{"id":2194,"date":"2017-12-18T23:59:43","date_gmt":"2017-12-19T01:59:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=2194"},"modified":"2017-12-19T00:01:32","modified_gmt":"2017-12-19T02:01:32","slug":"os-deveres-do-esposo-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=2194","title":{"rendered":"Os deveres do esposo (Parte 1)"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Exposi\u00e7\u00e3o sobre Ef\u00e9sios 5.25-33<\/strong><\/em><\/p>\n<div class=\"dropcap adelle\">\n<p>Nas considera\u00e7\u00f5es feitas sobre esta exposi\u00e7\u00e3o, vimos que h\u00e1 dois temas principais. Um \u00e9 o tema sobre o relacionamento entre o Senhor Jesus Cristo e a Igreja, e o outro \u00e9 sobre o relacionamento entre o marido e a esposa. O ensino do ap\u00f3stolo \u00e9 que s\u00f3 poderemos compreender verdadeiramente a rela\u00e7\u00e3o de marido e mulher quando compreendermos a grandiosa doutrina de Cristo e a Igreja.<!--more--><\/p>\n<p>Por isso estivemos considerando primeiro a doutrina de Cristo e a Igreja, e, tendo feito isso, agora estamos em condi\u00e7\u00f5es de come\u00e7ar a aplica\u00e7\u00e3o disso, particularmente ao marido, embora, como veem, o ap\u00f3stolo tenha o cuidado de, no fim (vers\u00edculo 33), consider\u00e1-la tamb\u00e9m segundo o aspecto e o ponto de vista da esposa. A aplica\u00e7\u00e3o da doutrina \u00e9 introduzida pelas express\u00f5es \u201cassim\u201d e \u201ccomo\u201d. \u201cV\u00f3s, maridos, amai vossas mulheres, <em>como<\/em> tamb\u00e9m\u201d \u2013 e depois, no fim, \u201c<em>Assim<\/em> tamb\u00e9m v\u00f3s, cada um em particular, ame a sua pr\u00f3pria mulher <em>como<\/em> a si mesmo\u201d. Noutras palavras, ele est\u00e1 desenvolvendo a compara\u00e7\u00e3o que nos desvendara, da rela\u00e7\u00e3o de Cristo com a Igreja em termos da rela\u00e7\u00e3o do marido com a esposa.<\/p>\n<\/div>\n<p>Como chegamos, pois, \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o, parece-me que a melhor maneira de trat\u00e1-la \u00e9 dividi-la em duas partes. A primeira \u00e9 a por\u00e7\u00e3o na qual s\u00e3o ensinados certos princ\u00edpios concernentes aos maridos e suas mulheres. Depois, tendo firmado os princ\u00edpios gerais, podemos marchar para a segunda, que consiste da aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica detalhada dos princ\u00edpios \u00e0 situa\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n<p>Os princ\u00edpios gerais, como os vejo, s\u00e3o os seguintes: primeiro, devemos dar-nos conta, quanto ao casamento, como na verdade com tudo mais na vida crist\u00e3, de que o segredo do sucesso est\u00e1 em pensar e entender. Isso certamente est\u00e1 evidente na superf\u00edcie da passagem. Nada acontece automaticamente na vida crist\u00e3. Esse \u00e9 um princ\u00edpio deveras profundo, pois acredito que, na maioria, os nossos problemas surgem do fato de que tendemos a pressupor que eles acontecem automaticamente. Insistimos em agarrar-nos a uma ideia semi-m\u00e1gica da regenera\u00e7\u00e3o que ensina que, em vista do que aconteceu conosco, o restante da est\u00f3ria \u00e9 simplesmente este: \u201cE viveram felizes para sempre\u201d. \u00c9 claro, no entanto, que sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 verdade. H\u00e1 problemas na vida crist\u00e3; e uma vez que tanta gente n\u00e3o entende que isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa que se d\u00e1 automaticamente, metem-se em problemas e dificuldades. Obviamente, o ant\u00eddoto contra isso \u00e9 pensar, \u00e9 ter compreens\u00e3o, \u00e9 raciocinar exaustivamente sobre a quest\u00e3o. O mundo n\u00e3o faz isso. Em \u00faltima an\u00e1lise, o problema que h\u00e1 com o mundo, segundo o ensino da B\u00edblia, \u00e9 que ele n\u00e3o pensa. Se as pessoas t\u00e3o somente pensassem, muitos dos seus problemas seriam resolvidos.<\/p>\n<p>Tomem o problema da guerra, por exemplo. A guerra \u00e9 uma coisa inerentemente rid\u00edcula; \u00e9 insana. Ent\u00e3o, por que guerreiam? A resposta \u00e9: porque n\u00e3o pensam. Agem instintivamente, deixam-se governar por instintos primitivos, como a cobi\u00e7a, a avareza, a ira etc., e atacam antes de pensar. Se t\u00e3o somente parassem para pensar, n\u00e3o haveria mais guerra. A fal\u00e1cia do humanista \u00e9, por certo, que ele cr\u00ea que tudo quanto resta fazer \u00e9 dizer aos homens que pensem. Mas, desde que s\u00e3o pecadores, n\u00e3o pensar\u00e3o. Estas for\u00e7as elementais s\u00e3o t\u00e3o mais fortes que as for\u00e7as racionais, que \u201co homem em pecado\u201d \u00e9 sempre irracional.<\/p>\n<p>Havendo-nos tornado crist\u00e3os, continuamos precisando observar este mesmo princ\u00edpio. Mesmo o crist\u00e3o n\u00e3o pensa automaticamente; ele precisa ser ensinado a pensar \u2013 da\u00ed estas ep\u00edstolas do Novo Testamento. Por que foram escritas? Se o homem, ao tornar-se crist\u00e3o, pensa automaticamente a coisa certa, por que o ap\u00f3stolo escreveu estas ep\u00edstolas? Ou, se voc\u00ea pode receber a sua santifica\u00e7\u00e3o como um ato, como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, por que estas ep\u00edstolas foram escritas? A\u00ed est\u00e3o elas, repletas de arrazoados, de argumentos, de demonstra\u00e7\u00f5es, de analogias e compara\u00e7\u00f5es. Por que? Para ensinar-nos a pensar, para ensinar-nos a resolver as coisas e a obter entendimento.<\/p>\n<p>Pensar \u00e9 essencial, como o demonstra o ap\u00f3stolo, em conex\u00e3o com todo este assunto sobre o casamento. O mundo v\u00ea o casamento da seguinte maneira: principia mais ou menos tomando certas coisas importantes como l\u00edquidas e certas. Apoia-se no que denomina \u201camor\u201d, apoia-se nos sentimentos. Duas pessoas dizem que \u201cse apaixonaram\u201d mutuamente, e, \u00e0 vista disso, casam-se. N\u00e3o se det\u00eam para pensar e questionar, exceto excepcionalmente. S\u00e3o motivadas, animadas e levadas pela sensa\u00e7\u00e3o de que tudo est\u00e1 fadado a ir bem, que com certeza a sua felicidade ser\u00e1 duradoura e nunca poder\u00e1 falhar. Tudo isso \u00e9 fomentado pela literatura popular, pelos filmes exibidos nos cinemas e pela televis\u00e3o em casa. Mas depois voc\u00ea l\u00ea os jornais e suas reportagens, e v\u00ea que falha. Por que? Eis a resposta: porque nunca pensaram bastante na quest\u00e3o; e, portanto, seu casamento n\u00e3o pode resistir \u00e0s provas, press\u00f5es e tens\u00f5es que inevitavelmente sobrev\u00eam na vida do dia a dia, com a sua rotina enfadonha, o seu cansa\u00e7o f\u00edsico e muitas outras coisas que causam dificuldades. E desde que essas pessoas nunca pensaram no assunto suficientemente, n\u00e3o t\u00eam nada a que recorrer. Agiram baseados num sentimento, num impulso; agiram emocionalmente. A mente quase n\u00e3o entrou nisso, dando como resultado que quando se veem confrontadas por dificuldades, n\u00e3o t\u00eam argumentos a que recorrer. N\u00e3o sabem o que fazer; parece-lhes que tudo se foi; e assim, entram em p\u00e2nico e imediatamente iniciam um processo de div\u00f3rcio; e muitos repetem esse modo de proceder v\u00e1rias vezes. A causa do problema est\u00e1 na aus\u00eancia de compreens\u00e3o, na falta de aplica\u00e7\u00e3o do pensamento.<\/p>\n<p>Quando se considera a posi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, v\u00ea-se que a principal diferen\u00e7a \u00e9 esta: o crist\u00e3o \u00e9 exortado a pensar e a compreender, e recebe uma base sobre a qual poder\u00e1 faz\u00ea-lo. Esse \u00e9 o sentido e o prop\u00f3sito deste ensino que nos \u00e9 dado; assim, ficaremos sem desculpa se o negligenciarmos. O mundo n\u00e3o tem esse ensino, mas n\u00f3s n\u00e3o nos achamos mais nessa situa\u00e7\u00e3o. Portanto, a primeira coisa que este par\u00e1grafo nos lembra \u00e9 que precisamos pensar. At\u00e9 se nos diz como faz\u00ea-lo, e isso \u00e9 posto diante de n\u00f3s com pormenores. Esse \u00e9 o primeiro princ\u00edpio.<\/p>\n<p>O segundo princ\u00edpio \u00e9 que, como crist\u00e3os, a nossa concep\u00e7\u00e3o do casamento deve ser positiva. O perigo est\u00e1 em pensarmos que o casamento entre crist\u00e3os \u00e9 essencialmente id\u00eantico ao de todos os demais, sendo a \u00fanica diferen\u00e7a que, num caso, os nubentes s\u00e3o crist\u00e3os, e no outro caso n\u00e3o. Pois bem, se continua sendo esse o nosso conceito do casamento, ent\u00e3o nosso estudo deste importante par\u00e1grafo foi inteiramente em v\u00e3o. O casamento crist\u00e3o, o conceito crist\u00e3o do casamento \u00e9 essencialmente diferente de todos os outros conceitos. Seguramente \u00e9 isto que vai emergindo \u00e0 medida que abrimos caminho atrav\u00e9s deste par\u00e1grafo.<\/p>\n<div class=\"pullquote-wrapper right\">\n<div class=\"pullquote adelle\">Obtemos aqui um conceito do casamento que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel dentro da f\u00e9 crist\u00e3; chega ele \u00e0 elevada posi\u00e7\u00e3o ocupada pela rela\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre o Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Assim, a atitude do crist\u00e3o para com o casamento \u00e9 sempre positiva, e ele h\u00e1 de estar sempre se esfor\u00e7ando em busca deste ideal. O conceito crist\u00e3o n\u00e3o deve ser negativo no sentido de que, visto que certos novos fatores vieram a fazer parte dele, este casamento deve durar, ao passo que o casamento n\u00e3o crist\u00e3o provavelmente n\u00e3o durar\u00e1. Isso \u00e9 puramente negativo. N\u00e3o deve ser que meramente evitamos certas coisas pr\u00f3prias dos outros; temos que ter esta concep\u00e7\u00e3o ideal, positiva do casamento. \u00c9 uma coisa em que devemos pensar sempre em termos da rela\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre o Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Devemos aprender a provar-nos a n\u00f3s mesmos constantemente com as seguintes perguntas: a minha vida matrimonial corresponde de fato \u00e0quela rela\u00e7\u00e3o? Manifesta a referida rela\u00e7\u00e3o? Est\u00e1 sendo governada por ela? Noutras palavras, na posi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o paramos de pensar nessas coisas depois de alguns meses de casados. Continuamos pensando, e pensamos cada vez mais, e quanto mais crist\u00e3os nos tornamos e mais crescemos na gra\u00e7a, tanto mais pensamos no casamento, e mais interessados ficamos em que o casamento se amolde ao padr\u00e3o celestial, a este glorioso ideal da rela\u00e7\u00e3o entre o Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Isso \u00e9 algo dif\u00edcil de expressar com palavras. O que estou tentando comunicar \u00e9 que a grande diferen\u00e7a entre o casamento de crist\u00e3os e o de n\u00e3o crist\u00e3os h\u00e1 de ser que, no caso dos crist\u00e3os, o casamento se torna progressivamente mais maravilhoso, mais glorioso, \u00e0 medida que se vai amoldando ao ideal e o vai alcan\u00e7ando cada vez mais. Certamente todos n\u00f3s vemos a significa\u00e7\u00e3o disso quando o aplicamos \u00e0quilo que \u00e9 t\u00e3o comum acontecer com o casamento, n\u00e3o somente entre os n\u00e3o crist\u00e3os, e sim tamb\u00e9m, lastimavelmente, entre os crist\u00e3os! A concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do casamento \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o que continua a crescer, a desenvolver-se e a ampliar-se.<\/div>\n<\/div>\n<p>Meu terceiro e \u00faltimo princ\u00edpio geral decorre da exposi\u00e7\u00e3o toda \u2013 isto \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise a verdadeira causa do fracasso no casamento \u00e9 sempre o ego e suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es. Naturalmente, essa \u00e9 a causa de problemas em toda parte e em todas as esferas. O ego e o ego\u00edsmo s\u00e3o as maiores for\u00e7as destruidores do mundo. Todos os grandes problemas que o mundo defronta, quer vejamos a mat\u00e9ria do ponto de vista das na\u00e7\u00f5es e dos estadistas, quer do ponto de vista das condi\u00e7\u00f5es industriais e sociais, quer de qualquer outro ponto de vista \u2013 todos estes problemas por fim retornam ao ego, a \u201cmeus direitos\u201d, a \u201co que eu quero\u201d, e a \u201cquem \u00e9 ele?\u201d ou \u201cquem \u00e9 ela?\u201d. O ego, com as suas horrendas manifesta\u00e7\u00f5es, sempre leva a algum problema porque, se dois \u201cegos\u201d entram em oposi\u00e7\u00e3o, estar\u00e3o fadados a um conflito. O ego sempre quer tudo para si. Isso \u00e9 certo quanto ao meu ego, mas \u00e9 igualmente certo quanto ao seu ego. De imediato haver\u00e1 dois poderes aut\u00f4nomos, cada qual oriundo do ego, e o conflito ser\u00e1 inevit\u00e1vel. Tais conflitos ocorrem em todos os n\u00edveis, desde um casal at\u00e9 grandes comunidades, imp\u00e9rios e na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ensino do ap\u00f3stolo nos vers\u00edculos em estudo visa mostrar-nos como evitar as calamidades resultantes do ego. Por isso caprichei para salientar o vers\u00edculo 21 antes de come\u00e7ar a considerar a quest\u00e3o do casamento. Ele \u00e9 a chave do par\u00e1grafo inteiro \u2013 \u201cSujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus\u201d. Esse \u00e9 o princ\u00edpio b\u00e1sico, e deve ser pr\u00f3prio de todos os membros da Igreja crist\u00e3. Casados ou n\u00e3o, todos devemos sujeitar-nos uns aos outros no temor de Deus. Depois o ap\u00f3stolo prossegue e aplica o princ\u00edpio ao caso particular do homem e da mulher, do marido e sua esposa, e ele o faz com tanta simplicidade e clareza que certamente ningu\u00e9m poder\u00e1 enganar-se. Que \u00e9 essencial sobre o casamento? Diz ele que \u00e9 esta unidade \u2013 esta dupla, estes dois passaram a ser uma s\u00f3 carne. Da\u00ed, temos que parar de pensar neles como dois; tornaram-se um. Portanto, toda e qualquer tend\u00eancia de afirmar o ego, logo entra em conflito com a concep\u00e7\u00e3o fundamental do casamento. No casamento, diz o ap\u00f3stolo, deveria ser inimagin\u00e1vel o surgimento de tal conflito, porquanto pensar neste dois como dois \u00e9 negar o princ\u00edpio b\u00e1sico do casamento, segundo o qual eles s\u00e3o um. \u201cE ser\u00e3o dois numa carne.\u201d A esposa \u00e9 \u201co corpo\u201d do marido, como a Igreja \u00e9 o corpo de Cristo \u2013 e assim por diante. Assim, temos aqui, acima de tudo mais, a den\u00fancia final do ego e todas as suas horr\u00edveis manifesta\u00e7\u00f5es; e o texto nos mostra a \u00fanica maneira pela qual podemos ficar definitivamente livres dele.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os tr\u00eas principais princ\u00edpios que, no casamento, est\u00e3o subjacentes \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da doutrina da rela\u00e7\u00e3o existente entre o Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Ora, o marido deve ser governado por estes princ\u00edpios. Como isto funciona na pr\u00e1tica? Primeiramente, o marido deve compreender que a sua esposa \u00e9 uma parte dele. Ele n\u00e3o se aperceber\u00e1 disto instintivamente; ter\u00e1 que ser ensinado; e a B\u00edblia o ensina em todas as suas partes. Noutras palavras, o marido deve entender que ele e sua mulher n\u00e3o s\u00e3o dois: s\u00e3o um. O ap\u00f3stolo fica repetindo isso: \u201cAssim devem os maridos amar a suas pr\u00f3prias mulheres, como a seus pr\u00f3prios corpos.\u201d \u201cQuem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo\u201d; \u201ce ser\u00e3o dois numa carne.\u201d \u201cPorque somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos.\u201d Isso tudo \u00e9 certo quanto \u00e0 nossa rela\u00e7\u00e3o com o Senhor, e tamb\u00e9m \u00e9 certo quanto a esta outra rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"pullquote-wrapper left\"><\/div>\n<p>Desejo, pois, express\u00e1-lo deste modo \u2013 que n\u00e3o nos ser\u00e1 suficiente considerar nossas esposas como companheiras. S\u00e3o companheiras, mas s\u00e3o mais que isso. Dois homens podem ser companheiros de neg\u00f3cio, por\u00e9m a analogia n\u00e3o \u00e9 essa. A analogia supera isso. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de companheirismo, embora inclua essa ideia. H\u00e1 outra frase frequentemente usada \u2013 pelo menos era comum \u2013 que coloca isso muit\u00edssimo melhor e que me parece ser uma afirma\u00e7\u00e3o inconsciente do ensino crist\u00e3o. \u00c9 a express\u00e3o empregada por homens ao se referirem a suas esposa dizendo, \u201cminha melhor metade\u201d. Ora, isso est\u00e1 exatamente correto. Ela n\u00e3o \u00e9 uma companheira, \u00e9 a outra metade do homem. \u201cE ser\u00e3o dois numa carne\u201d. \u201cMinha melhor metade.\u201d A pr\u00f3pria palavra \u201cmetade\u201d exprime toda a argumenta\u00e7\u00e3o que o ap\u00f3stolo elabora aqui. N\u00e3o estamos lidando com duas unidades, duas entidades, e sim das duas metades de um ser \u2013 \u201cE ser\u00e3o dois numa carne\u201d. Portanto, \u00e0 luz disso, o marido n\u00e3o deve pensar mais no sentido singular e individual. Isso tem de ser completamente imposs\u00edvel no casamento, diz o ap\u00f3stolo, porque, \u201cQuem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo\u201d. Em certo sentido ele n\u00e3o est\u00e1 amando uma outra pessoa; est\u00e1 amando a si mesmo. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a que o casamento faz.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel pr\u00e1tico, portanto, o pensamento do marido deve incluir sua esposa tamb\u00e9m. Nunca dever\u00e1 ele pensar em si isolada ou separadamente. No momento em que fizer isso romper\u00e1 o princ\u00edpio mais fundamental do casamento. Toda gente v\u00ea isso quando sucede no n\u00edvel f\u00edsico, por\u00e9m o dano real \u00e9 feito antes disso, nos n\u00edveis intelectual e espiritual. Num sentido, no momento em que um homem pensa em si isoladamente, j\u00e1 rompeu o casamento. Ele n\u00e3o tem direito de fazer isso! H\u00e1 um sentido em que ele n\u00e3o pode faz\u00ea-lo, porque a esposa \u00e9 uma parte dele. Contudo, se isso acontecer, certamente ele infligir\u00e1 grave dano \u00e0 sua esposa; e ser\u00e1 um dano em que ele mesmo estar\u00e1 envolvido, porque ela \u00e9 parte dele. Portanto, ele estar\u00e1 agindo contra si pr\u00f3prio \u2013 oxal\u00e1 percebesse isso! Por conseguinte, o seu pensamento nunca dever\u00e1 ser pessoal no sentido de ser individualista. Ele \u00e9 somente a metade, e o que ele faz envolve necessariamente a outra metade. A mesma coisa aplica-se aos seus desejos. Jamais dever\u00e1 ter ele algum desejo s\u00f3 para si. Ele n\u00e3o \u00e9 mais um s\u00f3 ser isolado, n\u00e3o \u00e9 mais um ser livre, nesse sentido; sua esposa est\u00e1 envolvida em todos os seus desejos. Compete-lhe, pois, ver que esteja sempre plenamente desperto para estas considera\u00e7\u00f5es. Noutras palavras, ele nunca dever\u00e1 pensar em sua esposa como um acr\u00e9scimo. Menos ainda \u2013 lamento ter que usar esta express\u00e3o \u2013 como um obst\u00e1culo; mas h\u00e1 muitos que fazem isso.<\/p>\n<p>Resumindo, isto constitui um grande mandamento aos homens casados, que nunca sejam ego\u00edstas. Tampouco a mulher deve ser ego\u00edsta, \u00e9 claro. Tudo se aplica ao outro lado, mas aqui estamos tratando particularmente dos maridos. J\u00e1 vimos que a mulher deve sujeitar-se. Ao faz\u00ea-lo, ela age com base no mesmo princ\u00edpio; agora este \u00e9 o lado do marido, nesta quest\u00e3o. Portanto, ele sempre deve lembrar-se deliberadamente daquilo que vale para ele no estado matrimonial e que deve governar e dominar todo o seu pensar, todo o seu querer, todo o seu desejar, na verdade a totalidade da sua vida e das suas atividades.<\/p>\n<p>Podemos, no entanto, ir adiante e expressar isto mais vigorosamente. O vers\u00edculo 28 termina com as palavras: \u201cQuem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo\u201d; mas nos lembramos de que o ap\u00f3stolo, ao descrever a rela\u00e7\u00e3o entre o Senhor e a Igreja, utilizou a analogia do corpo. \u201cAssim\u201d, diz ele mais, no mesmo vers\u00edculo, \u201cAssim devem os maridos amar a suas pr\u00f3prias mulheres, como a seus pr\u00f3prios corpos\u201d. Depois ele o desenvolve no vers\u00edculo 29: \u201cPorque nunca ningu\u00e9m aborreceu a sua pr\u00f3pria carne; antes a alimenta e sustenta, como tamb\u00e9m o Senhor \u00e0 igreja\u201d. A\u00ed, ent\u00e3o, est\u00e1 o ensino \u2013 que n\u00e3o somente devemos estar cientes de que o marido e a esposa s\u00e3o um, mas tamb\u00e9m o marido deve levar em conta que a esposa \u00e9 de fato uma parte dele, segundo a analogia do corpo. A atitude de um homem para com a sua esposa, diz o ap\u00f3stolo, deve ser, por assim dizer, a sua atitude para com o seu corpo. Essa \u00e9 a analogia \u2013 e \u00e9 mais que analogia. J\u00e1 consideramos o assunto como \u00e9 ensinada no fim do cap\u00edtulo 2 de G\u00eanesis. A mulher foi tirada originariamente do homem. Temos ali a prova do fato de que ela \u00e9 uma parte do homem, e isso descreve a caracter\u00edstica da unidade. Ao homem se diz, pois, isto: \u201cAssim devem os maridos amar a suas pr\u00f3prias mulheres, como a seus pr\u00f3prios corpos\u201d. Pois bem, a pequenina palavra \u201ccomo\u201d \u00e9 muito importante e vital, porque facilmente poderemos entend\u00ea-la mal. Paulo n\u00e3o diz: \u201cAssim devem os maridos amar a suas pr\u00f3prias mulheres da mesma maneira como amam a seus pr\u00f3prios corpos\u201d. O sentido n\u00e3o \u00e9 esse. O sentido \u00e9: \u201cAssim devem os maridos amar a suas pr\u00f3prias mulheres porque elas s\u00e3o os seus pr\u00f3prios corpos\u201d. O homem ama sua mulher como seu corpo \u2013 \u00e9 isso que o ap\u00f3stolo est\u00e1 dizendo. N\u00e3o \u00e9 \u201ccomo\u201d ele ama seu corpo assim deve amar sua esposa. N\u00e3o! O homem deve amar sua esposa como (sendo) seu corpo, como uma parte dele. Assim como Eva era uma parte de Ad\u00e3o, tirada do seu lado, assim \u00e9 a esposa para o homem, porque \u00e9 parte dele.<\/p>\n<p>Estou dando \u00eanfase a isto pelo motivo que o ap\u00f3stolo exp\u00f5e claramente, a saber, para mostrar que existe este elemento de indissolubilidade quanto ao casamento, indissolubilidade que, conforme entendo o ensino b\u00edblico, s\u00f3 pode ser desfeita pelo adult\u00e9rio. Todavia, o que nos interessa dizer agora \u00e9 que o ap\u00f3stolo faz esta coloca\u00e7\u00e3o a fim de que o marido veja que n\u00e3o pode desligar-se da sua esposa. Voc\u00ea n\u00e3o pode desligar-se do seu corpo; assim, voc\u00ea n\u00e3o pode desligar-se da sua esposa. Ela faz parte de voc\u00ea, diz o ap\u00f3stolo; portanto, lembre-se disso sempre. Voc\u00ea n\u00e3o pode viver isolado, n\u00e3o pode viver separado. Se compreender isso, n\u00e3o correr\u00e1 o risco de pensar em separa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o correr\u00e1 o risco de anelar, querer, desejar a separa\u00e7\u00e3o. Menos ainda poder\u00e1 haver algum antagonismo ou \u00f3dio. Observem como ele se expressa: \u201cNunca ningu\u00e9m\u201d, diz ele para ridicularizar a coisa, \u201cnunca ningu\u00e9m aborreceu a sua pr\u00f3pria carne; antes a alimenta e sustenta, como tamb\u00e9m o Senhor \u00e0 igreja\u201d. Assim, todo e qualquer elemento de \u00f3dio entre marido e mulher \u00e9 pura loucura; mostra que o homem ignora totalmente o que significa o casamento. \u201cNunca ningu\u00e9m aborreceu a sua pr\u00f3pria carne\u201d \u2013 mas a sua esposa \u00e9 a sua pr\u00f3pria carne, e o seu corpo; portanto, ele deve amar sua esposa como seu pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> D. M. Lloyd Jones, <em>Vida no Esp\u00edrito: no casamento, no lar e no trabalho. Exposi\u00e7\u00e3o de Ef\u00e9sios 5:18 a 6:9<\/em>. Editora PES. P\u00e1gs. 165-175.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exposi\u00e7\u00e3o sobre Ef\u00e9sios 5.25-33 Nas considera\u00e7\u00f5es feitas sobre esta exposi\u00e7\u00e3o, vimos que h\u00e1 dois temas principais. 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