{"id":2016,"date":"2015-09-12T11:05:19","date_gmt":"2015-09-12T13:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=2016"},"modified":"2015-09-16T21:54:41","modified_gmt":"2015-09-16T23:54:41","slug":"joao-evangelista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=2016","title":{"rendered":"Jo\u00e3o, evangelista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o de Jo\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro, ap\u00f3stolo da autoridade aos judeus, e Paulo, ap\u00f3stolo da liberdade aos gentios haviam completado sua obra na terra antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m \u2013 tarefa cumprida para aqueles dias e para os dias vindouros, cujos escritos permanecem e que jamais ser\u00e3o superados. Ambos eram mestres construtores. Pedro lan\u00e7ou os fundamentos; Paulo ergueu a estrutura da igreja de Cristo levantando-a contra os portais do inferno. Mas havia muito trabalho adicional a ser realizado, um trabalho de unidade e de consolida\u00e7\u00e3o. Esta miss\u00e3o foi deixada para o ap\u00f3stolo do amor, amigo do peito de Jesus que se tornou o reflexo perfeito de Cristo at\u00e9 onde um ser humano pode ser, em santidade e pureza.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o n\u00e3o era um mission\u00e1rio ou um homem de a\u00e7\u00e3o, como Pedro e Paulo. At\u00e9 onde se sabe, Jo\u00e3o pouco fez pela expans\u00e3o do cristianismo, mas muito fez pela vida interior do cristianismo nos lugares onde este j\u00e1 havia sido estabelecido. Ele nada diz a respeito do governo, as formas, ritos da igreja vis\u00edvel (at\u00e9 mesmo seu nome n\u00e3o aparece em seu evangelho e nas ep\u00edstolas por ele escritas), e destaca sempre a subst\u00e2ncia espiritual da igreja \u2013 a uni\u00e3o vital dos crentes com Jesus Cristo e a comunh\u00e3o dos crentes entre eles. Ele era ap\u00f3stolo, evangelista, profeta da nova alian\u00e7a tudo ao mesmo tempo. Viveu at\u00e9 o fim do primeiro s\u00e9culo para que pudesse erigir o fundamento e a superestrutura da era apost\u00f3lica conforme a revela\u00e7\u00e3o que teve de um novo c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esperou em medita\u00e7\u00e3o silenciosa at\u00e9 que a igreja amadurecesse e pudesse receber seus ensinamentos sublimes. Isto fica evidente pelas palavras misteriosas de nosso Senhor a Pedro em refer\u00eancia a Jo\u00e3o: \u201cSe eu quero que ele permane\u00e7a at\u00e9 que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me\u201d. <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>Sem d\u00favida, o Senhor estava \u00e0 frente do terr\u00edvel ju\u00edzo que caiu sobre os habitantes de Jerusal\u00e9m. Jo\u00e3o viveu para ver tudo isto e seus ensinamentos e car\u00e1ter permanecer\u00e3o at\u00e9 os \u00faltimos est\u00e1gios da hist\u00f3ria da igreja (antecipada e tipificada por Pedro e Paulo) at\u00e9 a vinda de nosso Senhor. No sentido mais amplo o Senhor ainda tarda em vir at\u00e9 o dia de hoje, e os escritos de Jo\u00e3o com sua profundidade e altura esperam pelo int\u00e9rprete certo. O melhor vir\u00e1 depois. Na vis\u00e3o de Elias no monte Horebe o vento que soprava quebrando as rochas dos montes, o terremoto e o fogo precederam a voz suave de Deus (1 Rs 19.11-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coruja de Minerva, a deusa da sabedoria come\u00e7ava seu v\u00f4o ao entardecer. A tempestade da batalha prepara o caminho para a festa da paz. O grande guerreiro da era apost\u00f3lica tocou a nota chave do amor que traria harmonia \u00e0s duas se\u00e7\u00f5es do cristianismo. E Jo\u00e3o somente concordou com Paulo quando revelou o cora\u00e7\u00e3o interior do ser supremo murmurando com profundidade a maior de todas as defini\u00e7\u00f5es: \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1 Co 13.1; 1 Jo 4.8,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o nos Evangelhos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o provavelmente era o filho mais novo de Zebedeu e Salom\u00e9, e irm\u00e3o de Tiago, o mais velho, que se tornou o primeiro ap\u00f3stolo a ser martirizado. <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>Jo\u00e3o talvez fosse dez anos mais jovem que Jesus e, conforme os testemunhos un\u00e2nimes da antiguidade viveu at\u00e9 o reinado de Trajano, isto \u00e9, at\u00e9 depois de 98 d. C., e deve ter morrido depois dos noventa anos de idade. Era pescador e vendedor de peixes, provavelmente em Betsaida (como Pedro, Andr\u00e9 e Filipe). Seus pais, ao que parece viviam confortavelmente, e tinham servos na casa. Sua m\u00e3e \u00e9 mencionada ao lado de um grupo de mulheres not\u00e1veis que seguiam a Jesus e o serviam com seus bens, e que compraram b\u00e1lsamo para o seu sepultamento e foram as \u00faltimas pessoas a abandonarem a cena da crucifix\u00e3o, e as primeiras a visitarem o sepulcro vazio. Jo\u00e3o era conhecido do sumo sacerdote e tinha uma casa em Jerusal\u00e9m ou na Galileia para onde recolheu a m\u00e3e de nosso Senhor. <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era primo de Jesus segundo a carne e sua m\u00e3e era irm\u00e3 de Maria.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Este relacionamento, juntamente com o entusiasmo da juventude e o fervor de sua natureza emocional formaram a base de sua intimidade com o Senhor. Ele n\u00e3o possu\u00eda treinamento rab\u00ednico, como Paulo, e aos olhos dos s\u00e1bios judeus era como Pedro e os demais disc\u00edpulos galileus, tidos como \u201ciletrados e incultos\u201d (At 4.13). Mas ele passou pela escola preparat\u00f3ria de Jo\u00e3o Batista que concluiu sua miss\u00e3o prof\u00e9tica testemunhando que Jesus era o \u201cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo\u201d, testemunho que mais tarde Jo\u00e3o, o ap\u00f3stolo explicou com detalhes em suas ep\u00edstolas. Foi este testemunho que o levou at\u00e9 as barrancas do rio Jord\u00e3o naquela memor\u00e1vel entrevista, onde, meio s\u00e9culo depois, ele se lembrou do epis\u00f3dio. <a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Jo\u00e3o n\u00e3o era apenas um dos Doze, mas o escolhido dos tr\u00eas escolhidos. Pedro se destacava tendo certa preemin\u00eancia em p\u00fablico como amigo do Messias. Jo\u00e3o era conhecido no c\u00edrculo \u00edntimo como amigo de Jesus. Pedro sempre mirava o car\u00e1ter oficial de Cristo e perguntava o que ele e os demais ap\u00f3stolos deveriam fazer. Jo\u00e3o olhava diretamente para Jesus e queria sempre aprender o que o Mestre ensinava. Eles eram diferentes assim como Marta e Maria. Marta, ansiosa por servir, enquanto a meditativa Maria anelava aprender. Jo\u00e3o, sozinho com Pedro e seu irm\u00e3o Tiago testemunharam a cena da transfigura\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a cena do Gets\u00eamane \u2013 a mais alta exalta\u00e7\u00e3o e a mais profunda humilha\u00e7\u00e3o na terra sofrida por nosso Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o reclinava no peito de Jesus durante a \u00faltima Ceia e assimilou em seu cora\u00e7\u00e3o aquelas maravilhosas palavras de despedida para us\u00e1-las no futuro. Ele seguiu a Jesus at\u00e9 o p\u00e1tio da casa de Caif\u00e1s. De todos os disc\u00edpulos foi o \u00fanico que permaneceu ao p\u00e9 da cruz, e recebeu do Salvador que morria a incumb\u00eancia de cuidar de sua m\u00e3e Maria. Esta foi uma cena \u00fanica de delicadeza e carinho: A <em>Mater dolorosa<\/em> e o disc\u00edpulo amado olhando para a cruz, enquanto o Salvador morrendo os uniu em filia\u00e7\u00e3o de amor maternal. \u00c9 a complementa\u00e7\u00e3o daquele tipo de amizade dos que rec\u00e9m nasceram espiritualmente e que se tornam mais fortes que os irm\u00e3os de sangue. Como Jo\u00e3o era o \u00faltimo dos ap\u00f3stolos junto a cruz, assim tamb\u00e9m, ele e Maria Madalena foram os primeiros disc\u00edpulos que correram \u00e0 frente de Pedro, olhando para dentro da sepultura vazia na manh\u00e3 da ressurrei\u00e7\u00e3o. Foi o primeiro a reconhecer o Senhor ressuscitado quando ele apareceu aos disc\u00edpulos nas margens do mar da Galileia (Jo 20.4; 21.7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece que Jo\u00e3o era o mais jovem dos ap\u00f3stolos, porque viveu mais que todos eles. Era tamb\u00e9m o mais dotado espiritualmente e o predileto de Jesus. Jo\u00e3o possu\u00eda um senso de religiosidade de ordem superior \u2013 n\u00e3o pensando em plantar, mas em irrigar. N\u00e3o lutava por trabalho agressivo e externo, mas para entender o mist\u00e9rio de Cristo e a vida eterna do Senhor. Pureza e simplicidade de car\u00e1ter, profundidade e afei\u00e7\u00e3o e uma faculdade espiritual perceptiva de alta intui\u00e7\u00e3o, eram seus tra\u00e7os de lideran\u00e7a os quais se tornaram nobres e consagrados pela gra\u00e7a divina. N\u00e3o se v\u00ea registros de atos de viol\u00eancia na trajet\u00f3ria de Jo\u00e3o; ele cresceu silenciosa e imperceptivelmente em comunh\u00e3o com o Senhor e seguiu o seu exemplo. De certa maneira era o ant\u00edpoda de Paulo (o contr\u00e1rio). Ele ouvia mais e via muito mais; mas, falava menos que os outros disc\u00edpulos. Absorveu os ensinamentos profundos do Mestre e os demais disc\u00edpulos nem prestavam aten\u00e7\u00e3o nele. E mesmo, a princ\u00edpio, n\u00e3o entendendo bem os demais disc\u00edpulos ele os mantinha em seus cora\u00e7\u00f5es at\u00e9 que o Esp\u00edrito Santo lhes revelasse a mesma coisa. Sua intimidade com Maria deve t\u00ea-lo ajudado a obter uma vis\u00e3o interior do Mestre. Ele aparece sempre como o disc\u00edpulo amado em \u00edntima comunh\u00e3o e amizade com o Senhor.\u00a0 <a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filho do trov\u00e3o e o disc\u00edpulo amado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma contradi\u00e7\u00e3o aparente entre os evangelhos sin\u00f3ticos e o quadro de Jo\u00e3o em seus escritos, assim como existe diferen\u00e7a entre o Apocalipse e o quarto evangelho. Mas, quando se observa mais atentamente percebe-se que s\u00e3o dois lados de uma mesma moeda. Por exemplo, existe um paralelo entre o Pedro dos evangelhos e o Pedro das ep\u00edstolas. O primeiro apresenta-se jovem, impulsivo, r\u00e1pido, mudando de lado a toda hora, o outro amadurecido, submisso, refinado pela gra\u00e7a divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No evangelho de Marcos, Jo\u00e3o aparece como o Filho do Trov\u00e3o (Boanerges) <a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Este sobrenome que foi dado a ele e ao seu irm\u00e3o mais velho por nosso Senhor era, na realidade um ep\u00edteto de honra que apontava para sua miss\u00e3o futura, assim como o nome de Pedro foi dado a Sim\u00e3o. Trov\u00e3o, para os hebreus era a voz de Deus. <a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Em seu bojo o nome traz a ideia de temperamento ardente, grande for\u00e7a e car\u00e1ter veemente para o bem ou para o mal, conforme o motivo e o objetivo. O mesmo trov\u00e3o que aterroriza, purifica o ar e faz a terra frutificar quando vem acompanhado de chuvas. Temperamento forte sob controle da raz\u00e3o e a servi\u00e7o da verdade serve de grande meio de constru\u00e7\u00e3o, assim como o mesmo temperamento quando descontrolado e dirigido erroneamente serve de poder destrutivo. O zelo ardente de Jo\u00e3o e sua devo\u00e7\u00e3o, apenas precisavam de disciplina e discri\u00e7\u00e3o para se tornar b\u00ean\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o a igreja em todas as eras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio os filhos de Zebedeu n\u00e3o entendiam a diferen\u00e7a entre lei e evangelho, quando, num \u00edmpeto de indigna\u00e7\u00e3o queriam clamar fogo do c\u00e9u para destruir um vilarejo de samaritanos que havia rejeitado a Jesus. Estavam prontos, como Elias, para clamar por fogo do c\u00e9u. <a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> Mas, alguns anos mais tarde Jo\u00e3o foi at\u00e9 Samaria para confirmar a convers\u00e3o dos novos irm\u00e3os, e invocou sobre eles o fogo divino da vida e da luz, e o dom do Esp\u00edrito Santo (At 8.14-17). O mesmo zelo por seu Mestre alcan\u00e7ou seu limite quando algumas pessoas faziam obras em nome de Cristo, e eram pessoas que viviam fora do c\u00edrculo apost\u00f3lico (Mc 9.38-40 cp. com Lucas 9.49-50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo dos dois irm\u00e3os, compartilhado pela m\u00e3e deles querendo assumir a mais alta posi\u00e7\u00e3o do reino messi\u00e2nico revela, ao mesmo tempo, qu\u00e3o fortes e fracos eram; possu\u00edam um desejo nobre de estar ao lado de Cristo, ainda que significasse ficar pr\u00f3ximo do fogo e da espada, e neles habitava a ambi\u00e7\u00e3o permeado de ego\u00edsmo e orgulho. Foram repreendidos pelo Senhor, que descortinou diante deles a perspectiva de um batismo de fogo (Mt 20.20-24; Mc 10.35-41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses epis\u00f3dios s\u00e3o consistentes com os escritos de Jo\u00e3o. Ele aparece em seus escritos como fofo e sentimental, mas tamb\u00e9m com muita for\u00e7a positiva de car\u00e1ter. Jo\u00e3o possu\u00eda uma doce e amorosa disposi\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que tinha uma sensibilidade delicada, sentimentos ardentes e fortes convic\u00e7\u00f5es. Esses tra\u00e7os, de maneira alguma s\u00e3o incompat\u00edveis. Ele n\u00e3o tinha comprometimentos nem era meio termo quando o assunto era lealdade. Um fogo santo ardia em seu interior que o levava a se mover nas profundezas e n\u00e3o na superf\u00edcie. No Apocalipse o trov\u00e3o ribombou alto e forte contra os inimigos de Cristo e seu reino, enquanto, por outro lado encontram-se no mesmo livro epis\u00f3dios de descanso e calmaria, de paz e alegria e a descri\u00e7\u00e3o da Jerusal\u00e9m celestial que s\u00f3 poderia nascer da pena descritiva do disc\u00edpulo amado. No Evangelho e nas ep\u00edstolas de Jo\u00e3o sentimos o mesmo poder, apenas controlados e contidos. Ele relata os mais duros discursos e as mais doces palavras do Salvador, conforme o mestre falava aos inimigos da verdade ou ao c\u00edrculo fechado dos disc\u00edpulos. Nenhum outro evangelista nos fornece uma vis\u00e3o profunda do antagonismo entre Cristo e a hierarquia judaica, e do crescente e intensivo \u00f3dio que culminou em derramamento de sangue. Nenhum ap\u00f3stolo estabeleceu uma demarca\u00e7\u00e3o definitiva entre luz e trevas, verdade e falsidade, Cristo e anticristo como Jo\u00e3o. O evangelho de Jo\u00e3o e suas ep\u00edstolas movem-se entre esse antagonismo irreconcili\u00e1vel. Ele n\u00e3o conhecia quaisquer comprometimentos entre Cristo e Baal. Com que horror ele fala a respeito do traidor e do \u00f3dio dos fariseus contra o Messias! De maneira severa Jo\u00e3o, nas palavras do Senhor ataca os judeus incr\u00e9dulos e seus desejos assassinos apresentando-os como filhos do diabo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nas ep\u00edstolas ele fala de cada pessoa que desonra a profiss\u00e3o de f\u00e9 ao cristianismo, como mentiroso; cada um que odeia a seu irm\u00e3o \u00e9 assassino; cada um que peca propositalmente, Jo\u00e3o os chama de filhos do diabo, e ele aberta e sinceramente adverte sobre os falsos mestres que negam o mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o chamando-os de anticristo e pro\u00edbe os crentes at\u00e9 mesmo de saud\u00e1-los (Jo 8.44; 1 Jo 16, 8, 10; 2.18 ss.; 3.8, 15; 4.1 e ss. ; 2 Jo 10,11). A medida de seu amor a Cristo era a medida de seu \u00f3dio pelo anticristo. Porque o \u00f3dio \u00e9 o contr\u00e1rio do amor. \u00c9 o amor invertido. Amor e \u00f3dio fazem parte da mesma paix\u00e3o, apenas revelada em dire\u00e7\u00f5es opostas. O mesmo sol que ilumina e aquece o ser vivo, apressa o apodrecimento do que est\u00e1 morto. Os artistas crist\u00e3os entenderam muito bem esse duplo aspecto de Jo\u00e3o quando o representam com o rosto de pureza feminina e ternura, mas sem fraqueza, e o retratam como uma \u00e1guia enfurecida com suas asas abertas sobre as nuvens.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Apocalipse e o quarto evangelho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se investiga o car\u00e1ter de Jo\u00e3o, n\u00e3o se tem d\u00favida alguma em afirmar que o autor do quarto evangelho e do apocalipse \u00e9 a mesma pessoa.\u00a0<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> O temperamento \u00e9 o mesmo em ambos os livros; uma natureza entusi\u00e1stica e nobre capaz de emo\u00e7\u00f5es intensas de amor e \u00f3dio, com a diferen\u00e7a entre um homem vigoroso e amadurecido pela idade, entre o rugido da batalha e o repouso da paz. A teologia \u00e9 a mesma, incluindo as mais importantes apresenta\u00e7\u00f5es da cristologia e da soteriologia. <a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> Nenhum outro ap\u00f3stolo chama Cristo de Logos. O Evangelho \u00e9 \u201co apocalipse espiritualizado\u201d ou idealizado. At\u00e9 mesmo a diferen\u00e7a de estilo que impressiona ao primeiro olhar desaparece sob investiga\u00e7\u00e3o acurada. O grego do Apocalipse \u00e9 o mais hebra\u00edsta de todos os livros do Novo Testamento, como \u00e9 de se esperar da afinidade existente com a profecia dos hebreus, sem paralelo at\u00e9 mesmo nos cl\u00e1ssicos gregos. O grego do quarto evangelho \u00e9 puro e sem quaisquer irregularidades, contudo, Jo\u00e3o demonstra tanta familiaridade com tanta percep\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o hebraica, e preserva dela os elementos mais puros. Seu estilo \u00e9 simples como o de uma crian\u00e7a, e apresenta a senten\u00e7a breve do Antigo Testamento. \u00c9 apenas um corpo de gregos inspirados por uma alma hebraica. <a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> A favor da diferen\u00e7a entre o Apocalipse e outros escritos de Jo\u00e3o \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o a diferen\u00e7a necess\u00e1ria entre uma composi\u00e7\u00e3o inspiracional prof\u00e9tica e uma composi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e did\u00e1tica, e a diferen\u00e7a de tempo que \u00e9 de uns vinte anos. O Apocalipse foi escrito antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, e o quarto evangelho j\u00e1 no final do primeiro s\u00e9culo, quando ele era bem velho. Foi ent\u00e3o que sua juventude se renovou como a da \u00e1guia \u00e0 semelhan\u00e7a dos grandes poetas como Homero, S\u00f3focles, Milton e Goethe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> O filho do trov\u00e3o e o ap\u00f3stolo do amor<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cito aqui as excelentes observa\u00e7\u00f5es sobre o car\u00e1ter de Jo\u00e3o feitas por meu amigo o Dr. Godet (<em>Com<\/em>. I<em>. <\/em>35, tradu\u00e7\u00e3o inglesa de Crombie e Cusin):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo explicar duas apresenta\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter aparentemente t\u00e3o opostas? Existem pessoas profundas e receptivas que se acostumaram a ficar encerradas dentro de suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. Acontece que tais pessoas com o tempo deixam de ser mestres de si mesmas e suas emo\u00e7\u00f5es contidas explodem repentinamente e deixam as pessoas ao seu redor perplexas. N\u00e3o seria o car\u00e1ter de Jo\u00e3o algo deste tipo? Quando Jesus apelidou a ele e a seu irm\u00e3o Tiago de Boanerges ou filhos do trov\u00e3o (Mc 3.17), n\u00e3o consigo imaginar que Jesus queria \u2013 e os antigos escritores concordam \u2013 com este apelido sinalizar a eloqu\u00eancia que os distinguiria dos demais. Tampouco acredito que ao lhes dar este apelido, que Jesus quisesse perpetuar a lembran\u00e7a daquele momento de impetuosa ira, como indica o texto. \u00a0Assim como a energia fica acumulada no meio das nuvens at\u00e9 que de repente se transforma em rel\u00e2mpago e trov\u00f5es, assim tamb\u00e9m ocorreu com aqueles dois apaixonados que, silenciosamente acumularam amor at\u00e9 que o cora\u00e7\u00e3o transbordou e eles, repentinamente se dispuseram a lutar violentamente. Gostamos de imaginar Jo\u00e3o como algu\u00e9m gentil, sem aquela natureza en\u00e9rgica; gentil at\u00e9 mesmo nas fraquezas. N\u00e3o \u00e9 verdade que seus escritos nos instigam constantemente a amar? N\u00e3o \u00e9 verdade que o \u00faltimo serm\u00e3o que ele prega \u00e9 o de que devemos amar uns aos outros?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verdade! Mas esquecemos outras apresenta\u00e7\u00f5es bem diferentes durante os primeiros e os \u00faltimos tempos de sua vida, que revelam algu\u00e9m decisivo, ferino, absoluto at\u00e9 mesmo violento em sua disposi\u00e7\u00e3o. Se considerarmos todos os fatos aqui apresentados reconheceremos em Jo\u00e3o e Tiago pessoas sens\u00edveis, ardentes pela salva\u00e7\u00e3o das almas, adoradores com um ideal que se entregaram sem reservas aquilo que sonharam e cuja devo\u00e7\u00e3o facilmente se tornou exclusiva e intolerante. Eles se sentiam repelidos por qualquer coisa que n\u00e3o se encaixasse com seu entusiasmo. Para eles era imposs\u00edvel ter o cora\u00e7\u00e3o dividido naquilo que criam. Tudo em tudo! Isto era o que os movia! Aquilo que n\u00e3o \u00e9, pra eles n\u00e3o tinha sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Dr. Westcott (em seu <em>Commentary <\/em>pp. xxxiii) diz: \u201cJo\u00e3o sabia que estar com Cristo era estar com a vida e que rejeitar a Cristo significava a morte. E ele n\u00e3o hesitou em expressar o que sentia da velha dispensa\u00e7\u00e3o. Aprendeu com o Senhor, enquanto o tempo passava, a ser mais paciente, mas n\u00e3o desaprendeu a devo\u00e7\u00e3o ardorosa que o consumia. Finalmente, com palavras de exorta\u00e7\u00e3o, como um trov\u00e3o ribombando acima do trono, Jo\u00e3o revelou a presen\u00e7a do fogo secreto. Cada p\u00e1gina do Apocalipse vem inspirada com o clamor das almas que procede de debaixo do altar: \u201cAt\u00e9 quando?\u201d(Ap 6.10).<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>A Miss\u00e3o de Jo\u00e3o<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dean Stanley (<em>Sermons and Essays on the Apostolic Age, <\/em>p. 249 ss. 3a. ed.) escreveu: \u201cAcima de tudo, Jo\u00e3o falou sobre a uni\u00e3o da alma com Deus, mas n\u00e3o era atrav\u00e9s de um processo simples de medita\u00e7\u00e3o oriental ou absor\u00e7\u00e3o m\u00edstica; e sim pela palavra que agora, pela primeira vez tomou seu devido lugar na ordem do mundo \u2013 a palavra AMOR. A Paulo coube o dever de proclamar que o mais profundo princ\u00edpio no cora\u00e7\u00e3o do homem era a f\u00e9. A Jo\u00e3o coube proclamar que o atributo essencial de Deus \u00e9 amor. No Antigo Testamento foi ensinado que \u201co temor do Senhor \u00e9 o princ\u00edpio da sabedoria\u201d. E ainda deveria ser ensinado pelos ap\u00f3stolos do Novo Testamento de que o \u201cfim da sabedoria \u00e9 o amor de Deus\u201d. Gentios pag\u00e3os e judeus ensinavam, atrav\u00e9s da filosofia grega e das religi\u00f5es orientais de que a divindade se satisfazia com sacrif\u00edcios e com torturas humanas. No entanto, a Jo\u00e3o coube ensinar que a plenitude ou o sinal dos filhos de Deus era \u201camai-vos uns aos outros\u201d. Assim como o amor invade toda nossa concep\u00e7\u00e3o de amor, pelos ensinamentos de Jo\u00e3o, tamb\u00e9m invade a concep\u00e7\u00e3o de seu car\u00e1ter. N\u00f3s ainda guardamos seu ensinamento: \u201cN\u00f3s o amamos porque ele nos amou primeiro\u201d.\u00a0 \u201cAmados, amemo-nos uns aos outros\u201d, porque este \u00e9 o mandamento de nosso Senhor Jesus, e se o obedecermos nada mais se faz necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jo\u00e3o no livro de Atos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro est\u00e1gio do cristianismo apost\u00f3lico, Jo\u00e3o aparece como um dos tr\u00eas pilares da igreja da circuncis\u00e3o, ao lado de Pedro e Tiago, irm\u00e3o do Senhor, enquanto Paulo e Barnab\u00e9 representavam a igreja gent\u00edlica. <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> O que implica afirmar que naquele per\u00edodo ele n\u00e3o havia se projetado ao universalismo e liberdade do evangelho. No entanto, dos tr\u00eas ele era o mais liberal situando-se entre Tiago e Pedro de um lado e Paulo do outro, buscando futuramente a reconcilia\u00e7\u00e3o entre judeus e o cristianismo gentio. Os judaizantes nunca apelaram a ele como fizeram com Tiago e Pedro (Gl 2.12; 1 Co 1.12). N\u00e3o se v\u00ea sequer um tra\u00e7o de que tinha seguidores, ou o partido de Jo\u00e3o, como os que seguiam a Pedro e Tiago. Ele estava acima das intrigas e divis\u00f5es. Nos primeiros cap\u00edtulos de Atos ele aparece ao lado de Pedro, que era tido como o chefe dos ap\u00f3stolos da nova religi\u00e3o. Ele cura com Pedro o paral\u00edtico \u00e0 Porta Formosa; foi trazido perante o Sin\u00e9drio para testificar de Cristo. Foi enviado com Pedro pelos ap\u00f3stolos de Jerusal\u00e9m a Samaria para confirmar os novos convertidos orando para que eles recebessem o Esp\u00edrito Santo, e retornou para Jerusal\u00e9m com Pedro (At 3.1 e ss.; 4.1., 13, 19, 20; 5.19,20, 41, 42; 8.14, 17, 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro aparece citado sempre na frente dos demais, toma a palavra e age primeiramente. Jo\u00e3o o segue em sil\u00eancio misterioso e d\u00e1 a impress\u00e3o de que acumula uma reserva de for\u00e7a que se manifestar\u00e1 em ocasi\u00e3o pr\u00f3pria no futuro. Ele deve ter participado do primeiro conc\u00edlio apost\u00f3lico em Jerusal\u00e9m, no ano 50, mas n\u00e3o aparece falando ou participando ativamente na discuss\u00e3o sobre a circuncis\u00e3o e a quest\u00e3o de quem deveria fazer parte da comunidade. <a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> Tudo est\u00e1 conforme o car\u00e1ter daquele modesto e silente Jo\u00e3o apresentado nos evangelhos. Ao que parece depois do Conc\u00edlio no ano 50 ele deixa Jerusal\u00e9m. A partir da\u00ed o livro de Atos n\u00e3o mais o menciona nem a Pedro. Quando Paulo visitou pela \u00faltima e quinta vez a cidade de Jerusal\u00e9m (ano 58), parece que n\u00e3o viu a Jo\u00e3o e encontrou-se com Tiago apenas. <a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jo\u00e3o em \u00c9feso<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00faltimas atividades de Jo\u00e3o est\u00e3o em seus escritos e deveremos consider\u00e1-las noutro cap\u00edtulo. Seus escritos nos apresentam a hist\u00f3ria mostrando a espiritualidade imensuravelmente rica do homem interior. Ele n\u00e3o informa onde est\u00e1 no momento, onde reside nem de onde escreve. No entanto, o Apocalipse d\u00e1 a entender que ele era o chefe das igrejas na \u00c1sia Menor. <a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>Esta tese \u00e9 confirmada por muitos testemunhos dos pais da igreja que afirmam que Jo\u00e3o em seus \u00faltimos anos de vida residia em \u00c9feso. <a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> Ele morreu muito velho durante o reinado de Trajano que come\u00e7ou no ano 98. Sua sepultura era sempre mostrada l\u00e1 no segundo s\u00e9culo. N\u00e3o sabemos quando teria se mudado para a \u00c1sia Menor, mas n\u00e3o deve ter sido antes do ano 63. Ao se dirigir aos presb\u00edteros de \u00c9feso, e em suas ep\u00edstolas aos ef\u00e9sios e colossenses; e tamb\u00e9m na segunda ep\u00edstola de Paulo a Tim\u00f3teo, Paulo n\u00e3o faz men\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o, e fala com a autoridade de um superintendente das igrejas da \u00c1sia Menor. Possivelmente depois da morte de Paulo e Pedro, Jo\u00e3o tomou a si a responsabilidade de cuidar das igrejas orfanadas de seu l\u00edder; igrejas que enfrentavam perigos e persegui\u00e7\u00f5es. <a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9feso, a capital pr\u00f3-consular da \u00c1sia, era o centro cultural, comercial e religioso da Gr\u00e9cia, famosa em tempos antigos pelos c\u00e2nticos \u00e9picos de Homero, Anacreonte, e Mimnermus, lugar da filosofia de Tales, Anax\u00edmenes, e Anaximandro, al\u00e9m de ser o centro de adora\u00e7\u00e3o a Diana. Em \u00c9feso Paulo labutou durante tr\u00eas anos (54-57) e estabeleceu uma igreja influente que serviu de farol para iluminar as trevas do ate\u00edsmo. Dali Paulo podia comungar com as numerosas igrejas que havia plantado nas prov\u00edncias. Ali, experimentou alegrias e tribula\u00e7\u00f5es e viu como profetizara o perigo das heresias que se levantavam no meio da igreja (Veja sua despedida em Mileto, Atos 20.29-30 e as ep\u00edstolas a Tim\u00f3teo). As for\u00e7as da ortodoxia e das heresias crist\u00e3s surgiram ali. Aproximava-se o momento da queda de Jerusal\u00e9m, e Roma n\u00e3o era ainda uma segunda Jerusal\u00e9m. \u00c9feso, pelo trabalho de Paulo e Jo\u00e3o tornou-se o centro da hist\u00f3ria da igreja na segunda metade do s\u00e9culo e durante a primeira metade do s\u00e9culo segundo. Policarpo, o m\u00e1rtir patriarcal e Irineu, o te\u00f3logo que se levantou contra o gnosticismo representam bem o esp\u00edrito de Jo\u00e3o e testemunham a influ\u00eancia desse ap\u00f3stolo na cidade. Somente ele poderia completar o trabalho de Paulo e Pedro dando \u00e0 igreja a unidade compacta que ela precisava para se auto preservar contra as persegui\u00e7\u00f5es e as heresias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o fossem os escritos de Jo\u00e3o, nos \u00faltimos trinta anos do primeiro s\u00e9culo haveria um v\u00e1cuo na hist\u00f3ria da igreja. Parece com aquele per\u00edodo de quarenta dias entre a ressurrei\u00e7\u00e3o e a ascens\u00e3o, quando o Senhor ficou nos ares, entre o c\u00e9u e a terra, sem tocar na terra em baixo, e aparecendo aos disc\u00edpulos como um esp\u00edrito de outro mundo. Mas, a teologia do segundo e do terceiro s\u00e9culo, evidentemente, pressup\u00f5e os escritos de Jo\u00e3o e come\u00e7a a partir de sua cristologia e n\u00e3o a partir da antropologia e soteriologia de Paulo, cujo ensinamento quase morreu at\u00e9 o surgimento de Agostinho na \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jo\u00e3o em Patmos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o foi banido para a solit\u00e1ria, rochosa e arenosa ilha de Patmos no mar Egeu, a sudoeste de \u00c9feso. A base desta afirmativa est\u00e1 em Apocalipse 1.9: \u201cEu, Jo\u00e3o, irm\u00e3o vosso e companheiro na tribula\u00e7\u00e3o, no reino e na perseveran\u00e7a, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus\u201d.\u00a0 <a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> L\u00e1, recebeu \u201cno esp\u00edrito no dia do Senhor\u201d as importantes revela\u00e7\u00f5es a respeito das lutas e vit\u00f3rias do cristianismo. Mas, o fato de haver sido deportado para Patmos \u00e9 confirmada por muitos testemunhos da antiguidade, como os de Irineu, Clemente de Alexandria, Or\u00edgenes, Tertuliano, Eus\u00e9bio, Jer\u00f4nimo etc. O fato ficou perpetuado nas tradi\u00e7\u00f5es da ilha, o que em nada altera o seu sentido. \u201cJo\u00e3o \u2013 este \u00e9 o pensamento de Patmos, a ilha o pertence, \u00e9 o seu santu\u00e1rio. As pedras pregam sobre ele, e em cada cora\u00e7\u00e3o, ele vive\u201d. <a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se sabe ao certo quando aconteceu o ex\u00edlio, e depende das discuss\u00f5es sobre a data em que o Apocalipse foi escrito. Evid\u00eancias externas apontam para o reinado de Domiciano no ano 95 d. C. e evid\u00eancias internas apontam para o per\u00edodo do reinado de Nero ou logo ap\u00f3s sua morte no ano 68. A tese prevalecente e a mais respeitosa se deve ao testemunho de Irineu cerca de 170 d. C. que afirma ter ocorrido o ex\u00edlio no final do reinado de Domiciano que governou de 81 a 96. <a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> Domiciano foi o segundo imperador romano que mais perseguiu os crist\u00e3os, e o ex\u00edlio era sua forma preferida de punir algu\u00e9m. Esses fatos sustentam esta tradi\u00e7\u00e3o. Depois de fazer promessas de beneficiar o povo, Domiciano se tornou t\u00e3o cruel e sanguin\u00e1rio quanto Nero, e o superou em hipocrisia chegando mesmo a se auto-deificar. Ele come\u00e7ava suas cartas assim: \u201cNosso Senhor Deus ordena\u201d e exigia que as pessoas se dirigissem a ele dessa maneira. <a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a> Ele exigia que se fizessem est\u00e1tuas de ouro e prata de sua imagem e que fossem colocadas nos santu\u00e1rios dos templos. E quando se mostrava generoso, a\u00ed que era mais perigoso. N\u00e3o poupava a vida dos senadores nem dos c\u00f4nsules, quando suspeitava deles ou impedissem que seus desejos ambiciosos fossem feitos. Ele procurava pelos descendentes de Davi e pelos amigos de Jesus, com medo deles, e a\u00ed descobria que eram pessoas inocentes e pobres. <a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos crist\u00e3os sofreram o mart\u00edrio sob seu reinado, acusados de ate\u00edsmo \u2013 e entre estes estava seu primo Fl\u00e1vio Clemente, pessoa de dignidade consular, que foi morto, e sua esposa Domitila banida para a ilha de Pandateria pr\u00f3ximo a N\u00e1poles. <a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a> No entanto, uma evid\u00eancia interna \u00e9 o pr\u00f3prio livro de Apocalipse e a compara\u00e7\u00e3o com o quarto evangelho, favorece uma data bem anterior, antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, durante o intervalo entre a morte de Nero (68) quando a besta, que \u00e9 o imp\u00e9rio romano foi abatida, mas logo se ergueria pela ascens\u00e3o de Vespasiano. Mantemos a tese de que Jo\u00e3o foi exilado para Patmos sob o governo de Nero, escreveu o Apocalipse logo ap\u00f3s a morte deste (ano 68-69) retornou a \u00c9feso, completou seu evangelho e suas ep\u00edstolas alguns anos mais tarde (talvez uns vinte anos) e dormiu em paz durante o reinado de Trajano no ano 98.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradi\u00e7\u00f5es sobre Jo\u00e3o<strong> <a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><strong>[26]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lembran\u00e7a de Jo\u00e3o marcou o cora\u00e7\u00e3o da igreja, e v\u00e1rios incidentes com caracter\u00edsticas semelhantes ou prov\u00e1veis foram preservadas pelos pais da igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clemente de Alexandria, quase no fim do segundo s\u00e9culo apresenta Jo\u00e3o como pastor fiel e devoto, quando, j\u00e1 velho, numa viagem as igrejas ele convenceu com amor seus primeiros convertidos que haviam se tornado ladr\u00f5es, e pediu que eles voltassem para a igreja. Irineu d\u00e1 testemunho do car\u00e1ter do \u201cFilho do Trov\u00e3o\u201d, ao relatar que ouvira dos l\u00e1bios de Policarpo, que, num encontro no banho p\u00fablico de \u00c9feso o herege gn\u00f3stico Cerinto, que negava a encarna\u00e7\u00e3o de nosso Senhor, Jo\u00e3o se recusou a ficar com ele debaixo do mesmo teto, se n\u00e3o a casa cairia. O que lembra o incidente registrado em Lucas 9.49 e a exorta\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo em 2 Jo\u00e3o 10-11. A hist\u00f3ria mostra a possibilidade de unir o amor mais profundo pela verdade com a denuncia\u00e7\u00e3o do erro e da malignidade moral. <a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jer\u00f4nimo o retrata como o disc\u00edpulo do amor, que em velhice adiantada foi levado ao lugar de reuni\u00f5es nos bra\u00e7os de seus disc\u00edpulos repetindo vez ap\u00f3s vez sem parar: \u201cFilhinhos, amem uns aos outros\u201d, acrescentando, \u201ceste \u00e9 o mandamento do Senhor, e se somente este for obedecido, \u00e9 suficiente\u201d. Essas situa\u00e7\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica sobre Jo\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel e \u00fatil. Pol\u00edcrato, bispo de \u00c9feso no final do segundo s\u00e9culo relata (conforme Eus\u00e9bio) que Jo\u00e3o estabeleceu na \u00c1sia Menor a pr\u00e1tica judaica de observar a P\u00e1scoa no dia 14 de Nisan, independente de cair num domingo. Este fato gerou muita controv\u00e9rsia no segundo s\u00e9culo e nas controv\u00e9rsias modernas sobre a veracidade do evangelho de Jo\u00e3o. O mesmo Pol\u00edcrato de \u00c9feso descreve Jo\u00e3o vestindo a sobrepeliz ou o peitoral de ouro do sumo sacerdote (Ex 28.36, 37; 39.30, 31). Era, possivelmente uma express\u00e3o figurada da santidade sacerdotal que Jo\u00e3o atribui a todos os disc\u00edpulos (veja Ap 2.17), mas pelo qual se sobrepunha como patriarca. <a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a> Da falta de compreens\u00e3o das enigm\u00e1ticas palavras de Jesus (Jo\u00e3o 21.22) surgiu a lenda que Jo\u00e3o apenas adormeceu em seu sepulcro, gentilmente movendo a terra respirou aguardando a volta de Jesus. Conforme outra lenda ele morreu, mas imediatamente foi elevado ao c\u00e9u, como Elias, para retornar com ele como anunciador do segundo advento de Cristo. <a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Jo\u00e3o 21.22, 23. Milligan e Moulton <em>in loc. <\/em>O ponto de contraste entre as palavras ditas a Pedro e Jo\u00e3o, respectivamente, n\u00e3o diz respeito a morte violenta ou ao mart\u00edrio e uma partida tranquila, mas a respeito das lutas e tempestades do apostolado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> O nome Jo\u00e3o, no hebraico quer dizer <em>Jeov\u00e1 \u00e9 gracioso<\/em>. O disc\u00edpulo que Jesus amava. Veja\u00a0 Jo\u00e3o 13.23; 19.26; 20.2; 21.7, 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Marcos 1.20; 15. 40 ss.; Lc 8.3; Jo 19.27. Godet (I. 37) acredita que a casa dele era no lago de Genesar\u00e9 e por isso n\u00e3o estava presente quando pela primeira vez Paulo visitou Jerusal\u00e9m (Gl 1.18, 19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Conforme a interpreta\u00e7\u00e3o correta de Jo\u00e3o 19.25, aquelas quatro mulheres (n\u00e3o tr\u00eas) s\u00e3o ali mencionadas, como afirmam Wieseler, Ewald e Meyer. Lange, e outros comentaristas acreditam assim tamb\u00e9m. O escritor do quarto evangelho, com sua delicadeza peculiar nunca menciona seu nome, nem o nome de sua m\u00e3e e nem o nome da m\u00e3e de Jesus. Contudo, sua m\u00e3e deveria estar l\u00e1 ao p\u00e9 da cruz, conforme os evangelhos sin\u00f3pticos e ele n\u00e3o a esqueceria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Jo\u00e3o 1.35-40. Os comentaristas concordam que os dois disc\u00edpulos cujos nomes n\u00e3o s\u00e3o mencionados, um deles \u00e9 Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Para uma simples compara\u00e7\u00e3o entre Jo\u00e3o e Salom\u00e9, Jo\u00e3o e Tiago e Jo\u00e3o e Andr\u00e9, Jo\u00e3o e Pedro e Jo\u00e3o e Paulo veja a obra de Lange <em>Com on John <\/em>pp. 4-10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Em Marcos 3.17 o termo significa barulho forte da multid\u00e3o, e tem o sentido de trov\u00e3o no texto sir\u00edaco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> \u201cO Senhor trovejar\u00e1 com grande estrondo\u201d. \u201cO Senhor enviar\u00e1 trov\u00f5es e chuvas\u201d. Veja Ex 9.23; 1 Sm 7.10; 12.17, 18; J\u00f3 26.14; Sl 77.18; 81.7; 104.7; Is 29.6 etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Lucas 9.4-56. Alguns comentaristas acham que este incidente foi que sugeriu o apelido de Boanerges aos dois, mas, se assim fosse, haveria a\u00ed um ep\u00edteto de censura, e o Senhor n\u00e3o faria uma coisas dessas com o seu disc\u00edpulo amado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Jer\u00f4nimo cita um antigo epigrama sobre Jo\u00e3o: \u201c<em>More volans aquila, verbo petit astra Joannes<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> O autor de <em>Supernatural Religion, <\/em>II.400 afirma: \u201cEm vez da f\u00faria e intoler\u00e2ncia do esp\u00edrito do Filho do Trov\u00e3o encontramos (no quarto evangelho) um esp\u00edrito que sopra apenas gentileza e amor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Isto \u00e9 mostrado na obra de Gebhardt <em>Doctrine of the Apocalypse, <\/em>e \u00e9 substancialmente reconhecida por aqueles que negam ser Jo\u00e3o o autor do Apocalipse (a escola de Schleiermacher), ou como autor do Evangelho (a escola de T\u00fcbingen).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Neste sentido as vis\u00f5es opostas de dois eruditos hebreus e ju\u00edzes de estilo se reconciliam. Enquanto Renan olhando para a superf\u00edcie afirma sobre o quarto evangelho: \u201cO estilo de Jo\u00e3o nada tem de hebreu, nada de juda\u00edsmo nem talm\u00fadico\u201d. Ewald, ao contr\u00e1rio, penetrando mais profundamente diz: \u201c\u00c9 esp\u00edrito verdadeiro e inspiracional. Nenhuma linguagem poderia ser mais genuinamente hebraica do que a de Jo\u00e3o\u201d. \u00a0Godet concorda com Ewald quando afirma: \u201cA vestimenta \u00e9 grega, o corpo \u00e9 hebraico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Gl 2.9. Eles aparecem na ordem de seu conservadorismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ele \u00e9 inclu\u00eddo entre os \u201cap\u00f3stolos\u201d reunidos em Jerusal\u00e9m naquela ocasi\u00e3o. Atos 15.6, 22, 23 e \u00e9 mencionado como um dos tr\u00eas pilares por Paulo na ep\u00edstola aos G\u00e1latas, no que diz respeito a mesma confer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Atos 21.18. Jo\u00e3o deveria estar, possivelmente, na Palestina ou na Galil\u00e9ia na terra de sua juventude. Conforme a tradi\u00e7\u00e3o ele permaneceu em Jerusal\u00e9m at\u00e9 a morte da virgem Maria, cerca de 48 d. C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Ap 1.4, 9, 11, 20 e cap\u00edtulos 2 e 3. Fica evidente que somente um ap\u00f3stolo poderia ocupar t\u00e3o elevada posi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o um obscuro presb\u00edtero com o nome de Jo\u00e3o, como alguns querem afirmar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Irineu, disc\u00edpulo de Policarpo (aluno de Jo\u00e3o) em sua carta a Florino (ver Eus\u00e9bio Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica V. 20), Clemente de Alexandria, <em>Quis dives salvetur, <\/em>c.42; Apol\u00f4nio e Pol\u00edcrato no fim do segundo s\u00e9culo, em Eus\u00e9bio Hist. Ecle. III. 31: V: 18, 24; Or\u00edgenes, Tertuliano, Eus\u00e9bio, Jer\u00f4nimo etc. Lucio, tamb\u00e9m, reputado autor dos Atos de Jo\u00e3o cerca de 130, em fragmentos recentemente publicados por Zahn, testemunham que Jo\u00e3o residiu em \u00c9feso e Patmos, e transferiu seu mart\u00edrio de Roma para \u00c9feso. L\u00fctzelberger, Keim<em>(Leben Jesu v. Nazara, <\/em>I<em>. <\/em>161 ss.), Holtzmann, Scholten, o autor de <em>Supernatural Religion,<\/em>(II. 410), e outros oponentes do evangelho de Jo\u00e3o ousaram remove-lo da \u00c1sia Menor com argumenta\u00e7\u00f5es negativas devido ao sil\u00eancio sobre ele em Atos, na carta aos ef\u00e9sios, colossenses, afirmando que n\u00e3o \u00e9 mencionado nos papiros de Papias, In\u00e1cio e Policarpo, argumentam, sem prova alguma que Jo\u00e3o n\u00e3o esteve em \u00c9feso antes do ano 63. Mas, a velha tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 conclusiva a respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> \u201cA manuten\u00e7\u00e3o da verdade evang\u00e9lica\u201d, afirma Godet (I. 42), \u201cexigia naquele momento ajuda ponderosa. N\u00e3o \u00e9 de surpreender que Jo\u00e3o, um dos \u00faltimos sobreviventes de entre os ap\u00f3stolos deveria se sentir respons\u00e1vel em substituir naqueles pa\u00edses o ap\u00f3stolo dos gentios, irrigando, assim como Apolo fez na Gr\u00e9cia, o que Paulo havia plantado\u201d. Pressens\u00e9 (<em>Apost. Era, <\/em>p. 424): \u201cNenhuma cidade poderia ser melhor escolhida como centro regional das igrejas e vigiar de perto o crescimento das heresias. Em \u00c9feso, Jo\u00e3o ficou no centro da miss\u00e3o de Paulo, e n\u00e3o muito longe da Gr\u00e9cia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Bleek entende assim: Jo\u00e3o foi levado (numa vis\u00e3o) a Patmos com o prop\u00f3sito de receber uma revela\u00e7\u00e3o de Cristo. Ele acredita que existe uma tradi\u00e7\u00e3o de que Jo\u00e3o foi banido para Patmos por um mal entendido desta passagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Tischendorf, <em>Reise in\u2019s Morgenland, <\/em>II.257 e ss. Uma caverna na montanha no sudoeste da ilha ainda \u00e9 tida como o local da vis\u00e3o do Apocalipse, e no topo da montanha est\u00e1 o mosteiro de S\u00e3o Jo\u00e3o, com uma biblioteca com uns 250 manuscritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Este ponto de vista prevaleceu entre os comentaristas e historiadores at\u00e9 recentmente e \u00e9 defendido por Hengstenberg, Lange, Ebrard (e por mim mesmo em <em>History of the Apostolic Church, <\/em>\u00a7 101, pp. 400 ss.). \u00c9 dif\u00edcil desprezar o claro testemunho de Irineu, que aprendeu com Policarpo, que era ligado diretamente a Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Suet\u00f4nio, <em>Domit<\/em>., c. 13: \u201c<em>Dominus et Deus noster hoc fieri jubet. Unde institutum posthac, ut ne scripto quidem ac sermone cujusquam appellaretur aliter\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Heg\u00e9sipo em Eus\u00e9bio <em>Hist. Ecl., <\/em>III., 19, 20. Heg\u00e9sipo, no entanto, silencia quanto ao ex\u00edlio de Jo\u00e3o, e este sil\u00eancio \u00e9 usado por Bleek como argumento contra o ex\u00edlio de Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Di\u00e3o C\u00e1ssio em seus escritos sobre Jo\u00e3o Xifilino, 67, 14.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Essas tradi\u00e7\u00f5es foram apresentadas de maneira agrad\u00e1vel por Dean Stanley em<em>Sermons and Essays on the Apostolic Age, <\/em>pp. 266-281 (3\u00aa. ed.). Compare com minha<em>Hist. of the Ap. Ch<\/em>, pp. 404 ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Stanley menciona, apenas para ilustrar a magnific\u00eancia de Jeremy Taylor, ao relatar a hist\u00f3ria, que imediatamente depois de Jo\u00e3o sair dali a casa de banho desabou e esmagou a Cerinto que ficou em ru\u00ednas. \u00a0(<em>Life of Christ, <\/em>Sect. xii. 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Eus\u00e9bio em Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica, III. 31, 3; V. 24. Epif\u00e2nio relata a mesma coisa, com um tom mais asc\u00e9tico, a respeito de Tiago, irm\u00e3o do Senhor. \u201cComo express\u00e3o figurada\u201d afirma Lightfoot, \u201cou como fato literal, a nota aponta para S\u00e3o Jo\u00e3o como um veterano mestre, o chefe representativo de uma ra\u00e7a pontifical. Por outro lado \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o foi neste sentido que Pol\u00edcrato o descreveu assim. E, se assim for, temos aqui, talvez, a mais antiga passagem descritiva de um autor crist\u00e3o em que o ponto de vista sacerdotal do ministro \u00e9 distintivamente apresentado. Mas, no Didaqu\u00ea (cap\u00edtulo 13) os profetas crist\u00e3os s\u00e3o chamados de \u201csumo sacerdotes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Agostinho menciona a lenda, mas a contradiz em <em>Trad. <\/em>224 <em>in Ev. <\/em><em>Joann.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o A. de Souza Filho, do livro Church History de Philip Schaff).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">fonte:\u00a0https:\/\/querigmavirtual.blogspot.com.br\/2015\/08\/joao-evangelista.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A miss\u00e3o de Jo\u00e3o Pedro, ap\u00f3stolo da autoridade aos judeus, e Paulo, ap\u00f3stolo da liberdade aos gentios haviam completado sua obra na terra antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m \u2013 tarefa&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2017,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[62],"class_list":["post-2016","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-joao-a-de-souza-filho","tag-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2016","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2016"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2016\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}