O Deus de que ninguém zomba

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna” (Gálatas 6:7, 8).

“Quero-o solto, mesmo que ele me mate!”

Assim pedia uma dona de casa da cidade de Cleveland, listado de Ohio, a Sra. Jane Kolodziej, ao tentar fazer seu ma­rido receber alta de um hospital para psiquiatras, onde fora internado, depois que ela testificou que ele havia ameaçado matar a ela e aos dois filhos do casal. Quando ela disse ao juiz que acreditava que seu marido ficara insano, o tribunal ordenou que o mesmo fosse enviado ao hospital para doentes mentais.

Subitamente, a Sra. Kolodziej resolveu que o queria de volta, anunciou que havia mentido no tribunal, e em protesto fi­cou quatro dias sentada no hospital. Finalmente, conseguiu o livramento do esposo, assinando uma declaração em que dizia: “Quero-o solto, mesmo que ele me mate!”

Três meses mais tarde, o marido Chester Kolodziej, espan­cou ate matar ela, e seus dois filhos, com um pedaço de cano de sessenta centímetros. Ela queria consigo o seu marido, a qualquer preço, e esse foi exatamente o preço que ela foi obri­gada a pagar.

Quando li essa história num jornal de Los Angeles, pen­sei sobre como tantos milhões de pessoas, à semelhança daquela pobre esposa, querem o pecado a qualquer preço, não importando qual seja o preço! Os homens, algumas vezes, pensam que querem o pecado, embora isso lhes custe tristeza, sofrimento e coração despedaçado para sempre. Querem o pecado, embora devam saber que só podem tê-lo ao preço da morte, do inferno e da condenação eterna.

Neste sermão, e com este texto, quero passar novamente em revista o que tens de pagar como preço pelo teu pecado. Podes saber o preço do pecado de conformidade com a Palavra do Deus vivo, e de conformidade com o testemunho de múlti­plas experiências humanas. Essas duas coisas, experiência e revelação, são ambas unânimes e unidas em sua resposta defi­nida e positiva acerca desse problema universal da humanidade.

Deus tem muitas leis que não podem ser quebradas. Algu­mas dessas leis invioláveis situam-se no terreno da natureza. Por exemplo, existe a lei que chamamos de lei da gravidade. Se deres mais um passo sequer, estando à beira do alto de um edifício de cinqüenta andares, para o espaço, certa e rapi­damente cairás e te arrebentarás no pavimento lá em baixo. Podes desafiar esta lei, mas não podes quebrá-la.

Outro exemplo é a lei que chamamos de lei de força centrífuga. Se dirigires teu automóvel numa curva fechada, com a velocidade de 150 quilômetros horários, teu carro será inca­paz de manter o equilíbrio, e rolará certo número de vezes. Podes desafiar a lei da força centrífuga, mas não podes quebrá-la.

Ainda outra lei natural do Senhor refere-se à semeadura e à colheita. Se um fazendeiro semear aveia, a lei que cada qual produz seu igual garantirá que a colheita seja de aveia, e jamais de cevada ou trigo ou qualquer outra coisa. Aquilo que um fazendeiro semear, isso mesmo colherá!

Assim como Deus estabeleceu leis naturais que não po­dem ser quebradas, semelhantemente Ele estabeleceu rigorosas leis espirituais impossíveis de serem desafiadas, sem a conse­qüente tristeza e sofrimento. A lei da semeadura e da colheita, apresentada em nosso texto, é um tremendo exemplo dessa Sua lei espiritual. Não te esqueças, ela não pode ser quebrada! Quando Deus diz alguma coisa é assunto estabelecido!

Examinando essas palavras “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”, a primeira coisa que vem à mente é:

I. O Desejo de Iludir do Diabo

A tarefa de Satanás é tentar enganar as pessoas para que acreditem serem capazes de zombar de Deus! Ele gosta de fazê-las pensar que podem pecar e nada sofrer por isso, que podem quebrar leis santas e não serem apanhadas, que podem transgredir, sem terem de pagar o preço de sua insensatez!

Pensa bem em como ele tem sido bem sucedido nisso em nossa geração! Tanto jovens como pessoas idosas parecem ter caído igualmente, vítimas de sua sutil filosofia: “Ninguém ja­mais saberá”. São como o menino que, ao ser interrogado por sua professora de Escola Dominical sobre qual dos dois homens da história de Cristo em Lucas 16 gostaria de ser — o rico ou Lázaro — retrucou: “Gostaria de ser o rico, enquanto vi­vesse, e Lázaro, depois da morte”. Querem beber profunda­mente da taça dos prazeres mundanos, nesta terra, para então penetrarem nos umbrais gloriosos do Céu, ao morrerem. Mas isso não pode ser feito, pois é impossível enganar a Deus ou zombar Dele por um momento sequer.

Números 32:23 diz; “Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor; e sabei que o vosso pecado vos há de achar”. Como ferozes sabujos, na trilha de um assassino que foge, a justiça divina há de alcançar e punir cada uma de tuas transgressões.

O salmista, no Salmo décimo, descreve os pensamentos evidentes do pecador comum, ao escrever: “Diz ele, no seu íntimo: Deus se esqueceu, virou seu rosto e não verá isto nun­ca… Por que razão despreza o ímpio a Deus? E diz no seu íntimo: Não te importas?” (versículos 11 e 13). O versículo seguinte continua: “Tu, porém, o tens visto…”

Provérbios 22:8 adverte: “O que semeia a injustiça se­gará males; e a vara da sua indignação falhará”. E Isaías 3:11, depois de falar sobre a benção que pertence aos justos, ameaça: “Ai do perverso! mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram”. No entanto, insensata­mente, alguns pensam que podem zombar de Deus com o seu pecado e conseguirem escapar das conseqüências.

Abraão Lincoln segundo se conta, teria dito: “Pode-se enganar a todos, por algum tempo. Podem-se enganar alguns, por todo o tempo. Mas não se pode enganar a todos, por todo o tempo”. A essa porção de sabedoria, eu gostaria de acrescentar o lembrete: não podes enganar a Deus em tempo algum.

Certa vez li acerca de um homem, que, após haver come­tido uma ação terrível, fugiu à noite, sob a proteção da escuri­dão, montado em seu cavalo a galopar furiosamente pela flores­ta, apenas para descobrir que, ao raiar do dia, tinha voltado à cena de seu crime, para então ser descoberto, capturado e con­denado à morte! A lei da colheita espiritual opera mais ou menos assim. Não importando quão longe ou quão direto o pecador fuja de seu pecado, em algum lugar, em algum tempo, de alguma maneira, terá de enfrentar novamente aquele pecado. É inevitável! Deus não se deixa zombar!

Não podes zombar de Deus com uma falsa profissão. Ele sabe quem O ama e quem apenas finge haver sido salvo. João 2:24,25 registra Sua reação para com certo grupo que afirma­ra ter crido Nele: “… mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana”.

Não podes zombar Dele com missas ou confissões auriculares para encobrir uma vida ímpia. Nem podes zombar Dele com as supostas “boas obras” ou sacrifícios em dinheiro, tempo ou talentos. Assim como um fazendeiro não poderia zombar da natureza plantando pedregulho pintado para parecer-se com germe de trigo, e esperar receber uma colheita de trigo, assim também é impossível zombar de Deus no que se refere ao pe­cado e à salvação.

E Satanás não apenas tenta enganar as pessoas para que julguem poder zombar de Deus, mas, falhando nesse ponto, es­força-se por enganá-las com suas outras mentiras. Por exemplo, um de seus enganos favoritos é o de convencer o pecador que deve desistir de todas as suas alegrias se quiser tornar-se um crente. Que tremenda mentira é essa! Na realidade, a verdadeira alegria não tem início, enquanto a pessoa não se torna crente!

O Dr. R. A. Torrey conta sobre como tratou com uma jo­vem que havia engolido essa mentira do diabo e que sentia que teria de desistir de muita coisa para poder tornar-se crente. O bom evangelista sabiamente lhe perguntou se pensava que Deus a ninava. Recebendo resposta afirmativa, então lhe perguntou quanto Deus a amava.

E ela respondeu: “O bastante para dar-me Seu Filho unigênito para que morresse na cruz do Calvário”.

“Então”, continuou o evangelista, “se Ele a ama tanto, vo­cê acha que Ele insistirá em que você desista de qualquer coisa que seja boa para você?”

“Não!”

“Você pensa que quer apegar-se a qualquer coisa que não seja boa para você, que lhe faça algum mal?”

Hesitando um momento, ela retrucou lentamente: “Não, penso que não”.

“Nesse caso”, insistiu o fiel evangelista, “você não acha que deveria aceitar a Cristo como seu Salvador pessoal neste exato momento?”

Ela reconheceu que sim, e numa questão de minutos sen­tia-se imensamente feliz com a salvação dada pelo Senhor. Isso é bom senso! E se tu, à semelhança do filho pródigo, que se tornou famoso por estar metido no chiqueiro de porcos, sim­plesmente compreenderes tua situação, imediatamente sentirás a necessidade de Cristo como teu Salvador!

Outra mentira, que Satanás tem usado com grande êxito por todos os séculos, é que existe satisfação nos prazeres do pecado, mas nenhuma satisfação em Cristo. Na realidade, o oposto é que é verdade. Satanás nada possui que possa satisfazer por muito tempo. Tal como as “cisternas rotas” dos dias de Israel, as fontes do pecado “não retêm as águas” (Jeremias 2:13). Só Jesus satisfaz!

Satanás usa como isca em seu anzol o amor ao dinheiro, iludindo o pecador para que considere as riquezas como motivo de sua satisfação. Porém, aqueles que subiram até o cume da montanha da prosperidade material, são quase unânimes em suas volumosas confissões de que o dinheiro não pode satis­fazer o homem.

A Srta. Rockfeller, filha do famoso John D. Rockfeller, foi certa vez interrogada por um repórter sobre se se sentia feliz. “Não, não sou feliz. E pode dizer a todos e a quem quiser, a todos quantos me invejam, que não sou feliz de forma alguma”

O Sr. Eastman, que chefiava a grande companhia produtora de filmes fotográficos e cinematográficos Eastman Kodak, entrou num hotel de Rochester, Nova Iorque, e em seu quarto desfechou um tiro entre os olhos.

O Sr. Fleischman, cujo nome se tornou praticamente sinônimo do fermento que fabricava, terminou sua vida em Los Angeles, Califórnia, atirando-se nas frias e escuras águas do oceano Pacífico.

Prezado amigo, não há paz, não há satisfação, não há alegria real na riqueza.

Outro tanto se pode dizer a respeito dos prazeres e diver­sões deste mundo. Satanás procura convencer a todos, espe­cialmente aos jovens, que há mais alegria nas coisas deste mundo do que naquilo que é de Deus. Não permitas que ele continue te enganando — simplesmente não é como ele diz! Milhares têm crido em suas mentiras e têm terminado com saúde estra­gada, corações partidos e almas condenadas!

Há mais de dez anos que as páginas da A Espada do Senhor contaram a patética história de uma bela jovem de vinte e dois anos que faleceu em certo inverno no Commercial Hos­pital, em Cincinnati, Estado de Ohio. Ela viera de um bom lar, fora bem educada, era talentosa e tinha-se realizado. Entre­tanto, o pecado estava presente, e sua queda a levou ao mais vil dos vícios e à ruína. Morrendo naquele hospital, desgraçada e de coração despedaçado, deixou um poema de sua própria composição, intitulado “A Bela Neve”. Esse tocante poema é uma obra de arte em seu todo, mas quero resumir aqui apenas os dois últimos versos, que contam a verdade de nosso texto da forma mais vivida possível:

“Já fui bonita, como a bela neve e amada por minha pureza e graça inocentes. Todos me amavam. Todos me agradavam. Mas com minha queda, tudo perdi: pai, mãe, irmãs, Deus e eu própria. Não há mais nada de puro em mim, agora, ou à minha volta, a não ser a bela neve.

Como é estranho que essa neve bonita caia sobre uma pecadora desanimada, tremendo de frio, morrendo sozinha, sem ter para onde ir. Muito fraca para orar, só me resta morrer e ter uma mortalha feita pela bela neve”.

Oh, a ruína, o naufrágio e a dor do pecado! Não permitas que o diabo te seduza! Não sejas como essa pobre, miserável, decaída jovem. Não sejas enganado! De Deus não se zomba!

Enquanto medito sobre esse nosso texto, observo outra importante verdade bíblica:

II. A Regra que Regula a Colheita

Nosso texto declara: “… pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. Haverás de colher exatamente aquilo que tiveres semeado; cada qual produz o seu igual. Isso é o que o Senhor quis dizer em Mateus 7:16, em Seu Sermão da Mon­tanha. Lemos ali: “Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” É evidente que não! É preciso contar com uma videira para colher uvas; e é preciso contar com uma figueira para colher figos! Nunca, nunca, se pode esperar colher uvas de um espinheiro ou figos de um abrolho!

A observação feita pelo nosso texto é também a lição da experiência. Elifaz relembrou sabiamente a Jó: “Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniqüidade e semeiam o mal, isso mesmo eles segam. Com o hálito de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem” (Jó 4:8,9) . Se estás semeando para a carne, então certamente colherás a corrupção da carne. Alguém poderá colher contigo, é verdade, mas ninguém colherá em teu lugar! Cada qual colhe em sua própria plantação!

Jacó descobriu, tristemente, essa verdade em sua vida. Gênesis 27 relata a vergonhosa história de como ele se aliou à sua mãe, Rebeca, para enganar Isaque, a fim de que o patriarca pronunciasse sobre ele a bênção destinada a Esaú. Visto que, conforme Jacó disse, “Esaú, meu irmão, é homem cabeludo, e eu homem liso” (versículo 11), tornava-se necessária grande estratégia para enganar o cego Isaque. Os versículos 9 e 16 explicam como realizaram seu crime: “Vai ao rebanho, e traze-me dois bons cabritos; deles farei uma saborosa comida para teu pai, como ele aprecia… Com a pele dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço”. Então, quando o cego Isaque apalpou suas mãos e notou-as cabeludas, pronunciou a bênção, julgando estar abençoando seu filho mais velho, Esaú.

Mas, depois do pecado do engano de Jacó, mediante os cabritos, apesar de haver recebido a bênção, teve de fugir de sua casa e de sua terra, da ira de Esaú, sentindo, sem dúvida, que seu pecado alcançara sucesso. Mas, alcançara, realmente?

Mais tarde na vida, Jacó se tornou o feliz pai de doze filhos, um dos quais, José, era a delícia de sua idade avançada. Porém, a tragédia abateu-se sobre aquela família, e os dez filhos mais velhos voltaram do campo, onde estavam cuidando dos rebanhos, certo dia, para mostrar a “túnica talar” do filho favorito, toda manchada de sangue. Imediatamente Jacó ima­ginou que José tivesse sido devorado por um “animal selva­gem”, e que certamente o rapaz fora “despedaçado” (Gênesis 37:33). Na realidade, os filhos mais velhos estavam enganando ao seu pai, pois haviam vendido José, por causa da inveja, a fim de que fosse levado como escravo ao Egito, onde mais tarde, entretanto, Deus haveria de elevá-lo à mais alta posição de autoridade.

Como foram os filhos capazes de enganar a Jacó? O regis­tro sagrado, em Gênesis 37:31, diz: “Então tomaram a túnica de José, mataram um bode e a molharam no sangue”. É verdade! Jacó foi enganado exatamente como havia enganado — mediante o cabrito! É que Jacó estava meramente colhendo a amarga colheita da semente perversa que havia semeado cerca de trinta anos antes. Seu pecado acabara encontrando-o; fize­ram-lhe como Ele havia feito.

O que Jacó descobriu, com tristeza, acerca da lei da semeadura e da colheita, se aplica a todos nós. Os homens colhem exatamente aquilo que semeiam. Se semeias uma vida sem Deus e Seu Cristo, podes estar certo de colher uma eternidade sem Deus e Seu Cristo!

Se um fazendeiro, cada ano continuasse semeando o seu campo, mas nunca fizesse a colheita, seria sem dúvida consi­derado um louco. No entanto, o indivíduo comum sente que pode semear suas sementes pecaminosas, mas que nunca terá de colher a sega amarga, quando chegar o tempo da colheita. Não admira que Deus tenha chamado tal homem de insensato!

Como seria insensato o homem que semeasse sua fazenda inteira de seis acres com abrolhos, esperando colher trigo, milho ou cevada? E que dizer sobre o homem que semeia durante toda a sua vida as sementes do pecado, e no entanto tem a louca esperança de entrar na glória do Céu de Deus, no mo­mento em que sair deste mundo? “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará”! Esse princípio opera na vida em família, na vida dos negócios, na vida social, na vida da igreja, e em todos os outros campos da atividade humana, igualmente.

Naturalmente que a boa semeadura produzirá boa colheita. Nosso texto deixa transparecer isto nas palavras: “… mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna”. Eclesiastes 11:1 diz: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”. E Gálatas 6:9,10 ajunta: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé”.

A semeadura, que inclui conquista de almas, bondade, ajuda, ofertas, sacrifício e as outras formas de serviço cristão, pro­duzirá uma colheita abundante de bênçãos e recompensas. Vale a pena viver direito; vale a pena fazer o que é direito!

Os homens, mulheres e jovens que vivem para Cristo colhem grandes dividendos durante suas vidas terrenas; e tam­bém colherão grandes dividendos na eternidade. Provérbios 11:18 diz: “O perverso recebe um salário ilusório, mas o que semeia justiça terá recompensa verdadeira”. E Isaías 3:10 promete: “Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas ações”!

Por outro lado, a semeadura perversa certamente produzirá uma colheita má. Algumas pessoas constantemente se recusam a reconhecer essa verdade, a qual, não obstante, é verdade. As mesmas pessoas que negam esse principio em suas ações, chamar-te-iam de completamente louco se lhes sugerisses que plan­tassem trigo, esperando uma colheita de milho!

Freqüentemente se ouve as pessoas dizerem em sua loucura que os jovens precisam praticar (ou “semear”) os desvarios da juventude. Não sei quando foi que Satanás deu início a essa perigosíssima mentira — só sei que era popular muito antes do meu tempo — mas também sei que os jovens (e os velhos, também), que semeiam dissipações, terão de colher dissipações. São palavras de Elifaz, novamente: “Segundo eu tenho visto… isso mesmo eles segam” (Jó 4:8). Sim, a insensatez da ju­ventude algumas vezes se esquece de determinada colheita, aqui e no além!

Todavia, há ainda um terceiro pensamento que deveria ser mencionado relativamente à lei da colheita, o qual fala sobre a verdade que diz respeito a:

III. O Excesso que É Produzido pela Semeadura

Caro pecador, não apenas terás de colher exatamente a quantidade que semeaste, mas terás de colher muito, muito mais do que aquilo que foi semeado! Trata-se simplesmente da lei da semeadura e da colheita. O fazendeiro que semeia cem litros de semente, planeja colher muito, muito mais do que essa quan­tidade, chegado o tempo da colheita. O mesmo se dá com o pecado! Oséias 8:7 declara acerca da idolatra Samaria: “Porque semeiam ventos, e segarão tormentas…” Os pecadores que semeiam o vento, devem esperar colher o tufão por ocasião do julgamento!

Algumas vezes, os fazendeiros sofrem perda de suas colhei­tas por motivos como seca, insetos, pestilências, saraiva, chuva excessiva e diversas outras causas; porém, no que tange à se­meadura do pecado, nunca há fracassos na colheita. O apóstolo Paulo salienta essa verdade em Romanos 2:6-11, onde declara que Deus “… que retribuirá a cada um segundo o seu proce­dimento: Dará a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos facciosos que desobedecem à verdade, e obedecem à injustiça. Tribulação e angústia virão sobre a alma de qual­quer homem que faz o mal, do judeu primeiro, e também do grego; glória, porém, e honra e paz a todo aquele que pratica o bem: ao judeu primeiro, e também ao grego. Porque para com Deus não há acepção de pessoas”.

Davi, homem que se elevou até bem alto, caiu, entretanto, por causa do pecado, tendo aprendido com tristeza essa verdade depois de haver plantado as mais terríveis sementes gêmeas da concupiscência: o adultério e o homicídio! O rei Davi semeou o vento e colheu a tempestade; seus pecados renderam quatro por um!

A primeira colheita que fez daquela triste semeadura foi a morte de seu lindo e mui amado bebê. Quem poderia descrever adequadamente a angústia de coração daquele homem, ao contemplar o cadáver frio, saído de sua carne e de seu sangue, ser baixado à sepultura — e durante todo o tempo sabendo que era o seu pecado que o encontrara, que estava causando tudo aquilo?

A segunda colheita foi segada quando seu filho Amom, dominado pela mais vil das paixões, enganou e então humilhou sua meia-irmã, Tamar, filha de Davi, roubando para sempre sua mais nobre possessão, a virtude. É claro que esta colheita foi ainda mais amarga para Davi, do que a primeira.

A terceira colheita chegou quando Absalão, filho de Davi, ignorando o mandamento bíblico, que ensina que devemos deixar a vingança nas mãos de Deus, matou Amom num banquete, planejado justamente com esta finalidade.

Mas a quarta colheita foi talvez a mais dura que Davi teve de suportar. Absalão, perdoado por Davi por haver assas­sinado seu próprio irmão Amom, voltou para casa somente para tentar roubar a afeição do povo pelo seu pai, e para expulsar Davi do trono. Na batalha que disso resultou, contrariando ordens específicas do próprio rei, Absalão foi morto pelos ho­mens de Davi. A angústia e a tristeza que assaltaram a alma de Davi, por ocasião dessa sega, é descrita no último versículo do capítulo 18 e no primeiro versículo do capítulo 19 de II Sa­muel: “Então o rei, profundamente comovido, subiu à sala que estava por cima da porta, e chorou; e andando, dizia: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho! Disseram a Joabe: Eis que o rei anda chorando, e lastima-se por Absalão”. Sim, o pecado de Davi o havia encontrado. Fizeram-lhe como ele havia feito.

Nesta vida haverá um excedente para aqueles que estiverem semeando as sementes do pecado. Segarás essa colheita em teu corpo, em teu caráter, em tua consciência, em teus filhos e de muitas outras maneiras. O simples fato de teu pecado não te haver encontrado imediatamente não deve ser motivo para pensares que escapaste da inevitável lei da colheita! Algumas colheitas amadurecem imediatamente, como no caso da mulher, do oitavo capítulo de João, que foi apanhada no próprio ato do pecado; usualmente, entretanto, há uma longa demora entre a semeadura e a sega.

Eclesiastes 8:11-13 adverte: “Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos ho­mens está inteiramente disposto a praticar o mal. Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus. Mas o perverso não irá bem, nem prolongará os seus dias; será como a sombra, visto que não teme diante de Deus”.

Não imagines que por motivo da sentença não ser “exe­cutada logo”, conseguiste escapar apesar de teu pecado. Lem­bra-te do provérbio popular que diz: “Os moinhos de Deus moem lentamente, mas moem miudíssimo”.

Lembra-te, igualmente, de quanto tempo a colheita demorou na vida da perversa rainha Jezabel! Mediante traição, mentira e assassinato ela furtou a vinha de Nabote para o igualmente perverso rei Acabe. Elias foi ao encontro deles, enquanto exa­minavam a possessão assim furtada, e pronunciou uma maldição contra Acabe, dizendo: “No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo”. E contra Jezabel proferiu estas palavras: “Os cães comerão a Jezabel dentro dos muros de Jezreel” (I Reis 21:19,23).

Três anos mais tarde a profecia a respeito de Acabe foi cumprida literalmente, mas Jezabel continuou sem ser molestada por quase vinte anos. Será que ela conseguiria escapar das conseqüências do pecado semeado? Teria fugido da lei da co­lheita? II Reis 9 descreve como Jeú chegou em Jezreel, onde Jezabel se encontrava, fez com que a atirassem da janela de seu palácio abaixo, contra as pedras do pavimento, onde passou por cima dela com seus cavalos e sua carruagem, deixando-a uma massa esmagada e coberta de sangue. Entrando no palácio para comer e beber, subitamente sua indignação abrandou e ordenou aos servos que lhe fizessem um sepultamento decente, por ser “filha de rei”. Porém, quando foram cuidar dos seus restos, “não acharam dela senão a caveira, os pés e as palmas das mãos” (versículo 35). Os cães haviam-lhe comido as car­nes, perto do muro de Jezreel, tal como o Senhor havia dito; fizeram-lhe o que ela fizera — seu pecado havia-a finalmente encontrado.

Também penso sobre o longo tempo que Satanás tem esca­pado do inferno; sobre quanto tempo, aparentemente, ele está escapando do seu pecado. Pelo menos durante seis mil anos até agora — e quanto tempo mais só Deus sabe — Satanás está em atitude de rebeldia contra a Vontade e a Palavra do Deus Todo-Poderoso, continuando solto para manifestar sua iniqüidade. Apocalipse 20:10, porém, prediz sobre o dia quando a justiça houver de encontrá-lo: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago do fogo e enxofre, onde também se encontram não só a besta como o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos”.

Faz mais de cem anos agora que alguns arqueólogos encontraram uma múmia bem preservada, num túmulo egípcio. Técnicos em escrita hieroglífica concordaram que a escrita sobre as vestes da múmia datava do tempo dos primeiros Faraós, e que a data do sepultamento era também da mesma época. Quando levaram a múmia para o Museu Britânico, examina­ram-na mais cuidadosamente, encontrando algumas sementes em sua mão fechada. Curiosos, tomaram aquelas sementes com muitos milhares de anos, e as plantaram, esperando que nada nascesse. No tempo devido, porém, uma vinha surgiu do solo, uma vinha que era como qualquer outra planta da mesma espécie deve ser! A vida ficara encerrada naquelas sementes durante séculos, germinando quando lhe foi dada a devida oportunidade.

O pecado assemelha-se àquelas sementes! Nunca te esqueças que Deus tem as tuas sementes, e que um dia elas haverão de germinar. “… sabei que o vosso pecado vos há de achar”!

Sucede, entretanto, que não terás de segar a colheita iníqua de teus pecados somente nesta vida, pois também haverás de colhê-la na vida vindoura. Hebreus 9:27 declara solenemente: “… aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo”.

Apocalipse 20:11-15 descreve esse julgamento com as pala­vras abaixo transcritas: “Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então se abriram livros. Ainda outro livro, o livro da vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago do fogo. Esta é a segunda morte, o lago do fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago do fogo”.

Prezado amigo, Deus não se deixa zombar! Um dia terás de enfrentá-Lo, a fim de prestares conta de teus pecados! Que dirás? Que desculpa oferecerás por teu pecado e por tua rejeição de Cristo? Por que não confias em Cristo como teu Salvador pessoal agora mesmo, assim escapando desse julgamento? Romanos 10:13 garante: “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo”. Por que não invocas o Seu nome?

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna”.

Oh, Pecador, Por Que Tentas Zombar de Deus? Por Que Tentas Escapar com o teu Pecado?

Acabaste de ler este sermão com sua poderosa advertência bíblica. Certamente teu coração deve estar convencido da ver­dade. Pensas que podes pecar e escapar? Pensas que podes continuar a insultar a Deus e escapar do castigo eterno? Dei­xa-me que te convide, ansiosamente, para que busques a paz com Deus hoje mesmo, que corras para Ele, para encontrares misericórdia.

Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados. Mediante Seu sacrifício na cruz, Ele pagou a dívida de cada pobre pecador. A única esperança, a única maneira de escapar, a única salvação possível para qualquer mortal, é arrepender-se de seu pecado e confiar em Jesus Cristo para o perdão e a salvação. Não queres fazer isso hoje mesmo? A bendita promessa de João 3:16 diz: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Deus te ama. Jesus morreu por ti. Se neste momento te voltares honestamente e de todo o coração para Deus, abandonando o pecado, confiando em Jesus Cristo para seres perdoado, se te renderes a Ele, se O aceitares, se confiares Nele como teu próprio Salvador, Ele perdoará os teus pecados neste momento. Ele espera por ti para transformar o teu coração, tornar-te filho de Deus e dar-te a certeza que tens um lar no Céu. Queres confiar Nele agora? Queres fazer à grande e eterna escolha entre o pecado e o Salvador?

No decurso do sermão, fiz menção do triste poema escrito pela jovem moribunda de Cincinnati, que havia descoberto, amar­gamente, o trágico pagamento do pecado. Depois de seu faleci­mento, um servo do Senhor adicionou outro verso ao poema, que apresenta o outro lado da verdade:

Eis o seu resumo:

“Desamparado e sujo, como a neve pisada, não desesperes, ó pecador. Cristo sofreu e morreu crucificado para salvar a alma perdida no pecado. Ele ouvirá a tua fraca súplica: ‘Ó Deus, lava-me e ficarei mais alvo que a neve”.

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