{"id":2019,"date":"2015-09-12T11:08:34","date_gmt":"2015-09-12T13:08:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=2019"},"modified":"2015-09-16T21:54:12","modified_gmt":"2015-09-16T23:54:12","slug":"a-conflagracao-romana-e-a-perseguicao-sob-o-imperio-de-nero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=2019","title":{"rendered":"A conflagra\u00e7\u00e3o romana e a persegui\u00e7\u00e3o sob o imp\u00e9rio de Nero."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A conflagra\u00e7\u00e3o romana e a persegui\u00e7\u00e3o sob o imp\u00e9rio de Nero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A grande tribula\u00e7\u00e3o (Mt 24.21).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEnt\u00e3o, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto\u201d (Ap 17.6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo e Pedro pregaram em Roma, e suas prega\u00e7\u00f5es deram grande impulso ao crescimento do cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mart\u00edrio que sofreram, no final, trouxe resultados para na igreja, pois cimentou a uni\u00e3o entre judeus e gentios convertidos, e consagrou para Deus o solo da metr\u00f3pole pag\u00e3. Jerusal\u00e9m crucificara o Senhor, e Roma decapitava e crucificava os chefes apost\u00f3licos mergulhando a igreja de Roma num batismo de sangue. <!--more-->Roma se tornou, por bem ou mal, a Jerusal\u00e9m do cristianismo; e o monte do Vaticano o G\u00f3lgota do Ocidente. Pedro e Paulo, \u00e0 semelhan\u00e7a de R\u00f4mulo e Remo assentaram o fundamento de um imp\u00e9rio espiritual maior e mais duradouro que o imp\u00e9rio dos c\u00e9sares. A cruz foi substitu\u00edda pela espada como s\u00edmbolo de conquista e poder. <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mudan\u00e7a, todavia resultou no sacrif\u00edcio de sangue precioso. O imp\u00e9rio romano, primeiramente, por suas leis e justi\u00e7a se tornou a protetora do cristianismo, sem saber de seu verdadeiro car\u00e1ter, e saiu em defesa de Paulo em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, como em Corinto atrav\u00e9s do proc\u00f4nsul G\u00e1lio, em Jerusal\u00e9m atrav\u00e9s do capit\u00e3o Cl\u00e1udio L\u00edsias e em Cesar\u00e9ia foi ajudado pelo procurador Festo. Mas, agora, apressava-se em dire\u00e7\u00e3o a um conflito mortal com a nova religi\u00e3o, e em nome da idolatria e patriotismo come\u00e7ou uma s\u00e9rie de intermitente persegui\u00e7\u00e3o, que terminou, por fim, no triunfo da bandeira da cruz na ponte Milvian. Antes, um poder restritivo que mantinha afastado o surgimento do anticristo, <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> assumiu, depois o papel de anticristo pela espada e pelo fogo. <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NERO.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira dessas persegui\u00e7\u00f5es imperiais resultou no mart\u00edrio de Pedro e Paulo conforme a tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica teve lugar no d\u00e9cimo ano do reinado de Nero, 64. d. C. e, a persegui\u00e7\u00e3o pela veio por Nero, o mesmo imperador a quem Paulo recorreu, como cidad\u00e3o romano num tribunal judaico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, n\u00e3o era apenas uma persegui\u00e7\u00e3o religiosa, como outras persegui\u00e7\u00f5es feitas por Nero; sua origem est\u00e1 na calamidade p\u00fablica da administra\u00e7\u00e3o romana em que os crist\u00e3os foram culpados por tudo o que de ruim acontecia em Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se consegue imaginar o contraste enorme entre um Paulo, puro e nobre e Nero, um dos maiores vil\u00f5es e tiranos de todas as eras. Os cinco primeiros anos do reinado de Nero (54-59) foram sob a orienta\u00e7\u00e3o s\u00e1bia de S\u00eaneca e Burro e contrastam enormemente com os outros nove anos de seu reinado (59-68). Lemos sobre a vida de Nero com uma mistura de sentimentos, bons e maus, por haver terminado seu governo num reino de horrores e de iniquidade. Para o imperador, o mundo era uma com\u00e9dia e uma trag\u00e9dia em que ele era o ator principal. Ele possu\u00eda uma insana paix\u00e3o por aplausos do povo; dedilhava a lira e entoava seus odes durante o jantar. Guiava sua carruagem nos circos, era imitado nos palcos e exigia que os homens do mais alto escal\u00e3o o representassem em dramas ou em apresenta\u00e7\u00f5es obscenas da mitologia grega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a comedia superou a trag\u00e9dia. Cometeu crimes e mais crimes at\u00e9 que seu nome se tornou sin\u00f4nimo de monstro e iniquidade. O assassinato de seu irm\u00e3o Brit\u00e2nico; de sua m\u00e3e, Agripina, suas esposas Ot\u00e1via e Pomp\u00e9ia, de seu mestre S\u00eaneca e de muitos romanos eminentes terminou com seu pr\u00f3prio suic\u00eddio aos trinta e dois anos de idade. Com ele pereceu toda a dinastia de J\u00falio C\u00e9sar, e o imp\u00e9rio se tornou um trof\u00e9u a ser perseguido por seus soldados e aventureiros. <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A conflagra\u00e7\u00e3o em Roma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para esse dem\u00f4nio em forma humana, o assassinato de uma multid\u00e3o de inocentes crist\u00e3os n\u00e3o passava de um esporte, de um passatempo. O espet\u00e1culo infernal d\u00f3i num tempo de grande conflagra\u00e7\u00e3o de Roma, a mais destrutiva e desastrosa a ocorrer em toda a hist\u00f3ria romana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inferno ocorreu na noite entre o dia dezoito e dezenove de julho, <a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>entre as lojas de madeira na parte sudoeste, junto ao grande circo, pr\u00f3ximo da montanha Paladina. <a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As labaredas de fogo levadas pelo vento n\u00e3o puderam ser controlada pela brigada anti-inc\u00eandio nem pelos soldados, e ficou queimando sete noites e seis dias. <a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> E o fogo recome\u00e7ou em outra parte da cidade, pr\u00f3ximo ao campo de Marte e em tr\u00eas dias devastou dois outros distritos da cidade. <a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Os preju\u00edzos eram incalcul\u00e1veis. Somente quatro das 14 regi\u00f5es em que a cidade era dividida permaneceu inc\u00f3lume. Tr\u00eas \u00e1reas tornaram-se apenas ru\u00ednas, do interior do grande circo at\u00e9 o monte Esquilino. As sete \u00e1reas restantes ficaram mais ou menos destru\u00eddas. Templos vener\u00e1veis, edif\u00edcios monumentais do governo, desde a Rep\u00fablica at\u00e9 o Imp\u00e9rio, as grandes obras da arte grega que haviam sido coletadas durante s\u00e9culos ficaram em cinzas e poeira. Homens e animais pereceram nas chamas, e a metr\u00f3pole do mundo assumiu uma apar\u00eancia de t\u00famulo com milh\u00f5es de pessoas se lamentando pela perda irrepar\u00e1vel de seus tesouros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta terr\u00edvel cat\u00e1strofe deveria estar na mente de S\u00e3o Jo\u00e3o no Apocalipse quando escreveu o funeral e queda da Roma imperial (Ap 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A causa dessa conflagra\u00e7\u00e3o permanece envolvida em mist\u00e9rio. Havia rumores entre o povo de que Nero pusera fogo na cidade, que queria se alegrar com o espet\u00e1culo de uma Troia em fogo, e para satisfazer sua ambi\u00e7\u00e3o de reconstruir Roma numa escala monumental e cham\u00e1-la de Ner\u00f3pole. <a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o fogo irrompeu pela primeira vez Nero estava nas praias de Antio, lugar de seu nascimento. Ele retornou quando o fogo estava devorando seu pal\u00e1cio; fez enorme esfor\u00e7o para permanecer ali e reconstruir o que restara at\u00e9 sua morte. Mas, n\u00e3o esqueceu de reconstruir sua resid\u00eancia tempor\u00e1ria antes de morrer, (<em>domus transitoria) <\/em>chamando de <em>&#8220;Casa de ouro&#8221; (domus aurea), <\/em>como marco de sua obra magnificente e extravagante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para evitar a suspeita geral de que era um incendi\u00e1rio, e ao mesmo tempo querendo divertir o povo com sua diab\u00f3lica crueldade, Nero colocou a culpa do inc\u00eandio de Roma sobre os crist\u00e3os, pois, desde a \u00e9poca do julgamento p\u00fablico de Paulo e de seu incans\u00e1vel trabalho em Roma, Paulo era diferenciado dos judeus como o <em>genus tertium, <\/em>ou como o mais perigoso rebento da ra\u00e7a judaica. Certamente, os crist\u00e3os desprezavam os deuses romanos e eram leais a um rei mais elevado que C\u00e9sar, por isso, eram falsamente acusados de crimes cometidos em secreto. A pol\u00edcia e o povo, sob a influ\u00eancia do p\u00e2nico terr\u00edvel causado pela calamidade estavam dispostos a crer em qualquer coisa e procuravam por culpados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que esperar de uma multid\u00e3o ignorante, quando at\u00e9 mesmo os mais cultos romanos como T\u00e1cito, Suet\u00f4nio e Pl\u00ednio, estigmatizavam os crist\u00e3os como vulgares e pestilentos supersticiosos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os romanos o cristianismo era pior que o juda\u00edsmo, porque o juda\u00edsmo, pelo menos era uma religi\u00e3o antiga, enquanto o cristianismo era algo novo, separado de qualquer nacionalidade em particular e buscava um dom\u00ednio universal. Alguns crist\u00e3os foram presos, confessavam sua f\u00e9 e \u201ceram t\u00e3o convictos\u201d, afirma T\u00e1cito, \u201cnem tanto pelo crime de incendi\u00e1rios como tamb\u00e9m de odiar a ra\u00e7a humana\u201d. Sua origem judaica, sua indiferen\u00e7a pela pol\u00edtica e assuntos p\u00fablicos, seu desprezo aos costumes pag\u00e3os, culminaram num &#8220;<em>odium generis humani,<\/em>&#8220;, e por isso tentaram destruir a cidade, uma prova plaus\u00edvel, o suficiente para justificar um veredito de culpa. Uma multid\u00e3o furiosa n\u00e3o para pra pensar e arrazoar e tem a tend\u00eancia de cometer asneiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acusados de incendi\u00e1rios, apoiados por uma falsa acusa\u00e7\u00e3o de misantropia e v\u00edcios impr\u00f3prios, deram in\u00edcio a um festival de sangue, que at\u00e9 mesmo os romanos pag\u00e3os nunca haviam presenciado. <a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> <strong>Era a resposta dos poderes do inferno \u00e0 poderosa prega\u00e7\u00e3o de dois ap\u00f3stolos que haviam sacudido o centro do paganismo<\/strong>. \u201cUma grande multid\u00e3o\u201d de crist\u00e3os foi morta de maneira chocante. Alguns foram crucificados, provavelmente como zombaria a puni\u00e7\u00e3o sofrida por Cristo, <a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> outros foram colocados dentro de peles de animais selvagens e expostos \u00e0 voracidade das feras da arena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia sat\u00e2nica alcan\u00e7ou seu cl\u00edmax durante a noite nos jardins imperais na colina do Vaticano (que abarcava, sup\u00f5e-se, o lugar onde hoje est\u00e1 a igreja de S\u00e3o Pedro): Homens e mulheres, crist\u00e3os, cobertos de piche, \u00f3leo ou resina foram pregados em postes de madeira, ateados fogo e queimaram como tochas para divertimento da multid\u00e3o, enquanto Nero, vestido de realeza, apareceu montado num cavalo de ra\u00e7a e demonstrava sua habilidade art\u00edstica como cavaleiro. Queimar as pessoas vivas era a puni\u00e7\u00e3o que mereciam os incendi\u00e1rios, mas apenas a engenhosidade deste monstro cruel, sob a inspira\u00e7\u00e3o do diabo poderia inventar t\u00e3o terr\u00edvel sistema de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o registro dos maiores historiadores pag\u00e3os, os mais completos que existem \u2013 assim como a melhor descri\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m vinda da pena de s\u00e1bios escritores judeus. Desta forma, os pr\u00f3prios inimigos foram testemunhas da verdade do cristianismo. T\u00e1cito, incidentalmente menciona neste contexto a crucifix\u00e3o de Cristo sob P\u00f4ncio Pilatos, durante o reinado de Tib\u00e9rio. Com o desprezo que este romano tinha pelos crist\u00e3os a quem conhecia apenas por rumores e leituras, T\u00e1cito se convenceu da inoc\u00eancia deles de que eram os culpados pelo inc\u00eandio de Roma. Apesar de frio estoicismo, n\u00e3o p\u00f4de reprimir o sentimento de piedade por eles, porque foram sacrificados n\u00e3o pelo bem do povo, mas pela ferocidade de um tirano perverso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns historiadores duvidam n\u00e3o da terr\u00edvel persegui\u00e7\u00e3o, mas de que os crist\u00e3os e n\u00e3o os judeus ou os crist\u00e3os sozinhos foram os que sofreram. \u00c9 dif\u00edcil entender que inocentes crist\u00e3os, que escritores contempor\u00e2neos como S\u00eaneca, Pl\u00ednio, Lucas e P\u00e9rsio ignoram, enquanto t\u00eam conhecimento dos judeus, poderiam ser t\u00e3o repentinamente os elementos de tanta indigna\u00e7\u00e3o popular. Sup\u00f5e-se que T\u00e1cito e Suet\u00f4nio, que escreveram cerca de cinquenta anos depois dos acontecimentos, poderiam ter confundido os crist\u00e3os com os judeus, que eram repudiados pelos romanos e justificaram a suspeita de serem os judeus os incendi\u00e1rios, pelo fato de que o distrito onde residiam n\u00e3o pegou fogo.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, a atrocidade era p\u00fablica e n\u00e3o deixa margem para erros. Tanto T\u00e1cito quando Suet\u00f4nio distinguem bem as duas religi\u00f5es, apesar de conhecerem t\u00e3o pouco sobre eles, sabiam que os crist\u00e3os eram assim chamados por serem seguidores de Cristo, a nova religi\u00e3o. Al\u00e9m de que, Nero, conforme foi observado anteriormente n\u00e3o tinha avers\u00e3o pelos judeus, e sua segunda esposa Pompeia Sabina, um ano antes da conflagra\u00e7\u00e3o, havia demonstrado apre\u00e7o especial em favor de Josefo e o encheu de presentes. Josefo fala dos crimes de Nero, mas nada diz sobre qualquer persegui\u00e7\u00e3o aos seus irm\u00e3os judeus. <a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> Este fato, isoladamente pode ser conclusivo. N\u00e3o \u00e9 de se duvidar que neste epis\u00f3dio (como nas persegui\u00e7\u00f5es anteriores e depois), os fan\u00e1ticos judeus, enraivecidos pelo r\u00e1pido crescimento do cristianismo, ansiosos de se livrarem de suspeitas, levantaram a turba contra os odiados galileus, e que os pag\u00e3os romanos ca\u00edram com redobrada f\u00faria sobre esses supostos meio-judeus, levados por seus irm\u00e3os estranhos. <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A extens\u00e3o prov\u00e1vel da persegui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os historiadores pag\u00e3os, se os julgarmos por seu sil\u00eancio, parecem confinar a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade de Roma, mas escritores crist\u00e3os tempos depois ampliam-na para as prov\u00edncias. <a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo dado pelo imperador na capital n\u00e3o deixaria de influenciar as prov\u00edncias, e seria a justificativa para o levante do \u00f3dio popular. Se o Apocalipse foi escrito na \u00e9poca de Nero, ou logo ap\u00f3s sua morte, o ex\u00edlio de Jo\u00e3o em Patmos deve estar ligado a esta persegui\u00e7\u00e3o. O Apocalipse menciona os irm\u00e3os presos em Esmirna, o mart\u00edrio de Antipas e fala do assassinato dos profetas e santos e de todos os que foram mortos na terra. <a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ep\u00edstola aos hebreus 10.32-34, que foi escrita na It\u00e1lia, provavelmente no ano 64 tamb\u00e9m faz alus\u00e3o \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o sangrenta, e a soltura de Tim\u00f3teo da pris\u00e3o (13.23). E Pedro em sua primeira ep\u00edstola, que pode ser datada no mesmo ano, imediatamente depois que a persegui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, e pouco antes de sua morte, alerta os crist\u00e3os da \u00c1sia Menor do fogo da persegui\u00e7\u00e3o (tribula\u00e7\u00e3o) que vir\u00e1 sobre eles e dos sofrimentos que j\u00e1 enfrentaram ou suportaram, n\u00e3o por terem cometido crimes, mas pelo bom nome dos crist\u00e3os.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cristianismo que acabara de alcan\u00e7ar a idade de seu fundador, parecia aniquilado em Roma. Com a morte de Pedro e Paulo a primeira gera\u00e7\u00e3o de crentes foi sepultada. As trevas devem ter ca\u00eddo sobre os disc\u00edpulos temerosos e a prepot\u00eancia do poder deve t\u00ea-los afundado no p\u00f3 como na noite da crucifica\u00e7\u00e3o trinta e quatro anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, a manh\u00e3 da ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava distante, e o ponto onde Pedro foi martirizado se tornaria o local da maior igreja do cristianismo e a resid\u00eancia de seus sucessores. <a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Apocalipse resultante da persegui\u00e7\u00e3o de Nero<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum dos ap\u00f3stolos permaneceu vivo para registrar o terr\u00edvel massacre, a n\u00e3o ser Jo\u00e3o. Ele deve ter recebido not\u00edcias dessa persegui\u00e7\u00e3o em \u00c9feso ou deve ter acompanhado Pedro a Roma e escapado da terr\u00edvel morte nos jardins de Nero, se dermos cr\u00e9dito \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o antiga de que ele foi miraculosamente preservado de ser queimado vivo com os demais crist\u00e3os naquela infernal ilumina\u00e7\u00e3o sobre o monte do Vaticano. <a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> De qualquer maneira ele tamb\u00e9m foi v\u00edtima da persegui\u00e7\u00e3o pelo Nome de Jesus e descreve o horror do que teria visto no ex\u00edlio na isolada ilha de Patmos na vis\u00e3o do Apocalipse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este livro misterioso \u2013 tenha ele sido escrito entre os anos 68 e 69 ou sob o reino de Domiciano em 95 \u2013 foi sem d\u00favida escrito para a igreja daquela \u00e9poca e tamb\u00e9m para as gera\u00e7\u00f5es futuras, e deve ter sido adaptado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que viviam os crist\u00e3os sob o dom\u00ednio romano, fornecendo conforto substancial aos crist\u00e3os em tempos de persegui\u00e7\u00e3o. Devido a proximidade desses eventos, os crist\u00e3os daqueles dias devem ter entendido claramente seu conte\u00fado, diferentemente das gera\u00e7\u00f5es posteriores. Jo\u00e3o firma seu ponto de vista na funda\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do velho imp\u00e9rio romano no qual ele vivera, da mesma maneira como os profetas de Israel baseavam suas profecias a partir da vis\u00e3o que tinham do reino de Davi e do cativeiro da Babil\u00f4nia. Jo\u00e3o descreve a Roma pag\u00e3 daqueles dias como \u201ca besta que sobe do abismo\u201d e \u201ccomo a besta que emerge do mar, tendo dez chifres e sete cabe\u00e7as (reis e imperadores), e a descreve tamb\u00e9m como a grande meretriz que se assenta sobre muitas \u00e1guas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descreve Roma \u201ccomo uma mulher vestida de escarlate, cheia de nomes de blasf\u00eamia, tendo sete cabe\u00e7as e dez chifres\u201d. Esta \u00e9 a \u201cBabil\u00f4nia, a grande, a m\u00e3e de todas as meretrizes e das abomina\u00e7\u00f5es da terra\u201d. <a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> O vidente deve ter em mente a persegui\u00e7\u00e3o de Nero, a mais cruel de todas as persegui\u00e7\u00f5es, quando ele viu a mulher \u201cembriagada com o sangue dos santos e dos m\u00e1rtires de Jesus\u201d <a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>, e profetizou sua queda como de grande alegria para \u201cos santos, ap\u00f3stolos e profetas\u201d. <a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comentaristas mais recentes encontram uma alus\u00e3o direta a Nero, como expressada em letras hebraicas (<em>Neron Kesar<\/em>), o n\u00famero misterioso 666 sendo este a quinta das sete cabe\u00e7as da besta que foi esmagada, mas que retornaria novamente do abismo na forma de anticristo. Mas, esta interpreta\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o estar correta, e em nenhum caso pode-se atribuir a Jo\u00e3o a cren\u00e7a de que Nero se ergueria literalmente dos mortos como o anticristo. Ele quis dizer que Nero, o perseguidor da igreja era (como Ant\u00edoco Epif\u00e2nio), o precursor do anticristo que seria inspirado pelo mesmo esp\u00edrito sanguin\u00e1rio das profundezas do inferno. Num sentido similar Roma era uma segunda Babil\u00f4nia, e Jo\u00e3o Batista outro Elias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Notas<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> Os registros da persegui\u00e7\u00e3o de Nero.\u00a0<\/strong><\/li>\n<li><strong>A) Registros de historiadores pag\u00e3os.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem praticamente dois registros da primeira grande persegui\u00e7\u00e3o imperial. O registro feito por T\u00e1cito, que nasceu cerca de oito anos antes do evento e possivelmente tenha vivido at\u00e9 o tempo de Trajano (morto em 117), e de Suet\u00f4nio que escreveu sua obra <em>XII. Caesares<\/em> um pouco mais tarde, cerca de 120 d. C. Dion Cassio, nascido cerca de 155 d. C. em sua Hist\u00f3ria de Roma. A descri\u00e7\u00e3o de T\u00e1cito em seu estilo gr\u00e1fico e longe de ser suspeito de interpola\u00e7\u00f5es deixa alguns pontos obscuros. Aqui est\u00e1 o registro do que ele fez em <em>Anais<\/em>, XV. 44.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNem seus melhores homens, t\u00e3o pouco nos limites do imp\u00e9rio, nem a propicia\u00e7\u00e3o feita aos deuses poderia desculpar Nero da inf\u00e2mia de haver ordenado a conflagra\u00e7\u00e3o. Por isso, na tentativa de parar com os rumores e de se livrar da culpa, Nero acusou e puniu pessoas com as piores torturas; pessoas que passaram a ser odiadas por seus crimes, comumente chamadas de crist\u00e3os (<em>subdidit reos, et quaesitissimis poenis affecit, quos per flagitia invisos vulgus \u2019Christianos\u2019 appellabat<\/em>)<em>.<\/em> O fundador desse nome, <em>Cristus<\/em> foi condenado \u00e0 morte (<em>supplicio affectus erat<\/em>) pelo procurador da Judeia P\u00f4ncio Pilatos, durante o reinado de Tib\u00e9rio, mas a supersti\u00e7\u00e3o perniciosa (<em>exitiabilis superstitio<\/em>), reprimida por algum tempo, rompeu outra vez, n\u00e3o apenas na Judeia, a fonte do mal, mas tamb\u00e9m na cidade de Roma, onde todo tipo de vileza e vergonha surge de todos os quarteir\u00f5es, e s\u00e3o encorajados (<em>quo cuncta undique atrocia aut pudenda confluunt celebranturque<\/em>).\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme T\u00e1cito, \u201cprimeiramente foram presos os que confessavam a Cristo. <a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a> Depois, conforme a informa\u00e7\u00e3o uma vasta multid\u00e3o (<em>multitudo ingens<\/em>), foram condenados n\u00e3o tanto pelo crime de incendiar Roma, mas como pessoas que odiavam a ra\u00e7a humana (<em>odio humani generis).<\/em> <a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> Morriam para divertir seus acusadores, pois este tipo de morte era praticado como um esporte. Os crist\u00e3os foram costurados dentro de peles de animais ferozes e devorados em peda\u00e7os pelos c\u00e3es ou crucificados, presos em postes e incendiados, e quando anoitecia era queimados vivos para iluminar a cidade (<em>in usum nocturni luminis urerentur<\/em>). Nero ofereceu seus jardins \u2013 onde hoje est\u00e1 o Vaticano \u2013 para este espet\u00e1culo e tamb\u00e9m desfilava numa carruagem de corrida nesta ocasi\u00e3o, vestido com roupas de condutor de carruagem, segurando os cavalos pelas r\u00e9deas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim, as pessoas come\u00e7aram a mostrar compaix\u00e3o pelo sofrimento dos crist\u00e3os, apesar de serem odiados, porque notaram que de nada servia ao povo o espet\u00e1culo, mas sim, o fato de que eram v\u00edtimas da ferocidade de um homem\u201d. Os registros de Suetonio, em <em>Nero <\/em>c. 16 s\u00e3o curtos e deixam a desejar. \u00a0<em>Afflicti suppliciis Christiani, genus hominum superstitionis novae ac maleficaea<\/em>. Suet\u00f4nio n\u00e3o liga a persegui\u00e7\u00e3o com a conflagra\u00e7\u00e3o, mas com as leis policiais. Juvenal, o poeta sat\u00edrico menciona a persegui\u00e7\u00e3o, provavelmente como testemunha ocular, \u00e0 semelhan\u00e7a de T\u00e1cito com o sentimento existente de compaix\u00e3o pelo sofrimento dos crist\u00e3os\u201d (Satiricon, I, 155).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFalas da culpa de Tigelinio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m tu brilhar\u00e1s como aqueles que vimos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pendurados nas estacas com as gargantas cortadas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQueimando e soltando fuma\u00e7a.\u201d<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>B) Registros de crist\u00e3os.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clemente de Roma, quase no final do primeiro s\u00e9culo poderia estar se referindo a persegui\u00e7\u00e3o dos dias de Nero quando escreve da \u201cgrande multid\u00e3o de eleitos\u201d, que sofreu torturas indignas como v\u00edtimas de ci\u00fames, e das \u201cmulheres crist\u00e3s que eram obrigadas a representar \u201cDanaides\u201d e \u201cDirces\u201d, <em>Ad Corinth., <\/em>c. 6. Eu n\u00e3o usei esta passagem no texto. (N. T. Mulheres da mitologia grega).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Renan acrescenta e costura todo seu enredo numa descri\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica da persegui\u00e7\u00e3o (<em>L\u2019Antechrist, <\/em>pp. 163 ss., repetida quase que literalmente em sua obra <em>Hibbert Lectures<\/em>). Conforme a lenda, Dirce foi amarrada no dorso de um touro feroz e lan\u00e7ada \u00e0 morte. A cena est\u00e1 representada nas famosas obras em m\u00e1rmore no museu de N\u00e1poles. Agora, quanto a Danaides ela n\u00e3o fornece um paralelo adequado aos m\u00e1rtires crist\u00e3os, a menos, conforme Renan sugere, que Nero tivesse em mente os sofrimentos do T\u00e1rtaro. Tertulliano (morto ao redor de 220 d. C.) menciona a persegui\u00e7\u00e3o nos dias de Nero em <em>Ad Nationes, <\/em>I. ch. 7: \u201cO nome que crist\u00e3os come\u00e7ou a ser conhecido no reinado de Augusto; no reino de Tib\u00e9rio j\u00e1 era ensinado com clareza e publicidade. <em>Sob o reinado de Nero o nome foi desarraigado e condenado (sub Nerone damnatio invaluit), <\/em>e pode-se pesar seu valor pelo car\u00e1ter do perseguidor. Se aquele imperador fosse um homem pio, ent\u00e3o os crist\u00e3os eram perigosos. Se Nero era justo, se fosse puro, ent\u00e3o os crist\u00e3os eram injustos e impuros. Se Nero n\u00e3o fosse um inimigo do povo, ser\u00edamos ent\u00e3o inimigos de nosso pa\u00eds: Que tipo de pessoas somos que nosso perseguidor, ele mesmo, puniu os que o hostilizavam? Agora, sendo que todas as demais institui\u00e7\u00f5es que existiam no governo de Nero foram destru\u00eddas, mas, a nossa permaneceu, &#8211; ent\u00e3o, comprova que \u00e9ramos justos, devido as atrocidades do autor das persegui\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Supl\u00edcio Severo em <em>Chron. <\/em>II. 28, 29, fornece um registro completo, retirado em sua maior parte dos escritos de T\u00e1cito. Ele e Orosio <em>(Hist. <\/em>VII. 7) atestam sem exagero que Nero estendeu a persegui\u00e7\u00e3o a todas as prov\u00edncias romanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O retorno de Nero como Anticristo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nero, devido a sua juventude, beleza e prodigalidade, e a aberrante novela de sua iniquidade (T\u00e1cito o chama de \u201c<em>incredibilium cupitor,<\/em>\u201d<em> Anais<\/em> XV. 42), obteve muita popularidade com a democracia de Roma. Assim, depois de seu suic\u00eddio, espalhou-se um rumor de que ele n\u00e3o morrera, mas que fugira para a P\u00e9rsia e que retornaria a Roma com um grande ex\u00e9rcito para destruir a cidade. Tr\u00eas impostores com o nome Nero usaram essa crendice e tiveram apoio durante o reinado de Oto, Tito e Domiciano. Trinta anos depois, Domiciano tremia \u00e0 men\u00e7\u00e3o do nome de Nero. Tacito., <em>Hist. <\/em>I. 2; II. 8, 9; Suetonio., <em>Ner<\/em>. 57; Dio Cassio, LXIV. 9; Schiller, <em>l.c., <\/em>p. 288.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os crist\u00e3os esses rumores assumiram propor\u00e7\u00f5es hostis a Nero. Lactanio (<em>De Mort. Persecut., <\/em>c. 2) menciona as profecias sibilinas afirmando que, assim como Nero era o primeiro perseguidor, ele seria tamb\u00e9m o ultimo e precederia o advento do anticristo. (<em>De Civil. Dei, <\/em>XX. 19) menciona que durante este tempo duas opini\u00f5es eram comuns na igreja a respeito de Nero. Alguns achavam que ele se ergueria de entre os mortos como o anticristo, e outros de que ele n\u00e3o morrera, mas que se retirara para ser revelado para restaurar o seu reino. A primeira hip\u00f3tese era a mantida pelos crist\u00e3os, a segunda pelos pag\u00e3os. Agostinho rejeitava ambas opini\u00f5es. Sulp\u00edcio Severo (<em>Chron., <\/em>II. 29) tamb\u00e9m menciona a cren\u00e7a (<em>unde creditur<\/em>) de que Nero fora curado de seus ferimentos, e que retornaria no fim do mundo para se tornar o \u201cmist\u00e9rio da iniquidade\u201d predito por Paulo (2 Ts 2.7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revolta dos judeus e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (70 d. C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus disc\u00edpulos: Mestre! Que pedras, que constru\u00e7\u00f5es! Mas Jesus lhe disse: V\u00eas estas grandes constru\u00e7\u00f5es? N\u00e3o ficar\u00e1 pedra sobre pedra, que n\u00e3o seja derribada\u201d (Mc 13.1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fontes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Josepho: <em>Bell. Jud., in 7 books; and Vita, <\/em>c. 4\u201374. A hist\u00f3ria da Guerra judaica foi escrita por ele como testemunha ocular cerca de 75 d. C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradi\u00e7\u00f5es rab\u00ednicas em Derenbourg: <em>Histoire de la Palestine depuis Cyrus jusqu\u2019\u00e0 Adrien. Paris, 1867 (primeira parte de sua L\u2019Histoire et la g\u00e9ographie de la Palestine d\u2019apr\u00e8s les Thalmuds et les autres sources rabbiniques), <\/em>pp. 255\u2013295.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e1cito: <em>Hist., <\/em>II. 4; V. 1\u201313. Um mero fragmento, repleto de erros e insultos sobre os judeus expulsos de Roma. O quinto livro, exceto este fragmento foi perdido. Enquanto o judeu Josefo admira plenamente o poder e a grandeza de Roma, T\u00e1cito, o pag\u00e3o, trata os judeus e crist\u00e3os com ironia e esc\u00e1rnio, e prefere tomar as fontes de suas informa\u00e7\u00f5es dos eg\u00edpcios hostis e preconceitos popular do que das Escrituras, n\u00e3o como Filo e Josefo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o escassos os per\u00edodos da hist\u00f3ria t\u00e3o cheios de v\u00edcios, corrup\u00e7\u00e3o e desastres como os seis anos entre a feroz persegui\u00e7\u00e3o de Nero aos crist\u00e3os e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. A descri\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica dos \u00faltimos dias feitas por nosso Senhor come\u00e7ou a ser cumprida diante da gera\u00e7\u00e3o a quem ele se dirigiu, \u201cessa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o passar\u00e1\u201d, e o dia do ju\u00edzo parecia haver chegado. Os crist\u00e3os criam dessa forma e com raz\u00e3o. At\u00e9 mesmo para os \u00edmpios pag\u00e3os aquele per\u00edodo era de escurid\u00e3o noturna. Sempre citamos a descri\u00e7\u00e3o de S\u00eaneca da terr\u00edvel deprava\u00e7\u00e3o moral e queda do reino de Nero com essas palavras: \u201cContinuo a descrever a riqueza dos desastres, cheias de batalhas e de atrocidades, de disc\u00f3rdia e de rebeli\u00e3o, sim, terr\u00edvel tempo para se obter a paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro pr\u00edncipes [Galba, Oto, Vit\u00e9lio, Domiciano] foram mortos \u00e0 espada. Tr\u00eas guerras civis, v\u00e1rias guerras contra os estrangeiros, e algumas dessas guerras eram terr\u00edveis. Eventos favor\u00e1veis no Leste [a subjuga\u00e7\u00e3o dos judeus], e infelizmente algumas guerras no Oeste. Il\u00edrico perturbado; a G\u00e1lia inquieta; a Brit\u00e2nia conquistada e depois perdida; as na\u00e7\u00f5es da Samotr\u00e1cia e Suevia levantando-se contra n\u00f3s. Os persas exultantes pela decep\u00e7\u00e3o do falso Nero. A It\u00e1lia sofrendo as consequ\u00eancias da seca e das frequentes calamidades. Cidades engolidas, queimadas em ru\u00ednas. Roma est\u00e1 devastada pelas conflagra\u00e7\u00f5es; os velhos templos queimados, at\u00e9 mesmo o capit\u00f3lio foi incendiado pelos cidad\u00e3os; santu\u00e1rios violados e o adult\u00e9rio correndo solto nas esferas pol\u00edticas mais altas. O mar cheio de exilados. As ilhas rochosas contaminadas pelos assassinatos. Pior ainda \u00e9 a f\u00faria na cidade. Nobres, ricos, pessoas de honra, marcadas pelos crimes, pela falta de virtude e destrui\u00e7\u00e3o\u201d (Hist. I c.2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ju\u00edzo iminente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais desafortunado pa\u00eds desse per\u00edodo era a Palestina, onde uma na\u00e7\u00e3o antiga e vener\u00e1vel trouxe sobre si mesma, sofrimento e destrui\u00e7\u00e3o indescrit\u00edveis. A trag\u00e9dia de Jerusal\u00e9m prefigura em miniatura o ju\u00edzo final, e em sua luz vemos representado discurso escatol\u00f3gico de Cristo que previu o fim do come\u00e7o. A paci\u00eancia de Deus com o povo da alian\u00e7a que crucificou nosso Senhor atingiu seu \u00e1pice. Muitos se salvaram de maneira especial, mas a massa do povo obstinadamente achou que poderia improvisar. Tiago, o Justo, o homem capaz de reconciliar judeus com os crist\u00e3os foi apedrejado por seus compatriotas de cora\u00e7\u00e3o endurecido, exatamente as pessoas por quem ele intercedia diariamente no templo, e, com ele a comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m havia perdido a import\u00e2ncia que representava para a cidade. A hora da \u201cgrande tribula\u00e7\u00e3o\u201d e o medo do ju\u00edzo se aproximava. A profecia do Senhor se cumpriu literalmente: Jerusal\u00e9m foi arrasada, seu templo queimado, e n\u00e3o ficou pedra sobre pedra do templo (Mt 24.1-2; Mc 13.1; Lc 19.43-44; 21.6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem antes da rebeli\u00e3o e da guerra judaica, sete anos antes do cerco a Jerusal\u00e9m (63 d. C.), um campesino de nome Josu\u00e9, ou Jesus apareceu na cidade e pelas ruas da cidade proclamava noite e dia: \u2018Uma voz grita pela manh\u00e3, uma voz clama pela noite! Uma voz vem dos quatro ventos! Uma voz de chuvas contra Jerusal\u00e9m e seu templo! \u00c9 a voz contra os noivos e as noivas. Voz contra todo o povo! Ai, ai de Jerusal\u00e9m!\u2019. \u201cOs magistrados petrificados diante de tais palavras, tomaram o profeta como um agente do mal e o a\u00e7oitaram. Ele n\u00e3o demonstrou nenhuma resist\u00eancia e continuou a gritar: \u201cAi\u201d. Levado diante do procurador Abilno foi a\u00e7oitado at\u00e9 que seus ossos fossem expostos, mas n\u00e3o se defendeu; nem amaldi\u00e7oou seus inimigos, e simplesmente exclamava a cada chicotada \u201cAi, ai de Jerusal\u00e9m!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do governador para onde foi levado, ficou calado e n\u00e3o respondeu nada do que o governador lhe perguntou. Finalmente, deixaram-no ir como um maltrapilho. Mas, ele continuou a clamar por sete anos e cinco meses at\u00e9 que se rompeu a guerra, especialmente clamava durante as tr\u00eas grandes festas, anunciando a chegada da queda de Jerusal\u00e9m. Durante o cerco daqueles dias ele cantava, junto aos muros seus c\u00e2nticos de lamenta\u00e7\u00f5es pela \u00faltima vez. De repente, gritou: Ai, ai de mim! e, uma pedra lan\u00e7ada pelos romanos atingiu sua cabe\u00e7a pondo fim a sua lamenta\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica. <a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A rebeli\u00e3o judaica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob os \u00faltimos governadores da Jud\u00e9ia, F\u00e9lix, Festo, Albino e Floro a corrup\u00e7\u00e3o moral e a dissolu\u00e7\u00e3o de todos os la\u00e7os sociais, aliados a opress\u00e3o e ao jugo romano aumentou a cada ano. Depois que F\u00e9lix se tornou governador, assassinos, chamados de \u201csic\u00e1rios\u201d (palavra derivada de <em>sica<\/em> adaga), portando adagas e cometendo crimes trouxeram perigo na cidade e no campo marchando por toda a Palestina. Al\u00e9m disso, os judeus de esp\u00edrito abatido, movidos de \u00f3dio por causa dos opressores pag\u00e3os, tomaram o caminho da insol\u00eancia pol\u00edtica, do fanatismo religioso e foram inflamados por falsos profetas e Messias, um deles, por exemplo, conforme Josefo conseguiu um ex\u00e9rcito de trinta mil homens. Assim, cumpriu-se a profecia de nosso Senhor: \u201cLevantar-se-\u00e3o falsos Cristos e falsos profetas que enganar\u00e3o a muitos\u201d. Finalmente, no m\u00eas de maio do ano 66, sob o reinado do \u00faltimo procurador, Gessio Floro (a partir do ano 65), tirano in\u00edquo e cruel, a quem Josefo diz que, posto como algoz dos que praticavam o mal; uma rebeli\u00e3o organizada se rompeu contra os romanos, mas ao mesmo tempo uma terr\u00edvel guerra civil irrompeu entre os diferentes partidos dos pr\u00f3prios revoltados, especialmente dos zelotes e moderados, radicais e conservadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O partido furioso dos zelotes tinha todo o fogo e energia pr\u00f3prios daquilo que o fanatismo religioso poderia inspirar. Recentemente algu\u00e9m os comparou aos revolucion\u00e1rios montagnards franceses. \u00c0 medida em que a guerra avan\u00e7ava os zelotes come\u00e7aram a dominar, controlaram a cidade e o templo e introduziram um reino de terror. Mantinham acesa a chama da esperan\u00e7a messi\u00e2nica e viam na destrui\u00e7\u00e3o o caminho da liberta\u00e7\u00e3o. Not\u00edcias de cometas, meteoros e todo tipo de sinais e prod\u00edgios eram interpretados como sinais do Messias e de seu reinado sobre os pag\u00e3os. Os romanos reconheceram em Vespasiano e Tito os seus Messias. Desafiar Roma naquela \u00e9poca, sem sequer um aliado, era como desafiar o mundo com as armas. Mas, o fanatismo religioso, inspirado pela lembran\u00e7a das conquistas feitas pelos macabeus cegou os judeus e eles n\u00e3o viram o inevit\u00e1vel fracasso dessa terr\u00edvel e desesperada revolta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A invas\u00e3o romana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nero, ao saber da rebeli\u00e3o enviou se melhor general, Vespasiano, com um grande ex\u00e9rcito para a Palestina. Vespasiano come\u00e7ou sua campanha no ano 67 a partir do porto s\u00edrio de Ptolemaico (Acco), e enfrentando dura resist\u00eancia avan\u00e7ou pela Galileia com um ex\u00e9rcito de sessenta mil homens. Mas, eventos ocorridos em Roma o impediram de conquistar a vit\u00f3ria e foi solicitado a retornar imediatamente. Nero havia se suicidado. Os imperadores Galba, Oto e Vit\u00e9lio sucederam a Nero um ap\u00f3s o outro em r\u00e1pidas sucess\u00f5es. Vit\u00e9lio foi levado de um canil de Roma totalmente b\u00eabado, arrastado pelas ruas e vergonhosamente morto. Vespasiano, no ano 69 foi proclamado imperador universal e restaurou a ordem e a prosperidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tito, seu filho, que dez anos depois se tornaria imperador, altamente reconhecido por sua gentileza e filantropia <a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> assumiu a lideran\u00e7a da guerra contra os judeus, e se tornou um instrumento nas m\u00e3os de Deus para destruir a cidade santa e o templo. Seu ex\u00e9rcito tinha nada menos que oitenta mil soldados bem treinados, e se acampou no Monte Scopo ao lado do Monte das Oliveiras, tendo diante de si um panorama da cidade e do templo, que eram magn\u00edficos olhando-se daquele ponto. O vale do Cedrom separava o ex\u00e9rcito de Roma e a cidade de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em abril do ano 70 d. C., imediatamente depois da P\u00e1scoa, quando a cidade de Jerusal\u00e9m estava repleta de peregrinos o cerco come\u00e7ou. Os zelotes rejeitaram quaisquer tentativas de acordo feitas por Tito e n\u00e3o deram ouvidos as s\u00faplicas de Josefo, que acompanhava Tito como int\u00e9rprete e mediador, e eles ignoravam cada pessoa que falasse com eles em entregar as armas. Os zelotes fizeram investidas pelo vale do Cedrom e pelo sop\u00e9 do monte infligindo grandes perdas entre as fileiras romanas. Quanto maior as dificuldades, mais coragem os zelotes ganhavam. A crucifica\u00e7\u00e3o de centenas de prisioneiros (cerca de quinhentos por dia), apenas os encorajavam mais \u00e0 batalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fome tomou conta da cidade e milhares morriam de fome todos os dias, a ponto de uma mulher assar no forno seu pr\u00f3prio filho.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> O choro das m\u00e3es e dos beb\u00eas, com toda a mis\u00e9ria que os cercava, n\u00e3o fazia os zelotes desistirem. N\u00e3o existe registro hist\u00f3rico de t\u00e3o obstinada resist\u00eancia diante de t\u00e3o grande desespero e bravura sabendo da morte iminente. Os judeus lutavam n\u00e3o apenas para obter liberdade civil, vida, e dominar sua pr\u00f3pria terra, mas por aquilo que se constitu\u00eda na gl\u00f3ria e orgulho nacional, e que dava sentido \u00e0 sua hist\u00f3ria \u2013 sua religi\u00e3o, que mesmo diante desse estado ca\u00f3tico degenerativo infundia neles um poder de resist\u00eancia quase sobre-humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A destrui\u00e7\u00e3o da cidade e do templo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, no m\u00eas de Julho a fortaleza de Antonia foi invadida durante a noite pegando os judeus de surpresa. Esta conquista aplainou o caminho para a destrui\u00e7\u00e3o do templo onde a trag\u00e9dia ocorreu. Os sacrif\u00edcios di\u00e1rios cessaram no dia 17 de julho, porque todos os judeus foram convocados para defender o local. O \u00faltimo e mais sangrento sacrif\u00edcio no altar dos sacrif\u00edcios foi a morte de milhares de judeus que para l\u00e1 acorreram. Conforme o historiador Josefo, Tito queria preservar aquela imponente obra de arquitetura, como trof\u00e9u de sua vit\u00f3ria, e talvez por ser supersticioso e medroso. Quando as chamas amea\u00e7avam alcan\u00e7ar o Santo dos Santos, Tito passou pelo meio do fogo e da fuma\u00e7a, passando por cima de corpos mortos e vivos para apagar o fogo. <a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>Mas, a destrui\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava determinada por um decreto superior. Seus pr\u00f3prios soldados estavam enfurecidos pela resist\u00eancia judaica e ambicionavam pegar o ouro do templo, por isso, n\u00e3o puderam ser impedidos em sua f\u00faria por destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiramente as salas anexas ao templo foram incendiadas. Ent\u00e3o, surgiu um inc\u00eandio na Porta Formosa (Porta de Ouro). Quando as chamas se ergueram, os judeus gritaram em grande lamenta\u00e7\u00e3o tentando apagar o fogo, agarrando-se na esperan\u00e7a messi\u00e2nica, confiando na declara\u00e7\u00e3o de um falso profeta que afirmara que no meio da conflagra\u00e7\u00e3o do templo, surgiria um sinal de liberta\u00e7\u00e3o do povo de Deus. As legi\u00f5es disputavam uns com os outros quem alimentaria ainda mais as chamas e o povo sentiu a for\u00e7a de sua ira agora extravasada. Logo, toda aquela estrutura prodigiosa estava ardendo em fogo iluminando os c\u00e9us da cidade. O templo foi incendiado em dez de agosto do ano 70 d. C. no mesmo dia, em que a tradi\u00e7\u00e3o judaica diz que o primeiro templo foi destru\u00eddo por Nabucodonosor. \u00a0Josefo escreveu: \u201cNingu\u00e9m tem ideia do que aconteceu em toda parte ao vir o templo em chamas. Os gritos de vit\u00f3ria e o j\u00fabilo dos soldados abafaram a lamenta\u00e7\u00e3o do povo, agora, cercados por fogo e pela espada por toda a montanha e pela cidade. Dizem que os gritos podiam ser ouvidos na distante Per\u00e9ia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a mis\u00e9ria era mais terr\u00edvel que a desordem. O monte onde o templo estava edificado ardia em fogo, e at\u00e9 as estruturas do subsolo queimavam. O sangue derramado superava as chamas, e os que foram mortos superaram em n\u00famero aqueles que os matavam. O ch\u00e3o onde fora constru\u00eddo o templo podia ser visto coberto de cad\u00e1veres, enquanto os soldados perseguiam os fugitivos. Os romanos levantaram suas \u00e1guias na parte oriental do templo sobre o esqueleto que sobrara e queimaram oferendas aos seus deuses proclamando Tito como Imperador com muita alegria e j\u00fabilo. E assim cumpriu-se a profecia a respeito da desola\u00e7\u00e3o no lugar santo.\u00a0 <a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jerusal\u00e9m foi totalmente destru\u00edda. Somente tr\u00eas torres do pal\u00e1cio de Herodes \u2013 Hipico (ainda em p\u00e9) Fasael e Mariamne \u2013 juntamente com uma parte do muro ocidental foram deixados como monumentos da for\u00e7a da cidade conquistada. Aquela que era o centro da teocracia judaica e o ber\u00e7o da igreja crist\u00e3 foi destru\u00edda. Dizem que at\u00e9 mesmo Tito, um pag\u00e3o, declarou que Deus, por uma provid\u00eancia especial ajudou os romanos e expulsou os judeus para longe daquela fortaleza impenetr\u00e1vel. <a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fl\u00e1vio Josefo que viu a guerra do in\u00edcio ao fim, primeiramente como governador da Galileia e general do ex\u00e9rcito judaico e depois prisioneiro de Vespasiano at\u00e9 se tornar companheiro de Tito agindo como mediador entre os romanos e os judeus reconheceu neste tr\u00e1gico evento um ju\u00edzo divino, e admitiu aos seus degenerados patr\u00edcios, a quem antes estava ligado: \u201cN\u00e3o hesito em afirmar o que me traz tanta dor: Creio que, se os romanos se demorassem em punir esses vil\u00f5es, a cidade seria engolida pela terra ou desapareceria por um dil\u00favio ou ainda como Sodoma, consumida com fogo do c\u00e9u. Sim, porque a gera\u00e7\u00e3o que vivia ali era mais in\u00edqua do que aquelas que os antecederam no passado. Por sua obstina\u00e7\u00e3o toda a na\u00e7\u00e3o se tornou em ru\u00ednas\u201d. <a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, portanto, foi preciso que um dos melhores imperadores romanos executasse as amea\u00e7as do ju\u00edzo de Deus, a ponto dos s\u00e1bios judeus descreverem, mesmo sem muito conhecimento b\u00edblico, que se tratava do cumprimento da profecia da divina miss\u00e3o de Jesus Cristo, cuja rejei\u00e7\u00e3o trouxe todo este infort\u00fanio sobre aquela ra\u00e7a ap\u00f3stata. A destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m seria um tema valioso para algum crist\u00e3o, pois foi chamado de \u201ca luta mais sangrenta de toda hist\u00f3ria antiga\u201d. <a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a> Mas agora n\u00e3o havia um Jeremias para entoar can\u00e7\u00f5es de lamenta\u00e7\u00f5es sobre a cidade de Davi e de Salom\u00e3o. O livro de Apocalipse, por certo, j\u00e1 deveria ter sido escrito e predisse que os pag\u00e3os \u201cpisar\u00e3o a cidade santa por quarenta e dois meses\u201d. <a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um artista dos tempos modernos, Kaulbach, pintou este tema numa das grandes obras que est\u00e1 no museu de Berlim. Mostra o templo queimando e na parte da frente o sumo sacerdote suicidando-se com sua espada no peito; ao seu redor, cenas de pessoas se lamentando e sofrendo. Logo acima, os profetas antigos mostrando os or\u00e1culos que anunciavam este cumprimento. Logo abaixo, Tito, juntamente com o ex\u00e9rcito romano aparece como o executor da ordem divina. Mais embaixo, \u00e0 esquerda, Assuero, a figura do judeu andarilho da lenda medieval, fugindo da f\u00faria diante da morte iminente. Logo \u00e0 direita, um grupo de crist\u00e3os partindo em paz da cena da destrui\u00e7\u00e3o, e os filhos de Israel suplicando-lhes por prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O destino dos sobreviventes e o triunfo de Roma.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um cerco de cinco meses toda a cidade estava nas m\u00e3os dos vitoriosos. O n\u00famero de judeus mortos durante o cerco, incluindo aqueles que vieram do campo e se refugiaram na cidade, \u00e9 exageradamente apresentado por Josefo como sendo de um milh\u00e3o e cem mil pessoas. Onze mil pessoas morreram de fome depois do cerco. Noventa e sete mil judeus foram levados a cativeiro e vendidos como escravos ou enviados para trabalhar nas minas ou ent\u00e3o foram sacrificados nos shows das guerras de gladiadores em Cesareia, Berito, Antioquia e outras cidades. Os homens mais musculosos, fortes e bonitos foram selecionados para desfilarem como cativos na cidade de Roma, e entre os chefes defensores e l\u00edderes da revolta estavam Simon\u00a0 Bar-Giora e Jo\u00e3o de Giscala. <a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vespasiano e Tito celebraram juntamente a vit\u00f3ria, no ano 71. N\u00e3o foram poupados gastos para a festa. Coroado com laur\u00e9is e vestido de roupas carmesins os dois conquistadores andaram vagarosamente em carruagens separadas at\u00e9 o templo do capit\u00f3lio de J\u00fapiter saudados pelos gritos do povo e da aristocracia romana. Marchavam precedidos dos soldados vestidos elegantemente e atr\u00e1s deles setecentos cativos judeus. As imagens dos deuses e a mob\u00edlia sagrada do templo \u2013 a mesa dos p\u00e3es da proposi\u00e7\u00e3o, o candelabro de sete l\u00e2mpadas, as trombetas que anunciavam o ano do jubileu, os incens\u00e1rios e os rolos sagrados da lei \u2013 foram apresentados na prociss\u00e3o e depositados no rec\u00e9m constru\u00eddo templo da Paz \u2013 exce\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei e a cortina cor p\u00farpura do santu\u00e1rio que Vespasiano reservou para o seu pal\u00e1cio. <a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simon Bar-Giora foi lan\u00e7ado no despenhadeiro da Rocha Tarpeiana; Jo\u00e3o de Giscala foi condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua. Moedas foram cunhadas com a frase <em>Judaea capta, Judaea devicta. <\/em>Mas, nem Vespasiano ou Tito usaram o ep\u00edteto vitorioso <em>Judaeus; <\/em>eles desprezavam aqueles que perderam sua terra natal. Josefo viu o espet\u00e1culo pomposo da humilha\u00e7\u00e3o e da crucifica\u00e7\u00e3o de sua na\u00e7\u00e3o e descreveu o espet\u00e1culo sem derramar uma l\u00e1grima. <a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a> Os crist\u00e3os ao olharem para aquela representa\u00e7\u00e3o do templo e os cativos judeus passando pelo arco triunfal de Tito, que ainda est\u00e1 entre o Coliseu e o Foro ficaram pasmados diante do cumprimento da profecia divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conquista da Palestina resultou na destrui\u00e7\u00e3o da comunidade judaica. Vespasiano se apossou da terra como propriedade particular ou a distribuiu entre seus veteranos de guerra. O povo, depois de cinco anos de guerra ficou reduzido \u00e0 escravid\u00e3o e extrema pobreza, deixado sem um magistrado, sem governo, sem templo e sem pa\u00eds. A renova\u00e7\u00e3o da revolta sob o falso Messias Bar-Cocheba piorou as coisas trazendo mais destrui\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m e devasta\u00e7\u00e3o da Palestina pelo ex\u00e9rcito de Adriano (132-135).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, os judeus ainda tinham a lei e os profetas e a tradi\u00e7\u00e3o sagrada nas quais se apegaram com tenacidade indestrut\u00edvel at\u00e9 o dia de hoje, mantendo acesa a esperan\u00e7a de um futuro glorioso. Espalhados pelas na\u00e7\u00f5es da terra, recusando-se a misturar seu sangue com qualquer outra ra\u00e7a, habitando em comunidades diferentes, marcados como povo peculiar por seu estilo de vida em cada rito religioso. Pacientes, s\u00f3brios e criativos, pr\u00f3speros apesar da opress\u00e3o, ridicularizados e com medo, roubados e mesmo assim ricos, massacrados, mas ressuscitando novamente, conseguiram sobreviver \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o por s\u00e9culos e viver\u00e3o ainda nos s\u00e9culos vindouros. Os judeus s\u00e3o alvos da preocupa\u00e7\u00e3o mundial \u2013 uma maravilha para o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Efeitos da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m sobre a igreja crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m, lembrando-se da advert\u00eancia do Senhor abandonaram a cidade destinada ao ju\u00edzo e fugiram para a cidade de Pela em Dec\u00e1polis, do outro lado do Jord\u00e3o, no norte da Per\u00e9ia, onde o rei Herodes Agripa II perante o qual Paulo se apresentou lhes ofereceu asilo. Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o afirma que uma voz divina ou um anjo revelou aos seus l\u00edderes que deveriam fugir. <a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a> Ali no meio de um povo gentio, a igreja da circuncis\u00e3o foi reedificada. Infelizmente pouco se sabe de sua hist\u00f3ria e estes nunca mais recuperaram sua antiga import\u00e2ncia. Quando Jerusal\u00e9m foi reedificada como uma cidade crist\u00e3, seu bispo foi elevado \u00e0 dignidade de um dos quatro patriarcas do Oriente, mas foi um patriarcado de honra, n\u00e3o de poder, e sucumbiram pela mera sombra da invas\u00e3o maometana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terr\u00edvel cat\u00e1strofe da destrui\u00e7\u00e3o da teocracia judaica deve ter produzido uma profunda sensa\u00e7\u00e3o entre os crist\u00e3os, mas, hoje n\u00e3o se tem ideia do que teria isso significado para eles. <a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a> N\u00e3o resta d\u00favida que para os judeus foi uma grande calamidade, mas que trouxe grandes benef\u00edcios ao cristianismo. N\u00e3o somente deu grande impulso \u00e0 f\u00e9, mas foi um divisor de \u00e1guas na rela\u00e7\u00e3o entre os dois grupos religiosos, pois os separou para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Obviamente que Paulo j\u00e1 fizera esta separa\u00e7\u00e3o indireta entre o cristianismo universal e seu sistema de doutrinas. Mas, exteriormente ele sempre permitiu alguma acomoda\u00e7\u00e3o com o juda\u00edsmo, e mais de uma vez visitou o templo de Jerusal\u00e9m. Ele n\u00e3o queria que pensassem ser ele um revolucion\u00e1rio, nem antecipar o curso natural da hist\u00f3ria, deixando tudo nas m\u00e3os da Provid\u00eancia. <a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a> Mas, agora, a ruptura foi feita definitivamente pela a\u00e7\u00e3o tempestuosa da onipot\u00eancia divina. Deus mesmo destruiu a casa, onde at\u00e9 a \u00e9poca morara, a mesma casa em que Jesus ensinou e onde os ap\u00f3stolos haviam orado. Ele rejeitou seu povo peculiar devido a sua obstina\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o ao Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus destruiu a f\u00e1brica da teocracia mosaica, cujo sistema de adora\u00e7\u00e3o, por sua pr\u00f3pria natureza estava associado exclusivamente com o primeiro tabern\u00e1culo e mais tarde com o templo. Procedendo assim Deus cortou as amarras que prendiam a igreja \u00e0 economia judaica da velha alian\u00e7a tendo Jerusal\u00e9m como seu centro. A partir da\u00ed, os pag\u00e3os n\u00e3o poderiam mais associar os crist\u00e3os ao juda\u00edsmo, e sim trat\u00e1-los como uma nova religi\u00e3o, tamb\u00e9m peculiar. A destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, portanto, marca aquela crise moment\u00e2nea na qual a igreja crist\u00e3 como um todo se desprendeu totalmente da cris\u00e1lida do juda\u00edsmo, amadureceu e se mostrou independente em autoridade e governo diante do mundo. <a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta ruptura do juda\u00edsmo e seu formato religioso, contudo, n\u00e3o a separou da revela\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito do Antigo Testamento. A Igreja, agora, se tornou participante da heran\u00e7a de Israel. Os crist\u00e3os pareciam judeus genu\u00ednos, filhos espirituais de Abra\u00e3o que, seguindo a lei corrente dos judeus e da religi\u00e3o mosaica, encontraram a Jesus que era o cumprimento da lei e dos profetas, o fruto perfeito da velha alian\u00e7a e o germe vivo de uma nova. O come\u00e7o e o princ\u00edpio de uma nova cria\u00e7\u00e3o moral. Esta foi a obra de Jo\u00e3o, o ap\u00f3stolo da completude.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>T. Material extra\u00eddo do cap\u00edtulo VI Tomo I de Church History de Philip Schaff (pp. 206-240).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, voc\u00ea tem permiss\u00e3o para usar desde que citando o nome do tradutor: Jo\u00e3o A. de Souza filho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lange sobre os Romanos, p. 29. \u201cEnquanto a luz e as trevas do juda\u00edsmo estava centralizada em Jerusal\u00e9m, a cidade teocr\u00e1tica de Deus (a cidade santa, a assassina dos profetas), assim era a Roma pag\u00e3, a metr\u00f3pole humanit\u00e1ria do mundo, o centro de todos os elementos de luz e trevas prevalecente no mundo pag\u00e3o. E assim, a Roma crist\u00e3 se tornou o centro de todos os elementos vitais da luz e toda as trevas anticrist\u00e3s da igreja crist\u00e3. Ent\u00e3o, Roma, como Jerusal\u00e9m, n\u00e3o apenas possui um sentido hist\u00f3rico significante, mas \u00e9 o retrato universal da opera\u00e7\u00e3o de todas as eras. Os crist\u00e3os de Roma, especialmente, se p\u00f5em como luz para as na\u00e7\u00f5es, o qual se parece a um \u00eddolo de for\u00e7a e magia \u00e0queles que se submetem \u00e0s suas leis\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>\u00a0<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Em e Ts 2.6-7 temos o retrato do imp\u00e9rio romano em que o imperador era seu supremo representante. Esta interpreta\u00e7\u00e3o vem da era patr\u00edstica (dos pais apost\u00f3licos) e alguns comentaristas modernos agora reconsideram esta interpreta\u00e7\u00e3o. As seitas medievais e muitos escritores protestantes achavam que a grande apostasia era o papado e o impedimento da chegada da apostasia no imp\u00e9rio germ\u00e2nico. Enquanto os comentaristas, por vingan\u00e7a diziam que a apostasia era a Reforma protestante e o fator impeditivo da chegada da apostasia era o papado. Eu creio numa repeti\u00e7\u00e3o do crescente cumprimento desta e de outras profecias com base hist\u00f3rica na era apost\u00f3lica e do velho imp\u00e9rio romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Est\u00e1 bem representado em Apocalipse 13-18 depois da persegui\u00e7\u00e3o de Nero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Compare o quadro hist\u00f3rico de Renan sobre Nero. Ele cr\u00ea que n\u00e3o existe exemplo paralelo para este monstro e o chama de <em>un esprit prodigieusement d\u00e9clamatoire, une mauvaise nature, hypocrite, l\u00e9g\u00e8re, vaniteuse; un compos\u00e9 incroyable d\u2019intelligence fausse, de m\u00e9chancet\u00e9 profonde, d\u2019\u00e9go\u00efsme atroce et sournois, avee des raffinements inou\u00efs de subtilit\u00e9<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Tacito (<em>Ann<\/em>. XV. 41) fornece como data <em>quarto decimo <\/em>[<em>ante<\/em>] <em>Kalendas Sextiles <\/em>&#8230; <em>quo et Senones captam urbem inflammaverant<\/em>. A data coincidia com a mesma em que G\u00e1lio incendiou Roma (Julho 19, ano 364 ou 453 anos antes), e era considerada um mau agouro. Ocorreu no d\u00e9cimo ano do reinado de Nero, i.\u00e9, a.D. 64 Eus\u00e9bio em sua Cr\u00f4nica de maneira errada aponta o ano do inc\u00eandio como o ano 66.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> As arquibancadas do anfiteatro eram do comprimento de oito est\u00e1dios, com acomoda\u00e7\u00e3o para 150.000 mil pessoas.\u00a0 Nero o reconstruiu para abrigar 250.000 e sob o governo de Vespasiano a capacidade foi aumentada para sentar 385.000 pessoas. O teatro era cercado por pr\u00e9dios de Madeira que abrigavam lojas (alguns judeus tinham lojas ali), astr\u00f3logos, prostitutas e toda sorte de divertimento. Nero era extravagante gastando muito para divertir o povo com <em>Panem et Circenses, <\/em>cf. palavras de Juvenal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> &#8220;<em>Per sex dies septemque noctes<\/em>,&#8221; Suet\u00f4nio. <em>Nero<\/em>, 38 <em>sex dies<\/em>,&#8221;Tacit. <em>Ann<\/em>. XV. 4<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> A dura\u00e7\u00e3o de nove dias foi comprovada numa inscri\u00e7\u00e3o (Gruter, 61.3). O inc\u00eandio de Londres em 1666 durou apenas quarto dias e varreu uma area de 436 hectares. O inc\u00eandio de Chicago durou apenas trinta e seis horas, nos dias 8 e 9 de outubro de 1871, mas varreu quase toda a cidade (2.114 hectares), e destruiu 17.450 pr\u00e9dios e as casas de 98.500 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> T\u00e1cito XV. 39: &#8220;<em>Pervaserat rumor ipso tempore flagrantis urbis inisse eum domesticam scenam et cecinisse Troianum excedium<\/em>.&#8221; Suet\u00f4nio. c. 38: &#8220;<em>Quasi offensus deformitate veterum aedificiorum et angustiis flexurisque vicorum <\/em>[<em>Nero<\/em>]<em>incendit Urbem <\/em>&#8230; <em>Hoc incendium e turre Maecenatiana prospectans, laetusque <\/em>\u2019<em>flammae<\/em>,\u2019<em>ut ajebat, \u2019pulchritudine,<\/em>\u2019<em>Ilii in illo suo scaenico habitu decantavit.<\/em>&#8221; Ladr\u00f5es e rufi\u00f5es foram vistos espalhando labaredas pelos pr\u00e9dios, e quando presos afirmaram que obedeciam ordens. Pl\u00ednio, o Velho, Xiphilinus, e o autor da trag\u00e9dia Ot\u00e1via, tamb\u00e9m acusaram Nero de incendi\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> N\u00e3o se sabe a data certa do massacre dos crist\u00e3os, Mosheim fixou a data em Novembro, Renan em Agosto do ano 64. V\u00e1rias semanas ou at\u00e9 meses devem ter passado desde o inc\u00eandio da cidade. Se a data da crucifica\u00e7\u00e3o de Pedro estiver correta deveria haver um intervalo de um ano desde a conflagra\u00e7\u00e3o que teria sido em 19 de julho do ano 64 e o mart\u00edrio de Pedro no dia 29 de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> \u201c<em>Crucibus affixi,<\/em>\u201d, diz T\u00e1cito. Isto poderia ser aplic\u00e1vel a Pedro, a quem o Senhor havia profetizado o tipo de morte (Jo 21.18-19). Tertuliano diz: \u201c<em>Romae Petrus passioni Dominicae adaequatur\u201d <\/em>(<em>De Praescript. Haeret., <\/em>c. 36; compare <em>Adv. Marc<\/em>., IV. 5<em>; Scorpiace, <\/em>15). Conforme uma antiga tradi\u00e7\u00e3o, a seu pedido, Pedro foi crucificado de cabe\u00e7a para baixo, porque n\u00e3o era digno de morrer como foi o seu Senhor. Tal fato \u00e9 primeiramente mencionado na <em>Acta Pauli<\/em>, c. 81, por Or\u00edgenes (<em>in<\/em> Eus\u00e9bio. <em>H. E., <\/em>III. 1) e de maneira mais clara por Jer\u00f4nimo (<em>Catal. <\/em>1); mas, existem d\u00favidas se este tipo de crueldade era praticado ocasionalmente, ainda que tais crueldades eram, geralmente praticadas. (Veja Josefo, <em>Bell. Jud., <\/em>V. 11, 1). A tradi\u00e7\u00e3o diz que a esposa de Pedro tamb\u00e9m foi martirizada, que foi incentivada pelo ap\u00f3stolo enquanto seguia para o lugar de sua execu\u00e7\u00e3o. Pedro a exortava a que se lembrasse do Senhor na cruz. Clemente de Alexandria, <em>Strom<\/em>. VII. 11, citado por Eus\u00e9bio, <em>H. E., <\/em>III. 30. A execu\u00e7\u00e3o de Paulo por decapita\u00e7\u00e3o indicava que fazia parte do processo legal e regular ou \u00e9 mais prov\u00e1vel que, pelo menos um ano depois, a persegui\u00e7\u00e3o de Nero era t\u00e3o severa que nem mesmo os cidad\u00e3os romanos eram poupados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> \u00c9 o que escreveu Gibbon (ch. XVI.), e mais recentemente Merivale, <em>l.c<\/em>. ch. 54 (vol. VI. 220, 4a. ed.), e Schiller, <em>l.c., <\/em>pp. 434, 585, seguidos por Hausrath e Stahr. Merivale e Schiller creem que a persegui\u00e7\u00e3o foi dirigida aos judeus e aos crist\u00e3os indiscriminadamente. Guizot, Milman, Neander, Gieseler, Renan, Lightfoot, Wieseler, e Keim defendem ou creem como verdadeiro o que escreveram T\u00e1cito e Suet\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <em>Antologia <\/em>XX. 8, 2, 3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o de Ewald. VI. 627, e de Renan, <em>L\u2019Antechist<\/em>, pp. 159 ss. Renan ingenuamente\u00a0 conjectura de que os judeus por \u201cinveja\u201d a Clemente de Roma (<em>Ad Cor. <\/em>6) tra\u00e7am a persegui\u00e7\u00e3o a essa divis\u00e3o entre os judeus e os crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Orosio (cerca do ano 400), <em>Hist., <\/em>VII. 7: &#8220;<em>Primus Romae Christianos suppliciis et mortibus adferit <\/em>[<em>Nero<\/em>],<em>ac per omnes provincias pari persecutione excruciari imperavit.<\/em>&#8221; Tamb\u00e9m Sulp\u00edcio Severo, <em>Chron. <\/em>II. 29. Dodwell (<em>Dissert. Cypr. XI., De Paucitate martyrum<\/em>, Gibbon, Milman, Merivale, e Schiller (p. 438) negam este fato, mas, Ewald (VI. 627, em seu <em>Coment\u00e1rio no Apocalipse<\/em>) e \u00a0Renan (p. 183) decididamente afirmam que a persegui\u00e7\u00e3o se estendeu \u00e0s Prov\u00edncias do imp\u00e9rio.\u00a0 &#8220;<em>L\u2019atrocit\u00e9 command\u00e9e par N\u00e9ron,<\/em>&#8221; diz Renan, &#8220;<em>dut avor des contre-coups dans les provinces et y exciter une recrudescence de pers\u00e9cution.<\/em>&#8221; C. L. Roth (<em>Werke des Tacitus, <\/em>VI. 117) e Wieseler (<em>Christenverfolgungen der C\u00e4saren, <\/em>p. 11) assume que Nero condenou e proibiu o cristianismo como perigoso para o Estado. Kiessling e De Rossi encontraram uma inscri\u00e7\u00e3o em Pomp\u00e9ia que fala da persegui\u00e7\u00e3o sangrenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Veja Ap 2.9, 10, 13; 16.6; 17.6; 18.24.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> 1 Pe 2.12, 19, 20; 3.14-18; 4.12-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> \u201cOs pesquisadores\u201d, afirma Gibbon (Cap\u00edtulo XVI), \u201cque possuem um olho nas revolu\u00e7\u00f5es da humanidade podem observar que os jardins e circos de Nero no Vaticano, polu\u00eddos com o sangue dos primeiros crist\u00e3os, foram contemplados pelo triunfo e abuso da religi\u00e3o perseguida. No mesmo ponto, um templo foi erigido pelos crist\u00e3os que sobrepuja as gl\u00f3rias antigas da capital, que, por si mesmo proclama o dom\u00ednio de um simples pescador da Galileia, estabelecendo leis aos b\u00e1rbaros romanos e estendendo sua jurisdi\u00e7\u00e3o espiritual da costa do mar B\u00e1ltico ao Oceano Pac\u00edfico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Tertuliano menciona essa conex\u00e3o com a crucifix\u00e3o de Pedro e a decapita\u00e7\u00e3o de Paulo como ocorrendo no mesmo per\u00edodo. <em>De Praescript. Haer., <\/em>c.36: &#8220;<em>Ista quam felix ecclesia <\/em>(a igreja de Roma) <em>cui totam doctrinam apostoli sanguine suo profuderunt, ubi Petrus passioni Dominicae adaequatur, ubi Paulus Joannis <\/em>exitu coronatur, ubi Apostolus Joannes, posteaquam in oleum igneum demersus nihil passus est, in insulam relegatur.&#8221; Compare com Jer\u00f4nimo, <em>Adv<\/em>. <em>Jovin., <\/em>1, 26, e em <em>Mat <\/em>22.23; e Euseb\u00e9io, Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica, VI.5., <em>H. E., <\/em>VI. 5. Renan (p 196) conjectura que Jo\u00e3o estava destinado a iluminar os jardins de Nero, e j\u00e1 estava coberto de \u00f3leo na estaca, mas que teria sido salvo por um acidente ou capricho. Thiersch (<em>Die Kirche im Apost. Zeitalter, <\/em>p. 227, terceira edi\u00e7\u00e3o, 1879) tamb\u00e9m aceita a tradi\u00e7\u00e3o de Tertuliano, mas afirma que ocorreu ali uma liberta\u00e7\u00e3o sobrenatural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Ap 11.7; 13.1; 17.1, 3, 5. Compare com a descri\u00e7\u00e3o feita por Daniel da quarta besta (romana) &#8220;terr\u00edvel, espantoso e sobremodo forte\u201d, com os \u201cdez chifres\u201d\u00a0 (Dn 7.7 e ss.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Ap 17.6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Ap 18.2. Compare tamb\u00e9m Ap 6.9-11.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Confessaram o qu\u00ea? Possivelmente que eram crist\u00e3os, que eram tidos pelo imp\u00e9rio como um tipo de crime. Se eles se declararam culpados pelo inc\u00eandio, devem ter sido fracos e ne\u00f3fitos que n\u00e3o aguentavam a dor da tortura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Esta express\u00e3o deve ser entendida como inimigos da humanidade que \u00e9 a maneira como T\u00e1cito acusa os judeus nos mesmos termos. (<em>Adversus omnes alios hostile odium,<\/em><em>Hist. <\/em>V. 5). E se cumpre a Escritura de \u201cSereis odiados de todos por causa do meu nome\u201d (Veja Mt 10.22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> \u00a0Josu\u00e9, <em>B. Jud<\/em>., VI. 5, 3 ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> As pessoas o chamavam de <em>Amor et Deliciae generis humani<\/em>. Ele nasceu no dia 30 de dezembro do ano 40 d. C. e morreu no dia 13 de setembro do ano 81. Subiu ao trono em 79, no mesmo ano em que as cidades de Herculano e Pomp\u00e9ia foram destru\u00eddas. Seu reino foi marcado por muitas calamidades, entre as quais a conflagra\u00e7\u00e3o em Roma que durou tr\u00eas dias, e uma praga que deixou milhares de v\u00edtimas. Fez o poss\u00edvel para reparar os danos, e costumava dizer quando nada acontecia naquele dia, &#8220;<em>Amici<\/em>, <em>diem perdidi.<\/em>&#8221; Veja Suetonio, <em>Titus<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Josefo\u00a0 VI. 3, 4, fornece um registro complete desses epis\u00f3dios terr\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Josefo n\u00e3o \u00e9 muito consistente neste ponto. Primeiramente afirmou que Tito percebendo que a preserva\u00e7\u00e3o do templo colocaria em risco a vida de seus soldados, ordenou que os port\u00f5es da cidade fossem incendiados. (VI. 4, 1) e, ent\u00e3o, no dia seguinte deu ordens para que apagassem o fogo. (\u00a7 3, 6, e 37). Sulp\u00edcio Severo (II. 30) culpou Tito pela destrui\u00e7\u00e3o, que achou que fazendo assim poria fim a religi\u00e3o judaica e ao cristianismo. Este ponto de vista \u00e9 defendido por Stange, <em>De Titi imperatoris vita<\/em>, P. I., 1870, pp. 39-43, e posto em d\u00favidas por Sch\u00fcrer, l.c. p. 346. Renan (511 ss.), seguido por Bernays, <em>Ueber die Chronik des Sulpicius Sev<\/em>., 1861, p. 48, que cr\u00ea que Sulpicio escreveu usando uma parte da \u00a0<em>Histories de<\/em> T\u00e1cito, e que Tito n\u00e3o teria dado ordens proibindo que o templo fosse incendiado, e sim, que o deixou \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte, quem sabe por algum motivo. Veja tamb\u00e9m Thiersch, p. 224.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Daniel 9.27; Mateus 24.15; c\/ Lucas 21.20; Josefo <em>B. Jud<\/em>., VI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> <em>B. Jud<\/em>., VI. 9, 1. Dizem que Tito aprovou esta declara\u00e7\u00e3o (Jos. <em>Vita<\/em>, 65).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> <em>B. Jud<\/em>., V. 13, 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Merivale, <em>l.c<\/em>., p. 445.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Apocalipse 11.2; c\/ com Lucas 21.24. Em Daniel 7.25; 9.27; 12.7, a dura\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o sobre o povo judeu \u00e9 dada como tr\u00eas anos e meio (= 42 meses).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> \u00a0<em>B Jud<\/em>. VI. 9, 2-4. Milman (II. 388) faz uma somat\u00f3ria das declara\u00e7\u00f5es dispersas de Josefo e chega \u00e0 cifra de mortos, desde o come\u00e7o at\u00e9 o fim da guerra a 1.356.460, e o n\u00famero total de prisioneiros de 101.700.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> O Templo da Paz mais tarde foi incendiado por Comodus e n\u00e3o se sabe o que aconteceu com os objetos que foram para l\u00e1 levados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> <em>B. Jud<\/em>., VII. 5, 5-7. Josefo foi ricamente recompensado por sua trai\u00e7\u00e3o ao povo judeu. Vespasiano deu-lhe uma casa em Roma, uma pens\u00e3o anual, a cidadania romana e grandes possess\u00f5es na Jud\u00e9ia. Tito e Domiciano continuaram a favorec\u00ea-lo. No entanto, seus compatriotas amaldi\u00e7oaram sua mem\u00f3ria. Jost e outros historiadores judeus falam muito bem dele. O rei Agripa, o \u00faltimo dos soberanos indumeus viveu e morreu como humilde vassalo de Roma at\u00e9 o terceiro ano de Trajano, ao redor do ano 100. Sua irm\u00e3 Berenice, uma pervertida sexual por pouco escapou do destino de uma segunda Cle\u00f3patra. O conquistador Tito foi conquistado por seu charme e sensualidade, e queria elev\u00e1-la ao trono do imp\u00e9rio, mas a insatisfa\u00e7\u00e3o do povo o for\u00e7ou a desistir da ideia. &#8220;<em>invitus invitam.&#8221;<\/em> Suet\u00f4nio, <em>Tit. <\/em>7. C\/ com Sch\u00fcrer, <em>l .c<\/em>. 321, 322.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> \u00a0Citado por Eus\u00e9bio, <em>H. E., <\/em>III. 5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> Men\u00e7\u00e3o deste fato pode ser vista na ep\u00edstola de Barnab\u00e9, cap\u00edtulo 16.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Compare 1 Co 7.18 ss.; At 21.26 ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> O Dr. Richard Rothe <em>(Die Anf\u00e4nge der Christl. <\/em><em>Kirche, <\/em>p. 341 ss.). Thiersch (p. 225), Ewald (VII. 26), Renan <em>(L\u2019Antechr., <\/em>p. 545), e Lightfoot (<em>Gal<\/em>., p. 301) atribuem este mesmo sentido quanto a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Church History \u2013 Philip Schaff<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o A. de Souza Filho<\/p>\n<p>fonte:\u00a0https:\/\/querigmavirtual.blogspot.com.br\/2015\/08\/church-history-philip-schaff-traducaode.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conflagra\u00e7\u00e3o romana e a persegui\u00e7\u00e3o sob o imp\u00e9rio de Nero. A grande tribula\u00e7\u00e3o (Mt 24.21). \u201cEnt\u00e3o, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2020,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[62],"class_list":["post-2019","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-joao-a-de-souza-filho","tag-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2019\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}