Ouvi a tua oração

No capítulo seis do segundo livro de Crônicas há uma oração; e no capítulo sete encontramos a resposta a essa oração. Terminada a construção do Templo em Jerusalém, Salomão, junto com o povo, preparava-se para consagrá-lo a Deus.

Nesta ocasião o rei fala ao povo e começa com uma declaração significativa: “Bendito seja o Deus, o Deus de Israel, que falou pessoalmente a Davi, meu pai” (II Cr 6.4). O rei Salomão mostra ter uma firme convicção que Deus é um Deus que fala aos seus servos. Sua fé estava no Deus que anteriormente falara ao seu pai.

Naquela mesma noite, Deus lhe confirmou ser o Deus que fala. O Senhor lhe aparece e diz: “ouvi tua oração” (II Cr 7.12). Quando Deus falou com Moisés na sarça que ardia, no deserto, ele lhe declarou: “Certamente, vi a aflição de meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa de seus exatores. Conheço-lhes o sofrimento; por isso, desci a fim de livrá-lo” (Ex 3.7,8).

É o próprio Deus que declara que vê, ouve e conhece a situação daqueles que são seus. Mas Deus diz mais, que desceu a fim de livrar.

“Ouvi a tua oração”, é a resposta de Deus a Salomão. Salomão dissera que Deus falara pessoalmente a Davi, seu pai; agora é ele que está ouvindo pessoalmente ao mesmo Deus.

O que disse o Senhor a Salomão? Disse-lhe que sua oração foi ouvida, que seus olhos estão abertos, seus ouvidos estão atentos, seus olhos e seu coração estão fixados em seu povo.

Quão grandiosa é a misericórdia de Deus para conosco! Que bom saber que nosso Pai ouve atentamente a nossa oração, que tem seus olhos abertos, e tem seu coração voltado para nós, seu povo!

Quando Jesus ditou a João as cartas enviadas às igrejas, ele mostrou ter as mesmas atitudes do Pai. Ali encontramos frases como estas: “conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança” (Ap 2.2); “conheço a tua tribulação, a tua pobreza” (2.9); “conheço o lugar em que habitas” (2.13); “conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras” (2.19), etc. Nada lhe está oculto. Ele e o Pai conhecem tudo o que somos, o que fazemos, o que sentimos, a nossa vontade, o nosso pensamento. E estão atentos para nos ajudar, amparar, socorrem em toda e qualquer situação. “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará com ele todas as coisas?” (Rm 8.32), é a palavra da fé.

Deus ao dizer: “Se o meu povo que se chama pelo meu nome”, expressa a realidade de que o povo que lhe pertence tem o seu nome. O que isso significa? Significa que o Pai transmitiu seu nome aos seus filhos, confirmando sua verdadeira paternidade. Os filhos agora têm uma identidade, segurança, proteção, um lar onde se abrigar, os braços do Pai para os sustentar. Possuem um Pai que zela por eles.Tudo o que for feito contra os que levam o nome de Deus atinge aquele que lhes dá o nome. Um atentado contra os filhos será um atentado contra o Pai, pois os laços de filiação nos prendem a ele.

Mas, quando os filhos estão em desobediência, quando é precisa corrigir o andar deles e modificar as intenções de seus corações, o Pai trás, como este texto mostra, quatro coisas que, realizadas, os filhos encontrarão toda a graça que vem da paternidade do Pai. Que pede o Pai?

Primeiro: “se humilhar” – humilhar-se é reconhecer-se pequeno, insuficiente, inteiramente dependente de Deus. Tiago traz-nos isso na forma de um mandamento: “Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (4.10). Se o Filho de Deus, em quem jamais foi encontrado um pecado, humilhou-se a si mesmo, para que pudesse morrer em nosso lugar, quanto mais nós, pecadores, salvos pelo seu sangue, precisamos nos humilhar para que Deus possa fazer o seu rosto resplendecer sobre nós, povo seu!

Segundo: “Orar” – como o nosso Deus busca a oração de seu povo! Através do profeta ele disse: “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu a não destruísse; mas a ninguém achei” (Ez 22.30). Não é Deus todo-poderoso e auto-suficiente? Dar-se-ia o caso dele necessitar de qualquer ajuda de nossa parte? A verdade é que ele nos convida a orar. Pode isso ser um mistério. Mas, se vem de Deus é, um bendito mistério orar! Jesus não nos mandou s fazer isso ao dizer: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abri-se-vos-á?” (Mt 7.7).

Terceiro – “me buscar” – um profundo desejo do coração de Deus é de encontrar-se conosco. Ele quer contínua comunhão conosco. Este também deve ser nosso intenso desejo. O segredo para encontra-lo Deus mesmo revelou: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13). O testemunho do salmista é: “Busquei o Senhor, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores” (Sl 34.4).

Quarto – “se converter de seus maus caminhos” – Jesus, que é o caminho, abriu para nós um “novo e vivo caminho” (Hb 10.20), percurso que nos leva à plenitude da presença de Deus. É nele que devemos andar “para com intrepidez entrar no Santo dos Santos”, o precioso lugar da oração. Não pode o povo de Deus ser “inconstante em todos os seus caminhos” como escreve Tiago (1.9). Se em nós há caminhos maus, precisamos, com urgência, voltarmos para os justos e verdadeiros caminhos do Senhor.

Ao respondermos positivamente a esses pedidos que Deus nos faz teremos o cumprimento de promessas vitais:

“Perdoarei os seus pecados”,

“Sararei a sua terra”,

“Estarão abertos os meus olhos”,

“Atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar”.

Oremos: Senhor Deus e Pai, Pai do Senhor Jesus Cristo, único e sábio Deus, agradecemos-te porque os teus olhos estão abertos e os teus ouvidos estão atentos à oração que fazemos neste lugar. Prometeste-nos perdoar e sarar a nossa terra. Nós queremos nos humilhar diante de ti, e orar, e te buscar, e queremos nos converter dos nossos caminhos maus, para que tu Senhor tornes a tua igreja tal como teu Filho a quer: “gloriosa, sem mácula, sem ruga, nem coisa semelhante, porém pura e sem defeito” (Ef 5.27).

Senhor, que o Espírito Santo nos ensine a orar como convém. Não queremos orar segundo os intentos de nossos desejos humanos, queremos orar aquilo que está em teu coração e que esperas que seja a nossa oração. Queremos ser intercessores, pois sabemos que tu nada farás senão em resposta à oração. Sabemos, Senhor que a coisa mais importante que podemos fazer para ti e para o nosso semelhante é orar. Assim, pedimos: Senhor ensina-nos a orar para que a tua vontade se realize.

Por: Pr. Erasmo Ungaretti

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