Ministério ao Senhor

ESPERAR EM DEUS

Vivemos hoje um período revolucionário para a igreja. No mundo inteiro, sentem-se agitações, mudanças, revelações e despertamentos no meio do povo do Senhor. Qualquer pessoa, cuja “antena espiritual” estiver ligada, perceberá no seu espírito uma expectativa ansiosa por algo definido e novo que a qualquer hora poderá sair à luz. Um número cada vez maior de cristãos está abandonando a segurança e acomodação das suas tradições para procurar a verdade simples e revelada da palavra de Deus. Muitos não sabem aonde este caminho os levará. Outros, interpretando o mover de Deus como determinativo para esta ou aquela direção, se esquecem dos outros aspectos da palavra de Deus, e se tornam desequilibrados espiritualmente. Surgem grupos novos, igrejas independentes e homens com ministérios carismáticos. Porém, cada um apresenta uma ênfase particular. E suspiramos em nossos espíritos, perguntando: Onde está o cumprimento real e vivo da palavra que nos foi revelada? Onde está a realidade que testificará a todos os filhos de Deus sobre a visão do propósito do Senhor a ser realizado em nossos dias, e que satisfará a ânsia e peso profundo dos seus corações?

Na verdade, estamos nos últimos dias. Certamente Deus há de restaurar a sua igreja. A sua palavra há de ser revelada como nunca antes na boca dos seus ministros. Os seus propósitos serão realizados na terra. Mas como chegaremos lá? Estamos já no caminho certo, ou estamos perdendo tempo num desvio? Que devemos fazer a fim de nos tornarmos participantes dos propósitos de Deus? Qual o som claro e certo da trombeta de Deus hoje que convoca o seu povo a marchar com ele?

É hora de decisão. Estamos nos aproximando rapidamente do fim da época. A palavra de Deus nos mostra que os planos e desígnios do Senhor deverão realizar-se antes da consumação desta era. Por outro lado, vemos a situação imperfeita daqueles que são os instrumentos de Deus, através dos quais ele deseja cumprir toda a sua vontade. Muitos servos do Senhor vivem completamente alheios àquilo que está mais próximo ao coração de Deus nestes dias, ao invés de estarem na posição certa, para que Deus possa agir na terra através deles. Isto nos lembra outras épocas críticas na história do povo de Deus, em que este perdia a visão daquilo que Deus queria fazer na terra, abandonava os seus caminhos, e frustrava o cumprimento dos propósitos divinos.

A situação hoje é semelhante àquela que existia no tempo de Isaías. A palavra de Deus que veio àquele profeta foi: “Por que razão, quando eu vim, ninguém apareceu?

Quando chamei, ninguém respondeu?” (Is 50:2). Percebemos aqui o clamor do coração de Deus. Ele tinha algo para falar, mas não havia ninguém para ouvir. Que situação triste aquela, em que Israel teria de passar pelos juízos de Deus, simplesmente porque não deu ouvidos à sua voz. Se tivesse tomado tempo para ouvir o que Deus queria falar, Israel não teria sofrido tanta disciplina e julgamento. Através da sua palavra, Deus poderia ter sarado a situação de Israel. Mas ninguém se interessou por isto.

Não seria este o problema nosso? Não seria esta a razão pela qual o povo de Deus perde tanto tempo em desvios, em confusão espiritual, e em andar atrás de homens e doutrinas? Não seria por isto que não se levantam verdadeiros homens de Deus, cujos ministérios possam alcançar toda a igreja e guiar todo o povo de Deus à sua herança em Cristo? faltam homens disponíveis para ouvir a voz de Deus. Pensamos que podemos fazer a obra de Deus sem ouvir, a cada passo, a sua palavra. Precisamos ver claramente que, sem esperar em Deus, não pode haver ministério, e não podemos edificar e nem guiar o povo de Deus.

Esperar em Deus. O que significa isto? Significa dar tempo a Deus para que ele nos fale. Significa cultivar a sua presença para descobrir o que pesa no seu coração. Significa abandoar idéias, projetos e esforços humanos, entregar iniciativa a Deus, e aguardar na sua presença a sua palavra de ordem e a revelação da sua vontade.

Encontramos este tema através de toda a Bíblia. Davi, especialmente, expressava este segredo importante. Ele dizia que esperava em Deus o dia todo (Sl 25:5). Em quase todos os seus salmos, ele revelava o seu desejo de estar na presença de Deus, no seu santuário, esperando nele, apresentando as suas petições, e recebendo vida, orientação, sabedoria e conhecimento por sua palavra (Sl 61:4; 65:4; 84:2). Um outro salmista descobriu na sua experiência que tudo permanecia em confusão e tribulação de mente, até que ele entrava no santuário, para entender as coisas como Deus as entende (Sl 73:16,17). O salmo 81 mostra outra vez como Deus lamentava sobre Israel, porque este não escutara a sua voz.

Se tivesse ouvido, Deus o teria abençoado, derrotaria os seus inimigos, e lhe forneceria trigo fino e mel da rocha (Sl 81:11-16).

Portanto, se quisermos descobrir o que está faltando na igreja hoje, e como podemos caminhar para o alvo que Deus tem colocado à nossa frente, devemos verificar se nós também não estamos negligenciando em ouvir a voz de Deus. Pois enquanto nós não aprendermos, como povo de Deus, a esperar nele e buscar a palavra que procede da sua boca, continuaremos a ver obras se levantando e caindo, e a casa de Deus em confusão.

As Escrituras mostram claramente a suma importância deste princípio de esperar em Deus, a fim de que ele possa conversar com os homens. Quando examinamos o intento de Deus em formar, pela primeira vez, um povo para si, vemos que seu desejo era exatamente este: que todo o povo ouvisse a sua voz.

Vejo o que Deus disse ao povo de Israel: “Tendes visto o que fiz aos egípcios, como os levei sobre asas de águias, e vos cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz… vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19:4-6).

Por que Deus tirou um povo do Egito com tantos sinais e prodígios? O que ele queria fazer com este povo? Fazê-lo chegar perto dele, para que ele pudesse falar com eles. Ou, em outras palavras, fazer dele um reino de sacerdotes. Um reino de sacerdotes é uma nação onde todos têm o ministério de esperar no Senhor, e ouvir a sua palavra. Deus queria fazer com uma nação inteira o que ele fazia com Adão, andando e conversando com ele todos os dias. Adão perdera esta comunhão, e agora Deus buscava restabelecê-la com todo o povo de Israel.

Mas que aconteceu? O povo recusou entrar neste reino de sacerdotes. Depois que Deus lhes falou uma vez, não quiseram mais ouvir. Fugiram desta posição que Deus lhes oferecia. E por isto Deus separou os descendentes de Arão para o sacerdócio. Se toda a nação não respondia ao seu chamamento, pelo menos alguns ministrariam diante do Senhor, a fim de transmitir a palavra de Deus ao resto do povo.

Deus não alterou o seu propósito firme e terno de formar um reino de sacerdotes, onde todos, desde o menor até o maior, conheçam ao Senhor, apreciem a sua presença e gozem comunhão íntima com ele. Se na velha aliança tam plano não chegou a ser cumprido com a nação toda, Deus reafirmou o seu desejo de fazer o mesmo através da nova aliança (I Pe 2:9; Ap 1:6; 5:10). Ignorar este fato, ou deixar de entender o seu profundo significado espiritual, atrasará o estabelecimento do reino de Deus, e nos impedirá de entrar naquilo que Deus quer realizar nestes dias.

O estudo do sacerdócio do Velho Testamento pode ajudar-nos a desvendar este desígnio imutável de Deus. Sabendo que Deus institui o sacerdócio levítico como um recurso intermediário para o povo da velha aliança, e que este sacerdócio era uma figura e padrão daquilo que ele desejava para todos os seus filhos, devemos buscar nesta simbologia, os segredos e princípios espirituais que possam nos auxiliar a redescobrir um ministério que está lamentavelmente faltando na igreja hoje. Seria absurdo tentar edificar a obra de Deus sem considerar o seu propósito original de formar um povo, ou o princípio fundamental do seu relacionamento com este povo.

Deus ainda é o mesmo. Ele almeja conversar com o seu povo. Ele tem muita coisa para nos falar. A situação atual, toda a confusão de idéias, a divisão, a eterna imperfeição e fraqueza da igreja, tudo poderá ser mudado quando Deus falar. Por que não lhe damos uma chance de nos comunicar? Por que não buscamos uma palavra sua? Por que não procuramos descobrir como entrar na nossa vocação sacerdotal? Se assim fizermos, veremos como Deus nos responderá, como ele corresponderá em porção dobrada à nossa disposição de lhe ouvir, e como o seu reino de repente começará a aparecer na terra!

O PROPÓSITO DO SACERDÓCIO

Nós vamos, portanto, estudar o sacerdócio do Velho Testamento, para entendermos melhor o que Deus está esperando do seu povo, e como este ministério pode ser restaurado na igreja hoje.

Em primeiro lugar, confirmaremos o propósito deste ministério em I Cr 23:13: “Arão foi separado para servir no santo dos santos, ele e seus filhos, perpetuamente, e para queimar incenso diante do Senhor, para o servir e dar a benção em seu nome eternamente”.

Geralmente quando transferimos para nossos dias a tipologia do Velho Testamento, pensamos que os sacerdotes de Israel representam os ministérios da Igreja. E quando pensamos em ministérios, pensamos em homens que edificam o povo de Deus. Homens que pregam, que ensinam, que curam, que evangelizam, que corrigem, que governam e que guiam. Mas o sacerdócio do Velho Testamento não era este tipo de ministério. Arão foi separado para servir no santo dos santos. No lugar onde somente a presença do Senhor estava, não no meio da grande congregação. Ele tinha o encargo de oferecer incenso ao Senhor, não de procurar algo para satisfazer o povo. Ele estava servindo ao Senhor em primeiro lugar, e não à igreja.

Nós temos colocado a ênfase no lugar errado. O que nós chamamos de “ministério” não tem sido o ministério sacerdotal. Tem sido um ministério para o povo e para a igreja. E este ministério simplesmente não está restaurando a igreja. Alguns chegam a se decepcionar com este assunto de igreja restaurada, e ministérios restaurados, e o resultado tem sido maior divisão ainda. Na verdade, é hora de perguntarmos: O que está errado em tudo isto? Por que não vemos resultados positivos de tanta revelação gloriosa? Como será de fato restaurada a igreja? Que tipo de ministério será capaz de aperfeiçoar um povo para o Senhor e levá-lo à sua imagem perfeita?

Olhemos um outro versículo do Velho Testamento. “Chegar-se-ão os sacerdotes, filhos de Levi, porque o Senhor teu Deus os escolheu para o servirem, para abençoarem em nome do Senhor, e, por sua palavra, decidirem toda demanda e todo caso de violência” (Dt 21:5). Novamente está manifesta nesta passagem a vocação dos sacerdotes: servir ao Senhor. Talvez isto não seja significativo para você. “Servir ao Senhor?” É claro que todos nós devemos servir ao Senhor.

Mas quantos têm o ministério, ou função primaria, de servir ao Senhor? Como está distribuído o nosso tempo no ministério? Geralmente dedicamos a maior parte do nosso tempo para realizar “obras do Senhor”, e muito pouco realmente para ficarmos na sua presença.

E qual tem sido o resultado? Não existem verdadeiros sacerdotes. Ninguém é chamado para ministrar no santo dos santos. Recebemos chamado para o ministério de pastor, missionário, evangelista, e outros, mas quão raro é ouvir que alguém foi chamado para ser um sacerdote.

O que acontece onde não há sacerdote? Ninguém espera no Senhor. E conseqüentemente ninguém ouve a palavra do Senhor. Sem a oportunidade para Deus falar, a verdadeira autoridade divina desaparece. Os homens resolvem suas questões e “demandas” pelo próprio intelecto e força de imposição. O resultado é divisão e confusão.

Não se pode discutir com os fatos. A igreja do Senhor não está ouvindo a sua palavra.

Cada homem de Deus tem uma ênfase e palavra diferente. Um grupo caminha numa direção, e outro em direção oposta. Por que esta confusão? Por que não crescemos juntos com todos os filhos de Deus?

Justamente pela falta de uma palavra que realmente vem do Senhor. Pela falta de homens que se dediquem a esperar em Deus, e servir a ele no lugar mais sagrado e íntimo da sua presença. Pois este era o plano de Deus para os sacerdotes. A estes homens Deus falaria, revelando-lhes a sua vontade e palavra. E assim o seu povo seria guiado, não por homens, e nem idéias humanas, mas pela palavra viva do Senhor.

“Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a lei, porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos” (Ml 2:7). Este é o problema do povo de Deus hoje: não se encontra um sacerdote que tenha a palavra do Senhor nos seus lábios. Temos revelações parciais em abundância e o resultado tem sido uma restauração parcial. Todo o mundo tem a sua idéia particular de onde deve buscar instrução e a palavra do Senhor. Mas o importante não é ter uma revelação, e nem mesmo um ministério poderoso. O que vai levantar a igreja, e uni-la em torno da pessoa de Jesus, é a palavra do Senhor. Aquilo que ele mesmo está dizendo hoje à sua igreja. É uma palavra completa, poderosa e viva que vem da presença de Deus e que produz fruto. E esta palavra só virá através de um ministério separado para ouvir o que Deus está falando. Deus quis formar uma nação de sacerdotes. Porém, não alcançando isto com o povo de Israel, ele separou uma linhagem de sacerdotes, para mostrar o que ele queria fazer com todos. E estes sacerdotes foram escolhidos para ministrarem diante dele, para estarem na sua presença. Para oferecerem a ele aquilo que ele queria, para ouvirem dele e para serem mensageiros da sua palavra no meio da nação de Israel.

Na história de Israel, porém, descobrimos que nem os próprios sacerdotes foram fiéis ao seu encargo diante de Deus. Geralmente pensamos dos sacerdotes como a classe corrupta, que vivia às custas do povo, e que, quando muito, desempenhava funções ritualísticas e sem vida. E justamente por falta deste ministério tão essencial é que a nação de Israel desviava-se tão freqüentemente dos propósitos de Deus. Pois, conforme já enfatizamos, sem a palavra de Deus, constantemente ensinada e revelada, não existiria um povo de Deus.

II Cr 15:3 diz claramente: “Israel esteve por muito tempo sem o verdadeiro Deus, sem sacerdote que o ensinasse, e sem lei”. Qual a conseqüência de não ter sacerdotes na sua função devida? O povo perdia a lei e conseqüentemente anulava-se a sua aliança com Deus.

Que acontecia nesta situação? Deus levantava homens com um chamado especial, para entrar na brecha, colocar-se diante dele, ouvir a sua palavra, e levá-la à nação rebelde.

Em outras palavras, estes homens, que se chamavam profetas, estavam assumindo a responsabilidade abandonada pelos sacerdotes. Se Deus não tinha sacerdotes à sua disposição, ele levantava profetas. Pois sem alguém para esperar nele constantemente, e ser um mensageiro da sua palavra, Deus não poderia manter a sua aliança com um povo na terra.

Na verdade, os profetas eram homens de qualquer tribo e qualquer profissão, que Deus chamava numa hora crítica para uma nação decadente e desobediente ao Senhor. E a sua mensagem era sempre para que o povo voltasse a ouvir a palavra de Deus, que voltasse a guardar a lei que Deu já havia revelado, e que os sacerdotes haviam abandonado. Mas eles recebiam esta mensagem esperando no Senhor.

Essa idéia é encontrada em todos os livros proféticos. Isaías diz: “Esperarei no Senhor, que escondeu o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei” (Is 8:17).

Habacuque diz que vigiaria na sua torre até que Deus falasse com ele (cap. 2:1). Miquéias 7:7 diz: “Eu, porém, olharei para o Senhor; esperarei no Deus da minha salvação”. É o significado profundo da espera subentendida na frase freqüentemente repetida nos profetas: “E a palavra do Senhor veio ao profeta…”

Nós falamos muito hoje sobre o ministério do profeta, e esperamos o seu aparecimento nestes dias que antecedem a segunda vinda do Senhor. Mas lembremos que o profeta aparece quando o sacerdote falha nas suas responsabilidades e no seu ministério, deixando o povo de Deus sem a sua palavra. E o propósito de Deus ainda é de formar um reino onde todos ministrarão na sua presença, ouvindo a sua palavra e conhecendo-o através dela. Portanto, a idéia permanece a mesma: precisamos do ministério de homens que saibam esperar em Deus e ouvir uma palavra poderosa da sua presença. Os profetas podem ser os instrumentos usados em situações de grande necessidade na igreja. Porém, o alvo final é levar todos a esta posição de intimidade com Deus.

DOIS NÍVEIS DE MINISTÉRIO

Temos até aqui o propósito de Deus em formar um sacerdócio. Passaremos agora a um estudo deste sacerdócio levítico no seu plano original, para descobrir como este ministério deverá funcionar nos nossos dias.

Havia dois níveis de ministério no Velho Testamento. Um era o dos levitas, e o outro era o dos sacerdotes. Vejamos. Em Números 1:50-53, os levitas foram encarregados do serviço do tabernáculo do testemunho. Cuidaram dos seus utensílios, desarma-lo-iam nas saídas, e arma-lo-iam se aproximar do tabernáculo, nem dos seus acampamentos. Os levitas deveriam armar as suas tendas ao redor do tabernáculo, para que ira de Deus não ardesse contra Israel. Portanto, os levitas eram ministros de Deus. Ram escolhidos por Deus para se chegarem mais perto da sua presença que os outros filhos de Israel. Era uma tribo toda, separada ao ministério. Mas Números 1:50 especifica o seu ministério: “eles ministrarão no tabernáculo”. O ministério dos levitas era dirigido ao tabernáculo. A responsabilidade deles era o tabernáculo em si, “o cuidar do tabernáculo do testemunho” (Nm 1:53).

Os sacerdotes, porém, foram separados para ministrarem ao Senhor no seu ofício (Ex 28:1,4,41). O ministério deles era dirigido ao Senhor. Eles chegavam bem perto da presença de Deus, pois a responsabilidade era o altar, e especialmente dentro do tabernáculo, no santuário (Nm 18:5). Enquanto os levitas, tinham a responsabilidade de guardar e levar o tabernáculo em si, os sacerdotes tinham a responsabilidade de levar as ofertas e culpas do povo diante do Senhor (Ex 28:29,38; Nm 18:7). Os levitas simplesmente habitavam ao redor do tabernáculo. Os sacerdotes entravam no santuário, para ministrar diante do Senhor. Os levitas guardavam e levavam as peças do tabernáculo para que os filhos de Israel não morressem. Os sacerdotes cobriam e preparavam as peças do tabernáculo, para que os levitas não morressem, ao tocar nas coisas santas (Nm 4:15).

Havia, portanto, dois níveis de ministério. Um era ao Senhor. O outro era ao tabernáculo. Estes dois níveis são encontrados com clareza também em Ezequiel 44. Deus estava fazendo separação entre os levitas que haviam sido infiéis, e os sacerdotes que não se desviaram dos caminhos do Senhor. Aos levitas, ele diz: “Eles servirão no meu santuário como guardas nas portas do templo e ministros dele” (v.11). Mas aos sacerdotes fiéis, ele diz: “Eles se chegarão a mim, para me servirem, e estarão diante de mim, para me oferecerem a gordura e o sangue, diz o Senhor Deus. Eles entrarão no meu santuário, e se chegarão à minha mesa, para me servirem, e cumprirão as minhas prescrições” (v.15,16).

Se Deus dava tanta importância a esta distinção no Velho Testamento, é porque no seu padrão para a igreja existem também estes dois níveis de ministério. E é justamente esta falta de entendimento do povo de Deus e dos seus ministros em particular, que tem causado tanta confusão na congregação dos santos hoje. Não temos reconhecido a diferença entre estes dois níveis que deve existir entre eles. E Deus não habita onde seus padrões não são praticados e seguidos.

Qualquer estudo do padrão da velha aliança revelará que Deus não permite que qualquer pessoa se aproxime dele. Há requisitos para se tornar um dos seus ministros. Um filho de Israel não podia tomar sobre si o encargo dos levitas. Um levita não podia usurpar a função de um sacerdote. Se nós não devemos instituir um sistema de clero e leigos, por outro lado devemos entender o que Deus exige de um ministro seu.

Hoje, nós não sabemos quem são os levitas. Não sabemos quem está levando o tabernáculo, a casa de Deus. Algumas pessoas levam as peças do tabernáculo em uma direção, e chama a atenção de todos para lá. Outros levam outros utensílios em outro rumo, e tentam atrair a congregação do Senhor para aquele lugar. Mas onde estão os levitas, encarregados por Deus de tomar toda a responsabilidade da casa de Deus? Que tipo de arraial é este, em que o povo não tem direção certa, que corre em todas as direções, espalhando-se através de todo o deserto, cada grupo seguindo o seu líder? Como podemos saber em que direção a nuvem está caminhando? Como podemos saber quem é designado por Deus para levar o tabernáculo, e ministrar à casa de Deus?

A resposta é simples. Os levitas não podem agir, porque os sacerdotes não estão funcionando. Os levitas não podem tomar as peças do tabernáculo, porque os sacerdotes não as preparam. Os levitas não podem mostrar o caminho, porque os sacerdotes não estão na presença de Deus para o revelar. Na verdade, o próprio Deus não está conosco, porque os sacerdotes não estão ministrando diante dele.

Os levitas são aqueles que foram escolhidos por Deus para ministrar à sua casa. Mas a verdade é que o ministério dos levitas, depende dos sacerdotes. Este é o padrão de Deus.

Há um ministério mais alto, sem o qual, é impossível funcionar o primeiro. Os levitas dependem dos sacerdotes. Nós precisamos de sacerdotes! A igreja precisa de sacerdotes!

Deus está esperando os sacerdotes. É um chamado urgente. Podemos deixar todas as outras preocupações e afazeres de lado, mesmo os da “obra do Senhor”, porque enquanto não se levantarem os sacerdotes, nunca veremos a igreja do Senhor estabelecida e os propósitos de Deus realizados.

MOISÉS E JOSUÉ

Há um quadro no Velho Testamento que ilustra perfeitamente estes dois níveis de ministério, e a interdependência que há entre eles. Encontramos este quadro nas vidas de Moisés e Josué.

Moisés era o homem que experimentou mais intimidade com Deus que qualquer outro do Velho Testamento. Ele falava com Deus face a face (Ex 33:11). Embora não levasse o título de sacerdote da nação de Israel, é evidente que ele exerceu este ministério diante de Deus, de uma forma mais real que o próprio Arão. Ele é que carregava o peso da nação diante de Deus, a fim de trazer ao povo a sua lei, e o modelo da teocracia que seria estabelecida. Ele é que intercedia em favor do povo, quando a ira do Senhor ardia. De uma maneira profunda e significativa, a vida de Moisés revela o que significa ser um sacerdote, aos olhos de Deus.

Josué, por outro lado, era um homem de guerra e de ação. Foi ele que dirigiu o povo para dentro da terra prometida. Ele levou a nação de Israel à realização de tudo aquilo que Deus prometeu por intermédio de Moisés (Js 23:14). Ele representava um ministério bem diferente do sacerdote. Era um ministério como o dos levitas ­ dirigido ao povo e à edificação e estabelecimento da congregação.

É interessante notar que existia entre Josué e Moisés a mesma relação de dependência que era evidente entre os levitas e os sacerdotes. Em vários lugares Deus enfatiza que os levitas são dados aos filhos de Arão, que os levitas ministrarão aos sacerdotes, e que estarão sujeitos às ordens dos sacerdotes (Nm 3:9; 8:19; 18:2). Os levitas eram ajuntados aos sacerdotes, dados aos sacerdotes e ministros dos sacerdotes. Esta era a condição para que eles assumissem a responsabilidade do cuidado do tabernáculo. Em outras palavras, o desempenho do ministério dos levitas dependia totalmente da sua posição em relação aos sacerdotes. Números 3:9 é claro e enfático neste ponto: “Darás, pois, os levitas a Arão e a seus filhos; de todo lhes são dados da parte dos filhos de Israel”.

A mesma relação existia entre Moisés e Josué. Em várias referências, Josué é chamado o ministro de Moisés (Ex 24:13; 33:11; Js 1:1). E em todas as suas ações, Josué dependia do ministério de Moisés. Quando Moisés subiu no monte Sinai, para receber a lei do Senhor e conversar com ele face a face, Josué esperava mais em baixo. Enquanto Moisés não trouxesse a palavra do Senhor, não havia mais nada a fazer. Ex 33:11 diz que Moisés falava face a face com Deus. Josué, porém, não se apartava do tabernáculo.

Claramente, são dois níveis de ministério. Um opera mais na presença viva do Senhor. O outro, dependendo do primeiro, e derivando a sua vida, autoridade e inspiração do primeiro, opera mais em contato com o povo.

Em Êxodo 17 temos um exemplo mais claro da operação destes ministérios, e da relação que existe entre eles. Enquanto Josué dirigia a peleja contra Amaleque, inimigo de Israel, Moisés permanecia sobre um outeiro, com as mãos levantadas. Aí está o quadro. São dois ministérios, que operam em conjunto e que dependem um do outro. Sem Moisés, com a sua posição de intercessão diante de Deus, Josué não poderia levar o povo à vitória. Sem Josué, à frente do povo e guiando-o na batalha, Moisés não poderia também levar o povo a experimentar tudo que Deus prometeu. Foi Josué que, com os outros, espiou a terra, e depois levou o povo a possuí-la.

Mas mesmo depois da morte de Moisés, a dependência de Josué ao ministério sacerdotal é revelada. Quando Josué recebeu a sua comissão para tomar o lugar de Moisés, em Números 27:18-23, Deus mostra que a revelação da sua palavra de ordem viria por intermédio do sacerdote Eleazar. Josué recebeu o encargo da responsabilidade de toda a congregação de Israel, para guiá-la, e exercer autoridade sobre ela. Porém, ele teria, em primeiro lugar, que buscar a palavra e o juízo de Deus na boca do sacerdote, a fim de dirigir a nação conforme o propósito do Senhor.

Portanto, existem áreas de responsabilidade. O ministério representado pelos sacerdotes tem a responsabilidade de servir ao Senhor, estar na sua presença, esperar diante dele, e ouvir a sua voz. O ministério representado pelos levitas tem a responsabilidade de ser submisso aos sacerdotes, de depender deles, e assim guardar, guiar e administrar a congregação do Senhor.

O MINISTÉRIO DO SACERDOTE

Examinemos agora, mais de perto, o que era um sacerdote. Não vai produzir mudança nenhuma na igreja hoje simplesmente saber que o ministério do sacerdote é santo, que é necessário e que é para nós hoje. O povo de Deus tem orado demais por santificação, pureza e capacidade de entrar na presença de Deus. Não é que o Senhor deixe de ouvir estas petições. Mas a verdade, enquanto não tivermos uma revelação prática e concreta do chamamento ao sacerdócio, nós nunca daremos os passos necessários para entre neste ministério. Em outras palavras, ser um sacerdote é mais que ter santidade suficiente para ter um contato mais íntimo com Deus. Pois é justamente esta idéia vaga e futura que mais impede o povo de Deus a assumir a sua responsabilidade.

Vejamos no caso dos sacerdotes levíticos. O que os separava dos outros filhos de Israel? Poe que eles tinham o direito diante de Deus de servir na sua presença, tocar nas coisas santas, e tomar sobre si a responsabilidade e a iniqüidade de toda a nação?

De onde veio a sua qualificação tão especial para um serviço tão sagrado que causaria a morte de qualquer outra pessoa que ousasse usurpá-lo?

Em primeiro lugar, ao estudar a instituição do sacerdócio levítico, pode-se notar que Arão não escolheu o seu ministério. Deus disse a Moisés: “Tome o seu irmão Arão, e os seus filhos, para que ministrem a mim” (Ex 28:1). Em vários lugares, Deus torna afirmar que foi ele quem escolheu a descendência de Arão, dentre todas as tribos de Israel, para servir diante dele (Dt 18:5; I Sm 2:28). O chamamento vem de Deus. Nós não podemos escolher para nós o ministério sacerdotal, e nem nos qualificar para tal. Pois além de chamar aqueles a quem ele mesmo havia escolhido, Deus ainda diz: “Também santificarei Arão e seus filhos, para que me administrem o sacerdócio” (Ex 29:44). Portanto, o chamamento e a qualificação vem de Deus.

Convém lembrar neste ponto que “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm 11:29). Se não parte da nossa iniciativa a escolha do ministério, também pesa sobre nós uma responsabilidade proporcionalmente maior de exercer o ministério ao qual fomos chamados. Quando o sacerdote Eli não guardou a sua responsabilidade que lhe foi confiada, Deus enviou um mensageiro para declarar-lhe o seu julgamento: “Por que desprezais o meu sacrifício e a minha oferta, que ordenei se fizessem na minha morada, e por que honras a teus filhos mais do que a mim?” (I Sm 2:29).

Portanto, a santidade dos sacerdotes, e a sua qualificação para entrar na própria presença do Senhor, não eram conseqüência da sua própria escolha e nem da sua própria pureza. Eles eram santos porque Deus os santificou e os separou do resto de Israel. Eles tinham sobre as suas cabeças o óleo da santa unção (Ex 30:30,31). Este óleo especial, como símbolo do Espírito Santo, representava a santificação e a qualificação do sacerdote por Deus. Por causa deste óleo eles eram separados da nação de Israel. Por causa deste óleo eles tinham o direito de participar das coisas santíssimas (Nm 18:8). Por causa deste óleo, o sacerdote tinha que temer a ira do Senhor em não profanar a sua própria vida e nem o santuário de Deus (Lv 21:10,12). O óleo da unção garantia à descendência de Arão um sacerdócio perpétuo (Ex 40:13-15).

É importante, então, reconhecer que o chamamento e a qualificação ao sacerdócio procedem de Deus. Este fato não retira a nossa responsabilidade. Pelo contrário, remove todas as nossas desculpas. Se nós estivermos ouvindo este chamamento intenso, nos convocando à presença de Deus, podemos nos apresentar a ele, para que ele derrame sobre nós o óleo da unção, a fim de podermos ministrar diante dele.

Há um outro aspecto de grande importância a ser observado nos sacerdotes do Velho Testamento. Já vimos que o sacerdote não era diferente em si dos outros filhos de Israel. Mas por causa do seu chamamento e do óleo de unção que estava sobre ele, o sacerdote se tornava completamente separado ao Senhor em todos os aspectos da sua vida. Em outras palavras, não existe uma qualidade de caráter ou de santidade que destaque um sacerdote potencial das outras pessoas. Mas aquele que aceita e responde à vocação do Senhor a este ministério, necessariamente entra numa vida completamente separada e diferente. Este aspecto é talvez o mais importante de todos, no estudo do sacerdócio, e representa o objetivo principal desta mensagem.

Por que o sacerdote podia entrar no santo dos santos? Por que ele pode oferecer os sacrifícios, participar das coisas santíssimas, levar a iniqüidade da nação, queimar o incenso, e ministrar na sua presença? A resposta para estas perguntas não está simplesmente num simbolismo exterior do óleo da unção. Antes, se encontra no tipo de vida que Deus determinou para os sacerdotes. Pois os sacerdotes eram homens separados exclusivamente ao Senhor. E afinal, Deus estava procurando desde o princípio uma nação de pessoas assim (Ex 19:6).

Os sacerdotes não tinham herança em Israel. O Senhor era a herança deles (Dt 18:1,2). Eles não tinham possessão. A poção deles era das ofertas dos filhos de Israel. Eles não tinham direito de se contaminar por causa da morte de um parente, ou de se casar com qualquer mulher (Lv 21). Eles eram propriedade do Senhor. Por isto eles podiam se aproximar dele. Deus quer que aqueles que ministram na sua presença deixem as suas próprias heranças e ocupações. Deus exige que seus ministros sejam totalmente dedicados a ele.

É um princípio divino. Não podemos quebrar os princípios de Deus e esperar que ele nos abençoe. Novamente repetimos: Se a igreja não está sendo restaurada; se ela não está realizando os propósitos de Deus na terra; se nós não estamos vendo ministérios néo-testamentários na igreja hoje – é porque não existem sacerdotes. E talvez não existem sacerdotes porque não queremos pagar o preço.

O requisito ao sacerdócio não é possuir uma vida superespiritual. Não é ser um gigante na fé, e nem ser um modelo de santificação. É simplesmente ouvir o chamamento de Deus no seu espírito, e se dispor a dedicar-lhe tempo. Pois sem tempo, Deus não vai falar.

Deus tem um reino para edificar na terra. Ele tem planos e propósitos para realizar que jamais entraram no coração humano. Mas ele está esperando os seus sacerdotes. Ele está esperando homens que não tenham outras ambições e planos paralelos. Ele está esperando homens que lhe ofereçam mais do que a sobra do seu tempo. Ele está esperando homens que façam dele a sua herança.

Não se vê isto na igreja hoje. Por um lado temos homens dedicados à “obra do Senhor”, mas cujo tempo está tão preenchido em ministrar ao povo que não lhes sobra tempo para esperar no Senhor. Como pode ser obra do Senhor, quando ele não tem chance nem para falar com seu povo? Por outro lado temos homens que estão à procura de um ministério diferente. Talvez saíram daquele ministério tão cheio de atividades, mas tão vazio de oportunidades de estar na presença de Deus. Mas acabaram se envolvendo em atividades materiais, procurando o seu sustento próprio a fim de estarem “livres” para servir ao Senhor. Porém, estes também não dispõem de tempo para isto. E assim a igreja continua caída e os planos do Senhor frustrados.

Não há um modelo uniforme e rigoroso para o ministério sacerdotal. Não queremos indicar um caminho padronizado, ou colocar um jugo sobre aqueles que sentem o chamado do Senhor. Mas uma coisa é clara nas Escrituras: não podemos entrar e participar dos propósitos de Deus sem dedicação. Dedicação de toda a nossa vida, tempo, dinheiro, família e possessões. Não nos enganemos a nós próprios. Se tivermos um senso de responsabilidade pela obra de Deus, pela concretização dos seus propósitos, e pela restauração da sua igreja, teremos que atender ao chamamento do Senhor ao sacerdócio. E a fim de sermos sacerdotes cujas ofertas são aceitas por Deus, a quem ele confia a sua palavra, teremos que dispor de tempo. Tempo para ministrar a Deus. Tempo para conhecê-lo intimamente. Tempo para levar diante as necessidades do seu povo. Tempo para ouvir claramente a sua voz.

O MINISTÉRIO DOS LEVITAS

O mesmo principio pode ser encontrado no segundo nível de ministério, que era o dos levitas. Embora não fossem tão separados quanto os sacerdotes, eles também tinham uma vocação mais alta, e uma posição mais próxima da presença de Deus, que os demais filhos de Israel. Novamente podemos perguntar: De onde veio a qualificação para este serviço? Por que eles eram mais santos que as outras tribos?

Enquanto os sacerdotes foram simplesmente escolhidos por Deus, aparentemente os levitas de alguma maneira se ofereceram ao Senhor. É certo que Deus já tinha um propósito para esta tribo toda, quando escolheu dela os sacerdotes.

Mas em Êxodo 32:25-29, vemos que os próprios levitas fizeram uma escolha. Quando Moisés desceu do monte Sinai, – e vendo o bezerro de ouro perguntou quem era do Senhor para que exercesse juízo sobre os demais, – foi a tribo de Levi que se ajuntou a ele. Parece que foi nesta ocasião que o Senhor escolheu os levitas para serem seus ministros (ver também Dt 10:8-11).

Que significa isto? Que Deus tem um chamamento para os seus ministros, mas que estes também têm que se oferecer e se dedicar integralmente a ele, a fim de entrar neste chamamento. Isto é muito profundo, e talvez difícil para entender ou aceitar. Mas há um principio, muito fundamental e muito negligenciado, na escolha e levantamento dos ministros de Deus. É um principio de dedicação. Sem dúvida, Deus já tinha escolhido a tribo de Levi.

Mas os levitas se colocaram à disposição de Deus, numa hora externamente crucial e perigosa, quando todo o plano de Deus em tirar o povo do Egito estava em perigo, e quando eles teriam que usar a espada contra os seus próprios irmãos. E Moisés disse que “por esse mesmo tempo o Senhor separou a tribo de Levi para levar a arca da aliança do Senhor, para estar diante do Senhor, para o servir, e para abençoar em seu nome até o dia de hoje” (Dt 10:8).

E o versículo seguinte diz que, assim como os sacerdotes, os levitas não têm herança. O Senhor é a herança deles. Este é o segredo. É tão simples. Deus não faz acepção de pessoas. Ele não tem um grupo de superespirituais que conseguem penetrar na sua presença e ter comunhão com ele. Este é o propósito que ele tem para todos os seus filhos, sem exceção e sem acepção. Nunca foi plano de Deus limitar este privilégio a um grupinho. Mas até que a hora chegasse, na nova aliança, quando seria possível que todos se tornassem sacerdotes na sua presença, Deus quis revelar através de alguns escolhidos o que ele procurava em todos.

O que Deus procurava nos sacerdotes e nos levitas do Velho Testamento, era simplesmente homens que estariam comprometidos somente com ele. Eles não teriam possessões, nem heranças. Eles não teriam liberdade para fazer o que bem entendiam com as suas vidas. Eles pertenciam ao Senhor. Ele era a sua herança. O fato de pertencerem exclusivamente ao Senhor, de não terem outra herança, ou outro compromisso, dava-lhes o direito de ministrar diante de Deus, e tocar nas coisas santas sem morrer. Este era o segredo da sua santidade, e da sua separação dos demais filhos de Israel.

Este é o segredo que a igreja, e os servos de Deus hoje, precisam redescobrir. Deus quer que todos cheguemos à estatura de Cristo (Ef 4:13). Mas até chegarmos lá, precisaremos dos ministérios. Do ministério do sacerdote, e do ministério do levita. E estes ministérios somente aparecerão quando os chamados do Senhor tiverem a revelação deste principio de dedicação.

É evidente que este princípio não pode ser aplicado de uma maneira rígida ou legalistica. É um princípio espiritual e só pode ser aplicado por revelação. Mas sem este princípio nenhum ministério fará a obra delineada em Efésios 4, de levar o corpo de Cristo à posição perfeita e madura. Nós precisamos de um ministério diferente, bem diferente daquilo que vimos em operação até hoje. Pois, embora reconheçamos os ministérios que Deus já levantou, é evidente que não produziram a igreja que Jesus espera como sua noiva. Estes ministérios não serão homens mais capacitados, e nem mais santos que os homens que Deus tem usado até hoje. Mas serão homens que viram uma nova luz de revelação sobre os sacerdotes que Deus quer levantar, e sobre a dedicação que é essencial a este novo ministério de que tanto precisamos.

OS DOIS NÍVEIS DE MINISTÉRIO NO NOVO TESTAMENTO

Até agora temos falado com base no Velho Testamento. Agora nos voltaremos para o Novo para ver aí os mesmos princípios. Existiam na igreja primitiva os dois níveis de ministério que estudamos nos sacerdotes e levitas? Havia a mesma relação entre os dois?

Em Atos 6, quando começaram a surgir os primeiros problemas da nova igreja, a diferença entre os dois níveis de ministério foi esclarecida pelos apóstolos. Havia uma necessidade de atender às viúvas, e os apóstolos não tinham tempo. O que eles fizeram?

Chamaram a comunidade dos discípulos e disseram: “Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6:2-4).

Por que não era razoável que os apóstolos deixassem o ministério da palavra?

Porque assim eles sabiam que a igreja morreria. E isto tem acontecido com a maioria dos avivamentos que Deus tem enviado à igreja. Alguém entra na presença de Deus como sacerdote, Deus ouve, e frutos começam a se multiplicar. Com mais pessoas e mais bênçãos, resultam mais problemas. Qual a conseqüência? Os sacerdotes deixam o seu ministério para atender aos problemas ­ e a corrente da vida e graça pára. Mas qual foi o resultado desta decisão dos apóstolos de não abandonar o seu ministério sacerdotal? Atos 6:7 diz que a palavra de Deus crescia e o numero dos discípulos se multiplicava.

Outra vez temos o princípio da dedicação. Se não houver pessoas que se entreguem ao ministério de sacerdote, dedicando tempo na presença de Deus para oração e para ouvir dele, não haverá uma igreja forte e sadia. Os apóstolos não podiam sacrificar este tempo, este ministério fundamental, nem para a “obra de Deus”. Não há nada, absolutamente nada, que seja mais importante do que esperar em Deus, e ministrar a ele como sacerdote! Se nós realmente crêssemos nesta verdade, nós agiríamos de maneira bem diferente! É isto que Deus quer nos revelar. Não há outra necessidade maior, não há outro chamamento mais alto, não há outro princípio mais eterno, que esse do sacerdócio. Enquanto colocarmos nossas ambições, materiais ou espirituais, acima deste chamamento primordial de nos dedicarmos ao ministério da oração e da palavra, nós nunca veremos uma obra profunda, permanente ou madura estabelecida. Que Deus nos mostre a futilidade dos nossos esforços e atividades na sua casa sem a nossa dedicação na sua presença! Que Deus nos faça sentir a urgência de nossas mentes, nossos corações e nosso tempo, a fim de ministrar primeiramente a ele! Certamente assim, Deus fará uma nova coisa, e consumará a sua obra perfeita em nosso meio!

Não é só o princípio da dedicação que podemos observar nesta passagem de Atos 6.

Notamos também os dois níveis de ministério. Os apóstolos representam aqui os sacerdotes, dedicando-se ao ministério da oração e da palavra. O ministério deles era orientado em direção ao Senhor. Os diáconos representam o ministério dos levitas. Eles ministravam ao povo, e tomavam sobre si encargo e responsabilidade diária dele. E assim como os levitas foram dados pelo Senhor aos sacerdotes, para ministrarem aos sacerdotes, e lhes ajudarem no serviço do tabernáculo, os diáconos foram dados aos apóstolos para ajudar no serviço da congregação do Senhor.

Havia então, no Novo Testamento também os dois níveis de ministério. Ates, porém, de ver em outras referencias estes dois ministérios e a relação entre eles, devemos esclarecer duas coisas. Primeiro, que o ministério do sacerdote é diante do Senhor, e por isto não chama sobre si muita atenção. É um princípio espiritual, para ser encontrado e entendido por aqueles que desejam conhecer os segredos escondidos de Deus. Não é um princípio claramente revelado ou mencionado no Novo Testamento, para que os homens não tentem cumpri-lo apenas exteriormente. Somente pode ser entendido pelo Espírito, pois também só pode ser experimentado pelo Espírito. Segundo, que o ministério do sacerdote e do levita, embora representando dois níveis diferentes de operação, e possuindo uma dependência entre si, podem ser encontrados na mesma pessoa. Não é necessário, e nem certo, fazer uma distinção tão rígida que classifique uma pessoa como sacerdote e outra como levita. Deus pode chamar, e tem chamado no passado, pessoas para servirem diante dele exclusivamente como sacerdotes. Outros podem ministrar ao povo como levitas. Mas isto não exclui a possibilidade de uma mesma pessoa ministrar diante do Senhor, e depois para o povo. O que é importante é saber o lugar certo de cada um, e como seguir os princípios divinos do seu funcionamento.

“Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres; …E, servindo eles ao Senhor, jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13:1,2). Aí estão novamente os dois ministérios ­ sacerdotes ministrando ao Senhor e a separação de levitas para ministrar ao povo. O sacerdócio vem primeiro, e é a fonte de todos os outros ministérios. Não há um verdadeiro ministério ao povo se este não proceder e depender de um ministério que serve ao Senhor e espera nele. O maior ministério para a igreja do Novo Testamento se levantou no meio de um grupo que sabia ministrar ao Senhor. Por isto Deus podia confirmar o ministério do apóstolo Paulo, pois ele saiu da própria presença dele, com a sua palavra e com o seu chamado.

Talvez pareça estranho chamar apóstolos e levitas. Nós estamos acostumados a pensar nos apóstolos como os ministérios mais altos que existem na igreja. Nós temos nos preocupado muito com os cinco ministérios, sem reconhecer que antes destes, precisa haver sacerdotes ministrando ao Senhor. Nós já vimos alguns ministérios na igreja, e eles têm nos abençoado. Mas sem um verdadeiro ministério sacerdotal que espera diariamente na presença de Deus, nunca veremos os homens de Deus se levantarem para pôr a casa Deus em ordem e levar o seu povo à perfeição. Simplesmente não pode acontecer. Deus não opera assim. Ele age de acordo com princípios muito simples, mas muito profundos.

Não haverá ministérios sem sacerdotes. Pois os únicos verdadeiros ministérios provêm da presença de Deus, onde ele chama, fala e qualifica. E somente os sacerdotes têm acesso à sua presença. Só eles deixam todas as outras ocupações e preocupações para ouvir o que Deus tem para falar.

Há uma relação muito interessante entre os levitas e os cinco ministérios. Nós já notamos que os levitas foram uma dádiva de Deus aos filhos de Arão, para desempenharem todo o serviço do tabernáculo (Nm 8:19; 18:6). Da mesma forma, os cinco ministérios são dons que Cristo deu à igreja (Ef 4:8-12). E com qual finalidade estes dons foram concedidos? “Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé…” (Ef 4:12,13). Não é um cumprimento do quadro que vemos nos levitas? Estes cuidavam do serviço do tabernáculo, tomavam sobre si o encargo do mesmo, montavam e desmontavam o tabernáculo nas jornadas, carregavam as peças. E assim fazem os cinco ministérios. O seu encargo é o aperfeiçoamento dos santos, a edificação do corpo de Cristo, que é a concretização da figura do tabernáculo. “Até que todos cheguemos” ­ revela que os cinco ministérios tinham a mesma responsabilidade levítica de levar o tabernáculo espiritual para frente. A igreja está caminhando para um alvo, e são os ministérios levíticos os encarregados e qualificados para levá-la.

Enfim, os ministros de Ef 4:11 são todos chamados para ministrar ao povo. E este era o ministério levítico. Moisés esclarece isto em Nm 16:9 quando diz que os levitas foram separados ao Senhor, para fazer o serviço do tabernáculo e “estar perante a congregação para ministrar-lhe”. E Paulo constantemente revela que o seu ministério também era dirigido ao povo, e existia por causa do povo. Muitas vezes através das suas cartas aos coríntios, Paulo mostra que o seu ministério apostólico era para que eles tivessem vida (I Co 4:8-10), que ele estava edificando a casa do Senhor, e que sobre ele pesava a responsabilidade de todas as igrejas (II Co 11:28). Em Romanos 15:16, Paulo revela o seu chamamento como o faz em outros lugares: “Para ser ministro de Cristo Jesus entre os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que sejam aceitáveis os gentios como oferta, santificada pelo Espírito Santo”.

Portanto, Paulo era um ministro ao povo dos mistérios de Deus revelados no evangelho. Que conclusão tiramos de tudo isto? Se os apóstolos eram levitas, quem eram os sacerdotes? Como poderia existir um ministério mais alto que o ministério apostólico?

Ainda que esta verdade nos assuste, precisamos enxergá-la. Pois há um ministério mais alto que aqueles de Ef 4:11. Os cinco ministérios dependem deste ministério mais alto.

A única vida num ministério virá como resultado do cumprimento do ministério sacerdotal. Até que os sacerdotes apareçam, teremos no máximo homens que levam títulos de apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, mas que não podem edificar a igreja do Senhor.

A UNIÃO DOS DOIS NÍVEIS DE MINISTÉRIO

Mas quem eram os sacerdotes no Novo Testamento? É claro que não podemos achar um ministério mais alto que o do apostolo Paulo. Seria um erro dizer que ele era um levita apenas, pois as suas revelações, ministérios e palavras edificaram não só a igreja dos seus dias, como também a todos os santos daquela época para cá. Ele os recebeu diretamente de Deus. Assim como Moisés no Velho Testamento, que não levou o nome de sacerdote, ele era mais sacerdote que todos os outros. Ele conhecia intimamente a presença de Deus.

Ele ouvia constantemente do Senhor, não só ao receber sua palavra e revelação inicial, mas durante todo o seu ministério. Este aspecto do seu ministério nunca recebe reconhecimento da parte dos homens. No entanto, sem dúvida alguma, a chave do grande fruto produzido por sua palavra em cada lugar, era o tempo que ele passava diante de Deus, derramando o seu peso pelas igrejas, buscando a mente e direção do Senhor, e ouvindo a sua palavra.

A verdade é que no Novo Testamento a separação entre os ministérios de levita e sacerdote se torna cada vez mais difícil. Foram separados na velha aliança a fim de mostrar-nos com mais clareza a diferença entre os dois, e a interdependência entre eles. porém, ao mesmo tempo que vemos nos cinco ministérios de Ef 4:11 o cumprimento do ministério levítico, na sua operação perante o povo, é impossível imaginar um homem em qualquer uma destas funções que não conhecesse o ministério sacerdotal. Se um homem não souber esperar em Deus, e ouvir claramente a sua palavra, como ele poderá ministrar aos outros?

Que tipo de ministério vai ser este?

O próprio Jesus demonstra a união dos dois ministérios em uma só pessoa. Ele ensinava, pregava e curava, atendendo constantemente às necessidades da multidão. Mas qual foi a fonte de tudo isto? As noites que ele passava orando e falando com o Pai. Foi por causa destas longas horas na presença de Deus que ele podia afirmar que tudo que ele via o Pai fazer, isto ele fazia também (Jo 5:19). Portanto, o ministério ao povo é importante e nunca foi negado por Jesus, por Paulo ou nenhum outro ministro verdadeiro do Senhor; mas depende inteiramente do ministério ao Senhor para sua vida, inspiração, palavra e resultados. É uma dependência tão completa, que se não sobrasse tempo para esperar em Deus durante o dia, Jesus tirava horas da noite para este fim. Pois ele reconhecia que se não dedicasse tempo suficiente para saber o que Deus queria que ele falasse e fizesse, seu ministério não teria vida nem frutos.

E assim também cada ministro de Deus hoje precisa reconhecer que, sem esperar no santo dos santos, ele não tem nada para oferecer ao povo. Se ele quiser assim cumprir com fidelidade e unção o seu ministério levítico, será necessário que ele cumpra em primeiro lugar seu ministério sacerdotal.

Já é tempo de entendermos estes princípios de Deus. Vamos deixar de brincar com teorias sobre a igreja do Novo Testamento, como se fôssemos crianças procurando edificar casas de bloquinhos. Urge que entremos com dedicação na presença de Deus para ministrar a ele, e ouvir a sua palavra para a sua igreja hoje. Só então levantar-se-ão os verdadeiros ministros do Senhor.

Precisamos de uma revelação. Oremos, e busquemos esta revelação. Pois nós não entraremos na prática deste sacerdócio, enquanto no fundo, nós ainda pensarmos que a igreja de Deus pode ser edificada apenas pelo ministério levítico. Se nós ainda acharmos que nossos esforços e atividades como ministros de Deus podem produzir resultados de valor, é evidente que não sacrificaremos tempo suficiente para ministrar ao Senhor, esperar nele. Mas quando virmos o nosso chamamento, e a inteira futilidade de ministrarmos ao povo sem que este ministério proceda da fonte do ministério sacerdotal, deixaremos as nossas outras ocupações para dedicarmos tempo ao Senhor.

Não há um modelo, e nem uma lista de regras, para pôr isto em prática. Muitas vezes alguns não serão chamados ao ministério exclusivamente sacerdotal. Podem ser abençoados e usados pelo Senhor em ministrar ao povo. Porém, o padrão divino revela uma interdependência muito essencial entre os dois níveis de ministério. Precisamos urgentemente buscar esta interdependência. Pois se o ministério não proceder de uma vida de servir e esperar no Senhor, ele nunca produzirá frutos duradouros.

Este é um princípio que faz parte de todas as áreas de operação do povo de Deus.

Desde o nível mais elementar do ministério até o nível mais alto, nós somente termos resultados reais na proporção em que sermos a devida importância ao ministério sacerdotal.

Vejamos alguns exemplos. Um pai de família é o ministro da sua casa. Ele é responsável diante de Deus por toda a sua família. Como uma pequena igreja, ele tem a responsabilidade de cuidar de cada vida, instruir no caminho do Senhor, fornecer nutrição espiritual, e guiar a família toda na vontade de Deus. De que depende o seu sucesso neste ministério? Por que muitos pais fracassam totalmente nesta responsabilidade séria e sagrada? Simplesmente porque eles não dedicam tempo suficiente ao Senhor. Cuidam da vida material por oito ou dez horas no dia, mas não sabem ministrar diante do Senhor como sacerdotes, para poderem ministrar em lugar de Deus, às suas famílias. Nós podemos entender perfeitamente a responsabilidade e função do pai no plano de Deus, mas não vai passar de uma teoria, se nós não soubermos funcionar de acordo com os princípios divinos. Sem dedicar tempo para ministrar ao Senhor, o pai nunca terá a sabedoria e a palavra de Deus necessárias para guiar uma família no caminho do Senhor.

Há o nível de ministério dentro da igreja – aqueles que são os líderes de uma igreja local. Eles têm a função do pai, mas com uma família um pouco maior. São responsáveis pelo cuidado de cada ovelha, trazendo vida espiritual à igreja, nutrindo cada vida, levando cada um a crescer na imagem de Jesus, e ajudando cada um a encontrar a palavra de Deus para a sua vida. Que responsabilidade tremenda! Que tarefa difícil! Como os ministérios de cada igreja poderão conseguir realizar tal coisa? Da maneira que a maioria dos ministros tem funcionado é impossível. Pois, ainda que dediquem tempo integral ao ministério, raramente sobra tempo para esperarem no Senhor. E o resultado é que o ministério procede da própria força humana, e não da presença e palavra viva do Senhor. Se virmos claramente o lugar fundamental deste ministério de sacerdote no plano de Deus, nós nunca mais tentaremos realizar a obra de Deus sem dar a este ministério a sua devida posição. É impossível conduzir o rebanho de Deus, e edificá-lo no caminho do Senhor sem dedicação constante ao ministério sacerdotal. Deus simplesmente não opera de outra forma. Ele proibiu os levitas do Velho Testamento de levar coisa alguma sem que os sacerdotes entrassem primeiro para cobrir as peças do tabernáculo. E assim é na casa de Deus. Ele não confirmará a obra dos levitas que agem independentemente dos sacerdotes. Sem um ministério que espera no Senhor e revela a sua palavra, a igreja nunca terá vida.

Também no nível ainda mais amplo de ministério, os mesmos princípios são indispensáveis. Além dos homens que levam a responsabilidade de congregações individuais, a igreja do Senhor precisa de homens que sintam responsabilidade pela obra de Deus em âmbito nacional e mesmo mundial. Precisamos dos ministérios de apóstolos e  profetas, homens enviados por Deus a todo o povo de Deus, e que trazem a mente do Senhor, os ministérios do Senhor, a palavra viva que representa a voz de Deus nestes dias ao seu povo. Precisamos de homens que têm a planta da casa de Deus, que possam colocar as coisas na igreja, e as revelações do plano e do coração de Deus para a igreja nestes últimos dias. E não só a entender, mas também a andar naquilo que o Espírito está revelando. Não podemos enfatizar suficientemente a necessidade que estes ministérios também têm de servir ao Senhor como sacerdotes. É um princípio simples e irrevogável. À medida que nós ministramos ao Senhor, e dedicamos-lhe o nosso tempo, deixando outras coisas que nos embaraçam e impedem, e reconhecendo que a nossa maior necessidade é de estar na presença de Deus, nesta proporção também veremos ministérios verdadeiros se levantando e produzindo fruto para nosso Deus. Os apóstolos e profetas que aprenderem o ministério sacerdotal em realidade poderão então revolucionar a igreja do Senhor em toda a terra, e preparar um povo para entrar em todos os desígnios de Deus, a fim de receber outra vez o Senhor Jesus Cristo!

É importante notar, que embora não haja regra alguma para pôr estes princípios em prática, na maioria dos casos cremos que Deus irá levar grupos de pessoas a entrarem em conjunto no ministério sacerdotal. Deus não está levantando ministérios individuais. Tudo que ele está fazendo hoje é global, ensinando a todos, desde o maior até o menor a operar em dependência e submissão a outros. E assim também com relação ao ministério de sacerdote. Isto é especialmente importante em relação aos ministérios da igreja local, e aos ministérios apostólicos. E isto muitas vezes é a grande prova, pois ajuntar vários servos de Deus numa mesma localidade, ou mesmo de localidades diferentes, a fim de ministrar ao Senhor, exige certo sacrifício. Mas à medida que Deus revela a importância e necessidade urgente deste ministério, seus ministros irão deixar as coisas secundárias para cumpri-lo.

É uma vocação séria vinda do Senhor. Você pode ser um sacerdote. Em qualquer nível em que você estiver operando, você pode entrar na presença de Deus e ministrar a ele. Ore contínua e insistentemente ao Senhor. Transmita este chamamento a outros irmãos. Tenha fé para que Deus levante na sua cidade um grupo de pessoas dedicadas a ministrar ao Senhor. Experimente os princípios de Deus, e você verá como funcionam. Prove o Senhor, para ver como este ministério está perto do coração dele, e como ele virá para estar no seu meio. Você não sabe ministrar ao Senhor? Não se preocupe. À medida que você dedica tempo para esperar nele, e participar dos seus propósitos, ele lhe revelará o caminho passo a passo. Aceite o chamamento e desafio do Senhor!

SUGESTÕES PRÁTICAS

A mensagem que você acaba de ler não terá valor real na sua vida se você não souber como pô-la em prática. Ministrar ao Senhor não pe um ato místico, superespiritual ou vago. Você não vai receber uma comissão divina, nem receberá este ministério como um presente que caiu do céu. É algo que depende da nossa iniciativa, da nossa disposição de dedicar tempo e força para esperar em Deus e de dar os passos necessários para entrar nesta alta vocação.

Algumas sugestões poderão auxiliar aqueles que realmente querem corresponder à chamada do Senhor. Em primeiro lugar, este ministério não é individual. Embora cada cristão possa e deva ter seu contato e comunhão particular com o Senhor, seria até perigoso buscar a revelação e palavra viva de Deus individualmente. A Bíblia diz que por boca de duas ou três testemunhas toda a palavra será confirmada (Dt 17:6; 19:15; II Co 13:1). Jesus prometeu que onde dois ou três estiverem reunidos, ele estaria no meio deles (Mt 18:20). É essencial, portanto, que pelo menos dois ou três se reúnam para esperar no Senhor e ouvir uma palavra clara e confirmada na sua presença. Se você recebeu uma chamada no seu coração para entrar na presença do Senhor, conhecer o seu coração, o seu peso e a sua voz, comece a orar e a buscar outros que tenham a mesma disposição. Difunda a mensagem, transmita a outros o clamor de Deus, buscando homens e mulheres que queiram ouvi-lo. Deus assim acrescentará a você outros cujos corações estão preparados para esperar nele.

Segundo, procure unidade de visão e propósito com as pessoas que forem se unir a você. É melhor ter mais uma pessoa com um verdadeiro propósito de ministrar ao Senhor, que três ou quatro que têm motivos misturados. Não é um simples grupo de oração que é formado por pessoas que queiram receber uma bênção, que procurem edificação pessoal ou qualquer outro motivo. Nem deve ser um grupo grande, pois dificilmente se obterá a unanimidade indispensável à oração eficaz. Se cada pessoa estiver orando para um objetivo diferente, o grupo nunca entrará no santo dos santos. Todos os membros do grupo precisam ter a mesma visão do que significa ministrar ao Senhor e um desejo de se entregarem a este chamamento de maneira definida e séria.

Terceiro, precisa ter um horário definido para orar – se possível todos os dias. Este não é um ministério para alguma hora oportuna, nem para “quando o Senhor dirigir”. É um chamamento e vai exigir tempo. Deus gosta de uma seriedade de propósito, de um tempo separado que será exclusivamente dele. Se um grupo fizer o propósito de buscar o Senhor de uma maneira metódica e fiel, certamente ele virá e se revelará a eles. É uma lei espiritual.

Quarto, procure definir um alvo certo para orar, para que a oração seja dirigida e eficaz, não espalhando tiros em todas as direções. Se por um lado, o objetivo deste ministério não seja fazer petições para nosso benefício próprio, por outro lado podemos correr o risco de orar muito tempo sem alvos definidos e sem resultados. O Espírito revelará quais são os verdadeiros desejos e desígnios do coração de Deus, a fim de que você ore segundo a sua vontade. Esperar em Deus não significa silêncio, e nem oração vaga ou sem rumo. Significa dar a ele uma oportunidade para falar e revelar mais claramente os seus pensamentos. Significa também orar em harmonia com os desejos do coração de Deus, expressando o querer dele.

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelo santos” (Rm 8:26,27).

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