comparecer diante deles e diante dos oponentes luteranos. Na  disputa que se seguiu, Denck conforme o testemunho de um opositor,  \u201cmostrou-se t\u00e3o capaz que ningu\u00e9m podia discutir com ele\u201d. Pediram-lhe  que escrevesse sua defesa em sete pontos previamente arranjados. Denck  apresentou sua defesa, para a qual Osiander n\u00e3o teve argumento. O caso  foi levado ao conselho da cidade. E foi assim que em 1525 solicitaram a  Denck que se afastasse 16 quil\u00f4metros da cidade, do contr\u00e1rio seria  preso. Na manh\u00e3 seguinte Denck se despediu e viveu errante pelo resto de  sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua  \u201cconfiss\u00e3o\u201d Denck reconheceu sua triste natureza, mas reconhecia que  dentro dele havia uma for\u00e7a que lutava contra o pecado anelando por  b\u00ean\u00e7\u00e3os espirituais. Disseram-lhe que essas coisas se obtinha pela f\u00e9, e  que a f\u00e9 deveria ser algo mais do que mera aceita\u00e7\u00e3o do que se lia ou  ouvia. A resist\u00eancia natural \u00e0 leitura da B\u00edblia era superada pela voz  da consci\u00eancia que o impelia a agir daquela maneira, e descobriu que o  Cristo revelado nas Escrituras correspondia ao que havia sido revelado  em seu cora\u00e7\u00e3o. Descobriu que n\u00e3o podia entender as Escrituras apenas  fazendo uma leitura de texto, e que somente o Esp\u00edrito Santo \u00e9 que a  revelava ao seu cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  documento preparado pelos ministros luteranos que lan\u00e7avam a Denck no  ex\u00edlio afirmava que ele \u201cconfirmava\u201d aquilo e que \u201csuas palavras foram  escritas de tal maneira e com tal entendimento crist\u00e3o que seus  pensamentos e o sentido do que dizia confirmava tudo\u201d e que a unidade da  igreja luterana exigia deles que assim procedessem. Sempre que  retornava, Denck notava que as cal\u00fanias o precediam e que todo tipo de  erros doutrin\u00e1rios eram-lhe atribu\u00eddos, o que levava as pessoas a  evitarem-no como um homem perigoso. Ele nunca permitia que seus  advers\u00e1rios fossem tratados como ele era tratado. Conforme o costume da  \u00e9poca diziam o que queriam sobre Denck, mas em nenhum de seus escritos  ele falava mal de seus advers\u00e1rios. Ao ser provocado, certa ocasi\u00e3o,  respondeu: \u201cTanta coisa ruim vem sendo dita a meu respeito, mas ningu\u00e9m  averigua a humildade de meu cora\u00e7\u00e3o.\u201d E ainda: \u201cEntristece meu cora\u00e7\u00e3o  de que eu tenha que viver em desuni\u00e3o com pessoas que n\u00e3o posso chamar  de irm\u00e3os&#8230; Portanto, enquanto Deus me der for\u00e7as n\u00e3o farei de meu  irm\u00e3o um advers\u00e1rio, nem de meu Pai um juiz, mas quero ser reconciliado  com todos os meus advers\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois  de viver durante certo tempo no lar hospitaleiro de um irm\u00e3o em St.  Gallen, Denck precisou partir, pois seu hospedeiro entrou em conflito  com as autoridades locais. Encontrou, ent\u00e3o ref\u00fagio em Augsburg, por  influ\u00eancia de seus amigos. Em Augsburg n\u00e3o havia apenas uma acirrada  luta entre luteranos e zwinglianos e entre esses e os cat\u00f3licos, mas  grande deprava\u00e7\u00e3o moral que afetava todo o povo. Ele passou a ter  compaix\u00e3o daquelas almas e come\u00e7ou a reunir os cidad\u00e3os que queriam se  encontrar como irm\u00e3os na igreja confessando sua f\u00e9 na obra expiat\u00f3ria de  Cristo e comprometendo-se em seguir a Jesus por toda a vida. Por esse  tempo n\u00e3o havia se associado aos crentes que eram chamados  pejorativamente de anabatistas ou batistas, mas fazia em Augsburg o que  estes faziam por toda parte, e o que ele havia visto em St. Gallen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A  visita que fizera anteriormente ao Dr. Hubmeyer levou-o a decidir que  deveria fazer parte dos irm\u00e3os e a ser batizado. Antes da chegada de  Denck havia muitos irm\u00e3os batizados em Augsburg e a igreja rapidamente  aumentou. Eram igrejas compostas de gente pobre, mas havia entre eles  pessoas de posse e de posi\u00e7\u00e3o social. Os escritos de Eitelhans  Langenmantel atra\u00eda muita gente. Este era filho de um proeminente  cidad\u00e3o de Augsburg, catorze vezes prefeito da cidade e que ocupara  cargos importantes no Estado. Em 1527 o numero de membros havia  aumentado para 1.100 pessoas, e as atividades desses irm\u00e3os permitiram  que fossem fundadas novas igrejas; as igrejas existentes foram  fortalecidas em todos os lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um  escritor que tinha \u00f3tima fonte de informa\u00e7\u00f5es diz: \u201cLeva-se a crer que  muitas pessoas enfermadas pela recrimina\u00e7\u00e3o e acusa\u00e7\u00f5es de heresias dos  p\u00falpitos, preferiam se refugiar e serem edificadas \u00e0 parte de todo  sectarismo&#8230; Tal ideal fazia parte dos anabatistas. Eles olhavam o  passado quando no tempo glorioso dos primeiros ap\u00f3stolos, de cidade em  cidade come\u00e7avam as primeiras igrejas crist\u00e3s, onde todos se reuniam num  esp\u00edrito de amor, como membros de um mesmo corpo.\u201d <a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftn4\">*<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos c\u00e2nticos foram escritos neste tempo; c\u00e2nticos que expressavam e relatavam a maneira dos irm\u00e3os adorarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando  as persegui\u00e7\u00f5es se intensificaram contra Denck ele partiu de Augsburg e  se refugiou em Strassburgo onde havia uma grande assembl\u00e9ia de irm\u00e3os  batizados. Os l\u00edderes do partido protestante eram dois homens  habilidosos, Capito e Bucer, que n\u00e3o se alinhavam diretamente com  Wittemberg nem com Zurique, se bem que o relacionamento destes com  Zwinglio e com os reformadores su\u00ed\u00e7os era mais \u00edntimo. Capito achava que  poderia permanecer em amizade com ambas as partes e ser um elo de  alegria entre os dois. N\u00e3o havia se posicionado na quest\u00e3o do batismo,  mas mantinha certa amizade com muitos dos Irm\u00e3os. A presen\u00e7a de homens  extremados entre os irm\u00e3os, dos quais n\u00e3o podiam se livrar, prejudicou  sua influ\u00eancia impedindo que outras pessoas se unissem aos irm\u00e3os.  Quando Zwinglio apresentou a proposta de puni\u00e7\u00e3o de morte aos que  divergiam dele, tal decis\u00e3o enfraqueceu sua influ\u00eancia sobre Capito. Com  a chegada de Denck, as condi\u00e7\u00f5es eram tal e o n\u00famero de irm\u00e3os t\u00e3o  grande e t\u00e3o influentes que at\u00e9 parecia que dominavam a cena religiosa  em toda cidade. Logo fez amizade com Capito que com sua piedade,  habilidade e charme pessoal atraiu tanta gente pra ele, como l\u00edder  confi\u00e1vel, n\u00e3o apenas os irm\u00e3os tidos como batistas, mas muitos  indecisos que n\u00e3o sabiam que partido tomar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bucer  ficou alarmado com o que viu, e julgando que n\u00e3o havia qualquer futuro  para qualquer partido que n\u00e3o ag\u00fcentaria o poder civil, ele, juntamente  com Zwinglio trabalharam com tanto sucesso fazendo a cabe\u00e7a do conselho  da cidade que, alguns dias depois de entrar na cidade Denck foi  novamente expulso. Os que o apoiavam eram tantos que ele poderia ter  resistido e n\u00e3o ser exilado, mas ele, seguindo os princ\u00edpios nos quais  se firmava, de submiss\u00e3o \u00e0s autoridades deixou a cidade em 1526.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denck  corria perigo de vida em todas as cidades. Em Worms, onde havia uma  grande congrega\u00e7\u00e3o, ele permaneceu o tempo suficiente para traduzir os  profetas. Juntamente com Ludwig Hetzer imprimiram os livros em 1527. Em  tr\u00eas anos treze edi\u00e7\u00f5es desta tradu\u00e7\u00e3o foram impressas. A primeira  edi\u00e7\u00e3o foi impressa cinco vezes, e no ano seguinte mais seis edi\u00e7\u00f5es. A  edi\u00e7\u00e3o de Augsburg foi reimpressa cinco vezes em nove meses. Logo ap\u00f3s,  Denck liderou uma confer\u00eancia dos irm\u00e3os de muitos distritos em  Augsburg. Ali ele se op\u00f4s aos que queriam fazer uso da for\u00e7a para lutar  contra a persegui\u00e7\u00e3o. Esta reuni\u00e3o ficou conhecida como \u201ca confer\u00eancia  dos m\u00e1rtires\u201d, pois muitos que participaram dela foram mais tarde  condenados \u00e0 morte. Alcan\u00e7ando Basle, com a sa\u00fade f\u00edsica alquebrada pela  vida de andarilho e pelas priva\u00e7\u00f5es, ele fez contato com seu amigo de  tempos atr\u00e1s, o reformador Hausschein chamado Ecolampadius, que ao v\u00ea-lo  em tal condi\u00e7\u00e3o proveu um lugar agrad\u00e1vel e seguro onde ele pudesse  morrer em paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes  de morrer, escreveu: \u201c\u00c9 duro e doloroso viver sem lar, mas pior ainda \u00e9  saber que meu zelo deixou t\u00e3o pouco fruto e resultado. Deus sabe que n\u00e3o  anelei outra coisa na vida a n\u00e3o ser frutificar. De boa mente deveria  glorificar o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, quer sejam as pessoas  circuncidadas, batizadas ou nenhuma das duas coisas.\u201d Quando havia  toler\u00e2ncia religiosa escreveu: \u201cNas quest\u00f5es de f\u00e9 todos devem ser  livres para expressar suas convic\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As  disputas doutrin\u00e1rias nem sempre se baseiam na verdade de uns e nos  erros de outros. As dissens\u00f5es costumam ocorrer porque um dos lados  enfatiza demasiadamente um aspecto da verdade, enquanto o outro se  agarra num aspecto diferente da mesma verdade. Cada lado sustenta o  ponto de vista que lhe \u00e9 favor\u00e1vel e minimiza ou ignora o que a outra  parte considera relevante. Da\u00ed que qualquer coisa pode ser provada pelas  escrituras que, sob este ponto de vista n\u00e3o \u00e9 um guia fiel. Tal  caracter\u00edstica da Escritura, ao contr\u00e1rio, mostra sua completude. N\u00e3o  mostra apenas um lado, mas apresenta a cada momento cada fase da  verdade. Assim, a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 somente, sem as obras  que \u00e9 amplamente ensinada s\u00f3 \u00e9 equilibrada quando se ensina a  necessidade das boas obras, pois estas mostram a conseq\u00fc\u00eancia e s\u00e3o as  provas da f\u00e9. Ensina-se que o homem ca\u00eddo \u00e9 incapaz de operar boas  obras, que por elas n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar a Deus, e que a salva\u00e7\u00e3o tem  sua origem na gra\u00e7a e favor de Deus para o ser humano, e se esquece que o  homem \u00e9 imbu\u00eddo desta capacidade de buscar a salva\u00e7\u00e3o, e tem uma  consci\u00eancia que reage \u00e0 divina luz da palavra, que condena o pecado e  aprova a justi\u00e7a. De fato, cada grande doutrina revelada nas Escrituras  apresenta-se de forma equilibrada, e ambas s\u00e3o necess\u00e1rias para o  conhecimento de toda verdade. Neste sentido a palavra de Deus demonstra a  obra de Deus na cria\u00e7\u00e3o, na qual as for\u00e7as opositoras cooperam  juntamente para o fim necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensina-se  freq\u00fcentemente que a Reforma foi estabelecida dividindo a Europa entre  Protestantes (luteranos ou zwinglianos) de um lado e a igreja romana de  outro. Existe um grande n\u00famero de crist\u00e3os que n\u00e3o pertencia a nenhuma  das partes, e que se reuniam como igrejas independentes, sem depender,  como os luteranos e os cat\u00f3licos do poder civil, mas que se empenhavam  em levar a termo os princ\u00edpios divinos estabelecidos no Novo Testamento.  Era t\u00e3o numeroso o n\u00famero de crist\u00e3os independentes que as duas igrejas  apoiadas pelo Estado (Luteranos e Cat\u00f3licos Romanos) sentiam-se  amea\u00e7adas. A raz\u00e3o de porque a presen\u00e7a desta terceira via ocupa  t\u00e3o-pequeno espa\u00e7o na hist\u00f3ria daqueles dias se deve ao poder do Estado,  das grandes igrejas cat\u00f3licas e protestantes que se empenharam em  destruir as igrejas independentes. As igrejas que restaram da  persegui\u00e7\u00e3o imposta pelas duas igrejas foram se enfraquecendo ao longo  dos anos. O lado vitorioso se encarregou de destruir a literatura dos  Irm\u00e3os, e ao escrever a hist\u00f3ria colocavam-nos como her\u00e9ticos e  repudiados dando-lhes apelidos que demonstravam todo o \u00f3dio que esses  dois grupos tinham por eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1527  sob a orienta\u00e7\u00e3o de Michael Sattler e de outros l\u00edderes realizou-se uma  confer\u00eancia em Baden onde houve acordo nos seguintes pontos: (1) Que  somente os convertidos deveriam ser batizados; (2) que as igrejas  deveriam exercer disciplina; (3) que a ceia do Senhor deveria ser em  mem\u00f3ria da morte do Senhor; (4) que os membros da igreja n\u00e3o deveriam  ter comunh\u00e3o com o mundo; (5) que era dever dos pastores da igreja  ensinar e exortar, etc. (6) que os crist\u00e3os n\u00e3o deveriam portar espada  nem recorrer ao judici\u00e1rio; (7) que os crist\u00e3os n\u00e3o deveriam jurar.  Sattler pregava ativamente a palavra em v\u00e1rios distritos e na primavera  de 1527 visitou Estrasburgo e W\u00fcrttemberg. Em Rottenburgo ele foi preso e  condenado \u00e0 morte por seus ensinamentos. Conforme a decis\u00e3o da corte  ele deveria sofrer mutila\u00e7\u00f5es f\u00edsicas em v\u00e1rios lugares da cidade,  depois levado aos port\u00f5es, e o que restasse dele deveria ser lan\u00e7ado na  fogueira (N.T. mutilado pelos protestantes).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua  esposa e v\u00e1rias mulheres da igreja foram afogadas e grande n\u00famero de  irm\u00e3os que as acompanhavam foram jogados na pris\u00e3o e decapitados. Estas  foram as primeiras e terr\u00edveis mortes em Rottenburgo. Os irm\u00e3os que se  reuniam aos milhares em Augsburg foram espalhados e perseguidos at\u00e9 a  morte. O primeiro a ser morto foi Hans Leupold, anci\u00e3o da igreja, que  foi preso num dos cultos com outros 87 irm\u00e3os e decapitados em 1528. Na  pris\u00e3o, aguardando a morte escreveu um c\u00e2ntico que foi anexado ao  hin\u00e1rio dos Irm\u00e3os. A maioria dos c\u00e2nticos desses batistas foi escrita  na pris\u00e3o, e demonstram a profunda experi\u00eancia de sofrimento e do amor  do Senhor em suas vidas. Os c\u00e2nticos tornaram-se conhecidos dos demais  santos trazendo consolo e coragem diante das persegui\u00e7\u00f5es. Duas semanas  depois o talentoso Eithelhans Langenmantel, apesar de ser amigo das  fam\u00edlias mais influentes foi executado juntamente com outros irm\u00e3os. Um  grande n\u00famero deles foi expulso da cidade, geralmente com uma cruz  marcada em suas testas. Em Worms o numero de irm\u00e3os era t\u00e3o grande que  foi dif\u00edcil dispers\u00e1-los, pois continuaram a se reunir em secreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Landgraf  Philip de Hessen era exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra aos governantes daqueles dias.  Ele, corajosamente enfrentou as conseq\u00fc\u00eancias por recusar assinar e  obedecer as ordens do imperador Carlos V, decretado em Speyer, que  ordenava a todos os governos e oficiais do imp\u00e9rio, \u201cque todos os que se  batizavam de novo, homens ou mulheres, de qualquer idade, fossem  julgados e mortos na fogueira e pela espada, ou conforme a circunst\u00e2ncia  pessoal, sem julgamento pr\u00e9vio do juiz espiritual\u201d. E que todos os que  recusavam trazer seus filhinhos para serem batizados deveriam sofrer as  penas desta mesma lei, e que ningu\u00e9m deveria receber indulto sob forma  alguma nem escapar do edito do imp\u00e9rio. O Eleitor da Sax\u00f4nia (pr\u00edncipe  ou governo com direito a voto) aconselhado pelos te\u00f3logos de Wittenberg  for\u00e7ou Landgraf Philip a banir ou levar para a pris\u00e3o alguns dos  batistas, mas ele n\u00e3o foi al\u00e9m disto e p\u00f4de se orgulhar de que ningu\u00e9m  morreu sob seu governo. Permaneceu firme em seu posicionamento de que  quaisquer que fossem as opini\u00f5es os que erravam deveriam se converter  pela instru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pela for\u00e7a. Afirmou que havia mais gente de bem  entre os chamados fan\u00e1ticos do que entre os luteranos, e que n\u00e3o  poderia, por for\u00e7a de sua consci\u00eancia permitir punir ou matar qualquer  pessoa por sua f\u00e9, quando n\u00e3o havia raz\u00e3o para assim proceder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia  muitos irm\u00e3os no distrito de Heidelberg, Alzey e Kreuznach. Somente no  ano de 1529 trezentos e cinq\u00fcenta irm\u00e3os foram mortos. Persegui\u00e7\u00f5es  cru\u00e9is como a que aconteceu em Alzey chamou a aten\u00e7\u00e3o do pastor  evang\u00e9lico Johann Odenbach, que\u00a0 protestou, e portanto, merece ser  honrado. O protesto foi dirigido aos \u201cju\u00edzes encarregados de julgar os  pobres prisioneiros de Alzey apelidados de anabatistas\u201d, e afirma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00eas,  pobres e ignorantes (ju\u00edzes) devem clamar diligentemente e honestamente  ao reto Juiz e devem orar por socorro divino, e por sabedoria e gra\u00e7a.  Assim, voc\u00eas n\u00e3o sujar\u00e3o suas m\u00e3os com sangue inocente, ainda que a  majestade imperial e os pr\u00edncipes do mundo lhes d\u00eaem ordens de matar.  Esses pobres prisioneiros com seu batismo, n\u00e3o cometeram pecado contra  Deus nem Deus os condenar\u00e1 por terem sido batizados, nem t\u00e3o pouco  agiram contra o governo ou contra a humanidade para receberem t\u00e3o severa  puni\u00e7\u00e3o. Pois o batismo certo ou o segundo batismo n\u00e3o tem em si o  poder de vida ou de morte para algu\u00e9m ser condenado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTemos  de permitir o batismo como um sinal de reconhecimento de que somos  crist\u00e3os, de que estamos mortos para o mundo, que somos inimigos do  diabo, desprezados, crucificados, que n\u00e3o antevemos o que \u00e9 temporal,  mas as eternas b\u00ean\u00e7\u00e3os; lutando constantemente contra a carne, contra o  pecado e contra o diabo para poder viver a vida crist\u00e3. Muitos de voc\u00eas,  ju\u00edzes nem sabem a diferen\u00e7a entre o batismo certo e o errado para  questionar os irm\u00e3os sob tortura. Com base nisto devem condenar uma  pessoa \u00e0 morte? N\u00e3o! Afirmo isto n\u00e3o para apoiar o segundo batismo, que  deveria ser julgado pelas escrituras sagradas e n\u00e3o pela forca. Assim,  meus amigos, n\u00e3o usurpem o que pertence \u00e0 majestade divina, para que a  ira de Deus n\u00e3o venha sobre voc\u00eas como veio sobre os habitantes de  Sodoma e sobre aqueles in\u00edquos. Voc\u00eas tratam os ladr\u00f5es, os assassinos  com mais miseric\u00f3rdia do que essas criaturas que nunca roubaram nem  mataram uma s\u00f3 alma, que n\u00e3o cometeram nenhum pecado vergonhoso, n\u00e3o s\u00e3o  incendi\u00e1rios nem traidores, mas\u00a0 s\u00e3o pessoas que foram batizadas  segunda vez por amor a Deus, para honrar a Deus, sem prejudicar o  pr\u00f3ximo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo  podem voc\u00eas decidir em seus cora\u00e7\u00f5es e de s\u00e3 consci\u00eancia afirmar que  estas pessoas devem ser decapitadas ou culpadas? Se voc\u00eas tratassem  esses irm\u00e3os como os juizes crist\u00e3os devem agir, e se soubessem  instru\u00ed-los \u00e0 luz do evangelho, n\u00e3o haveria necessidade de enforc\u00e1-los.  Agindo dessa maneira com justi\u00e7a, a verdadeira doutrina prevalecer\u00e1 e a  pris\u00e3o seria assim uma puni\u00e7\u00e3o justa. Da mesma maneira devem agir os  sacerdotes, levando esses irm\u00e3os aos ombros, como ovelhas errantes, de  volta a Cristo, provando que sua obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 a de trat\u00e1-los com amor,  confortando-as, sustentando-as, e restaurando esses irm\u00e3os a doutrina  evang\u00e9lica.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o se  enganem condenando essas pobres pessoas \u00e0 morte. Voc\u00eas deveriam sentir  terror ao tratar deste assunto, deveriam agonizar e suar sangue, pois  voc\u00eas n\u00e3o sabem onde eles est\u00e3o errando. Voc\u00eas deveriam prestar aten\u00e7\u00e3o  quando essas pessoas dizem: \u2018Desejamos ser instru\u00eddos pelas santas  escrituras, pois estamos dispostos a viver uma vida que nos seja  comprovada pelos evangelhos\u2019. Pensem na vergonha eterna que voc\u00eas ter\u00e3o  de enfrentar. Pensem na rea\u00e7\u00e3o do povo quando essas pessoas forem  mortas! Da boca do povo se ouvir\u00e1: \u2018Veja a paci\u00eancia, o amor, a adora\u00e7\u00e3o  e a maneira como este povo morre, com que coragem lutaram contra o  mundo!\u2019. Oh! Que sejamos inculp\u00e1veis diante de Deus como eles o s\u00e3o; de  fato eles n\u00e3o foram vencidos, enfrentaram o \u00f3dio, e s\u00e3o m\u00e1rtires de  Deus. Todos haver\u00e3o de dizer que nada foi feito contra o erro dos  anabatistas para serem julgados de maneira sanguin\u00e1ria, e que voc\u00eas  est\u00e3o destruindo pela for\u00e7a o santo evangelho e a verdadeira pureza de  Deus&#8230;.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado foi que aqueles ju\u00edzes se recusaram a levar a julgamento as pessoas acusadas por sua f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Zwinglio  fez a reforma protestante basicamente na Alemanha su\u00ed\u00e7a. Em Cant\u00e3o foi  que ele tinha mais autoridade. Em 1523 ele imp\u00f4s uma Igreja Estado em  Zurique e o grande conselho ficou respons\u00e1vel em tomar decis\u00f5es nos  casos que afetassem a doutrina e a igreja. Um crist\u00e3o conhecido como  Muller levado ao Conc\u00edlio disse: \u201cN\u00e3o oprimam minha consci\u00eancia, porque a  f\u00e9 \u00e9 uma gra\u00e7a concedida pela miseric\u00f3rdia de Deus e n\u00e3o deve receber  interven\u00e7\u00e3o de pessoa alguma. O mist\u00e9rio de Deus est\u00e1 oculto e \u00e9 como um  tesouro escondido num campo, que ningu\u00e9m pode encontrar, a menos que o  Esp\u00edrito do Senhor mostre a pessoa. Portanto, suplico-lhes, como servos  de Deus, deixem minha f\u00e9 gozar da liberdade\u201d. Isto n\u00e3o lhe foi  permitido. A igreja estatal adotou os princ\u00edpios da velha igreja, de que  \u00e9 justo tratar os her\u00e9ticos pela pris\u00e3o e morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em anos  anteriores Zwinglio mantinha um bom relacionamento com os Irm\u00e3os.  Chegou a considerar a quest\u00e3o do batismo e afirmou que n\u00e3o havia base  b\u00edblica para o batismo de crian\u00e7as. \u00c0 medida que crescia o movimento  pela reforma, contudo, a igreja estatal passou a depender do poder civil  para tomar decis\u00f5es e Zwinglio se afastou dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os irm\u00e3os eram numerosos e ativos em Zurique, <a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftn5\">*<\/a> com tr\u00eas proeminentes l\u00edderes, sendo que um deles, Konrad Grebel era  amigo de Zwinglio. Grebel era filho de um membro do conc\u00edlio de Zurique,  formado com distin\u00e7\u00e3o e honra pelas universidades de Paris e Viena, e  ao regressar a Zurique passou a freq\u00fcentar a congrega\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os na  cidade. O outro era Felix Manz eminente professor e conhecedor do  hebraico, cuja m\u00e3e era fiel e fervorosa crist\u00e3 e abriu uma igreja em sua  casa. O terceiro era um irm\u00e3o que j\u00e1 tinha sido monge e, influenciado  pela Reforma saiu da igreja romana. Foi apelidado de \u201cBlaurock\u201d ou  \u201cBluecoat\u201d \u2013 casaco azul \u2013 e era chamado tamb\u00e9m de George, o Forte,  devido ao seu tamanho e vigor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses  tr\u00eas eram incans\u00e1veis viajando e visitando casa por casa, pregando,  exortando e muita gente aceitou o evangelho, foram batizadas e  agregaram-se \u00e0s igrejas. Em Zurique os irm\u00e3os faziam batismos p\u00fablicos e  se reuniam regularmente para a ceia do Senhor, que chamavam de \u201cpartir  do p\u00e3o\u201d. Falavam de si mesmos como os verdadeiros filhos de Deus,  mantinham-se separados do mundo, e neste \u201cmundo\u201d estavam inclu\u00eddas tanto  as igrejas Reformadas quanto as igrejas cat\u00f3lico-romanas. O conselho  proibiu essas coisas e formou-se uma audi\u00eancia p\u00fablica, mas como o  concelho detinha o poder de decis\u00e3o, decidiu que todos os que n\u00e3o tinham  sido batizados deveriam batizar seus filhos em uma semana, e os  batismos dos irm\u00e3os foram proibidos sob penas severas. Grebel, Manz e  Blaurock , trabalharam ainda com mais empenho e as pessoas, aos milhares  concorriam para ouvir a palavra de Deus e para serem batizadas. Grebel e  Manz eram moderados e persuasivos, mas Blaurock possu\u00eda um  incontrol\u00e1vel ardor e zelo, a ponto de entrar nas igrejas, interromper o  culto e pregar a palavra. As pessoas gostavam dele, mas o conflito com  as autoridades azedou o caldo, e muitos dos irm\u00e3os foram punidos de  maneira severa. Blaurock n\u00e3o hesitou e pessoalmente disse a Zwinglio:  \u201cV\u00f3s, caro Zwinglio constantemente vos encontrastes com os papistas  declarando que tudo o que n\u00e3o est\u00e1 na palavra de Deus n\u00e3o tem valor, e  agora v\u00f3s dizeis que muitas das coisas que n\u00e3o est\u00e3o na palavra de Deus  ajudam na comunh\u00e3o com ele. Onde est\u00e3o as palavras poderosas que v\u00f3s  usastes para contraditar o bispo Faber e todos os monges?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente  os tr\u00eas pregadores e quinze outros, entre esses seis mulheres foram  condenados \u00e0 pris\u00e3o com apenas \u00e1gua e p\u00e3o para apodrecer e morrer, e  todas as pessoas batizadas ou que fossem batizadas deveriam morrer por  afogamento (1526). De alguma maneira os prisioneiros fugiram, porque  muita gente gostava deles, mas as persegui\u00e7\u00f5es continuaram implac\u00e1veis  nos Cant\u00f5es de Berna e de St. Gallen onde as autoridades faziam de tudo  para exterminar as igrejas. No Cant\u00e3o de Berna 34 pessoas foram  executadas, e as que fugiram para Biel onde havia uma comunidade de  irm\u00e3os foram presas l\u00e1. Os irm\u00e3os que se reuniam secretamente nas  florestas durante a noite foram descobertos, espalhados e precisaram  encontrar outros lugares secretos para poder se reunir. Por este tempo  Grebel morreu da praga. Blaurock foi capturado e preso e condenado. Sua  pena foi terr\u00edvel, pois deveria apanhar de vara pelas ruas da cidade at\u00e9  que deixasse um rastro de sangue e ele fosse banido da terra. Manz foi  capturado, preso e afogado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas  nada disso impediu o crescimento da igreja, porque os irm\u00e3os fugiram  para a vizinhan\u00e7a refugiando-se nas prov\u00edncias austr\u00edacas do Tirol, e  logo estabeleceram igrejas na regi\u00e3o. George, o Forte viajou por todo o  territ\u00f3rio do Tirol enfrentando os perigos e muita gente se converteu  atrav\u00e9s de suas prega\u00e7\u00f5es, especialmente em Klausen onde um grande  n\u00famero de disc\u00edpulos se firmou tornando-se ativos na prega\u00e7\u00e3o da palavra  de Deus. Depois de escaparem v\u00e1rias vezes Blaurock e um companheiro,  Hansen Langeger foram feitos prisioneiros e queimados em Klausen (1529).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste  mesmo ano Michael Kirschner que dera bom testemunho do Senhor em  Innsbruck foi queimado publicamente nesta cidade. O desafio de continuar  a obra ficou a cargo de Jakob Huter, entre outros. No mesmo ano em que  Blaurock foi queimado Huter estava numa reuni\u00e3o para partir o p\u00e3o quando  foi surpreendido pela pol\u00edcia. 14 irm\u00e3os e irm\u00e3s fora presos, mas Huter  e alguns outros conseguiram fugir. Sempre correndo perigo Huter viajava  reconciliando as diferen\u00e7as dos irm\u00e3os, encorajando-os ao sofrimento e  pregando a palavra de Deus. A severa persegui\u00e7\u00e3o for\u00e7ou a fuga dos  irm\u00e3os para a Moravia, onde, por certo tempo gozavam de liberdade, mas  as fronteiras foram vigiadas a fim de impedir as fugas. Foram feitos  acordos com o governo de Veneza para que impedissem a fuga de irm\u00e3os  para aquela regi\u00e3o. Por toda \u00c1ustria o evangelho cresceu, novas igrejas  foram fundadas, para depois serem fechadas e esmagadas pela persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No  Tirol e em G\u00f6rz mil pessoas foram queimadas, degoladas ou afogadas no  rio. Em Zalzburg os irm\u00e3os foram pegos de surpresa quando se reuniam na  casa do pastor e mortos. O povo apelou para que uma mo\u00e7a de dezesseis  anos, bela e jovem n\u00e3o fosse morta, mas seus algozes\u00a0 levaram-na nos  bra\u00e7os, seguraram a jovem sob as \u00e1guas, e, como ela n\u00e3o renunciava, foi  afogada e seu corpo sem vida atirado na fogueira. Ambrosius Spittelmeyer  de Linz depois de uma vida frut\u00edfera e de bom testemunho foi  martirizado em Nurembergue. A igreja de Linz tinha um fiel supervisor,  Wolfgang Brandhuber que Fo morto juntamente com setenta membros da  igreja em 1528. Assim, em cada lugar o Senhor levantava suas testemunhas  que o seguiam da maneira mais literal poss\u00edvel. Tropas do ex\u00e9rcito  foram enviadas por todos esses pa\u00edses para buscar e matar os \u201cher\u00e9ticos\u201d  que eram mortos sem qualquer julgamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que apelidados de anabatistas <a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftn6\">*<\/a> n\u00e3o foi a forma de batismo que lhes deu coragem para sofrer; eram  pessoas que mantinham comunh\u00e3o com o Redentor; nenhum homem nem uma  f\u00f3rmula interrompiam a comunh\u00e3o dessas pessoas com Cristo. Os chamados  m\u00edsticos descobriram que ao viver em Cristo e Cristo neles podiam manter  comunh\u00e3o uns com os outros e vencer o mundo. Os que quisessem fazer  parte da igreja tornando-se membro da casa de Deus, deveriam andar em  Deus, e pregavam que quem estivesse fora da igreja estava fora de  Cristo. O fato de rejeitarem o batismo infantil levantava quest\u00f5es sobre  o que acontecia com as crian\u00e7as que morriam cedo, mas, diziam, elas s\u00e3o  participantes da vida eterna em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas  cr\u00f4nicas dos anabatistas austro-h\u00fangaros ficou registrado: \u201cOs  fundamentos do cristianismo foram colocados pelos ap\u00f3stolos aqui e acol\u00e1  e em diferentes pa\u00edses, mas a tirania e o falso ensinamento prejudicou e  impediu que a igreja continuasse. O n\u00famero de crist\u00e3os ficou t\u00e3o  reduzido que at\u00e9 parecia n\u00e3o existir mais aquela igreja verdadeira. Como  afirmou o profeta Elias, os altares foram destru\u00eddos, os profetas  mortos e ele ficou s\u00f3; mas Deus n\u00e3o deixou sua igreja desaparecer  totalmente. Caso contr\u00e1rio este artigo sobre a f\u00e9 crist\u00e3 seria  considerado falso: \u2018Creio que existe uma s\u00f3 igreja, uma s\u00f3 comunh\u00e3o dos  santos\u2019. Se a igreja n\u00e3o podia ser localizada, se em certos per\u00edodos  dois ou tr\u00eas se reuniam em algum lugar, assim, o Senhor, segundo sua  promessa est\u00e1 com eles, e por permanecerem fieis \u00e0 sua palavra, o Senhor  nunca os abandonou, mas aumentou o numero de fieis. S\u00f3 que, quando se  descuidam e se esquecem das pr\u00e1ticas crist\u00e3s, Deus retira deles os dons  que lhes havia concedido, e desperta verdadeiros homens em outros  lugares, dando-lhes dons para que, outra vez edifiquem sua igreja.  Assim, o reino de Cristo desde os dias apost\u00f3licos at\u00e9 agora vagueia de  na\u00e7\u00e3o em na\u00e7\u00e3o e, finalmente chegou at\u00e9 n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm  outras terras\u201d, continua o relato, \u201chouve um bom come\u00e7o e at\u00e9 um final  feliz quando as testemunhas deram suas vidas, mas a tirania do romanismo  apagou quaisquer registros. Os Pickards e os waldenses sustentaram a  verdade. No come\u00e7o do reinado de Carlos V o Senhor voltou a derramar sua  luz. Lutero e Zwinglio destru\u00edram a maldade babil\u00f4nica, mas n\u00e3o a  substitu\u00edram por nada melhor, porque quando chegaram ao poder passaram a  confiar mais nos homens que em Deus. Portanto, apesar de come\u00e7arem bem,  a luz da verdade desapareceu. \u00c9 como se algu\u00e9m fizesse um buraco no  velho aquecedor tornando as coisas piores. Ergueram, portanto, um povo  inclinado ao pecado. Muitos seguiram a Lutero e Zwinglio, agarrando-se  aos seus ensinamentos como se fosse a verdade, e algumas pessoas deram  suas vidas pela verdade, e est\u00e3o salvas, sem d\u00favida alguma, pois lutaram  uma causa justa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  documento descreve os conflitos com Zwinglio em Zurique com respeito ao  batismo e de como Zwinglio, ainda que tenha provado que n\u00e3o se podia  provar que o batismo de crian\u00e7as fosse b\u00edblico, ensinava mais tarde que o  batismo de adultos e crentes est\u00e1 errado e n\u00e3o deve ser perpetuado.  Depois houve o edito em Zurique decretando que os que fossem batizados  deveriam morrer afogados. O documento mostra como os irm\u00e3os foram  espalhados, alguns deles chegando a \u00c1ustria para pregar a palavra de  Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  crescimento das igrejas na \u00c1ustria e nas regi\u00f5es adjacentes foi  maravilhoso. O registro das pessoas que foram martirizadas e o  sofrimento que enfrentaram mostram, que a persegui\u00e7\u00e3o foi implac\u00e1vel, no  entanto os irm\u00e3os enfrentaram corajosamente a tarefa de evangelizar  atrav\u00e9s dos anci\u00e3os e dos evangelistas. Um registro diz que \u201cenfrentavam  a morte com firmeza e alegria. Enquanto alguns morriam afogados, os  demais, esperando a vez do mart\u00edrio cantavam e entoavam louvores,  esperando o momento em que seus executores os levassem para o mart\u00edrio.  Estavam arraigados na verdade em que criam e se fortaleciam na f\u00e9 em  Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal  disposi\u00e7\u00e3o deixava seus perseguidores at\u00f4nitos que se perguntavam de  onde os irm\u00e3os tiravam coragem e for\u00e7a. V\u00e1rias pessoas se convertiam ao  virem os irm\u00e3os sendo mortos, mas os l\u00edderes religiosos tanto da igreja  cat\u00f3lica romana como da igreja reformada afirmavam que a for\u00e7a deles  vinha de Sat\u00e3. Os irm\u00e3os mesmo diziam: \u201cEles beberam das \u00e1guas que  corriam do santu\u00e1rio de Deus, da fonte da Vida, e por isso seus cora\u00e7\u00f5es  eram fortalecidos al\u00e9m da compreens\u00e3o humana. Descobriram que Deus os  ajudava a levar a cruz e venceram a morte. A f\u00e9 desses irm\u00e3os floresceu  como florescem os l\u00edrios, sua fidelidade desabrochou como a rosa, e sua  vida piedosa como as flores do jardim de Deus. O anjo do Senhor estava  diante deles revolvendo a lan\u00e7a para que o capacete da salva\u00e7\u00e3o e o  escudo de ouro de Davi n\u00e3o lhes fossem tirados. Os m\u00e1rtires ouviram o  som da trombeta de Si\u00e3o, por isso n\u00e3o temeram o sofrimento nem a morte  pelo mart\u00edrio. O temperamento santo desses irm\u00e3os avaliava as riquezas  terreais como sombras, sabendo que lhes esperavam grandes coisas. Eram  treinados de Deus, por isso nada sabiam, nada buscavam, nada amavam, a  n\u00e3o ser s coisas eternas de Deus.\u00a0 Mostravam-se mais pacientes nos  sofrimentos do que seus inimigos que lhes infligiam dor.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rei Ferdinando I irm\u00e3o de Carlos V da Espanha tornou-se ferrenho perseguidor dos irm\u00e3os. <a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftn7\">*<\/a> Entre os encarregados pelo rei de matar e perseguir, havia os que  sentiam tanta pena dos mais fracos e dos mais tementes que os deixavam  escapar, mas Ferdinando dava ordens e instru\u00e7\u00f5es para que fossem  ferozes, e se n\u00e3o cumprissem suas ordens seriam castigados. Por isso  alguns magistrados do Tirol se escusavam diante das amea\u00e7as do rei e  escreviam coisas assim: \u201cPor mais de dois anos, quase todos os dias a  quest\u00e3o anabatista aparece diante da corte, e mais de 700 homens e  mulheres foram condenados \u00e0 morte no Tirol da Alemanha e em outros  lugares, enquanto outros foram banidos do pa\u00eds, e outros fugiram na  mis\u00e9ria, deixando para tr\u00e1s seus pertences, e at\u00e9 mesmo deixando seus  filhos&#8230; N\u00e3o concordamos com Vossa Majestade com a culpa dessas  pessoas, porque n\u00e3o t\u00eam medo de serem punidos, e enfrentam a morte com  firmeza, al\u00e9m de que visitam os prisioneiros e\u00a0 os exortam como seus  irm\u00e3os em Cristo, sem medo de serem torturados. N\u00e3o aceitam serem  instru\u00eddos nem voltam atr\u00e1s de sua f\u00e9, e, na maioria das vezes preferem  morrer&#8230; esperamos que Vossa Real Majestade aceite nosso relato, porque  com fidelidade temos nos empenhado na tarefa.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois  que Ferdinando tornou-se rei tamb\u00e9m da Bo\u00eamia, os irm\u00e3os perderam seu  lugar de ref\u00fagio e n\u00e3o havia agora lugar para onde fugir. Ofereciam-se  altas recompensas aos que tra\u00edssem um \u201canabatista\u201d e o entregasse nas  m\u00e3os do governo. Os bens dos m\u00e1rtires eram usados para pagar as despesas  da persegui\u00e7\u00e3o. Mulheres gr\u00e1vidas eram deixadas na pris\u00e3o onde tinham  seus filhos, e depois eram mortas. Um magistrado em Sillian, J\u00f6rge  Scharlinger ficou t\u00e3o perturbado com a ordem de matar dois rapazes de 16  e 17 anos, que postergou a senten\u00e7a desculpando-se de que precisava  investigar um pouco mais. Houve um acordo em tais casos que os acusados  deveriam estudar numa institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica romana, tendo as despesas  pagas com os bens dos anabatistas at\u00e9 os 18 anos, e se n\u00e3o renunciassem  eram executados. Imagine um jovem que amava o Senhor esperando fazer 18  anos sob tais condi\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A  situa\u00e7\u00e3o piorava a cada dia, mas Jacok Huter nunca deixou de se reunir  nas florestas ou em casas isoladas, e os irm\u00e3os e irm\u00e3s viviam com risco  de morte s\u00f3 pelo fato de os hospedar. Certa ocasi\u00e3o ele e mais quarenta  irm\u00e3os estavam reunidos para partir o p\u00e3o quando a casa foi invadida  pela pol\u00edcia e os soldados levaram sete deles como prisioneiros. O resto  conseguiu escapar entre eles Huter, mas logo Huter foi preso tra\u00eddo por  um falso irm\u00e3o. A casa onde estava hospedado foi cercada durante a  noite pelo ex\u00e9rcito e ele, sua esposa, uma menina e a dona da casa, uma  mulher idosa, foram feitos prisioneiros. Para que n\u00e3o falasse a verdade  Jacok Huter foi amorda\u00e7ado \u2013 um n\u00f3 dentro da boca \u2013 e levado para  Innsbruck, onde houve muita alegria por sua captura, j\u00e1 que o rei pedia  que n\u00e3o descansassem at\u00e9 que Huter fosse encontrado.\u00a0 O rei, logo que  soube da pris\u00e3o de Huter ordenou que fosse morto, ainda que renunciasse \u00e0  sua f\u00e9. Huter n\u00e3o era do tipo que renunciava, ao contr\u00e1rio usou de  palavras violentas para denunciar o rei, o Papa e os sacerdotes daqueles  dias. Foi feito um requerimento solicitando ao rei que Huter fosse  decapitado em secreto para n\u00e3o haver tumulto entre o povo, mas o pedido  n\u00e3o foi aceito por Ferdinando que insistiu que Huter fosse queimado em  pra\u00e7a p\u00fablica. Ele foi martirizado em 1536.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hans  M\u00e4ndl um homem de esp\u00edrito generoso e corajoso assumiu o lugar de  lideran\u00e7a entre os irm\u00e3os deixado por Huter. Hans granjeou confian\u00e7a e  amizade entre os irm\u00e3os por ser talentoso e devoto. Somente no Tirol ele  batizou 400 pessoas. Hans M\u00e4ndl foi v\u00e1rias vezes preso e o cl\u00e9rigo  enviado para o converter reclamava da maneira educada como os  magistrados o tratavam, e suas constantes fugas da pris\u00e3o eram ind\u00edcios  de que algu\u00e9m da alta corte o protegia. Numa ocasi\u00e3o, logo depois de  fugir ele se reuniu e pregou para mais de mil pessoas numa floresta,  para ser preso novamente (1560). Desta vez foi lan\u00e7ado num calabou\u00e7o  f\u00e9tido numa torre de Innsbruck onde mais dois irm\u00e3os estavam confinados.  Do fundo do calabou\u00e7o escreveu: \u201cEstou preso na torre onde meu querido  irm\u00e3o J\u00f6rg Liebich foi jogado anos atr\u00e1s&#8230; ele est\u00e1 aqui no fundo, mas  da janela do alto uma r\u00e9stia de luz o ilumina&#8230; enfrentei a tortura sem  medo como nunca dantes. Depois de me interrogar por tr\u00eas dias  jogaram-me de volta na cela f\u00e9tida de onde podia ouvir o barulho das  minhocas e lagartas pela parede; morcegos fazem v\u00f4os rasantes sobre  nossas cabe\u00e7as, camundongos e ratos passeiam pela cela, mas Deus torna  as coisas mais f\u00e1ceis pra mim.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perguntaram  a \u00a0J\u00f6rg Liebich quem o induziu a ser batizado. Ele respondeu que antes  de come\u00e7ar na f\u00e9 ouvira a respeito de um homem chamado Jakob Huter que  morrera na fogueira em Innsbruck e que, ao ser preso colocaram uma  morda\u00e7a em sua boca para que ele n\u00e3o falasse a verdade. Ouvira falar  tamb\u00e9m de Ulrich M\u00fcllner que em Klausen foi condenado a morte, um homem  amado pelo povo e tido como exemplo de fidelidade. Este tamb\u00e9m  testemunhara de um homem que ele viu ser queimado na fogueira por causa  de sua f\u00e9. Considerou estas coisas em seu cora\u00e7\u00e3o e reconheceu que  somente pela gra\u00e7a de Deus algu\u00e9m poderia afirmar e confessar sua f\u00e9 at\u00e9  a morte, e esta foi a raz\u00e3o porque come\u00e7ou a investigar a respeito dos  irm\u00e3os. Os tr\u00eas prisioneiros responderam todas as perguntas calmamente  provando o que criam pelas Escrituras. Afirmaram que, mesmo n\u00e3o tendo  onde viver, porque eram perseguidos por toda parte anelavam o dia em que  seriam recompensados cem vezes mais. Afirmavam que sua f\u00e9 n\u00e3o era o de  uma \u201cseita amaldi\u00e7oada\u201d como se referiam seus inimigos, e que n\u00e3o tinham  l\u00edderes. M\u00e4ndl explicou que os irm\u00e3os, reunidos em assembl\u00e9ia o  apontaram como l\u00edder e mestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doze  homens foram escolhidos em Innsbruck e nos distritos para compor o j\u00fari.  Depois de jurar de que agiriam conforme pensavam foi-lhes solicitado  que deveriam concordar com o decreto do Imperador a respeito dos  prisioneiros, o que implicava conden\u00e1-los \u00e0 morte. Todos se recusaram. A  persegui\u00e7\u00e3o era feroz, mas Ferdinando, agora Imperador n\u00e3o quis agir  duramente com estes com medo da oposi\u00e7\u00e3o. Os homens foram arg\u00fcidos, nove  deles passaram a concordar com o edito do rei, mas tr\u00eas deles se  recusaram, e foram presos. Depois de alguns dias presos estes tamb\u00e9m  concordaram e os jurados, sob juramento deram o veredicto de morte.  M\u00e4ndl foi condenado \u00e0 fogueira, e os outros dois \u00e0 morte por  decapita\u00e7\u00e3o. Antes de morrerem deixaram uma mensagem aos irm\u00e3os:  \u201cQueremos lhes dizer que logo depois da festa de Corpus Cristo eles nos  condenar\u00e3o e ent\u00e3o cumpriremos nossos votos para com Deus. \u00c9 com  alegria, e n\u00e3o com tristeza, porque o dia do nosso mart\u00edrio \u00e9 dia santo  para Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre  os da multid\u00e3o que vieram testemunhar a morte desses homens estava  Leonhard Dax, ex-padre, agora um dos irm\u00e3os, que saudava amistosamente  os prisioneiros quando estes passavam por ele, sem temor algum. Os que  iam ser mortos falavam \u00e0 multid\u00e3o para que se arrependessem e se  tornassem testemunhas da verdade. Quando leram a senten\u00e7a de morte eles  reprovaram a atitude dos magistrados e do j\u00fari por derramarem sangue  inocente, e estes se desculpavam afirmando que agiam sob as ordens do  imperador&#8230; \u201c\u00d3 mundo cego\u201d, bramou M\u00e4ndl, \u201ccada pessoa deveria agir  conforme manda seu cora\u00e7\u00e3o, e sua consci\u00eancia, mas voc\u00eas nos condenam  conforme as ordens do Imperador!\u201d. Pregavam para o povo at\u00e9 que M\u00e4ndl  ficou rouco. \u201cPare, Hans!\u201d gritou um magistrado, mas M\u00e4ndl continuou e  disse: \u201cTenho testificado e falado da verdade divina\u201d. Falaram at\u00e9 a  hora de morrer, porque ningu\u00e9m conseguia det\u00ea-los. Um deles estava t\u00e3o  abatido e enfermo que se temia que morresse antes da senten\u00e7a ser  aplicada, por isso logo foi decapitado. Os demais olharam para seus  executores e um deles gritou com coragem triunfante: \u201cNeste local  esque\u00e7o de minha esposa e filho, casas e terras, corpo e vida por amor  da f\u00e9 e da verdade\u201d. Ent\u00e3o, ajoelhou-se e ofereceu o pesco\u00e7o para  receber o golpe final. Hans M\u00e4ndl foi amarrado numa estaca e jogado vivo  nas chamas da fogueira onde ardiam os corpos de seus companheiros.  Havia ali uma testemunha, Paul Lenz \u00a0que levou a s\u00e9rio o que viu e se  uniu aos irm\u00e3os pelos sofrimentos de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em  alguns lugares, especialmente na Moravia os irm\u00e3os viviam em  comunidades, sob o mesmo teto, em grandes casas e tinham todas as coisas  em comum. Assim, buscavam ref\u00fagio, favorecidos pelas autoridades  distritais para onde acorriam os perseguidos. Outros viviam em  comunidades para imitar os primeiros crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m. \u00c9 bem  verdade que a vida em comunidade foi uma das marcas da igreja de  Jerusal\u00e9m no come\u00e7o da igreja, porque podiam se encontrar no templo, com  liberdade, mas n\u00e3o era algo compuls\u00f3rio, e sim volunt\u00e1rio. As  comunidades da Moravia e de outras regi\u00f5es tornaram-se locais de ref\u00fagio  para muita gente. Eles tiveram muitas experi\u00eancias espirituais naqueles  dias, e o excelente trabalho nas fazendas e a capacidade profissional  desses irm\u00e3os lhes permitiam viver com fartura. Havia tamb\u00e9m algumas  desvantagens na vida em comunidade. A educa\u00e7\u00e3o dos filhos era diferente  de uma educa\u00e7\u00e3o dada pelos pais. Podia-se notar alguma morosidade em  certas pessoas e muitas das divis\u00f5es e enfraquecimento de igrejas  tiveram sua origem na vida em comunidade. Quando havia guerras por  posses de regi\u00f5es os soldados eram atra\u00eddos pela riqueza e suprimentos  dessas comunidades, por isso muitos irm\u00e3os abandonaram a vida comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00fcnster<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi  durante este tempo que alguns eventos aconteceram em M\u00fcnster, os quais  sem qualquer liga\u00e7\u00e3o com as congrega\u00e7\u00f5es crist\u00e3s causaram mais preju\u00edzos  na Alemanha do que qualquer coisa acontecida anteriormente. Numa \u00e9poca  de grande fervor espiritual, pessoas desequilibradas viviam no extremo. A  crueldade sofrida pelos irm\u00e3os por causa de sua f\u00e9 deixou muita gente  indignada contra as autoridades, e tais pessoas passaram a respeitar os  irm\u00e3os. Alia-se tudo isto ao fato de que a matan\u00e7a sistem\u00e1tica dos mais  inteligentes e s\u00e1bios, aqueles que eram verdadeiros l\u00edderes da igreja,  deixou uma lacuna, pois agora n\u00e3o havia homens capazes de controlar os  exageros e o fanatismo abrindo espa\u00e7o para o surgimento de pessoas  inferiores que ocupavam a lideran\u00e7a. A cruel persegui\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os  deixou a impress\u00e3o de que chegara o dia da reden\u00e7\u00e3o, dia de vingan\u00e7a  sobre os opressores. E surgiram pessoas querendo ser profetas,  predizendo a chegada e estabelecimento do reino de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00fcnster <a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftn8\">*<\/a> era a capital de um principado governado por um bispo que detinha o  poder civil e religioso da cidade. Ele aumentou os impostos e preencheu  os cargos mais importantes com membros do clero. E isto deixou os  cidad\u00e3os descontentes. Bernard Rothmann, era um jovem te\u00f3logo e  inquiridor que viajava por toda parte, que j\u00e1 se encontrara com Lutero,  mas era influenciado por Capito e por Schwenckfeld que ele encontrara em  Estrasburgo. Pregador loquaz e bastante simp\u00e1tico, possu\u00eda h\u00e1bitos  ac\u00e9ticos e apoiava os oprimidos pelo Estado. Quando chegou a M\u00fcnster  atraiu multid\u00f5es para ouvi-lo\u00a0 provocando emo\u00e7\u00f5es nas pessoas, a ponto  de muitos cidad\u00e3os atacarem a igreja de St. Maurice quebrando e  destruindo todas as imagens. Para barrar a desordem o bispo utilizou o  ex\u00e9rcito, mas Philip, Landgraf de Hessen interveio e, conseq\u00fcentemente  M\u00fcnster foi declarada cidade evang\u00e9lica anexada \u00e0 Liga dos Principados  Protestantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta  decis\u00e3o atraiu para M\u00fcnster muita gente que era perseguida nos  territ\u00f3rios cat\u00f3licos, locais onde n\u00e3o tinham sossego. Veio gente de  todo tipo, alguns santos, perseguidos por amor a Cristo a quem as  pessoas acolheram com honras, mas vieram tamb\u00e9m desordeiros ou fan\u00e1ticos  que com sua presen\u00e7a deixaram a cidade a perigo. Muitos dos que vieram  residir em M\u00fcnster haviam perdido todas suas posses e foram acolhidos na  cidade pelo testemunho de Rothmann e por seus ensinamentos. Um dos  imigrantes convenceu a \u00a0Rothmann de que o batismo infantil n\u00e3o era  b\u00edblico, e ele, por uma quest\u00e3o de consci\u00eancia teria de rejeit\u00e1-lo.  Conseq\u00fcentemente os magistrados da cidade cancelaram suas credenciais de  pregador, mas ele era t\u00e3o popular que continuou em sua miss\u00e3o de  pregador, e uma assembl\u00e9ia p\u00fablica teve lugar para que Rothmann provasse  sua teoria b\u00edblica do batismo. Um pregador anabatista, um dos  forasteiros que vivia na cidade, pela viol\u00eancia de seu linguajar  levantou um tumulto e os magistrados tiveram que prend\u00ea-lo, mas ele foi  solto e o conflito chegou a tal propor\u00e7\u00e3o que os magistrados foram  depostos de seus cargos e um conselho anabatista ocupou o lugar deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto  isto o bispo arregimentava tropas para investir contra a cidade, e  cortou todo o suprimento, trazendo conseq\u00fc\u00eancias s\u00e9rias para todos os  estrangeiros que dependiam de ajuda para se alimentar. Entre os  imigrantes havia dois alem\u00e3es que passaram a influenciar os destinos de  M\u00fcnster, Jan Matthys e Jan Bockelson, este um alfaiate conhecido como  John de Leyden. Matthys era alto, de apar\u00eancia forte e autorit\u00e1ria, que  fazia a multid\u00e3o delirar enquanto pregava, declarou-se um profeta e  muitos passaram a crer nele. Ele era um daqueles fan\u00e1ticos que vai de um  extremo a outro, e o perigo reside em sua sinceridade. Ele passou a  controlar o conselho, e imp\u00f4s seu ponto de vista de que todos teriam que  se separar do mundo, e fez que se promulgassem uma ordem de que todos  os que n\u00e3o eram batizados deveriam deixar a cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  decreto afirmava que em alguns dias todos deveriam ser batizados, do  contr\u00e1rio teriam que abandonar a cidade de M\u00fcnster ou seriam mortos.  Muita gente foi batizada, mas outro tanto abandonou a cidade. Foi uma  atitude perversa e fan\u00e1tica, mas n\u00e3o t\u00e3o perversa como agiram as igrejas  estatais durante s\u00e9culos condenando a morte cruel os que n\u00e3o aceitavam o  batismo infantil. Com a cidade purgada dos \u201cincr\u00e9dulos\u201d as mudan\u00e7as  foram r\u00e1pidas, com a introdu\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria, repartimento de  bens, especialmente porque o cerco n\u00e3o permitia a entrada de cereais. O  domingo foi abolido como guarda semanal e todos os dias foram  considerados iguais, A ceia do Senhor passou a ser celebrada  publicamente com muitas prega\u00e7\u00f5es. Mathys passou a controlar a  distribui\u00e7\u00e3o de alimentos e de outras necessidades, auxiliado por sete  di\u00e1conos que ele mesmo escolhera, e isto deu lugar a um novo conflito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um  sapateiro, Hubert R\u00fcscher colocou-se \u00e0 frente de um grupo de cidad\u00e3os  que originalmente moravam na cidade e passou a protestar contra os  estrangeiros que agora controlavam a administra\u00e7\u00e3o da cidade. Expressou  assim sua indigna\u00e7\u00e3o com o que estava acontecendo. Uma assembl\u00e9ia do  povo foi convocada a se reunir na pra\u00e7a da catedral em que Mathys  condenou R\u00fcscher \u00e0 morte e Bockelson dizendo haver recebido uma  revela\u00e7\u00e3o tomou a si o direito de executar a senten\u00e7a, ferindo o  sapateiro com seu cajado. Tr\u00eas homens protestaram contra esta injusti\u00e7a e  por pouco n\u00e3o foram mortos, fugindo da cidade. Alguns dias depois o  homem ferido foi executado pelo pr\u00f3prio Mathys, e assim se perpetuou o  dom\u00ednio da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante  todo este tempo as tropas lutavam contra as for\u00e7as do bispo e as  provis\u00f5es de alimentos passaram a escassear. Certa noite Jan Mathys  assentado \u00e0 mesa do jantar na casa de uns amigos caiu em profunda  medita\u00e7\u00e3o. Depois, levantou-se e disse: \u201cAmado Pai, seja feita a tua  vontade e n\u00e3o a minha\u201d. Beijou seus amigos e partiu com sua esposa. No  dia seguinte saiu da cidade com vinte companheiros, marchou at\u00e9 onde  estava o ex\u00e9rcito inimigo e os atacou. A luta foi renhida e um a um seus  soldados ca\u00edram na batalha at\u00e9 que por \u00faltimo o pr\u00f3prio Jan Mathys  morreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo  da cidade ficou consternado, mas Jan Bockelson assumiu o poder e disse  que recebera uma revela\u00e7\u00e3o de que o conselho deveria ser abolido, como  institui\u00e7\u00e3o humana; dep\u00f4s o conselho e reinou soberano indicando doze  anci\u00e3os que estariam associados com ele. Ele unia o poder da orat\u00f3ria  aos dons de lideran\u00e7a e organiza\u00e7\u00e3o. Editou novas leis para o que chamou  de \u201cnovo Israel\u201d e o povo passou a crer que eles eram objeto do amor e  da gra\u00e7a de Deus, e que eram a verdadeira igreja apost\u00f3lica, sendo que  M\u00fcnster se tornaria o modelo de cidade a ser imitado em todo mundo,  sobre o qual eles reinariam. O n\u00famero de mulheres na cidade era bem  maior que o de homens e havia tamb\u00e9m muitas crian\u00e7as. Em julho de 1534  Bockelson convocou a Rothmann e outros pregadores juntamente com os doze  anci\u00e3os para o pa\u00e7o municipal e deixou-os perplexos quando declarou que  introduziria a poligamia na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jamais  se ouvira tal proposta em pra\u00e7a p\u00fablica pois o povo da cidade era  religioso e acostumara-se a uma vida de autonega\u00e7\u00e3o, e a moral da cidade  era elevada para os padr\u00f5es da \u00e9poca. Algumas semanas antes um folheto  fora impresso na cidade tratando o casamento como algo sagrado e contra a  indissolubilidade do casamento. A proposta de Bockelson entristeceu os  anci\u00e3os e os pregadores, mas ele n\u00e3o desistia de seu intento e durante  oito dias argumentou e insistiu usando de sua influ\u00eancia e eloq\u00fc\u00eancia.  Ele se utilizou das fraquezas dos homens do Antigo Testamento para  provar a poligamia pelas Escrituras. E poderia argumentar na mesma base a  favor do pecado. Seu principal argumento consistia na necessidade de  prover casamento ao grande n\u00famero de mulheres na cidade. Finalmente ele  convenceu a todos e durante cinco dias os pregadores pregaram sobre a  poligamia na pra\u00e7a da catedral. Depois dos cinco dias Bernard Rothmann  promulgou uma lei para que todas as mo\u00e7as se casassem e que as mais  velhas fossem amparadas na casa de algum homem. Bockelson (talvez aqui  esteja a raz\u00e3o de suas leis) imediatamente se casou com Divara, a vi\u00fava  de Jan Mathys, uma mulher atraente e talentosa. A oposi\u00e7\u00e3o, no entanto  era forte a ponto de agu\u00e7ar uma guerra civil dentro da cidade que j\u00e1  sofria um cerco. O ferreiro Heinrich M\u00f6llenbecker liderou uma revolta e  prendeu alguns dos pregadores que falavam na pra\u00e7a da cidade, amea\u00e7ando  abrir as portas da cidade sitiada se o antigo sistema de governo n\u00e3o  fosse restaurado. Parecia que o governo de Bockelson chegara ao fim, mas  os pregadores fincaram p\u00e9 ao lado dele \u2013 al\u00e9m das mulheres que o  apoiavam \u2013 mas a oposi\u00e7\u00e3o era bem maior, e o pa\u00e7o municipal foi  apedrejado e toda resist\u00eancia quebrada. Os efeitos da nova lei causaram  muito dano e antes do fim do ano a lei foi abolida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar  dessas disputas internas a cidade foi defendida do inimigo. Havia alguma  esperan\u00e7a de ajuda externa. Um est\u00e1gio maior foi alcan\u00e7ado quando  Bockelson foi proclamado rei. Ele tinha seu profeta, um antigo ferreiro  que na pra\u00e7a do mercado anunciou que John de Leyden era o novo rei de  toda terra, e anunciou o nome do novo reino,\u00a0 a Nova Si\u00e3o. A coroa\u00e7\u00e3o  foi feita com grande pompa na pra\u00e7a do mercado; o ouro recolhido do povo  foi usado para fazer a coroa e o emblema real. Dentre suas muitas  esposas Divara foi escolhida rainha. A provis\u00e3o para o rei e seus  guarda-costas e para a corte, e para os que serviam a rainha era  suntuoso em cada detalhe, mas o povo n\u00e3o se contentava com as promessas  de um novo reino. O reinado prosseguiu, mas algu\u00e9m traiu o rei abriu os  port\u00f5es para o ex\u00e9rcito do bispo que invadiu e tomou a cidade. Come\u00e7ou  ent\u00e3o a matan\u00e7a dos habitantes; ningu\u00e9m escapou. Um grupo de 300 pessoas  que se defendiam das tropas no mercado recebeu a promessa de um  salvo-conduto para deixar a cidade se apenas depusessem suas armas. Eles  depuseram as armas, mas a promessa foi quebrada e todos foram mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma  corte se instalou para julgar os anabatistas que n\u00e3o haviam sido mortos.  Divara seria preservada se renunciasse, mas ela preferiu morrer. Jan de  Leyden e outros l\u00edderes foram torturados publicamente e executado no  mesmo local onde havia sido coroado rei, e seus corpos ficaram expostos  na torre da igreja de St. Lambert (1535).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido a  este acontecimento o nome anabatista se tornou sin\u00f4nimo de dissens\u00e3o.  Muitas igrejas e irm\u00e3os foram acusados de iniq\u00fcidade e de erros a ponto  de as pessoas aceitarem as acusa\u00e7\u00f5es contra eles sem qualquer  questionamento. Os livros dos irm\u00e3os foram queimados e qualquer erro  doutrin\u00e1rio era atribu\u00eddo a eles. Mesmo com uma vida santa e pura esses  irm\u00e3os eram perseguidos, especialmente depois dos acontecimentos de  M\u00fcnster. Chamados de paulinos, albingenses, waldenses, lolardos,  anabatistas e por tantos outros apelidos, esses irm\u00e3os carregavam  consigo o estigma de que eram hereges, sism\u00e1ticos, que viravam o mundo  de cabe\u00e7a pra baixo. Sem d\u00favida que compareceram perante o mesmo Juiz  que recebeu Estev\u00e3o, apedrejado pelos doutores daqueles dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A continuidade deste tema est\u00e1 em: O surgimento dos menonitas.<\/p>\n<hr style=\"text-align: justify;\" size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftnref1\">*<\/a> \u201cDie reformationa und die alteren Reformpartein\u201d, Dr. Ludwig Keller, que d\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftnref2\">*<\/a> \u201cNeue Studien zur Geschichte der Theologie und der Kirche\u201d,  Herausgegeben Von N. Bonwetsch, G\u00f6ttingen un R. Seeberg, Berlin,  Zwanzigstes St\u00fcck. \u201cD. Baltahasar Hubmeyer als Theologe\u201d (Berlin,  Trowizch &amp; Sohn, 1914( von Carl Sachsse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftnref3\">*<\/a> Ein Apostel der Wiedert\u00e4ufer, Dr. Ludwig Keller<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftnref4\">*<\/a> Reformations Geschichte Augsburg, Friedrich Roth, Munique, 1881.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftnref5\">*<\/a> Vortr\u00e4ge und Aufs\u00e4ge aus der Comenius Gesellschaft.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftnref6\">*<\/a> Fontes Rerum Austriacarum. Oesterreichische Geschichts-Quellen, Abth. 2 Bd. 43&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftnref7\">*<\/a> Archiv f\u00fcr Oesterreichische Geschichte, 78 Bd. \u201cDer Anabaptismus in  Tirol u.s. w\u201d. Aus dem Nachlasse des Hofrates Joseph R. von Beck,  Herausgegeben von Joh. Loserth.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/wp-admin\/post.php?post=338&amp;action=edit#_ftnref8\">*<\/a> History of the Reformation, T.M. Lindsay, M.A. D.D. Edimburg, 1907,  \u201cGeschichte der Wiedert\u00e4ufer und ihres Reichs zu M\u00fcnster, Dr. Ludwig  Keller, 1880.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota do tradutor: Os anabatistas s\u00e3o, na realidade a continua\u00e7\u00e3o de um movimento que preservou a f\u00e9 ao longo da hist\u00f3ria, desde os tempos de Paulo, o ap\u00f3stolo, nos vales&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[62],"class_list":["post-1359","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-joao-a-de-souza-filho","tag-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1359"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1359\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}