A destruição de Jerusalém no ano 70 de nossa era

Depois de exaustivas horas terminei de ler o relato do historiador Flávio Josefo sobre o cerco a Jerusalém comandado por Tito, filho de Vespasiano. Vários são os livros de Josefo para relatar tão terrível episódio. Josefo é extremamente detalhista, e descreve muito bem como era a cidade de Jerusalém, o templo, seus palácios e como era a formação do exército romano.

Por que Jerusalém foi destruída e seu templo queimado?

Flávio Josefo, judeu e colaborador dos romanos, percebendo que não poderia vencer os romanos em sua cidade passou para o lado de Tito tornando-se porta-voz dos romanos e intérprete nas negociações entre Roma e Jerusalém. Descreve a Tito como homem compassivo, perdoador e que queria apenas que os judeus se entregassem e que fossem subalternos de Roma e, que em nenhum momento ordenou que o templo fosse queimado e destruído.

Os dois principais líderes da cidade, João e Simão recusavam-se a se entregar e prendiam e matavam todos os que tentavam sair de Jerusalém para salvar suas vidas. Esses dois líderes judeus sacrificaram o povo da cidade, mas não se entregavam. Resistiram aos romanos durante três anos e meio. A cidade de Jerusalém era mui fortificada e impenetrável para os ataques romanos. Seus vários muros feitos com várias camadas de grandes pedras resistiam as batidas ferozes das máquinas romanas. Uma das portas do templo feita toda em bronze maciço era tão pesada que era preciso vinte homens fortes para abri-la, tornando o templo um lugar impenetrável ao inimigo.

Durante o cerco havia na cidade de Jerusalém, segundo os números de Josefo um milhão e cem mil homens, eram judeus de todo o mundo que haviam chegado a Jerusalém para a celebração da Páscoa e ficaram ali presos, devido ao cerco dos romanos. Havia escassez de alimentos, pessoas morriam aos milhares de fome, uma mulher rica, tendo todos os seus bens roubados pelos líderes da cidade matou seu próprio filhinho para se alimentar, e, apesar dos pedidos de Flávio Josefo e de Tito para que se entregassem, os dois líderes não se entregavam e matavam quem queria fugir da cidade.

Depois de anos de cerco os corpos jaziam apodrecidos nas casas, ruas e esgotos da cidade causando um cheiro insuportável, a ponto de as pessoas comerem a carne dos recém mortos para se alimentarem.

Falsos profetas pregavam que a cidade resistiria e um deles provocou a morte de seis mil pessoas que queriam sair da cidade, mas deram crédito a um deles. Nenhum deles soube perceber os sinais miraculosos, que, para os creem no poder de Deus devem ser levados em conta. O historiador relata alguns desses sinais testemunhados antes do início do cerco dos romanos por muitas pessoas e não lendas, como ele mesmo escreve:

1. Um cometa que tinha a forma de uma espada apareceu sobre Jerusalém, durante um ano inteiro.

2. Antes de começar a guerra, o povo se reunira no dia oito de abril, para a festa da Páscoa, e pelas nove horas da noite, viu-se durante uma meia hora, uma luz tão forte ao redor do altar e do templo que se teria pensado que era dia. Os ignorantes acharam que era um bom sinal, mas os santos e conhecedores das coisas santas viram isso como um presságio de algo ruim que estava para acontecer.

3. Durante essa mesma festa uma vaca que era levada para ser sacrificada, deu à luz um cordeiro no pátio do templo.

4. Pelas seis horas da tarde a porta do templo que está para o lado do oriente e que é de bronze e tão pesada que vinte homens mal a podem empurrar, abriu-se sozinha, embora estivesse fechada com enormes fechaduras, barras de ferro e ferrolhos, que penetravam bem fundo no chão, piso este feito de uma só pedra. Os ignorantes interpretaram-no ainda como um bom sinal, dizendo que Deus abriria a seu favor suas mãos liberais para cobri-los com toda sorte de bens. Mas, os mais sensatos julgaram o contrário: Que o templo se destruiria por si mesmo.

5. “Um pouco depois da festa, a vinte e sete de maio aconteceu uma coisa que eu temeria relatar, de medo que a tomassem por uma fábula, se pessoas que também a viram, ainda não estivessem vivas e se as desgraças que lhes seguiriam não tivessem confirmado sua veracidade: Antes do nascer do sol viram-se no ar, em toda aquela região, carros cheios de homens armados, atravessar as nuvens e se espalharem pelas cidades, como para cerca-las”.

6. No dia da festa de Pentecoste, os sacerdotes estando a noite no interior do templo, para o divino serviço, ouviram um ruído e logo em seguida uma voz que repetiu várias vezes: Saiamos daqui!

Esses relatos acima estão à p 680 do Livro Sexto, capítulo 31 da História dos Hebreus.

Um profeta de Deus

Deus, que sempre avisa seu povo das desgraças enviou a Jerusalém, quatro anos antes do começo da guerra, quando Jerusalém vivia em plena paz, prosperidade e fartura, a Jesus, filho de Anano, que era então um simples camponês, tendo vindo à festa dos Tabernáculos, que se celebra todos os anos na cidade, e exclamou: “Voz do lado do oriente, voz do lado do ocidente, voz do lado dos quatro ventos, voz contra Jerusalém e contra o templo: voz contra os recém-casados e as recém-casadas, voz contra todo o povo.” Dia e noite ele percorria toda a cidade repetindo as mesmas palavras.

Alguns ricos da cidade não aguentando tal pressão mandaram prendê-lo e açoitá-lo, mas ela ficava mudo e nada dizia para se fender, nem para se queixar de castigos tão severos. Os magistrados, imaginando que aquela era uma profecia futura, levaram-no a Albino, governador da Judeia. O governador mandou açoitá-lo até vê-lo sangrar, mas ele nada dizia. Não suplicava, não derramava lágrimas, mas a cada golpe que lhe davam repetia com voz queixosa de dolorida: “desgraça sobre Jerusalém”. Quando Albino lhe perguntou quem ele era e de onde viera, o profeta ficou mudo. Repetia, apenas, sem cessar as mesmas palavras: “desgraça, desgraça, desgraça sobre Jerusalém”

Josefo afirma que esse profeta continuou assim por sete anos e cinco meses, sem interrupção alguma, sem que sua voz enfraquecesse ou que ficasse rouca. Não injuriava quem lhe maltratava. Quando Jerusalém foi cercada viu-se o efeito de suas predições: Dando voltas às muralhas da cidade, pôs-se a clamar ainda com mais vigor: “Desgraça, desgraça sobre a cidade, desgraça sobre o povo, desgraça sobre o templo”. Depois disse: “Desgraça sobre mim” e uma pedra atirada por uma máquina de guerra derrubou-o por terra e ele morreu balbuciando as mesmas palavras.

Depois de três anos e meio de cerco, Tito tentou convencer os judeus a se entregar, mas os dois líderes João e Simão não o quiseram, e, eles mesmos colocaram fogo nas imediações do templo e, mais tarde no próprio templo e em toda a cidade. Tito, que queria preservar o templo que era o centro de adoração das nações, precisou entrar ali e destruir os rebeldes judeus. O cerco dos romanos e a guerra civil dos judeus, juntos ceifaram a vida de um milhão e cem mil homens. Este cálculo deveu-se a um censo feito na páscoa anterior a guerra quando foram sacrificados duzentos e cinquenta mil e seiscentos animais. O cálculo foi feito na ocasião pelo número de pessoas de cada família que vinha sacrificar seu animal, que geralmente eram de dez a vinte pessoas. Este foi um censo encomendado por Céstio.

E, assim, com o templo queimado, as pedras da Fortaleza Antônia arrancadas em seus alicerces, com as fundações do templo reviradas pelos soldados romanos em busca do ouro derretido do incêndio, cumpriu-se a predição de Jesus registrada em Mateus 24.2: “Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada”. E cumpriu-se, também a maldição dos homens que no dia da crucificação de Cristo, disseram: “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!” (Mt 27.26).

A descrição minuciosa do cerco à cidade, a forma como Tito tratava bem os judeus e os perdoava, as palavras de advertência proferidas por Flávio Josefo pedindo aos líderes que se rendessem para o bem do povo e a maneira como esses líderes preferiram matar seus próprios cidadãos e queimar o templo estão relatadas nos Livros Quinto e Sexto da obra História dos Hebreus, uma publicação da CPAD, Casa Publicadora das Assembleias de Deus.

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