O Inferno Não Brincadeira

“Ora, havia certo homem rico, que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e que todos os dias se regalava esplendidamente.

Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.

Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado.

No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.

Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe cm água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

Disse, porém, Abraão: Filho lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida; e Lázaro igualmente os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.

E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.

Então replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho a fim de não virem também para este lugar de tormento.

Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os projetas; ouçam-nos.

Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.

Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos projetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:19-31).

Mais piadas são contadas, talvez, a respeito do Lago de Fogo do que sobre qualquer outro assunto, isoladamente. Em geral, imaginam o diabo com uma roupa de baixo vermelha e comprida, casco fendido, chifres e uma cauda em forma de forquilha.  Entremeadas na narrativa encontram-se roupas de asbesto e Satã dando ordens a respeito da rapidez com que se deve tirar carvão e outros detalhes acidentais e coloridos. As histórias geralmente terminam com uma explosão de ar­rebentar costelas, seguida de muito riso. Todos que tomam parte nesta ridicularização estão consciente ou inconscientemente dizendo sutilmente: “Sim, acho que este negócio de inferno não passa de uma grande brincadeira! É claro que não há nisto nada para nos deixar seriamente alarmados ou excitados”. Mas esta filosofia é completamente falsa! O inferno é alguma coisa que deve ser considerada sóbria e seriamente no que se refere à sua realidade.

O inferno não é brincadeira! Pondera no que nosso Senhor Jesus Cristo, a mais alta autoridade no universo, a respeito de qualquer assunto, disse sobre o inferno, no texto acima. Jesus disse, no versículo 23: “No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos…” No versículo 24, o homem que estava atormentado clamou: “estou atormentado nesta chama”.

Abraão exortou o rico, no inferno a recordar-se de que tinha sido sua vida na terra e a considerar que sua situação e a de Lázaro tinham sido trocadas. Disse no v. 25 “… agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos”.

No v. 28, o homem rico no inferno está pedindo, de acor­do com o que diz o Salvador, que alguém vá a seus irmãos e os salve “… a fim de não virem para este lugar de tormento”.

Não erres neste assunto, o inferno é um lugar de tormentos indizíveis e eternos! Se Deus te mandar para o inferno, não será para te purificar, nem para expiar algum pecado, nem para te fazer penar, ou te purificar para o Céu. Mas, antes, para te condenar para sempre, por causa de teu iníquo pecado de haveres rejeitado Seu Filho muito amado, o Senhor Jesus Cris­to. E se pensas que isto é injusto, então, simplesmente não sabes, nem compreendes quão horrível e hediondo é o pecado de rejeitar a Jesus Cristo. Provérbios 28:5 diz: “Os homens maus não entendem o que é justo”. Não obstante, se fechares a Deus a porta de teu coração, nesta vida, Ele te fechará a porta de Seu Céu, na vida vindoura. Caro amigo pecador, enquanto lês esta mensagem bíblica sobre o que o inferno é realmente, procura imaginar-te preso ali naquele lugar de tormentos para sempre, a não ser que recebas ao Senhor Jesus Cristo, como teu próprio Salvador pessoal.

Mas a mensagem sobre o inferno não é proveitosa apenas para os pecadores perdidos? Quão proveitoso seria, se pudés­semos levar os crentes de nossas igrejas até aquela região dos condenados por Deus, para uma viagem pelos seus corredores de horror. Asseguro que nunca mais seriam os mesmos, e cada um deles se transformaria num apaixonado, incansável, zeloso conquistador de almas.

Há anos, quando eu era ainda um jovem pregador, as pá­ginas da “A Espada do Senhor” trouxeram certa ocasião uma mensagem daquele ungido pastor da Moody Memorial Church, agora já no Céu, o Dr. H. A. Ironside. O sermão, baseado no mesmo texto que este, era intitulado: “Um Homem de Mente Missionária no inferno”! Quão chocado fiquei com o assunto! No entanto, ao ler as Escrituras, fui compelido a reconhecer sua veracidade. Já não me lembro de um único ponto ou mesmo ilustração de sua mensagem, mas aquele título permaneceu comigo, e nunca prego sobre este texto sem recor­dar-me dela. Sim, o ímpio rico ficou dotado de uma mente missionária, ao despertar no inferno! Ficou preocupado com a conquista de almas, com o reavivamento, com o evangelismo e, especialmente, com a conquista de seus entes queridos para o Salvador. Oh, se cinco minutos no inferno puderam fazer tudo isso por ele, que não faria em prol de nossos ministros, diáconos, presbíteros, professores de Escola Dominical, admi­nistradores, bem como em prol dos homens, mulheres e jovens de nossas igrejas que crêem na Bíblia?

Naturalmente, não podemos alugar qualquer transporte que leve alguém a uma excursão pelo lugar que Deus originalmente preparou para o diabo e seus anjos. E, mesmo que o pudés­semos fazer, não seria possível regressar, visto que não há saí da daquele lugar de condenados, uma vez que ali se entre. Por outro lado, podemos fazer o melhor que pode haver, fora disso, mostrando-te claramente o que a Palavra de Deus ensina sobre o inferno, apresentando-te alguns quadros falados da Bí­blia, sobre as cenas eternas de horror e miséria que ali se de­senrolam.

Antes de tudo, porém, quero dizer que minha inten­ção nesta mensagem não é esforçar-me por provar a realidade do inferno. Simplesmente apresento o assunto como um fato claramente ensinado nas Escrituras, por uma autoridade que não é outra senão o próprio Salvador. Se não aceitares o Seu testemunho e evidência, nada existe que eu, ou qualquer outra pessoa, possa oferecer, a fim de convencer-te. Quando o rico, estando no inferno, rogou a Abraão que enviasse Lázaro ou algum outro evangelista aos seus cinco irmãos, que continuavam na terra, a fim de adverti-los sobre a necessidade que tinham de arrepender-se, Abraão lhe respondeu: “Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos”. Em outras palavras, Abraão re­lembrou ao rico que seus irmãos tinham acesso à Palavra de Deus e que poderiam ler as Escrituras. E, quando o rico in­sistiu, dizendo: “Não, pai, Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão”, Abraão retrucou: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão per­suadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos”. Pessoas que não aceitam o testemunho da Bíblia, também não aceitariam o testemunho de uma pessoa que voltasse dentre os mortos, narrando sobre um tormento eterno, que se deve evitar e da glória do Céu, que se pode obter pelo arrependimento e fé em Cristo.

Se não aceitares o testemunho da Palavra de Deus sobre o inferno, não te convencerás, mesmo que uma pessoa querida, como a mãe gentil que estivera morta por muito tempo, apa­recesse repentinamente à tua porta e informasse que Deus a tinha enviado de volta para advertir-te a respeito dos tormentos do inferno e exortar-te a confiar em Jesus Cristo; acusarias outras pessoas de terem criado uma imagem da pessoa querida. Alguém da mesma altura e preparada por algum artista expe­rimentado, para que pudesse imitá-la e, assim, enganar-te, dizendo ser aquela pessoa que tinha voltado com uma mensagem. Não, não acreditarias, mesmo que alguém voltasse dentre os mortos.

Talvez recordes de que depois que Herodes mandou decapi­tar a João Batista e o ministério do Senhor Jesus chamou-lhe a atenção, sua consciência culpada convenceu-o de que era João Batista que tinha ressuscitado dos mortos. Mas ele se arrepen­deu? Não. Continuou no seu pecado e desprezou todas as mensagens do Evangelho de que teve conhecimento. Nem tu te arrependerias, se te convencesses que alguém dentre os mortos tinha voltado com uma mensagem de arrependimento, se não aceitares o testemunho da própria Bíblia.

É suficiente dizer que o inferno é uma horrenda, mas lite­ral realidade. Aqueles que desprezarem o amor do Salvador, expresso na salvação que oferece, experimentarão, com horror, a veracidade de declarações bíblicas como aquelas que dizem: “Porque o Senhor teu Deus é fogo que consome, é Deus zeloso” (Deuteronômio 4:24) e “Horrível cousa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31). O inferno não é brincadeira! Ao pensarmos sobre os terríveis tormentos dessa região dos perdi­dos, consideremos primeiramente:

I. Tormento da Eterna Associação com os ímpios

O inferno é um lugar onde os perdidos habitarão para sempre com as criaturas mais vis de todos os séculos, incluindo Satanás, os demônios, os anjos caídos, o anticristo e seu falso profeta, Judas Iscariotes, as meretrizes, os beberrões, os ateus, os criminosos, os idolatras e todos os outros que pervertem a sociedade.

Por exemplo, o anticristo e seu falso profeta estarão entre os companheiros daqueles que forem precipitados no inferno. Apocalipse 19:20, que contempla o término do período da Gran­de Tribulação, diz acerca deles: “Os dois foram lançados vi­vos dentro do lago do fogo que arde com enxofre”. Sim, o anti­cristo e seu profeta’ falso ali estarão!

Apocalipse 20:10, que se refere há um tempo imediatamente depois do reino milenar de Jesus Cristo sobre a terra, ensina: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago do fogo e enxofre, onde também se encontram não só a besta como o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos”. Assim, Satanás será um dos companhei­ros dos habitantes do inferno! Observe-se, igualmente, que ele não aparece aqui como um chefe a ditar ordens aos outros, mas que ficará aprisionado e será atormentado, como qualquer outro pecador. Na realidade, será atormentado com maior rigor do que qualquer outro, visto que é o maior de todos os pecadores, merecendo a punição mais severa por sua iniqüidade. Também é interessante observar, por esse versículo das Escrituras, que Satanás ainda não se encontra no inferno, e que, quando for enviado para ali, não haverá passagem de volta. O inferno não é o escritório de operações de Satanás hoje em dia, de onde ele sai e volta, para vir perturbar os habitantes da terra, como alguns tolamente imaginam.

Os anjos caídos também serão companheiros dos homens condenados. Diz II Pedro 2:4: “Ora, se Deus não poupou a anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno (Tártaro), os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juí­zo…” Sim, os anjos caídos também estarão ali!

Todos os mais vis dentre os vis serão os companheiros de todos aqueles que tiverem rejeitado a Cristo, e isso para sem­pre. Apocalipse 21:8 descreve a cena: “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. O capítulo prossegue a fim de dar uma linda descrição sobre o Céu, no fim do qual, está escrito: “Nela nunca, jamais, penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apocalipse 21:27). Visto que aqueles, que contaminam, que praticam abominação e vivem na mentira, não terão permissão de entrar no Céu, resta apenas um lugar para irem, e é o inferno eterno.

A mesma coisa é ensinada no capítulo vigésimo segundo do livro de Apocalipse, após outra gloriosa descrição do Céu, pois lemos no versículo quinze: “Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idolatras, e todo aquele que ama e pratica mentira”. O inferno é uma região, onde os perdidos estarão ombro a ombro com os impuros, os assassinos, os feiti­ceiros, os idolatras, os abomináveis, os incrédulos e todos os outros que contaminam a humanidade. Qualquer pessoa de sen­sibilidade refinada certamente abomina o pensamento de passar a eternidade com multidão tão horrível. Certamente isto seria um tormento para ela!

O Dr. Robert P. Shuler, que durante um terço de século foi ministro da Igreja Metodista da Trindade, em Los An­geles, nos Estados Unidos da América, e que mereceu o título de “Bom Lutador”, fala sobre um incidente que teve lugar quando era apenas um jovem pregador, em Pocahontas, Estado da Virgínia. Já ia adiantada à tarde, quando recebeu chamado de um lugar distante, para ir falar com uma jovem que estava prestes a morrer. Reconhecendo a localização como bem situada no meio da zona de prostituição da pequena cidade mineira, he­sitou até que a mulher que o chamava o informou de que a jo­vem não poderia sobreviver até o dia seguinte e que estava cha­mando um ministro metodista para dizer-lhe como poderia ser salva. Era o tipo de apelo que ele não podia rejeitar, pelo que convidou um ancião de oitenta anos para que o acompanhasse. A neta do idoso homem tocava órgão no templo metodista todas às noites de domingo.

Já declinava o dia quando entraram na zona do meretrício daquela cidade, onde havia cenas de sangue todo o dia de paga­mento e onde o vício abundava da maneira mais indescritível. As mulheres já estavam de pé, nas portas de seus quartos, encorajando os homens a entrarem. Pecado e iniqüidade eram vistos e ouvidos por todo o lado, da maneira mais deprimente que se possa imaginar.

Encontrando o endereço, entraram para falar com uma bo­nita mas acabada jovem, que estaria passando dos vinte anos. Ela relatou uma história de grave, mas trágico pecado — traída por seu amante, expulsa de casa por sua mãe, e decaindo cada vez mais até que chegou a encontrar-se na presente situação. Dis­se entre lágrimas que temia haver ido tão longe no pecado que Deus não mais a amasse, e que fosse impossível ser salva. Então eles lhe relataram sobre a mulher do oitavo capítulo de João, que fora apanhada em ato de adultério, e sobre como Jesus a perdoou. Falaram-lhe sobre a mulher que conversou com Jesus no poço de Sicar, e que tivera tantos maridos e estava vivendo abertamente em pecado na própria ocasião em que foi salva. Falaram-lhe acerca de Maria Madalena, de quem Jesus expulsou sete demônios. Falaram-lhe sobre o blasfemo ladrão moribundo, que se converteu quando, para bem dizer, já estava com um pé no inferno. Citaram as muitas passagens de convite de Cristo, para os que “quiserem”, que se encontram na Palavra de Deus. Finalmente, teve a certeza de que o Salvador a perdoava, ainda que fosse tão grande pecadora, e com grande alegria depositou sua fé e confiança em Jesus.

Depois de mais alguns conselhos e orações, os homens partiram de volta para casa, atravessando naturalmente os mes­mos lugares por onde tinham vindo. As cenas de iniqüidade, que os tinham de tal modo nauseado, tinham-se multiplicado muitas vezes. Passando pela segunda vez, naquela noite, por aqueles quadros de pecado vil ao seu redor, Shuler voltou-se para seu idoso acompanhante e disse-lhe: “Já pensou na possi­bilidade de sua linda neta de dezesseis anos estar vivendo e se associando com esta espécie de gente?”

O perplexo ancião parou imediatamente, enfrentou Shuler com a ira estampada em seu rosto abatido, ficou pálido, cerrou os punhos e indagou com os dentes cerrados: “Que é que vo­cê quer dizer com isso?”

O jovem pregador replicou: “Quero dizer simplesmente que falei com ela na semana passada, mas ela ainda não tomou sua grande decisão ao lado de Jesus Cristo. Nem quis resol­ver a questão quando eu falava com ela. Se compreendo corre­tamente a minha Bíblia, essa é a espécie de companhia que ela terá para sempre, a não ser que se arrependa”.

O homem idoso simplesmente ficou olhando para o minis­tro por alguns momentos e então, sem dizer palavras, continuou andando com passo firme pela calçada. Chegaram à residência dele, e o ancião atravessou o portão, subiu as escadas da casa, e entrou, sem nem ao menos dizer “Boa noite”. Porém, havia percebido a visão que espero tenha todo crente que puder ler estas linhas: viu sua linda neta no tormento da associação com os iníquos para sempre, a não ser que se voltasse para Cristo.

Na noite do domingo seguinte, depois de Shuler haver pregado uma mensagem evangélica simples, conforme lhe fora pedido por alguém com antecedência, outra pessoa tocou o órgão durante o convite, e o mesmo ancião foi até onde estava sua neta, tomou-a pela mão, e a trouxe em direção ao púlpito, numa aberta e pública confissão de fé em Jesus Cristo.

Oh, o horror do inferno e da associação com os condena­dos e impenitentes! Se morreres perdido, remexer-te-ás na pi­lha de lixo da eternidade, para sempre. O Senhor Jesus Cristo repetidamente usou o vale de Hinom ou Gehena — que ficava imediatamente fora do portão, destinado ao lixo da cidade de Jerusalém — como ilustração do inferno. Ali, o lixo e os destroços da cidade eram lançados e queimados com um fogo que nunca se apagava. O inferno é assim!

Em seguida, vamos pensar sobre:

II. O Tormento da Separação Eterna dos Entes Queridos

Em Lucas 13:28, o Salvador disse aos líderes religiosos perdidos de Seu tempo: “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós lançados fora”.

As pessoas daqueles dias não pensavam no Céu como o fazemos hoje, em termos de uma reunião com algum ente que­rido que se foi antes de nós, como uma mãe crente, um pai pie­doso ou um bebê falecido ainda na infância. Também não pensavam no Céu em termos de um lugar de comunhão com o Salvador, que morrera por eles na cruz. Antes, o Céu era uma maravilhosa terra de oportunidades para estarem para sempre com os pais de sua nação. Como ansiavam estar em compa­nhia de Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Daniel, Isaías e os ou­tros profetas vitoriosos do Antigo Testamento! Jesus, pois, como que estava a dizer-lhes: “Havereis de chorar e ranger os dentes quando virdes todos eles com quem quer estar, entra­rem no Céu, mas vós mesmos ficardes do lado de fora”.

Que terrível tormento será o teu se tiver rejeitado a Jesus Cristo, quando te vires eternamente separado dos teus amigos crentes e de teus entes queridos. Isso significa que nun­ca mais sentirás o terno toque de uma mãe amorosa, ou nunca mais experimentarás a doce carícia de tua esposa ou teu espo­so. Recentemente li a respeito de um casal, no Estado de Idaho, que celebrou seu octogésimo aniversário de casamento, no dia de Ação de Graças. Pensa só nisso, oitenta anos de feliz união matrimonial! Poucos dias depois — no dia seguinte ao Natal, para sermos exatos o marido partiu para a eternidade, dei­xando aqui viúva, três filhos, quinze netos, cinqüenta e um bisnetos e cinqüenta e um tetranetos.

Naturalmente, que nada sei sobre a relação espiritual da­quele casal para com Deus. Entretanto, visto que esse é fre­qüentemente o caso, suponhamos que um deles tivesse sido sal­vo e que o outro se tivesse perdido. Isso significaria que após oitenta anos de doçura matrimonial e comunhão, ficariam sepa­rados eternamente. Depois de oitenta anos de comunhão e companheirismo matrimonial, um entraria no Céu e o outro seria lançado no inferno. Muitos casais estão unidos há cin­qüenta anos ou mais e nunca se separaram uma única noite e, no entanto, serão afastados da presença um do outro, por toda a eternidade, pelo fato de um deles não ter querido ser salvo. Oh, o terrível tormento da separação eterna dos entes queridos que estejam redimidos!

Porém, isso ainda não é tudo. Caso morras sem Cristo, e assim sejas lançado nesse inferno descrito na Bíblia, experi­mentarás a separação até mesmo daqueles entes queridos que também não quiseram ser salvos. Com isso quero dizer que não desfrutarás de comunhão ou companheirismo com eles, co­mo experimentaste nesta vida. Lembro-me de haver falado, há alguns anos, na cidade de Sacramento, Estado da Califór­nia, baseando-me no texto de Amos 4:12: “Prepara-te… para te encontrares com o teu Deus”. Era no início do ano de 1946, logo depois da Segunda Guerra Mundial. Explicava eu que é necessária a preparação para que a pessoa se encontre com Deus, e que a única preparação aceitável é experimentar o novo nas­cimento, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo.

Enquanto eu salientava a importância do perdão dos pecados e a necessidade absoluta desse novo nascimento, subita­mente um rapaz de cerca de quinze anos, que estava sentado na fileira da frente, pôs-se de pé e disse: “Irmão Sumner, eu tinha um irmão com vinte e dois anos de idade que caiu mortalmente ferido na Normandia, por ocasião da invasão. Ele nunca nas­ceu de novo. Nunca confiou em Cristo. O senhor está me di­zendo que Ele está no inferno, ainda que tenha feito o supremo sacrifício de dar sua vida pela sua pátria?”

Não apenas para seu benefício, naturalmente, mas também, por causa dos outros presentes, senti-me compelido a não es­conder a verdade de acordo com as Escrituras. Respondi-lhe: “Filho, a Bíblia diz em Romanos 3:22 e 23: … porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Não há diferença no fato do pecado. Não há diferença no meio de salvação. Os portões do Céu não se abrem para receber a alguém que tenha dado sua vida pela sua pátria, nem a outro por haver salvo um bebê de morrer queimado num incêndio, nem a outro por haver deixado muito dinheiro para fins de caridade, e ainda a outro por haver depositado sua fé e confiança em Jesus Cristo. A única maneira de entrar no Céu é mediante a fé no Filho de Deus. Mas você não sabe se seu irmão morreu sem Cristo. Talvez algum piedoso capelão tenha chamado seus homens naquela noite da invasão para dizer-lhes: ‘Homens, é como acabo de dizer-lhes. Estamos aproximando-nos da hora zero, e sabemos que alguns de vocês estarão na eternidade antes de raiar outro dia. Quero dizer-lhes como se pode entrar no Céu logo quando se deixa esta vida’, e assim tenha conquistado seu irmão para Jesus Cristo. Ou talvez algum com­panheiro de farda que fez com ele o treinamento básico, tenha se aproximado dele no navio, tenha posto um braço em volta de seus ombros, e dito: ‘Amigo, se a bala tiver o meu número, estou pronto para ir. Minha fé está colocada em Jesus Cristo, e Este crucificado. Mas, se ela trouxer o seu número, você ainda não está pronto. Não quer confiar no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador pessoal? Deus o ama, Cristo morreu por você, e você pode ser salvo por meio da fé’ e assim o tenha levado a Cristo. Você, meu jovem, não sabe se seu irmão mor­reu perdido. Talvez ele esteja no Céu agora mesmo!”

Enquanto eu viver, não me esquecerei da amarga resposta do jovem, ao retrucar: “Não, eu sei que ele morreu perdido, rejeitando a Cristo. E, se meu irmão está no inferno, também quero ir para o inferno para estar com ele!”

Ao cair em lágrimas, mas desafiante em seu assento, ainda pude dizer-lhe: “Meu filho, você diz isso porque não sabe o que é o inferno. Se você for para o inferno e seu irmão esti­ver ali, você não terá qualquer companheirismo agradável com ele, como aquele que deve ter experimentado neste mundo”.

E é verdade! Aqueles, que morrem perdidos, ficam eterna­mente separados não apenas de seus entes queridos salvos, mas também de seus entes queridos perdidos.

O motivo para isso pode ser visto no próximo tormento que desejo mencionar:

III. O Tormento das Trevas Eternas no inferno

O inferno é um lugar de negrume e trevas espessas, como as da meia-noite, que podem ser sentidas. No versículo que já ci­tamos antes, sobre os anjos caídos — II Pedro 2:4 — a sorte dos mesmos é descrita como “Deus… os entregou a abismos de trevas”. O versículo dezessete do mesmo capítulo, referin­do-se dessa vez aos pregadores não convertidos, diz “… Para eles está reservada a negridão das trevas”.

Em Judas 13, que igualmente se refere aos profetas falsos e pregadores perdidos, lemos: “… para as quais tem sido guar­dada a negridão das trevas, para sempre”. Isso concorda com o que nosso Senhor ensinou em Mateus 8:12: “…Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”. Dessa maneira, o inferno é descrito como lugar de “cadeias de trevas”, “negridão” de trevas”, “cerração de trevas” e “trevas exteriores”.

Podes imaginar-te num lugar de tão eternas trevas, um lugar aonde os raios de sol nunca chegam, onde o piscar das es­tréias e o resplendor da lua nunca podem ser contemplados? Podes imaginar um lugar onde ninguém pode chegar num quar­to, acender a luz e inundar o mesmo com a luz elétrica? Podes imaginar um lugar onde o sol nunca se levanta e aonde o dia nunca chega — há apenas noite para todo o sempre? Se tive­res podido imaginar isso, terás simplesmente percebido um dos medonhos tormentos do horrível inferno. Quão trágico será se o Salvador for compelido a dizer a teu respeito: “Amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá cho­ro e ranger de dentes” (Mateus 22:13). O inferno é um eterno “Boa Noite” para todo pecador que deixa esta vida sem Cristo. Nunca mais ouvirá um “Bom dia”, visto que o sol nun­ca aparece naquela terra de angústia e desespero. Que coisa horrível é estar perdido!

Cerca de 18 quilômetros no lugar onde nasci, existe uma das sepulturas mais incomuns do mundo. Tenho uma fotogra­fia da mesma em meu gabinete. Não é muito valiosa, nem traba­lhada, nem enfeitada, mas é inteiramente diferente das outras. Parece que um menino com cerca de catorze ou quinze anos — cujo pai não tinha tempo nem para Deus nem para o Cristia­nismo — estava morrendo. Na ignorância do menino sobre o que é a morte realmente, este tinha um verdadeiro pavor da sepultura. Pelos poucos funerais que havia visto, tirou a con­clusão de quando morresse, levá-lo-iam ao cemitério, cavariam um buraco e o deitariam no mesmo, depois do que o enterra­riam, quando então as trevas circundantes seriam aterrorizantes. O menino naturalmente, não sabia que no próprio momento em que uma pessoa morre, o espírito e a alma partem do corpo para entrarem imediatamente no Céu ou no inferno. Ele não compreendia que é apenas o tabernáculo terreno de pó, no qual a pessoa verdadeira viveu durante sua existência neste mundo, que é posto na sepultura, no cemitério. Por causa de seu temor da escuridão, porém, rogou ao seu pai, quase em seu último suspiro, que pusesse uma janela em sua sepultura para deixar entrar a luz do sol.

O incrédulo pai, com as lágrimas a descerem-lhe pelo rosto, tomou as mãos de seu filho e prometeu-lhe que sua sepultura teria uma janela. Hoje, quando alguém vai àquele pequeno e despretensioso cemitério, encontra uma sepultura simples com forma muito incomum. Tem um montinho de terra com uns dois palmos de altura a partir do nível do solo. Diante do montículo de terra, que parece a metade superior de um octógono, há três pedras chatas. A pedra do centro, que é um pouco para dentro, está dotada de uma janela de vidro, que permite a entrada da luz do sol até onde está o caixão. O pai do menino cumpriu a sua promessa, e a sepultura tem realmente uma janela.

O jovem, em sua ignorância sobre a Bíblia, não com­preendia o que, na realidade, sucede por ocasião da morte, porém, assim mesmo entendeu, de certa forma, uma porção da verdade bíblica. No próprio momento em que a pessoa morre, entra num lugar de negrume e trevas muito mais aterrorizantes que as meras trevas de um sepulcro do cemitério. Se partires desta vida sem ter Jesus Cristo como teu Salvador pessoal, entrarás na “cerração de trevas e escuridão” do inferno eterno. A pessoa perdida parte imediatamente para um lugar onde nem amigos nem inimigos podem fazer uma janela que permita a entrada da luz. Que tormento não deve ser aquele lugar de trevas eternas!

O motivo desse tormento das trevas no inferno é explicado pelo horror seguinte que vamos considerar:

IV. O Tormento da Morte Eterna no inferno

Sabias que a morte e o inferno são associados por diversas vezes nas sagradas Escrituras? Por exemplo, em Apocalipse 1:17,18, Jesus diz: “Eu sou o primeiro e o último, e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do inferno”. Em Apo­calipse 20:13,14, falando da Grande Manhã do Julgamento, a Palavra de Deus esclarece: “Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago do fogo. Esta é a segunda morte, o lago do fogo”.

Morte, não te esqueças disto, significa simplesmente sepa­ração. Quando uma pessoa morre, a alma e o espírito são separados do corpo. Visto que não sabemos de que outra ma­neira podemos descrever essa separação, dizemos que a pessoa “morreu”. Semelhantemente, a Bíblia descreve a condição das pessoas perdidas como “mortos nos vossos delitos e pecados”

(Efésios 2:1). Visto que estão separadas de Deus, são consideradas “mortas”. Se durante toda a sua existência terrena continuarem a rejeitar a Jesus Cristo, falecendo fisicamente nesse estado de morte espiritual, ficarão eterna, completa e finalmente separados de Deus. As Escrituras chamam essa condição de “a segunda morte”!

Hebreus 2:9 fala sobre a morte do Senhor Jesus, na cruz do Calvário e comenta que Ele fez isso para que “pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem”. Em que sentido Jesus experimentou a morte a favor de todo homem? Isso não pode referir-se à morte física, pois essa, cada homem a prova por si mesmo — até mesmo aqueles que depositam sua fé e confiança em Jesus Cristo. Durante os séculos que são pas­sados, os santos têm pessoalmente percorrido o “vale da sombra da morte”, e assim continuarão a fazê-lo, até que Cristo venha novamente.

A explicação de como Cristo provou a morte a favor de todo homem é percebido no grito que deixou escapar estando na cruz: “À hora nona clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lama sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Marcos 15:34). Visto que no Calvário Jesus Cristo estava provando os tormentos do inferno em favor dos pecadores, era absolutamente necessário que fosse abando­nado pelo Pai, e que aquela comunhão eterna que Ele, como Filho, havia desfrutado com o Pai, fosse agora interrompida. Se Ele tinha de levar sobre Si o nosso castigo, era necessário que também experimentasse o que é ser abandonado e estar separado de Deus, como nosso pecado merece. Ele realmente provou a morte por nós, pelo que, se O aceitarmos como nosso Salvador pessoal, como Aquele que levou nosso pecado, não precisaremos experimentá-la. Por outro lado, se não O rece­bermos como nosso Salvador, será impossível deixar de expe­rimentar pessoalmente essa separação ou “morte”.

Esse é o significado de II Tessalonicenses 1:7-9, onde lemos: “… e a vós outros que sois atribulados, alívio jun­tamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vin­gança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do Seu poder”. Observa que a Bíblia ensina que aqueles que se recusam a deixar-se salvar, obedecendo ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, serão punidos com “eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do Sou poder”. O tormento da morte, no inferno, consistirá em ficar eternamente separado de Deus e de Sua glória.

Nas Escrituras, morte nunca significa aniquilamento ou deixar de existir! Refere-se simplesmente a ser completa e finalmente separado do Deus Todo-Poderoso e de tudo quanto vem da parte Dele. Nesta vida, o pecador não está comple­tamente separado de Deus, porque recebe muitas coisas boas e perfeitas de Suas mãos. Por exemplo, o Salvador disse, em Mateus 5:45, que o Pai “faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos”. Pessoas perdidas recebem muitas das bênçãos de Deus em suas vidas, e Romanos 2:4 nos ensina que essa “riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade” é um esforço da parte do Senhor para conduzir os homens ao arrependimento. Entretanto, se não se arrependerem antes da morte, terão de mergulhar no inferno eterno, onde a separação entre eles e Deus será completa e final.

Eis porque não existe luz no inferno, mas somente negrume e trevas. As Escrituras ensinam-nos que “Deus é luz” (I João 1:5); todavia, nada da parte de Deus jamais penetrará nos corredores do inferno. Esse também é o motivo pelo qual não existe amor no inferno, pois “Deus é amor” (I João 4:16). No inferno nada existe de bom, nada existe de perfeito, nada existe de santo, nada existe de abençoado, mas apenas aquilo que Deus tem amaldiçoado. Os homens, as mulheres e os jovens que vivem sem Deus, que por suas vidas como que estão a dizer: “Jesus, eu não te quero, eu não te quero receber”, serão expulsos de Sua presença para sempre. Oh, o terrível tormento da morte no inferno, com sua eterna separação entre o pecador e o Deus Todo-Poderoso! Isso, em minha opinião, será de todos, o mais terrível dos tormentos do inferno.

Em seguida, vamos pensar a respeito de:

V. O Tormento da Tristeza Indizível do Inferno

O inferno é uma região completamente vazia de qualquer espécie de alegria. Nenhum riso é jamais ouvido a ecoar por seus corredores. Nenhum risinho de criança nem a brilhante alegria da juventude cintilam naquela terra de noite eterna. As coisas, que deliciam que agradam e que fazem vibrar a alma, são varridas para sempre da consciência dos condenados. Uma grande tristeza reina suprema, sem qualquer alívio, suspensão ou descanso.

O Salvador frisou essa verdade quando disse, em Mateus 13:41,42: “Mandará o Filho do homem os seus anjos que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes”.

Um pouco mais adiante, no mesmo capítulo, novamente salientando a sorte dos eternamente perdidos, disse Ele: “Assim será na consumação do século: Sairão os anjos e separarão os maus dentre os justos, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes” (versículos 49,50).

Em Lucas 13:28 Ele comentou sobre o “choro e ranger de dentes”. Davi referiu-se por diversas vezes a “cadeias in­fernais” (II Samuel 22:6. Salmos 18:5).

Há um hino que fala sobre o Céu, intitulado “Todos Serão Felizes Ali”. Mas isto certamente não é verdade acerca do inferno. Ninguém será feliz no inferno! Pelo contrário, será uma miserável região de choro, de lamentos, de maldição, de amargura, de maldade, de ranger de dentes e de miséria transbordante. Que horrível confusão de melancolia, de tristeza e de indescritível miséria existe nas recamaras daquela noite eterna!

Em seguida, temos:

VI. O Tormento do Ferrão da Memória Semelhante a um Escorpião e o Remorso Amargo, Dilacerante e Escaldante de uma Consciência Culpada que Remói e Atormenta.

Quando o rico, no inferno, rogou que uma gota do dedo úmido de Lázaro fosse posta em sua língua febril, Abraão re­sumiu sua recusa, dizendo: “Filho, lembra-te…”. Em Da­niel 12:2, somos informados: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno”. No inferno haverá memórias que produzirão vergonha e horror contínuos.

A memória é uma coisa horrível, que persegue e perturba: um inferno atormentador em si mesmo. Nos Estados Unidos há mais de meio milhão de tentativas de suicídio todos os anos pelo menos uma tentativa em cada minuto do relógio, noite e dia — e a razão para a maioria é que seus pecados pesaram em sua consciência, e assim procuram evadir-se da tortura de sua contundente condenação. Em lugar de enfrentarem a rea­lidade, preferem saltar de um alto edifício ou encostar um re­vólver na têmpora e estourar os miolos. O inferno, todavia, é um lugar de onde o homem descobre ser impossível escapar e impossível ocultar a vergonha e o horror de seus pecados. Mesmo que no inferno não houvesse o diabo, os demônios, os pecadores, os associados, iníquos, as trevas e a tristeza, a memória já seria incentivo suficiente para que eu tentasse escapar do mesmo e procurar o Céu.   Sim recordar-te-ás de tudo no inferno!!!

Uma das coisas mais relembradas serão as oportunidades rejeitadas de aceitar ao Senhor Jesus Cristo como Salvador pessoal. Lembrar-te-ás, pois, das orações de tua mãe, dos apelos ansiosos dos amigos, das advertências persistentes daqueles que estiveram interessados em tua alma. Recordar-te-ás de cada mensagem evangélica ouvida ou lida. Esta mensagem particular, com sua forte advertência bíblica sobre os horrores do inferno eterno, perseguir-te-á para sempre, por causa da maneira descuidada com que puseste de lado seu apelo bíblico. O canto fúnebre do inferno será a balada tristíssima: “Po­deria ter sido!” Oh, estar tão perto da salvação, tão próximo do Reino de Deus, e, no entanto adiar a grande decisão, até que a morte súbita e sua horrenda declaração de “Não há mais remédio” faça soar a eterna condenação para a tua alma… Terás a eternidade inteira para lamentares tua insensatez, tua indecisão, e o não teres aceitado a salvação. “Filho, lembra-te…”.

Também te lembrarás de teus pecados no inferno. A maior parte de tuas iniqüidades e transgressões há muito têm sido esquecidas, e apenas algumas das piores são relembradas por ti. No Inferno, porém todo o esqueleto de teus pecados secretos virá perseguir-te eternamente. Com uma consciência despertada e com memória perfeita, o tremendo horror de tua rebelião contra os mandamentos de justiça, e de tua pronta Submissão às sutis sugestões da astúcia satânica, será uma por­ção de teu tormento “pelos séculos dos séculos”. As coisas agora esquecidas e apagadas pelo tempo aparecerão para ti de modo tão claro como o momento presente. George Eliot, a grande novelista, sem querer, pintou um exemplo dos horrores do inferno, quando descreveu, nas páginas de sua literatura, o quadro de uma jovem que pecou gravemente, e então matou a criança nascida de seu pecado. Em perfeita harmonia com a advertência de Deus “… sabei que o vosso pecado vos há dei achar…” (Números 32:23), suas terríveis transgressões foram descobertas. Quando uma compassiva mulher tentou consolá-la, ela simplesmente clamou desesperadamente, por muitas e muitas vezes: “Mas, sempre terei que ficar ouvindo aquele, choro?” Semelhantemente, no inferno as almas não terão o menor consolo, enquanto os ecos de suas iniqüidades haverão de persegui-las sem cessar.

Lá no Estado do Texas, uma terra notória por seus milio­nários, entre os barões do gado e os proprietários de poços de petróleo, vivia um homem que havia reunido imensa fortuna defraudando o pobre, fazendo negócios escusos, torcendo os fa­tos e de muitas maneiras enganando os inocentes e ignorantes. Eventualmente se tornou um dos mais ricos milionários do Es­tado; porém, nunca chegou realmente a desfrutar de seus ga­nhos mal adquiridos. Pelo contrário, à medida que foi envelhe­cendo, a consciência de seus crimes foi enfraquecendo sua mente de tal modo que seus parentes afinal se viram obrigados a in­terná-lo num hospital para doentes mentais. Ali, andava inces­santemente para lá e para cá em sua cela, clamando repetidas vezes: “Esta terra não é minha! Este dinheiro realmente não é meu! Este gado não me pertence! Estas ações realmente não são minhas! Ah, quem me dera não ter nenhuma cabeça de gado, que eu não possuísse nenhuma ação, que eu não tivesse um metro de terra, que eu não tivesse nenhum poço de petró­leo! Não são meus! Não são meus! NÃO SÃO MEUS!”

Podes imaginar viver toda a eternidade com uma consciên­cia sobrecarregada assim? No entanto, esse é apenas um da­queles medonhos horrores do inferno, que todo condenado ha­verá de experimentar. Não admira que o inferno tenha sido apelidado de “Hospício Eterno” e de “Asilo dos Séculos”!

E outro dos horrores infernais centraliza-se em torno de:

VII. O Tormento de Desejos Sensuais Insatisfeitos

Já pudeste perceber que no inferno não haverá uma única coisa capaz de satisfazer? Há algum tempo li um sermão es­crito por um pregador, dizendo que no inferno não haveria pecado. Esse homem é nobre, bom e sincero, mas estava equi­vocado quanto a este particular. Será necessário alguém ir para o Céu para atingir um lugar de perfeição impecável! O caráter que estiveres desenvolvendo nesta vida prosseguirá seu desenvolvimento no inferno ininterruptamente. Esse é o signi­ficado da mensagem do anjo ao apóstolo João, em Apocalipse 22:11: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se”. Os pecadores injustos, que forem lançados no inferno, permanecerão injustos para todo o sempre. As almas imundas, que se negam a aproximar-se de Cristo para serem purificadas no sangue do Cordeiro, permane­cerão eternamente imundas, no inferno. Sim, “continue o in­justo fazendo injustiça”. O injusto não cessará de praticar a injustiça no inferno, diz a Bíblia.

Entretanto, o citado pastor em parte tinha razão, no sen­tido de que o pecado dos condenados do inferno limitar-se-á à concupiscência do coração e da mente, e não será consumada por ação e na realidade. Lembra-te de que os pecados da imagi­nação são tão iníquos, aos olhos de Deus, como os pecados de ação. Somos ensinados em Provérbios 24:9: “Os desígnios do insensato são pecado…” Como ilustração, o sétimo mandamento adverte: “Não adulterarás” (Êx. 20:14), mas Jesus ampliou essa verdade quando disse em Mateus 5:27, 28: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela”. O primeiro é um pecado por obra e o segundo é peca­do no coração; mas ambos são igualmente pecados, aos olhos do Deus santo.

Semelhantemente, o sexto mandamento nos avisa: “Não matarás” (Êxodo 20:13), mas João amplia essa injunção ao es­crever : “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino” (I João 3:15). O primeiro é um pecado expresso em ação; o outro é um pecado de pensamento.

É bastante dizer que o inferno é um lugar de paixões selvagens, mas nunca satisfeitas.   Os apetites que tiveres alimentando, agora, clamarão sem sucesso rogando serem aplacados durante toda a eternidade. Já viste algum toxicomaníaco chorando por seu narcótico quando seu corpo necessita de outra injeção? Seus olhos têm um ar feroz e bestial, esbugalhados. Parece e age como um louco. E de fato está louco: fora de si. Ele é capaz de mentir, furtar, matar ou fazer qualquer outra coisa a fim de arranjar o dinheiro para comprar o narcótico ou para consegui-lo de qualquer outra maneira. No inferno, o toxicomaníaco não terá o seu narcótico, mas tão-somente a ânsia pelo mesmo, cultivada durante sua vida terrena. Todos os apetites provocarão exatamente a mesma reação no inferno, quer sejam a respeito de narcótico, fumo, álcool, concupiscência ou qualquer outro pecado menos grave a nosso olhos finitos.

Como alguém já sugeriu, o inferno é um lugar onde os Belsazares não terão seu vinho, onde os Acabes não terão sua vinha de Nabote, onde os Félixes não terão sua Drusila, onde os Herodes não terão sua dança sensual, e onde os Judas não terão seu cobiçado ouro.    Muitas pessoas são vítimas da bebida. Buscando prazer, bem-estar ou esquecimento das tristezas no álcool, tornam-se escravizadas do hábito que vicia.

Pobres almas perdidas, enganadas, cegas! Não haverá cerveja, nem vinho, nem cachaça, nem vermute, nem qualquer lontra espécie de bebida alcoólica no inferno. Imagina a ânsia atormentadora daquele que tiver desenvolvido a paixão pelas bebidas alcoólicas nesta vida, quando lhe for negada a satisfa­ção de seus desejos no inferno! Que horror não será possuir uma paixão insaciável pelo pecado no coração e, no entanto, ver negada a sua satisfação. Esse tormento foi descrito em Joel 1:5: “Ébrios, despertai-vos, e chorai; uivai todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque está ele tirado da vossa boca”. Haverá choro e lamentações no inferno quando aqueles que tiverem desenvolvido paixão e apetite pelas bebi­das alcoólicas, tiveram-nas retiradas de sua boca para todo o sempre.

Esse tormento, entretanto, não se limitará somente aos amantes das bebidas fortes; qualquer outro pecado terá uma reação semelhante. O inferno é uma casa de horrores, onde as ânsias da concupiscência dos perdidos nunca são satisfeitas, mas onde a paixão abrasa em seu interior, por toda a eternidade.

Outra característica da agonia dos condenados é descrita por:

VIII. O Tormento do Desespero no inferno – Nenhuma Esperança, Condenados para Sempre

Em nosso texto, Abraão recordou ao ex-rico, no inferno: “E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós” (Lucas 16:26). Sim, há um grande abismo que impossibilita o regresso do inferno para quem quer que tenha penetrado em seus horrores. Os transgressores, que viajam no trem expresso do pecado para o inferno, têm bilhete só de ida.

O Salvador disse, em Mateus 25:41: “Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Observa que o Filho de Deus referiu-se aos tormentos do inferno corno “fogo eterno”. Ele prosseguiu para afirmar, dentro do mesmo capítulo: “E irão estes para o castigo eterno, porém os justos para a vida eterna” (versículo 46). A punição do inferno e o seu tormento durarão para sempre, pois se trata de um “castigo eterno”.

Apocalipse 14:10,11 é a passagem que descreve os eternos e intermináveis horrores dos perdidos, com estas palavras: “… também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite…” As palavras aqui traduzidas como “pelos séculos dos séculos” correspondem à expressão empregada em Ef. 2:7, para indicar a mesma duração de tempo, com referência às alegrias da eternidade no Céu, que será a porção dos redimidos. Os horrores do inferno não podem e realmente não terminarão mais cedo do que as alegrias celestiais — ambas as coisas são eternas.

Podes imaginar quão horrendo é perder toda esperança para sempre? Que farias neste mundo se perdesse toda a esperança? Nesta vida vivemos baseados na esperança. Se cairmos enfermos, esperamos melhorar. Se os negócios correm mal, esperamos que a situação melhore. Se as coisas andam mal, esperamos que alguma coisa aconteça, antes de muito tem­po, para animar-nos. Mas no inferno desaparece toda a espe­rança. Para os perdidos nada há a esperar senão o tormento, as trevas, o desespero e a condenação eternos. Não há saídas no inferno, e quem ali chegar será obrigado a ficar para sempre. Nunca mais poderá sair! Como Dante escreveu fantasiosa, mas acertadamente dizendo estarem inscritas na entrada do inferno as palavras: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”.

Ninguém pode ao menos começar a sondar a altura, a pro­fundidade, o cumprimento e a largura da eternidade! O minis­tro metodista da velha guarda William Elbert Munsey, escreveu sobre o desespero da eternidade, dizendo:

“A eternidade é uma linha infinita. O mais forte anjo alado que se locomove no éter ilimitado pode ir acompanhando-a para sempre, e, no entanto não pode des­cobrir seu fim, como também não pode encontrar o berço ou o túmulo de Deus. A alma laboriosa e encarnada do homem também não pode encontrá-la. É um dia sem manhã, um dia sem tarde — um eterno meio-dia. Era exatamente meio-dia quando o mundo foi criado, e será exatamente meio-dia quando o mundo for destruído — meio-dia em ponto para sempre. Oh, eternidade! A idéia se aprofunda, se alarga e se eleva, até que a mente humana, confusa e esmagada, se retrai em sua pequenez finita, e assustada voa para seu templo, fecha a todas as portas, e tenta ocultar seu pequeno “eu” para sempre.

“Oh, eternidade! Mãe de ciclos e pai dos séculos, cujo incalculável e incompreensível valor nenhuma subtra­ção pode diminuir, nenhuma adição pode aumentar — tu, o tipo único da divindade, e dia de Sua duração — qual não deve ser a tua significação quando reunida à severa penalidade contra o pecado, quando então te transformas em Morte Eterna… Frase espantosa! Será escrita com pena de fogo sobre todas as paredes do inferno, e grava­da em todo arco pelo fogo do relâmpago, e soará por to­das as suas masmorras pelo hálito horrendo do trovão. Esse é o lema sobre o selo de Deus, que fecha as portas da lamentação. Não há despedidas no Céu. Tal palavra nunca soou em cordas de angústia das harpas dos remi­dos, nem destoou de seus harmoniosos prelúdios, nem dan­çou sobre suas cordas vibrantes — mas, também não há despedidas no inferno — oh, eternidade! eternidade!” Novamente, o flamejante orador metodista escreveu:

“Oh, eternidade! Mãe de ciclos e pai dos séculos, ciclos rolem, mas não poderás derrubar nem arranhar as paredes do inferno, nem poderás enferrujar e partir suas correntes ou embranquecer os cabelos de Deus, que jurou por Seu eterno “Eu” que o pecador morrerá. O pêndulo do teu cronômetro sobre os portões da lamentação vibra’ durante todas as eras, dizendo: ‘para sempre e sempre’, ‘para sempre e sempre’, ‘para sempre e sempre’ — enquanto sua campainha vai marcando a passagem dos sé­culos, das eras — dos ciclos. A espantosa monotonia de seu pêndulo — prosseguindo — prosseguindo — prosseguindo — continua repetindo — para sempre e sempre, para sempre e sempre, para sempre e sempre. Oh, eternidade! Deus é Quem deu corda em teu relógio, e essa corda nunca acabará — seu ruído e ritmo serão ouvidos por todos os perdidos — ‘para sempre e sempre’, ‘para sempre e sempre”, ‘para sempre e sempre’. Deus é testemunha de que estaria pronto para morrer para que pudesse salvar-te deste dia.

Isaías 38:18 descreve o caso da seguinte maneira: “A se­pultura” não te pode louvar, nem a morte glorificar-te; não es­peram em tua fidelidade os que descem à cova”. Nota bem que aqueles que forem precipitados no inferno “não esperam pela verdade divina”. Provérbios 11:7 amplia esse fato quando diz com todo a franqueza: “Morrendo o homem perverso morre a sua esperança, e a expectação da iniqüidade se desvanece”. No momento exato em que morre um homem perdido, desaparece sua expectação para toda a eternidade, e sua esperança perece para todo o sempre. A pessoa perdida jamais pode ter a “es­perança” de sair do inferno.

Certa vez li um artigo que falava sobre como um prisio­neiro escapara duma grande penitenciária nos Estados Unidos da América. Um prisioneiro estava encostado de encontro à parede de sua cela, certo dia, quando uma grande pedra caiu da parede. Olhando pela abertura, descobriu que o bloco de celas onde estava havia sido construído perto de outro bloco de celas, mas que as autoridades haviam deixado um es­paço com cerca de meio metro entre os dois conjuntos. Arras­tando-se pela abertura, o prisioneiro foi até o fim da passagem e descobriu que conduzia quase ao muro exterior da prisão. Pôs a pedra de volta no lugar, e no dia seguinte furtou uma colher do refeitório. Imediatamente, ele e outros companheiros de cela começaram a cavar uma colherada de pó da pedra por noite, pondo-o no bolso e espalhando-o no pátio do dia seguin­te, ou desfazendo-se dele à noite. E assim foram trabalhando lentamente, colherada por colherada, dia após dia, semana após semana, mês após mês, durante um ano inteiro, até que já ha­viam escavado um pequeno túnel por baixo do muro, e assim conseguiram escapar para a liberdade exterior. O inferno, po­rém, é um lugar onde os pecadores poderiam fazer túneis du­rante bilhões de anos, com as escavadoras mais eficientes, tra­tores, pás mecânicas e todo tipo mais modernizado de maqui­naria, mas nunca conseguiriam encontrar o caminho para fora.

Caro leitor, dá ouvidos às Escrituras, que afirmam não haver meio de escapar do inferno! Ali te espera o horror de estar aprisionado naquela casa de loucos, sem esperança alguma de perdão ou eventual soltura!

Em seguida devemos pensar sobre:

IX. O Tormento da Chama Inextinguível de Enxofre e Fogo, no inferno

Já percebeste que nesta mensagem, até este ponto eu ainda não havia mencionado aquilo sobre o que a pessoa comum ime­diatamente pensa com relação aos tormentos do inferno? Se eu perguntasse a cem pessoas como é o inferno, suponho que pelo menos noventa e oito replicariam que é um lago de fogo e enxofre. Deliberadamente, não mencionei este fato até esta altura da mensagem — exceto no que isso é dito em certos versí­culos que mencionei para comentar sobre algum outro particular — só para impressionar-te com a verdade de que esse é o menor de todos os tormentos do inferno!

Não me compreendas mal, existe um inferno verdadeiro de fogo verdadeiro que faz os pecadores cerrarem os dentes de dor, clamarem pedindo água, e implorarem misericórdia! Judas 7 diz: “Como Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas que, havendo-se entregue à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, so­frendo punição”. Visto que foi fogo verdadeiro e enxofre ver­dadeiro que destruíram Sodoma e Gomorra — e que isso era apenas um exemplo do inferno — podemos esperar a existên­cia de fogo verdadeiro e de enxofre verdadeiro na região dos perdidos.

Em todos os sacrifícios levíticos do Antigo Testamento, para demonstrar o quanto Deus aborrece o pecado e o castigo, havia fogo real. O Novo Testamento é igualmente enfático a respeito! Sem tentar esgotar o tema nas Escrituras, quero ci­tar abaixo algumas das muitas referências bíblicas que falam sobre o fogo eterno do inferno: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem mo­tivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mateus 5:22).

“Mandará o Filho do homem os seus anjos que trarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes… Assim será na consumação do século: Sairão os anjos e separarão os maus dentre os justos, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13:41,42,49,50).

“Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eter­no, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41).

“E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível (onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga). E se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida alei­jado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno (onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga). E se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois, seres lançado no inferno, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga. Porque cada um será salgado com fogo” (Marcos 9:43-49).

“Também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será ator­mentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem, e quem quer que receba a marca do seu nome” (Apocalipse 14:10,11).

“Então a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago do fogo. Esta é a segunda morte, o lago do fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago do fogo” (Apocalipse 20:14,15).

“Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abo­mináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idolatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte” (Apocalipse 21:8).

O fogo produz a dor física mais intensa possível conhecida pela humanidade. O fundador do metodismo, João Wesley, costumava dizer: “Põe teu dedo na chama de uma vela. Podes suportar por um minuto? Como, então, poderás tolerar que teu corpo seja lançado num lago de fogo e enxofre?” Esse tormento é indescritível!

Talvez fosse mais interessante que eu sumarizasse esta o mensagem sobre os horrores do inferno dizendo simplesmente:

X. Os Tormentos do inferno são tão Terríveis que Deus não Deseja que Nenhum Pecador vá para Lá

Quão ansioso sente-se Deus por salvar os pecadores! Não é desejo Seu que um único pecador entre no inferno, e se eventualmente fores confinado ali por toda a eternidade, será em oposição à vontade de Deus relativa à tua pessoa. Ezequiel 33:11 diz: “Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que haveis de morrer, ó casa de Israel?”

Respondendo à crítica dos zombadores acerca da volta de Jesus Cristo, escreveu o apóstolo Pedro: “Não retarda o Se­nhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que ne­nhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (II Pedro 3:9). Deus não deseja que uma única pessoa pe­reça; antes, deseja que todos se arrependam e sejam salvos.

I Timóteo 2:3-4 expressa esse sentimento como segue: “Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. A vontade de Deus é que sejas salvo e chegues ao conhecimento de Sua verdade em Cristo Jesus. Se fores para o inferno, será apesar dos inúmeros obstá­culos que Deus colocou naquela estrada larga que conduz à destruição.

Deus não te quer no inferno, mas te quer no Céu! Na realidade, Seu desejo por tua salvação era tão intenso que Ele enviou o Seu Filho unigênito desde as glórias do Céu até os horrores do inferno, na cruz, a fim de adquirir tua redenção e possibilitar tua salvação pela fé Nele. João 5:24 cita o Sal­vador, que disse: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. Se simplesmente confiares no Senhor Jesus Cristo, terás evita­do o inferno e obtido o Céu. Entretanto, é preciso acrescen­tar que nem o próprio Deus pode impedir-te de ir para o inferno, se te recusares a abandonar teu pecado e a aceitar o Senhor Jesus Cristo como teu Salvador. Isaías 33:14 contém uma pergunta grave e solene, que devemos considerar seria­mente: “Quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com chamas eternas?”

Pensa novamente nos horrendos tormentos do inferno! Há o terrível tormento de associação com os ímpios, o medonho tormento da eterna separação dos entes amados, tanto redimi­dos, como perdidos, o aterrorizante tormento das trevas, o tor­mento torturante da morte, na forma de separação eterna de Deus e de tudo quanto provém de Deus, o horroroso tormento da tristeza indizível, o tormento do ferrão venenoso da memória e do remorso da consciência, o tormento das paixões pecaminosas insatisfeitas, o tormento, sem esperança, do desespero, o tormento abrasador da chama inextinguível de fogo e enxofre e outros tormentos tão medonhos que Deus não deseja que uma única alma sequer seja condenada a ir para o inferno.

Graças a Deus, porém, prezado leitor, que se agires agora mesmo, há um meio de escape! Não tens de queimar necessa­riamente para sempre nos tormentos do inferno, pois podes ser salvo neste exato momento e para todo o tempo. A Palavra de Deus nos diz, em João 1:11-13: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber; aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

Se receberes agora a Cristo Jesus como teu Salvador pes­soal e confiares em Seu nome, então tornar-te-ás imediata­mente filho de Deus, com teus pecados para sempre perdoados. À luz dos horrores desse inferno eterno, não queres agir agora mesmo, convidando-O a entrar em teu coração? “Crê no Se­nhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa” (Atos 16:31).

Sim, pecador, por que haverias de morrer? Por que haverias de passar uma interminável eternidade no inferno descrito pela Bíblia, se a salvação já foi preparada para ti, gratuitamen­te, pelo próprio Deus? Somos claramente informados a res­peito de Jesus Cristo, em Atos 13:38-39: “Tornai, pois, ir­mãos, conhecimento de que lê” vos anuncia remissão de peca­dos por intermédio deste; e por meio dele todo o que crê é justificado de todas as cousas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés”.

É agora o tempo de resolveres teu destino eterno, assegu­rando tua entrada no Céu, e não no inferno, no próprio ins­tante em que deixares esta existência terrena. Se neste instan­te depositares tua fé e confiança completamente no Senhor Je­sus Cristo, para que Ele te salve dos teus pecados, assina o for­mulário abaixo como indicação externa de tua decisão interna.

Primeira Edição Brasileira, Outubro, 1965

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