{"id":222,"date":"2006-12-12T16:50:15","date_gmt":"2006-12-12T18:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=222"},"modified":"2010-12-16T17:06:57","modified_gmt":"2010-12-16T19:06:57","slug":"a-dadiva-do-sofrimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=222","title":{"rendered":"A D\u00e1diva do Sofrimento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando Jesus interrogou dois disc\u00edpulos desiludidos depois da sua morte, deu-lhes a entender que o sofrimento fazia parte integral da sua experi\u00eancia. N\u00e3o era necess\u00e1rio que o Cristo padecesse e entrasse na sua gl\u00f3ria (Lc 24:26)? Eles n\u00e3o podiam compreender como tal morte ignominiosa pudesse ser compat\u00edvel com a gl\u00f3ria de Cristo. Jesus ent\u00e3o mostrou-lhes atrav\u00e9s de todas as Escrituras como era necess\u00e1rio que ele sofresse antes de entrar na sua gl\u00f3ria. Gets\u00eamani, G\u00e1bata, e G\u00f3lgota (Jo 18:1; 19:13,17) eram passos necess\u00e1rios para chegar \u00e0 gl\u00f3ria. Gets\u00eamani era o jardim em que Jesus agonizava em ora\u00e7\u00e3o, e onde no fim encurvou-se \u00e0 vontade do seu Pai, apesar de quase morrer naquele local. G\u00e1bata era o pavimento onde ele foi injustamente julgado por Pilatos, e a\u00e7oitado ao mesmo tempo que era rejeitado pela multid\u00e3o. G\u00f3lgota era o lugar onde suportou a cruz, dando a sua vida e morrendo como espet\u00e1culo diante do c\u00e9u e da terra. Jesus chamou os disc\u00edpulos desiludidos de n\u00e9scios por serem tardos para crer no que os profetas disseram, e prosseguiu explicando-lhes a necessidade do seu sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor aos Hebreus nos afirma que Jesus aprendeu a obedi\u00eancia atrav\u00e9s do sofrimento; e tendo sido aperfei\u00e7oado, tornou-se a fonte de eterna salva\u00e7\u00e3o a todos aqueles que s\u00e3o obedientes (Hb 5:8,9). Ele foi tentado nos seus sofrimentos e por causa destas experi\u00eancias \u00e9 capaz de socorrer todos aqueles que s\u00e3o tentados (Hb 2:18). Um resultado pr\u00e1tico do sofrimento na vida de Jesus foi fazer dele um fiel sumo sacerdote que acabou por vencer toda tenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro falou mais sobre o sofrimento do que qualquer outro autor na B\u00edblia e referiu-se tamb\u00e9m \u00e0 necessidade do sofrimento e aos resultados que o acompanham. Em alguma \u00e9poca da nossa vida, o sofrimento ser\u00e1 necess\u00e1rio para que o Senhor alcance os objetivos que deseja para n\u00f3s. N\u00e3o h\u00e1 nada que ofenda mais ao &#8220;velho homem&#8221; do que sofrimento injusto. Traz \u00e0 tona qualquer resqu\u00edcio de auto-preserva\u00e7\u00e3o e egocentrismo que ainda permanece em n\u00f3s. O sofrimento revela atitudes e rea\u00e7\u00f5es erradas. Se nos arrependermos da velha natureza e expressarmos a nova, cresceremos e seremos aben\u00e7oadas. Se mantivermos a atitude correta durante o sofrimento, estaremos declarando nossa uni\u00e3o com Jesus e o esp\u00edrito da gl\u00f3ria de Deus repousar\u00e1 sobre n\u00f3s (1 Pe 4:14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente \u00e9 melhor sofrer por fazer o que \u00e9 certo do que sofrer por fazer o errado (1 Pe 4:15,16). \u00c0 vontade e o prop\u00f3sito de Deus incluem o sofrimento por causa dos resultados que este produz em n\u00f3s. N\u00e3o vem apenas como resultado das nossas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, mas como um meio de aperfei\u00e7oar-nos, mesmo quando estamos fazendo o que \u00e9 certo. As experi\u00eancias do cume da montanha s\u00e3o sempre bem-vindas, mas no cume da montanha n\u00e3o podemos semear nem colher. \u00c9 um lugar onde s\u00f3 se pode contemplar a vista \u00ad que \u00e9 muito agrad\u00e1vel, refrescante e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 no vale que se produz o fruto. Frequentemente o cume da montanha est\u00e1 acima das nuvens, mas os vales debaixo das nuvens recebem a chuva que traz a vida. Os rios correm pelos vales e l\u00e1 vicejam os pastos verdejantes. Assim tamb\u00e9m as experi\u00eancias nos vales s\u00e3o para n\u00f3s per\u00edodos em que desenvolvemos nossa salva\u00e7\u00e3o. O crescimento da nossa f\u00e9 est\u00e1 ligado diretamente aos nossas momentos de sofrimento, apuro e perseveran\u00e7a. Nossa paci\u00eancia \u00e9 aperfei\u00e7oada. Acumulamos experi\u00eancia que \u00e9 medida da nossa maturidade. O sofrimento frequentemente \u00e9 o instrumento que nos lan\u00e7a totalmente na depend\u00eancia de Deus. Quando a situa\u00e7\u00e3o exige algo al\u00e9m dos nossos recursos naturais, nossa \u00fanica sa\u00edda \u00e9 a provis\u00e3o sobrenatural do Senhor. Nossos impasses pessoais podem ser o meio que o Senhor usa para abrir um caminho diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00f3 \u00e9 o exemplo mais destacado de paci\u00eancia e confian\u00e7a adquiridas atrav\u00e9s da adversidade. Quando anunciaram-lhe a perda desastrosa da dos seus filhos e possess\u00f5es, ele prostrou-se e adorou a Deus. &#8220;O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor&#8221; (J\u00f3 1:21), foi a sua resposta. Quando a si mesmo, ele disse que mesmo que Deus o matasse, ainda confiaria nele (J\u00f3 13:15). Sem que J\u00f3 soubesse, Deus estava usando o seu testemunho contra Satan\u00e1s. Quando o sofrimento ocorre nas nossas vidas, podemos confiar que o Senhor o est\u00e1 usando para destruir o mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 somente quando apreciamos o fato que nosso amoroso Pai celestial est\u00e1 no controle do nosso sofrimento que podemos corresponder com confian\u00e7a e at\u00e9 mesmo com regozijo. Tiago nos exorta a considerar as diversas prova\u00e7\u00f5es que encontramos como motivo de alegria por causa daquilo que produzem (Tg 1:2-4). Finalmente, se perseverarmos, receberemos a coroa da vida (Tg 1:12). Paulo nos encoraja ao comparar nossos sofrimentos atuais com a gl\u00f3ria que ser\u00e1 revelada em n\u00f3s, e conclui que o sofrimento n\u00e3o \u00e9 digno de ser comparado com a gl\u00f3ria (Rm 8:17,18). Ele afirma que uma condi\u00e7\u00e3o para reinar com Cristo \u00e9 sofrer com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o dos sofrimentos de Cristo (Fp 3:10) significa que realmente compartilhamos das suas afli\u00e7\u00f5es, e de alguma forma misteriosa preenchemos o que resta das afli\u00e7\u00f5es de Cristo a favor do seu corpo, a igreja (Cl 1:24). Por causa dos resultados dos nossos relacionamentos podemos abra\u00e7ar nossas diversas, e at\u00e9 numerosas prova\u00e7\u00f5es com um profundo senso de gozo. Este gozo pode ser uma profunda consci\u00eancia de triunfo final mesmo quando o efeito imediato sobre n\u00f3s \u00e9 de tristeza e pesar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro efeito desenvolvido atrav\u00e9s do sofrimento \u00e9 uma mudan\u00e7a de valores. Aquilo que \u00e9 temporal perde sua influ\u00eancia dominante para o que \u00e9 eterno (2 Co 4:17,18). Atrav\u00e9s do sofrimento o anseio para estar ausente do corpo e presente com o Senhor se intensifica. Promove a obra da cruz em nossas vidas e aprofunda o desejo de ser crucificado para o mundo. Tornamo-nos desiludidos com as coisas deste mundo e aproximamo-nos mais da nossa esperan\u00e7a em Jesus. Encontramos uma consola\u00e7\u00e3o que satisfaz o profundo do nosso ser e que nos torna mais conscientes das coisas eternas do que das temporais. Atendemos mais prontamente \u00e0s coisas espirituais do que \u00e0s coisas carnais, e atrav\u00e9s de tudo isto descobrimos a express\u00e3o de Cristo sendo formada em nossa personalidade. No sofrimento, extra\u00edmos da sua vida em n\u00f3s a fim de dominar e substituir as velhas rea\u00e7\u00f5es naturais e descobrimos que o Cristo que estava em n\u00f3s apenas potencialmente agora tornou-se o Cristo em n\u00f3s em realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que nunca seremos tentados al\u00e9m daquilo que podemos suportar (1 Co 10:13). Nossa dificuldade surge quando somos empurrados para novas \u00e1reas. Nessas ocasi\u00f5es pensamos que estamos sendo levados para al\u00e9m daquilo que suportamos, mas na verdade \u00e9 apenas al\u00e9m daquilo que j\u00e1 conhecemos, para uma nova \u00e1rea de experi\u00eancia. A suficiente gra\u00e7a de Deus sempre estava l\u00e1 para ser abundante para conosco. Por estas razoes podemos conhecer a realidade do regozijo na tribula\u00e7\u00e3o, e podemos considerar motivo de toda alegria quando tivermos de enfrentar diversas prova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se deixarmos de julgar e ajustar devidamente as nossas vidas, seremos castigados pelo Senhor, para n\u00e3o sermos julgados com o mundo (1 Co 11:31,32). Mesmo que venha na forma de fraqueza, doen\u00e7a ou morte, \u00e9 melhor receber disciplina nesta vida do que na vindoura. O salmista escreve que antes de ser afligido, ele se extraviava; e foi bom para ele ter passado pela afli\u00e7\u00e3o, pois sabia que pela fidelidade do Senhor \u00e9 que ele foi afligido (Sl 119:67,71).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este tipo de sofrimento \u00e9 causado por n\u00f3s mesmos, pois de alguma forma temos nos desviado de andar em uni\u00e3o com Cristo. Deus nos ama demais para deixar de nos castigar, pois ele n\u00e3o nos quer perder eternamente. Embora talvez possamos evitar um pouco de disciplina, n\u00e3o podemos passar totalmente sem castigo a n\u00e3o ser que j\u00e1 sejamos perfeitos e sempre fa\u00e7amos tudo com perfei\u00e7\u00e3o. Deus trata conosco como a filhos (Hb 12:7). Ele a\u00e7oita a cada filho que recebe, mas com infinito amor e cuidado. Se Jesus aprendeu obedi\u00eancia pelo que sofreu, voc\u00ea acha que n\u00f3s, que tantas vezes somos desobedientes, poderemos aprend\u00ea-lo sem sofrimento?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Jesus interrogou dois disc\u00edpulos desiludidos depois da sua morte, deu-lhes a entender que o sofrimento fazia parte integral da sua experi\u00eancia. 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