{"id":335,"date":"2007-03-13T12:32:04","date_gmt":"2007-03-13T14:32:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=335"},"modified":"2010-12-14T19:03:53","modified_gmt":"2010-12-14T21:03:53","slug":"e-abominacao-atribuir-forma-visivel-a-deus-os-que-se-apartam-do-deus-vivo-criam-idolos-para-si","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/?p=335","title":{"rendered":"\u00c9 abomina\u00e7\u00e3o atribuir forma vis\u00edvel a Deus &#8211; os que se apartam do Deus vivo criam \u00eddolos para si"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">1.\u00a0 Representar a Deus por meio de imagens \u00e9 corromper a sua  \t\t\t\tgl\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como as  \t\t\t\t\tEscrituras levam em cota o limitado e tacanho conhecimento  \t\t\t\t\thumano, costumam elas expressarem-se de modo acess\u00edvel \u00e0  \t\t\t\t\tmente popular, quando seu objetivo \u00e9 distinguir o Deus  \t\t\t\t\tverdadeiro dos deuses falsos. Elas contrastam o Deus  \t\t\t\t\tverdadeiro com os \u00eddolos, e, ao fazerem isso, n\u00e3o est\u00e3o  \t\t\t\t\taprovando o que de mais sutil e elegante os fil\u00f3sofos  \t\t\t\t\tensinaram, mas est\u00e3o, antes, desnudando a loucura do mundo  \t\t\t\t\tmais do que isso, a sua completa loucura, quando, ao buscar  \t\t\t\t\ta Deus, cada um, a todo tempo se apega \u00e0s suas pr\u00f3prias  \t\t\t\t\tespecula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa  \t\t\t\t\traz\u00e3o, a defini\u00e7\u00e3o que por toda parte se mostra a respeito  \t\t\t\t\tda unicidade de Deus reduz a nada tudo quanto os homens  \t\t\t\t\tinventaram para si no que diz respeito \u00e0 Divindade, pois  \t\t\t\t\tsomente o pr\u00f3prio Deus \u00e9 testemunha id\u00f4nea de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso,  \t\t\t\t\tpelo fato de esse embrutecimento degradante Ter-se apossado  \t\t\t\t\tdo mundo inteiro, de maneira que os homens procurassem  \t\t\t\t\trepresentar a Deus de forma vis\u00edvel forjando deuses de  \t\t\t\t\tmadeira, de pedra, de ouro, de prata ou de outro material  \t\t\t\t\tqualquer inanimado ou corrupt\u00edvel temos de nos apegar ao  \t\t\t\t\tseguinte princ\u00edpio: Todas as vezes que se atribui a Deus  \t\t\t\t\tqualquer forma de representa\u00e7\u00e3o, a Sua gl\u00f3ria \u00e9 corrompida  \t\t\t\t\tde \u00edmpio engano. Na Lei, depois de atribuir a Si mesmo a  \t\t\t\t\tgl\u00f3ria da Divindade, quando quer ensinar que tipo de  \t\t\t\t\tadora\u00e7\u00e3o aprova ou rejeita, Deus acrescenta imediatamente:  \t\t\t\t\tN\u00e3o far\u00e1s para ti imagens esculpidas, nem semelhan\u00e7a  \t\t\t\t\tqualquer (Ex 20.45), palavras com as quais nos pro\u00edbe o  \t\t\t\t\tdesenfreamento de tentar represent\u00e1-lo por meio de qualquer  \t\t\t\t\tfigura vis\u00edvel. E mostra, de maneira breve, todas as formas  \t\t\t\t\tpelas quais, desde h\u00e1 muito tempo, a supersti\u00e7\u00e3o dos homens  \t\t\t\t\tcome\u00e7ou a transformar a sua verdade em mentira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora,  \t\t\t\t\tsabemos que os persas adoravam o Sol e tamb\u00e9m sabemos que  \t\t\t\t\toutros povos estultos inventaram para si outros tantos  \t\t\t\t\tdeuses quantas s\u00e3o as estrelas nos c\u00e9us. Para os eg\u00edpcios  \t\t\t\t\tn\u00e3o houve nenhum animal que n\u00e3o representasse uma divindade.  \t\t\t\t\tJ\u00e1 os gregos, devemos reconhecer, parece, foram mais s\u00e1bios  \t\t\t\t\tdo que os demais povos, pois adoravam a Deus sob a forma  \t\t\t\t\thumana. Deus, por\u00e9m, n\u00e3o compara essas imagens entre si,  \t\t\t\t\tcomo se uma fosse mais apropriada do que outras; ao  \t\t\t\t\tcontr\u00e1rio, repudia a todas as ef\u00edgies esculpidas, sem  \t\t\t\t\texce\u00e7\u00e3o, incluindo pinturas e representa\u00e7\u00f5es por meio das  \t\t\t\t\tquais os supersticiosos imaginaram que Ele devia estar  \t\t\t\t\tperto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.\u00a0 Representar a Deus por meio de imagens \u00e9 contrariar o seu  \t\t\t\tser<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das  \t\t\t\t\traz\u00f5es que Deus acrescenta \u00e0s proibi\u00e7\u00f5es \u00e9 f\u00e1cil concluir o  \t\t\t\t\tseguinte: Primeiro, em Mois\u00e9s (Dt 4.15): Lembra-te do que o  \t\t\t\t\tSenhor te falou no vale de Horebe: Ouviste uma voz, n\u00e3o  \t\t\t\t\tviste corpo; guarda-te, portanto, a ti mesmo, para que n\u00e3o  \t\t\t\t\taconte\u00e7a que, porventura, enganado, fa\u00e7as para ti qualquer  \t\t\t\t\trepresenta\u00e7\u00e3o, etc. A\u00ed vemos como Deus op\u00f5e sua voz  \t\t\t\t\tabertamente a todas as representa\u00e7\u00f5es, a fim de sabermos que  \t\t\t\t\tos que buscam represent\u00e1-lo de forma vis\u00edvel afastam-se  \t\t\t\t\tDele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os  \t\t\t\t\tProfetas, ser\u00e1 suficiente citar s\u00f3 Isa\u00edas, que \u00e9 o mais  \t\t\t\t\tenf\u00e1tico ao demonstrar isso, pois ele ensina que a majestade  \t\t\t\t\tde Deus \u00e9 manchada de vil e absurda inven\u00e7\u00e3o, quando o  \t\t\t\t\tincorp\u00f3reo \u00e9 feito semelhante \u00e0 mat\u00e9ria corp\u00f3rea, quando o  \t\t\t\t\tinvis\u00edvel \u00e9 representado de forma vis\u00edvel ou quando o  \t\t\t\t\tesp\u00edrito \u00e9 feito semelhante \u00e0 coisa inanimada ou, ainda,  \t\t\t\t\tquando o imenso \u00e9 reduzido a um peda\u00e7o de madeira, de pedra  \t\t\t\t\tou de ouro (Is 40.18; 41.7,29; 45.9 e46.5). Paulo tamb\u00e9m  \t\t\t\t\traciocina de modo id\u00eantico: Visto que somos gera\u00e7\u00e3o de Deus,  \t\t\t\t\tn\u00e3o devemos pensar que o Divino \u00e9 semelhante ao ouro, e \u00e0  \t\t\t\t\tprata trabalhada pela arte ou inven\u00e7\u00e3o do homem (At. 17.29).  \t\t\t\t\tDisto fica claro que qualquer est\u00e1tua que se erige ou imagem  \t\t\t\t\tque se pinta para representar a Deus simplesmente o ofende,  \t\t\t\t\tcomo tamb\u00e9m afronta a sua majestade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o  \t\t\t\t\tdevemos nos admirar do fato de o Esp\u00edrito Santo, do c\u00e9u,  \t\t\t\t\tproclamar esses or\u00e1culos, pois Ele compele at\u00e9 mesmo os  \t\t\t\t\tcegos e id\u00f3latras da terra a fazerem essa confiss\u00e3o. A  \t\t\t\t\tqueixa de S\u00eaneca, que se l\u00ea em Agostinho, \u00e9 muito conhecida.  \t\t\t\t\tDiz ele: Dedicam os deuses sagrados, imortais e inviol\u00e1veis  \t\t\t\t\tem mat\u00e9ria mui vil e desprez\u00edvel, revestindo-os com a  \t\t\t\t\tapar\u00eancia de homem e de feras; algumas at\u00e9 os representam  \t\t\t\t\tcomo hermafroditas (= sexos misturados) e corpos diversos, e  \t\t\t\t\tos chamam de divindade, s\u00e3o figuras que, se recebessem vida,  \t\t\t\t\tseriam tidas por monstros, quando as v\u00edssemos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disto se  \t\t\t\t\tevidencia novamente, mui \u00e0s claras, que se ap\u00f3iam em in\u00fatil  \t\t\t\t\tsofisma os que defendem imagens, dizendo que elas foram  \t\t\t\t\tproibidas aos judeus, porque eles eram inclinados \u00e0  \t\t\t\t\tsupersti\u00e7\u00e3o. Como se pertencesse a um s\u00f3 povo aquilo que  \t\t\t\t\tDeus, na verdade, revela de sua eterna ess\u00eancia e da  \t\t\t\t\tcont\u00ednua ordem da natureza! E Paulo, quando impugnou o erro  \t\t\t\t\tem representar a Deus por meio de imagem, n\u00e3o estava falando  \t\t\t\t\taos judeus, mas aos atenienses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.\u00a0 As manifesta\u00e7\u00f5es e sinais que mostram a presen\u00e7a de Deus n\u00e3o  \t\t\t\tservem de base para as imagens<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato  \t\t\t\t\tde, vez por outra, Deus Ter mostrado a presen\u00e7a de sua  \t\t\t\t\tmajestade divina por meio de sinais definidos, os leva \u00e0  \t\t\t\t\tconclus\u00e3o de que se poderia dizer que Ele foi visto face a  \t\t\t\t\tface. Por\u00e9m, todos os sinais com que Deus se manifestou aos  \t\t\t\t\thomens ajustavam-se mui adequadamente ao seu m\u00e9todo de  \t\t\t\t\tensinar, ao mesmo tempo em que serviam de advert\u00eancia aos  \t\t\t\t\thomens, para dizer-lhes, explicitamente, que a sua ess\u00eancia  \t\t\t\t\tera incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, a  \t\t\t\t\tnuvem, a fuma\u00e7a e a chama se bem que fossem s\u00edmbolos da  \t\t\t\t\tgl\u00f3ria celeste (Dt 4.11), como um freio interposto, impediam  \t\t\t\t\tque as mentes de todos tentassem penetrar mais fundo (no  \t\t\t\t\tconhecimento de Deus). Por isso, nem mesmo a Mois\u00e9s, a quem  \t\t\t\t\tDeus, contudo, se manifestou mais intimamente do que aos  \t\t\t\t\toutros, conseguiu com suas s\u00faplicas contemplar a face de  \t\t\t\t\tDeus, mas recebeu como resposta que o homem n\u00e3o \u00e9 apto para  \t\t\t\t\treceber o impacto de t\u00e3o grande esplendor (Ex 33.20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  \t\t\t\t\tEsp\u00edrito Santo apareceu em forma de pomba (Mt 3.16; Mc 1.10;  \t\t\t\t\te Lc 3.22), mas pelo fato de Ter-se desvanecido rapidamente,  \t\t\t\t\tquem n\u00e3o percebe que, pelo s\u00edmbolo de apenas um momento, os  \t\t\t\t\tfi\u00e9is foram advertidos de que se deve crer no Esp\u00edrito como  \t\t\t\t\tum ser invis\u00edvel, de modo que, contentes com o seu poder e  \t\t\t\t\tgra\u00e7a, n\u00e3o evocassem para si nenhuma representa\u00e7\u00e3o externa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ter  \t\t\t\t\tDeus aparecido, de quando em quando, em forma de homem foi  \t\t\t\t\tna verdade antecipa\u00e7\u00e3o da futura manifesta\u00e7\u00e3o em Cristo. Por  \t\t\t\t\tisso, foi proibido aos judeus, de forma absoluta, abusarem  \t\t\t\t\tdesse pretexto, fazendo para si representa\u00e7\u00e3o da Divindade  \t\t\t\t\tsob figura humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio  \t\t\t\t\tpropiciat\u00f3rio, onde, sob a Lei, Deus manifestou a presen\u00e7a  \t\t\t\t\tdo seu poder, foi de tal modo constru\u00eddo, que indicava ser a  \t\t\t\t\tseguinte a mais excelente vis\u00e3o da Divindade: Ela ocorre  \t\t\t\t\tquando as mentes s\u00e3o alcan\u00e7adas acima de si mesmas, em  \t\t\t\t\tadmira\u00e7\u00e3o uma vez que os Querubins, de asas estendidas,  \t\t\t\t\tocultavam a Deus, o v\u00e9u o cobria e o pr\u00f3prio lugar, t\u00e3o  \t\t\t\t\tescondido, de si mesmo o ocultava (Ex 25.17,18,21).  \t\t\t\t\tPortanto, salta aos olhos que os que tentam defender uma  \t\t\t\t\timagem de Deus ou de santos, citando o exemplo desses  \t\t\t\t\tQuerubins, est\u00e3o enlouquecidos. Suplico, pois: Que  \t\t\t\t\tsignificavam essas imagenzinhas sen\u00e3o que n\u00e3o existem formas  \t\t\t\t\tapropriadas pelas quais se possam representar os mist\u00e9rios  \t\t\t\t\tde Deus? Elas foram feitas para, velando com as asas o  \t\t\t\t\tpropiciat\u00f3rio, impedir n\u00e3o s\u00f3 que os olhos humanos vissem a  \t\t\t\t\tDeus, mas tamb\u00e9m com quaisquer de todos os outros sentidos  \t\t\t\t\te, dessa forma, pusessem um paradeiro \u00e0 temeridade dos  \t\t\t\t\thomens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m  \t\t\t\t\tdisso, os Profetas, quando falam dos Serafins que lhes  \t\t\t\t\tapareceram em vis\u00e3o, mostram-nos com a face velada e, com  \t\t\t\t\tisso, d\u00e3o-nos a entender que o fulgor da gl\u00f3ria divina \u00e9 t\u00e3o  \t\t\t\t\tgrande, que os pr\u00f3prios anjos s\u00e3o impedidos de ser vistos em  \t\t\t\t\tdireta contempla\u00e7\u00e3o, e as chispas de gl\u00f3ria que refulgem s\u00e3o  \t\t\t\t\tsubtra\u00eddas aos nossos olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os  \t\t\t\t\tque julgam com acerto reconhecem, contudo, que os Querubins,  \t\t\t\t\tde que estamos tratando agora, pertencem \u00e0 antiga tutela da  \t\t\t\t\tLei. Portanto, \u00e9 absurdo cit\u00e1-los como exemplo que sirva \u00e0  \t\t\t\t\tnossa \u00e9poca, uma vez que j\u00e1 passou a fase infantil \u00e0 qual  \t\t\t\t\tesses rudimentos haviam sido destinados (Gl 4.3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, \u00e9 vergonhoso Ter de reconhecer que os escritores  \t\t\t\t\tprofanos s\u00e3o int\u00e9rpretes mais capazes da Lei do que os  \t\t\t\t\tpapistas. Juvenal, por exemplo, zombando, censura os judeus  \t\t\t\t\tque adoravam as puras nuvens e o cume do c\u00e9u. Certamente,  \t\t\t\t\tJuvenal fala de modo pervertido e \u00edmpio. No entanto, quando  \t\t\t\t\tnega existir qualquer ef\u00edgie divina, fala de modo mais  \t\t\t\t\tverdadeiro que os papistas, que dizem haver, entre os  \t\t\t\t\tjudeus, alguma representa\u00e7\u00e3o vis\u00edvel de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que os  \t\t\t\t\tjudeus, com entusi\u00e1stica prontid\u00e3o, se tenha atirado  \t\t\t\t\trepetidas vezes, a buscar \u00eddolos para si, com a mesma forma  \t\t\t\t\tde abundante manancial de \u00e1guas borbulhantes, aprendemos do  \t\t\t\t\tfato de ser grande a propens\u00e3o da nossa mente para com a  \t\t\t\t\tidolatria. Por isso, atirando contra os judeus a pecha de  \t\t\t\t\terro que \u00e9 comum a todos os homens, n\u00e3o durmamos o sono  \t\t\t\t\tmortal, iludidos pelas v\u00e3s sedu\u00e7\u00f5es do pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.\u00a0 A B\u00edblia condena imagens e representa\u00e7\u00f5es de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo  \t\t\t\t\tfim se detinha a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: Os \u00eddolos dos povos s\u00e3o  \t\t\t\t\tprata e ouro, s\u00e3o obras das m\u00e3os dos homens (Sl 115.4;  \t\t\t\t\t135.15), pois o Profeta conclui que n\u00e3o s\u00e3o deuses n\u00e3o s\u00f3  \t\t\t\t\tpor causa da sua materialidade cuja imagem \u00e9 de ouro e prata  \t\t\t\t\tmas deixa claro ainda que \u00e9 in\u00fatil produto da imagina\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\ttudo quanto concebemos a respeito de Deus, pelo nosso  \t\t\t\t\tpr\u00f3prio sentir. Refere-se ao ouro e \u00e0 prata, antes que ao  \t\t\t\t\tbarro ou \u00e0 pedra, para que nem o esplendor, nem o valor nos  \t\t\t\t\tlevem a reverenciar os \u00eddolos. Finalmente, conclui, dizendo  \t\t\t\t\tque nada existe que tenha menos apar\u00eancia de verdade do que  \t\t\t\t\tserem os deuses feitos de qualquer esp\u00e9cie de mat\u00e9ria morta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo  \t\t\t\t\ttempo, o Profeta insiste neste ponto: Que os mortais s\u00e3o  \t\t\t\t\tlevados por grande e louca temeridade quando, de maneira  \t\t\t\t\tprec\u00e1ria, conseguindo alento fugaz de instante a instante,  \t\t\t\t\tt\u00eam a ousadia de conferir aos \u00eddolos a dignidade de Deus. O  \t\t\t\t\thomem se v\u00ea obrigado a confessar que \u00e9 uma criatura ef\u00eamera  \t\t\t\t\te, n\u00e3o obstante, quer que seja tido por Deus um metal que  \t\t\t\t\tele mesmo transformou em deidade! Pois, como nasceram os  \t\t\t\t\t\u00eddolos sen\u00e3o da desvairada imagina\u00e7\u00e3o dos homens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Just\u00edssima \u00e9 a zombaria de Hor\u00e1cio, poeta profano, que  \t\t\t\t\tdisse:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu era  \t\t\t\t\toutrora um tronco de figueira, um in\u00fatil peda\u00e7o de lenho.  \t\t\t\t\tQuando um artes\u00e3o, incerto se deveria fazer um banco,  \t\t\t\t\tpreferiu fazer de mim um deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste  \t\t\t\t\tmodo, um homenzinho terreno, cuja vida se extingue quase a  \t\t\t\t\tcada instante gra\u00e7as \u00e0 sua arte transfere o nome e a  \t\t\t\t\tdignidade de Deus a um tronco sem vida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m,  \t\t\t\t\tuma vez que esse epicureu brincalh\u00e3o a fazer, a fazer  \t\t\t\t\tgracejo, n\u00e3o deu import\u00e2ncia a religi\u00e3o alguma, deixando de  \t\t\t\t\tlado as suas brincadeiras e as de outros, mais do que isso,  \t\t\t\t\ttraspasse-nos a censura do Profeta (Is 44.15-17), quando  \t\t\t\t\tafirma que s\u00e3o excessivamente insensatos os que, de um mesmo  \t\t\t\t\ttronco de \u00e1rvore, aquecem-se, acendem o forno para assar  \t\t\t\t\tp\u00e3o, assam ou cozinham a carne, e do resto fazem um deus,  \t\t\t\t\tdiante do qual se prostram suplicantes a orar. Do mesmo  \t\t\t\t\tmodo, em outro lugar (Is 40.21), n\u00e3o s\u00f3 os acusa como r\u00e9us  \t\t\t\t\tperante a Lei, mas tamb\u00e9m os censura pelo fato de n\u00e3o terem  \t\t\t\t\taprendido, dos fundamentos da terra, que, na verdade, nada \u00e9  \t\t\t\t\tmais absurdo do que desejar reduzir Deus, que \u00e9 imensur\u00e1vel,  \t\t\t\t\t\u00e0 medida de cinco p\u00e9s! Essa monstruosidade que provoca  \t\t\t\t\trepugn\u00e2ncia \u00e0 ordem da natureza, revela-se como natural nos  \t\t\t\t\tcostumes dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos  \t\t\t\t\tTer em mente que, com freq\u00fc\u00eancia, as supersti\u00e7\u00f5es s\u00e3o  \t\t\t\t\treferidas como obras das m\u00e3os dos homens, e carecem de  \t\t\t\t\tautoridade divina (Is 2.8; 31.7; 37.19; Os 14.3; Mq. 5.13),  \t\t\t\t\tpara que se estabele\u00e7a o seguinte: Que todas as formas de  \t\t\t\t\tculto que os homens inventam por si mesmos, s\u00e3o abomin\u00e1veis  \t\t\t\t\tdiante de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Salmo  \t\t\t\t\t115, o Profeta d\u00e1 \u00eanfase \u00e0 loucura que significa o fato de  \t\t\t\t\thomens a tal ponto dotados de intelig\u00eancia saberem que todas  \t\t\t\t\tas coisas s\u00e3o movidas s\u00f3 pelo poder de Deus e, no entanto,  \t\t\t\t\timplorarem aux\u00edlio de coisas inanimadas e destitu\u00eddas de  \t\t\t\t\tsensibilidade. Mas, pelo fato de a corrup\u00e7\u00e3o da natureza  \t\t\t\t\tconduzir a dem\u00eancia t\u00e3o grosseira, tanto os povos todos  \t\t\t\t\tquanto cada indiv\u00edduo, em particular, o Esp\u00edrito Santo,  \t\t\t\t\tfinalmente, fulmina com a seguinte maldi\u00e7\u00e3o: Tornem-se  \t\t\t\t\tsemelhantes a eles os que os fazem e todos os que neles p\u00f5em  \t\t\t\t\ta sua confian\u00e7a (Sl 115.8). Notemos tamb\u00e9m que s\u00e3o proibidas  \t\t\t\t\tn\u00e3o s\u00f3 gravuras mas tamb\u00e9m imagens esculpidas e, com isso,  \t\t\t\t\trefuta-se a improcedente exce\u00e7\u00e3o dos gregos, pois pensam que  \t\t\t\t\tse saem muito bem se n\u00e3o fazem imagem de escultura, que  \t\t\t\t\trepresentem a Deus, ao mesmo tempo em que se divertem  \t\t\t\t\tfazendo gravuras desenfreadamente mais do que qualquer outra  \t\t\t\t\tgente. Pois o Senhor pro\u00edbe n\u00e3o apenas que se fa\u00e7a imagem  \t\t\t\t\tDele em forma de est\u00e1tua, mas tamb\u00e9m que qualquer  \t\t\t\t\trepresenta\u00e7\u00e3o Dele seja modelada por qualquer tipo de  \t\t\t\t\tartista, visto que, desse modo, Ele \u00e9 representado de  \t\t\t\t\tmaneira inteiramente falsa e com grave ofensa \u00e0 sua  \t\t\t\t\tmajestade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.\u00a0 A B\u00edblia n\u00e3o d\u00e1 ocasi\u00e3o a nenhum tipo de representa\u00e7\u00e3o de  \t\t\t\tDeus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei,  \t\t\t\t\tcertamente, que \u00e9 mais do que vulgarmente popularizado o  \t\t\t\t\trefr\u00e3o que diz: As  \t\t\t\t\timagens s\u00e3 os livros dos analfabetos , e isto foi dito por Greg\u00f3rio, o Grande.  \t\t\t\t\tContudo, o Esp\u00edrito de Deus fala de maneira muito diferente,  \t\t\t\t\te se Greg\u00f3rio tivesse estudado esta mat\u00e9ria nessa escola,  \t\t\t\t\tjamais teria dito o que disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto,  \t\t\t\t\tquando Jeremias (10.34) declara que o lenho \u00e9 o preceito do  \t\t\t\t\torgulho, e Habacuque (2.18) ensina que a imagem fundida \u00e9 a  \t\t\t\t\tmestra da mentira, certamente devemos deduzir dessas  \t\t\t\t\texpress\u00f5es a seguinte doutrina: Que \u00e9 tolo e, mais ainda,  \t\t\t\t\tmentiroso tudo quanto os homens aprendem a respeito de Deus  \t\t\t\t\tpor meio das imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se algu\u00e9m  \t\t\t\t\tobjetar dizendo que os Profetas repreendiam os que abusavam  \t\t\t\t\tdas imagens para \u00edmpias supersti\u00e7\u00f5es, sou obrigado a  \t\t\t\t\tadmiti-lo, sem d\u00favida. Contudo, acrescento: O que \u00e9 not\u00f3rio  \t\t\t\t\ta todos \u00e9 que os Profetas condenam o que os papistas  \t\t\t\t\tsustentam como seguro axioma, ou seja, para os papistas as  \t\t\t\t\timagens fazem as vezes de livros. Os Profetas, por\u00e9m op\u00f5em o  \t\t\t\t\tDeus verdadeiro \u00e0s imagens, como coisas contr\u00e1rias e que  \t\t\t\t\tjamais podem conciliar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas  \t\t\t\t\tpoucas por\u00e7\u00f5es b\u00edblicas que acabei de citar, imp\u00f5e-se a  \t\t\t\t\tseguinte conclus\u00e3o: Uma vez que o Deus verdadeiro, que os  \t\t\t\t\tjudeus adoravam, \u00e9 um e \u00fanico, de maneira pervertida e  \t\t\t\t\tenganosa se inventam figuras vis\u00edveis que representam a Deus  \t\t\t\t\te, por isso, acabam miseravelmente iludidos todos os que  \t\t\t\t\tbuscam conhecer a Deus por meio de imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o  \t\t\t\t\tfosse mentiroso e esp\u00fario todo e qualquer conhecimento de  \t\t\t\t\tDeus que se busca nas imagens, os Profetas n\u00e3o o teriam  \t\t\t\t\tcondenado de modo t\u00e3o generalizado. Por isso, sustento o  \t\t\t\t\tseguinte: Quando ensinamos que \u00e9 vaidade e enganoso os  \t\t\t\t\thomens tentarem representar Deus por meio de imagens, n\u00e3o  \t\t\t\t\tfazemos outra coisa sen\u00e3o referir, palavra por palavra, o  \t\t\t\t\tque os Profetas disseram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.\u00a0 Opini\u00e3o de certos representantes da patr\u00edstica contra as  \t\t\t\timagens<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m  \t\t\t\t\tdisso deve-se ler o que Lact\u00e2ncio e Eus\u00e9bio escreveram a  \t\t\t\t\trespeito desse assunto, pois eles n\u00e3o t\u00eam a menor d\u00favida de  \t\t\t\t\tque as imagens que se v\u00eaem, s\u00e3o todas de seres mortais. Do  \t\t\t\t\tmesmo modo se expressou Agostinho que, taxativamente,  \t\t\t\t\tdeclara como ato abomin\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 o adorar imagens, mas  \t\t\t\t\ttamb\u00e9m levant\u00e1-las a Deus. E ele n\u00e3o est\u00e1 dizendo outra  \t\t\t\t\tcoisa sen\u00e3o repetindo o que muito antes foi declarado no  \t\t\t\t\tConc\u00edlio de Elvira, cujo c\u00e2non trinta e sei diz o seguinte:  \t\t\t\t\tResolveu-se que n\u00e3o se tenha nos templos representa\u00e7\u00f5es  \t\t\t\t\tpict\u00f3ricas, de modo que n\u00e3o se pinte nas paredes os que se  \t\t\t\t\tcultua ou se adora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve-se  \t\t\t\t\tlembrar especialmente o que o mesmo Agostinho cite de Varr\u00e3o  \t\t\t\t\te confirma com a sua autoridade. Diz ele: Os primeiros que  \t\t\t\t\tintroduziram imagens dos deuses, de um lado, removeram o  \t\t\t\t\ttemor e de outro acrescentaram o erro. Se isso tivesse sido  \t\t\t\t\tdito s\u00f3 por Varr\u00e3o, talvez tivesse pouca import\u00e2ncia. Por\u00e9m,  \t\t\t\t\tainda assim, dev\u00edamos sentir-nos envergonhados pelo fato de  \t\t\t\t\tum pag\u00e3o, como que tateando no escuro, Ter alcan\u00e7ado esta  \t\t\t\t\tluz, isto \u00e9, Ter chegado \u00e0 conclus\u00e3o de que as imagens  \t\t\t\t\tcorp\u00f3reas s\u00e3o indignas da majestade de Deus, porque diminuem  \t\t\t\t\to temor dos homens e aumentam o seu erro. Os pr\u00f3prios fatos  \t\t\t\t\tatestam, de maneira incontest\u00e1vel, que o dito de Varr\u00e3o \u00e9  \t\t\t\t\ts\u00e1bio e verdadeiro. Por isso, Agostinho, tomando-o de  \t\t\t\t\tempr\u00e9stimo, repete-o como seu. E, no come\u00e7o, Agostinho  \t\t\t\t\tinsiste em dizer que os primeiros erros a respeito de Deus,  \t\t\t\t\terros em que os homens se enredaram, n\u00e3o come\u00e7aram com as  \t\t\t\t\timagens, por\u00e9m, que uma vez introduzidas (na pr\u00e1tica),  \t\t\t\t\taviltaram-se ainda mais. Em conseq\u00fc\u00eancia, por esse motivo, o  \t\t\t\t\ttemor de Deus n\u00e3o s\u00f3 diminuiu, mas, at\u00e9 mesmo, se extinguiu,  \t\t\t\t\tvisto que na estupidez das imagens e na sua infeliz e  \t\t\t\t\tabsurda inven\u00e7\u00e3o, pode-se facilmente desprezar a majestade  \t\t\t\t\tdivina. Oxal\u00e1 n\u00e3o comprov\u00e1ssemos, pela experi\u00eancia, qu\u00e3o  \t\t\t\t\tverdadeira \u00e9 esta \u00faltima afirma\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7.\u00a0 As imagens do romanismo s\u00e3o inaceit\u00e1veis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa  \t\t\t\t\traz\u00e3o, se os papistas tiverem um pouco de pudor, n\u00e3o digam  \t\t\t\t\tmais, de agora em diante, que as imagens s\u00e3o os livros dos  \t\t\t\t\tanalfabetos, porque esta afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 escancaradamente  \t\t\t\t\trefutada por numerosos testemunhos da Escritura. Na verdade,  \t\t\t\t\tmesmo que eu lhes concedesse isso, nem ainda assim,  \t\t\t\t\tcertamente, tirariam muito proveito em defender seus \u00eddolos,  \t\t\t\t\tpois \u00e9 not\u00f3ria a esp\u00e9cie de monstruosidade que eles obrigam  \t\t\t\t\to povo a aceitar em lugar de Deus! De fato, que s\u00e3o as  \t\t\t\t\tpinturas ou est\u00e1tuas que dedicam aos santos, sen\u00e3o  \t\t\t\t\tcorrupt\u00edveis exemplares de lux\u00faria e obscenidade, a ponto de  \t\t\t\t\tmerecer castigo algu\u00e9m que quisesse imit\u00e1-los? De fato, os  \t\t\t\t\tlupanares mostram as meretrizes vestidas com mais decoro e  \t\t\t\t\tpudor, do que os templos mostram aquelas santas que querem  \t\t\t\t\tser aceitas por virgens! As vestes que inventam para os  \t\t\t\t\tm\u00e1rtires em nada s\u00e3o mais decentes. Portanto, vistam seus  \t\t\t\t\t\u00eddolos pelo menos de modesta dec\u00eancia para, com um pouco  \t\t\t\t\tmais de decoro, poderem sofismar dizendo que as imagens s\u00e3o  \t\t\t\t\tlivros de alguma santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m,  \t\t\t\t\tdiremos tamb\u00e9m que esta n\u00e3o \u00e9 a maneira de ensinar o povo  \t\t\t\t\tfiel nos lugares sagrados, povo que Deus quer que seja  \t\t\t\t\tinstru\u00eddo com outro tipo de doutrina. Deus ordenou que a\u00ed,  \t\t\t\t\tnos templos, se proponha uma doutrina comum a todos, na  \t\t\t\t\tproclama\u00e7\u00e3o de sua Palavra e nos sagrados mist\u00e9rio. Os que  \t\t\t\t\ts\u00e3o levados pelos olhos \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o de \u00eddolos, em  \t\t\t\t\tderredor revelam que seu esp\u00edrito est\u00e1 voltado bem pouco  \t\t\t\t\tdiligentemente para esta doutrina!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quem,  \t\t\t\t\tno entanto, os papistas chamam de ignorantes e cuja  \t\t\t\t\tobtusidade n\u00e3o lhes permite ser ensinados sen\u00e3o s\u00f3 pelas  \t\t\t\t\timagens? Na verdade, chamam de ignorantes \u00e0queles a quem o  \t\t\t\t\tSenhor reconhece como seus disc\u00edpulos, aos quais considera  \t\t\t\t\tdignos da revela\u00e7\u00e3o de sua celeste sabedoria e que deseja  \t\t\t\t\tsejam instru\u00eddos os mist\u00e9rios salv\u00edficos do seu Reino.  \t\t\t\t\tCertamente, admito que, na atual situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poucos s\u00e3o os  \t\t\t\t\tque n\u00e3o podem dispensar as imagens como livros. Contudo,  \t\t\t\t\tpergunto: De onde vem tal obtusidade sen\u00e3o do fato de serem  \t\t\t\t\troubados desta doutrina que, sozinha, \u00e9 apta para  \t\t\t\t\tinstru\u00ed-los? E n\u00e3o foi por outra raz\u00e3o que os que presidiam  \t\t\t\t\t\u00e0s igrejas deixaram com os \u00eddolos a fun\u00e7\u00e3o de ensinar, sen\u00e3o  \t\t\t\t\tpelo fato de os pr\u00f3prios \u00eddolos serem mudos! Paulo afirma  \t\t\t\t\tque, mediante a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho, Cristo \u00e9 apresentado  \t\t\t\t\tao vivo e de certo modo \u00e9 crucificado aos nossos olhos (Gl  \t\t\t\t\t3.1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual  \t\t\t\t\tseria o objetivo de, nos templos, erguerem-se, por toda  \t\t\t\t\tparte, tantas cruzes de madeira, de pedra, de prata e de  \t\t\t\t\touro, se fosse ensinado honesta e fielmente que Cristo  \t\t\t\t\tmorreu na cruz para tomar sobre si a nossa maldi\u00e7\u00e3o (Gl  \t\t\t\t\t3.13), sacrificando o pr\u00f3prio corpo para expiar nossos  \t\t\t\t\tpecados (Hb 10.10) e lav\u00e1-los com o seu sangue (Ap 1.5),  \t\t\t\t\tenfim, para reconciliar-nos com Deus, o Pai? (Rm 5.10). S\u00f3  \t\t\t\t\tdesse fato poderiam aprender mais do que mil cruzes de  \t\t\t\t\tmadeira ou de pedras (poderiam ensinar), visto que os  \t\t\t\t\tavarentos, talvez, fixam os olhos e a mente nas cruzes de  \t\t\t\t\touro ou de prata, mais do que em quaisquer palavras de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.\u00a0 Do desejo que os homens t\u00eam de ver a Deus, de modo tang\u00edvel,  \t\t\t\tvem a feitura de imagens<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se  \t\t\t\t\trefere \u00e0 origem dos \u00eddolos, o consenso p\u00fablico recebe  \t\t\t\t\tvirtualmente o que est\u00e1 contido no livro de Sabedoria, de  \t\t\t\t\tSalom\u00e3o (14.15), ou seja, que os primeiros autores dos  \t\t\t\t\t\u00eddolos s\u00e3o os que conferiram esta honra aos mortos, com o  \t\t\t\t\tprop\u00f3sito de cultivarem, de maneira supersticiosa, a mem\u00f3ria  \t\t\t\t\tdeles. E, sem reserva, admito que esse mui antigo costume  \t\t\t\t\ttenha sido pervertido e n\u00e3o nego Ter sido ele uma tocha pela  \t\t\t\t\tqual se acendeu a inflamada paix\u00e3o dos homens para com a  \t\t\t\t\tidolatria. Contudo, n\u00e3o concordo com a id\u00e9ia de que tenha  \t\t\t\t\tsido a primeira fonte desse mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, que  \t\t\t\t\tos \u00eddolos j\u00e1 estivessem em uso, quando veio a prevalecer  \t\t\t\t\teste anseio desmedido de consagrar imagens de mortos,  \t\t\t\t\tpr\u00e1tica da qual se faz men\u00e7\u00e3o constante nos escritores  \t\t\t\t\tprofanos, evidencia-se do que diz Mois\u00e9s. Quando ele conta  \t\t\t\t\tque Raquel havia furtado os \u00eddolos de seu pai (Gn 31.19),  \t\t\t\t\tn\u00e3o fala de outra coisa sen\u00e3o de um v\u00edcio generalizado. \u00c9  \t\t\t\t\tl\u00edcito, pois, concluir desse fato que a imagina\u00e7\u00e3o do homem  \t\t\t\t\t\u00e9 uma perp\u00e9tua f\u00e1brica de \u00eddolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do  \t\t\t\t\tdil\u00favio, houve como que um renascimento do mundo.  \t\t\t\t\tEntretanto, n\u00e3o se passaram muitos anos para que os homens,  \t\t\t\t\tpara seu prazer, inventassem deuses para si. \u00c9 de crer-se  \t\t\t\t\tque, estando ainda vivo o santo patriarca, os seus  \t\t\t\t\tdescendentes se tenham entregado \u00e0 pr\u00e1tica da idolatria, de  \t\t\t\t\tmaneira que ele, com os pr\u00f3prios olhos, visse a terra ser  \t\t\t\t\tpolu\u00edda pelos \u00eddolos, corrup\u00e7\u00e3o esta que Deus, fazia pouco  \t\t\t\t\ttempo, havia punido com ju\u00edzo t\u00e3o horr\u00edvel! Ora, j\u00e1 antes de  \t\t\t\t\tAbra\u00e3o nascer, Ter\u00e1 e Naor adoravam a deuses falsos, como o  \t\t\t\t\tatesta Josu\u00e9 (24.2). Se a descend\u00eancia de Sem se degenerou  \t\t\t\t\tt\u00e3o cedo, que haveremos de dizer dos descendentes de C\u00e3o,  \t\t\t\t\tque haviam sido amaldi\u00e7oados, bem antes, na pessoa do  \t\t\t\t\tpr\u00f3prio pai?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim  \t\t\t\t\tque acontece, na verdade. Como a mente do homem est\u00e1  \t\t\t\t\tabarrotada de orgulho e de temeridade, ele ousa imaginar a  \t\t\t\t\tDeus segundo o seu modo de ser. Como a mente do homem \u00e9  \t\t\t\t\tembotada, mais do que isso, como ele \u00e9 levado de cambulhada  \t\t\t\t\tpela mais crassa ignor\u00e2ncia, imagina ele, para o lugar de  \t\t\t\t\tDeus, a irrealidade e a apar\u00eancia vazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estes  \t\t\t\t\tmales, acrescenta-se nova iniq\u00fcidade: A de que o homem tenta  \t\t\t\t\texibir a Deus na obra que faz, pois concebe a Deus do modo  \t\t\t\t\tcomo o sente. Da\u00ed, sua mente gera o \u00eddolo e suas m\u00e3os o d\u00e3o  \t\t\t\t\t\u00e0 luz. Portanto, a imagem do \u00eddolo \u00e9 a seguinte: Os homens  \t\t\t\t\tn\u00e3o cr\u00eaem que Deus esteja com eles, se n\u00e3o virem a Deus de  \t\t\t\t\tforma concreta. Revela isso o exemplos dos israelitas: N\u00e3o  \t\t\t\t\tsabemos, dizem eles, o que aconteceu a esse Mois\u00e9s. Faze  \t\t\t\t\tpara n\u00f3s deuses que v\u00e3o adiante de n\u00f3s (Ex 32.1). Na  \t\t\t\t\tverdade, ele sabiam que era Deus aquele cujo poder tinham  \t\t\t\t\texperimentado em tantos milagres; n\u00e3o confiavam, por\u00e9m, que  \t\t\t\t\tDeus estivesse perto deles, a menos que, com seus olhos,  \t\t\t\t\tpudessem ver uma representa\u00e7\u00e3o corp\u00f3rea de Deus, uma  \t\t\t\t\trepresenta\u00e7\u00e3o que atuasse como testemunho de um Deus que os  \t\t\t\t\tdirigia. Na verdade, os israelitas queriam reconhecer que  \t\t\t\t\tDeus, atrav\u00e9s de uma imagem, ia adiante deles, guiando-os  \t\t\t\t\tpelo caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A  \t\t\t\t\texperi\u00eancia de todos os dias nos ensina que a carne est\u00e1  \t\t\t\t\tsempre inquieta, at\u00e9 conseguir uma representa\u00e7\u00e3o fantasiosa  \t\t\t\t\tsemelhante a sim mesma, representa\u00e7\u00e3o com a qual se console  \t\t\t\t\tde maneira v\u00e3, como se estivesse diante de uma imagem real  \t\t\t\t\tde Deus. Para obedecerem a esta cega obsess\u00e3o, em quase  \t\t\t\t\ttodos os s\u00e9culos desde que o mundo foi criado, os homens  \t\t\t\t\tergueram representa\u00e7\u00f5es vis\u00edveis, por meio das quais  \t\t\t\t\tacreditavam ver a Deus com os olhos carnais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. O uso de imagens conduz \u00e0 idolatria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez  \t\t\t\t\tfeitas as imagens que representam Deus, segue-se de pronto a  \t\t\t\t\tsua adora\u00e7\u00e3o, porque nelas os homens pensam contemplar a  \t\t\t\t\tDeus e nelas tamb\u00e9m O adoram. Como resultado disso, fixando  \t\t\t\t\tnelas tanto os olhos quanto o esp\u00edrito, os homens come\u00e7aram  \t\t\t\t\ta embrutecer-se cada vez mais, deslumbrando-se com elas e  \t\t\t\t\tnutrindo por elas admira\u00e7\u00e3o, como se nelas houvesse qualquer  \t\t\t\t\tcoisa de divindade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso,  \t\t\t\t\tquando os homens, na forma de imagens, fazem uma  \t\t\t\t\trepresenta\u00e7\u00e3o tanto de Deus quanto da criatura e prostra-se  \t\t\t\t\tdiante dela para vener\u00e1-la, \u00e9 porque j\u00e1 foi fascinado por  \t\t\t\t\tcerta supersti\u00e7\u00e3o. Foi por essa raz\u00e3o que o Senhor proibiu  \t\t\t\t\tn\u00e3o somente levantar-se est\u00e1tuas modeladas para  \t\t\t\t\trepresent\u00e1-lo, mas proibiu consagrarem-se gravuras de  \t\t\t\t\tqualquer esp\u00e9cie, para serem usadas como objetos de  \t\t\t\t\tadora\u00e7\u00e3o. Pela mesma raz\u00e3o, tamb\u00e9m, no preceito da Lei,  \t\t\t\t\tjunta-se outra parte a respeito da adora\u00e7\u00e3o dessas  \t\t\t\t\trepresenta\u00e7\u00f5es, pois t\u00e3o logo foi inventada essa forma  \t\t\t\t\tvis\u00edvel de Deus, o passo seguinte foi o de atribuir-lhe  \t\t\t\t\tpoder, Os seres humanos s\u00e3o n\u00e9scios a tal ponto, que  \t\t\t\t\tidentificam Deus com tudo o que o representa, e, por isso,  \t\t\t\t\tn\u00e3o pode acontecer outra coisa sen\u00e3o adorarem a essa  \t\t\t\t\trepresenta\u00e7\u00e3o de Deus! \u00c9 sup\u00e9rfluo discutir se simplesmente  \t\t\t\t\tse adora o \u00eddolo ou se adora a Deus no \u00eddolo, pois, seja  \t\t\t\t\tqual for o pretexto, quando se proporcionam honras divinas a  \t\t\t\t\tum \u00eddolo, \u00e9 sempre idolatria. E pelo fato de Deus n\u00e3o querer  \t\t\t\t\tser cultuado de maneira supersticiosa, recusa-se a Ele  \t\t\t\t\taquilo que se oferece aos \u00eddolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atentem  \t\t\t\t\tpara isso os que andam em busca de m\u00edseros pretextos para  \t\t\t\t\tdefender essa idolatria abomin\u00e1vel, na qual a religi\u00e3o  \t\t\t\t\tverdadeira, por muitos s\u00e9culos, tem estado afundada e  \t\t\t\t\tsubvertida. Embora digam que as imagens n\u00e3o s\u00e3o consideradas  \t\t\t\t\tcomo seres divinos. Os pr\u00f3prios judeus n\u00e3o eram t\u00e3o  \t\t\t\t\tabsurdamente obtusos, que n\u00e3o se lembrassem de que era Deus  \t\t\t\t\taquele por cuja m\u00e3o tinham sido tirados do Egito (Lv.  \t\t\t\t\t26.13), e isso antes de fazerem o bezerro de ouro (Ex 32.4).  \t\t\t\t\tAo contr\u00e1rio, afoitamente o povo concordou em proclamar, com  \t\t\t\t\tAbra\u00e3o, que aqueles que eram os deuses por meio dos quais  \t\t\t\t\ttinham sido libertados da terra do Egito (Ex 32.4,8),  \t\t\t\t\tquerendo dizer, com n\u00e3o duvidoso sentido, que o Deus  \t\t\t\t\tlibertador lhes fosse conservado, contanto que pudessem  \t\t\t\t\tcontempl\u00e1-lo andando na frente, em forma de bezerro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o  \t\t\t\t\tdevemos crer que eram t\u00e3o bo\u00e7ais, que n\u00e3o entendessem que  \t\t\t\t\tDeus n\u00e3o era outra coisa sen\u00e3o lenhos e pedras, pois embora  \t\t\t\t\tmudassem as imagens \u00e0 vontade, tinham em mente sempre os  \t\t\t\t\tmesmos deuses, e muitas eram as imagens de um \u00fanico Deus.  \t\t\t\t\tPor\u00e9m, eles n\u00e3o imaginavam existirem para si tantos deuses  \t\t\t\t\tquantas eram a multid\u00e3o dessas imagens. Al\u00e9m disso, dia ap\u00f3s  \t\t\t\t\tdia, consagravam novas imagens e, contudo, nem pensavam  \t\t\t\t\testar assim constituindo novos deuses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leiam-se  \t\t\t\t\tas justifica\u00e7\u00f5es que Agostinho refere, justifica\u00e7\u00f5es que os  \t\t\t\t\tid\u00f3latras do seu tempo usavam como pretexto. As pessoas  \t\t\t\t\tcomuns, quando eram acusadas de praticar a idolatria,  \t\t\t\t\trespondiam que n\u00e3o adoravam as imagens, mas ao contr\u00e1rio,  \t\t\t\t\tadoravam a divindade que, invis\u00edvel, habitava nelas. Aqueles  \t\t\t\t\tque, segundo o pr\u00f3prio Agostinho, praticavam uma religi\u00e3o  \t\t\t\t\tmais refinada, diziam que n\u00e3o adoravam nem a imagem, nem a  \t\t\t\t\tdivindade que ela representava, por\u00e9m, na representa\u00e7\u00e3o  \t\t\t\t\tmaterial viam um sinal da divindade que deviam cultuar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que  \t\t\t\t\tdiremos? Todos os id\u00f3latras, tanto entre judeus como entre  \t\t\t\t\tos gentios, foram motivados a praticar a idolatria da forma  \t\t\t\t\tj\u00e1 referida, ou seja, n\u00e3o estando contentes com uma  \t\t\t\t\trepresenta\u00e7\u00e3o espiritual de Deus, julgavam que, por meio de  \t\t\t\t\timagens, adquiriram compreens\u00e3o mais segura e mais \u00edntima da  \t\t\t\t\tdivindade. Uma vez que se agradaram dessa grosseira  \t\t\t\t\trepresenta\u00e7\u00e3o que imitava a Deus, n\u00e3o houve mais fim (desta  \t\t\t\t\tloucura) at\u00e9 que, finalmente iludidos sucessivamente por  \t\t\t\t\tnovas inven\u00e7\u00f5es fantasiosas -, come\u00e7aram a pensar que Deus  \t\t\t\t\tmostra o seu poder nas imagens. Mais do que isso, n\u00e3o  \t\t\t\t\tsomente os judeus foram convencidos de que, sob essas  \t\t\t\t\timagens, adoravam ao Deus eterno, o \u00fanico e verdadeiro  \t\t\t\t\tSenhor do c\u00e9u e da terra, mas tamb\u00e9m os gentios que, do  \t\t\t\t\tmesmo modo, adoravam aos seus deuses, ainda que fossem  \t\t\t\t\tdeuses falsos que, no entanto, imaginavam habitarem no c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. O abuso no culto \u00e0s imagens<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os  \t\t\t\t\tque\u00a0 negam que esta pr\u00e1tica id\u00f3latra existiu no passado, que  \t\t\t\t\tainda existe em nossos dias, mentem desvaladamente. Ent\u00e3o,  \t\t\t\t\tpor que se ajoelham diante das imagens? Por que, quando se  \t\t\t\t\tpreparam para a prece, voltam-se para elas como se falassem  \t\t\t\t\taos ouvidos de Deus? Com verdade, fala Agostinho, quando  \t\t\t\t\tdiz: Ningu\u00e9m ora ou adora com olhos postos numa imagem, sem  \t\t\t\t\tser afetado a ponto de n\u00e3o pensar que ela o ouve ou que ela  \t\t\t\t\to ouve ou que ela lhe dar\u00e1 aquilo que deseja. Por que h\u00e1 t\u00e3o  \t\t\t\t\tgrande diferen\u00e7a entre as imagens de um mesmo Deus, de forma  \t\t\t\t\tque, sendo desprezada uma ou sendo honrada de maneira vulgar  \t\t\t\t\tcerquem outra de honrarias solenes? Por que se cansam  \t\t\t\t\tfazendo peregrina\u00e7\u00f5es para cumprir votos, indo visitar  \t\t\t\t\timagens, se t\u00eam imagens semelhantes em seu pr\u00f3prio lar? Por  \t\t\t\t\tque hoje se batem a favor delas, de maneira acirrada, a  \t\t\t\t\tponto de provocarem carnificina e massacre, como se  \t\t\t\t\tdebatessem por seus altares e lareiras, dando a entender que  \t\t\t\t\ttoleram mais facilmente que lhes tirem o Deus \u00fanico, que s\u00e3o  \t\t\t\t\tseus \u00eddolos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ainda  \t\t\t\t\tn\u00e3o estou mencionando os erros grosseiros do vulgacho, que  \t\t\t\t\ts\u00e3o quase infinitos e dominam o cora\u00e7\u00e3o de todos. Mencionei  \t\t\t\t\tapenas os erros que eles mesmos confessam quando querem,  \t\t\t\t\tespecialmente, safar-se da pecha de idolatria. Eles dizem:  \t\t\t\t\tN\u00e3o chamamos \u00e0s imagens de nossos deuses. Nem os judeus nem  \t\t\t\t\tos gentios chamavam deuses outrora. E, no entanto, os  \t\t\t\t\tprofetas n\u00e3o paravam de repreender as fornica\u00e7\u00f5es dos judeus  \t\t\t\t\tcom a madeira e a pedra (Jr. 2.27; Ez 6.3-6; Is 19.20; Hc.  \t\t\t\t\t18-19; Dt 32.27), fornica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o pr\u00e1ticas di\u00e1rias  \t\t\t\t\tdaqueles que querem ser tidos por crist\u00e3os, isto \u00e9, que  \t\t\t\t\tadoram a Deus de forma carnal na madeira e\u00a0 na pedra!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11. O sofisma do culto de Latria e de Dulia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o  \t\t\t\t\tignoro, nem se pode disfar\u00e7ar, que eles fogem do problema,  \t\t\t\t\tcriando uma distin\u00e7\u00e3o enganadora, distin\u00e7\u00e3o de que faremos  \t\t\t\t\tmen\u00e7\u00e3o, novamente, de forma mais completa, mais adiante.  \t\t\t\t\tDizem eles que o culto que prestam \u00e0s imagens \u00e9  \t\t\t\t\teidoludeleian (=servi\u00e7o \u00e0 imagem) e n\u00e3o eidolatria  \t\t\t\t\t(=adora\u00e7\u00e3o de imagem). Falam assim, quando ensinam que, sem  \t\t\t\t\tofensa a Deus, pode-se atribuir \u00e0s representa\u00e7\u00f5es de  \t\t\t\t\tescultura e pict\u00f3ria o culto a que d\u00e3o o nome de dulia.  \t\t\t\t\tPortanto, julgam-se sem culpa se s\u00e3o apenas os servos da  \t\t\t\t\timagem, e n\u00e3o adoradores tamb\u00e9m. Como se o servir n\u00e3o fosse  \t\t\t\t\tmais importante que o adorar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No  \t\t\t\t\tentanto, enquanto encontram ref\u00fagio num termo grego, se  \t\t\t\t\tcontradizem a si mesmos de modo infantil. Para os gregos, o  \t\t\t\t\ttermo latreuein nada mais significa do que adorar, por isso,  \t\t\t\t\to que dizem eles equivale, exatamente, a confessarem que  \t\t\t\t\tcultuam suas imagens, mas sem lhes prestar culto! E n\u00e3o \u00e9  \t\t\t\t\tpreciso que eles fa\u00e7am obje\u00e7\u00e3o, dizendo que lhes preparo  \t\t\t\t\tarmadilhas com palavras, porque eles mesmos, tentando  \t\t\t\t\tespalhar trevas diante dos olhos dos simples, revelam a  \t\t\t\t\tpr\u00f3pria ignor\u00e2ncia! Por isso, por mais eloq\u00fcentes que sejam,  \t\t\t\t\teles jamais conseguir\u00e3o provar-nos que uma e a mesma coisa  \t\t\t\t\ts\u00e3o duas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Insisto  \t\t\t\t\tpara que mostrem, de forma objetiva, a diferen\u00e7a (que h\u00e1  \t\t\t\t\tentre as duas referidas palavras), para que vejamos que eles  \t\t\t\t\ts\u00e3o diferentes dos id\u00f3latras antigos. Ora, assim como um  \t\t\t\t\tad\u00faltero ou homicida n\u00e3o pode fugir \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de crime,  \t\t\t\t\tdando nomes diferentes ao crime que cometeu, do mesmo modo \u00e9  \t\t\t\t\tabsurdo absolver estes do crime de idolatria, mediante a  \t\t\t\t\tsutil inven\u00e7\u00e3o de um termo, visto que, na pr\u00e1tica, eles em  \t\t\t\t\tnada s\u00e3o diferentes dos id\u00f3latras que eles mesmos s\u00e3o  \t\t\t\t\tobrigados a condenar! Na verdade, eles est\u00e3o longe de  \t\t\t\t\tseparar sua pr\u00e1tica da pr\u00e1tica desses id\u00f3latras. Sim, a sua  \t\t\t\t\tcausa est\u00e1 t\u00e3o longe de ser diferente da causa desses  \t\t\t\t\tid\u00f3latras, que a fonte de todo o mal se baseia no  \t\t\t\t\tdesordenado desejo que eles t\u00eam de imit\u00e1-los, quando na sua  \t\t\t\t\timagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas concebem para si, mas com suas m\u00e3os  \t\t\t\t\tconfeccionam os s\u00edmbolos por meio dos quais representam a  \t\t\t\t\tDeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12. Fun\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da arte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, n\u00e3o alimento essa supersti\u00e7\u00e3o que me impe\u00e7a de  \t\t\t\t\tadmitir, de todo, quaisquer imagens. Pelo fato de a  \t\t\t\t\tescultura e a pintura serem dons de Deus, defendo o puro e  \t\t\t\t\tleg\u00edtimo uso tanto de uma quanto da outra, para n\u00e3o  \t\t\t\t\tacontecer que esses dons que o Senhor nos concedeu para a  \t\t\t\t\tsua gl\u00f3ria e para o nosso bem -, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o sejam polu\u00eddos  \t\t\t\t\tpor \u00edmpio abuso, mas, tamb\u00e9m, n\u00e3o se transformem na nossa  \t\t\t\t\tru\u00edna!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizemos  \t\t\t\t\tn\u00e3o ser permitido representar-se a Deus, de forma vis\u00edvel,  \t\t\t\t\tporque Ele mesmo proibiu (Ex 20.4; Dt 5.8) e, portanto, n\u00e3o  \t\t\t\t\tse pode fazer isso, sem degradar a sua gl\u00f3ria. E para n\u00e3o  \t\t\t\t\tpensarem que s\u00f3 n\u00f3s sustentamos esta posi\u00e7\u00e3o, os que s\u00e3o  \t\t\t\t\tversados nos escritos de autores s\u00f3brios verificar\u00e3o que  \t\t\t\t\teles sempre reprovaram essa pr\u00e1tica nos seus escritos.  \t\t\t\t\tPorque, se n\u00e3o \u00e9 permitido representar a Deus por meio de  \t\t\t\t\tuma ef\u00edgie, muito menos \u00e9 permitido cultuar a ef\u00edgie ou  \t\t\t\t\tcultuar a Deus nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto,  \t\t\t\t\tsobra-nos a liberdade de esculpirmos ou pintarmos s\u00f3 aquilo  \t\t\t\t\tque est\u00e1 diante dos nossos olhos, de forma que a majestade  \t\t\t\t\tde Deus, que est\u00e1 muito acima da percep\u00e7\u00e3o dos nossos olhos,  \t\t\t\t\tn\u00e3o se corrompa por meio de fantasiosas representa\u00e7\u00f5es.  \t\t\t\t\tNesta classe de coisas que se podem representar pela arte  \t\t\t\t\test\u00e3o inclu\u00eddas, em parte, hist\u00f3rias e fatos acontecidos, em  \t\t\t\t\tparte, imagens e formas corp\u00f3reas que n\u00e3o estejam ligadas a  \t\t\t\t\teventos consumados. As hist\u00f3rias e os fatos t\u00eam aplica\u00e7\u00e3o no  \t\t\t\t\tensinar e no advertir; as imagens e as formas corp\u00f3reas, por  \t\t\t\t\tsua vez, creio que a sua utilidade n\u00e3o vai al\u00e9m do deleite  \t\t\t\t\t(que nos podem trazer). E, apesar disso, salta aos olhos que  \t\t\t\t\tquase todas as imagens exibidas at\u00e9 o presente nos templos  \t\t\t\t\t-, s\u00e3o desse tipo. Desse fato pode-se concluir que elas  \t\t\t\t\tforam colocadas nos templos n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de julgamento  \t\t\t\t\tponderado ou de s\u00e1bia decis\u00e3o, mas em fun\u00e7\u00e3o de insensata e  \t\t\t\t\tprecipitada paix\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixo de  \t\t\t\t\tfocalizar aqui o qu\u00e3o sem prop\u00f3sito e indecente t\u00eam sido  \t\t\t\t\tessas representa\u00e7\u00f5es, e qu\u00e3o licenciosamente os pintores e  \t\t\t\t\testatu\u00e1rios t\u00eam se mostrado sensuais (nos trabalhos que  \t\t\t\t\tfazem), como j\u00e1 referi pouco antes. Estou frisando apenas  \t\t\t\t\tque mesmo que nada de impr\u00f3prio exista nessas obras, todavia  \t\t\t\t\telas revelam que nenhum valor t\u00eam para ensinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup> 13. Como come\u00e7ou o uso de imagens na hist\u00f3ria da igreja <\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m,  \t\t\t\t\tpondo de lado essa distin\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, vejamos de passagem  \t\t\t\t\tter, nos templos crist\u00e3os, quaisquer imagens, quer sejam as  \t\t\t\t\timagens quem expressam hist\u00f3rias ou fatos passados, quer  \t\t\t\t\tsejam as imagens que representam corpos humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembremos-nos, primeiramente se a autoridade da Igreja  \t\t\t\t\tPrimitiva tem alguma import\u00e2ncia para n\u00f3s -, que, por um  \t\t\t\t\tper\u00edodo de quase quinhentos anos, durante os quais mais  \t\t\t\t\tflorescia a religi\u00e3o e a doutrina pura era mais vi\u00e7osa, os  \t\t\t\t\ttemplos crist\u00e3os eram geralmente vazios de imagens. Quando a  \t\t\t\t\tpureza do minist\u00e9rio n\u00e3o se tinha ainda degenerado, as  \t\t\t\t\timagens foram introduzidas, em primeiro lugar, como  \t\t\t\t\tornamentos dos santu\u00e1rios. N\u00e3o discutirei qual foi a raz\u00e3o  \t\t\t\t\tque tiveram os primeiros autores dessa pr\u00e1tica. Se, por\u00e9m,  \t\t\t\t\tcompararmos era com era, veremos que eles haviam perdido  \t\t\t\t\tmuito da integridade daqueles que (no passado) se recusaram  \t\t\t\t\ta usar imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qu\u00ea?  \t\t\t\t\tDevemos pensar que os santos pais (mais antigos) haviam  \t\t\t\t\tdeixado a Igreja ficar, por tanto tempo, vazia dessa  \t\t\t\t\tpr\u00e1tica, que eles julgavam \u00fatil e salutar? Na verdade, por\u00e9m  \t\t\t\t\tesses pais (mais antigos) repudiavam essa pr\u00e1tica mais por  \t\t\t\t\tdecis\u00e3o e reflex\u00e3o, que por ignor\u00e2ncia ou neglig\u00eancia,  \t\t\t\t\tporque viam que nessa pr\u00e1tica n\u00e3o havia nada, nem um m\u00ednimo  \t\t\t\t\tde utilidade, por\u00e9m, representava muito perigo. Agostinho  \t\t\t\t\ttamb\u00e9m atesta isso com palavras claras, quando diz: Quando,  \t\t\t\t\tnestes pedestais se colocam, essas imagens em exaltada  \t\t\t\t\televa\u00e7\u00e3o, para que, por causa da pr\u00f3pria semelhan\u00e7a que elas  \t\t\t\t\tt\u00eam com membros e sentido animados se bem que lhes falte  \t\t\t\t\tsensibilidade e alento -, chamem a aten\u00e7\u00e3o dos que oram e  \t\t\t\t\tdos que oferecem sacrif\u00edcios, elas afetam as mentes fracas,  \t\t\t\t\tde modo que pare\u00e7am ter vida e respirar. Em outro lugar  \t\t\t\t\tacrescenta: Pois essa representa\u00e7\u00e3o de membros faz o  \t\t\t\t\tseguinte e at\u00e9 obriga: A mente que vive em um corpo, julgue  \t\t\t\t\tser animado um corpo que v\u00ea muito semelhante ao seu. E mais  \t\t\t\t\tadiante: As imagens valem mais para desviar a alma infeliz,  \t\t\t\t\tque para assisti-la, visto que possuem boca, olhos, ouvidos,  \t\t\t\t\tp\u00e9s, mas n\u00e3o falam, n\u00e3o v\u00eaem, n\u00e3o ouvem e n\u00e3o andam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta  \t\t\t\t\tparece ser a raz\u00e3o pela qual Jo\u00e3o quis que nos guard\u00e1ssemos  \t\t\t\t\tn\u00e3o somente do culto aos \u00eddolos, mas tamb\u00e9m dos pr\u00f3prios  \t\t\t\t\t\u00eddolos (1 Jo 521). Em vista da horr\u00edvel ins\u00e2nia que at\u00e9  \t\t\t\t\tagora tem dominado o mundo extinguindo quase toda a piedade  \t\t\t\t\t-, temos experimentado, mais desmedidamente, que, t\u00e3o logo  \t\t\t\t\tas imagens s\u00e3o colocadas nos templos, levanta-se o pend\u00e3o da  \t\t\t\t\tidolatria, porque n\u00e3o se pode moderar a loucura dos homens  \t\t\t\t\tque, prontamente, os leva \u00e0 pr\u00e1tica de cultos  \t\t\t\t\tsupersticiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora,  \t\t\t\t\tmesmo que o perigo n\u00e3o fosse t\u00e3o iminente, entretanto,  \t\t\t\t\tcome\u00e7o a refletir sobre o uso a que os templos foram  \t\t\t\t\tdestinados e, de uma ou outra forma, me parece indigno de  \t\t\t\t\tsua santidade os templos acolherem outras imagens, ao inv\u00e9s  \t\t\t\t\tde acolher aquelas vivas e representativas, que o Senhor  \t\t\t\t\tconsagrou em sua Palavra. Refiro-me ao Batismo e \u00e0 Santa  \t\t\t\t\tCeia, juntos com outras cerim\u00f4nias nas quais o importante  \t\t\t\t\tn\u00e3o \u00e9 serem vistas com os olhos, mas que nos afetem mais  \t\t\t\t\tvividamente, de modo que n\u00e3o exijam outras imagens formadas  \t\t\t\t\tpelo engenho dos homens. O incompar\u00e1vel bem das imagens  \t\t\t\t\tconsiste no fato de, se dermos cr\u00e9dito aos papistas, eles  \t\t\t\t\tn\u00e3o t\u00eam compensa\u00e7\u00e3o nenhuma que possa ressarci-los da perda!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14. Argumentos falsos que servem de base a uma decis\u00e3o de Nic\u00e9ia  \t\t\t\tde 787<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso que  \t\t\t\t\tj\u00e1 teria falado mais do que o suficiente a respeito deste  \t\t\t\t\tassunto se, de certo modo, o Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia n\u00e3o tivesse  \t\t\t\t\tlan\u00e7ado m\u00e3o sobre mim. N\u00e3o me refiro ao famos\u00edssimo Conc\u00edlio  \t\t\t\t\treunido por Constantino, o Grande, mas ao que foi realizado  \t\t\t\t\th\u00e1 oitocentos anos por ordem e sob os ausp\u00edcios da  \t\t\t\t\tImperatriz Irene. Ora, esse Conc\u00edlio decretou n\u00e3o somente  \t\t\t\t\tque devem ter imagens nos tempos, mas tamb\u00e9m que elas devem  \t\t\t\t\tser veneradas. O que quer que eu tenha dito pois (sobre este  \t\t\t\t\tassunto), a autoridade desse Conc\u00edlio gerar\u00e1 preceito em  \t\t\t\t\tcontr\u00e1rio. No entanto, para falar a verdade, esse fato n\u00e3o  \t\t\t\t\tme preocupa tanto, quanto \u00e0 evid\u00eancia que os leitores ter\u00e3o  \t\t\t\t\tdo quanto se extraviou a sanha dos que foram mais ansiosos  \t\t\t\t\tpara com as imagens, do que convinha a crist\u00e3os!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m,  \t\t\t\t\tantes de mais nada, livremos-nos primeiramente dos que hoje  \t\t\t\t\tdefendem o uso das imagens, alegando o apoio desse Conc\u00edlio  \t\t\t\t\tNiceno. H\u00e1 um livro sob o nome de Carlos Magno, de car\u00e1ter  \t\t\t\t\trefutat\u00f3rio que, a julgar pelo estilo, parece ter sido  \t\t\t\t\tescrito na mesma \u00e9poca (do Conc\u00edlio). Nesse livro faz-se  \t\t\t\t\trefer\u00eancia \u00e0s opini\u00f5es dos bispos que estiveram presentes ao  \t\t\t\t\treferido Conc\u00edlio e aos argumentos com que lutaram nas  \t\t\t\t\tdiscuss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o, o  \t\t\t\t\tlegado do Oriente, disse Deus criou o homem \u00e0 sua imagem e,  \t\t\t\t\tpor isso, devemos concluir que \u00e9 preciso ter imagens. Ele  \t\t\t\t\tmesmo, na seguinte afirma\u00e7\u00e3o, opinou que as imagens nos s\u00e3o  \t\t\t\t\trecomendadas: Mostra-me a tua face, pois ela \u00e9 formosa (Ct.  \t\t\t\t\t2.14). Outro, para provar que se devem colocar imagens nos  \t\t\t\t\taltares, citou o seguinte testemunho: Ningu\u00e9m acende uma  \t\t\t\t\tcandeia e a p\u00f5e debaixo do m\u00f3dio (Mt 5.15). Um outro, com o  \t\t\t\t\tobjetivo de demonstrar que a contempla\u00e7\u00e3o das imagens nos \u00e9  \t\t\t\t\t\u00fatil, citou um vers\u00edculo dos Salmos: Estampada foi sobre n\u00f3s  \t\t\t\t\ta luz da tua face, \u00f3 Senhor (Sl 4.6). Um outro recorreu \u00e0  \t\t\t\t\tseguinte analogia: Como os Patriarcas fizeram uso dos  \t\t\t\t\tsacrif\u00edcios dos gentios, do mesmo modo as imagens dos santos  \t\t\t\t\tdevem ocupar para os crist\u00e3os o lugar dos \u00eddolos dos povos.  \t\t\t\t\tPara esse mesmo prop\u00f3sito, torcem a seguinte ora\u00e7\u00e3o: Senhor,  \t\t\t\t\tamei a formosura da tua casa (Sl 26.8). Por\u00e9m, especialmente  \t\t\t\t\tengenhosa \u00e9 a seguinte interpreta\u00e7\u00e3o: Como temos ouvido,  \t\t\t\t\tassim tamb\u00e9m temos visto. Portanto, para eles, Deus \u00e9  \t\t\t\t\tconhecido n\u00e3o pelo ouvir da Palavra, mas tamb\u00e9m pela  \t\t\t\t\tcontempla\u00e7\u00e3o das imagens! Semelhante \u00e9 a agudeza do bispo  \t\t\t\t\tTeodoro: Maravilhoso, diz ele, \u00e9 Deus nos seus santos (Sl  \t\t\t\t\t68.35) e, da\u00ed, diz-se em outro lugar: Quanto aos santos que  \t\t\t\t\test\u00e3o na terra (Sl 16.3). Portanto, concluem eles, isso deve  \t\t\t\t\treferir-se \u00e0s imagens!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal de  \t\t\t\t\tcontas, s\u00e3o t\u00e3o disparatadas as suas parvo\u00edces que at\u00e9 me  \t\t\t\t\tenvergonho de referi-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15. A absurda defesa dos que defendem a adora\u00e7\u00e3o dos \u00eddolos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando  \t\t\t\t\tdiscutem a respeito da adora\u00e7\u00e3o de imagens, citam, como  \t\t\t\t\tadora\u00e7\u00e3o a Fara\u00f3 (Gn 47.10), a b\u00ean\u00e7\u00e3o que Jac\u00f3 deu a esse  \t\t\t\t\tmonarca; citam tamb\u00e9m a vara de Jos\u00e9 (Gn 47.31 e Hb 11.21),  \t\t\t\t\te a coluna que Jac\u00f3 levantou (Gn 28.18). Na verdade, quando  \t\t\t\t\treferem esta \u00faltima, n\u00e3o s\u00f3 pervertem o sentido da  \t\t\t\t\tEscritura, mas tamb\u00e9m se ap\u00f3iam naquilo que n\u00e3o se l\u00ea em  \t\t\t\t\tlugar algum. Aduzem mais: Adorai o escabelo de seus p\u00e9s (Sl  \t\t\t\t\t99.5)\u00a0 e adorai em seu santo monte (Sl 99.9), e tamb\u00e9m, A  \t\t\t\t\ttua face suplicar\u00e3o todos os ricos do povo (Sl 45.12). Para  \t\t\t\t\teles, todas essas cita\u00e7\u00f5es s\u00e3o provas absolutamente firmes  \t\t\t\t\tem favor da idolatria!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se, para  \t\t\t\t\tzombar dos que defendem a adora\u00e7\u00e3o das imagens, algu\u00e9m  \t\t\t\t\tquisesse fazer deles uma caricatura rid\u00edcula, poderia,  \t\t\t\t\tporventura, reunir tolices maiores e mais grosseiras do que  \t\t\t\t\tas acima referidas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, de  \t\t\t\t\tqualquer modo, para n\u00e3o haver d\u00favida nenhuma, Teod\u00f3sio,  \t\t\t\t\tbispo de Mira, confirma t\u00e3o a s\u00e9rio com base no sonho de seu  \t\t\t\t\tarcediago -, que as imagens devem ser adoradas, como se  \t\t\t\t\testivesse presente um or\u00e1culo celeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora,  \t\t\t\t\tque saiam a campo esses defensores das imagens e nos  \t\t\t\t\tpressionem com o decreto do Conc\u00edlio Niceno retro referido,  \t\t\t\t\tcomo se os pais vener\u00e1veis desse Conc\u00edlio n\u00e3o anulassem toda  \t\t\t\t\ta confian\u00e7a que se deveria ter neles, n\u00e3o s\u00f3 por portarem a  \t\t\t\t\tEscritura de modo t\u00e3o infantil, mas tamb\u00e9m por submet\u00ea-la a  \t\t\t\t\tt\u00e3o execr\u00e1vel mutila\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16. Ensinos e pr\u00e1ticas blasfemas e absurdas a respeito da  \t\t\t\tidolatria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trato  \t\t\t\t\tagora dos prod\u00edgios que a impiedade tem ousado manifestar. \u00c9  \t\t\t\t\tde causar surpresa duas vezes maior verificar-se que n\u00e3o se  \t\t\t\t\ttem clamado contra eles, com o m\u00e1ximo de rep\u00fadio de todos! \u00c9  \t\t\t\t\toportuno trazer a p\u00fablico esta \u00edmpia loucura para que se  \t\t\t\t\tretire, ao culto das imagens, pelo menos o pretexto de ser  \t\t\t\t\tum culto antigo, como os papistas alegam!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teod\u00f3sio,  \t\t\t\t\tbispo de Amoria, pronuncia an\u00e1tema (=maldi\u00e7\u00e3o) contra todos  \t\t\t\t\tos que se op\u00f5em \u00e0 adora\u00e7\u00e3o das imagens. Um outro atribui  \t\t\t\t\ttodas as calamidades da Gr\u00e9cia e do Oriente ao crime de n\u00e3o  \t\t\t\t\tse adorarem imagens! Em conseq\u00fc\u00eancia disso, os Profetas, os  \t\t\t\t\tAp\u00f3stolos e os M\u00e1rtires no tempo dos quais n\u00e3o se usavam  \t\t\t\t\timagens -, mereciam ser castigados!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acrescentam ainda que, se vai ao encontro da imagem do  \t\t\t\t\timperador com formiga\u00e7\u00f5es arom\u00e1ticas e incenso, as imagens  \t\t\t\t\tdos santos s\u00e3o muito mais dignas dessa honra!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Const\u00e2ncio, bispo de Const\u00e2ncia, em Chipre, professa por\u00e9m,  \t\t\t\t\tabra\u00e7ar as imagens de modo reverente e confirma que ele  \t\t\t\t\ttributou a elas o culto devido \u00e0 Trindade, e a todos os que  \t\t\t\t\ttivessem a ousadia de se recusar a fazer o mesmo, ele  \t\t\t\t\tanatematizaria (amaldi\u00e7oaria) e relegaria \u00e0 companhia dos  \t\t\t\t\tManiqueus e dos Marcionitas. E, para que n\u00e3o se pense que  \t\t\t\t\tessa era a opini\u00e3o de um indiv\u00edduo s\u00f3, os demais tamb\u00e9m  \t\t\t\t\tconcordaram!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o, o  \t\t\t\t\tlegado dos do Oriente, levando mais longe ainda a sua  \t\t\t\t\tousadia, adverte que seria prefer\u00edvel acolherem-se todos os  \t\t\t\t\tlupanares, em uma cidade, a rejeitar-se o culto das imagens!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, o Conc\u00edlio Niceno estatui, pelo consenso de  \t\t\t\t\ttodos, que os Samaritanos eram os piores de todos os  \t\t\t\t\thereges, por\u00e9m, que piores que os Samaritanos, eram os que  \t\t\t\t\tcombatiam as imagens! Al\u00e9m disso, para que n\u00e3o faltasse \u00e0  \t\t\t\t\tpe\u00e7a o seu solene Aplauso, acrescenta-se \u00e0 cl\u00e1usula o  \t\t\t\t\tseguinte: Regozijem-se e exultem os que, tendo a imagem de  \t\t\t\t\tCristo, lhe oferecem sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde  \t\t\t\t\test\u00e1, agora, a distin\u00e7\u00e3o entre latria e dulia com a qual  \t\t\t\t\teles costumam ofuscar os olhos de Deus e dos homens, uma vez  \t\t\t\t\tque esse Conc\u00edlio (Niceno) favorece tanto \u00e0s imagens quanto  \t\t\t\t\tao Deus vivo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:  \t\t\t\t\tExtra\u00eddo das Institutas  \t\t\t\t\tde Calvino<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1.\u00a0 Representar a Deus por meio de imagens \u00e9 corromper a sua gl\u00f3ria Como as Escrituras levam em cota o limitado e tacanho conhecimento humano, costumam elas expressarem-se de modo&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[26],"class_list":["post-335","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-calvino","tag-principios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/335\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.levandoapalavra.com\/123\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}