As Ações Duvidosas São Pecaminosas

Notas:  Artigos Práticos sobre o Cristianismo – Artigo III. 1836

“Mas aquele que tem dúvida é condenado se comer, porque não come com fé; e tudo o que não provém da fé é pecado”– (Romanos 14:23).

Os pagãos costumavam oferecer animais em sacrifício. Uma parte de cada animal sacrificado correspondia ao sacerdote. Os sacerdotes costumavam mandar sua porção ao mercado para vendê-la, e era vendida nos açougues como a outra carne. Os judeus cristãos que estavam espalhados por todas as partes eram muito precavidos com a carne que comiam, para não incorrer com isso levantavam dúvidas e criavam disputas e dificuldades nas igrejas. Este é um dos pontos sobre os quais estava dividida a igreja de Coríntios, até que ao fim escreveram a Paulo para que lhes desse instruções. Uma parte da Primeira Epístola dos Coríntios foi escrita sem dúvida como resposta a estas perguntas. Parece que havia alguns que chegavam em seus escrúpulos até o ponto de dizer que não era próprio comer nenhuma carne; porque se iam ao mercado a comprá-la estavam sempre em perigo de comer carne que havia sido oferecida aos ídolos. Outros criam que isto não importava; e que tinham direito a comer carne; e compravam a que achavam no mercado, e não se preocupavam deste assunto. Para acabar esta disputa, escreveram a Paulo, e este lhes responde no capítulo 8, e considera o tema em detalhe.

“com respeito aos alimentos sacrificados aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus. Portanto, em relação ao alimento sacrificado aos ídolos, sabemos que o ídolo não significa nada no mundo e que só existe um Deus. Pois, mesmo que haja os chamados deuses, quer no céu, quer na terra (como de fato há muitos “deuses” e muitos “senhores”), para nós, porém há um único Deus, o Pai, de quem vêm todas as coisas e para quem vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem vieram todas as coisas e por meio de quem vivemos. Contudo, nem todos têm esse conhecimento. Alguns, ainda habituados com os ídolos, comem esse alimento como se fosse um sacrifício idólatra; e como a consciência deles é fraca, fica contaminada.”

“Sua consciência se contamina”, isto é, se considera que foi oferecida a um ídolo e portanto está praticando idolatria. O comer a carne em si é algo totalmente diferente.

“A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos. Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. Pois, se alguém que tem a consciência fraca vir você que tem este conhecimento comer num templo de ídolos, não será induzido a comer do que foi sacrificado a ídolos? Assim, esse irmão fraco, por quem Cristo morreu, é destruído por causa do conhecimento que você tem.”

Ainda que tenham conhecimento suficiente sobre o tema para saber que um ídolo não é nada, e não pode haver nenhuma mudança devido a carne em si, contudo, se o vê comendo carne que sabiam que havia sido oferecida a um ídolo, os que são débeis podem atrever-se a comer sacrifícios assim, ou como um ato de adoração ao ídolo, supondo entretanto que estavam seguindo o exemplo de irmãos com mais luz.

Mas o caso é que quando pecais assim contra os irmãos e fere a consciência débil deles, você está pecando contra Cristo. “Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra Cristo. Portanto, se aquilo que eu como leva o meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar.”

Esta é a conclusão de um espírito de benevolência, o renunciar a comer carne antes que ser ocasião de que o irmão débil seja atraído à idolatria. Pois de fato, o pecar contra um irmão débil é pecar contra Cristo.

Ao escrever aos Romanos toca também este tema, pois a mesma disputa existia ali. Depois de estabelecer alguns princípios e máximas gerais, dá a seguinte regra:

“Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos. Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais.”

Havia alguns entre eles que haviam decidido fazer um regime totalmente vegetariano, antes que correr o risco de comprar carne oferecida em sacrifício aos ídolos. Outros comiam carne de modo anormal, comprando o que se oferecia no mercado sem fazer perguntas por causa da consciência. Os que vivam de legumes acusavam ao outros de idolatria. Os que comiam carne acusavam aos outros de superstição e debilidade. Isto era errôneo.

“Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está em pé ou cai. E ficará em pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar.”

Havia também uma controvérsia entre os que observavam os dias festivos e os dias santos judeus. Uma parte supunha que Deus o requeria e por isso os observavam. Os outros não se preocupavam dele, porque supunham que Deus não requereria a observância.

“Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se obstem, para o Senhor se obstem, e dá graças a Deus. Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. Por esta razão Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor de vivos e de mortos. Portanto, você, por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus. Porque está escrito: “Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus”. Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão.”

Agora, prestemos atenção no que diz:

“Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu.”

Isto é, sei que a distinção de carnes entre limpa e imunda não é obrigatória ante a Cristo, mas para aquele que crê na distinção, é pecado o comer de modo indiscriminado, porque faz o que crê que é contrário ao mandamento de Deus. “Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem.” Todo homem deve estar persuadido em sua mente de que faz o reto. Se um homem come carne chamada impura, não sendo claro em sua mente que é reto, ofende a Deus.

“É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair.”

Esta é uma indicação muito útil para esses bebedores de vinho e esses glutões por cerveja, que pensam que a causa da temperança vai ser arruinada impedindo o vinho e a cerveja, quando é notório, para toda pessoa que tem o mínimo de observação, que estas coisas seja o impedimento máximo para a causa em todo o país.

Tens tu fé? Tenha-a para contigo diante de Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvida é condenado se comer, porque não come com fé; e tudo o que não provém da fé é pecado.

A palavra se condena significa se faz culpável de quebrantar a lei de Deus. Se um homem duvida de se é legal fazer uma coisa, e enquanto está em dúvida a faz, desagrada a Deus, quebranta a lei, e é condenado, tanto se a coisa fosse legal como se não. Quis explicar este texto em ralação com o contexto, porque desejei clarear bem em vossa mente a retidão do princípio estabelecido:

Que o homem que faz aquilo sobre o que tem dúvidas de se é legal, peca e se condena por isto diante da vista de Deus.

De se é legal em si, não é a questão. O que se diz é que se há dúvidas não é legal para ele.

Há uma exceção que teria que se notar aqui, e é que quando um homem de modo sincero e pleno duvida da legalidade de omitir algo, e ao mesmo tempo duvida da legalidade de fazê-lo. O presidente Edwards tratou deste ponto exatamente em sua resolução número 39:

“Resolvo não fazer algo sobre cuja legalidade tenho dúvidas, e tento, ao mesmo tempo, considerá-lo e examiná-lo depois, sobre se é legal ou não: exceto no caso em que também duvide sobre a legalidade de omiti-la.”

Um homem pode ter dúvidas iguais sobre se está obrigado a fazer uma coisa ou a não fazê-la. Então, tudo o que se pode dizer é que deve obrar segundo a maior luz possível que possa obter. Mas quando duvida da legalidade da omissão, e contudo o faz, peca e se condena diante de Deus, e tem que se arrepender ou ser condenado. Num exame mais detalhado deste tema me proponho:

I. Mostrar algumas razões pelas que um homem delinqüe quando faz aquilo sobre cuja legalidade tem dúvidas.

II. Mostrar sua aplicação a um número de casos específicos.

III. Oferecer umas poucas inferências e comentários, segundo permita o tempo disponível.

I. Vou mostrar algumas razões em favor do correto do princípio estabelecido no texto, que se um homem faz aquilo de que tem dúvidas de se é legal, se condena.

1. Uma razão pela que um indivíduo se condena se faz aquilo cuja legalidade tem dúvidas, é: que se Deus iluminou sua mente até o ponto de fazê-lo duvidar da legalidade de um ato, tem a obrigação de fazer um alto aqui e examinar a questão até que possa deixá-la estabelecida a sua satisfação.

Para ilustrar isto, suponhamos que teu filho deseja fazer certa coisa ou suponhamos que ele foi convidado pelos amigos dele a ir a alguma parte, e que duvida sobre se você lhe deixaria ir; não custa muito ver que o dever de seu filho é perguntar a você. Se um dos amigos dele o convida para ir em casa e duvida se você lhe deixaria ir, e contudo vai, não é isto mal de modo palpável?

Ou suponhamos que um homem vai parar como náufrago em uma ilha deserta, onde não há ser humano algum, e se instala em uma cova solitária, considerando que está só e sem ninguém, sem ajuda ou esperança; mas cada manhã encontra uma provisão de comida nutritiva preparada para ele e depositada na boca de sua cova, suficiente para as necessidades do dia. Qual é seu dever? Dirias que como não sabe se há algum outro ser na ilha não tem nenhuma obrigação para ninguém? Não requer a gratidão que busque e encontre a este amigo não visto e lhe dê as graças por sua amabilidade? Não pode dizer: “Duvido se haverá alguém aqui, e portanto não farei mais que comer minha porção e não me preocupar, não me importa quem o coloque.” O fato de não buscar a seu benfeitor lhe faria culpável de uma grande maldade em seu coração, como se soubesse quem o manda, e recusasse dar-lhe graças pelo favor recebido.

Ou suponhamos que um ateo abre seus olhos para a luz do sol, e respira o ar que o faz robusto e sadio. Aqui há evidência suficiente de que existe um Deus para impulsioná-la a inquirir sobre este Grande Ser que lhe provê estes meios de vida e de felicidade. E se não inquire e busca mais luz, se não lhe importa, se dispõe seu coração em contra de Deus, mostra que tem o coração de um ateo, além de ter o intelecto. Tem evidência, pelo menos, de que pode haver um Deus. Qual é pois sua obrigação? Simplesmente, com sinceridade e com um espírito reverente, como de uma criança, inquirir acerca deste ser e render-lhe reverência. Se quando tem luz suficiente para duvidar de se pode existir Deus, todavia vai atuando como se Ele não existisse, e não busca a verdade e a obedece, mostra que há algo mal em seu coração que lhe faz dizer que não há Deus!

Suponhamos um deísta, e aqui temos um livro que diz ser uma revelação de Deus. Muitos homens bons creram que ele é, verdadeiramente. As evidências são tais que satisfizeram a algumas das mentes mais agudas e inquisitivas de que é verdade. Estas evidências, tanto externas como internas, são de grande peso. O dizer que não há evidências, ou em todo caso, faz duvidar de sua sinceridade. Há, pelo menos, evidência suficiente para criar dúvidas a respeito de se é uma fábula ou uma impostura. Isto é na realidade só uma pequena parte, mas nos bastará com isto. Agora bem, é seu dever o rejeitá-lo? Nenhum deísta pretende que pode estar tão plenamente persuadido em sua mente até estar livre de toda dúvida. Tudo o que se atreve a tentar é levantar perguntas e dúvidas. Aqui, pois, tem o dever de parar e não opor-se a Bíblia, até que possa provar sem lugar a dúvida, que não é de Deus.

O mesmo com um unitário. Vamos a conceder (e não é este o caso de modo algum), que a evidência na Bíblia não é suficiente para tirar todas as dúvidas de se Jesus Cristo é Deus; contudo, oferece bastante evidência para levantar dúvidas no outro sentido, e ele não tem direito a rejeitar a doutrina como falsa, senão que tem a obrigação de esquadrinhar humildemente as Escrituras até achar satisfação. Agora bem, nenhum homem inteligente e sincero pode dizer que as Escrituras oferecem a “não evidência” da divindade de Cristo. Oferecem, ao contrário, evidência que convenceu e satisfez plenamente a milhares de mentes de primeira ordem, e algumas delas tinham se oposto anteriormente a doutrina. Ninguém pode rejeitar a doutrina sem alguma dúvida, porque aqui há evidência de que pode ser verdadeira. E se pode ser verdadeira e há razões para duvidar de se não é, antes a rejeita a risco seu.

Vejamos o universalista. De onde há alguém que possa dizer que ele não tem a menor dúvida de que não há inferno, um lugar ao qual vão depois de morrer os pecadores para um tormento eterno? Se há alguma dúvida, tem a obrigação de parar e inquirir e buscar as Escrituras. Não basta com que diga que não crê no inferno. É possível que exista, e se o rejeita e prossegue obrando como se não existisse, isto lhe faz um rebelde em contra de Deus. Duvida de se há um inferno que teria que evitar, mas atua como se estivesse certo e não tivesse dúvidas. Isto lhe condena. Vi uma vez a um médico que era um universalista e que já foi para a eternidade para comprovar a realidade de suas especulações. Este homem me disse que tinha fortes dúvidas da verdade do Universalismo e que tinha mencionado suas dúvidas a um ministro dele, que lhe havia confessado que ele também duvidava desta verdade e que não cria que houvesse um universalista no mundo que não tivesse dúvidas.

2. O fato de um homem fazer uma coisa sobre a qual tem dúvidas de se é legal, mostra que é egoísta, e que tem outros objetivos além de fazer a vontade de Deus.

Mostra que o que quer fazer é dar-se satisfação. Duvida de se Deus aprovará o que pensa, mas contudo, o faz. Não é este homem um rebelde? Se desejasse servir sinceramente a Deus, ao duvidar, faria alto e inquiriria e examinaria até que estivesse satisfeito. Mas o ir adiante enquanto está em dúvidas, mostra que é egoísta e mal, e que deseja fazê-lo tanto se lhe agradasse a Deus como se não lhe agradasse, e que quer fazer, tanto se é bom ou mal. O faz porque quer fazê-lo, não porque seja reto.

3. O obrar assim é uma acusação a bondade divina.

Supõe que não é certeza que Deus deu suficiente revelação de sua vontade, de modo que ele possa saber qual é seu dever. De um modo virtual diz que o caminho do dever é duvidoso até o ponto que tem que decidir ao azar.

4. Indica uma mente ofuscada e perecendo.

Mostra que prefere obrar mal que fazer uso da diligência necessária para aprender e conhecer o caminho do dever. Mostra que ou é negligente ou é insincero em suas pesquisas.

5. Manifesta um espírito inconsiderado.

Mostra uma falta de consciência, uma indiferença para o reto, um pôr de lado a autoridade de Deus, uma disposição a não fazer a vontade de Deus e que não lhe importa se Ele é complacente ou não, uma temeridade em sua disposição que é a suma da maldade.

O princípio que se estabelece, pois, de modo tão claro, no texto e no contexto, e também no capítulo lido de Coríntios, está plenamente sustentado pelo exame. Que se o homem faz uma coisa, quando duvida da legalidade da mesma, peca, e é condenado diante de Deus, e tem que se arrepender ou ser condenado.

II. Vou mostrar agora a aplicação deste princípio a uma variedade de casos particulares na vida humana. Porém:

Primeiro: mencionarei alguns casos em que uma pessoa pode estar em dúvidas com respeito à legalidade de uma coisa igualmente sobre se tem que fazê-la ou não fazê-la.

Ponhamos como caso o tema do vinho na mesa de comunhão.

Como resultado dos esforços em favor da Reforma da Temperança [abstenção de bebidas alcoólicas] se pôs sobre o tapete a questão do vinho na mesa do Senhor. Analisou-se a quantidade de álcool de muitos vinhos e foi encontrado que é bastante alto, e portanto alguns duvidam de se é próprio usá-los na celebração da mesa do Senhor. Para alguns o usá-los é parte essencial da ordenança e aqui se terminou a questão. Para outros o fato de que seja vinho, ou seja com álcool, não é essencial a ordenança, e neste caso usam outra bebida. Os dois pontos de vista são defendidos por pessoas de consciência, desejosas de fazer o que é agradável a vontade de Deus. Fica então os que têm dúvidas sobre o assunto. Espero que algumas pessoas possam ter escrúpulos e devem usá-lo. Duvidam se podem usá-lo e duvidam se é legítimo usar outra bebida. Aqui o caso é o apresentado abaixo, a regra do Presidente Edwards: “Quando é duvidoso em minha mente, se devo fazê-lo ou omiti-lo”, e sabemos que os homens deveriam decidir segundo a máxima luz que possam obter, com sinceridade e com o desejo de agradar a Deus.

Não tento vaguear na questão de se é legítimo usar vinho ou não a mesa de comunhão. Apresento o caso como ilustração. Contudo posso fazer um par de comentários.

1. Por minha parte não vejo nenhum mal no uso de vinho comum na comunhão. Não me sinto alarmado nem creio que haja perigo em tomar uma quantidade equivalente a um gole de vez em quando, uma vez a cada mês ou dois. Não creio que possa dar lugar a doença da intemperança(e intemperança, você sabe, é na realidade uma doença do corpo), ou será criado ou mantido um menosprezo a causa. Nem creio que possa produzir dano à causa da temperança, como alguns supuseram. E, portanto, o que se use vinho, tal como temos feito, eu estou persuadido em minha própria mente que não é pecado.

2. Por outra parte, não creio que o uso do vinho seja de modo algum essencial a ordenança. Muito já foi escrito e impresso sobre o tema, os quais tinham sido sem sentido e sem conhecimento. Ao meu parecer há razões muito fortes disso mais do que em qualquer outro assunto que já tenha sido exibido, mas o caso é que o vinho não é essencial para a ordenança. Grandes problemas têm sido levantados para provar que nosso Salvador usou vinho que não era fermentado, quando ele instituiu a ceia, e que neste caso não continha álcool. Certamente, este tem sido o ponto principal da discussão. Mas este fato parece tão irrelevante quanto discutir a questão de que se ele usou pão de trigo ou de aveia, ou se era fermentado ou asmo. Por que não discutimos esta questão com o mesmo interesse? Porque todas as considerações a respeito disso não são essenciais.

Para deixar resolvida a questão do vinho ou não vinho, deveríamos nos perguntar qual é o significado da ordenança da ceia. Com que propósito a estabeleceu o Senhor? Foi para tomar artigos básicos para a vida: comida e bebida, e usá-los como representativos da necessidade e virtude da expiação.

É claro que isto é o que pensava Cristo quando disse: “Minha carne é a verdadeira comida, e meu sangue é a verdadeira bebida.” Da mesma maneira que verteu água no templo e disse: “Se algum tem sede, venha a mim e beba.” O chamamos o “Pão da vida”.

Era pois de costume o mostrar o valor dos sofrimentos de Cristo comparando-os ao alimento e à bebida. Por que mencionou ao pão e não outro artigo de comer? Porque em seu país era o alimento mais comum. Quando eu estava em Malta, deu a aparência de que uma grande parte das pessoas viveu isolada de pão. Iam em massa para o mercado, e cada um comprava um pedaço de pão integral, e paravam e o comiam. Assim o mais comum e o artigo mais universalmente sadio de dieta é selecionado por Cristo para representar sua carne. Então porque ele usou vinho para beber? Pela mesma razão; O vinho é a bebida mais comum do povo, especialmente em suas alimentações, em todos esses países. Se vende por ali por cerca de um centavo a garrafa, um vinho sendo mais barato que a menor cerveja aqui. Em Sicily fui informado que o vinho era vendido por cinco centavos o galão, e não sei mas acho que estava tão barato quanto a água. E você observará que a ceia do Senhor foi observada primeiro bem na época do banquete da páscoa, na qual os judeus sempre usam vinho. O que o salvador quis dizer com esta ordenança, então, é isto:- Como o alimento e a bebida são essenciais para a vida do corpo, do mesmo modo meu corpo e meu sangue, ou seja a expiação, é essencial para a vida da alma. Por minha parte estou plenamente convencido que o vinho não é essencial para a comunhão e não teria inconveniente em dar água a qualquer indivíduo que a preferisse na consciência. Basta com que seja a comida e a bebida mais comum no país, isto sustém a vida do corpo, e com isto basta para a instituição. Se eu fosse um missionário entre os índios esquimós, onde eles vivem da carne de sol e da água de neve, administraria a ceia com estas substâncias. A idéia a transmitir é que não se pode viver sem Cristo.

Digo, pois, que se um indivíduo está plenamente persuadido em sua mente que não peca ao fazê-lo, pode renunciar ao uso do vinho. Por minha parte, eu não tenho o menor inconveniente em seguir usando o vinho, como sempre foi feito.

Agora bem, não percamos de vista o grande princípio sobre o que estamos falando. E é este: quando alguém tem dúvida sinceramente se é legal fazer uma coisa, ou duvida de modo sincero também de se é legal o omiti-la, deve orar sobre o assunto e esquadrinhar as Escrituras, e cuidar de obter o máximo de luz que possa sobre o tema e logo obrar. E quando o faz, não deve ser julgado ou censurado de maneira nenhuma pelos outros, seja o que seja o curso que tome. “Quem és tu para julgar ao servo de outro?” E ninguém está autorizado a fazer de sua própria consciência a regra da conduta do próximo.

Um caso similar é quando um ministro está tão afastado que seja necessário que ele vá até ao local no dia do descanso para pregar, como no caso dele pregar em duas congregações, e coisas desse tipo. Aqui ele pode duvidar honestamente de qual é seu dever, nos dois pontos de vista. Se ele vai, então ele passa como estranho por não considerar o dia do descanso. Se ele não vai, então as pessoas não têm pregação. A direção é a seguinte, deixe-o analisar as Escrituras Sagradas, e pegar a melhor luz que ele possa, faça disso um motivo de oração, considere isto a fundo, e cumpra de acordo com o melhor juízo que possa ter.

Também tem o caso do professor de Escola Dominical, que pode viver longe da escola, e pode ter a obrigação de viajar no sábado, caso contrário não terão aula. E ele honestamente pode duvidar de qual é seu dever, e permanecer em sua própria igreja no sábado, ou viajar até lá, cinco, oito, ou dez milhas, para um bairro afastado, para passar a aula da Escola Dominical. Aqui ele deve decidir-se por sua conta, segundo a melhor luz que ele possa obter. E nenhum homem pode deixar fazer-se juiz sobre um discípulo humilde e consciente do Senhor Jesus.

Como se vê todos estes casos se entende e fica claro que a intenção é honrar a Deus, e que a dúvida consiste em qual é o curso de ação que lhe dará realmente honra. Paulo disse, com referência a todas as leis desta classe: “O que faz caso do dia, o faz para o Senhor; e o que não faz caso do dia, para o Senhor não o faz.” A intenção é fazer o correto, e a dúvida está na maneira de fazê-lo.

Segundo. Mencionarei alguns casos em que a intenção é má, como quando o objetivo é a satisfação própria e o indivíduo duvida de se pode fazê-lo ou não legalmente. Vou me referir a casos com respeito aos quais há diferenças de opinião, atos sobre os quais se pode dizer que um homem tem dúvidas sobre sua legalidade.

1. Tome, por exemplo, o fazer ou vender bebidas alcoólicas.

Depois de tudo o que já foi discutido sobre este tema, e toda a luz que já foi posta sobre a pergunta, há algum homem nesta terra que possa dizer que não há razão para dúvidas sobre a legalidade deste assunto. O mínimo que pode ser dito é que não há mente honesta que não traga uma dúvida sobre isto. Suponhamos, certamente, que não há mente honesta que não saiba que isto é ilegal e criminoso. Mas pegue a mais convincente suposição do destilador ou do vendedor, e suponha que ele não está totalmente convencido de sua ilegalidade. O que deve fazer então? Fechar os olhos à luz que possui e seguir adiante, sem considerar a verdade que está sempre diante de seus olhos? Não. Ele pode criticar e pode criar objeções tanto como ele queira, mas ele sabe que tem dúvidas acerca da legalidade de seu negócio. E se ele duvida, e ainda persiste em fazê-lo, sem se incomodar para examinar e ver o que é certo, ele está tão seguramente condenado como se estivesse de cara com o conhecimento. Você ouve que estes homens dizem: “Por que? não estou completamente persuadido em minha mente que a Bíblia proíbe fazer ou vender licores espirituosos” Bem, suponhamos que você não esteja completamente convencido, suponhamos que todas as suas objeções possíveis e concebíveis e críticas não estão resolvidas, o que fazer então? Você sabe que você tem dúvidas de sua legalidade. Não é necessário levá-lo a convencer-se de que obra mal. Se você duvida de sua legalidade, e ainda assim persiste em fazer isto, então você se põe a caminho do inferno.

2. O que diremos de uma pessoa que trabalha num emprego que lhe requer quebrar o dia de repouso?

Pegue por exemplo, um posto de correios que se abre no domingo, ou numa barreira de pedágio, ou num barco a vapor, ou em qualquer outro emprego que não é necessário trabalhar. Há sempre coisas que devem ser feitas no dia de descanso, são trabalhos de absoluta necessidade e misericórdia.

Mas suponhamos casos em que o trabalho não é essencial no total, como o transporte de correio no Domingo. O mínimo que se pode dizer nestes casos é que a legalidade de um emprego assim é duvidosa. E caso se persiste em fazê-lo peca. Deus deixou claro qual é a pena contra a lei e o que não se arrepende irá para o inferno, Deus enviou a pena da lei contra eles, e se não se arrependem devem ser condenados.

3. Possuir investimentos em companhias de barco e de trens, em estágios, em canais de barco, &c. que quebrantam o dia de repouso.

Pode dizer qualquer dono verdadeiramente que ele não duvida da legalidade de tal investimento de capital? Pode a caridade inclinar-se para este homem e dizer que ele não deve duvidar que tal trabalho é de necessidade e misericórdia? Não é necessário neste caso demonstrar que isto é ilegal, no entanto isto pode ser feito completamente, mas apenas para mostrar que quanto mais luz mais dúvida se cria de sua legalidade. Então se persiste em fazê-lo, com a dúvida insatisfeita, ele é condenado e se perde.

4. Os mesmos pecados terão aplicação para todos os tipos de loteria e jogos de azar. Ele duvida.

5. Tome o caso destas satisfações de apetite, do qual são temas de controvérsia, e das quais pelo menos podemos dizer que são duvidosamente corretos.

(1.) O beber vinho, e cerveja, e outros licores intoxicantes fermentados. No aspecto presente da causa temperança, não é isto pelo menos duvidoso, ao fazer uso destas bebidas não é transgredir a regra imposta pelo apóstolo, “Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça” Ninguém pode me fazer crer que ele não tenha dúvida da legalidade de fazer isto. Não há prova exata de sua legalidade, e há prova forte de sua ilegalidade, e todo homem que faz isto enquanto duvida de sua legalidade, está condenado, e se ele persiste, é anátema.

Se há algum sofisma [argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má fé por parte de quem o apresenta; ou, argumento que parte de premissas verdadeiras, ou tidas como verdadeiras, e chega a uma conclusão inadmissível, que não pode enganar ninguém, mas que se apresenta como resultante das regras formais do raciocínio, não podendo ser refutado; ou, argumento falso formulado de propósito para induzir outrem a erro] em tudo isto, eu devo gostar de sabê-lo, pois não tenho desejo de enganar aos outros nem de ser eu mesmo enganado. Mas estou inteiramente enganado se esta não é uma inferência simples, direta e necessária do sentimento do texto.

(2.) O tabaco. Pode algum homem fingir que ele não tem dúvida que isto está de acordo com a vontade de Deus para ele usar o tabaco? Ninguém pode fingir que não duvida de sua omissão sobre estas coisas. Algum homem pode viver pensando que ele está preso no dever de fazer uso de vinho, ou cerveja forte, ou tabaco, como um luxo? Não. Toda a dúvida está de um lado. O que diremos então desse homem que duvida da legalidade disso, e ainda enche a cara dessa erva venenosa? Ele está condenado.

(3.) Eu devo referir-me a chá e café. É conhecido geralmente, que estas substâncias não são nutritivas ao final, e que próximo de oito milhões de dólares seja anualmente gasto para elas neste país. Agora, algum homem fingirá que ele não duvida que a legalidade do gasto de todo esse dinheiro em coisas que não servem para nada, e que SABE MUITO BEM, para quem tem examinado este tema, serem positivamente danosos, intoleráveis para estômagos frágeis, e por mais forte que seja pode estar disposto a ser machucado? E tudo isto, enquanto as diversas sociedades benevolentes deste tempo estão ruidosamente pedindo por AJUDA para enviar o evangelho para o exterior e salvar o mundo do inferno! Pensar na igreja gastando milhões só em gastos sobre suas mesas de chá, não há dúvida aqui?

6. Aplicar este princípio a diversas recreações.

(1.) O teatro. Há vastas multidões de professos em religião que assistem ao teatro. E contestam que não encontram proibição na Bíblia. Agora, prestemos atenção. – Que cristão professo que alguma vez foi ao teatro e não duvidou se o que ele estava fazendo era algo legal. De nenhuma maneira, admito que é um ponto que é só duvidoso. Suponho que é um caso muito simples, e pode ser mostrado que é, que é ilegal. Mas eu estou procurando agora somente aqueles de vocês, se há algum aqui, que vão ao teatro, e tratam de esconder-se completamente no refúgio de que a Bíblia não proíbe em nenhuma parte.

(2.) As festas de prazer, aonde vão e comem e brindam para satisfazerem-se. Não há razão para duvidar que tal uso de tempo e dinheiro não é como Deus requer? Olhe ao pobre morrendo de fome, e considere o efeito desta alegria e extravagância, e veja se você alguma vez irá a outra festa como esta, ou fará uma, sem duvidar de sua legitimidade. Onde você pode encontrar um homem, ou uma mulher, que chegará inclusive a dizer que eles não têm dúvidas? Provavelmente não há mulher honesta que dirá isto. E se você duvida, e ainda assim o faz, você está condenado.

Você vê que este princípio toca todas as classes de coisas da qual há uma controvérsia, e onde as pessoas intencionam mudar de assunto dizendo que isto não é tão ruim quanto fazer e pronto, e assim escapar-se da sentença condenatória da lei de Deus. Mas de fato, se há uma dúvida, então é seu dever abster-se.

(3.) Tome o caso dos bailes, de leitura de novelas, e outros métodos de perder tempo. É esta uma forma de gastar suas vidas? Pode dizer você que está sem dúvida sobre isto?

7. Fazer visitas no dia de descanso. A pessoa irá fazer uma visita, então dará uma desculpa sobre ela: “Eu não sei se era realmente correto, mas eu pensei em me arriscar” Ele quebra o dia de descanso já no coração, em todos os casos, porque ele duvida.

8. Conformidade com os costumes mundanos do Reveillon. – Então todas as senhoras estão em casa, e os cavalheiros estão todos correndo pela cidade para visitá-la, e as senhoras fazem suas grandes preparações, e trata-os com suas tortas, e seu vinho e seu ponche, suficiente para envenená-los quase até a morte, e todas juntas prestando reverência à deusa da moda. Há alguma senhora aqui que não duvida da legalidade disto? Digo que isto pode ser demonstrado que é uma maldade, mas apenas pergunto para as senhoras desta cidade. Isto não É DUVIDOSO ou isto é tudo legal? Devo por em dúvida a sanidade do homem ou da mulher que esteve sem dúvida da legalidade de algo semelhante a este costume, no meio de tal intemperança predominante como a que existe nesta cidade. — Quem entre vocês praticará isto outra vez? Pratica-o se você se atreve – no risco de sua alma. Se você faz isso que é simplesmente duvidoso, Deus o reprova e condena, e Sua voz deve ser considerada.

Sei que as pessoas tentam arranjar desculpas para o assunto, e dizer que está bem ter um dia assim para tais apelos, quando cada mulher está em casa e cada homem livre de seu trabalho e de tudo. E que está tudo muito bem. Mas quando se vê que isto é tão abusado, e produz tanto mal, pergunto a cada cristão aqui, se você pode ajudar a duvidar de sua legalidade? E se é duvidoso, isto nos traz baixo a regra: “Se aquilo que eu como leva meu irmão a pecar”, se a realização do Reveillon leva a tanta glutonaria, e a tanta bebedeira, e tanta maldade, isto não bota a sua legalidade em dúvida? Sim, isto é o mínimo que pode ser dito, e aqueles que duvidam e ainda assim fazem isto, pecam contra Deus.

9. Conformidade com as modas extravagantes da época.

Senhora Cristã! Você nunca duvidou? Você não duvida agora se é legal para você copiar estas modas, trazida de países estrangeiros, e de lugares que são ainda uma vergonha para o nome desta assembléia? Você não tem nenhuma dúvida sobre isto? E se você duvida e faz isto, então você está condenada, e deve arrepender-se de seu pecado, ou você se perderá para sempre!

10. Os matrimônios entre cristãos com pecadores impenitentes.

Esta pergunta sempre acontece. “Mas depois de tudo você diz, não é certeza de que estes matrimônios não sejam legais” Suponhamos que seja assim, ainda que a bíblia e a natureza do caso não faça isto, pelo menos, não são duvidosos se são corretos? Pode ser demonstrado, certamente, que é ilegal. Mas suponhamos que não poderia ser feita tal demonstração. Que cristão alguma vez fez isso e não duvidou de que se era legal? E o que duvida está condenado. Veja esta mulher ou este homem, cristãos que estão a ponto de fazer tal ligação – duvidando de todas as formas se é correto – tentando orar a parte da consciência sobre o pretexto de estar orando para ser iluminado, pedindo tudo sobre seu dever, e segue adiante com pressa – TENHA CUIDADO – você sabe que duvida da legalidade do que você se propõe, e LEMBRE que aquele que faz duvidando é anátema.

Assim vocês vêem, meus ouvintes, aqui está um princípio que permanecerá fiel a você quando você trata de repreender o pecado. E o poder da sociedade é empregado para vencê-lo e botá-lo na defensiva, para trazer uma prova absoluta da pecaminosidade da prática de algo que seja apreciável. Lembre – a responsabilidade de apresentar PROVAS não cabe a você, para mostrar sem dúvida a ilegalidade de alguma coisa. Se você pode mostrar razão suficiente para questionar sua legalidade, e criar uma dúvida válida que esteja de acordo com a vontade de Deus, então você apresenta a responsabilidade de apresentar provas para o outro lado. E a menos que possam remover a dúvida e mostrem que não há lugar para dúvidas, não têm direito para continuar, e se continuam, então pecam contra Deus.

Conclusão

1. O conhecimento do dever não é indispensável para a obrigação moral, senão que a possessão dos meios de conhecimento é suficiente para fazer a pessoa responsável.

Se uma pessoa tem os meios de saber se está bem ou mal fazer algo, tem a obrigação de usar os meios que tem para pesquisar e decidir por sua conta e risco.

2. Se foram condenados aqueles que fazem algo cuja legitimidade têm dúvidas, quanto mais se condenaram as multidões que estão fazendo continuamente o que sabem e confessam que está mal?

Ai daquele que pratica o que condena! E “feliz é o que não se condena naquilo que se permite fazer”.

3. Os hipócritas com freqüência tentam desculpar-se em suas dúvidas para escapar de fazer seu dever.

O hipócrita não deseja receber mais luz, não deseja conhecer a verdade, porque não deseja obedecer ao Senhor, e por isso se esconde em suas dúvidas, e lança a espada para a luz, e não olha nem examina qual é seu dever, e a sua maneira trata de fugir escondendo-se da responsabilidade. Mas Deus lhe tirará de detrás de se parapeito de mentiras, por meio dos princípios apresentados no texto, ou seja, por suas mesmas dúvidas que o condenam.

Há muitos que carecem de luz com respeito ao uso de bebidas intoxicantes. Não estão convencidos de que seja mal. E se negam a ler folhetos ou artigos nos jornais, ou assistir a reuniões em favor da temperança, por temor de que se lhes convença. Na realidade estão decididos a permitir-se este pecado, com a esperança de esconder-se detrás de suas dúvidas. Que melhor evidência se pode dar de que são hipócritas?

Quem nos Estados Unidos pode hoje em dia ter a menor dúvida do ilegítimo da escravidão? Com tudo há muitos que nem querem ouvir falar deste tema, e se esquentam se é anunciado, e chegou a ser proposto que se passem leis, tanto no norte como no sul, proibindo a discussão do tema. Suponhamos que se passem estas leis, com o propósito de permitir a nação desculpar-se por detrás destas dúvidas com respeito de se a escravidão é um pecado e que teria de aboli-la imediatamente. Serviria isto para algo? De maneira nenhuma. Se continuam considerando a seus próximos com uma propriedade na escravidão, em tanto que duvidam de sua legitimidade, se condenam diante de Deus, e podem estar seguros que seu pecado os alcançará, e que Deus lhes fará saber o que pensa deles.

É surpreendente considerar a loucura de alguns sobre este tema; como se ao recusar que lhes clareiem as dúvidas podem conseguir desprender-se de seu pecado. Pensemos nas pessoas do Sul: Há cristãos, inclusive ministros, que recusam ler um artigo sobre o tema da escravidão e talvez, se o recebem, o devolvem com palavras insultantes ou ameaçadoras. Ameaçadoras! Por que? Porque se trata de fazer-lhes ver qual é seu dever. Se pode demostrar de modo absoluto que a escravidão é ilegal, e que é algo de que teriam que arrepender-se e renunciar a ela, como de qualquer outro pecado. Porém suponhamos que eles só têm dúvidas da legitimidade da escravidão, e não querem receber mais luz sobre este ponto. Isto lhes condena diante de Deus. Que saibam que não podem fazer desaparecer estes fatos, que não podem desprender-se e livrar-se deles. Enquanto tenham dúvidas de sua legitimidade, não podem reter a outros em escravidão sem pecar; e o fato de que têm dúvidas, é demonstrado no fato que se oponham a discussão.

Podemos supor que haja alguns na parte sul do país que tenham dúvidas com respeito à legitimidade de manter escravos e também com respeito a legitimidade de emancipá-los em seu presente estado de ignorância e dependência. Isto cai dentro da regra do presidente Edwards, e é seu dever não encolerizar-se contra os que lhes chamam a atenção sobre este caso, não devolver os jornais sem querer lê-los, senão inquirir por todas partes para conseguir mais luz, e examinar a questão sinceramente à luz da Palavra de Deus, até que todas suas dúvidas se aclarem. E o mínimo que podem fazer, entretanto, é começar com todo seu poder e instruir aos escravos e educá-los com objetivo a que possam cuidar de si mesmos, tão pronto como seja possível, e assim colocá-los em condições de dar-lhes liberdade.

5. É manifesto que há muito pouca consciência na igreja.

Basta com ver as multidões que persistem em fazer coisas sobre as que têm graves dúvidas de se é legítimo fazê-las.

6. Há todavia menos amor a Deus que consciência.

Não se pode pretender que o amor a Deus é a causa de todas estas modas, estas liberdades e todas as coisas sobre as que agente tem dúvidas de se são legítimas. Não persistem em fazê-las porque amam muito a Deus. Não, não, senão que persistem em fazê-las porque querem fazê-las, para sua própria satisfação, e preferem correr o risco de obrar mal a verificar para clarear suas dúvidas. É pelo fato que têm pouco amor a Deus e se preocupam muito pouco com honrar a Deus.

7. Não diga em vossas orações: “Senhor, se temos pecado nisto, perdoa-nos o pecado.”

Se foi feito aquilo que cuja legitimidade você tem dúvida, pecou, tanto se o que tenha feito é bom como se é mal. E você tem que se arrepender e pedir perdão.

E agora permita-me perguntar a todos os aqui presentes, vocês estão convencidos de que o fazer aquilo sobre o que você tem dúvidas de se é legítimo é pecado? Se você está me falta só uma pergunta para terminar. Você quer de uma vez abandonar aquilo sobre o que você tem dúvidas? Toda diversão, liberdade, prática, costume! Você quer fazê-lo para não ter que se apresentar diante do trono do juízo solene de Jesus Cristo para ser condenado? Se você não quer renunciar a estas coisas, mostra que é um pecador impenitente e não intenciona obedecer a Deus, e se não se arrepende, coloca sobre tua cabeça a ira e a condenação de Deus para sempre.

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