Introdução de Sugden

George Whitefield morreu em Newburyport, Massachusetts, trinta milhas de Boston, em 30 de Setembro de 1770, na casa paroquial Presbiteriana, que ainda está preservada. Ele foi enterrado em uma cripta funerária, debaixo do púlpito da casa de reunião Presbiteriana, em 2 de Outubro, conforme sua vontade; e em 1828, um cenotáfio [memorial] foi erguido na igreja, com uma inscrição adequada: Sob a data de 10 de Novembro de 1770, Wesley diz: “Eu retornei para Londres, e as notícias melancólicas da morte do Sr. Whitefield, confirmada por seus testamenteiros, que pediram-me para pregar seu sermão fúnebre, no domingo dia 18”. [Este foi seu próprio desejo. “Se você morrer fora de casa”, disse o Sr. Keen, “quem nós teremos para pregar seu sermão fúnebre? Deverá ser seu velho amigo, Rev. John Wesley?”. Essa questão foi freqüentemente colocada, e sempre Whitefield respondia: “Ele é o homem”]. “Com o objetivo de escrever isto, eu me retirei para Lewisham, na segunda-feira; e no domingo seguinte, fui para a capela, em Tottenham Court Road. Uma imensa multidão se aglomerou de todos os cantos da cidade. Eu estava, a princípio, temeroso que grande parte da congregação não conseguisse ouvir; mas agradou a Deus fortalecer minha voz, de maneira que mesmo aqueles na porta ouviram distintamente. Foi um momento maravilhoso. Tudo estava quieto como a noite; a maioria pareceu estar profundamente afetada; e uma impressão, que alguém poderia esperar não se apagaria rapidamente, foi causada em muitos. No Tabernáculo, o tempo designado para meu início foi cinco e meia, mas ele estava completamente cheio às três horas; assim, eu comecei às quatro. A princípio, o barulho estava excessivamente grande; mas cessou, quando comecei a falar; e minha voz estava novamente tão fortalecida que todos que estavam dentro puderam ouvir, exceto quando algum barulho acidental aqui ou ali impedia, por poucos momentos. Ó, que todos possam ouvir a voz dAquele com quem estão as questões da vida e da morte; e que, em voz gritante, através desse golpe inesperado, clame a todos os Seus filhos para amarem uns aos outros”. Na sexta-feira seguinte, ele repetiu o sermão no Tabernáculo em Greenwich para uma congregação superabundante. Novamente, em 2 de Janeiro de 1771, ele pregou em Deptford “um tipo de sermão fúnebre para o Sr. Whitefield. Em todos os lugares, eu desejo mostrar todo respeito possível pela memória daquele grande e bom homem”.

Não se deve esquecer que, neste mesmo tempo, Wesley esteve no centro da controvérsia com o Rev. Walter Shirley e os pregadores da Condessa de Huntingdon, a respeito das famosas Atas de 1770, nas quais Wesley colocou claramente as diferenças entre suas visões e aquelas dos Calvinistas. Foi muito pelo crédito, tanto dos amigos do Sr. Whitefield como de Wesley, que não foi permitido que isso interferisse naquele convite para ele pregar o sermão, nem no seu próprio reconhecimento afetuoso e incansável da gratidão e bondade de seu colaborador que partira. Na verdade, eles nunca permitiram que a diferença de opinião, desde a disputa em 1741, interrompesse o amor e estima mútuos; eles concordavam diferir, e, ainda assim, amavam um ao outro.

O sermão foi ao mesmo tempo publicado em Londres; e uma reimpressão foi editada em Dublin, também datada de 1770, com um hino adicional, “Glória e graças e amor”; e foi colocado, mais recentemente, nos sermões no volume IV (1771). Uma ataque acalorado foi feito sobre ele no Gospel Magazine de Fevereiro de 1771, provavelmente, pelo Sr. Romaine. Ele primeiro objetou ao texto. “Quão impróprio”, ele diz, “aplicar as palavras de um profeta louco a tão santo homem como o Sr. Whitefield!”. É claro que a resposta de Wesley foi óbvia: ele não aplicou as palavras ao Sr. Whitefield, mas a si mesmo; e ele ironicamente diz: “Nada seria mais adequado do que para Balaão junior usar as palavras de seu antepassado; certamente um pobre réprobo pode, sem ofensa, desejar morrer como um dos eleitos!”. A parte mais séria do ataque foi sobre a afirmação em III (5), de que “as doutrinas fundamentais na qual o Sr. Whitefield insistiu” foram “o novo nascimento e justificação pela fé”. Romaine, ao contrário, afirma que “as grandes doutrinas fundamentais, que ele pregou em todos os lugares, foram a aliança eterna entre o Pai e o Filho, e a absoluta predestinação fluindo disto”.

Wesley responde: (1) “Que o sr. Whitefield não pregou essas em todos os lugares. Em todos os momentos em que eu mesmo o ouvi pregar, nunca o ouvir afirmar uma sentença quer de uma ou de outra. Sim, em todos os momentos que ele pregou na Capela West Street, e em quatro outras capelas, através da Inglaterra, ele não pregou essas doutrinas, afinal; não! nem um simples parágrafo”. (2) “Que ele pregou o novo nascimento e justificação pela fé em todos os lugares. Tanto na Capela West Street como em todas as nossas outras capelas, através da Inglaterra, ele pregou a necessidade do novo nascimento e justificação pela fé tão claramente como ele tem feito em seus dois volumes de sermões impressos”.

Wesley não era ignorante das diferenças entre ele e Whitefield, com respeito à predestinação; mas, mais propriamente neste sermão, enquanto ele reconhece (iii.I) que existem diferenças de opiniões entre os filhos de Deus, ele enfatiza os pontos de concordância; e o que quer que Whitefield possa ter acreditado a respeito dos decretos eternos, nenhum homem, alguma vez, pregou uma salvação completa e gratuita mais constantemente e eficazmente do que ele. A única solução dessa dificuldade deve ser encontrada no reconhecimento de que as duas visões opostas representam os dois lados de uma verdade, que nosso entendimento finito não é capaz de sintetizar; mas que nós podemos, não obstante, aceitar, exatamente como aceitamos a Unidade na Trindade da Divindade, ou a pessoa humana-divina de nosso Senhor.

Incidentalmente, aprendemos da réplica de Wesley a Romaine que um dos hinos cantados no serviço foi o de Charles Wesley: “Recuar a mão fria diante da morte”, dos Hinos Breves nas Passagens Selecionadas (1762), agora número 823 no Hinário Metodista; o outro foi, sem dúvida, o anexado ao sermão, “Servo de Deus, Bravo!”, escrito por Charles Wesley para esta ocasião, e publicado como “Um Hino sobre a Morte do Rev. Sr. Whitefield”, na terceira (póstuma) série dos Hinos Fúnebres. O hino anexado à edição Dublin do sermão é o número 42, na segunda série dos Hinos Fúnebres, publicados em 1759 (edição Osborn das Obras Poéticas, vi. 285).

A Capela Tottenham Court Road Chapel, ou Tabernáculo de Whitefield, como foi freqüentemente chamado, fica no lado oeste da rodovia, entre a rua Tottenham e Howland. O lugar era, então, cercado por campos e jardins, e havia apenas duas casas para o norte dele. A pedra de fundação foi colocada por Whitefield em Junho de 1756, e ele a inaugurou em 7 de Novembro, do mesmo ano. Logo se certificou que era muito pequeno e foi ampliado em 1759. Uma abóbada foi preparada sob a capela, na qual Whitefield pretendeu que ambos, ele mesmo e os dois Wesleys pudessem ser enterrados; mas seu desejo não foi cumprido. Em 1890, a construção foi tombada e reerguida. [Ela é agora conhecida como a Missão Central de Whitefield].

O Tabernáculo foi originalmente um galpão de madeira, ao norte de Upper Moorfields, perto da Fundição de Wesley, aberto em 1741; em 1753, ele foi substituído por uma construção de tijolo, aquela em que este sermão foi pregado à tarde. Esta foi usada por mais de um século, e foi então substituída por um Tabernáculo, na esquina da Rua Tabernacle e Leonard, Finsbury, que ocupou o lugar antigo. O antigo púlpito, do qual Wesley pregou nesta ocasião, foi conservado. [A construção é agora usada para propósitos comerciais].

[A edição Sugden inclui as edições nos colchetes dentro do texto]

[Editado por Scott Denfeld, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George Lyons para o Wesley Center for Applied Theology] –

Traduzido por: Izilda Peixoto Bella – Revisado por: Felipe Neto