Ilhas em chamas

A HISTÓRIA DO DESPERTAMENTO DE LEWIS

A ilha de Lewis tem sido a cena de um benevolente movimento do Espírito. O instante da revivificação tem chegado e as comunidades têm sido cônscias do poderoso impacto de Deus. Em tempos idos, esta ilha havia experimentado tempos de refrigério pela presença do Senhor, mas nos últimos anos a corrente do Cristianismo vital dentro de suas fronteiras, por toda a terra, faz um apelo aos fiéis em todas as suas congregações para meditar com seriedade na dispensação presente do desagrado de Deus, manifesto não somente nas caóticas condições da política internacional, como na moral do povo e especialmente na falta de poder espiritual das Ordenanças do Evangelho, e reconhecer que estas coisas claramente indicam que o Todo Poderoso tem uma controvérsia com a Nação. Nota-se especialmente o desprezo crescente pelo Dia do Senhor e pelos cultos públicos, a leviandade no tratamento de votos e obrigações solenes, de modo que os sacramentos da Igreja — especialmente o do batismo — tendem a ser, em muitos casos, uma ofensa a Deus em vez de uma fonte de graça para aqueles que os recebem; e também o espírito de prazer que se espalhou entre os mais jovens e se apoderou deles a ponto de expelir completamente dos seus pensamentos qualquer consideração de ideias mais elevadas.

“O Presbitério afetuosamente apela ao seu povo — especialmente à juventude da Igreja — para estudar estes assuntos cuidadosamente e pensar com seriedade no que deve ser o fim se não houver arrependimento; e pede a todo o indivíduo que examine a sua vida perante Deus, à luz da responsabilidade que pertence a nós todos a fim de que pela Divina misericórdia sejamos visitados pelo espírito de arrependimento e tornemos-nos novamente ao Senhor a quem tanto temos ofendido com nossa iniqüidade e desobediência. Com especialidade avisa aos seus jovens contra as ciladas de Satanás — o cinema e a bebida”.

Isto é um resumo de uma declaração do Presbitério da Igreja Livre publicada no “Stornoway Gazette” e “West Coast Advertiser” em 9/dezembro/1949.

O declínio a que se refere esta declaração começou a evidenciar-se num desprezo crescente pelas coisas de Deus; na verdade a influência maligna do espírito da época com seu efeito entorpecente havia agido tão eficientemente que em certas paróquias raríssimos jovens assistiam ao culto público: as danças, o cinema e as casas de bebidas eram instituições que estavam em franco desenvolvimento em Lewis, devido ao apoio generoso de seus dedicados frequentadores.

Na verdade Lewis tem suas tradições. A prática honrada do culto doméstico é ainda observada em muitos lares. As grandes doutrinas da fé cristã, como o pecado do homem, justificação pela fé baseada na redenção de Cristo, regeneração pelo Espírito, e a soberania de Deus nos afazeres do homem, fazem parte da teologia de Lewis. Por outro lado é possível ter um nome para viver e no entanto estar morto, e temos visto a demonstração pela experiência, repetidas vezes, que um homem pode ser ortodoxo em sentimento e estar morto para a prática. Conhecimento correto das Escrituras não constitui equidade.

Qual o efeito desta declaração sobre a Igreja Cristã em Lewis? — está além do conhecimento do escritor, mas é certo que a maioria consideraria a sua publicação oportuna, e o seu conteúdo uma verídica apresentação da situação.

Lewis, no entanto, não estava destituída de vivo testemunho cristão. Em todas as denominações se achavam homens que eram verdadeiros vigias sobre os muros de Sião, e que ansiavam pelo dia no qual o deserto novamente “Exultará e florescerá como o narciso”. Na maioria dos púlpitos através da ilha o evangelho era pregado com ardente convicção pessoal, e com frequência, em certas congregações viam-se os sinais que seguiam a pregação da Palavra. A reunião semanal de oração ainda era parte vital de sua vida religiosa, embora em muitos casos assistida somente pelos poucos fiéis. Mas o Altíssimo não despreza o dia das pequenas coisas: e Lewis veria em breve o poder de Deus manifestado num benevolente derramamento do Seu Espírito, e veio

“Como orvalho sobre a erva,

Que espalha doce olor;

Como chuvas de primavera

Alegrando cada flor”.

COMO COMEÇOU

No seu livro, “O Segundo Despertamento Evangélico”, Dr. Edwin Orr referindo-se ao Reavivamento Americano de 1858, diz: “Uma influência Divina parecia encher a terra, e os corações dos homens foram singularmente tocados por um poder derramado de maneira extraordinária”. Todo o genuíno reavivamento conhece o toque benevolente deste grande poder vindo dos céus, comovendo os homens como nenhum outro poder o pode fazer, levando-os a procurar a Deus. “Ó se descesses! se os montes tremessem na tua presença” (Isaías 64:1), era o grite do profeta dos tempos idos. Isaías estava cônscio da futilidade dos melhores esforços humanos? Tinha ele chegado ao fim dos recursos dos homens? Parece que sim. Foi a este mesmo pensamento que o grupo que orava na Paróquia de Barvas em Lewis chegou, e foi este reconhecimento e convicção, que, lançando-os sobre a imutável promessa Divina, deu início ao Reavivamento de Lewis.

Escrevendo sobre o movimento gostaria de mencionar em primeiro lugar o que quero dizer com a palavra reavivamento como visto nas Hébridas. Não me refiro a um tempo de entretenimento religioso, com grandes multidões reunidas para ouvir belos hinos evangélicos, e assim passar uma ‘tarde agradável: não me refiro à propaganda sensacional ou espetacular. Não me refiro a métodos de coação para atrair os homens a uma sala de indagação — num reavivamento cada culto é uma sala de indagação:

A estrada e as colinas se tornam lugares sagrados a muitos quando as brisas de Deus sopram. Reavivamento é um trabalho de Deus entre o Seu povo, é o conhecimento de Deus que se apodera da comunidade. Aqui vemos a diferença entre uma campanha bem sucedida e um reavivamento; no primeiro vemos muitos levados ao conhecimento da verdade para salvação, e a igreja goza um tempo de estímulo, mas no que se refere à cidade ou distrito nada se vê de novo; o mundo continua no seu caminho e os salões de baile e cinemas estão ainda apinhados: mas num reavivamento o temor de Deus se apodera da comunidade, comovendo homens e mulheres que até então não se preocupavam com coisas espirituais nem buscavam a Deus.

Aos homens e mulheres ocupados em orar, quatro coisas ficaram bem claras, e se tornaram para eles princípios básicos. Em primeiro lugar a sua própria relação com Deus deveria estar perfeita, a leitura do Salmo 24, numa de suas reuniões de oração humilhou-os na presença do Senhor, até que corações foram examinados e votos renovados, e, usando as palavras de um que estava presente, deu as suas vidas o “impulso de um voto sagrado”, e como aconteceu com Ezequias, tiveram nos seus corações o desejo de “Fazer um pacto com o Senhor Deus de Israel”. Feliz a igreja e abençoada a congregação que pode produzir tais homens e mulheres! Assim realizaram-se reuniões de oração nas igrejas e nas casas, e não raramente o amanhecer surpreendia o ministro e seus poucos fiéis implorando as promessas, com uma percepção de Deus, e com uma confiança Nele que os levou a esperar em Sua palavra.

Em segundo lugar, tornaram-se possuidores da convicção de que Deus, sendo um Deus cumpridor de promessas, sem dúvida as cumpriria. Não prometeu Ele “Derramar água sobre o sedento e torrentes sobre a terra seca”? Aqui estava uma coisa que para eles era uma possibilidade; porque já não estavam eles o experimentando? Mas chegaram afinal ao ponto, onde já havia chegado um antigo servo de Deus dizendo,

“Nosso Deus pode, e o fará”I

Fé, grande fé, vê a promessa

E olha ao Deus perfeito

Ri, ante impossibilidades

E diz: sim, será feito.

Fé, grande fé, a promessa vê

Olhando só para Deus

Impossibilidades, Jesus as vencerá.

Em terceiro lugar, deveriam estar preparados de acordo com a Sua vontade e não com o seu programa humano lembrando sempre que, embora seja Deus soberano nos acontecimentos humanos, Sua soberania não dispensa os homens de sua responsabilidade. “Deus é o Deus de um reavivamento mas o homem é o agente humano através do qual um reavivamento se torna possível”.

Em quarto lugar, deveria haver uma manifestação de Deus, demonstrando a realidade da Divindade em operação, quando os homens fossem forçados a dizer: “Isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos”. Não é portanto de se admirar que no mês de dezembro de 1949, Deus visitou a igreja de Barvas com a bênção de reavivamento, que em muito pouco tempo havia ultrapassado os limites da paróquia, trazendo refrigério e vida espiritual a muitos, por toda a ilha.

Devemos mencionar a atuação do falecido Rev. James Murray McKay. Por muitos meses ele e seus companheiros haviam orado por uma manifestação do Espírito de Deus, e agora havia chegado o tempo, quando eles sentiram que como congregação deveriam agir. Mas tão maravilhosos são os caminhos de Deus que o ministro de Barvas teve de ir à Convenção em Strathpeffer para ser-lhe revelado através do ministério do Rev. Dr. T. Fitei, o seu curso de ação. Grande foi o seu ânimo ao voltar a sua paróquia e receber a notícia de que numa visão, à noite. Deus havia revelado a um dos fiéis não somente o fato de que reavivamento seria uma realidade, mas qual seria o instrumento: a pessoa revelada na visão era a mesma mencionada em Strathpeffer! “Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre  os homens, quando adormecem na cama, então lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução” (Jó 33.15,16). Assim foi que a notícia foi enviada ao Diretor da Faith Mission em Edinburgo, como resultado da qual achei-me em Lewis em dezembro de 1949.

O trabalho sobrenatural de Deus, o Espírito Santo, em poder reavivante, é algo além da descrição humana, e seria tolice tentar fazê-lo. Há, no entanto, características do reavivamento de Lewis que são idênticas a reavivamentos do passado, uma das quais é o espírito de expectação. Aqui encontrei um grupo de homens que pareciam estar vivendo no alto plano de confiança implícita em Deus. Esta era a convicção e segurança que se ouvia em cada oração oferecida naquela memorável primeira reunião da minha viagem nas Hébridas; e meu primeiro contacto com esta congregação convenceu-me completamente que o reavivamento já havia chegado: seria meu privilégio ter parte nele. Nunca nos esqueceremos o silêncio ante a tremenda presença de Deus enquanto esperávamos o Salmo inicial; verdadeiramente se poderia dizer:

“Ao nosso encontro veio o céu,

Provando a graça além do véu”.

A seguir relato uma cena vista nos primeiros dias do movimento: uma igreja cheia, o culto terminado: a congregação relutante para se dispersar permanece fora da igreja num silêncio de expectação. Subitamente ouve-se um gemido de dentro: um jovem oprimido e preocupado pelas almas de seus semelhantes ocupa-se em fervorosa intercessão. Ora até que entra num transe e jaz prostrado no chão. Mas os céus tinham ouvido, e a congregação movida por um poder irresistível volta para a igreja, e uma onda de convicção de pecado varre o grupo, levando homens fortes a implorar o perdão divino. Este culto continuou até a alva, mas tão grande era a convicção e tão profunda a ansiedade que se apoderou dos homens e mulheres, que eles se recusaram a voltar para suas casas, e já se reuniam em outra parte da paróquia. Uma característica destas visitações de manhã cedo era o número de pessoas que se dirigiam à igreja, levados por um poder nunca dantes experimentado: outros se achavam em profunda convicção dos seus pecados implorando a misericórdia de Deus, em seus próprios lares antes mesmo de chegar à igreja.

Nenhum dos que se congregavam jamais esquecerão aquela reunião matutina quando cantamos juntos:

“Não voltarei à minha casa Nem adormecerei,

Enquanto não achar lugar Para o Supremo Rei

Fazendo em mim seu santo lar”.

Foi uma cena comovente, alguns chorando de tristeza e aflição, outros, com alegria e amor enchendo seus corações, caindo em seus joelhos, cônscios somente da presença e poder de Deus que havia vindo em bênção de reavivamento. Dentro de poucos dias a paróquia inteira estava sob o domínio de um despertamento espiritual. As igrejas se apinhavam, e os cultos estendiam até às três horas da madrugada. O trabalho diário foi posto em segundo lugar, enquanto jovens e velhos eram levados a encarar realidades eternas. Logo a onda de bênção estendeu-se às paróquias vizinhas. Carloway foi cena de uma misericordiosa manifestação do poder de Deus, que sem dúvida viverá nos anais dos reavivamentos de Lewis. O ministro daquela paróquia estava dando a sua colaboração às reuniões de Barvas: Deus estava agindo poderosamente, e um grande número estava em angústia espiritual. Dois destes eram músicos que deveriam tocar num concerto e baile em Carloway. O ministro de Carloway sentiu um grande desejo de testemunhar neste local. Deixando as reuniões em Barvas, ele chegou ao salão de baile às 3.30. Imediatamente depois de sua chegada cessou a dança, e ele propôs que cantassem duas estrofes de um Salmo em Gaulês. Nem todos estavam de acordo, mas depois de um apelo especial foi cantado o versículo 7 do Salmo 139, sendo que alguns dos presentes uniram suas vozes ao mesmo:

“Para onde me ausentarei do teu Espírito?

Para onde fugirei da tua face?

Se subo aos céus, lá estás;

Se faço a minha cama no mais profundo abismo,

Lá estás também”.

Logo após fez uma oração seguida de algumas palavras de exortação, e repentinamente o poder de Deus passou pelo grupo, e, quase que imediatamente a música deu lugar ao lamento de penitência. Antes de deixar o salão o ministro contou-lhes que dois dos músicos que deveriam ter tocado naquela noite, junto com mais algumas pessoas haviam resolvido aceitar a Cristo poucas horas antes, na reunião em Barvas. A oposição foi vencida sob convicção de pecado e amargura de espírito, especialmente da parte do filho de um diretor colegial que se achava ali. A festa foi terminada e todos se dispersaram desnorteados e pasmados. Naquela mesma noite, em seu próprio lar o diretor escolar se achava profundamente convicto e na segunda-feira seguinte sua esposa também se rendeu. Foram grandemente usados por Deus em sua paróquia, e Ness também é palco de um misericordioso movimento divino.

Em Ness, foram realizados cultos à tarde e à noite, frequentemente durando até a madrugada. Igrejas, salões, casas particulares e mesmo lojas foram usados para acomodar os homens e mulheres que buscavam a Deus.

Talvez o maior milagre tenha se dado na vila de Arnol. Ali reinava a indiferença para com as coisas de Deus, e existia também grande oposição, mas recorreram à oração, a poderosa arma de um reavivamento, e escolheram uma noite para esperar pelo Senhor. Antes da meia noite Deus mostrou seu poder, e logo as montanhas de indiferença e oposição desintegraram-se ante a Sua presença, e uma onda de revivificação passou pela vila: a morte espiritual fugiu ante a pessoa do Senhor da vida. Ali foi demonstrado o poder da oração que prevalece provando que nada está além do alcance da oração exceto aquilo que não é a vontade de Deus. Há alguns em Arnol, hoje, testemunhas do fato que, enquanto um irmão orava, a própria casa tremeu.

Eu só poderia ficar em silêncio enquanto onda após onda de poder Divino passava pelo prédio, e imediatamente depois desta visita celestial, homens e mulheres se lançavam perante Deus e maflição espiritual. É verdade que Deus tinha seus “vigias”. Graças a Deus por estes homens em Lewis e Harris; foi um destes homens que, quando presenciava o imenso poder de Deus nesta vila, pediu que cantássemos o Salmo 126:

“Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião

Ficamos como quem sonha.

Então nossa boca se encheu de riso,

E a nossa língua de júbilo”.

Algum tempo atrás, ao passar por esta mesma vila encontrei-me com um ancião que me disse: “estou contente por estar vivo para ver as grandes maravilhas de Deus”, e apontando para uma casa continuou, “você vê aquela casa? Era a casa de bebida desta vila, onde os nossos jovens se reuniam em completa desatenção para com Deus, Sua Palavra, e Seu dia. Hoje está fechada, e os homens que a freqüentavam estão orando em nossas reuniões de oração”. Que prazer é ver um tão grande número dirigindo-se à Casa do Senhor aos domingos, ou esperando ansiosamente as reuniões semanais de oração. Pouco tempo atrás disse a um amigo: “É realmente maravilhoso ver tão grande número de pessoas dirigindo-se à Igreja”. “Sim” disse ele, “mas antes do reavivamento, raramente víamos mais de quatro ou cinco indo ao culto”. Um jovem, porta-voz da juventude do distrito disse: “Nós não sabíamos o que era ir à Igreja até à época do reavivamento; agora a reunião de oração é a maior atração semanal, e a adoração a Deus em Sua Casa aos domingos nosso maior prazer”.

A EXPANSÃO DO MOVIMENTO

O movimento que começou na igreja de Barvas, logo se estendeu a vizinha paróquia de Ness, e logo tornou-se evidente que este não seria o limite. De norte, a sul, leste e oeste o povo se reunia, vindo em ônibus, furgão e carro, para assistir ao poderoso movimento de Deus e voltar às suas respectivas paróquias para testemunhar de que haviam encontrado o Salvador. Um guarda-caça, cuja casa distava uns 40 km de Barvas, estava tão preocupado pela salvação de almas, que seu furgão, por dois anos, estava em uso constante trazendo, noite após noite, um grupo de homens e mulheres que buscavam a Jesus. É foi ricamente recompensado ao ver muitos chegarem-se ao Salvador, incluindo membros de sua própria família. Não é portanto de se admirar que na paróquia de Lochs, onde este homem habitava surgisse também um movimento divino. Ali, o terreno estava bem preparado por ministro fiel, e grande foi o gozo quando semeador e segador viram o fruto de seu trabalho, numa grande colheita de almas preciosas. Como em Barvas, as reuniões continuavam até de 2 ou 3 horas da madrugada, e alguns acontecimento notáveis foram vistos á medida que o Espírito de Deus trabalhava entre o povo.

Um incidente ocorreu nesta paróquia que está firmemente gravado em minha memória. Um caminhão foi contratado para levar um número de pessoas a uma reunião: a distância a ser coberta era de 22 km a qual os levaria ao redor de um lago. Infelizmente o caminhão quebrou quando estavam cerca de 11 km. do seu destino. Os mais jovens resolveram ir a pé, mas o esforço seria demais para os mais idosos, que muito relutantemente resolveram voltar para seus lares. Súbito ocorreu-lhes que haveria uma reunião mais tarde, e que se arranjassem um barco, poderiam atravessar o lago chegando a tempo para o culto da meia noite. Acharam um barco na vila mais próxima, a 3 km e grande foi a satisfação deles ao encontrar um culto em progresso; e foi mesmo sob a direção do Espírito que o pregador foi levado a escolher como seu texto o seguinte: “Tomaram os barcos e partiram para Cafarnaum, a procura de Jesus”. (João 6.24). Os homens do outro lado do lago estavam procurando Jesus, achando-o naquela mesma noite, e ao raiar o dia seguinte quando a noite dava lugar ao sol nascente, um outro Sol havia nascido! Um que com sua Luz clara trouxe iluminação e vida aos homens que dantes jaziam nas trevas.

Não é comum que visitantes de outros distritos encham a igreja de tal modo que seja impossível para a congregação achar acomodação em seu próprio prédio, mas foi o que aconteceu nesta paróquia. Tão grande era a ansiedade pelo Evangelho que muito antes da hora de culto, ônibus e furgões de vilas circunvizinhas traziam uma multidão que enchia a pequena igreja de Habost, e a igreja local contentava-se em ocupar os veículos que os viajantes haviam desocupado. “Isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos.”

A influência do despertamento de Lewis se fez sentir em Harris. Logo também em Tarbert e Leverburgh um grande movimento se fez notar, e uma característica interessante desta abençoada visitação divina, era a importância dada ao canto. Muitas vezes quando uma onda de convicção passava pela assembleia, homens e mulheres curvavam-se ante o poderoso impacto do Espírito, o grito do coração do penitente achava expressão nas palavras do Sl.130:

“Das profundezas clamo a Ti, Senhor

Escuta, Senhor, à minha voz:

Estejam alerta os teus ouvidos

As minhas súplicas.

Se observares iniqüidade, Senhor

Quem subsistirá?

Contigo, porém, está o perdão,

Para que te temam.”

Berner é uma pequena ilha perto de Harris, com uma população de 400 pessoas. Em abril de 1952, tive o prazer de visitar esta paróquia, e, contemplar um dos movimentos mais notáveis do reavivamento. Aqui, como em outros distritos, havia homens, que prostrados perante Deus, clamavam por um despertamento do Seu Espírito; e ocorreu um incidente que prova o poder de oração insistente e mostra quão verdadeiro é o fato de que “a intimidade do Senhor é para os que o temem.” Uma certa manhã um dos anciãos da Igreja da Escócia estava grandemente preocupado em pensar no estado da igreja e no crescente descaso para com a guarda do domingo e a adoração pública. Mesmo prostrado perante o Senhor, este homem se sentiu estranhamente tocado, e pôde orar a oração da fé e apoderar-se da promessa,
”Serei para Israel como orvalho”. (Os. 14:5). Esta palavra de Deus veio a ele com tanta convicção e poder, que ele se tornou absolutamente certo de que um reavivamento haveria de se esparramar pela sua ilha, e nesta confiança levantou-se dos seus joelhos.

Enquanto este homem orava em sua casa, eu estava fazendo parte da Convenção da Faith Mission, em Bangor, na Irlanda do Norte, mas apoderou-se de mim a convicção de que deveria partir imediatamente e ir até a ilha de Berner, onde me achei dentro de três dias! Quase imediatamente depois da minha chegada senti-me no meio de um abençoado movimento. Novamente se cumpria a promessa: “Derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca”. (Is. 44.3). As primeiras reuniões foram normais, mas as orações oferecidas pelos anciãos da congregação revelavam uma firme confiança na promessa certa de Deus. Inúmeras vezes foram citadas palavras do Salmos 50:3 – “(certamente) vem o nosso Deus”. Não esperam muito pelo cumprimento desta palavra da parte de Deus! uma noite, quando a congregação deixava a igreja e se dirigia para a rua principal o Espírito de Deus caiu sobre o povo, no poder de Pentecoste: nenhuma outra palavra pode descrevê-lo: e em poucos minutos o reconhecimento da presença do Altíssimo se tornou tão maravilhoso que só poderíamos dizer como Jacó: “Na verdade o Senhor está neste lugar.” (Gn.28:16). Mesmo ali, ao ar livre, perto da estrada, a voz de oração se misturou com a lamentação do penitente à medida que a graça de Deus despertou os homens com luz vinda dos céus. Logo toda a ilha estava no meio de um poderoso movimento do Espírito, trazendo convicção de pecado e ansiedade por Deus. Este movimento foi diferente do de Lewis pelo fato de não haver aqui demonstrações e prostrações físicas como houve em Lewis, mas o trabalho foi tão profundo e os resultados de igual duração.

Talvez a característica mais notável nesta região fosse o sentimento de intimidade na presença de Deus que veio sobre a ilha. As pessoas se entregaram inteiramente a procura do caminho da Vida. Reuniões foram realizadas durante o dia e a noite, em igrejas, nos lares, e ao ar livre: na verdade todo e qualquer agrupamento foi usado como um meio de graça. Devemos tributar agradecimento a dois ministros da Igreja da Escócia que, no verdadeiro espírito de auto-sacrifício deixaram suas próprias paróquias e entregaram-se inteiramente ao movimento, o Rev. Murdo MaeLeod de Tarbert, e o Rev. Angus McKillop de Lochs: o bom povo desta ilha nunca esquecerá os benefícios prestados por estes dois senhores que deram do seu melhor. Eis parte de uma carta recebida de um ancião desta ilha, ele se refere à primeira comunhão depois do reavivamento: “O centro da igreja estava reservado para comungantes, mas não podia contê-los; isto nunca aconteceu na nossa paróquia até hoje, Glória a Deus, Aleluia!”
A outra Berner, também em Lewis, é uma das ilhas menores das Hébridas, com uma população de 400 pessoas. Aqui, Deus tinha alguns homens e mulheres fiéis, mas um longo período sem atividade numa das igrejas, não havia ajudado a vida espiritual da comunidade, o que se refletia num descaso crescente pela adoração pública, especialmente pela juventude da ilha. Dizem que a reunião semanal de oração indica a temperatura espiritual de uma congregação, e se isto for, Berner estava com a temperatura bem baixa: mas havia algumas indicações do trabalho do Espírito Santo, e Deus tinha ali também os seus “Daniéis”, com suas “janelas abertas da banda de Jerusalém,” que, muito antes do começo do despertamento, foram encorajados a crer que viriam dias de refrigério espiritual muito em breve.

Uma das pessoas notáveis neste reavivamento foi o Rev. Murdo McLennan, ministro de Carloway. A convite seu fui assistir a comunhão realizando antes uma série de cultos pré-comunhão. O primeiro culto não foi animador, e foi resolvido realizar-se um outro numa casa próxima. Se o primeiro nos entristecera, aqui estava uma visão que alegrou o nosso coração: uma casa cheia, na maioria de jovens, e uma sensação da presença de Deus bastante humilhante. Nesse dia Deus agiu, e originou-se um movimento que se estenderia por toda a ilha. Foi ali que ocorreu um incidente que está para sempre gravado em minha mente: a pedido meu, vários diáconos de Barvas visitaram a ilha trazendo consigo um jovem recentemente salvo. Depois de passar algum tempo juntos em oração, fomos à igreja que já estava cheia, mas raramente me senti tão preso pelo espírito a ponto de ser dificílimo pregar; tanto que no meio de minha pregação parei. Neste instante notei a presença do jovem acima mencionado, que estava comovido e preocupado, debruçando-se sobre o púlpito disse, “Donald, você quer nos dirigir em oração?” Ouve resposta imediata, e naquele momento as portas do céu se abriram e a congregação foi atingida como se por um furacão e muitos imploravam a Deus misericórdia.

Notável também, não foi somente o que ocorreu na igreja, mas o impacto espiritual sobre a ilha: homens que até então nunca haviam pensado em procurar a Deus, foram subitamente despertados e se tornaram preocupados acerca da salvação de suas almas. Um digno ancião em cujo lar entrou o poder salvador de Deus referindo-se a isto disse: “Isto procede do Senhor, seja louvado o Seu santo nome.” Um repórter do jornal local em um artigo que se referia a este reavivamento disse: “Mais pessoas estão assistindo às reuniões semanais de oração do que antigamente assistiam ao culto aos domingos.” Tive o grande prazer de visitar esta ilha mais tarde, e foi motivo de grande gozo achar os neófitos crescendo em graça e testemunhando fielmente na igreja e na comunidade: ouvir suas palavras de testemunho ou ouví-los orar era como “água à alma sedenta.”

O último lugar a ser mencionado em relação a expansão do movimento é Uig. Esta parte da ilha tem pouquíssimos habitantes, que vivem esparramados em pequenas vilas, bem distantes umas das outras, e com péssimo sistema de transporte, mas se não tinham muitos ônibus, tinham furgões e caminhões, e nestes, o povo viajava para se reunir. No início do reavivamento, enquanto Deus estava agindo poderosamente em Ness, uma senhora que se opunha grandemente ao Evangelho disse sarcàsticamente: “por que não vão a Uig? Lá é que eles precisam do Evangelho.” Se com isto ela quis dizer que Uig estava em falta de um testemunho evangélico, ela estava usando a imaginação, sem consultar os fatos, pois Uig havia sido abençoada com um ministério fiel e evangélico. É verdade que junto com muitas outras paróquias prevalecia em Uig uma indiferença pelas coisas de Deus, principalmente entre os jovens, até que a igreja era sustentada pelos mais idosos. Mas o ministério fiel dos púlpitos, e as orações do povo de Deus na paróquia não passaram desapercebidos ante Aquele que disse, “Ainda nisto permitirei que seja eu solicitado pela casa de Israel, que lhe multiplique eu os homens como rebanho.” (Ez. 36:37)

Gostaria de poder descrever a cena, e compartilhar algo do irresistível poder do Espírito conquistador de Deus na noite em que as janelas do céu se abriram. O ministro, o Rev. Angus MacFarlane, estava em seu próprio púlpito orando, quando subitamente a congregação sentiu a presença de Deus, e fomos erguidos do campo das coisas comuns, para
reconhecer um impacto espiritual que não poderia ser explicado de qualquer ponto de vista humano: o reavivamento havia chegado. A primeira reunião da noite foi concluída com o cântico do Salmo 147:2-3:

“O Senhor edifica Jerusalém,

E congrega os dispersos de Israel:

Sara os de coração quebrantado,

E lhes pensa as feridas”.

A segunda reunião desta noite memorável, foi realizada numa vila vizinha. Todos os caminhões e furgões disponíveis foram requisitados para levar as pessoas ao local da adoração, mesmo assim muitos foram obrigados a andar por muitas léguas; mas distância não lhes era obstáculo, pois sabiam que as reuniões continuariam, e se não alcançassem a primeira chegariam para a segunda ou terceira. Assim atravessaram as colinas, jovens com suas lanternas clareando o caminho, resolvidos a buscar alguma coisa; paz de uma consciência culpada, e refúgio da tempestade que se apoderava deles, no único lugar possível de refúgio — a Rocha Eterna.

Hoje nesta paróquia as igrejas pulsam com nova vida e o trabalho e testemunho das respectivas congregações é tão mais fácil devido ao afluxo de homens e mulheres dispostos a servir a seu Mestre, e a igreja de seus pais.

Quais foram as características notáveis deste movimento? Três se destacam claramente. Primeiro a consciência de Deus. Para ser compreendida, esta é uma experiência que precisa ser sentida. Um reitor da Igreja da Inglaterra, referindo-se a sua visita a Lewis disse: “O que senti, além daquilo que vi, foi o que me convenceu que este não era um movimento comum.” Conheci homens que pela consciência da presença de Deus foram achados prostrados nos campos e até mesmo nos locais de tecelagem. Eis o que disse um dos que sentiu a mão de Deus sobre ele: “A grama sob os meus pés e as rochas ao meu redor pareciam gritar: Corra a Cristo para refúgio”. Esta iluminação sobrenatural do Espírito Santo levou a muitos neste reavivamento, a um conhecimento de salvação pelo Senhor Jesus Cristo, mesmo antes que viessem até um lugar de culto público. Não hesito em dizer que esta consciência de Deus é a grande necessidade da igreja de hoje; “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. (Pv. 9:10). Mas isto não pode ser realizado por tentativa humana, tem que vir de cima.

A segunda característica foi a grande convicção de pecado levando às vezes quase ao desespero. Lembro-me de ocasiões quando foi necessário interromper a pregação por causa de tristeza manifestada pelos ansiosos, e muitos achariam expressão para o sentimento de seus corações nas palavras de John Newton:

“Meu ser confessa sua culpa

E me faz desesperar:

Contemplo o sangue que meu mal

Fez o Senhor jorrar.”

Manifestações físicas e prostrações foram a terceira característica. Acho difícil explicar este aspecto, na verdade não posso, mas isto direi, que a pessoa associar isto com influência satânica está muito perto de cometer o pecado imperdoável. Lady Huntíndon escreveu uma vez a George Whitefield a respeito dos casos das pessoas clamando e prostrando-se ao chão em certas reuniões. Aconselhou-o a não removê-los das reuniões como ele havia feito. Ela disse: “O senhor está cometendo um grande erro. Não seja mais sábio do que Deus. Deixe-os clamar; farão muito mais bem do que a sua pregação.”

FRUTOS DO MOVIMENTO

Freqüentemente é feita a pergunta: “Os convertidos no reavivamento de Lewis têm permanecido e que fruto há visível nas diferentes comunidades onde o grande poder de Deus foi manifestado?”

Temos que reconhecer que há casos de apostasia, mas estes têm sido poucas em comparação com os muitos que estão continuando bem em comunhão com Deus até hoje. Talvez seja interessante ler o que apareceu na revista, Vida e Trabalho, escrito pelo saudoso Rev. James M, Mackay de Barvas:

“Há mais de cem almas nesta paróquia cujos corações Deus graciosamente tocou desde o início do movimento. Deus está guardando a todas; nem uma delas apostatou. Estas ovelhas são cuidadas com terno amor pelo povo de Deus que sente grande afeição por elas. Podemos também dizer destas ovelhas que sua vida diária fragrante, sua comunhão abençoada, seu amor vivo e incandescente a mais bela progênie de graça que já vi. Muitas delas estão corajosamente mantendo a causa de Cristo em seus próprios distritos; mas há algumas delas que estão agora dispersas em outras partes do mundo.”

A mesma coisa pode ser dita de todos os distritos. Uma das características agradáveis do fruto que permanece é o número de jovens que têm estudado para o ministério, alguns dos quais já estão ocupados nos seus diversos cargos nos Highlands. Outros estão agora em nossas Universidades, Colégios e Escolas Bíblicas ansiosamente aguardando o dia em que eles também poderão proclamar as insondáveis riquezas de Cristo no seu distrito natal. A alguns veio o chamado para evangelizar as vilas da Escócia, hoje, estão trabalhando sob os auspícios da Faith Mission, e o Senhor, por meio deles, está acrescentando à igreja aqueles que se salvam.

Este pequeno relatório não estaria completo se não fizéssemos menção daqueles que em resposta ao chamado do Salvador, têm ido a terras longínquas para proclamar as novas de Cristo o Salvador, a povos que jazem nas trevas e na sombra da morte. Assim o fruto do despertamento espiritual de Lewis continua a evidenciar-se num círculo cada vez maior.
Alguém disse que o teste de qualquer trabalho feito por Deus não é o número de pessoas que freqüentam nossas igrejas ou missões, mas a qualidade de Cristianismo que o trabalho produz. Isto, eu creio ser verdade!

Ouvimos muito hoje sobre a necessidade de seguir de perto os recém-convertidos, e é verdade que é preciso ensinar e instruir, especialmente nestes dias quando os jovens são tão ignorantes da palavra de Deus. Mas, certamente a alma que é nascida de novo e incorporada à família de Deus, não necessitará de estímulo constante para prosseguir na carreira cristã. O desejo da alma que tem achado paz na cruz acha expressão nas palavras de Davi: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim por ti, ó Deus, suspira a minha alma.” (Sl. 42:1).

Neste local, a sêde entre os jovens e velhos é evidenciada no grande número que assistem às reuniões de oração nas igrejas e salões das missões e também nas reuniões freqüentemente realizadas nas casas dos Cristãos. Estas reuniões muitas vezes continuam até a madrugada. O povo desta zona é privilegiado por ter ministros que não somente organizam tais reuniões mas também tomam parte na sua execução. Também a sagrada instituição do culto doméstico foi estabelecida, e desta forma conversos foram nutridos na fé. Hoje muitos deles ocupam cargos nas diferentes denominações. Não foram seguidos; eles simplesmente seguiram de acordo com Jo. 10:17: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz: eu as conheço, e elas me seguem.”
Chegamos agora a um outro capítulo da emocionante história do reavivamento. No mês de dezembro de 1957, Deus novamente manifestou o Seu poder, desta feita na Ilha de Nora Uist, e de acordo com o testemunho de alguns ministros locais, este foi em alguns aspectos até maior do que o primeiro movimento em Lewis. Começou e continuou num ambiente
de oração de fé e através da pregação fiel dos instrumentos humanos que Deus mesmo escolhera.

Nada pode convencer homens mais claramente da soberania do Espírito do que um reavivamento genuíno, já que Ele vê não como vêem os homens, e os instrumentos que Ele escolhe não são os mesmos que os homens escolheriam. Isto foi claramente notado nesse reavivamento mais recente. Deus tinha suas testemunhas fiéis nesta ilha, homens que conheciam Sua graça salvadora e não se envergonhavam de declarar todo o conselho de Deus. Eles haviam-no visto trabalhar em benção de reavivamento em outras partes e ansiosamente esperavam o dia de sua visitação. No entanto, agradou a Deus usar como seus instrumentos duas irmãs da Faith Mission. Deus põe o Seu “Tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não nossa”.

É fato bem conhecido que Uist nunca havia conhecido um reavivamento espiritual. Procuramos os registros de reavivamentos nesta parte da Escócia mas nenhuma menção é feita de Uist. A vida religiosa da ilha estava fria apesar das igrejas serem tradicionalmente evangélicas, mas podemos ser evangélicos sem ser avivados. Como foi dito: “Podemos estar firmados em doutrinas sã e profunda e ao mesmo tempo dormindo um sono igualmente profundo.”

Trabalhei bastante nos Highlands e não hesitaria em dizer que este tem sido o ponto fraco na vida religiosa desta parte.

Nesta situação estavam as coisas em Uist quando Deus em Seu soberano plano mandou Suas servas à vila de Lochmaddy. Os Highlands da Escócia sempre foram tardos em reconhecer o ministério feminino, e nesta época grandes discussões houve, quando o presbitério das igrejas reuniu-se para discutir a admissão de mulheres ao mesmo. Uist, junto com outros votou contra. Sobre o mérito ou não desta decisão deixo o julgamento a homens mais sábios. Devemos, no entanto, reconhecer que esta decisão fechou as portas das igrejas e impediu os ministros que de outra forma estariam dispostos a aceitar as mensageiras de Deus em seus locais de adoração.

Mas o Deus que disse: “Transformarei todos os meus montes em caminhos” (Is. 49:11) preparou-lhes um lugar, e em pouco tempo toda a comunidade sentiu o impacto do Espírito de Deus. As duas trabalhadoras pareciam estar animadas pelo Espírito d’Aquêle que disse: “Por amor de Sião me não calarei e por amor de Jerusalém não me aquietarei; até que saia a sua justiça como um resplendor, a sua salvação como uma tocha acesa.” (Is. 62:1). Movidas por visão e paixão, diàriamente proclamavam todo o conselho de Deus. Que cenas gloriosas foram presenciadas à medida que homens e mulheres em tristeza de alma procuravam o Senhor!

A notícia do que aconteceu em Lochmaddy se espalhou às outras paróquias, e logo a paróquia vizinha estava sendo também despertada. As reuniões eram concorridas e noite após noite almas se achavam clamando pela misericórdia de Deus. A lembrança destas reuniões estará sempre viva na mente daqueles que estavam presentes. O tempo não foi favorável, no entanto, pessoas andavam muitos quilômetros através de planícies e montanhas em busca
de perdão e paz. Jovens que dantes viviam para os prazeres do pecado, passando suas noites nos bares e pouco se importando pelas coisas do espírito, repentinamente foram achados dando ouvido à voz que falava dos Céus, e muitos pela graça do Salvador passaram a palmilhar o caminho de suas testemunhas. Hoje são provas do poder salvador de Jesus Cristo, e pelo menos três destes estão estudando em nossas Escolas Bíblicas com o intuito de posteriormente serem evangelistas.

Novamente, como em Lewis, surgiram maior número de reuniões de oração. Algumas destas estão sendo dirigidas pelos recém-convertidos, que também frequentam as reuniões costumeiras de oração em suas respectivas igrejas.

Um ministro do Sul que visitou as ilhas falou do que ele viu e sentiu como uma espécie de “Reforma”. Estava se referindo a vida social do povo e da mudança que evidenciara. Um taverneiro disse que o comércio de bebidas na ilha está completamente liquidado.

Acho que é verdade dizer que a nova vida corrente entre as paróquias diversas foi sentida por cada congregação. Em algumas igrejas o número de pessoas que buscavam entrada a Ceia do Senhor era maior do que em qualquer outra ocasião.

North Uist tem sentido o mover do Espírito de Deus; muitas vidas têm sido transformadas, e estão propagando os louvores d’Aquêle que os salvou.

Assim o avivamento que começou na Paróquia Barvas em dezembro de 1949, continua a se fazer sentir a sua influência nos Highlands. O riozinho que começou a fluir então, tem alcançado a muitos. Possa ele tornar-se um poderoso rio espalhando-se através de nossa querida terra até que “o deserto”. . . “floresce como narciso”. (Is. 35:1).