Cristo deu-se a si mesmo

Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, l Coríntios 15:3

O missionário vai para o campo, prega o evangelho, almas são salvas, e… Então, eis que chega aquele momento inevitável e embaraçoso, aquele momento de vergonha e dor quando os nativos convertidos começam a interrogar o missionário, como fez uma velhinha maometana em Bengala: “Quanto tempo faz que Jesus morreu por gente pecadora? Olhem para mim; eu estou velha; tenho orado, dado esmolas, ido aos santuários, tenho-me tornado como pó, de tanto jejuar, e tudo isso é inútil. Onde estiveram os senhores todo este tempo?”

O mesmo grito ecoou das praias geladas do longínquo norte. Um velho esquimó disse ao Bispo S.:”O senhor está há muitas luas nesta terra. Já conhecia essas boas novas quando aqui chegou? Desde menino? E seu pai também as conhecia? Então por que não vieram antes?”

Novamente, nos picos nevosos dos Andes, um peruano perguntou: “Como é que nunca dantes, em toda minha vida, eu ouvi contar que Jesus Cristo falou palavras tão maravilhosas?

Isto se repetiu nas ruas brancas de Casablanca, na África do Norte: “Por que vocês não correram por todo o lugar com este Livro?” Perguntou um Moor a um vendedor de Bíblias: “Por que é que tantos do meu povo não conhecem nada do Jesus que ele proclama? Por que é que vocês o têm guardado para si mesmos? Isso é uma vergonha!”

Um missionário no Egito contava a uma mulher a história do amor de Jesus, e, no fim, ela disse: “É uma história maravilhosa. As mulheres no seu país crêem nela?” “Sim!” disse o missionário. Depois de refletir por um momento, a mulher replicou: “Eu acho que elas não crêem, senão não teriam demorado tanto para vir con­tá-la para nós.”

Um nobre pioneiro, L. L. Legters, estava certa vez pregando o evangelho na América Latina a um grupo de índios de uma das muitas tribos que jazem totalmente sem a Boa-nova. Ao contar como o filho de Deus morre­ra numa cruz por sua livre vontade, a fim de que eles e todos os outros pudessem escapar da punição eterna, um homem, que o ouvira com inten­so interesse, interrompeu-o: “Senhor, quando foi que morreu por nós esse de quem nunca ouvimos falar? Foi já há uns vinte e cinco anos?” E ficou estupefato ao ouvir a resposta:”Foi já há dois mil anos atrás.”

Noutra ocasião, quando o Sr, Legters estava conversando com um velho cacique, na América do Sul, disse ele: “Homem branco, quanto tempo faz que você conhece esse caminho de Jesus?” “Faz muito tempo Cacique.” “Quanto tempo faz que seu pai conhece esse caminho?” Oh, muito tempo. “Quanto tempo faz que o pai dele conheceu esse caminho?” “Oh, já faz muito tempo”. Finalmente, o velho cacique, enrolando-se em seu xale, concluiu em tom de dúvida: “Homem branco, você esperou demais.” O raciocínio do velho índio era certo. “Como espera que creiamos nessas novas, tão boas, além de tudo o que se possa pensar, se você esperou demais?”

“E o Senhor veio afinal”, disse um sacerdote enquanto o missionário entrava no templo chinês. Este ob­servara a maneira atenta do sacerdote no culto ao ar livre. O homem havia muito tempo que estava faminto pela verdade. Numa espécie de visão, ele entendera que um dia viriam mensageiros de uma terra distante. Teria sido necessário que ele esperasse cerca de dezoito longos anos?

Finalmente, no livro The Growth of a Soul (publicado pela Missão do Interior da China) aparece este desagradável testemunho contra a igreja: Conversando com Hudson Taylor, o Sr. Nyi, um crente chinês, inesperadamente fez uma pergunta, que lhe causou tal dor que não foi esquecida facilmente: “Há quanto tempo conhecem os senhores as alegres Novas, na Inglaterra?” Perguntou inocentemente. O jovem missionário ficou envergonhado de lho dizer, e respondeu vagamente que já fazia várias centenas de anos. “O que?! Exclamou o Sr. Nyi surpreso, várias centenas de anos? É possível que os senhores tenham conhecido acerca de Jesus por tanto tempo, e só agora tenham vindo contar-nos? Meu pai buscou a verdade por mais de vinte anos, continuou tristemente, e mor­reu sem encontrar. Oh, por que não vieram antes?”

E que mais direi?… O missionário não pode apresentar desculpas. Ele abaixa a cabeça; seu coração sangra; seus lábios se fecham, Ele pode ape­nas suportar a sua parte na criminosa negligência e na culpa de sangue daqueles crentes que negaram às gerações passadas o evangelho.”

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