Vinde… E Achareis Descanso

O caminho de bênção na vida cristã é muito simples. A dificuldade é que nós fazemos complicadas, coisas que na rea­lidade são simples. Mas Deus fez estes caminhos tão claros que, diz Ele, “os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão.” Ou, para empregarmos outra figura, a verdade de Deus é como um rio muito profundo, mas muito límpido.

Se pudermos por um momento ausentar-nos de nossas com­plicações, quero sugerir que a vida cristã pode ser reduzida a um mínimo de suave simplicidade, que encontramos nas palavras de Isaías 30, verso 15: “Em vos converterdes, e em repousardes, estaria a vossa salvação”.

A GRANDE NECESSIDADE DE NOSSA VIDA

Isto foi escrito a um povo que se tinha afastado de Deus. Eles O tinham esquecido e deixado de lado, o que, de uma forma ou de outra, é o que todos nós fazemos aqui e ali. Nós nos afastamos do Senhor em nossos corações e não O amamos com todo o nosso ser, ou não confiamos nEle plenamente, ou não andamos com Ele como devíamos.

Este povo tinha descido ao Egito, aquela terra onde Deus não era conhecido nem querido e de onde o próprio povo havia sido tirado e salvo. Muitos crentes descem ao Egito, comprometendo-se com as maneiras do mundo, fazendo amizades mundanas, ou participando  de divertimentos mundanos.   Fazendo   isto,   afastam-se do Senhor.

Lemos ainda, que este povo cobriu-se “com uma cobertura, mas não do meu Espírito” como diz o Senhor ali, o que significa que haviam feito toda a sorte de planos e programas sem consultarem a Deus. E quanto disto há em nossas vidas. Aliás, não é verdade a respeito de muitos de nós, que vivemos muito do nosso tempo com pouca ou nenhuma referência aos desejos ou manda­mentos de Deus? Dizemos que amanhã faremos isto ou aquilo, sem dar um pensamento à vontade de Deus na questão. Assim fazendo, afastamo-nos do Senhor.

E assim é que, no fim das contas, estamos bem distantes de Deus. Este povo é descrito aqui como estando num deserto, numa “terra de aflição”, com as almas vazias e infrutíferas. Pior ainda, eles descobrem que aquilo em que tinham confiado, de nada lhes valerá. Que mensagem há aqui para nós. Quantas vezes não temos estado ali. Contudo, ainda quando nesta situação, a Palavra de Deus nos vem — “Em vos converterdes, e em repousardes, estaria a vossa salvação.”

O   SEGREDO   DE   SALVAÇÃO

Muitas pessoas dizem que estão tentando, procurando, ser cristãos. A Bíblia não diz que precisamos tentar ser cristãos, como não precisamos tentar ser homens ou mulheres. Nós somos homens ou mulheres porque nascemos assim. Da mesma forma, não é para tentarmos ou esperarmos ser salvos. A Bíblia nos diz que, ao nos convertermos e repousarmos, seremos salvos.

Nós precisamos converter-nos, ou em outras palavras, arrepender-nos. Isto significa que precisamos voltar para Deus, dando meia volta, voltando as costas e deixando para trás todos os outros deuses cm quem confiávamos. Aliás, temos de dar as costas para nós mesmos, em real tristeza pela nossa atitude errada para com Deus e para com outras pessoas. Todas as “tentativas” do mundo não substituirão um pequeno ato que seja, de real arrependimento.

E então, é DESCANSAR. Precisamos parar com as nossas lutas e tentativas, e começar a confiar. Isto é o que chamamos crer. Certa vez um missionário estava traduzindo o Novo Testamento para uma língua nativa, e não conseguia achar uma palavra para “crer”. Em dado momento entrou ali um trabalhador nativo, dizendo: “Oh, estou tão cansado que preciso largar todo o meu peso nesta cadeira.” Imediatamente o missionário disse: “Aqui está a palavra que eu quero”, e naquela língua a palavra “crer” é tra­duzida por “largar todo o peso”. É isso que temos que fazer para ser salvos. Largar todo o nosso peso em Cristo, sobre o que Ele fez por nós na Cruz, e sobre o Seu presente poder para salvar-nos.

O   SEGREDO   DO   PROSSEGUIR   NA   VIDA   CRISTÃ

Depois que somos crentes, ainda tendemos a nos afastar do Senhor, pois à nossa volta há muitas coisas que seduzem.

Todos nós sabemos que isto é verdade. Quem de nós tem tão pura e imperturbável comunhão com o Senhor que nunca há necessidade de reajustamento espiritual ou de uma volta? Pois os maiores santos, que têm conhecido as mais profundas experiências com Deus, têm tido seus momentos de “frieza”, de modo que os encontramos chorando sobre seu afastamento do Senhor. Às vezes, no inverno, ficamos sentados num quarto frio, concentrados em nosso trabalho, e em dado momento nos levantamos para reunir-nos com os outros à beira do fogo. Começamos então a sentir arrepios, e dizemos: “Não percebi que eu estava tão gelado, até que cheguei junto do fogo.” E assim é espiritualmente. Nós não percebemos quão frios estamos, até que voltamos para o Senhor Jesus e o calor do Seu Amor.

Então, quando voltamos, descansamos. O pródigo voltou, espe­rando ir trabalhar na cozinha. Em vez disso, recebeu um anel, o melhor vestido e um lugar na festa, pois ele voltara, não a um emprego, mas a seu próprio lar. Assim o Pai nos diz: “Volta ao teu repouso, ó meu filho.” É, realmente, perfeito descanso andar com Jesus, pois Seu sangue vai-nos limpando de todo o pecado, c Seu Espírito Santo é dado para constantemente habitar em nós. Não é significativo que quando o Espírito veio para revestir de poder o Senhor Jesus Ele tenha vindo como uma pomba? Nada é tão quieto como uma pomba. Aqui está a suavidade de reavivamento pessoal — não uma alma cheia de grande esforço, mas uma alma intei­ramente em repouso no Senhor Jesus, e Ele em repouso em nós.

O   SEGREDO   DE   PODER   ESPIRITUAL

Uma pessoa que está sempre vindo ao Senhor em tudo, nunca chega a ficar distante do Senhor, pois o coração que é conservado quente no amor de Deus, é renovado na vida do Espírito Santo e assim feito vital para Deus. Ê com o humilde e contrito, que Deus habita. Nós voltamos, para sermos renovados em vida e poder.

E este repousar no Senhor não é ociosidade, embora alguns o tomem por esse lado. Há uma paz e uma tranquilidade no poder de Deus. Há uma energia sem esforço que se derrama do coração e da vida que habita em Cristo. A corrente elétrica não faz o menor ruído, mas tem enorme poder. E a alma que descansa profunda­mente em Deus é a única através da qual Deus sempre trabalha, pois tranquilidade não è esterilidade, quando é tranquilidade em Cristo, e nada tanto impede a Deus como esforço na carne.

O   SEGREDO   DE   COMUNHÃO

Alguém já disse que a comunhão cristã é como os raios de uma roda. Quanto mais próximos do eixo, mais próximos uns dos outros, até que, no eixo, unem-se todos num. Nós ficamos separados uns dos outros, enquanto estamos distantes do Senhor. Quando estamos frios para com Ele, somos frios um para com o outro — ou meramente polidos! Precisamos voltar para o Senhor juntos. “Vinde, e tornemos para o Senhor”, lemos em Oséias. E com que gozo andamos juntos quando voltamos! “E os resgatados do Senhor voltarão, com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças.”

Nada há na terra tão seguro, tão doce, tão forte, que traga tanta alegria, como a comunhão que vem quando crentes se arrependem e voltam juntos para o Senhor e descansam, em nada mais, senão em Cristo Crucificado. Rem disse alguém que há pouco descobriu isto — “Eu nunca soube o que era amar aos irmãos, até que aprendi a viver com eles quebrantado aos pés de Cristo.”

Assim, em qualquer tempo, em qualquer lugar, quando algum pecado entra, ou o mundo atrai, quando alguma dúvida ou depressão abre a porta da mente, quando amigos abandonam ou inimigos assustam, se uma tristeza surge, ressentimento assoma, auto-compaixão ou súbita irritação invade a alma, mesmo quando vítimas de apatia, inquietação ou alguma necessidade espiritual que não po­demos entender — o que quer que seja que não vá bem conosco — esta Palavra básica nos vem, como o caminho simples que Deus tem para nosso alívio todas as vezes — “Em vos converterdes, e em repousardes, estaria a vossa salvação”. E por que? Porque voltar para Ele e descansar é abrir as portas de nossa necessidade ao Deus da nossa Salvação, que pode libertar e transformar. “Volta, ó minha alma, ao teu repouso, pois o Senhor te fez bem.”

S. V.

Fonte: Revista Reavivamento – 1962

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